O ÚLTIMO ATO

ATENÇÃO: Vocabulário pesado e explícito. Proibida para menores de dezoito anos.

CAPÍTULO DOIS – CAN'T HELP FALLING IN LOVE

Pov Ikki

Três semanas, nove horas e dezessete minutos. Esse é o tempo que se passou desde a minha saída do clube Millenium. Sim, eu contei os minutos e não me envergonho disso. Qualquer um contaria quando se encontra diante não apenas de sua família, como também de seus sogros e sua noiva, sentados em uma farta mesa de café da manhã, discutindo os detalhes de um casamento que você não quer.

É sexta de manhã e estamos em Creta, curtindo um final de semana prolongado na casa de praia da minha família. Meu estômago está embrulhando, eu não sinto a menor fome, mas ainda assim pego algumas torradas e deposito em meu prato, pois sei que meu irmão está me observando. Tudo o que quero é sair correndo dali, mas sei que não posso. Ao contrário, aumento o meu falso sorriso e finjo que a escolha das flores que decorarão a igreja é algo de sumo importância.

- O que você acha de lírios, amor? – Esmeralda tocou minha perna e me estendeu o álbum com fotos de diversos arranjos de flores.

- Parece bom. Eu gosto. – tentei aparentar empolgação.

- No nosso casamento, usamos rosas na decoração… É tão romântico… – minha mãe sempre arrumava um jeito de dar palpites, como quem não quer nada, até fazer valer sua opinião.

- Eu acho que prefiro lírios… - Esmeralda ficou sem jeito.

- Mas rosas são mais tradicionais, não acha? Acredito que seria de muito bom gosto. – pronto. Meu pai falou e nesse momento não houve qualquer dúvida de como seria a decoração da igreja.

- É. O senhor tem razão. Eu gosto de rosas também… - Esmeralda assentiu.

Imediatamente minha mãe foi até o quarto buscar seu álbum de casamento, para que pudéssemos copiar os arranjos com exatidão.

Com a desculpa de ir ao banheiro, eu subo para meu quarto. Já não consigo disfarçar meu descontentamento como antes e, para não despertar suspeitas, sempre me isolo por alguns momentos, até recobrar minha capacidade de atuar diante deles.

Quando resolvi ir até o clube Millenium naquela noite, a idéia era acalmar a fera que jazia dentro de mim, enfraquecer meus desejos íntimos e encontrar forças para seguir adiante. Mas meu tiro saiu pela culatra e eu não só abri ainda mais meus olhos para a falta de sentido em minha vida, como também despertei um desejo implacável em meu corpo, mente e coração.

Tenho pensado muito em Hyoga. Sei que é apenas um garoto de programa e fazer com que eu me sentisse bem era o seu trabalho, mas ainda assim não consigo parar de pensar nele e na pequena aventura que vivi ao seu lado naquela noite chuvosa.

Quero vê-lo novamente, não tenho dúvidas disso. Como poderia? Se já perdi as contas de quantas vezes me masturbei no banho pensando nele, se apenas me lembrar de seu corpo quente já me provoca uma ereção, e nas últimas semanas eu só consegui obter prazer com Esmeralda quando me lembrei dos momentos que passei com aquele russo?

Deitado em minha cama, imediatamente sinto meu pênis reagir a meus pensamentos e sei que preciso aliviá-lo uma vez mais. Abro o zíper de minha bermuda e abaixo a cueca. Umedeço minha mão com saliva e começo a trabalhar em meu membro rijo, alternando carícias na glande e movimentos de vaivém por toda a extensão.

Lembro-me de Hyoga, tomando-me inteiro em sua boca quente e deliciosa. Seus dentes me roçando, sua língua me saboreando… Sua pele macia e cheirosa, os gemidos roucos e o gosto daquele corpo apetitoso…

- Ahhh – eu gemo baixinho, desejando que ele estivesse ali comigo.

- Ikki, querido? Onde está você?

Ouço a voz de Esmeralda no corredor e imediatamente ergo minhas roupas. Ela entrou no exato momento em que eu fechava o meu zíper.

- O que está fazendo, amor? – perguntou, olhando-me com um sorrisinho nos lábios.

- Nada! – eu respondi afobado, o que despertou ainda mais a desconfiança dela.

Ela me olhou da cabeça aos pés e, obviamente, não deixou de reparar em minha ereção, que neste momento erguia minha bermuda como a haste de uma bandeira.

- Estava… se… - ela corou, pois sempre foi tímida e retraída demais com essas coisas.

- Desculpe, Esmeralda. Eu vou ao banheiro, ok? – eu precisava sair de perto dela. Sei que não tinha como minha noiva descobrir que eu estava me masturbando pensando em um homem, mas ainda assim estava envergonhadíssimo.

- Tudo bem, eu vim porque o seu pai insistiu que você estava demorando demais… - eu já havia imaginado isso. Uma das características de que mais gostava em Esmeralda era o fato de que ela sempre respeitava o espaço dos outros. E para subir atrás de mim, só com ordens de meu pai, mesmo.

- Não tem problema. Diga a ele que já estou descendo. – eu me levantei da cama.

- Ikki, você quer… - ela olhou para baixo extremamente acanhada, e pela sua reação notei que estava me oferecendo sexo. Senti vontade de dizer que queria, mas não com ela. Ao invés disso, simplesmente neguei e fui até o banheiro.

Ouvi Esmeralda fechando a porta do quarto e o constrangimento da situação me abateu. Fui até a pia e lavei meu rosto diversas vezes, tentando recobrar o juízo e a sanidade, antes que fizesse alguma besteira impensada.

