Ruki POV
Acordei com o celular tocando e com certeza me assustei, meio desnorteado fui até a mochila e apertei o botão para que o celular parasse de tocar.
- Ru-chan, pra que deixar tão alto? – a voz manhosa de Yuu soou pelo ambiente e eu o vi deitado preguiçosamente na cama.
- Se for mais baixo que isso eu não acordo... e já são 5:30 da manhã, anda Aoi! Acorda! – pulei em cima dele.
Ele me abraçou como se eu fosse um bichinho de pelúcia.
- Vamos dormir pequeno... – beijou meus lábios nesse momento.
- Yuu – disse manhoso – não esquece que hoje é SEGUNDA-FEIRA!!! – berrei a ultima palavra – Volta as aulas! – eu já estava em pé na cama puxando os cobertores do moreno.
Ele resmungou algo que eu imagino que seja tipo, só mais cinco minutos, peguei minha mochila e fui pro banheiro me trocar, sai sem fazer nenhum barulho vendo um Yuu adormecido, desci as escadas e comecei a procurar algo para comer.
Por fim peguei uns pães doces, pão de forma, frios, e fiz um suco de laranja.
Estava indo chamá-lo para comer quando ele aparece arrumado na porta.
- Pensei que eu teria que te chamar, fico feliz que esteja mais responsável Shiroyama-San – disse em tom de brincadeira.
- E o que você preparou para o café da manhã? – ele perguntou sorrindo pra mim.
- Só o suco, o resto já tinha, não se esqueça da minha preguiça matutina... – o segui e sentei também.
- Itadakimasu – dissemos juntos, começando a comer.
Eu comi apenas um pão doce e meio copo de suco, ele estava devorando tudo que via pela frente, quando terminei de comer, esperei que ele terminasse também, o que não demorou muito, nós nem conversamos direito, acho que era a fome.
- Ei Ru... – ele chamou minha atenção – você vai pegar seu dinheiro antes ou depois de ir pra escola?
- Hmm... – pensei por um instante – vou pegar antes, vou entrar pela janela do quarto e depois vamos para a escola, okay?
- Você quem sabe, mas é melhor irmos então, se não vamos nos atrasar – ele se levantou sorrindo e nós pegamos nossas coisas e fomos para minha casa.
Pulei a janela, peguei o material que precisava, dinheiro, troquei de roupa, enfim, atrasei nós dois, sai pela janela, e Yuu me olhava um pouco, muito, impaciente.
- Gomen ne Yuu-Chan, eu não podia ir com aquela roupa de ontem pra escola – sorri infantil – mas não fica assim, eu nem passei maquiagem pra ir mais rápido – fiz uma carinha de choro.
- Okay, okay, vamos logo...
Estávamos atrasados, e muito, então praticamente corríamos para a escola, sem perder o sorriso eu puxava Aoi que ria com a cena.
- Por que tanta alegria?
- Não sei, só to feliz... e você? Por que sorri tanto?
- Por que você é fofo e me alegra
Eu fiquei um pouco sem graça com o que ele me falou, mas nada que me deixasse sem jeito, chegamos na escola e fomos para a nossa sala, sentamos em nossas cadeiras na fileira da janela, e ficamos conversando com uns amigos, mas lógico, veio uma menina falar com o Yuu.
- Yuu-San – a garota dizia envergonhada, isso me dava náuseas – gostaria de falar com você, em particular – ela olhou disfarçadamente pra mim, ou pelo menos tentou – onegai...
Ambos saíram da sala, ele receberia outra declaração de amor, o incrível é que essa menina tinha ido lá em casa na semana passada pra fazer a mesma coisa, mas era pra mim a declaração e foi muito ridícula falando da minha relação com o Yuu, queria ver o que Yuu faria com ela, usá-la, ou simplesmente cortar o mal pela raiz.
Não se passou muito tempo e eu vejo a menina correndo, provavelmente pro banheiro, com as mãos no rosto e Yuu voltando calmamente para a sala de aula.
- O que ela falou? – perguntei sério.
- "Eu sei que você e o Takanori-San terminaram já faz tempo, mas vocês parecem se gostarem tanto, mas se vocês não estão juntos por que você não me dá uma chance? Se vocês terminaram é por que algo entre vocês não deu certo, fica comigo, eu sei que eu posso ser melhor que ele, e você também sabe..." ai nessa hora eu falei que ela não podia. – Yuu imitou a voz feminina e isso só me deixou com mais raiva.
