NOTAS INICIAIS: Como vão, leitores? E aqui vai o primeiro capítulo que vai intercalar os especiais. Dedico ele À minha personagem feminina preferida do mangá: Suzuna ~~ Boa leitura!
GAROTAS TAMBÉM SÃO PERVERTIDAS - ESPECIAIS
Extra - Irmãs
Tudo começou com uma pergunta inocente.
- Onee-chan, pode me ajudar?
Ayuzawa Misaki desviou os olhos de sua tarefa para encarar a menina de marias-chiquinhas à sua frente. Esta, com sua costumeira expressão apática, fitava-lhe enquanto segurava entre os pequenos dedos algo que assemelhava-se um livro, porém cuja superfície era negra, aveludada, decorada em suas extremidades por sinuosidades douradas.
- Com o que, Suzuna? – Sua voz era solícita à irmã mais nova.
- Ganhei um sorteio ontem – iniciou a mais baixa, como se não fosse surpreendente o fato de que sua sorte era absurda. – O prêmio era um livro de culinária, mas ele acabou no estoque e me perguntaram se poderia enviar outro no lugar.
- E daí? – A morena de madeixas soltas não compreendia onde ela mesma se inseria no relato.
- Foi este aqui que recebi hoje.
E Suzuna enfim estendeu-lhe o volume, tornando visível sua capa. Seguia o mesmo padrão de veludo escurecido e delicadas molduras douradas encontrado em seu verso. Contudo, o título também fez-se visível, e a primeira reação esboçada pela mais velha foi corar violentamente. Como a menina carregava despreocupadamente um exemplar daqueles?!
- O-O que eu tenho a ver com i-isso? – indagou Misaki; os olhos amendoados não conseguiam deixar de ler as requintadas letras que compunham a capa da publicação. Kama Sutra.
- Onee-chan – murmurou a caloura, sugestivamente. – Você vai aproveitar mais desse livro do que eu.
Em resposta, a Ayuzawa mais velha enrubesceu, engasgou, ofegou e ruborizou uma vez mais. Em seu íntimo, sabia que era evidente tanto para Minako quanto para Suzuna que ela e o namorado já haviam se relacionado da maneira mais íntima possível; entretanto, era constrangedor ouvir isto claramente de uma garota dois anos mais nova. Sua irmã, por sinal.
- Ah, falando nisso, não sabia que gostava daquele tipo de roupa íntima, onee-chan – comentou a morena mais baixa, novamente impassível, como se dialogasse sobre as nuvens e não sobre lingeries.
- Mas... você... – Como a pequena sabia sobre aquilo? Lavava as próprias roupas, e com tanta eficiência e rapidez que raramente alguém além dela mesma ao menos as visualizava. Não contava, no entanto, com a capacidade de observação da mais nova. Ao notar duas peças destoantes dentre tantas comuns, relacionou com rapidez os fatos.
- Olha este catálogo aqui – prosseguiu aquela de fios repartidos ao meio. Retirou, não se sabe de onde, um espesso encadernado cujas páginas ilustravam desde roupas íntimas até embalagens plásticas duráveis, e entre estas haviam ainda bonecas adoráveis, livros de auto-ajuda e até mesmo frutas superdimensionadas. Confusa diante de tantas informações, Misaki só percebeu o que de fato a irmã queria lhe mostrar quando esta apontou-lhe: - Tem algumas bem bonitas, não é?
- Aonde quer chegar? – perguntou Misaki, temendo o direcionamento da conversa. E seus receios se concretizaram.
- Seu marido vai gostar – afirmou a menor, após suas típicas risadas curtas; desta vez insinuantes, pois a pergunta da veterana fora retórica: ela sabia exatamente o rumo do diálogo.
- Ele não é meu marido! – protestou, enraivecida e encabulada, a primogênita. Por que sua irmã tinha este hábito de denominar Usui deste modo?!
- Se eu participar até o final da semana – observou a mais nova, ignorando completamente as exaltações de sua "onee-chan". - Um vidrinho de chocolate com licor vem de brinde. – E sua feição adquiriu alguma vivacidade diante daquele desafio. Adorava brindes. Aquela vitória seria SUA.
- C-como você sabe disso? – E memórias constrangedoras vieram à mente da morena mais alta. Até que ponto as habilidades analíticas e perceptivas de sua caçula alcançavam, para que esta soubesse até mesmo de algo que estava oculto aos seus olhos?
- Sei de quê? – De início, Suzuna demonstrou-se alheia ao assunto. Não sabia de que tratava sua irmã mais velha. Porém, ainda assim riu novamente, como se nenhum segredo pudesse lhe ser ocultado. Divertia-se com o semblante de Misaki, aturdido e avermelhado. Completou: - Vou ganhar e te dar de aniversário, está bem, onee-chan?
- E-espera! Suzuna! – chamou a presidente demoníaca, Misa-chan nas horas vagas. Em vão. Já deveria saber que a garota de marias-chiquinhas mantinha-se imperturbável quando adentrava naquele seu particular mundo dos sorteios.
No dia 29 de setembro, Ayuzawa Misaki não abriu o pacote dado pela caçula.
NOTAS FINAIS: Sim, ficou extremamente curto, mas não queria estender-me muito mais que isso, já que esta é uma cena isolada. E aí, gostaram? Até o próximo, viu?
