Rose saiu da sala de desembarque, e seu sorriso apareceu quando me viu a sua espera.

- Sydney! - Correu para me abraçar, mas recuou quando chegou perto de mim. - Desculpa, foi puro impulso. Achei graça do comentário, então decidi abraça-la, graças a ela eu estava nessa missão, então eu tinha muito que agradecer.

- Aceite esse abraço como um presente de Ação de Graças.

Ao entrarmos no carro, Rose me contou sobre seu plano romântico. Aparentemente Rose estava procurando uma brecha para se encontrar com Dimitri no feriado e após a chegada de Sonya na Corte, todos ficaram esperançosos sobre como deter os Strigoi, Mikhail estava tão agradecido que se ofereceu para guardar a Lissa no dia de Ação de Graças, e convenceu mais um guardião chamado Neil, para garantir que a rainha ficaria segura na ausência de Rose.

- Então como a ceia é só amanhã, será que existe algum outro lugar que eu possa ficar para não estragar a surpresa? - Perguntou Rose.

- Bom, você poderia ficar no apartamento do Adrian. - Logo após minha sugestão, me arrependi. Pela primeira vez me senti incomodada em imaginar Rose e Adrian sozinhos no apartamento, o que era ridículo considerando que era uma visita surpresa romântica para o Dimitri.

- Hm. - Ela não pareceu muito animada. - Não me leve a mal, não tenho nada contra o Adrian, mas não sei se ele ficaria à vontade com a minha presença, levando em conta todo o passado.

- Acho que ele não se importaria. - Tentei parecer o mais indiferente possível. - Mas se quiser, não tenho colega de quarto, pode passar a noite no meu dormitório, só preciso pedir autorização.

- Parece bom. - Sorriu sem jeito. - Vai ser como nos velhos tempos na Rússia, mas acredito que você já não tenha mais tanto medo de mim. Certo? - Demos uma risada amigável e seguimos a caminho do alojamento de Amberwood.

Ao chegarmos na recepção, não foi tão fácil quanto eu achei que seria.

- Sinto muito. - Respondeu a Sra. Weathers. - Ela não pode passar a noite o dormitório sem a autorização dos seus pais e dos pais dela.

- Que palhaçada é essa? Vai negar um lugar seguro para uma adolescente passar a noite? - Indagou Rose, extremamente irritada. Fiquei com medo que ela pulasse em cima da senhora, mandei uma mensagem silenciosa para Rose dizendo... Ela não é um Strigoi, fica calma.

- Mas é minha prima! Onde quer que ela passe a noite? Ela veio para a cidade só para nos visitar... - Tentei soar o mais convincente possível, a esse ponto, a quantidade de parentes que eu tinha era impressionante.

- Um hotel? Qualquer lugar, menos aqui. E o toque de recolher é daqui uma hora, aconselho a serem rápidas para achar algum lugar, o feriado é só amanhã, srta. Melrose. - Sra. Weathers deu de ombros e voltou a ler sua revista.

Rose bufou e nos dirigimos até o Pingado novamente.

- Desculpa, não imaginei que teria toda essa burocracia. - Tentei amenizar a raiva que estava explicita no rosto de Rose.

- A culpa não é sua. - Ela suspirou profundamente, como se fosse tomar uma decisão importante. - Enfim, acho que não tenho escolha, vou aceitar a proposta de ir para o apartamento do Adrian. Pode me levar lá? Nem sei onde é. - Um sentimento de ciúme começou a passar pela minha mente, pare com isso Sydney, tentei afastar o mais rápido possível.

- Claro, não é muito longe daqui. Conheço o caminho de olhos. - Porque eu acabei de falar isso?

- Ah é? Você vai muito lá? - Rose perguntou curiosa.

- Eu?... Er... Não! - Respondi rapidamente. - Levo Jill algumas vezes na semana lá, deve ser algo a ver com o laço. - Sorri.

- Claro, faz sentido. - Pareceu convencida, essa foi por pouco. - Às vezes sinto falta do laço com a Lissa, me trazia segurança por saber como ela estava, e claro, ela é minha melhor amiga, mas não sei sinceramente como Adrian e Jill lidam com isso. Deve ser estranho. - Você nem imagina. - O bom é que desde o começo ele a tratava como uma irmã caçula. - Sorri, sem responder nada, aparentemente a "irmã caçula" defendia bem o irmão.

Continuamos o caminho sem conversar muito, estacionei na frente do prédio de Adrian, e desliguei o carro.

- Bom ver você, Rose. Se precisar de alguma coisa me avise. - Me despedi esperando que ela entendesse que não subiria com ela.

- Ér... Você não quer subir comigo? Ele pode ficar um pouco chocado. - Acho que ele vai ficar mais chocado em me ver.

- Tudo bem. Posso sim. - Não queria, mas não ia abandonar Rose, aparentemente se dentro do apartamento tivesse dez Strigois ela não se importaria de ir sozinha, mas enfrentar o Adrian, esse não era o forte de Rose, muito menos o meu. Toquei a campainha e logo Adrian abriu a porta.

