Esta fic é uma ADAPTAÇÃO do livro A Rainha da Fofoca, da Meg cabot. Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.


CAPÍTULO 2

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Dois dias antes, em Ann Arbor

(ou talvez sejam três dias... espere, que horas são nos Estados Unidos?)

—Você vai comprometer seus princípios feministas. — É o que Ino não para de dizer.

— Pare com isso — eu digo.

— Falando sério. Não tem nada a ver com você. Desde que você conheceu esse cara...

— Ino, eu o amo. Qual é o problema de eu querer estar com a pessoa que eu amo?

— Não tem nada de errado em querer estar com essa pessoa — Ino responde. — O que é errado é você colocar toda a sua carreira em modo de espera enquanto ele termina os estudos.

— E que carreira é essa, Ino? — Não dá para acreditar que estou tendo esta conversa. De novo.

Isso sem contar que ela resolveu estacionar bem ao lado dos salgadinhos e dos molhinhos, quando sabe muito bem que eu ainda estou tentando perder mais dois quilos.

Ah, tanto faz. Pelo menos Ino está usando a saia rodada mexicana branca e preta que escolhi para ela na loja, apesar de ela ter dito que o modelo deixava a bunda dela grande demais. Não deixa. A não ser, talvez, de um jeito bom.

— Você sabe — Ino diz. — A carreira que você poderia ter se simplesmente se mudasse para Nova York comigo quando voltasse da Inglaterra, em vez de...

— Eu já disse que não vou discutir este assunto com você hoje — respondo. — Esta é a minha festa de formatura, Ino. Será que não pode me deixar aproveitar?

— Não — Ino responde. — Porque você está sendo uma idiota, e sabe muito bem disso.

O namorado de Ino, Suigetsu, aproxima-se de nós e enfia uma batatinha sabor barbecue em um molhinho de cebola.

Humm... Batatinha com sabor barbecue. Talvez, se eu comer só uma...

— Qual é a idiotice que Sakura está aprontando agora? — ele pergunta, mastigando.

Mas nunca dá para comer só uma batatinha sabor barbecue. Nunca.

Sigetsu é alto e magrelo. Aposto que nunca precisou perder mais dois quilos na vida toda. Ele até precisa usar cinto para a calça Levi's não cair. É um modelo de couro trançado. Mas, para ele, couro trançado funciona.

O que não funciona, é claro, é o boné de beisebol da Universidade de Michigan.

Mas eu nunca consegui convencê-lo de que bonés de beisebol, usados como acessórios, ficam errados em todo mundo. Tirando crianças e jogadores de beisebol de verdade.

— Ela continua querendo ficar aqui depois que voltar da Inglaterra — Ino explica, pegando também uma batatinha e enfiando no molhinho —, em vez de se mudar para Nova York conosco e dar início à vida de verdade.

Shari também não precisa prestar atenção ao que come. Sempre teve um metabolismo naturalmente rápido. Quando éramos crianças, ela levava para o almoço sacos com três sanduíches de pasta de amendoim e geléia e um pacote de biscoitos Oreo, e nunca engordou nem um grama. O meu almoço? Um ovo cozido, uma única laranja e uma coxa de frango. E eu era a gorducha. Ah, era sim.

— Ino — eu digo. — Tenho uma vida de verdade aqui. Tenho um lugar para morar...

— Na casa dos seus pais!

— ...e um emprego que adoro...

— Como subgerente de um brechó. Isso não é carreira!

— Eu já disse — afirmo, pelo que deve ser a milésima vez — que vou ficar morando aqui para economizar dinheiro. Depois Sasori e eu vamos nos mudar para Nova York, quando ele terminar o mestrado. Só falta mais um semestre.

— Quem é Sasori mesmo? — Suigetsu quer saber. E Ino dá um soco no ombro dele.

— Ai — Suigetsu diz.

— Você se lembra — Ino diz. — Aquele aluno de pós-graduação que era assistente dos residentes do alojamento estudantil McCracken. Aquele sobre o qual Sakura não parou de falar. O verão todo.

— Ah, certo, Sasori. O britânico. Aquele que organizava partidas ilegais de pôquer no sétimo andar.

Caio na gargalhada.

— Aquele não era Sasori! Ele não joga. Está estudando para ser educador de jovens, para que possa preservar nosso recurso mais precioso... a próxima geração.

— O cara que mandou para você a foto da bunda dele pelada? — Engulo em seco.

— Ino falou sobre isso para você?

— Eu queria ouvir uma opinião masculina — Ino diz e dá de ombros. — Sabe como é, para ver se ele tinha alguma idéia de que tipo de indivíduo faria algo assim.

Vindo de Ino, que de fato tinha estudado psicologia na faculdade, realmente parecia uma explicação bastante razoável. Olho para Suigetsu com ar questionador. Ele realmente sabe muita Coisa: quantas vezes é preciso dar a volta no campo Palmer para percorrer um quilômetro (duas e meia, algo que eu precisava saber quando caminhava lá todos os dias para perder peso); o que significa o número 33 dentro da garrafa de cerveja Rolling Rock; porque tantos homens acham que usar calças na altura das canelas é legal...

Mas Sauigetsu também dá de ombros.

— Não pude ajudar nem um pouco. Afinal, nunca tirei uma foto da minha própria bunda.

— Sasori não tirou uma foto da própria bunda — corrijo. — Foram os amigos dele que tiraram.

— Que coisa mais homoerótica — Suigetsu comenta.

