7VERSE : SETE VIDAS
SETE VIDAS VIDA 2: DIANA, A CAÇADORA
vida 2 CAPÍTULO 2
O HOMEM DOS MEUS SONHOS
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LOS ANGELES, DOIS DIAS ANTES
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- NÃÃÃO!
Luke Braeden acordou sobressaltado.
Confuso e envergonhado, percebeu que estava excitado. Tanto que chegava a doer. Isso só o fez sentir-se ainda mais constrangido.
Que diabo de sonho fora aquele?
O normal é a pessoa começar a esquecer o sonho tão logo acorde. Mas, a cena ainda estava muito vívida em sua memória. Parecia estar revivendo o sonho, mesmo depois de acordado.
Aquele homem no sonho. O homem tirava a roupa sem pressa e caminhava nu em sua direção. Orgulhoso do próprio corpo. Exalando masculinidade. Mais e mais perto. Seus intensos olhos verdes. Hipnotizantes. Podia sentir desejo nos olhos do homem. Podia ver o corpo do homem expressando aquele desejo de forma inequívoca. O homem exibia um sorriso sacana. Quem poderia ficar indiferente àquele sorriso? Sua boca. A forma como ele molha os lábios. Impossível desviar os olhos daquela boca. Próxima. Muito. Muito próxima. O próprio coração acelerado. Os lábios se tocando. Os corpos fazendo contato. As mãos dele. Envolvendo seu corpo sem encontrar resistência. Aumentando o contato. Corpos unidos. A consciência da pressão do corpo dele contra o seu. Do membro dele contra o seu. O calor se espalhando por todo seu corpo. Fogo sem chamas. Queimando qualquer resquício de pensamento racional, qualquer possibilidade de reação. A deliciosa sensação de entrega. Estava totalmente entregue às sensações que aquele homem lhe despertava. As mãos dele estavam em todos os lugares. Prazer intenso. Chegava a ser embriagante. O peso do corpo dele sobre o seu. O homem tomando posse de seu corpo. Penetrando. Um início de dor para então .. Êxtase. Intenso. Viciante. Não se importaria de morrer naquele momento. Aquilo era tão .. tão ..
.. ERRADO.
Olhou para a mão. Tinha acabado de .. Nããããããão!
– Meu Deus. O que está acontecendo comigo? Não acredito que sonhei que fazia amor com um homem. Não acredito que me masturbei pensando no homem do sonho.
Olhou em torno. Suspirou aliviado ao ver que o filho não estava por perto, que não tinha escutado. Benjamin era ainda muito pequeno. Pequeno demais para entender, mas mesmo assim ... Preferia morrer a saber que o menino escutara o pai falando aquele absurdo. Como é possível que algo assim tenha acontecido? Nunca que ele ..
Fechou os olhos. Viu novamente AQUELES olhos. AQUELA boca. Tão real. Parecia que tinha vivido aquela cena e não apenas sonhado. Parecia que o suor e o cheiro daquele homem estavam impregnados por todo o seu corpo. Correu para o banheiro. Abriu a água fria e entrou embaixo do chuveiro.
Ficou lá até estar tremendo descontroladamente de frio.
– Dean.
Luke teve a estranha certeza que o homem se chamava Dean. Assim como tinha certeza de jamais ter visto aquele homem antes. Droga, fora apenas um sonho.
Não significava nada.
Absolutamente NADA.
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O dia no escritório foi muito pouco produtivo. Tanta coisa urgente para fazer e ele simplesmente não conseguia se concentrar. O sonho e as sensações que este trouxera para o mundo desperto voltavam à sua mente. Seu corpo voltava a reagir às lembranças. Porque não conseguia esquecer o maldito sonho? Desviava o pensamento, mas, à primeira distração, as lembranças estavam de volta. E de volta. E de volta. Aquele sorriso de canto de boca. O gesto inconsciente de morder levemente os lábios. Aqueles olhos. Podia sentir aqueles olhos sobre si. Sentia o calor que emanava deles esquentando seu rosto. Olhou em volta com medo que alguém percebesse o que estava acontecendo com ele. Prazer e culpa. Sentia-se febril. Provavelmente consequência do banho frio. Era isso. Era a febre que estava trazendo aquelas imagens. Buscou um antitérmico e o engoliu, bebendo água em seguida. Suas mãos tremiam e por pouco não derrubou o copo ao pousá-lo na pia.
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Voltou para casa mais cedo, mas não podia simplesmente desabar na cama como gostaria. Um filho pequeno exige muita atenção. Ao abraçar o filho, sentiu-se sujo, indigno dele. Era um pai de família. Essa era uma realidade que sonho algum ia destruir.
Quando caiu na cama, exausto, já passava das 22:00.
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Novamente, ele sonha com o homem de olhos verdes. Como da primeira vez, o homem tira a roupa, se aproxima e o toma para si sem encontrar resistência. No sonho, entregar-se a ele parecia natural, correto, inevitável. Intensamente esperado e desejado. No sonho, ele não se surpreende quando o homem, olhos nos olhos, pronuncia sorrindo o seu nome. Lisa.
LISA?
Luke acorda gritando e sua mente se divide entre confusão e pânico. O quê seu subconsciente está tentando lhe dizer com aqueles sonhos? Que tem tendências homossexuais? Que Diana o abandonou porque não o achou homem o suficiente?