'E se eu procurasse por ele apenas mais uma vez?', pensei comigo, mentindo a mim mesmo de que seria totalmente capaz de me controlar, depois de ver aquele loiro novamente. Sei que estou me enganando e que se ceder aos meus desejos desta vez, não haverá mais volta. Mas, ainda assim, não consigo ignorar o que sinto.

Pergunto-me se seria capaz de viver uma vida dupla, como a daquele senhor que vi no clube Millenium. Surpreendo-me com a resposta, não por descobrir que eu seria capaz de levar esse tipo de vida, mas por ser o que eu mais quero fazer no momento.

Ignorando a razão e deixando o animal selvagem aprisionado finalmente aflorar, respiro fundo e junto algumas coisas em minha mochila, enquanto crio a desculpa perfeita para voltar para Atenas e não ter que levar Esmeralda em meu encalço.

Desço as escadas com o coração a mil, vou à sala de jantar e paro diante de minha família e os convidados.

- Surgiu um problema. – digo com firmeza na voz e percebo o semblante assustado de todos eles. – Eu preciso analisar alguns processos no escritório, tenho uma reunião com o cliente na segunda feira e preciso estar preparado. – rezei a todos os deuses para que a desculpa colasse.

- Mas hoje é feriado, amor. – Esmeralda estava decepcionada e um tanto apavorada, eu poderia dizer, pois não era fácil encarar meus pais, ainda mais quando se é tão doce e manipulável como ela.

- Eu sei. Havia me esquecido completamente desses processos. Foi um erro meu e é melhor que resolva isso o quanto antes. Mas volto amanhã à noite, meu amor. – respondi.

Olhei para meu irmão Shun e o sorriso que ele me lançou me acalmou. Era de uma cumplicidade, de um apoio… Tenho certeza de que não foi proposital, principalmente por vir de um adolescente de dezesseis anos, alheio a tudo a sua volta. Mas, ainda assim, aquele sorriso me deu forças para não voltar atrás.

Eu me despedi de Esmeralda com um selinho em seus lábios, cumprimentei aos meus sogros e beijei o rosto de minha mãe, logo após abraçar Shun. Parei diante de meu pai e não fiz qualquer movimento. Eu sabia que a minha partida dependia do consentimento dele, e foi o que procurei em seu olhar.

E o que vi nos olhos de meu pai fez meu estômago embrulhar e uma decepção enorme surgir. O Sr. Isao Amamiya me olhou com orgulho, de uma forma que nunca havia feito antes.

- Priorizar as suas responsabilidades acima de tudo é algo que aprecio em um homem, meu filho. Vá e faça seu trabalho, ganhe dinheiro, mantenha o status da família. Isso é mais importante do que qualquer outra coisa. – dizendo isso, ele me abraçou.

Não posso dizer que fiquei feliz com a permissão dele, aquelas palavras me fizeram mal, era uma inversão doentia de valores… Não importava se eu estivesse bem, o certo era ganhar dinheiro e manter o império que o avô dele construiu?

Dez minutos depois dessa situação estranha, eu já estava a caminho do porto de Creta. Sem tempo ou paciência para pegar um ferryboat, aluguei um aero barco, pois a minha intenção era chegar rápido em Atenas.

Horas mais tarde, depois de passar em casa, encontro-me novamente parado em frente aquele clube privativo. Porém, dessa vez não hesito em descer de meu carro e entregar a chave ao manobrista. Muito menos titubeio ao apertar o botão do elevador que me levará até Hyoga.

Nem mesmo o salão cheio me intimida. A esmagadora maioria daqueles homens que ali se encontram, enfrentam a mesma situação que eu. Peço um uísque no bar e dou uma volta pelo lugar, procurando por aquele russo que me roubou a sanidade.

- Olha só quem voltou… - a voz afeminada de Ícaro era inconfundível.

- Olá! Ícaro, não é isso? – tento ser educado.

- Está bem mais simpático hoje… - o ruivo alisa meu ombro.

- Desculpe, mas… hoje eu também não estou interessado…

- Imaginei! Você chegou aqui com uma pessoa específica na cabeça, deu pra perceber de longe. Mas parece que você chegou atrasado, doçura.

O garoto de programa aponta para uma mesa num canto do salão, e eu vejo Hyoga conversando com outro homem. O cara, que aparentava uns cinqüenta anos, estava tocando a perna do loiro, o que me enfureceu.

- Ícaro, quer ganhar cem euros? – ofereço.

- Claro, doçura.

- Tire o Hyoga dali. – ordeno, entregando a nota a ele.

No mesmo instante, o ruivo vai até a mesa do russo e conversa alguma coisa com ele. Hyoga corre seus olhos pelo salão, mas de onde estou ele não pode me ver. Ícaro profere mais algumas palavras e o loiro se levanta, deixando o cliente em potencial nas mãos do ruivo.

Sei que Hyoga é disputado e deixá-lo vagando sozinho pelo salão é um tanto quanto arriscado. Caminho um pouco mais para o meio, fazendo questão de deixar que ele me visse. O russo sorriu abertamente quando me avistou, e ao invés de me derreter com o gesto, um sentimento de posse se abateu sobre mim. Imaginei que se eu tivesse chegado alguns minutos depois, esse sorriso não seria exclusivamente meu.

Hyoga se aproxima de mim ao máximo, quase colando nossos corpos.

- Você demorou… - ele diz me olhando nos olhos e eu não consigo evitar um sorriso.

- Sabia que eu viria? – perguntei intrigado.

O russo apenas sorri e assente com a cabeça, sem desviar os olhos dos meus.

- Como sabia?

- Não sei… eu senti, acho. – ele desliza as mãos pelo meu peito e morde o lábio.

