Disclamer do Felipe: Só pra dar efeito, as bobagens vão ser ditas antes da história propriamente dita. Só pra dar efeito e porque eu gosto de ser diferente! XD

Luiz: Diferente e idiota... ¬¬'

Felipe: Sai pra lá, viado, que esse é o MEU disclamer. ò.ó

Luiz: Não sei porque você chamou isso de disclamer, você não vai dizer nada relacionados a direitos autorais ou coisa assim...

Felipe: Vou sim, quer ver?

Essa historinha aconteceu de verdade, por mais incrível que pareça. Todos os direitos são reservados a mim, que sou o personagem principal e o contador dessa coisa.

Viu só, viado? P

Luiz: Só porque eu falei... ¬¬'

Ayatá: É impressão minha ou o Luiz desistiu de rebater os xingamentos do Felipe?

Felipe: Ele finalmente admitiu que é gay, só isso!

Luiz: Não, é que eu percebi que não adianta tentar forçar nada na mente daqueles que são mentalmente incapazes. u.ú

Felipe: Quem é que você está chamando de mentalmente incapaz, hein, seu esclerosado? O.õ

Luiz: (vozinha infantil) Olha só, ele é tão incapaz que nem percebeu que o xingamento era pra ele! XD

Felipe: Humpf... O que vem de baixo não me atinge! (Felipe cinco centímetros mais alto que o Luiz se achando O altão)

Luiz: Vamos logo pra história antes que eu realmente queira acabar com o aniversariante...

Felipe: Quem decide quando passar ou não a história sou eu! ò.ó

Passa aí a história!

(Liga um retro-projetor) (começa a contagem regressiva daqueles filmes antigos)

5...

4...

3...

2...

1...

0,75...

0,5...

0,25...

0,15...

(retro-projetor explode)

Felipe: (Chamuscado) Mamãe, chama o Jarbas! x-x

(luzes de emergência acendem) (Chega o Jarbas e liga o equipamento novo)

(Imagem de alta definição digital na tv de tela plana 29 polegadas)

(musiquinha de suspense)


LULA LÁ E O POLVO (PEIXE) AQUI

Essa é pra contar pros meus filhos, netos, bisnetos e, se der, pros meus tataranetos também. Sabe aquelas histórias que a gente só acredita vendo, mas só vendo mesmo? Assim, com os próprios olhos? Então. Essa é uma. E aconteceu comigo. No dia do meu aniversário. Quer mais? No ano que eu ia atingir a idade mínima pra jogar no futebol profissional. Mais um pouquinho? Ela envolve o Presidente da República. O Presidente da República em ano de eleição! Acho que agora já chega. Não, não chega. Esqueci de acrescentar que ela envolve o Presidente da República em ano de eleição e uma peixaria. Agora sim chega, ou vai parecer história de pescador.

Estava eu lá, indo comprar peixe pro almoço, já que todo domingo lá em casa a gente só come peixe. Não me pergunte porquê, é uma das manias da minha mãe que eu ainda não entendi bem. Normalmente, a gente tem a Raimunda pra ir pra gente, – a Raimunda é a empregada nordestina, acho que do Ceará, um tanto baixinha e gordinha, que fala com sotaque, mas que cozinha como ninguém! – só que nesse dia ela estava doente e pediu folga do serviço. Logo nesse dia! Logo no meu dia! Aí sobrou pra mim, claro, o filho único, amado, idolatrado da mamãe, que passa os dias se matando de tanto treinar nos juniores do São Paulo F.C., atual campeão do mundo e que vai disputar a semifinal da Libertadores. O filho querido, amado, idolatrado salve, salve que foi pra peixaria em troca de um mês extra de mesada.

Nossa, eu me vendo por tão pouco!

Como eu ia dizendo, estava lá eu, indo comprar peixe para o almoço – e tinha que ser o peixe certo, da medida certa, com a cara certa, ou o negócio não ia funcionar. Essa mania de exatidão neurótica da minha mãe é outra das manias que eu ainda não entendi bem. – quando um barulho longínquo de tiros assustou os pombos que mendigavam na praça. Eu continuei andando normalmente, tiros em São Paulo no meio de uma manhã de domingo já são meio que rotina, sabe, ninguém se importa muito ou presta muita atenção, a não ser que tenha a má sorte de estar no meio do fogo cruzado. Aí é cada um por si e o Deus que nos acuda.