- NOSSA QUE FILHA DA PU...
- Matsumoto-san, eu recomendo que você não termine a sua frase e que se sente – só então eu percebi algumas coisas, que eu havia levantado, que o professor estava na sala e que ele era muito, mas muito mais chato do que eu imaginava.
Me sentei muito vermelho, não era vermelho de vergonha, mas de raiva, como ela podia falar aquilo de mim, ela nunca seria melhor que eu a partir do momento que era uma vadia, tinha ido na minha casa, pediu pra ficar comigo, ficou se insinuando com uma roupinha de biscate, e agora pedia pra ficar com meu melhor amigo, que pouca vergonha era essa? Em que mundo nós estamos? Aposto que ela já tinha dado pra todos os garotos do colégio...
- Blá, blá, blá, blá Whiskas sachê, blá, blá, blá, blá, volta as aulas, blá, blá, blá, blá, terceiro e quarto bimestre, blá, blá, blá, blá, aluno novo – e a partir daí eu comecei a prestar atenção no que ele falava – espero que vocês se dêem bem com ele, e que ele saiba escolher as amizades – ele olhava para mim e para Yuu, até parece que éramos péssima influencia, não éramos boas, mas péssimas já era exagero.
O garoto novo entrou e eu vi aquele loiro que eu tinha esbarrado no dia anterior, lá na minha sala, eu não pude deixar de sorrir ao vê-lo e ele percebeu que eu estava lá e sorriu para mim.
- Prazer, meu nome é Takashima Kouyou, eu me mudei para cá esse fim de semana, espero fazer bons amigos – ele olhava para mim, com certeza.
- Sente-se do lado do Shiroyama-San, infelizmente o único lugar vago.
- Aposto que não é infelicidade sentar ali, por acaso Shiroyama-San é um péssimo aluno? – ele sorriu para o professor.
- Veja como quiser, sente-se para que eu comece minha aula – e foi o que Takashima fez, se sentando ao lado de Yuu sorrindo para ele que ficou vermelho.
Absolutamente ninguém alem dos nerds prestavam atenção na aula dele, e hoje não havia sido diferente, todos estavam distraídos com alguma coisa, eu escrevendo algumas idéias, Yuu desenhando, e Takashima, eu não tinha nem idéia do que ele estava fazendo quando aparece um bilhete na minha mesa, eu abri e li.
'Olá garoto distraído, qual o seu nome?'
'Matsumoto Takanori, mas pode me chamar de Ruki'
'Me chame de Uruha, não gosto muito do meu nome...'
'Sei como é isso... por acaso ontem, quando nós caímos, você viu se eu perdi minhas chaves?'
'Se eu tivesse visto eu te falaria na hora não?'
'É verdade xD'
'Se quiser eu ajudo a procurar...'
'Nem precisa se preocupar, mas arigato'
E ficamos trocando bilhete por uns dez minutos, mas justo nessa hora eu passei no pior momento.
- Matsumoto-San, pra fora agora – o professor falou extremamente sério.
- Sensei, a culpa foi minha, pedi para que Takanori-San me mostrasse o colégio durante o intervalo – ele estava tentando me ajudar, que bonitinho, normalmente Yuu faria isso.
- Então os DOIS pra fora da sala, eu não vo...
- Sensei, acho que expulsá-los da aula prejudicaria-os demais... afin...
- Quieto Shiroyama-San, estou cansado de você interferir sempre que Matsumoto-San faz algo que o complique, tirá-los ou não da sala, não faria diferença a partir do momento que nenhum deles estavam prestando atenção na minha aula, os três pra fora, agora!!
Nem esperamos ele mandar de novo e já estávamos fechando a porta da sala.
-Yuu não acredito que você fez isso? – disse bravo para ele.
- AAAA CHIBI!! – ele quase berrou isso – eu não queria ficar sozinho lá, e também achei que ele relevaria a situações de vocês.
- Arigato Shiroyama-San – Uruha sorria meigamente para ele.
- Me chame de Yuu ou de Aoi – ele retribuiu o sorriso meio sem jeito.
- Então, vamos ficar aqui no corredor e em pé? – disse quebrando aquele silêncio.
- Tem algum lugar que podemos ir? – perguntou Uruha.