Eu não estava mais agüentando aquele clima de sedução e, pelo visto, Hyoga também não, pois sorri e segura a minha mão, guiando-me para o andar de cima.

Não sei quem trancou a porta, ou quem atacou primeiro, só sei que no momento em que estivemos sozinhos naquele quarto, nos atracamos como dois animais.

- Espera, eu preciso pegar a carteira… - eu peço, enquanto Hyoga me prensa na porta e abre minha camisa sem nenhum cuidado.

- Depois… - responde o loiro, deslizando sua língua por meu pomo de adão.

- Mas você disse que o pagamento é… - eu tento argumentar, em vão, pois nesse instante Hyoga está mais preocupado em se esfregar completamente em meu corpo.

- Depois! Agora seja bonzinho e cala essa boca, vai? – ele retira suas roupas com uma rapidez impressionante e eu faço uma nota mental para não me esquecer de cuidar eu mesmo deste detalhe da próxima vez.

O olhar de Hyoga sobre mim deixa claro que ele não pretende perder tempo. Em minha cabeça, fantasio que é porque ele também sonhou comigo, tanto quanto eu sonhei em encontrá-lo durante todos esses dias.

Eu ainda estou encostado na porta e quando vejo aquele loiro se ajoelhar diante de mim, realmente penso que estou passando mal, pois não pode ser normal um coração bater tão rápido assim.

Hyoga abre o meu cinto e o zíper, logo em seguida abaixa minha calça e a cueca até meus joelhos. Eu fecho meus olhos e ele crava as unhas em minhas coxas, chamando minha atenção. É com um olhar safado e um sorriso nos lábios que aquele loiro gostoso recebe meu membro inteiro em sua boca.

Eu gemo. Gemo alto e descontroladamente enquanto ele me suga de uma forma deliciosa. Viajei mais de trezentos quilômetros por isso e posso dizer com toda a certeza que valeu muito a pena. Eu seria capaz de percorrer cada quilômetro a nado, se fosse para receber uma felação como essa ao chegar.

Eu agarro seus cabelos e afundo-me em sua boca num ritmo cadenciado, sentindo aquela cavidade úmida me tragar completamente por várias e várias vezes.

- Ahhhh! Que boca gostosa, loiro.

Eu sinto meu clímax chegando e faço com que Hyoga fique novamente de pé. Preciso senti-lo, enterrar-me profundamente em seu corpo quente e me perder completamente nas sensações que ele causa em mim.

Ele me olha nos olhos e parece compreender a minha pressa. Afasta-se um pouco de mim e pega camisinha e lubrificante no bolso de sua calça. Quando ele volta a se aproximar, colocando o preservativo em meu pênis, nossos rostos estão tão próximos que eu posso sentir sua respiração contra minha boca.

Os lábios dele são tão lindos. São cheios e vermelhos, parecem deliciosos. Eu não resisto e roço meus lábios em sua boca. Mas o toque não passa disso, pois ele afasta o rosto do meu, sorrindo travesso e ainda lubrificando o meu pênis.

Eu seguro seus cabelos, firmando seu olhar em mim e tento beijá-lo novamente, mas ele se esquiva e lambe o meu rosto. Perco o pouco de controle que ainda possuía e o prenso na porta, de costas para mim.

Hyoga não contém um longo gemido quando eu me esfrego em seu corpo nu, ao mesmo tempo em que chupo sua orelha, seu pescoço e seus ombros sem o menor pudor. Ele está completamente encostado á porta, suas mãos apoiadas ao lado de sua cabeça.

Eu pego o restante do lubrificante na mão do russo e o preparo para me receber da melhor forma possível. Hyoga empina sua bunda para mim, dando-me livre acesso à sua entrada e eu espalho o gel, estirando-o como posso.

Então eu o penetro. Entro naquele corpo maravilhoso e sinto-o se abrir aos poucos, adaptando-se à invasão de meu membro. Dou uma estocada mais profunda e Hyoga geme daquele jeito delicioso, aumentado meu tesão em níveis inimagináveis.

- Isso, loirinho! Geme bem gostoso pra mim! – eu digo antes de morder a orelha dele, enquanto continuo estocando-o lenta e torturantemente.

Hyoga força o corpo para trás, tentando obter mais de mim. E eu sorrio ao perceber o quanto sou capaz de fazer aquele loiro perder completamente o controle.

- Mais, gato! Ahhhhh… Eu quero mais… - ele joga a cabeça para trás, apoiando-a em meu ombro.

Determinado a atender ao seu pedido, eu tiro meu pênis de dentro do loiro e faço com que ele vire de frente para mim. Retiro minha camisa e, com um impulso, eu ergo suas pernas e apoio com meus braços, enquanto ele, apoiado na porta, se agarra firmemente em meu ombro.

Volto a penetrá-lo, dessa vez com força e rapidez, enlouquecendo a nós dois e provocando gemidos deliciados de meu amante.

- Ahhhhhhh! Assim… Mete gostoso, vai!

Ambos estamos ofegantes e suados, gemendo como loucos. A minha visão está embaçada, eu sinto minhas pernas enfraquecerem e quase não consigo suportar o peso do loiro em meus braços. Afundo-me em seu corpo o máximo que posso e sinto Hyoga me apertar ainda mais contra ele, chamando meu nome baixinho em meu ouvido.

Pequenos pontos brilhantes começam a nublar ainda mais a minha visão, o ar chega com dificuldade em meus pulmões e meus gemidos tornam-se mais altos e contínuos. O tremor que sinto crescer na base de minha espinha me avisa que o meu clímax está próximo e eu intensifico os meus movimentos, penetrando Hyoga de forma alucinante, acertando sua próstata continuamente.