Ignoro Suigetsu.

—Ele está fazendo mestrado em educação. Algum dia, vai ensinar crianças a ler. Por acaso pode haver algum trabalho mais importante no mundo do que esse? — digo, e depois não me contenho e comento: —E ele não é gay. Desta vez eu conferi.

As sobrancelhas de Suigetsu se erguem.

— Você checou! Como? Espere... não quero saber.

— Bem, então, onde mesmo eu estava? — Ino questiona.

— Sakura estava fazendo alguma idiotice — Suigetsu se lembra, ajudando Ino. — Então, espere. Quanto tempo faz que você não vê o sujeito? Três meses?

— Mais ou menos isso — respondo.

— Caramba — Suigetsu sacode a cabeça. — O cara vai pular total em cima de você quando descer daquele avião.

— Sasori não é assim — digo, cheia de ternura. — Ele é romântico. Provavelmente vai querer que eu me acostume e me recupere da diferença de fuso horário na cama king size dele com lençóis de algodão com fios incontáveis. Ele vai me levar café da manhã na cama... um café da manhã inglês fofo com... coisas inglesas.

— Tipo tomate fervido? — Sigetsu pergunta com inocência fingida.

— Bela tentativa — digo. — Mas Sasori sabe que não gosto de tomate. Ele perguntou no último e-mail se tem alguma comida de que eu não goste, e já o informei a respeito da coisa do tomate.

— É melhor você torcer para que o café da manhã não seja a única coisa que ele vai levar para você na cama. — Ino tem um ar sombrio. — Se não, de que adianta viajar meio mundo para se encontrar com ele?

Esse é o problema de Ino. Ela não é nada romântica. Fico mesmo surpresa de ver que ela e Suigetsu estão juntos há tanto tempo. Quer dizer, dois anos é realmente um recorde para ela.

Mas, bem, como ela mesma gosta sempre de dizer, a atração entre os dois é quase puramente física, já que Suigetsu acabou de terminar um mestrado em filosofia e, portanto, na opinião de Ino, praticamente não tem a menor chance de arrumar um emprego.

"Então, de que adianta ter esperança em relação a um futuro com ele?", ela me pergunta com freqüência, "Quer dizer, no fim, ele vai começar a se sentir inadequado... apesar da herança, quer dizer... e por consequência vai sofrer de ansiedade relativa à sua performance na cama. Então, vou ficar brincando com ele por enquanto, já que ainda consegue ficar duro." Ino é mesmo muito prática.

— Ainda não consegui entender por que você vai viajar até a Inglaterra para se encontrar com ele — Suigetsu diz. — Quer dizer, um cara com quem você ainda nem foi para a cama, que obviamente não conhece você muito bem, já que ele nem sabe sobre a sua aversão por tomates, e acha que você ia gostar de ver a foto da bunda pelada de alguém.

— Você sabe muito bem por que — Ino responde.—É o sotaque dele.

— Ino! — exclamo.

— Ah, certo — Ino diz, revirando os olhos. — E ele salvou a vida dela.

— Quem salvou a vida de quem? — Masato, meu cunhado, aparece e se intromete, porque descobriu o molhinho que estava ali.

— O namorado novo de Sakura — diz Ino.

— Sakura tem um namorado novo? — Masato, dá para ver, está tentando cortar os carboidratos. Só está colocando talos de salsão no molhinho. Talvez esteja fazendo a dieta de South Beach para controlar a gordura na barriga, que se destaca sob a camisa branca de poliéster que ele usa. Por que ele não me escuta e não usa apenas fibras naturais? — Como é que eu não fiquei sabendo? O SSC deve estar com problemas.

— SSC? — Suigetsu repete, com as sobrancelhas escuras arqueadas.

— O Sistema Sakura de Comunicação — Ino explica a ele. — Por onde você tem andado?

— Ah, tudo bem — Suigetsu vira a cerveja.

— Eu contei tudo para a Saya — digo e olho com ódio para os três.

Algum dia eu pego a minha irmã Saya por causa desse negócio de Sistema Sakura de Comunicação.

Era engraçado quando éramos pequenas, mas agora estou com 22 anos!

— Ela não contou para você, Masato? — Ele parece confuso.

— Contou o quê? — Suspiro.

— Uma caloura do segundo andar deixou o pot-pourri ferver em cima da chapa do grill que ela tinha no quarto, o que é proibido, e o corredor ficou cheio de fumaça e tiveram que evacuar o prédio — explico.

Eu sempre adoro contar a história de como Sasori e eu nos conhecemos. Porque é a coisa mais romântica do mundo. Algum dia, quando Sasori e eu estivermos casados e morarmos em uma casa vitoriana caindo aos pedaços e livre de tomates, em Westport, no estado do Connecticut, com o nosso golden retríever, Pakkun, e nossos quatro filhos, Sasori Jr., Satoru, Akemi e Ayame, e eu for famosa (fazendo sei-lá-o-quê que vou fazer), e Sasori for o diretor de uma escola para meninos próxima, ensinando crianças a ler, e eu for entrevistada pela Vogue, vou poder contar esta história (e estarei moderníssima e fabulosa, vestida de Chanel vintage da cabeça aos pés), enquanto dou risada e sirvo uma xícara perfeita de chá francês para a repórter no terraço dos fundos, que será decorado inteiramente de palha branca e chintz, tudo de muito bom gosto.