Mas enfim, pela terceira vez estava lá eu indo comprar peixe para o almoço – o tal do peixe milimetricamente descrito que me deu uma súbita pena do peixeiro – quando ouvi o barulho dos tiros vindo de lá onde o Judas perdeu as botas e continuei andando. As pessoas ao meu redor começaram a correr desabaladas, a essa altura os pombos já deviam estar em Porto Alegre, quem sabe fazendo uma visitinha ao meu amigo Luiz – que aliás, é gaúcho e é sim viado, por mais que ele diga o contrário!. E eu nem vi, estava distraído tentando lembrar da descrição completa do peixe, já que a pressa tinha me impedido de escrever – acho que era alguma coisa como uma tainha inteira, sem olhos, sem cabeça e sem órgãos internos (parênteses do parênteses: como ela pode ser inteira se ela pede pra tirar tudo de dentro?), pesando entre dois quilos e dois quilos e trezentos e dez gramas (outro parênteses dentro do parênteses: viu, eu não disse que ela era específica?) já com tudo descontado, que fosse pescada no dia não muito mais do que quatro horas atrás, com o interior não muito colorido, nem muito pálido, não muito sujo, mas também que não fosse totalmente esterilizado, e o rabo devia estar inteiro. Não sei porque toda essa implicância com o rabo, ela me repetiu umas trocentas vezes que o maldito rabo tinha que estar inteiro, mas não me respondeu quando eu perguntei por quê. Tá, e ela ainda esperava que eu voltasse pra casa a tempo de fazer o almoço. Do jeito que as coisas iam, eu ia ir de peixaria em peixaria e a gente só ia comer essa porcaria desse peixe na janta.

Voltando, estava lá eu indo comprar peixe para o almoço – aquele ali da descrição minúscula – quando ouvi o barulho dos tiros lá pra lá de Bagdá – Ou pra lá do Líbano, considerando o mais novo capítulo da guerra do Oriente Médio – e continuei andando. As pessoa ao meu redor começaram a correr desabaladas, os pombos já lá em Manaus sendo domesticados pelo Ayatá, e eu nem vi, estava distraído tentando lembrar da descrição completa do peixe, já que a pressa tinha me impedido de escrever – é, eu sou muito burro algumas vezes – Eu só percebi que tinha algum barraco acontecendo quando um mané qualquer – daqueles que se vestem com a roupa da moda, de marca, só pra parecer os bacanas – passou por cima de mim feito uma jamanta. – Não, uma jamanta, não o Jamanta da novela das oito que acabou recentemente e que aliás era a ressuscitação do Jamanta de uma outra novela da Globo que ficava dizendo "Jamanta não morreu" com uma cara de besta.

Esquecendo o Jamanta, estava lá eu indo comprar peixe para o almoço – é, o peixe. Sou só eu ou mais alguém está achando que tanta repetição já tá começando a encher o saco? – quando ouvi o barulho dos tiros lá dos morros cariocas – É, os carioca mérrrmo, merrmão! Que a guerra deles é tão ruim quanto a nossa! – e continuei andando. As pessoa ao meu redor começaram a correr desabaladas, a essa altura os pombos já deviam estar tirando um cochilo com o Carlos lá nas praias de Salvador – que aliás devem estar debaixo d'água nessa época do ano – eu nem vi, estava distraído tentando lembrar da descrição completa do peixe, já que a pressa tinha me impedido de escrever – É, olha o idiota aqui de novo! – Eu só percebi que tinha algum barraco acontecendo quando um mané qualquer – E só podia né, porque as pessoas normais pelo menos tem olhos... – passou por cima de mim feito uma jamanta – Não, não vou repetir todo aquele papo sobre o Jamanta, porque, francamente, ficar fazendo propaganda das novelas da Rede Globo é no mínimo coisa de viado, e o Luiz não está aqui! – e eu caí no chão. Mas eu caí com estilo, fazendo aquelas poses tipo Matrix, então não me machuquei. – O que foi sorte do mané, porque se eu tivesse me machucado, cabeças iriam rolas, e não seria a minha!

É, eu não sei contar uma história sem enrolar muito...

