Enquanto voava pelo céu claro de lua cheia, com a moça em seus braços, Jae-ha pensava em como princesa Yona e seu grupo mudaram sua vida… "De pirata justiceiro, a salvador de donzelas? Francamente Jae-ha! Aonde você vai parar com esse seu coração fraco pela princesa? Maldito sangue de dragão!" A moça se agarrava a ele, os braços enrolados no seu pescoço, o rosto grudado em seu peitoral. Percebeu que ela tremia, talvez pelo frio das alturas em combinação com suas vestimentas de dormir totalmente inadequadas, provavelmente também pelo medo de altura…

Eram muitas emoções por uma noite só, que uma mocinha criada num palacete com todos os luxos, poderia aguentar. Apesar dela ter tentado bravamente - e de maneira totalmente irresponsável - se defender de seu atacante. "Ela achava mesmo que acertaria um assassino ninja treinado, com um mero punhal?" - Jae-ha reconhecia na menina, a mesma luta para se tornar forte, que o fez admirar tanto Yona, e essa beleza feroz, a tornava mais interessante aos seus olhos… "malditas moças da corte!" Praguejou em pensamento ao sentir a reação de seu corpo ao perfume que os cabelos brilhantes da moça exalavam.

Aterrisou com a elegância de sempre, em uma clareira a quilômetros de Suiko, gostava de impressionar com sua extravagância. A moça não pareceu se importar. Pulou de seu colo, e se afastou, olhando-o com um olhar que misturava alívio, receio, adrenalina, tudo ao mesmo tempo... Parecia uma "gata arisca", analisando a situação.

Jae-ha deleitava-se com a visão, à contraluz, o yukata de dormir de Lili estava totalmente transparente... o decote mais aberto devido o afrouxar do obi durante o voo, via seus seios redondos, o formato dos mamilos, a cintura fina, a curva do quadril, arredondada, tudo que as vestimentas de corte não revelavam - sequer insinuavam - as pernas pequenas mas bem torneadas, os pés em delicadas sapatilhas. A respiração ofegante da moça, só fazia tornar a sua também acelerada, seu instinto predador falando-lhe para seduzir a beleza que vislumbrava.

Lili, percebeu seu olhar perscrutador, medindo cada centímetro de seu corpo, só então percebeu que estava seminua na frente daquele homem, um quase desconhecido! Ruborizou, e instintivamente levou os braços cruzados sobre os seios. Por seus títulos, e sendo filha de quem era, nunca nenhum homem tinha se atrevido a lhe olhar de frente - com aquele desejo totalmente cru nos olhos.

Apesar de encabulada, falou atrevida "- O que você está olhando?" o dragão, percebendo a própria indiscrição - que não queria ter deixado transparecer - disse-lhe cavalheirescamente: "- Percebi que em nossa pressa, a senhorita não conseguiu sequer trocar-se para roupas mais adequadas para viagem. Tome minha capa, estava utilizando-a para disfarçar-me de mercador, vai servir até comprarmos algo mais "discreto" amanhã, não queremos chamar atenção na estrada." A menina corou ainda mais, se enrolando com a capa ainda aquecida pelo corpo do homem atraente à sua frente…

"- Me desculpe, ainda não te agradeci apropriadamente…o- obrigada por se arriscar para me salvar." Jae-ha fez uma suave flexão, pegando-lhe a mão e depositando um suave beijo, olhando com um olhar travesso completou: "Ao seu dispor, bela senhorita!" e então disse caminhando para perto de uma árvore: "Vamos descansar um pouco, amanhã viajaremos à pé, para a vila mais próxima, comprar provisões, como estamos em uma região mais descampada, não é seguro voar por aí à luz do sol, arriscando-nos a sermos pegos!"

''C-certo'', Lili concordou, meio encabulada. Isso significava que eles passariam a noite na floresta, mas era uma opção melhor que passar a madrugada andando sem uma direção e acabar sendo atacada por cobras venenosas ou ursos famintos. Depois disso, Jae Ha disse que iria buscar lenha para fogueira nas proximidades e pediu que Lili o esperasse. Relutantemente, Lili aceitou, mas internamente queria começar uma discussão calorosa sobre "como era inaceitável para um homem deixar uma dama sozinha em tais condições".

Jae Ha havia partido e ela decidiu se sentar em um tronco de árvore para esperá-lo com mais conforto. Foi aí que uma rajada de vento gelado estremeceu seus ossos, e ela se deu conta do quanto a roupa que ela vestia era inadequada. Se ela não morresse de frio naquela noite, agradeceria aos Deuses…

Os primeiros raios de sol da manhã, os pegou despertando, com muita fome e sede… precisavam alcançar a próxima vila, que ficava além do bosque onde se abrigaram à noite. Lili não se lembrava quando caíra no sono, ou quando Jae-ha voltara noite passada com a lenha para fogueira. Percebeu que estava coberta com uma manta, não sabia onde ele tinha conseguido, mas graças a esta gentileza, pode passar bem a noite.

Sem trocar muitas palavras, num entendimento mútuo, seguiram caminho em meio às árvores. Jae-ha liderando o caminho, Lili seguia em silêncio, perdida em pensamentos… "Por que matá-la e arriscarem uma crise democrática dentro do próprio reino?" "Aonde estaria Soo Won, ele teria parte nisto? Provavelmente não…" Ayura e Tetora estariam bem, será que conseguiram escapar?" "Seria possível mesmo, todos ser reunírem em segurança, em alguns dias em Suiko?" "Como ela administraria estes dias, ao lado deste homem?"