— Bom, eu estava no banho — prossigo —, por isso não senti o cheiro da fumaça, nem ouvi o alarme disparar, nem nada. Até que Sasori entrou no banheiro feminino e gritou "Fogo!" e...

— É verdade que os banheiros femininos do alojamento McCracken têm chuveiros coletivos? — Masato quer saber.

— É verdade — Suigetsu informa, em tom ameno. — Elas todas tomam banho juntas. Às vezes, ensaboam as costas umas das outras enquanto ficam fofocando sobre as coisas de mulherzinha que aprontaram na noite anterior.

Masato fica olhando para Suigetsu com os olhos arregalados.

— Você está zoando comigo?

— Não dê atenção a ele, Masato — Ino diz, e pega mais uma batatinha. — Ele está inventando.

— Isso acontece o tempo todo naquele seriado, Beverly Hills Bordello — Masato diz.

— Nós não tomávamos banho todas juntas — digo. — Quer dizer, eu e Ino às vezes tomávamos...

— Fale mais sobre o assunto, por favor — Suigetsu abre uma nova cerveja com o abridor que minha mãe tinha deixado ao lado da geladeira.

— Não fale — diz Ino. — Você só vai incentivá-lo.

— Que parte você estava lavando quando ele entrou? — Suigetsu quer saber. — E tinha outra menina com você na hora? Que parte ela estava lavando? Ou estava ajudando você a se lavar?

— Não — respondo. — Era só eu. E, naturalmente, quando vi um cara no banheiro das meninas, eu berrei.

— Ah, é claro — Suigetsu disse.

— Então, peguei uma toalha e o cara... não dava para ver direito com aquele monte de vapor, fumaça e tudo o mais... aí, ele disse, com o sotaque britânico mais fofo que já se ouviu: "Senhorita, o prédio está pegando fogo. Acho que você precisa sair."

— Então, espere—Masato diz. — O cara viu você peladinha?

— Sem nadinha — Suigetsu confirma.

— Então, àquela altura, os corredores estavam todos cheios de fumaça e eu não enxergava nada, por isso, ele pegou na minha mão e me guiou para fora com toda segurança, e daí a gente começou a conversar... eu de toalha e tudo o mais. E foi quando percebi que ele era o amor da minha vida.

— Com base em uma única conversa — Suigetsu parece bem cético. Mas, bem, como ele tem mestrado em filosofia, demonstra ceticismo em relação a quase tudo. Essas pessoas são educadas para ficar assim.

— Bem — eu digo —, nós ficamos nos agarrando o resto da noite também. É por isso que eu sei que ele não é gay. Quer dizer, ele ficou com o pau bem duro.

Suigetsu engasgou um pouco com a cerveja.

— Então, bem — tento pôr a conversa nos eixos novamente —, ficamos nos agarrando a noite toda. Mas daí ele teve que voltar para a Inglaterra no dia seguinte, porque era o fim do semestre...

— ...E agora que Sakura finalmente se formou, ela vai para Londres para passar o resto do verão com ele — Ino termina para mim. — Depois, vai voltar para cá para apodrecer, igualzinho à...

— Vamos lá, Ino — interrompo rapidinho. — Você prometeu. —Ela só faz uma careta para mim.

— Escute, Sakura. — Suigetsu pega outra cerveja. — Eu sei que esse cara é o amor da sua vida e tudo o mais. Mas você tem o próximo semestre inteiro para ficar com ele. Tem certeza de que não quer passar o resto do verão conosco na França?

— Nem se dê ao trabalho, Suigetsu — Ino diz. —Eu já perguntei a ela oito milhões de vezes.

— Você mencionou que nós vamos ficar em um château francês do século XVII com vinhedo próprio, empoleirado no topo de uma colina, com vista para um vale verdejante, cortado por um rio comprido e preguiçoso? — Suigetsu quer saber.

— Ino me contou — eu digo. — E é muito gentil da sua parte me convidar. Apesar de você não estar exatamente em condição de convidar os outros, porque, por acaso, o château pertence a um dos seus amigos, daquela escola particular onde você estudou, e não a você.

— Este é um detalhe ínfimo—retruca Suigetsu. — Sasuke adoraria se você fosse.

— Ah, mas é claro que adoraria!—diz Ino.—Mais mão-de-obra escrava para a empresa de casamentos amadora dele.

— Do que eles estão falando? — Masato me pergunta, parecendo confuso.

— É um amigo de infância de Suigetsu, Sasuke — explico. — Tem um castelo antigo na França que o pai dele aluga algumas vezes durante o verão para a realização de casamentos. Ino e Suigetsu partem amanhã para passar um mês no château, de graça, em troca de ajudar nos casamentos.

— Um lugar para a realização de casamentos? — Masato repete. — Quer dizer, tipo Las Vegas?

— É isso mesmo — responde Ino. — Só que é de bom gosto. E a passagem é bem mais cara. E não tem bufê de café da manhã.

Masato parece chocado.

— Então, qual é a graça?

Alguém puxa a barra do meu vestido e eu olho para baixo. A filha mais velha de minha irmã Saya, Emiko, está me estendendo um colar feito de macarrão.

— Tia Sakura — ela diz. — Para você. Eu que fiz. Para sua formatura.

— Ah, muito obrigada, Emiko. — Eu me ajoelho, para que ela possa passar o colar por cima da minha cabeça.