- Ahhhhhhhh! – com um urro, o russo despejou sua semente entre nossos corpos. Eu gozo logo em seguida e mesmo depois disso estoco-o algumas vezes mais, continuando a aproveitar a contração de seus músculos ao redor de meu membro.

Mal consigo me manter de pé, quanto mais sustentar o loiro em meus braços. Caminho lentamente e com dificuldade até a cama, enquanto Hyoga beija meu rosto diversas vezes, mordendo meu queixo de forma divertida.

Deito-o na cama com cuidado e ele se recusa a me deixar ir. Por alguns instantes eu permaneço abraçado a ele, deitado sobre seu corpo. Eu retiro a camisinha, dou um nó e a jogo no chão do quarto, antes de rolar na cama, retirar minhas roupas e me deitar de costas ao lado de Hyoga.

Minha respiração ainda está ofegante, aos poucos minha visão volta ao normal e o meu coração se acalma em meu peito. Pergunto-me se o russo está na mesma situação que eu, e ao olhar para o lado obtenho minha resposta: completamente descabelado, puxando o ar com dificuldade e com as mãos apoiadas em sua barriga, Hyoga vira a cabeça e me olha com uma expressão de satisfação no rosto.

Ele sorri e, com a voz rouca, diz:

- Olá, Ikki! Como vai você?

Rimos demais com isso, estávamos tão loucos de desejo que mal havíamos nos cumprimentado.

- Oi. Estou muito melhor agora, obrigado. E você? – eu respondi em meio aos risos.

- Também estou muito melhor agora… - ele me lançou um sorriso encantador.

Senti vontade de tocá-lo, não de uma forma sexual, mas carinhosa. Devagar, me virei de lado na cama e levei minha mão direita ao rosto dele. Acariciei levemente apenas com a ponta dos dedos, sentindo os contornos fortes de sua face, a pele macia de barba recém cortada, o nariz arrebitado, o queixo fino, a boca tentadora…

Todo o tempo em que o acariciava, olhávamos nos olhos, sem nada dizer. Não sei ao certo quanto tempo ficamos assim, perdi-me completamente naquela exploração. Por várias vezes, ele segurava minha mão e beijava a palma, o dorso, meus dedos… E então eu continuava o meu carinho, desvendando os detalhes de sua face e, depois, do restante de seu corpo.

Descobri uma pinta na curvatura de seu pescoço, acariciei cada uma das veias estufadas de seu braço, notei uma pequena cicatriz acima da sobrancelha direita, e outra no lado esquerdo de sua barriga. Achei interessante a tatuagem de um cisne abaixo de sua cintura e olhei para ele confuso.

- Minha mãe biológica sempre me contava a história do patinho feio quando eu era pequeno. – ele sorriu.

Eu retribui seu sorriso e depositei um beijo sobre o cisne. Hyoga imediatamente estremeceu abaixo de mim, mordendo os lábios.

Acariciei suas coxas grossas quase sem pêlos, as canelas relativamente finas, os pêlos bem aparados na virilha, os grandes pés bem cuidados… Hyoga não tinha nada de andrógino, o que se via ali era a mais pura beleza masculina, traços fortes, bem marcados e extremamente harmoniosos.

Eu olhei sua proeminente ereção e pensei como seria senti-lo dentro de mim. Perguntei-me se em algum momento teria coragem e vontade de recebê-lo em meu interior. O loiro era grande, provavelmente a dor seria considerável…

Deixei de lado meus questionamentos e voltei a olhá-lo nos olhos.

- Gosta de ser observado? – perguntei curioso, não podendo mais ignorar o quanto ele estava excitado.

- Por você… - respondeu devagar. – o modo como você me olha me excita demais… Nunca me senti tão nu em toda a minha vida… - completou sorrindo.

- Você é muito lindo… - eu percebi que ele corou quando eu disse isso. Achei estranho, porque ele deve ouvir isso milhares de vezes.

- Me toca… - o pedido de Hyoga foi quase um sussurro, envergonhado por sua vulnerabilidade diante de mim.

Atendendo a sua súplica, eu o toquei. Acariciei, beijei, suguei, mordi e estimulei cada pedaço daquele corpo que se transformou em minha perdição. Sem pressa, eu fiz com que ele me sentisse de todas as formas e, quando ele gritou meu nome, liberando sua semente em minha boca, eu realmente me senti em meu paraíso particular, onde só nós dois existíamos.

Depois de tomarmos um banho juntos, onde o loiro retribuiu cada uma das minhas carícias, deitamo-nos na cama, um de frente para o outro com as pernas entrelaçadas.

Enquanto acariciava os poucos pêlos de meu peito, Hyoga finalmente se lembrou de perguntar por quanto tempo eu o queria. Foi a primeira vez que senti certa tensão no russo, exatamente como em nosso primeiro programa.

- A noite toda, loiro. – respondi.

- Tem certeza? Vai sair caro… - ele riu sem jeito.

- Você sabe que vale cada centavo… - beijei sua testa.

Depois de combinarmos o preço e de alguns minutos em silêncio, ele se remexeu na cama, erguendo o corpo e se apoiando com o cotovelo.

- Como você conseguiu vir aqui numa plena sexta feira de feriado? E a sua noiva? – perguntou intrigado.

- Ela está em Creta com a minha família e os pais dela. Eu inventei que precisava trabalhar hoje e voltei correndo pra cá…

- Creta, hein? Que delícia! – ele sorriu.

- Você conhece? – perguntei acariciando seus cabelos.

- Não. – ele suspirou.

