II

O homem da capa abandonou o camarote nº 5 mal o espectáculo acabou. Dirigiu-se até ao fundo do corredor ao virar da esquina desapareceu.

Um som abafado de palmas vinha do grande auditório, eram Carlotta e Piangi a serem aplaudidos pela sua representação, bem como todos os bailarinos e bailarinas. Minutos mais tarde, as portas dos camarotes abriram-se e os corredores da Ópera encheram-se de risos, perfumes e muitas, muitas cores nos chapéus das damas.

Era agora meia-noite e no Grande Hall estava preparado para uma ceia de Natal para a qual todos estavam convidados.

Carlotta, a senhora Giry e as bailarinas dirigiram-se aos respectivos quartos para trocarem de roupa.

Nunca os corredores do teatro tinham estado tão cheios! Era agora extremamente difícil passar pelos corredores para chegar aos dormitórios! Famílias de bailarinas que iam aos bastidores para felicitar as suas filhas, maridos orgulhosos ou esposas babadas, no caso dos bailarinos, sopranos, tenores e músicos.

Christine Daaé tinha pressa. Tinha muita pressa! Nunca mais chegava ao seu camarote para ouvir aquela voz doce como a de um anjo dizer que naquela noite dançara como ninguém. Aquele que, muito inconscientemente apelidara de "anjo da música" e que lhe cantava todas as noite lindas sonatas e ópera como Christine nunca tinha ouvido cantas! Aquela voz que não tinha corpo… Ou, se tinha, não se mostrava, talvez por medo, receio…

Christine ouvira aquela voz pela primeira vez no dia em que completara 17 anos. Foi esse também o dia em que ingressara no corpo de bailado da Ópera. Ali estava, desde os 12 anos, recebendo lições da senhora Giry, bem como muitas outras raparigas da sua idade. Estava ali a viver porque era órfã e a senhora Giry, sua professora de dança e mãe da sua melhor amiga Meg, era como uma madrasta para si.

Finalmente chegava ao corredor dos dormitórios das bailarinas. Este tinha menos gente. As bailarinas ainda não deviam ter chegado… Christine estava ali porque tentara correr o mais depressa que podia pelos corredores… Tinha pressa para ouvir a voz, o anjo, o Anjo da Música!

Sempre que Christine ensaiava os passos de dança, o Anjo cantava e Christine cantava com ele.

Christine era a sua pupila. Ensinada pelo Anjo da Música, a sua voz atingia notas impensáveis pelo mais comum dos mortais. Em breve, só precisaria que a ouvissem para concordarem veemente que deveria passar a interpretar os papéis mais importantes das óperas, tornar-se na nova Prima Donna!

Após cada actuação, Christine recebia sempre uma rosa vermelha com um laço de cetim preto. Era a sua flor preferida e o Anjo da Música sabia disso. Sabia também as suas músicas preferidas e cantava-as com fervor e paixão. Christine sentia a paixão na voz do Anjo – uma paixão sincera, verdadeira. Na voz do Anjo sentia-se o fogo e as labaredas que lhe aqueciam o coração, sentia-se uma enorme beleza intocável, solidão e tristeza porque nada é mais belo para o ser humano do que a beleza unida ao sofrimento e, para Christine, o Anjo era a coisa mais bonita que tinha acontecido na sua vida.

A que sublime anjo pertencia aquela voz? Quem seria o anjo caído? Por que mais ninguém o ouvia para além dela?

O Anjo nunca lhe respondia a essas perguntas. Dizia-lhe simplesmente "Criança curiosa! Mais empenho e menos perguntas!". E Christine empenhava-se cada vez mais.

Antes de cada espectáculo, rezava. Orava a Deus e ao seu falecido pai, Gustav Daaé. Pedia para que o espectáculo corresse bem e para que a voz do Anjo voltasse sempre. E para quietude da sua alma, o Anjo voltava.

Christine entrou finalmente no seu camarim.

Silêncio.

Escuridão.

Acendeu as velas do candelabro que estava em cima da mesa e revistou o quarto com os olhos, como se procurasse alguém. Foi acender mais velas. Em breve, toda a divisão estaria iluminada pelo pavio a arder, a chama brilhante das velas que descansavam nos candelabros.