— A tinta ainda não secou. — Emiko aponta para as manchas de tinta azul e vermelha que agora foram transferidas do macarrão para a parte da frente do meu vestido de festa cor-de-rosa Suzy Perette de 1954 (que não foi nada barato, apesar do meu desconto de funcionária).

— Tudo bem, Emi — digo. Porque, afinal de contas, ela só tem quatro anos. — É lindo.

— Ah, você está aqui! — Vovó Haruno vem cambaleando na nossa direção. — Procurei você em todo lugar, Mebuki. Está na hora da Doutora Quinn.

— Vovó. — Aprumo o corpo para pegar o braço fininho como um graveto dela, antes que perca o equilíbrio. Vejo que ela já conseguiu derrubar alguma coisa por cima da túnica verde de crepe de chine de 1960 que eu peguei para ela na loja. Por sorte, as manchas de tinta do colar de macarrão que Emiko fez para ela escondem um pouco a sujeira. — Eu sou a Sakura. Não Mebuki. Mamãe está ali, perto da mesa de sobremesas. E o que a senhora andou bebendo?

Pego a garrafa de Heineken na mão de vovó e cheiro o conteúdo. De acordo com a combinação que fizemos em família, seria preenchida de cerveja sem álcool, depois fechada novamente, devido à incapacidade de vovó Haruno de controlar a bebida, o que já resultou no que mamãe gosta de chamar de "incidentes". Mamãe tinha esperança de evitar qualquer "incidente" na minha festa de formatura, dando só cerveja sem álcool para vovó (mas sem informar a ela a respeito desse pequeno detalhe, é claro). Porque senão ela teria feito a maior confusão, iria dizer que nós estávamos tentando acabar com a diversão de uma senhora de idade e tudo o mais.

Mas não sei dizer se a cerveja dentro da garrafa é mesmo sem álcool. Colocamos as Heinekens falsificadas em um cantinho especial da geladeira. Mas ela pode ter conseguido arrumar a coisa de verdade em algum lugar. Ela é espertinha assim.

Ou vai ver que ela só ACHA que tomou a coisa certa e, por consequência, pensa que está bêbada.

— Sakura? — Vovó parece desconfiada. — O que está fazendo aqui? Não devia estar na faculdade?

— Eu me formei na faculdade em maio, vovó — respondo. Bem, mais ou menos. Isso sem contar os dois meses que passei de recuperação, para conseguir a nota que eu precisava em língua estrangeira para poder me formar. — Esta é a minha festa de formatura. Bem, minha festa de formatura-barra-despedida.

— Despedida? — A desconfiança de vovó se transforma cm indignação. — Para onde você acha que vai?

— Para a Inglaterra, vovó, depois de amanhã — respondo. — Para visitar meu namorado. Está lembrada? Nós falamos sobre isto.

— Namorado? —Vovó fica olhando para Suigetsu, estupefata—Não é aquele ali?

— Não, vovó — respondo. — Aquele é Suigetsu, namorado de Ino. A senhora se lembra de Ino Yamanaka, certo, vovó? Ela morava aqui, na nossa rua.

— Ah, a filha dos Yamanaka —vovó aperta os olhos na direção de Ino. — Agora me lembrei de você. Achei mesmo que tinha visto seus pais ali perto da churrasqueira. Você e Sakura vão cantar aquela musiquinha que sempre cantam quando estão juntas?

Ino e eu trocamos olhares cheios de pavor. Masato comemora.

— Ei, é isso aí! — ele exclama. — Saya me falou a respeito disso. Qual era mesmo a música que vocês costumavam cantar? Tipo no show de talentos da escola ou qualquer merda dessas?

Lanço um olhar de alerta a Masato, já que Emiko continua por perto, e respondo:

Little pitcheis.

Pela cara dele, é óbvio que não faz a menor ideia do que eu estou falando.

Suspiro e começo a conduzir vovó na direção da casa.

— É melhor entrar, vovó — eu digo. — Ou vai perder seu programa.

— Mas e a música? —vovó quer saber.

— Vamos cantar a música mais tarde, senhora Haruno — Ino garante a ela.

— Eu vou cobrar — Suigetsu nos lança uma piscadela. Ino diz "nos seus sonhos" para ele, só movendo os lábios.

Suigetsu manda um beijo para ela por cima do gargalo da garrafa.

Os dois são tão fofos juntos... Não posso esperar para chegar a Londres para que Sasori e eu possamos ser fofos juntos também.

— Vamos, vovó — eu digo. — A Doutora Quinn está começando agora.

— Ah, que bom — diz vovó. Para Ino, confidencia:—Eu não ligo nem um

pouco para aquela boba da Doutora Quinn. É aquele gostosão que está sempre com ela... dele, eu nunca canso!

— Certo, vovó — eu me apresso em dizer, quando Ino cospe toda a Amstel Light que tinha acabado de colocar na boca. — Vamos entrar logo, antes que perca o seu programa...

Mal avançamos alguns metros no pátio, no entanto, e logo somos paradas pelo doutor Hashirama, o chefe do meu pai no Cyclotron, com a mulher bonita dele, Anko, radiante em um sári cor-de-rosa, ao lado.

— Meus parabéns pela sua formatura — o doutor Hashirama me cumprimenta.

— Sim — a esposa concorda. — E, se nos permite dizer, você está muito magra

e adorável.

— Ah, obrigada — respondo. — Muito obrigada mesmo!