- É incrível, apesar de que eu prefiro Mykonos…

- Sou louco pra conhecer Mykonos. Dizem que é lindo…

- É lindo. Lindo demais… - eu respondi encarando-o significativamente e ele percebeu que eu não falava da ilha.

- Vai me deixar sem graça! – riu, tentando disfarçar o rubor. – Como você se saiu nessas três semanas? Ainda está convicto no casório?

- Convicto não seria a palavra certa. Resignado cairia melhor…

Hyoga permaneceu calado por alguns minutos. Ele me observava atentamente e eu notei que estava me analisando. Peguei um cigarro em minha calça e acendi, depois de pedir o consentimento dele.

- É tão assustador assim? – ele me perguntou depois de alguns minutos.

- O quê?

- Dizer a sua família quem você realmente é? – ele sentou-se na cama e se apoiou na cabeceira.

Eu dei uma longa tragada em meu cigarro e fechei os olhos, antes de responder.

- Eu sou um exemplo. Profissional exemplar, homem íntegro, filho amoroso… Não quero destruir a imagem que eles têm de mim…

- E por acaso ser gay te tornaria um profissional ruim, um homem indigno e um filho ingrato?

- Você não conhece a minha família… Para eles, o que estamos fazendo é errado!

Por mais que fosse um assunto complicado, eu não estava nervoso. Desde a primeira vez que o vi, percebi que Hyoga tinha o dom de extrair meus pensamentos de uma forma clara e tranqüila. Ao lado dele, eu senti segurança suficiente para falar a respeito de meu problema, sem receios.

- Esse é um pensamento deles ou seu? Ikki, se você mesmo se condena por ser quem é, como pode querer que as pessoas te aceitem? Não há nada de errado com você! E a primeira pessoa que tem de ser convencida disso, é você mesmo.

Entendo o que ele quer me dizer, sei que é a verdade, mas ainda não estou pronto. Como se adivinhasse meus pensamentos, Hyoga me puxa para seus braços. Sento-me na cama, apoio minhas costas em seu peito e descanso minha cabeça em seu ombro, enquanto ele me alisa os cabelos.

- Tome o seu tempo, gato. Não disse isso para te assustar, só quero que pense a respeito. Você é um cara bacana demais para passar anos preso em uma farsa…

Eu esboço um sorriso triste e ofereço um cigarro a ele.

- Eu não fumo.

- Não fuma, não bebe… Se você não fosse garoto de programa, com certeza seria um beato. – Hyoga gargalhou com o meu comentário.

- Não exagera! Eu não bebo em serviço, mas tomo minhas cervejinhas de vez em quando… - ele me explicou, puxando de leve os pêlos do meu peito.

- Talvez um dia eu te convide para tomar uma cervejinha fora do seu horário de serviço, então… - flertei, apertando levemente a coxa dele.

- Talvez eu aceite… - ele beijou meu pescoço.

Não sei se realmente teria coragem de ser visto com ele em público, mas a idéia me agradou. Imaginei-me num ambiente agradável, batendo papo com Hyoga, depois de um dia cansativo… É, eu realmente gostaria de fazer isso…

- Quantos anos você tem? – eu questionei.

- Não acha que é um pouco tarde para perguntar? – ele riu.

- Antes tarde do que mais tarde ainda… - brinquei.

- Fiz vinte e um no mês passado. E você?

- Vinte e sete.

- Está com fome? – ele continuava a alisar meu peito.

- Faminto. – só agora me dei conta disso.

Pedimos algo no restaurante e assim passamos o restante da noite, comendo, conversando, transando, dormindo… Não necessariamente nesta mesma ordem. Antes de ir embora, depois das seis da manhã, Hyoga me passou o número de telefone dele, explicando que poderia me encontrar fora do clube Millenium se assim eu desejasse.

Confesso que fiquei feliz com a possibilidade, embora o medo de ser visto entrando em algum motel com um homem ainda me assombrasse. Despedi-me dele com uma única certeza na mente: Este não seria nosso último encontro.

oOo

Na semana seguinte, eu realmente queria ligar para Hyoga. Não conseguiria me segurar por três semanas desta vez… E a oportunidade perfeita surgiu rapidamente, quando Esmeralda, envolvida com os preparativos do casamento, acabou sendo convencida por minha mãe a procurar um estilista francês para encomendar seu vestido de noiva. Acho que não preciso nem dizer que o cara foi o mesmo que criou o vestido de minha mãe…

Sem ter a necessidade de inventar uma desculpa esfarrapada para minha noiva, e aproveitando que meu pai acompanhou as duas em sua viagem à Paris, resolvi usufruir de minha liberdade temporária e finalmente marcar um encontro com aquele russo gostoso.

Peguei meu celular e busquei seu número em minha agenda de contatos. Sem hesitar, apertei o botão verde do aparelho. O telefone chamou por seis vezes e nada dele atender. Eu já estava desistindo quando ouvi o leve sotaque de Hyoga do outro lado da linha.

- Alô? – sua voz estava ofegante e isso me embrulhou o estômago. Será que ele estava com alguém?

- O-Oi. Hyoga? – Imaginá-lo com outro cara me deixou sem ação.

- Oi, Ikki! Tudo bem? – ele me cumprimentou animado.

- Como reconheceu minha voz? – eu estava apreensivo, não conseguia disfarçar o nervosismo.

- Sua voz grossa é inconfundível, gato.

- Estou atrapalhando você?

- Imagina, claro que não! Eu estou malhando, estava correndo na esteira…

Não posso negar o alívio que senti ao ouvir isso.

- E então Ikki? A que devo a honra? – ele brincou.

- Você está livre hoje? – perguntei sem rodeios.

- Na verdade, eu não costumo trabalhar às quintas feiras… - eu notei certa hesitação em sua voz.

