Notas: História escrita para a Quinzena Saint Seiya Poseidon, um desafio promovido pela comunidade Saint Seiya Super Fics Journal.

Esta história ocorre logo após o final do anime (saga de Poseidon). Saint Seiya, é claro, não pertence a mim e eu não lucro nadinha com isso. Nem se quisesse também poderia vender isto aqui, quem compraria!

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Olho Azul Apresenta:
Liberdade e Medo

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Capítulo 2 - Lua sob o Mar

Após caminharem em silêncio à casa de uma senhora que os vinha hospedando, Petrus parou repentinamente. Canon olhou para trás, temeroso que ele houvesse sido descoberto, mas ele só estava olhando o mar.

- Não é lindo? A lua batendo no mar... é ainda mais bonita que a própria lua no céu. – E gargalhou.

- Você bebeu demais.

- Se eu fosse cavaleiro, poderia andar pelo mundo e ver coisas assim sempre. Até nem ser mais bonito.

- Vamos para casa.

- Devíamos vender a loja e virar andarilho. Você fazia isso. Antes.

- E passava dias sem onde dormir ou o que comer. Você morreria na primeira semana.

- Eu sou um mimado. Minha irmã me disse isso. Fui acomodado demais, por isso nunca procurei o senhor Shion. Aquela loja... ela é o símbolo de como minha mãe continua me protegendo até hoje.

Canon decidiu puxá-lo para em seguida arrastá-lo até a casa, mas o olhar que Petrus lhe devolvera no primeiro movimento brilhou com a claridade da noite. Seus olhos pareciam sóbrios e cheios de lágrimas.

Foi nesse momento que os dois homens trocaram seu primeiro beijo. Forte, intenso, apaixonado. Era como Petrus estivesse liberando toda a energia que normalmente direcionava a seu negócio, mas que não vinha sendo usada em razão das férias. Era como se seu otimismo contagiasse Canon, transferido pelo calor, pela saliva, pelas carícias.

Não era a sua primeira vez com um homem. Além de alguns servos e até dois cavaleiros no Santuário, Canon já havia possuído Sorento logo após a restauração do reino marina pelo simples fato de que podia fazê-lo. Não podia ser considerado estupro, já que Sorento o usara até certo ponto, mas Canon sabia que havia se aproveitado do desejo do outro por seu mestre e o fizera achar que precisava de sexo mais que realmente precisava para, ao fim, subjugá-lo.

No momento, diferente de outras vezes, não havia qualquer mostra de poder naquele beijo. Apenas... desejo? Era mais que isto. Apenas... não havia como nomear aquele sentimento, percebeu Canon, ao se afastar de Petrus. Este se arqueou, buscando ar, e olhou em seus olhos.

Os dois sabiam que não havia mais como parar ali. Canon até considerou que nada os poderia parar naquele momento. Por isso, apressaram-se até a casa da senhora.


Quase nada os podia deter, constatou Canon. Os dois haviam alcançado após mais algumas sessões de beijo pelo caminho a pequena casa em um pequeno povoado daquela pequena ilha, ligada por uma ponte também pequena a outra.

Na frente, um homem muito bem arrumado aguardava. Aguardava Canon, ele tinha certeza. Mesmo já havendo se encontrado com Shion, Petrus não conhecia Sorento, constatava-se por sua expressão confusa ao ver o homem de longos cabelos ondulados.

- O que faz aqui? – perguntou Canon, tomando a frente de Petrus. Tentava ignorar o mal estar de toda a realidade lhe voltar, um ainda pior que o que sentira durante o jantar mais cedo.

- Um amigo seu? – Petrus espiou por cima de seu ombro, tirando vantagem de sua maior estatura.

- Sim, sou um velho amigo de Canon. – Sorento então se apresentou como um empregado da empresa de Julian Solo.

O nome havia nitidamente surpreendido Petrus que de curioso passou a parecer mais defensivo e nada mais disse além de "hm". Mais que a tensão de ter um ex-amante ali, a presença daquele ser de sua vida passada e o temor de o que ele poderia dizer a Petrus fizeram que Canon também tomasse uma postura passiva, observadora.

- Petrus, por que não vai em frente e descansa? - sugeriu após um silêncio subjetivamente longo.

- Mas...

Canon não precisou dizer mais nada após lançar ao outro uma expressão mais imponente, sua natural quando era cavaleiro ou general marina, mas uma que nunca havia utilizado desde a derrota no reino do mar.

- Vou esperar lá dentro... – Petrus olhou o visitante, que apenas lhe acenou em despedida. – Ou dormir. É, eu bebi demais mesmo, né?

Canon caminhou sem dizer nada em direção à beira do mar, pelo mesmo caminho de que acabara de vir. Ao chegar, sentou-se em um banco de madeira já se desmanchando já que aquela ilha não era das mais valorizadas para se gastar com conservação.

- Um guerreiro do seu porte... Athena não deveria estar te desperdiçando assim, vendendo verduras.

- Eu estou de férias aqui. Aliás, como sabe?

- O mestre Poseidon, não, o senhor Solo pode não se lembrar de você, mas eu não arriscaria outra guerra despropositada deixando-o sem observação. Imagino que Athena também venha mandando seus espiões de tempos em tempos para ter certeza de onde se encontra, mas por outros motivos. Ela ainda acredita que você voltará para assumir sua armadura.

Canon vinha tentando esquecer seu passado durante aqueles meses e, por essa razão, não pensara na mensagem que lhe fora enviada logo no início de sua jornada: um pedido que retornasse ao Santuário. Como poderia fazê-lo após tudo o que provocara e ele nem sabia mais por quê?