- Vamos pra quadra, não teve ter aula de E.F agora – ele nem esperou nossa resposta e já saiu andando, nós dois apenas o seguimos sem muita opção.
Dito e feito, não havia ninguém na quadra, então sentamos na arquibancada e começamos a conversar, conhecendo melhor o loiro, Aoi até tentava disfarçar, mas não conseguia tirar os olhos do loiro, parecia até analisar ele sempre que podia.
Descobrimos que ele, assim como eu, adorava Luna sea e começou a tocar guitarra por que queria ser tão bom quanto o Sugizo, que já tocava muito bem pra quem havia começado a tocar a menos de dois anos, gostaria de fazer uma banda de garagem, Yuu adorou a idéia, mas eu era muito tímido pra isso e me recusei, afinal só guitarra e vocal não era o suficiente para uma banda.
Ele é um ano mais velho que eu e um mais novo que o Yuu, sim o Yuu havia repetido um ano, isso na oitava série, mas isso é pra explicarmos outro dia, claro que não ficaríamos na quadra o dia inteiro, quando o sinal tocou saímos correndo para não levarmos outra bronca.
Chegamos na sala de aula antes da professora e começamos a rir que nem idiotas pela correria que passamos, até por que eu quase fui de cara pro chão e tinha sido muito engraçada a cena, mas claro que alegria de estudante dura pouco e a coordenadora entrou juntamente com a professora de matemática.
- Takashima-San, Shiroyama-San e Takanori-San, vocês três terão que cumprir a detenção, por terem atrapalhado a aula de Biologia.
- O QUÊ? – Yuu havia ficado indignado com isso, e o seu trabalho como ficaria, podia até imaginar o que se passava na cabeça
- Isso que o senhor ouviu – ela podia ser mais educada, segurei a mão de Yuu antes que ele se ferrasse mais, pude ouvir Uruha resmungando algo que realmente não dava pra entender.
A coordenadora saiu da sala e a professora começou a falar do final do ultimo semestre e um monte de coisas que eu nem me importei.
- Yuu, a gente sempre dá um jeito, nem que for pra passar fome, vamos dar um jeito nisso okay? – disse baixo acalmando ele.
Ele se resumiu a olhar pela janela, eu decidi prestar atenção na aula, já que matemática era uma matéria que eu ia razoavelmente bem eu tinha que continuar dessa forma para que minha mãe não me matasse pelas outras notas baixas.
Uruha estava ouvindo musica, os fones tampados pelo cabelo, o que fez com que a professora nem percebesse, ele copiava o que estava na lousa e eu me perguntava se ele tava entendendo, pois eu estava começando a boiar na matéria.
A professora mandou alguns exercícios, eu senti alguma dificuldade para resolvê-los, mas nada que eu não terminasse até o fim da aula, que não demorou muito.
Na troca de professores peguei o telefone de Aoi e fui para o banheiro enquanto Aoi explicava o plano pro Uruha.
Me tranquei em um Box e pensei no que dizer, tinha que ser rápido, disquei e esperei que atendessem.
- Escola Higashikou, bom dia – a secretaria atendeu.
- Bom dia, eu sou o responsável pelo aluno Shiroyama Yuu, meu nome é Shiroyama Hitoshi – disse com a voz mais grossa e mais séria que o normal.
- Pois não, em que posso ajudá-lo? – ela perguntou depois, que provavelmente, verificou se os dados batiam.
- Eu esqueci de avisá-lo e de comunicar a escola que ele tem uma consulta medica e tem que sair uma aula mais cedo.
- Okay, eu estarei comunicando ao coordenador e ao aluno, algo mais? – perguntou prestativa.
- Não somente isso, e diga que o estarei esperando no consultório, por gentileza...
- Claro...
- Obrigado, tenha um bom dia e bom trabalho – antes de ouvir a resposta da moça já havia desligado e sai quase correndo para a sala de aula.
Uruha me olhava incrédulo com a situação, como se não fosse funcionar, era a segunda vez que faziamos isso e na primeira funcionou perfeitamente, então nessa não teria por que falhar, uma vez que eu usei uma desculpa diferente.
As aulas correram normalmente, Uruha apreensivo, Aoi aparentemente mais calmo e eu completamente relaxado, era o único que tinha certeza que o plano funcionaria.
Um pouco antes do intervalo entra a coordenadora novamente.