Sentou-se no sofá. Tirou os adereços que lhe pesavam – colares, pulseiras, lenços… Descalçou-se. Tinha de se aprontar para a ceia de Natal no Grande Hall de Ópera Garnier, mas antes queria um sinal do Anjo da Música, um sinal de que ele não a esquecera, que ainda estava lá…

Dirigiu-se ao armário e olhou para os vestidos que lá estavam. Eram todos tão banais, tão ordinários… Até que encontrou no bolso de um deles, pendurada, uma rosa vermelha com um laço de cetim preto! O Anjo não a esquecera e aquele sinal só podia significar um pedido dele para vestir aquele vestido.

Era um vestido branco, comprido, tinha umas enormes mangas que terminavam numa tira de seda cor-de-rosa. Ao longo do vestido, longas tiras de um cor-de-rosa muito subtil, também. Os bolsos estavam de lado, na cintura.

Christine foi para trás do biombo para vestir o corpete e o vestido. Mal de lá saiu, pegou na rosa que estava no meio do sofá.

Uma voz subitamente ecoou pelo quarto.

- Querida Christine, foste sublime! Quem me dera poder ver de perto cada movimento teu no palco, cada movimento é mais gracioso que o anterior.

A cara de Christine encheu-se num sorriso, a sua alma saltou de alegria – estava ali o Anjo!

- Anjo, hoje dancei só para ti… – suspirou ela, olhando em volta e brincando com a rosa entre os dedos pequenos. – Quando é que poderei finalmente ver-te? Terei de esperar até morrer para te encontrar no céu?

- Christine… já falámos nisso. O Anjo nunca se mostra! Para quê tanta curiosidade se podes ouvir-me sempre que desejas?

- Anseio ver que bela criatura se esconde por detrás da voz que eu oiço. É pecado?

- É curiosidade a mais, querida Christine.

Tantas vezes que Christine tinha pedido ao Anjo para aparecer mas este negava sempre.

Será que não era digna de tal aparição? Mas se podia, ao contrário de todos os outros, ouvi-lo, por que não podia vê-lo?

Christine baixou os olhos para o soalho e sentou-se novamente. Não estava mais ninguém no quarto mas Christine não estava sozinha.

- Isso deixa-me triste… – murmurou, passando uma mão pelos lindos cabelos castanhos com mil e um caracóis. Ouviu-se um longo suspiro do Anjo.

- Christine, precisas de te preparar para a ceia de Natal. Se não fores, as pessoas vão dar pela tua falta. Quando voltares, cá estarei para te dar as boas noites. – E calou-se. Não mais falou.

Ficavam sempre um silêncio sepulcral no camarim, quando o Anjo partia. Christine estava já demasiado habituada à sua presença. Se o Anjo partisse para sempre, tudo ali se tornaria enfadonho e descuidado.

Lentamente, Christine descia as escadas do Grande Hall onde a ceia já tinha começado. Iguarias de toda a espécie estavam dispostas elegantemente sobre uma enorme mesa disposta em círculo, com uma imponente árvore de Natal no seu centro, adornada com lindos anjos de prata e ouro, flocos de neve espalhados por todo o lado e uma enorme estrela de ouro no topo.

À medida que descia, as pessoas olhavam-na de alto a baixo e murmuravam entre elas.

Coisas boas? Coisas más? O que era certo era que murmuravam ao olhar para ela e torciam o nariz.

– Que será que tanto comentam? Haverá algo de errado comigo? – pensou Christine. Trazia nas ondas dos cabelos a rosa que o Anjo da Música lhe dera. Cada prenda do Anjo era um presente de Deus e esta, como todas as outras, ficava bem segura ou acompanhava Christine para todo o lado. A bailarina era conhecida na Ópera por não deixar ninguém cuidar ou sequer tocar nas suas rosas. Eram as rosas mais lindas quem alguma vez se viram. Eram oferecidas pelo Anjo, vinham do Paraíso.

Enquanto algumas pessoas estavam a provar os petiscos, outras conversavam, sentadas ou em pé, e outras dançavam.