- Hoje é seu dia de folga, então?

- Mais ou menos, tenho um compromisso mais tarde. Fico livre depois de dez e meia da noite. – essa foi a minha deixa.

- Podemos nos encontrar depois do seu compromisso? – insisti. – Eu quero muito te ver… - não tive a intenção de soar desesperado, mas era a verdade.

Hyoga ficou em silêncio por uns instantes.

- Onde eu te encontro?- disse, por fim.

- Eu pego você, não tem problema. É só me dizer onde… - eu realmente queria saber qual era o compromisso importante dele. Seria um cliente especial? Ou um namorado, talvez?

- Esquina da Diakou com a Kolonaki, às dez e quarenta. Pode ser?

- Claro. Até lá, então?

- Até. Um beijo, Ikki.

- Outro.

Desliguei o telefone e voltei a meus afazeres, agora muito mais disposto…

Ás dez e meia da noite eu já estava esperando no local combinado. Mil coisas passavam pela minha cabeça, me deixando cada vez mais ansioso. Qual seria o tal compromisso dele? Com quem será que ele estava? Essa pessoa era melhor para ele do que eu? Ele abriu uma exceção hoje porque também quer me ver, ou pelo dinheiro?

Eu sei que não deveria me envolver assim por Hyoga, mas não se pode controlar essas coisas. Os momentos que passei ao lado dele foram incríveis, fizeram com que eu me sentisse único. Ninguém pode me culpar por querer estar ao lado de alguém que me faz bem como nenhum outro.

Passaram-se vinte minutos e nada do russo aparecer. Eu já estava quase ligando para ele, sem me importar com o fato de que provavelmente estaria acompanhado. Quando enfiei a mão no bolso interno do blazer para retirar meu celular, ele surgiu na esquina, caminhando apressado. Eu sorri imediatamente e acendi a luz interna do meu carro, para que ele me visse.

- Desculpa, gato. Eu estava resolvendo algumas coisas, acabei me atrasando… - disse ele, entrando no veículo.

- Não tem problema, eu entendo. – sorri para ele, tranqüilizando-o.

Hyoga se debruçou no banco para me abraçar, e só então eu reparei na mochila que ele tinha nos ombros. Abracei-o apertado, afundando meu nariz em seu pescoço.

- É bom te ver… - ele disse se agarrando ainda mais em mim.

- Sentiu minha falta, é? – não resisti e acabei fazendo charme.

- Convencido… - ele riu e apertou minha cintura, fazendo cócegas.

Eu acariciei seus cabelos e ele afastou um pouco o rosto para me olhar nos olhos. Engraçado como eu sempre sinto algo estranho ao fitar seus olhos azul celeste. Algo bom, que não sei explicar, é como se eu perdesse o chão e ao mesmo tempo encontrasse meu lugar seguro. Eu me perdia completamente, mas não tinha medo algum porque ele sempre fazia com que eu me sentisse protegido.

Nossas faces estavam próximas e Hyoga estava um pouco ofegante, não sei dizer se por ter corrido para me encontrar ou pela proximidade de nossas bocas. Eu levei minha mão ao seu rosto e acariciei delicadamente. Ele fechou os olhos, aproveitando o toque. Mas por alguma razão, eu senti seu corpo se retesar. Então o loiro beijou minha mão e a afastou de seu rosto.

- Vamos? Ou você quer aqui mesmo? – a mudança no comportamento dele cortou o clima.

As palavras de Hyoga pareciam querer lembrar a si mesmo do porquê de estar ali. Procurando deixá-lo mais a vontade, eu preferi não questionar nada por enquanto.

- Está com fome? – perguntei, enquanto afivelava o cinto de segurança e colocava o carro em movimento.

- Um pouco… - ele colocou o cinto e ficou observando a paisagem pela janela.

Liguei o rádio e Hyoga pareceu relaxar, apesar de permanecer quieto.

Poucos minutos depois, nós passamos em frente a um daqueles motéis baratos do centro.

- Ikki. O motel ficou lá para trás, você reparou? – ele chamou minha atenção.

- Nós não estamos indo a um motel. – eu disse com calma.

- E para onde você está me levando, então?

- Hoje é sua noite de folga e você está com fome. Vou te levar para comer alguma coisa… - eu sorri para ele.

Hyoga sorriu, mas parecia que ainda tentava se reprimir.

- Olha, eu não sei se fiz alguma coisa errada… - eu tentei entrar no assunto. – mas…

- Você não fez nada de errado, gato. – ele me interrompeu.

- Então por que você ficou estranho?

- Sinceramente? Você é um cara legal, Ikki. E justamente por isso tenho medo de você, às vezes.

- Medo? Por quê? – me surpreendi.

- Não quero confundir as coisas, sabe?

Eu entendi o que ele quis dizer. Quando estávamos juntos, em vários momentos eu me esquecia de que Hyoga estava sendo pago. E fiquei muito feliz de saber que causava o mesmo efeito nele.

- Relaxa, deixa rolar. O que tem de mal você se divertir um pouco? – tentei tranqüiliza-lo.

Apesar de não parecer totalmente confiante em minhas palavras, Hyoga relaxou um pouco mais e jogou a mochila no banco de trás do carro.

- Você pode trocar se quiser, tem alguns CDs no porta luvas… - ofereci, já que a música que tocava era muito chata.

O russo abriu o porta luvas e retirou alguns CDs de lá, olhando atentamente as capas.

- The Audition não me parece fazer o seu estilo… – comentou, me mostrando o CD com um homem de perfil na capa.

- Deve ser do Shun, meu irmão mais novo.