- Shiroyama Yuu, Takashima Kouyou e Matsumoto Takanori, vocês vão cumprir a detenção nos intervalos de hoje e amanhã, entenderam? – nós apenas acenamos que sim com a cabeça, com cara de perdidos – Shiroyama-San, seu responsável pediu para avisar que você sairá uma aula mais cedo e que é para ir para uma consulta medica, que seu tio o estará esperando no consultório, apenas isso, desculpe interromper a sua aula Sensei – ela saiu apresada.
Não demorou muito para que o sinal tocasse, nós três levantamos e fomos para a sala de detenção.
- Como você fez isso? – perguntou Uruha impressionado.
- Eu fingi ser o Tio do Yuu e disse que ele tinha médico e você Yuu se não me esperar na pracinha eu corto o seu pipi fora, entendeu? – disse ameaçador.
- Claro que entendi Ru-Chan, afinal você salvou minha pele e meu emprego – ele sorriu.
- Ótimo! – entramos na sala e passamos o intervalo mais tedioso das nossas vidas.
O professor falava sobre nossas posturas em sala de aula, que nós não éramos bons alunos, que nunca entraríamos em uma boa escola, nunca teríamos um bom emprego dessa forma, e sinceramente nenhum de nós prestamos a mínima atenção e agradecemos intimamente pelo sinal ter soado.
O restante das aulas foi bem mais agradável com esse peso a menos para resolver e por isso talvez tenha passado tão rápido, as aulas pareciam não render nada, os professores mal entravam e já saiam.
- Tchau Ruki, até amanhã – Yuu falou pra mim, o professor olhava desconfiado a saída de Yuu, então resolvi entrar no disfarce.
- Ja ne Yuu, amanhã você passa lá em casa neah? Pra gente vir juntos? – perguntei fazendo bico.
- Claro, desculpa não voltar com você hoje, meu tio não me avisou antes, ai complica neah?
- Não se preocupa, não tem problema, vai lá antes que você se atrasse.
- Shiroyama-San, poderia se retirar logo?
- Claro Sensei, apenas um minuto – ele virou-se para mim e depositou um beijo em minha bochecha, depois virou-se para Uruha – Até mais Uruha – e repetiu o gesto com o loiro que corou, depois disso Aoi saiu da sala.
Mesmo com o professor incrédulo por causa da cena que tinha visto o restante da aula correu normalmente, tudo bem que mesmo por pouco tempo sentia saudades dos comentários de Yuu e das cutucadas que ele me dava para me irritar, eu adorava tanto esse menino, ele era realmente como um irmão, por mais que me irritasse eu não conseguia ficar realmente bravo com ele, ele era muito especial pra mim.
Uruha estava bem interessado na aula de inglês, eu já sabia bem a matéria então eu nem prestei muita atenção no que ele falava e comecei a escrever novamente, e não demorou muito para que o sinal tocasse, eu estava guardando o material quando vejo Uruha do meu lado.
- Obrigado por me esperar – sorri colocando o ultimo caderno na mochila e a fechando.
- Que é isso, você me ajudou a esconder a detenção da minha mãe – ele sorriu.
- Okay, vamos? – me levantei e saímos da sala.
Ele apenas me acompanhou e fomos quietinhos até a saída da escola.
- Você vai pra que lado? – ele me perguntou ao chegarmos no portão da escola.
- Eu vou praquele lado lá – apontei um caminho que mais adiante tinha uma praça – e você?
- Eu vou ao contrario de você, até amanhã – ele me beijou na bochecha.
- Até – disse acenando e indo encontrar Yuu que deveria estar lá na praça.
Ao chegar na praça não demorou muito para encontrar um Yuu sentado num banco próximo a uma arvore, lendo um livro e ouvindo música, completamente intelectual, eu sorri com a cena e me aproximei dele, sentando ao seu lado.
- Oi Aoi! – disse meigamente para ele.
- Oi Ru-Chan – ele disse sorrindo.
- Nee Aoi, o que foi aquilo na escola? Você e o Uruha heim? – não escondi o meu ciúmes.
- Eu não sei, eu acho que ele é uma boa pessoa Ru-Chan, por quê?
- Normalmente você não se despede assim das pessoas, e sei lá, no fundo fiquei feliz, mesmo não sendo mais o único que você trate assim – sinceramente o sorriso que dei deve ter sido um dos mais bonitos da minha vida.