- Será que eu ganhei na loteria e não fiquei sabendo? - Típico comentário de Adrian Ivashkov.

- Oi Adrian! - Rose o abraçou - Bom ver você. - Eu dei um sorriso tímido, não sabia qual humor esperar dele hoje. Entrei no apartamento logo depois deles.

- Nossa, agora entendi porque Dimitri preferia ficar na casa do Clarence. Isso aqui parece uma galeria de arte no meio do caos. - Observou Rose. Em algumas partes eu concordava com ela, mas o apartamento tinha muita personalidade depois que Adrian vendeu os móveis de Keith.

- Era um lugar bom demais para seu guerreiro Russo. - Disse com um sorriso brincalhão no rosto. - Qual o motivo de estarem aqui essa hora? Que eu saiba o toque de recolher é daqui a pouco, Sage... Jill saiu aqui de casa agora pouco aliás, disse que você sumiu depois das compras. Agora entendi o motivo.

- Pois é, esse é o problema. - Tentei responder casualmente, mesmo me sentindo perturbada com aqueles olhos verdes penetrantes me encarando. - A Rose veio fazer uma surpresa para o Dimitri, mas não conseguimos autorização para ficar comigo no alojamento, será que ela pode ficar aqui? - Essa pergunta estava acabando comigo.

- Não vejo nenhum problema. Já dividimos a cama várias vezes não é mesmo, pequena damphir? - Esse comentário fez com que nós duas revirássemos o olho.

- Continua o mesmo de sempre, só que agora faz aula de artes. - Brincou Rose, enquanto deitava no sofá. - Esse sofá parece ser confortável, você pode dormir nele.

- Bom, esse sofá certamente me traz ótimas lembranças, não me importaria de deitar aí - Sorriu e olhou de soslaio para mim.

- Credo, Adrian! Até aqui!? - Rose levantou num pulo. - Não precisava saber disso. - Fez uma careta para ele.

- Relaxa, pequena damphir. Não foi nada disso que está pensando. - Engoli seco, e tentei tirar a lembrança que ele acabou de jogar no ar.

- Você disse que a Jill passou aqui? - Perguntei ao lembrar do comentário anterior.

- Pois é... Algum problema? Ciúmes por acaso? - Adrian sorriu maliciosamente.

- O que? Sim! Quer dizer, não, claro que não. Mas ela não podia vir aqui sozinha, esse é o problema! - Respondi.

- Relaxa, Sage. Castile a trouxe, ela veio pegar uma corrente que uma amiga dela tinha deixado aqui. - Adrian falou como se estivesse sofrendo, enfatizando "uma amiga" ele estava se referindo ao meu colar de cruz?

- Por que você não devolveu para a sua amiga?

- As coisas não estão muito bem entre nós. - Sorriu amargamente ao terminar a frase. Hora de ir embora, antes que as coisas fiquem piores. Rose parecia perdida na conversa, melhor manter assim.

- Hm, ok. - Cortei a conversa. - Se não precisarem mais de mim, vou voltar para Amberwood. - Comecei a dar meia volta em direção a porta.

- Obrigada pela carona, Sydney! Fico te devendo uma. - Rose se despediu enquanto Adrian abria a porta para mim.

- Até amanhã, Sage. - Adrian fechou a porta, mas sua expressão estava indecifrável.

O caminho até Amberwood pareceu demorar mais que o normal, meus pensamentos estavam a mil por hora, eu não conseguia entender como alguém, ou melhor, um vampiro, podia ter esse tipo de reação sobre mim. Meus sentimentos eram uma promiscuidade de raiva, ciúmes e ao mesmo tempo estava me divertindo. Era como se eu soubesse que metade das coisas que Adrian dissera eram para me provocar, causando borboletas no meu estomago. Isso me irritava, queria o meu amigo Adrian de volta! Por que ele tinha que se declarar? Depois de vê-lo hoje, percebi o quão sentia falta dele.

Ao entrar no meu quarto, tinha uma caixa na porta, como um presente. Peguei curiosa, as remetentes eram Angeline e Jill, desembalei o presente em cima da cama e não era surpresa que elas haviam levado o vestido que a Lia escolherá para mim junto com o delas. Ele era um vestido preto, com corte reto e no em torno da gola envesada um dragão bordado dava o charme necessário, porém o que me chamou atenção foi o colar que estava em cima do vestido, meu colar de cruz fez meu coração parar por uns instantes.

Coloquei a cruz no pescoço novamente e deitei na cama, amanhã seria o primeiro Dia de Ação de Graças que eu não passaria celebrando com algum alquimista ou com minha família, mas não estava incomodada, na verdade, estava feliz... De alguma forma, Jill, Eddie, Angeline, Adrian e até mesmo Clarence se tornaram minha família. Dormi com esse pensamento aquecendo meu coração.