- Quer ouvir? – sem esperar minha resposta, ele já foi colocando o cd no player e apertando o play.

Eu nunca havia escutado a música "Warm me up" até essa noite. Mas tenho certeza de que ela jamais sairia da minha mente, depois de ver Hyoga sorrindo, cantando empolgado, jogando os cabelos de um lado pro outro e se insinuando para mim, consciente da revolução que estava me causando.

E quando ele cantou aquele trecho da música em que diz: "… Aproxime-se de mim, amor. Eu tenho tudo de que você precisa…", eu realmente precisei de toda a minha força de vontade para não parar o carro e agarrá-lo ali mesmo.

Estacionei em frente a um dos restaurantes mais caros da cidade, porém o russo não fez sequer menção de descer do carro.

- O que foi? – perguntei, olhando-o confuso.

- Não acho que posso entrar aí vestido assim… - ele riu e eu reparei que usava apenas uma camiseta preta, calça jeans e tênis.

- Você está comigo, vão te deixar entrar…

- Você não precisa fazer isso para me impressionar. Sabe disso, não é?

Eu fiquei muito sem graça. Era mais do que óbvio de que eu estava agindo como um adolescente, demonstrando status e poder para impressionar.

- Vamos fazer o seguinte? Já que é o meu dia de folga, eu escolho aonde iremos comer. Combinado? – ele sugeriu.

Eu cedi sem maiores problemas, e depois de dez minutos estávamos em uma taberna um pouco afastada do centro. O estacionamento era ao lado do lugar, e àquela hora da noite, não havia muita gente por perto.

Quando desci do carro, Hyoga veio até mim e parou em minha frente. Devagar, ele retirou meu blazer e o jogou no banco do motorista. Eu sorri e me aproveitei para acariciar discretamente sua cintura. O russo retirou minha gravata, abriu três botões da minha camisa, colocou-a para fora da calça social e desalinhou meus cabelos, dando um ar despojado.

- Pronto, agora podemos entrar. Não é nada chique, como você está acostumado… Mas prometo que vai gostar! Outra coisa: quando entrarmos, se as pessoas olharem pra você, não pense que é por estar acompanhado de um homem, 'tá? Você é lindo, chama a atenção mesmo… Acostume-se com isso, gato!

Se a idéia era me deixar à vontade, Hyoga acertou em cheio. A taberna era agradável e o visual mais despojado ajudou a me livrar daquele ar soturno que me acompanha em meu dia a dia.

Como muitas tabernas por aqui, prevalecia no ambiente a meia luz. As mesas pequenas, com apenas uma grande poltrona acolchoada e pequenas luminárias com velas vermelhas, davam um ar romântico e intimista ao local. Sentamos numa mesa no canto, afastada do balcão. Quando o garçom apareceu, pedimos cerveja, sanduíches e batatas fritas.

-Hmmm, eu amo essa música. – o loiro comentou quando "It's gonna be hard", outra canção do The Audition, começou a tocar.

Eu reparei melhor nas pessoas que se encontravam no bar e me assustei. Apesar da discrição de muitos deles, era possível perceber que a maior parte do público era homossexual, já que alguns casais não escondiam o carinho e o chamego.

- Esse lugar é… - eu nem consegui terminar a frase.

- Um bar GLS. – Hyoga completou por mim. – Está vendo, você entrou em um bar voltado para o público gay e não doeu nada…

- Mas, eu não… Você deveria ter… Eu… - eu mal conseguia falar.

- Calma, Ikki. As ruas estão vazias, ninguém nos viu entrando, e não verão saindo… Está tudo bem! – ele segurou minha mão sobre a mesa. – Relaxa, vai! Coma o seu sanduíche, é o melhor da cidade.

- Desculpe. Eu fiquei assustado…

- Sem necessidade. Você está mais preocupado com a idéia do que com a coisa propriamente dita. Imagino que estar em um bar desse tipo sempre te assustou, mas agora que você está aqui, o que tem de mais?

Eu olhei em volta e as pessoas estavam muito mais ocupadas consigo mesmas, conversando, rindo, bebendo, namorando…

- Tem razão. – eu respirei fundo algumas vezes, procurando relaxar.

- Se você ficou nervoso com isso, imagina se eu tivesse te levado a um inferninho… - nós dois rimos com o comentário dele.

Comemos calados por algum tempo, até que uma questão invadiu minha mente.

- Você tem namorado? – eu perguntei de repente, assustando-o.

- O quê? – ele tomou um gole de sua cerveja.

- Namorado, ou algo assim… Você tem?

- Não. – ele me olhou como se eu fosse louco. – Por que me perguntou isso?

- Curiosidade. Quando você disse ao telefone que tinha um compromisso hoje, eu imaginei que fosse algum namorado, ou um cliente especial. – eu respondi com sinceridade.

- Eu não tenho namorado. – respondeu simplesmente, fazendo sinal ao garçom para que trouxesse outra cerveja.

- E um cliente especial, você tem?

Eu levei meu polegar ao rosto de Hyoga, para limpar um pouco de catchup que havia escapado de seu sanduíche. Logo em seguida, sem desviar meu olhar do dele, eu chupei o molho em meu dedo, de forma sensual. Hyoga sorriu e me respondeu:

- Tem um cara que eu não sei se posso chamá-lo exatamente de cliente, porque ele é carinhoso comigo, se preocupa em me dar prazer e é diferente de todas as pessoas que eu conheci.

Ele me olhou com intensidade, entrelaçou nossos dedos e continuou:

- Ele não me vê como os outros, não me olha como se eu fosse um objeto… Esse cliente me corteja e tenta me seduzir o tempo todo, parece que se esquece de que eu sou um michê, e acaba fazendo com que eu me esqueça também… Então, acho que eu tenho sim um cliente especial!