— E o que vai fazer agora que se formou em... No que mesmo? — o doutor Hashirama quer saber. É uma pena ele estar usando um protetor de bolso, mas eu não consegui fazer nem com que meu próprio pai desistisse desse troço, então é bem improvável que eu consiga fazer algum avanço nesse sentido com o chefe dele.

— História da moda — respondo.

— História da moda? Eu não sabia que a sua faculdade oferecia cursos nessa

área — diz o doutor Hashirama.

— Ah, não oferece. O meu programa de graduação foi individualizado. Sabe como é, quando você decide por conta própria as cadeiras que vai cursar?

— Mas história da moda? — o doutor Hashirama parece preocupado. — Há

muitas oportunidades disponíveis nessa área?

— Ah, toneladas — respondo, tentando não me lembrar de que, no fim de semana passado mesmo, peguei um exemplar do New York Times de domingo e vi que todos os empregos ligados a moda (e a promoção de vendas) dos classificados ou não exigiam exatamente diploma de bacharel ou exigiam anos de experiência no ramo, algo que não tenho. — Posso conseguir um emprego no Instituto do Vestuário no Museu Metropolitan. — Como faxineira, claro. — Ou figurinista da Broadway — Sabe como é, se todos os figurinistas do mundo morrerem ao mesmo tempo. — Ou posso até ser compradora de uma loja refinada como a Saks Fifth Avenue. — Isso se eu tivesse escutado o meu pai, que insistiu para que eu estudasse administração.

— Como assim, compradora? — Vovó parece escandalizada. — Você vai ser estilista, não compradora! Ah, esta menina rasga e costura as roupas dela de um jeito todo esquisito desde que tinha idade suficiente para segurar uma agulha —ela explica ao doutor e à senhora Hashirama, que olham para mim como se vovó tivesse acabado de informar que eu gosto de ficar dançando salsa pelada no meu tempo livre.

— Hã — digo, com uma risada nervosa. — Era só um passatempo. — Não menciono, é claro, que eu só fazia isso (reinventava minhas roupas) porque era tão gordinha que não cabia nas roupas divertidas e charmosas do departamento infantil, então eu tinha que, de algum modo, transformar as coisas que minha mãe comprava na seção de vestuário feminino em algo interessante e mais jovem.

E é por isso, claro, que gosto tanto de roupas vintage. Elas são muito mais bem-feitas e caem muito melhor (independentemente do seu tamanho).

— Passatempo o caramba. Está vendo esta blusa aqui? — vovó aponta para sua túnica manchada. — Ela tingiu pessoalmente. Era cor de laranja, e agora, olhe só para ela! E ela cortou as mangas para ficar mais sexy, bem como eu pedi!

— É uma blusa muito bonita mesmo — diz a senhora Anko gentilmente. — Tenho certeza de que Sakura irá longe com tanto talento.

— Ah. — Sinto que meu rosto ficou da cor de uma beterraba. — Quer dizer, eu nunca poderia... sabe como é. Viver disso. É só um passatempo.

— Ah que bom—o marido dela parece aliviado. — Ninguém deve passar quatro anos em uma boa faculdade para depois ganhar a vida costurando!

— Seria mesmo o maior desperdício! — concordo, preferindo não comentar com ele que passarei o primeiro semestre depois da formatura com o mesmo emprego de subgerente de loja enquanto espero meu namorado se formar.

Vovó parece incomodada.

— Por que o senhor se preocupa? — ela me dá uma cotovelada. — Os quatro anos foram de graça mesmo. Não importa o que vai fazer com o que aprendeu lá.

O doutor e a senhora Hashirama e eu trocamos sorrisos, todos Igualmente acanhados com a explosão de vovó.

— Os seus pais devem ter muito orgulho de você — continua a senhora Hashirama, ainda com um agradável sorriso nos lábios. — Quer dizer, por ter tanta segurança a ponto de estudar uma coisa tão... obscura, quando tantos jovens qualificados não conseguem nem arrumar emprego no mercado de trabalho dos dias de hoje. É muito corajoso da sua parte.

— Ah — engulo a ânsia de vômito que sempre me parece subir à garganta quando penso sobre meu futuro. É melhor não pensar sobre o assunto agora. É melhor pensar em como vou me divertir com Sasori. — Bem, sou corajosa mesmo.

— Vou dizer, é corajosa mesmo — vovó apoia. — Ela vai para a Inglaterra depois de amanhã para transar com algum fulano que mal conhece.

— Bom, agora precisamos entrar — agarro a mão de vovó, puxando-a. —

Muito obrigada por virem, doutor e senhora Hashirama!

— Ah, espere. Isto aqui é para você, Sakura. — A senhora Anko coloca uma caixa embrulhada com papel de presente na minha mão.

— Ah, muito obrigada — exclamo. — Não precisava!

— Não é nada mesmo — a senhora Hashirama diz com uma risada. — É só uma

luzinha de leitura. Seus pais disseram que você iria para a Europa, então pensei que, se você for ler em um trem ou algo assim...

— Bem, muito obrigada mesmo—repito. — Vai ser mesmo muito útil. Tchauzinho, então.

— Luzinha de leitura — vovó resmunga enquanto a afasto, apressada, de perto

do chefe de papai e de sua esposa. — Quem diabos vai querer uma luzinha de leitura?

— Muita gente — respondo. — É muito útil ter uma. Vovó diz uma palavra muito feia. Ficarei feliz quando ela estiver bem acomodada e segura na frente da reprise de Doutora Quinn. Mas, antes que possa fazer isso, há muitos obstáculos que precisamos transpor, inclusive Saya.