Olhou em volta, à procura da sua melhor amiga Meg. Descobriu-ma facilmente. Isolada de todos, conversava com um belo rapaz no fim do corredor que ligava ao pequeno auditório. Parecia entusiasmada, sorria muito e passava constantemente a mão pelos cabelos loiros.

Decidiu não a incomodar e sentou-se no sofá mais próximo. Pensava ainda no Anjo da Música e no facto de aquela criatura não querer aparecer, não se querer mostrar à sua devota pupila, à sua "criança curiosa", como tantas vezes ele a chamara, quando esta reclamava o seu desejo de o conhecer pessoalmente.

Após tantas tentativas falhadas de conhecer o Anjo, a esperança começava a dissipar-se. Mas a esperança era sempre a última coisa a morrer!

Um dia, Christine iria ver o Anjo da Música nem que fosse no céu!

As pessoas que passavam por ela olhavam-na e riam baixinho. Que haveria de tão engraçado nela?

Começou a sentir-se mal consigo própria. Deixou de querer estar ali, no meio daquelas pessoas que riam dele como se alguém troçasse de algo.

Dirigiu-se rapidamente até à sua amiga Meg e abordou-a:

– Meg!

– Olá Christine. Que se passa? Estás pálida…

– Preciso de falar contigo, Meg!

Meg despediu-se rapidamente do rapaz e correu com Christine para um lugar mais escondido, para a Capela de Opera Garnier, lugar para onde Christine ia quando queria rezar pelo seu pai.

Quando lá chegaram, Meg segurou Christine com os dois braços e perguntou seriamente:

– Que se passa, Christine?

– Meg… lá fora as pessoas olham para mim e riem, troçam de mim… Murmuram coisas e gozam comigo! Não percebo…

Meg desviou os olhos da amiga. Sabia que um dia a notícia ia espalhar-se, Christine ficaria malvista e iria sofrer com isso.

– Meg? – Christine começou a desconfiar que Meg sabia de alguma forma o motivo pelo qual aquilo se passava. – Tu sabes porque eles riem de mim?

Meg suspirou, tentando encontrar as palavras certas para lhe dizer.

– Sim, Christine… – Olhou para a criança curiosa. Estava pálida e parecia nervosa. – Sei porque se riem de ti…

Os olhos de Christine suplicavam por uma explicação plausível para aquilo.

– Porque Meg?

– Bem, dizem que quando estás sozinha no teu camarim, falas, Christine, falas sozinha! Dizem que és louca, que falas sozinha! – disse Meg, com uma cara que suplicava perdão.

– Mas Meg, eu não falo sozinha! Porque dizem isso? – perguntou Christine tristemente.

– Porque te ouvem a falar no camarim, quando estás sozinha! Tens um diálogo com um ser que não existe!

– Isso é mentira! – retorquiu Christine, desta vez indignada. – Eu falo com alguém e esse alguém existe.

– E falas com quem?

– Com o Anjo da Música! Quando era pequena, quando meu pai ainda era vivo, ele costumava dizer-me que quando morresse, mandar-me-ia o Anjo da Música para me guiar, me ensinar, me acompanhar nas minhas horas solitárias…

Ele tem sido a Voz que fala comigo, ele tem sido o meu anjo da guarda, que me admira quando danço, me felicita quando triunfo no palco e me diz o que devo melhorar… Ele ensinou-me a cantar como ele… Ah! Ele é um anjo, a sua voz é celestial! É um prazer ouvi-la ao despertar de manhã, murmurando ao meu ouvido os bons-dias e tratando-me por "querida Christine", é um prazer adormecer embalada nos seus tons, no seu timbre, nas suas notas musicas, qual tenor encantado!

– Acreditas mesmo nisso, Christine? – perguntou Meg, duvidando da sanidade da amiga.

– Claro que sim! Eu oiço mesmo a sua voz a cantar para mim tal como oiço a tua… Mas mais ninguém a ouve para além de mim, ao que parece…

– Parece loucura, Christine… Acredito em ti mas, quem mais irá acreditar?