Jae-ha era um homem intrigante. Ela imaginou que ele fosse um homem sério e ameaçador à primeira vista, mas conforme os dois caminhavam várias horas incansavelmente por uma trilha particularmente íngreme na floresta, ela percebeu que ele era diferente de tudo que ela havia imaginado (não que ela estivesse ocupada pensando no tipo de pessoa que ele era).

Primeiro: ele era frívolo. Quando pararam na beira de um rio para recolher água, ela notou que ele parecia absorto na sua própria reflexão na água e não havia bebido uma gota sequer. Imaginou que talvez estivesse desidratado, e por ser bastante higiênico, não queria beber da água com as próprias mãos. Lembrando-se que ela tinha um cantil na bolsinha, estendeu para ele num gesto de gentileza:

''Aqui, tome isso. Você deve estar com sede.''

''Hã?'' ele se voltou para ela, levantando as sobrancelhas. Então, percebeu o cantil estendido para ele.

''Beba um pouco de água, se quiser, pode usar o meu. Você parece realmente exausto com essas olheiras escuras e os lábios rachados.''

Jae Ha empalideceu. Claramente estava embaraçado por ter sido descoberto em sua tentativa heroica de parecer saudável.

''O q-que acabou de dizer?''

''Disse para não forçar seus limites para me proteger'', começou Lili, no tom mais diplomático que conseguiu. Não queria ser rude com seu novo amigo, mas se dependesse dela, já teria enfiado a água do cantil na garganta dele, porque essa incredulidade estampada no rosto dele estava lhe dando nos nervos!

''Quis dizer sobre o meu rosto!?'', ele exclamou levando a mão à face, aflito. ''E-eu… eu realmente estou parecendo acabado?''

Lili assentiu, vigorosamente.

Foi então que ele soltou um grito e saiu correndo. Alarmada, ela foi atrás dele, pensando que ele estava tendo uma crise… Apenas para flagrá-lo olhando para um espelho de bolso estarrecido, enquanto murmurava febrilmente que precisava de um sono de beleza urgentemente.

Foi aí que Lili perdeu a compostura. Aquela era a cena mais ridícula que já havia presenciado na vida. Homens de verdade deveriam ser como Lorde Lee Geun Tae: maduros, másculos e sérios. E aquele homem era exatamente o oposto. Sério? Como ele poderia se preocupar com o estado da sua pele naquele momento!? Ela queria rir, e foi isso que acabou fazendo, pois começou a gargalhar alto. Pássaros empoleirados nos galhos das árvores voaram dali, provavelmente assustados.

Jae Ha voltou-se para ela, parecendo se dar conta que ele era o motivo da gargalhada histérica.

''Está com algum problema, Dama Lili?''

Lili, com muito esforço, parou de rir e começou a limpar as lágrimas dos olhos com as costas da mão. Parecia entretida.

''É só que… você…'', ela estava sem fôlego, ''Eu nunca pensei que fosse você … tão delicado...'', ela quase confessou.

Lili logo percebeu que deveria ter mantido a boca fechada. Tentando se desculpar, disse polidamente:

''Quero dizer, nada contra você ou sua orientação sexual. Se eu soubesse que se preocupava tanto com essas coisas, teria trazido minha maquiagem. São produtos de alta qualidade!''

Mas Jae-ha não apreciou o "lisonjeio", pois semicerrou os olhos. Em seguida, se levantou numa ligeira flexão e caminhou na direção dela, o que a deixou ligeiramente sem fôlego de medo. Lili estremeceu e deu um passo para trás, mas Jae-ha a puxou pela cintura, pressionando corpo dela contra o seu. Delicadamente, retirou uma mecha do cabelo do rosto dela e a encarou, seus olhos tinham um brilho de travessura.

''Para felicidade das mulheres de Kouka, eu não tenho o menor interesse por homens.'', então numa voz ligeiramente rouca, emendou ''Aprecio mais do que ninguém a beleza e a singularidade do sexo oposto, da curvatura dos seus corpos à divina melodia dos seus gemidos de êxtase na minha cama.''

Lili estava ruborizada da cabeça aos pés. Estava chocada com a depravação daquelas palavras e desconcertada com a embaraçadora proximidade dos corpos deles. Ele estava mesmo tentando seduzi-la!? Se ele ousasse, ela o agrediria.

Só que aí, ele fez algo totalmente surpreendente. Em vez de beijá-la como ela imaginou que ele faria (não que quisesse, é claro!), ele roçou os lábios no pescoço dela ligeiramente, como se ele estivesse prestes a saborear uma refeição. Então, sussurrou roucamente: ''Mas acima de tudo, eu amo as mulheres. Mulheres adultas, determinadas e maduras. Mulheres sensuais e ferozes como gatas selvagens .'' Nesse momento, Lili congelou e Jae-ha emendou ''E é por isso que eu não me sinto atraído por garotinhas inexperientes e mimadas… Como você!''

Lili estava dividida entre a mortificação com aquele insulto e o desejo assassino de estrangular aquele homem. E ela havia pensado que ele era um cavalheiro! Como o título de Dragão já dizia, ele não passava de um animal (um cavalo petulante, por sinal).

Mas ninguém pisava nela e saía vitorioso. Ela sorriu debochadamente para ele, assim que ele se afastou e disse: ''Isso é um verdadeiro alívio!'', ela exclamou alegremente, ''Não sabe como é prazeroso saber… que não sou o tipo de mulher fácil por qual você interessa. Isto é um grande cumprimento ao meu caráter.''

Jae-ha rapidamente virou-se de costas e se embrenhou na mata, mas não antes de Lili notar um vislumbre de sorriso no rosto dele, o que a fez ferver de ódio. "Então, ele ainda ousava rir dela!?"