Eu não soube o que dizer, nem ao menos consegui retirar aquele sorriso bobo da minha face. Segurei a mão dele entre as minhas e a beijei com delicadeza, vendo-o sorrir para mim.

- Por que você não pergunta de uma vez o que quer saber? – ele aproximou seu rosto do meu, sussurrando as palavras.

- Como? – não entendi onde ele queria chegar.

- Pergunta logo o que eu estava fazendo até as dez e meia. Eu sei que está louco de curiosidade… - ele cruzou os braços e me encarou.

- Ok, o que você estava fazendo Hyoga? – perguntei sorrindo, tentando disfarçar minha apreensão. Afinal, estava com medo da resposta que ouviria.

- Eu estava na escola. Faço supletivo para concluir o ensino médio… Tenho aulas presenciais as segundas e quintas, de sete às dez e meia da noite. – Hyoga estava extremamente envergonhado, mas não olhava para baixo. Pelo contrário, seus olhos estavam fixos nos meus, esperando para ver qual seria a minha reação.

- Não deveria sentir vergonha disso… - eu disse, por fim. – Seu esforço é admirável…

- Obrigado. – Hyoga sorriu satisfeito.

- Quando você se forma? – perguntei com genuíno interesse.

- Em Setembro.

- Pretende continuar os estudos depois?

- Está em meus planos… - ele me fitou de forma estranha.

Eu desatei a falar sobre a importância de se esforçar na vida, que ele se daria bem se estudasse… Esses discursos cheios de frases feitas que eu aprendi com meu pai. Quando me dei conta de que parecia uma copia mal feita do Sr. Isao Amamiya, olhei envergonhado para Hyoga.

- Desculpe, pareço o meu pai falando.

Ele se sentou bem mais próximo de mim.

- Tudo bem. – disse em meu ouvido. – Nem prestei atenção… Eu estava ocupado, decidindo o que vou fazer primeiro com você.

- E conseguiu se decidir? – eu sorri. Adorava aquele jeito lascivo dele.

- Hmmm, acho que vou lamber seu corpo inteiro. Você gostaria disso, gato? – Hyoga mordiscou minha orelha. – Gostaria de sentir a minha língua deslizando de seu pescoço até a virilha? Eu adoraria sugar os seus mamilos, Ikki, e depois dar leves mordidinhas em cada gomo da sua barriga…

Aquilo estava me excitando, e muito. O engraçado é que ele não chegava a me tocar, era apenas sua voz sensual em meu ouvido, dizendo tudo o que faria comigo quando estivéssemos a sós.

-… E então eu vou te chupar tão gostoso, que você não vai conseguir se lembrar do seu próprio nome, gato.

Depois disso, permanecemos na taberna tempo suficiente apenas para pagar a conta. Em pouquíssimos minutos já estávamos no estacionamento, caminhando de encontro ao meu carro. Assim que me sentei no banco do motorista, Hyoga sentou-se sobre o meu colo e envolveu meu pescoço com as mãos.

- Já transou nesse carro? – ele perguntou com a voz mais sensual que já ouvi. Aquele sotaque dele me deixava arrepiado.

Eu não respondi nada, apenas dei um sorriso sem graça.

- Imaginei que não. Do jeito que a sua vida é toda certinha, você deve marcar hora pra transar com a sua noiva, não é? – riu.

- As pessoas vão ver, Hyoga.

- Os vidros são escuros e as poucas pessoas que aparecem, estão de saída! Relaxa, esquece o mundo lá fora… - o russo começou a lamber e morder meu pescoço, enquanto rebolava em meu colo.

- Você é louco! – foi tudo o que eu consegui dizer.

- Sou louco sim! E quero que você enlouqueça comigo, gato!

Hyoga voltou a beijar meu pescoço e eu finalmente cedi. Que tudo lá fora explodisse, tanto faz! Naquele instante, o meu mundo se resumia ao pequeno espaço interno daquele carro.

O ambiente era apertado e dificultou a retirada das roupas, além de batermos na buzina uma ou duas vezes. Porém, mesmo desajeitados, transamos ardentemente ali, naquele banco reclinado.

Hyoga olhou-me nos olhos por todo o tempo em que rebolava em meu colo e subia e descia em meu membro, fazendo com que eu o penetrasse com força e profundidade. Nossos suores se misturaram, o carro balançava em um movimento cadenciado e os vidros embaçaram.

Os gemidos eram roucos e as palavras que proferíamos apenas sussurros. Sei que disse coisas doces e penso ter ouvido algumas palavras de carinho, tornando o momento ainda mais intenso. Gozamos juntos, cravando as unhas um no outro, marcando nossos corpos com ardor.

O orgasmo foi tão forte que fomos incapazes de nos mover, sequer conseguimos abrir os olhos… Hyoga desabou sobre meu peito, estava completamente entorpecido e sua respiração descompassada se igualava a minha.

Foi assim, no silêncio daquele momento tão calmo e envolvente, em que eu sentia o contato da pele dele na minha, o calor de seu corpo sobre o meu, e nossas respirações se acalmando juntas, que eu percebi algo inevitável e irreversível: eu estava perdidamente apaixonado por aquele garoto de programa.

Continua…

N/A: Prontinho! Nem demorei tanto assim, não é verdade? Quero agradecer a todos que estão lendo, em especial Lua Prateada, Arcueid, liliuapolonio, Medeia e Keronekoi.

No próximo capítulo, a história será contada pelo ponto de vista do Hyoga.

E não se esqueçam de deixar reviews… Façam uma autora feliz!

Bjão pra vocês!