Meg agarrou as mãos pequenas e delicadas de Christine e levou-a até duas cadeiras que ali estavam. Eram duas cadeiras de madeira degradadas, prestes a partir. Mesmo assim, sentaram-se.

A expressão de Christine tornou-se mais triste.

– É tão difícil para as pessoas acreditarem nisso, Christine… Porque não voltas a ser como eras dantes, quando esse "Anjo" não cantava para ti?

– Não iria conseguir. Estou já habituada à sua presença em benefício da minha vida para agora ignorá-lo. Isso seria traí-lo! Não posso fazer isso ao Anjo que me ofereceu parte da sua voz!

– Como é que te ofereceu parte da sua voz? – perguntou Meg, confusa. Christine sorria agora. Começou a cantar uma das passagens da ópera que tinha sido representada no auditório há pouco mais de meia hora atrás.

Pensa em mim

Pensa com afecto

Depois de termos dito adeus…

Recorda-me de vez em quando

Promete-me,

Peço-te que o tentarás…

A expressão de Meg passou de intrigada a maravilhada. Christine, de facto estava a cantar com uma voz de anjo. Seria então verdade toda aquela história sobre o Anjo da Música?

Christine continuava a cantar.

Lembra aqueles dias

Recorda aqueles tempos

Pensa nas coisas que nunca faremos

Mas nunca nascerá um dia

Em que não pense em ti

– Christine, isso é maravilhoso! Nunca pensei que a tua voz fosse capaz de cantar assim, muito melhor que a Carlotta e a Sorelli! – elogiou Meg, passando a sua mão pela face pacífica e sorridente da amiga. Esta sorria bastante, continuando a cantar.

Flores murcham

Os frutos estivais definham

Têm a sua época

Também nós a tivemos

Mas promete, peço-te

Algumas vezes

Pensar… em mim…

Quando acabou de cantar murmurou:

– O Anjo disse que em breve estaria preparada para ser Prima Donna… Isso assusta-me mas ao mesmo tempo fascina-me!

– Acredito que sim, Christine e acredito que, com essa voz, um dia serás a Prima Donna!

– Mas as pessoas troçam de mim… – murmurou Christine tristemente.

Subitamente, ouviu-se o barulho de milhares de bolinhas de vidro a partirem-se sobre as suas cabeças. Tinha acontecido qualquer coisa no Grande Hall! Christine e Meg precipitaram-se para as escadas da capela, que davam para o corredor onde Meg estiveram antes com o seu amigo.

Quando chegaram ao fim das escadas, olharam para o fundo do corredor, onde se podia ver o Grande Hall.

Aí, um enorme tumulto de corpos a correr em todas as direcções. A árvore de Natal que tinha sido colocada no centro da mesa em círculo estava despida. Os seus enfeites, os anjos de prata e ouro e a estrela jaziam no chão em pedaços cortantes como lâminas ou vidros partidos.

Algumas senhoras tinham já cortes nos pés. Era um ultraje! Pouco antes de se dar o acidente, a árvore foi claramente abanada por baixo, mas como?

Meg e Christine encontraram a senhora Giry num canto do Hall, a apanhar uma carta do chão. Era uma carta lacrada com o símbolo de uma caveira. Na sua frente, o destinatário estava indicado a letras bonitas e elaboradas, como sendo para os senhores André e Firmin, os directores da Ópera.

– O que é isso, mãe? – perguntou Meg.

– Uma carta do Fantasma da Ópera, suponho… – retorquiu a senhora Giry. De facto era. Deu a carta ao senhor Firmin, que a leu, indignado, em voz alta:

Queridos senhores Firmin e Andre,

Aprecio bastante a festa que hoje decorre no Grande Hall da minha Ópera mas tive de a estragar pelos seguintes motivos:

O meu ordenado está sete dias atrasado. Volto a lembrar que o meu ordenado é de 20 mil francos por mês. Como detesto um mau pagador, não fique meu devedor!

Estou ao corrente de uma situação que me aborrece bastante e desejo que nunca mais se repita. As pessoas de Paris vêm a este teatro para vez representações e não para troças com bailarinas como a menina Daaé, que deve ser respeitada independentemente seja do que for. As pessoas que hoje se encontram na festa sabem bem do que se trata.