— Minha irmãzinha! — Saya exclama, tirando os olhos da criancinha que ela colocou em um cadeirão ao lado da mesa de piquenique, em cuja boca enfia colheradas de purê de batata. — Não acredito que está se formando na faculdade! Fico me sentindo tão velha!

— Você é velha — vovó observa.

Mas Saya simplesmente a ignora, como costuma fazer quando se trata de vovó.

— Masato e eu estamos tão orgulhosos de você. — Os olhos de Saya se enchem de lágrimas. Foi uma pena ela não ter me escutado quando falei sobre o comprimento de seus jeans. O visual corsário só funciona quando se têm pernas compridas como as de Cindy Crawford. Algo que nenhuma de nós, as garotas da família Haruno, tem. — Não só pela coisa de se formar, mas por... bem, você sabe. A perda de peso. Mesmo. Você está simplesmente fantástica. E... bem, nós compramos uma coisinha para você. — Ela coloca um pacotinho embrulhado para presente na minha mão. — Não é nada de mais... sabe como é, com Masato sem emprego e o bebê na creche o dia inteiro e tudo o mais. Mas achei que uma luzinha de leitura seria útil para você. Sei como você adora ler.

— Uau — digo. — Muito obrigada, Saya. Foi mesmo muita consideração da sua parte.

Vovó começa a dizer alguma coisa, mas aperto a mão dela com muita força.

— Ai — vovó reclama. — Dá próxima vez, por que não me esfaqueia?

— Bem, preciso levar a vovó para dentro — explico. — Está na hora da Doutora Quinn.

Saya olha para vovó.

— Ai, meu Deus, ela não falou para todo mundo que tem tesão por Byron Sully, falou?

— Pelo menos ele tem emprego — vovó começa —, e isso já é mais do que se pode dizer daquele seu marido de...

— Certo — digo, puxando vovó e entrando pelas portas de correr. — Vamos, vovó. Sully não pode ficar esperando.

— Isto não é maneira de falar do meu marido, vovó! — ouço Saya dizer atrás de nós. — Espere só até eu contar para o papai!

— Pode contar — vovó retruca. Então, enquanto a arrasto para longe, ela reclama: — Essa sua irmã. Como conseguiu aguentá-la todos estes anos?

Antes de conseguir formular uma resposta (o que não foi nada fácil), ouço minha outra irmã, Sango, chamar o meu nome. Viro e a vejo se aproximar de nós aos tropeções, com uma travessa de comida nas mãos. Infelizmente, ela está usando calças capri brancas de stretch apertadas demais para ela.

Será que minhas irmãs nunca vão aprender? Algumas coisas precisam continuar sendo um mistério.

Mas acho que, como foi esse visual que conquistou o marido de Sango, Takeshi, ela resolveu mantê-lo.

— Ah, oi — Sango diz, com a fala meio enrolada. Fica claro que ela também andou virando alguns copos. — Preparei seu prato preferido, em homenagem ao seu grande dia.

Ela tira a tampa de plástico da travessa e passa embaixo do meu nariz. Uma onda de náusea toma conta de mim.

Ratatouille de tomate! — ela berra, com gargalhadas estridentes. — Lembra aquela vez que tia Mieko fez aquela ratatouille e mamãe disse que você tinha que comer para ser educada, e você vomitou tudo no jardim?

— Lembro — respondo, sentindo-me como se estivesse pronta para vomitar tudo de novo.

— Não foi engraçado? Então, preparei este prato para lembrarmos do passado. Ei, qual é o problema? — Parece que ela pela primeira vez reparou na minha expressão. — Ah, fala sério. Não vá me dizer que você ainda odeia tomate! Achei que você tivesse esquecido disso depois que cresceu!

— Por que ela esqueceria? — vovó quer saber. — Eu nunca esqueci. Por que você não pega este troço e enfia...

— Certo, vovó — eu me apresso em dizer. — Vamos. Doutora Quinn está esperando.

Apresso vovó, antes que as duas comecem a trocar socos. Do outro lado da porta de correr estão os meus pais.

— Aqui está ela — papai fica todo alegre ao me ver. — A primeira das garotas

Harunos que realmente termina a faculdade!

Espero que Saya e Sango não o escutem. Apesar de, tecnicamente, ser verdade.

— Oi, pai — eu o cumprimento. — Oi, mãe. A festa está óti... — Daí, reparo na mulher parada ao lado deles. — Doutora Tsunade! — exclamo. — Você veio!

— Claro que vim. — A doutora Tsunade, minha conselheira universitária, me dá um abraço e um beijo. — Eu não teria perdido por nada no mundo. Olhe só para você, tão magrinha agora! Aquela coisa de maneirar nos carboidratos realmente funcionou.

— Obrigada.

— Ah, e olhe aqui, até trouxe um presentinho de despedida para você.

Desculpe, mas não deu tempo de embrulhar. — A doutora Tsunade coloca uma coisa na minha mão.

— Ah, uma luzinha de leitura! — meu pai diz — Olhe só para isso, Sakura! Aposto que vai usar bastante.

— Com toda a certeza — mamãe concorda. — Naqueles trens que você vai tomar na Europa. Uma luzinha de leitura é sempre útil.

— Em nome de Jesus — vovó se intromete. — Isso estava em liquidação em algum lugar?

— Muito obrigada, doutora Tsunade — eu me apresso em dizer. — Foi muito atencioso de sua parte. Mas, de verdade, não precisava.