Justamente agora, quando começava a acreditar que já estava recuperado do golpe de ter sido abandonado pela esposa. Que voltava a fazer planos para o futuro. Do nada, surgiam esses sonhos que estavam solapando sua autoestima. Que ameaçavam atirá-lo novamente no fundo do poço.
Nos últimos meses, evitara pensar em Diana. Sempre que a imagem da ex-esposa vinha à sua mente, desviava o pensamento para outra imagem qualquer. Talvez por isso, agora que queria, não estivesse conseguindo trazer à mente uma imagem nítida dela. Insistiu. Forçou-se a lembrar-se dos olhos verdes de Diana. Da boca de Diana. Nada.
Somente Diana podia salvá-lo deste pesadelo. Somente Diana podia ajudá-lo a afastar o rosto daquele homem de sua mente. Sozinho não estava conseguindo. Começava a ficar apavorado. Os porta-retratos. Guardara todos os porta-retratos com fotos de Diana. Tinha tentado rasgar as fotos, mas não conseguira. E agora precisava deles para lembrar. Na sala, no compartimento lateral do rack da TV. Sorriu para Diana sorrindo na foto. Mas, ao fixar atentamente os olhos naquele olhar, o que viu foram os olhos verdes de Diana se harmonizando com os olhos verdes de Dean e o sorriso cafajeste de Dean se sobrepor ao sorriso sensual de Diana. Os dois se mesclando em uma mesma pessoa.
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– Mary, cancele todos os meus compromissos desta semana. Vou tirar uns dias para resolver problemas particulares.
– Mas, só hoje o senhor tem três reuniões agendadas e confirmadas com clientes, uma delas marcada com duas semanas de antecedência, e amanhã tem uma audiência importante no Fórum.
– A Dra. Beth está a par de todos os assuntos e pode me substituir. Eu já falei com ela. Ela vai dar ciência aos clientes. Quem realmente fizer questão de tratar comigo, remarca para a próxima semana. Vim ao escritório somente para tomar algumas providências e daqui a duas horas sigo direto para o aeroporto.
– Posso perguntar para onde o senhor vai, Dr. Braeden?
– Portland, Oregon. Mas, não conte pra ninguém. Vou manter o celular desligado. Não vou tratar de assuntos profissionais enquanto estiver fora e não quero ser incomodado.
– Vai levar o Ben?
– Mary, você está curiosa demais pro meu gosto. Mas, eu respondo assim mesmo: NÃO. Eu já chamei a minha mãe para ficar com o Benjamin.
Luke se arrependeu de ter sido ríspido com Mary, mas sabia que ela extrapolava um pouco mais do que seria esperado de uma relação puramente profissional. Sabia da queda que ela tinha por ele, mas estava fechado para balanço. E mesmo que não estivesse, misturar romance com trabalho não costumava acabar bem. Atribuía à convivência de dupla jornada tanto em casa quanto no escritório o desgaste de sua relação com Diana. Mas, agora já não tinha mais certeza de nada.
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Na véspera da noite do primeiro sonho, falara pela última vez com o irmão de Diana. Era raro passar uma semana sem que Samuel ligasse e conversasse com o sobrinho via webcams. Conversar não era bem o termo, já que Ben mal tinha completado dois anos. Normalmente, estava com Ben no colo e podia ver o amor que Samuel tinha pelo sobrinho. O que fazia parecer ainda mais incompreensível que Diana tivesse simplesmente deixado o filho para trás. Que nunca tivesse ligado para saber notícias do garoto.
As constantes ligações de Samuel traziam de volta a mágoa que Luke tinha de Diana e misturavam essa mágoa a uma raiva impotente. Prendiam Luke ao passado e impediam que seguisse em frente com sua vida.
Naquela manhã, tão logo levantara, chamara um amigo hacker para que rastreasse a última ligação de Samuel. Descobrira que ele ligara de uma cidadezinha do Oregon chamada La Grande. Iria ao encontro de Samuel. Se fosse necessário sair no braço com ele, sairia. Mas, arrancaria de Samuel a informação do paradeiro de Diana. Era o que devia ter feito há muito tempo. Descobrir toda a verdade, mesmo que a verdade machucasse.
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Luke não queria admitir nem para si mesmo, mas, naquele momento, Diana era apenas a única referência que tinha para descobrir quem era o misterioso Dean.
Tudo o que queria era ficar cara a cara com um homem que não sabia nem mesmo se realmente existia.
O que faria se o encontrasse? Luke não tinha a menor ideia.
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ESCLARECIMENTO:
Assim como Diana é a versão feminina de Dean, Luke é a versão masculina de Lisa Braeden. Almas gêmeas com os sexos trocados novamente reunidos nesta realidade alternativa.
Existe uma razão para Luke se lembrar de um Dean Winchester que nunca existiu nesta realidade, mas a resposta não será dada nesta fic. Será necessário prosseguir a leitura pelas vidas subsequentes (e além) para ter a resposta.
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UM ROSTO PARA LUKE BRAEDEN:
Para o papel de Luke Braeden escalei o ator britânico Henry Cavill (de Immortals e Superman/Man of Steel), mas você pode escalar o homem dos seus sonhos (mesmo vocês, rapazes). Pensem numa versão do ator um pouco mais jovem, já que a fic acontece na terceira temporada de Supernatural.
09.10.2013
