POV HARRY POTTER:
- O que... O que está acontecendo aqui?! – Eu gritava na biblioteca. Mas isso não importava. Queria saber o que minha melhor amiga estava fazendo se agarrando com Draco Malfoy.
- Você tem que se intrometer em tudo, não é mesmo Potter? – Draco rangeu os dentes enquanto segurava Hermione com... Com... Ele estava a protegendo? Aquilo só serviu para me deixar ainda mais confuso.
- Apenas quero saber o que você, o que Hermione, o que vocês... Ai, por Merlin.
Apoiei-me com uma mão na cadeira mais próxima para não cair. Hermione transando com Draco. Eles se amavam? Ou aquilo era apenas sexo? Não. Não era. O jeito com que Draco estava a segurando, como se pudesse perdê-la a qualquer momento... Aquilo era... Amor. Por Merlin.
Comecei a escutar soluços, e me virei para os dois. Draco estava aconchegando Hermione em seu colo com tanta ternura que quase não podia acreditar. Ele passava as mãos pelos cabelos espessos da menina, enquanto ela se encolhia como uma bola em seus braços, como se quisesse sumir. As lágrimas caiam de seus olhos com força, e eu não conseguia entender aquilo tudo.
- Algum de vocês poderia... Eu sei lá, me explicar isso tudo? – perguntei massageando as têmporas.
Hermione não olhou para mim, apenas afundou o rosto no peito de Draco, que me lançou um olhar frio e mortal. Nunca antes havia o visto com tanta raiva.
- Olha o que fez, Potter. Sua melhor amiga está chorando, e você acha mesmo que é hora para perguntar "o que aconteceu"? Não é meio óbvio? – mordeu os lábios e apertou Hermione com ainda mais força, querendo aconchegá-la. A menina respondeu apenas com um murmúrio rouco enquanto tentava inutilmente apagar os traços negros que a maquiagem junto com as lágrimas havia formado em seu rosto.
- Olha, senhor-perfeito, eu apenas quero saber por que diabos minha melhor amiga está deitada em seu colo, e por que vocês estavam fazendo sexo no meio da biblioteca à uma hora da manhã.
Isso apenas fez Hermione chorar mais, e Draco pareceu perder a paciência. Ergueu a cabeça rapidamente, e me fuzilou com o olhar.
- Nós não devemos porra de explicação... – começou a dizer quando Hermione se sentou em seu colo, virando-se para mim e apoiando as costas em seu peito. Segurou suas coxas de um modo tão íntimo que tive vergonha de olhar. Até mesmo o jeito com que ela relaxava em seus braços era apaixonado.
- Acalme-se Draco. É melhor que ele... Que ele entenda. – suspirou e fechou os olhos momentaneamente – Apenas me prometa que não contará para o Ronald. Se fizer isso, juro, realmente juro, que nunca mais olharei para você. Entendido, Potter?
Assenti com a cabeça, embora tivesse vontade de gritar que ia sim contar para Ron. Quem ela pensava que era? Achava que ia escapar dessa com tanta facilidade? Só precisava sair dali e mandaria uma coruja para Ron imediatamente. Uma pontada de dor no meio da cabeça me fez voltar a realidade. Os dois me encaravam friamente. Hermione mordia o lábio inferior enquanto Draco olhava dentro dos meus olhos. Maldito.
- Ele está mentindo. Vai contar para o ruivo. – falou quase sibilando. – Não podemos confiar nele. Seria melhor que apagássemos sua memória de uma vez, Hermione...
- Não.
Talvez foi o jeito que me olhou, ou seus lábios contorcendo-se de dor, ou o modo como segurava as mãos de Draco e as apoiava em suas coxas nuas com tanto medo. Mas alguma coisa me fez parar. Eu não podia contar para Ron. Já havia escutado tanto sobre suas reclamações! Quantas vezes havia me dito que Hermione era um completo desastre? Que era mandona? Que nunca fazia sexo com ele? Quantas vezes havia me dito ainda que não a amava? Talvez fosse apenas isso que ela quisesse. Alguém para lhe amar. Que não se importasse com suas ordens, que não ligasse para o certo ou o errado. E, por mais que me incomodasse dizer, não haveria no mundo pessoa melhor do que Malfoy.
- Eu posso confiar em você, não posso, Harry? – perguntou-me olhando dentro dos meus olhos. Voltei a assentir.
- Só quero saber o que aconteceu. Não precisa de detalhes. Apenas... Fatos.
Draco bufou e revirou os olhos enquanto cruzava os braços na frente dos seios de Hermione, cobertos apenas pelo sutiã de renda vermelha. Ela não parecia estar apta a falar, e eu sabia que Draco não falaria nada por ela. Suspirei e dei alguns passos para frente, ficando a apenas uma mesa de distância dos dois. Encontrei os olhos de Mione. Eram castanhos bem claros, e refletiam tanta dor, tanta confusão, tanto... Desejo.
- Vocês se amam? – perguntei tentando encontrar um modo de não ficar vermelho de vergonha – Estou falando sério. Vocês, por algum motivo, se amam?
Vi os dedos dos dois se entrelaçarem automaticamente. Seus olhos se encontrarem, e a boca de Draco abrir-se quase que imperceptivelmente. Hermione ergueu-se nos joelhos e ficou de costas para mim. Desviei o olhar para não ficar olhando para seu corpo seminu. Suas mãos repousavam sobre os ombros expostos de Malfoy, e de repente estavam se beijando. Não avidamente como quando eu havia chegado. Era tão suave e delicado que parecia que os dois tinham medo de se desfazerem em milhões de pedaços. E eu soube. Soube naquele exato momento. Nunca Ron conseguiria entender. Hermione nunca conseguiria explicar. Mas eles se amavam. Não consegui evitar sorrir.
- Não deixa de ser estranho. – disse quando ela voltou a se sentar no colo de Draco, que sorria de um jeito bobo que eu nunca esperaria ver em seu rosto.
- Não precisa ser normal. – Hermione me respondeu. – Não vai contar para o Ron, vai?
- Nunca faria isso. – ela sorriu para mim com deleite – Mas, agora que o casal se entendeu, eu gostaria de mais informações. Sabe como é, para não ficar boiando como o "guardião do segredo".
- Ah, francamente Potter. – reclamou Draco enquanto Hermione ria e puxava a blusa do garoto para colocá-la em torno de seus ombros nus.
- Eu tenho direitos. –disse sorrindo para Hermione, que parecia mais leve do que uma pluma – Que bom que está feliz.
- A felicidade depende das pessoas. Você que me fez feliz.
- Vamos mesmo contar para ele, Hermione? – perguntou Draco mordendo sua orelha
- Sim. Nós vamos contar pra ele.
- Pois bem, estou esperando. – sorri com vontade. Como adorava histórias.