Tá, todo mundo sabe o que aconteceu se leu os últimos parágrafos. Só pra acrescentar, se eu fosse repetir tudo de novo, dessa vez os pombos iam parar lá com o Cristiano no Plenário da Câmara pra aprender como é que se rouba dinheiro público e se recebe salários milionários para trabalhar três dias por mês e ainda assim não fazer nada. Aí o mané me derrubou, eu caí – viu, estamos fazendo algum progresso nessa coisa – não me machuquei porque eu aprendi a imitar os caras de Matrix e olhei pra trás no reflexo. Cara, eu juro que nunca senti os cabelos da minha nuca se arrepiarem tanto. Sabe aquele pandemônio de filme de apocalipse de quinta categoria? E aqueles efeitos especiais da década de vinte? Junta tudo isso com um ônibus incendiado – outro – e um bando de bandidos – cara, essa cacofonia foi boa, vai dizer? – armados com metralhadoras e fuzis AR-15 fazendo cara de mau. Era mais ou menos isso que eu estava vendo, com a diferença de que os fuzis AR-15 eram na verdade de mentira e o bando de bandidos – tenta repetir isso um monte de vezes, é legal! – era em sua maioria formado por velhos carecas, gordos e grisalhos. Por isso que eu disse que era filme de quinta.

Eu não sabia muito bem se ria, se chorava, se entrava em pânico ou se ia lá xingar os caras por serem tão incompetentes. Porra, se era pra causar terror, então tinha que causar terror, mas terror mesmo, não só terror. Aquilo ali era pior do que thriller caseiro! A cena seguinte foi linda: Eu caminhando calmamente na direção dos caras enquanto todo o resto da multidão que sempre lota São Paulo não importa em que lugar você esteja ia correndo em pânico na direção contrária. Eu cheguei na frente do cara que parecia ser o líder e xinguei ele de incompetente, viado, e mais um monte de nome feio que eu não vou escrever pra não chocar as mentes mais sensíveis que podem estar lendo essa coisa.

Aí o mundo parou de vez, né! Todo mundo que estava correndo parou pra me encarar. Meus quinze segundos de fama se estenderam até quase um minuto, eu acho. E o ônibus queimando. E aquele cheiro insuportável de fumaça. Os idiotas ficaram me encarando por tanto tempo que nem viram a polícia chegar e prender todo mundo. Falando sério, foi a primeira vez que eu vi a polícia de São Paulo agir tão rápido. Acho que era por causa do meu aniversário.

Meu ato de bravura por enfrentar os criminosos me rendeu uma ida até a delegacia pra explicar a situação, eu fui acusado de ser o chefe do bando porque estava xingando todo mundo e tive que usar toda a minha habilidade persuasiva pra convencer os caras de que eu era apenas um cidadão paulistano jogador do São Paulo F.C. – aliás, capitão do time – que estava de aniversário e tinha que ir até a peixaria pra comprar a tainha mais fresca que desse pra arranjar – fresca não no sentido de ter sido recém-pescada, mas no sentido de "a que mais tem manias", que fique bem claro!

Sabe quando foi que eu consegui livrar a minha cara? Quando colocaram o Lula no telefone pra falar comigo. É, cara, o Presidente da República, comigo, no telefone. Ele já tinha ouvido falar de mim, lá do primeiro ano de governo dele, no Torneio sul-americano de beyblade. Fora a parte dele ter lamentado o fato de eu ser São-paulino, – a parte dele ser corinthiano é difícil de engolir. Ainda bem que pelo menos eu não sou palmerense – nossa conversa fluiu muito bem, obrigado, e ele mandou os caras me largarem no mesmo lugar onde me encontraram. Ali, diga-se de passagem, onde o ônibus ainda estava queimando quando eu cheguei, e olha que já tinham se passado uma boas horinhas desde o começo da história.

Aí eu fui na peixaria que eu estava indo mesmo quando a história começou, na outra peixaria do lado, na do lado da do lado, na da esquina, na da rua de baixo, na da outra rua, na do outro lado da cidade – gente, São Paulo é a quarta maior cidade do mundo, viu? Não é mole atravessar ela toda só pra comprar um mísero peixe – e finalmente achei a porcaria da tainha inteira, sem olhos, sem cabeça e sem órgãos internos, blábláblá, blébléblé. Resultado: voltei pra casa às sete da noite, e quando eu contei pra minha mãe o motivo da demora, ela não acreditou em uma linha do que eu tinha dito.

Francamente, essa mania que a minha mãe tem de não acreditar nas minhas histórias é mais uma das manias da minha mãe que eu ainda não entendi bem.

FIM

(Com efeito!)