- Foi por isso que veio me ver, Sorrento?

- Bem, eu estava perto quando senti seu cosmo aqui na redondeza. Achei que poderia ver com meus próprios olhos como você estava. Não é como se fôssemos estranhos. – Não havia intenção de, com aquelas palavras indiretas, esconder o real sentido de "não estranhos".

- E qual é sua real intenção?

Sorrento sorriu tão calmamente como sempre.

- Eu não tenho nada com Athena agora que sou uma pessoa comum, mas não deixo de ficar preocupado quando um cavaleiro de seu porte apenas decide fingir que tem uma vida comum. Eu ficaria mais calmo se você estivesse no Santuário continuando o que seu irmão deixou.

- Matar Athena, você quer dizer?

- Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Não é hora de brincar de casinha, Canon. Você acha que os deuses vão aceitar essa postura de Athena? De desafiar Poseidon? Todos sabem que os próximos podem ser eles. E... você sabe por que ela reencarna, não é? Eu, como estou, não posso fazer mais nada para salvar o mundo que o senhor Julian tanto ama; você, sim. Você deve. Volte ao Santuário, peça perdão a Athena e vista sua armadura. O exílio que Saga lhe impôs já acabou.

Sorrento se virou logo em seguida, sem esperar qualquer resposta. Mas antes que começasse a andar, ele voltou a cabeça uma vez mais e perguntou:

- Seu novo amante parece assustado. – E passou por um Petrus pálido, que apenas encarava Canon de longe, tal como se houvesse uma barreira entre ambos.

Continuará...

Anita


Notas da Autora:

Oooh, aí está o segundo capítulo e nooossa nunca sonhei que teria leitores para esta fic, por isso tenho que desde logo agradecer meeeesmo os comentários da Tsuki Moonlight e da Mariana. Bem à primeira eu já respondi, já que era comentário logado, aí deu pra fazer por PM, já a Mariana não, por isso vou ter que responder aqui mesmo na esperança de que ela tenha podido ler esta continuação. De qualquer forma, acho que vale a pena abordar o tópico. Não tinha falado nada antes, porquer jurava estar falando para as paredes, mas é tãaaaao bom saber que tive duas leitoras no primeiro capítulo, aí acho que me animei, he he.

Bem, a Mariana comentou sobre minha grafia pro nome do Canon, já que muuuuita gente escreve simplesmente romanizando do japonês, Kanon. Eu mesma sempre fiz isso antes e fosse esta uma fic mais séria, acho que não teria mudado, mas como fiz esta história em um ímpeto, decidi que ia pôr o que eu achava certo. Não que simplesmente romanizar seja errado, né? É até o caminho mais seguro. _ Que nem o nome do Kasa, eu já vi tanta teoria sobre de onde ele veio e nunca encontrei a resposta oficial de como ele é realmente escrito, se é Casa, Caça... Bem o último faz muito mais sentido, já que o s japonês é o nosso som de ç ou ss, e não conheço "cassa", bem tem o verbo, mas isso faz ainda menos sentido. :x

A questão é que há uma posição oficial, não lembro de quando, talvez devido a ND e LC, de que o nome do Canon veio da Ilha Canon, que até onde pesquisei ou ficava na Irlanda ou na Nova Zelândia ou em algum lugar no meio. *foge* Err, não confiem na minha memória, por favor! rs. O fato é que como esta era uma fic mais pra mim que pra qualquer outra pessoa, eu decidi usar o que eu vejo como sendo o nome do Canon. É o mesmo pro nome do Sorrento, né? Romaniza-se Sorento, mas como o nome do lugar de onde veio o nome é Sorrento/Surriento, também possível escrever assim e é um tanto mais esclarencedor. Bem, não tão esclarecedor como o Caça... Quando li sobre o Kasa/Caça fiquei boquiaberta, mesmo!

Bem, tá aí a resposta que eu não pude te dar por mensagem privada, Mariana! Espero que tenha compreendido, pode deixar que eu não escrevi só porque eu ouvi falando na tv, até porque do jeito que meu ouvido é ruim, eu acabaria escrevendo Canom, rs. Não lembro mais como eu ouvi na Manchete pra te dar certeza de como eu pensava. Sobre ficar difícil de ler, tenho certeza de que não valho o trabalho, mas cole num editor de texto e pessa pra substituir. É o que eu faço quando pego texto em português de Portugal. Bem, fazia, depois de tanto estudar nessa língua, criei tolerância. Mas é, pelo que lembro de como me deixava meio tonta aquelas palavras diferentes, eu consigo entender que não tenha querido continuar minha fic. Mas agradeço ainda assim seu comentário. Eu quase nunca recebo nada quando escrevo Cavaleiros do Zodíaco! Uma pena nosso desentendimento ideológico. :(

Aliás, a Tsuki Moonlight fez uma indagação bem parecida, mas não consegui medir o grau de irritação dela com minha grafia, vou ficar aqui torcendo que você continue comigo, rs.

Eu te espero no próximo capítulo! E qualquer pergunta, é só enviar, respondo assim que ler ou se não for de usuário logado com PM habilitada, respondo no capítulo seguinte. Sendo no último, posto no perfil por umas semanas, é só procurar lá então! (não que tenha algo lá atualmente, rs, não sou popular assim, como já devem ter percebido, mas nós tenta (sic!), né? xD

E mais uma vez, até o próximo capítulo que se não for o último, será o penúltimo. Tá acabando!

(E como diz a Kurai Kiryu, eu realmente levo a coisa nota longa a outro nível, hein? (汗))