Sem outro assunto de momento,

O Fantasma da Ópera

– Por mais que tente, não consigo perceber! Para quê pagar tanto a um homem – um fantasma – que nunca vimos! – reclamou André jogando as mãos à cabeça.

– Provavelmente teve de arranjar esta maneira para sobreviver. – sugeriu a Senhora Giry.

– Claro! E sem duvida que é a maneira mais sensata! – ironizou André.

– Sensata ou não, foi a maneira que o Fantasma da Ópera encontrou para sobreviver e já a usa há imensos anos. Os antigos directores desta Ópera pagavam-lhe sempre o seu devido ordenado e têm correspondido aos seus pedidos. Nunca haviam desastres se o que ele pedia se concretizasse. Contudo, se os seus desejos não eram realizados, era catástrofe pela certa! – esclareceu Giry.

– É verdade! – concordou Meg.

– Ora, mas que ultraje! Quando nos tornámos nos novos directores de Ópera Garnier, não nos contaram nada sobre um tal de "fantasma"! – exclamou Firmin indignado, lendo a carta novamente. – E o que é este assunto de troçarem com Christine Daaé? Quem é essa rapariga?

Christine olhou para Meg. Como é que o fantasma sabia que as pessoas troçavam dela e porque estava a defendê-la? Deu um passo em frente e suspirou.

– Sou eu, senhor.

– Ah! A menina é que é Christine Daaé! Posso saber porque vem mencionada na carta do Fantasma da Ópera? – inquiriu Firmin.

– Eu… não sei, senhor…

– Não sabe? Isto leva-me a pensar que tem algum tipo de ligação com esta criatura!

– Mas é mentira! Eu nunca vi esse fantasma, não sei quem é! – exclamou Christine gesticulando muito. Como era possível não acreditarem?

A gente de Paris que ali estava olhava a cena com horror. Uma das bailarinas parecia estar relacionada com o Fantasma da Ópera! Que escândalo!

A senhora Giry estava a ver a sua Christine a ser alvo de chacota e marginalização pela gente que ali estava, e não estava a gostar nada.

– Meus senhores! Garanto-vos que Christine Daaé não tem qualquer espécie de ligação com o Fantasma da Ópera e mesmo que tivesse, isso não deveria ser motivo para ser alvo de zombaria! Se o Fantasma defendeu Christine, ele terá os seus próprios motivos!

André e Firmin olharam um para o outro em silêncio. Giry conseguia ter sempre a última palavra nas discussões, pelo seu carácter determinado, a voz cortante e decisiva, os grandes olhos azuis-claros ofuscantes que silenciavam a voz de quem discutia com ela, quem acalmavam os irascíveis.

– Com certeza, senhora… – murmurou André. – Então e que história é esta de troçarem da menina Daaé…?

Olhou em volta, olhou para as pessoas que supostamente tinham zombado da bailarina e perguntou a si mesmo que raio tinha ele a ver com isso. Firmin pensava o mesmo.

– Bem, isso é uma coisa que não podemos impedir. A menina Daaé vai ter de lidar com isso.

André olhou para Firmin e murmurou qualquer coisa ao seu ouvido. Depois, subiu as escadas e dirigiu-se ao seu gabinete da directoria.

Firmin ajustou ao peito a gravata vermelha com laços dourados, que trazia ao peito e disse para as pessoas que ali se encontrava que, com muita pena sua, a festa tinha terminado e podia voltar para o calor dos seus lares.

Depois, virou-se e encaminhou-se num passo miserável até ao gabinete onde André já estava.

A senhora Giry reuniu rapidamente as empregadas para limparem tudo, e encaminhou as pessoas à porta do teatro.

Meg e Christine dirigiram-se silenciosamente para os dormitórios, Christine pensando ainda no facto de ter sido mencionada e defendida pela carta do Fantasma da Ópera… Que será que o Anjo diria de tudo aquilo?

Assim que Meg entrou no seu dormitório, Christine começou a correr em direcção ao seu, para ouvir o Anjo da Música novamente…