— Eu sei — a doutora Tsunade parece, como sempre, muito profissional e alinhada com um tailleur de linho vermelho. Mas não tenho bem certeza se esse tom de vermelho específico é o mais adequado para ela. — Eu estava aqui pensando se podemos conversar em particular um instante, Sakura?

— Claro que sim — respondo. — Mamãe, papai, se nos dão licença... Quem sabe um de vocês dois pode acompanhar vovó e colocar a televisão no canal Hallmark? O programa dela está começando.

— Ai, meu Deus — minha mãe diz, com um gemido. — Não é...

— Sabe — diz vovó —, você poderia aprender muito com Doutora Quinn, Mebuki. Ela sabe fazer sabão com um intestino de ovelha. E teve gêmeos aos cinquenta anos. Cinqüenta! — Ouço vovó berrar enquanto mamãe a leva para o escritório. — Eu queria ver você tendo gêmeos aos cinqüenta anos.

— Há algo errado? — pergunto à doutora Tsunade, conduzindo-a para a sala de visitas da casa dos meus pais, que mudou muito pouco nos quatro anos que passei morando no alojamento estudantil que fica mais ou menos no quarteirão seguinte. O par de poltronas em que meu pai e minha mãe lêem toda noite (ele, lances de espionagem; ela, histórias de amor) continua coberto com plástico para protegê-las dos pêlos da sheepdog Madô. Nossas fotografias de infância (eu cada vez mais gorda nas imagens consecutivas, Saya e Sango cada vez mais magras e mais glamourosas) ainda forram cada centímetro disponível de parede. É um lugar aconchegante, surrado e simples, e eu não trocaria aquela sala por nenhuma outra no mundo.

Com a possível exceção de um cômodo na casa de praia de Pam Anderson, em Malibu, que eu vi na semana passada no MTV Críbs. Era surpreendentemente fofo. Levando tudo em conta.

— Você recebeu os meus recados? — a doutora Tsunade quer saber. — Passei a manhã toda ligando para o seu celular.

— Não — respondo. Quer dizer, fiquei ocupada correndo de um lado para o outro, ajudando mamãe a organizar a festa. — Por quê? Qual é o problema?

— Não há uma maneira fácil de dizer isto — a doutora Tsunade fala, com um suspiro. — Então, simplesmente vou dizer. Quando você se inscreveu no programa individualizado, Sakura, você se deu conta de que uma das exigências para se formar era uma monografia, não?

Fico olhando para ela sem entender nada.

— Uma o quê?

— Uma monografia. — A doutora Tsunade, aparentemente percebendo, pela minha expressão, que eu não faço a menor ideia do que ela está falando, afunda-se com um gemido na poltrona de meu pai. — Ai, meu Deus. Eu sabia. Sakura, você não leu nenhum dos materiais do departamento?

— Claro que li — respondo, na defensiva. — Quer dizer, li a maioria deles, pelo menos. — Era tudo a maior chatice.

— Você não ficou se perguntando por que, ontem, na cerimônia de entrega de diplomas, o seu canudo veio vazio?

— Bom, claro que sim. Mas achei que tinha sido porque eu não tinha terminado a cadeira relativa a língua estrangeira. E foi por isso que eu fiz dois cursos durante o verão...

— Mas você também tinha que redigir uma monografia — explica a doutora Tsunade. — Com um resumo, basicamente, do que você aprendeu no seu campo de estudo. Sakura, você só vai estar formada oficialmente quando entregar sua monografia.

— Mas — meus lábios pareceram entorpecidos —, vou viajar para a Inglaterra depois de amanhã e ficar lá um mês. Vou visitar meu namorado.

— Bem — a doutora Tsunade diz, com um suspiro —, então vai ter que escrever quando voltar.

Agora é minha vez de me afundar na poltrona que ela acabou de vagar.

— Não dá para acreditar — balbucio, deixando todas as minhas luzinhas de

leitura caírem no colo. — Meus pais fizeram esta festança... deve ter umas sessenta pessoas ali fora. Alguns dos meus professores da escola vieram. E a senhora está dizendo que eu nem me formei na faculdade de verdade?

— Não enquanto não entregar sua monografia — diz a doutora Tsunade. — Sinto muito, Sakura. Mas vão exigir pelo menos cinquenta páginas.

— Cinquenta páginas? — Ela podia ter dito quinhentas que não faria diferença, Como é que eu vou poder saborear o meu café da manhã inglês na cama king size de Sasori sabendo que tenho cinquenta páginas pairando em cima da minha cabeça? —

Ai, meu Deus. — Então, me dou conta de algo ainda pior. Não sou mais a primeira garota Haruno a terminar a faculdade. — Por favor, não comente sobre isso com meus pais, doutora Tsunade. Por favor.

— Não vou comentar. E sinto muito mesmo — lamenta a doutora Tsunade. — Não faço ideia de como isso aconteceu.

— Eu faço — respondo, cheia de tristeza. — Eu deveria ter ido estudar em uma faculdade particular pequena. Em uma universidade estadual gigantesca, é muito fácil se perder no meio da multidão e acabar descobrindo que, na verdade, não me formei.

— Mas estudar em uma faculdade particular pequena teria custado milhares de dólares, e agora você estaria preocupada com como ia pagar a conta. Ao frequentar uma universidade estadual gigantesca na qual o seu pai trabalha, você recebeu educação superior sem pagar absolutamente nada, e agora, em vez de ter que arrumar um emprego logo de cara, você pode se dar ao luxo de ir para a Inglaterra passar um tempo com... como é mesmo o nome dele?

— Sasori — respondo em tom desanimado.

— Certo. Sasori. Bem — a doutora Tsunade coloca no ombro sua cara bolsa de couro —, acho que é melhor eu ir. Só quis dar uma passada por aqui para lhe dar a notícia. Se lhe serve de conforto, Sakura, tenho certeza absoluta de que a sua tese vai ser ótima.

— Eu nem sei sobre o que escrever — choramingo.

— Uma breve história da moda basta. — Para mostrar que você aprendeu alguma coisa enquanto esteve aqui. E — ela completa, toda contente—você pode até fazer um pouco de pesquisa enquanto estiver na Inglaterra.

— Posso mesmo, não é?

Estou começando a me sentir um pouco melhor. Eu amo moda. E a doutora

Tsunade tem razão: a Inglaterra seria o lugar perfeito para fazer pesquisa. Lá tem tudo que é tipo de museu. E posso ir à casa de Jane Austen! Pode ser até que tenham algumas roupas dela lá. Roupas iguais às que usavam em Orgulho e Preconceito no canal A&E!

Eu amei aquelas roupas!

Meu Deus, Pode até ser que isto se transforme em algo divertido.

Não faço ideia se Sasori vai querer visitar a casa de Jane Austen. Mas por que não quereria? Ele é britânico. E ela também. Naturalmente, vai se interessar pela história de seu próprio país.

Claro. Claro, vai ser maravilhoso!

— Obrigada por ter vindo aqui pessoalmente me dar a notícia, doutora Tsunade

— digo, levantando-me e a acompanhando até a porta. — E muito obrigada pela luzinha de leitura também.

— Ah, não foi nada. Claro que eu não devia dizer isto, mas vamos sentir falta de você no departamento. Você sempre causava tanta sensação quando aparecia por lá com uma das suas, bem...— percebo que o olhar dela vai do meu colar de macarrão para o meu vestido manchado de tinta — roupas incomuns.

— Bom, muito obrigada, doutora Tsunade. Se algum dia quiser que eu arrume uma roupa incomum para a senhora, é só dar uma passada na Vintage to Vavoom, sabe onde é, ali na Kerrytown...

É bem aí que minha irmã Sango irrompe na sala, aparentemente já esquecida da raiva dela por causa da ratatouílle de tomate, já que está dando risadas quase histéricas. Ela é seguida pelo marido, Takeshi, minha outra irmã, Saya, o marido dela, Masato,

Emiko, nossos pais, os Hashirama, diversos outros convidados da festa, Ino e Suigetsu.

— Ela está aqui, ela está aqui — Sango berra.

Dá para ver na hora que ela está mais bêbada do que nunca. Sango agarra meu braço e começa a me arrastar para o patamar da escada, aquele que costumávamos usar como palco quando éramos pequenas, para representar peças para nossos pais.

Bom, para onde Saya e Sango costumavam ME empurrar para representar peças para nossos pais. E para elas.

— Vamos lá, formada — Sango diz, com um pouco de dificuldade com as palavras. — Cante! Todos queremos ver você e Ino cantando aquela musiquinha!

Na verdade, Sango fala algo como: "Cantche! Todosh nósh querêmo vê vochê esh Ino cantchando aquel mushiquinha!"

— Bem... — digo, ao reparar que Saya agarra Ino com tanta força quanto Sango me agarra. — Não.

— Ah, vamos lá—Saya exclama. — Queremos ver a nossa irmãzinha e a amiguinha dela cantarem a musiquinha! — E joga Ino para cima de mim, de modo que nós duas tropeçamos e quase nos estatelamos no patamar.

— Essas suas irmãs sofrem do pior caso de inveja fraterna que já vi na vida — Ino sussurra no meu ouvido. — Não acredito que elas se ressentem porque você, diferentemente delas, não engravidou de algum idiota no segundo ano de faculdade e foi obrigada a ficar em casa o dia inteiro com um pirralho babão.

— Ino! — fico chocada de ouvir esse resumo sobre a vida das minhas irmãs. Apesar de ser tecnicamente exato.

— Todas as bonitinhas que se formaram na faculdadezinha — Saya prossegue, sem se dar conta de que está se dirigindo a adultos com voz de bebê — têm que cantar sua musiquinha!

— Saya — digo. — Não. De verdade. Quem sabe mais tarde. Não estou a fim.

— Todas que se formaram na faculdade — Saya repete, desta vez apertando os

olhos, com uma expressão perigosa — precisam cantar.

— Neste caso, você vai ter que me deixar fora desta.

E então me viro e dou de cara com trinta expressões embasbacadas. E percebo que acabei de cometer um deslize. — Brincadeirinha — digo rápido.

E todo mundo dá risada. Menos vovó, que acaba de sair do escritório.

— Sully nem está nesse episódio — ela anuncia. — Caramba. Quem vai pegar uma bebida para uma senhora de idade?

Então ela cai em cima do tapete e começa a roncar de leve.

— Eu amo esta mulher—Ino diz para mim quando todo mundo corre para tentar reanimar minha avó e esquece completamente de Ino e de mim.

— Eu também — concordo. — Você nem faz ideia de quanto.

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E aí, gente? Devo continuar postando? Só vou continuar se vocês aprovarem ;D