- Faz tanto tempo que eu não te vejo sorrindo assim pequeno – ele me abraçou e eu não consegui ficar bravo com o apelido.
- Yuu – eu disse depois de um tempo sentindo o calor daquele abraço – melhor você ir trabalhar não?
- Claro – ele se separou de mim e se levantou e estendeu a mão para me ajudar a levantar também, mesmo que fosse desnecessário, a segurei e me levantei.
Não demorou muito para chegarmos na loja, ele entrou na frente e eu o acompanhei, não havia nenhum cliente, mas pela cara de Kai já havia tido alguns clientes no dia.
- Boa tarde – Yuu disse acenando para Kai e Reita.
- Boa tarde – Kai veio até nós dois todo feliz – Eu já vendi cinco peças de roupa, e Rei-Kun vendeu três – ele disse todo feliz.
- Que bom Kai-Kun – eu disse tão empolgado quanto ele – Ah! Boa tarde, Kai-kun e Reita-San – sorri para ambos
Como Reita não havia me dado permissão para chamá-lo com o Kun, decidi tratá-lo com o San mesmo, mas ele torceu o nariz ao ouvir como o chamei.
- Deixe de formalidades, só Reita está bom – ele sorriu e eu quase derreti.
- Okay – sorri feliz com a informação – vocês não venderam as roupas que eu separei neah?
- Claro que não Ruki-Chan, estão na sobreloja... Pega pra ele Rei-Kun?
- Eu pego, aproveito e deixo meu material lá em cima – se pronunciou Aoi.
- Arigato – sorri para o amigo.
Não demorou quase nada e ele veio com as peças de roupas nas mãos, paguei por elas, colocaram numa sacola pra mim e eu coloquei na bolsa, ficamos conversando um pouco, falamos sobre varias coisas, Reita mal abria a boca, mas quando o assunto chegou em bandas, nossa, não deve um que conseguiu ficar queito, descobrimos que Kai toca bateria a anos, e Reita ganhou seu baixo aos quinze ou dezesseis anos.
- Ah! Agora que eu lembrei Ruki-Kun, ontem quando tava arrumando a loja, eu encontrei uma chave, como não era nem do Aoi, nem do Kai, só pode ser sua, estou enganado?
- É sim!! Que bom que você achou ela, estaria ferrado sem ela... – eu ia continuar a falar, mas o sinal de que a porta foi aperta tocou e todos nós olhamos para ela.
Um cara alto, alto pra caramba, com o cabelo colorido, algumas tatuagens na mão e piercings, um no lábio inferior como o do Aoi, um no nariz e um na sobrancelha, ele era lindo e com um ar de mais velho e experiente, eu ainda estava boquiaberto quando Kai se levantou e foi até ele, não demorou muito para que ficasse completamente corado, provavelmente o alto devia estar cantando Kai, afinal ele também é bonito.
Kai acompanhou o alto até o vestuário com um monte de roupa e esperou que o alto se trocasse, a cada roupa nova eu via Kai ficando cada vez mais sorridente e vermelho.
Não demorou muito para ouvir o sinal da porta novamente e entrarem duas garotas, uma de cabelos rosa e outra de cabelos laranja, dessa vez foi Reita que foi até elas, achei melhor ir embora, não queria atrapalhar.
- Aoi, eu já vou ta? – disse me levantando.
- Já Ru?
- Eu não quero atrapalhar...
- Você nunca atrapalha, mas bem, se você achar melhor – ele se levantou também.
- Amanhã nos falamos – beijei sua bochecha – passa em casa viu... – fui até Kai.
- Ruki-Chan, algum problema? – perguntou ficando um pouco sério.
- Nenhum, eu tenho que ir pra casa, apenas isso.
- Já? Fica mais... – ele pediu
- Eu gostaria, mas não dá...
Kai ia responder algo, ele ia...
- Como estou? – perguntou o mais alto para Kai, ele usava uma regata preta, que deixava a mostra algumas das muitas tatuagens que ele tinha, uma calça que eu juro que devia ser uns dois números menores que o que ele usaria normalmente e um all star.
- Está ótimo... ficou muito bem em você.
- E você pequeno? O que achou? – eu nem pude contestar como ele me chamou...
- Está bonito, mas vai passar frio só com isso...
- Eu tenho uma blusa perfeita para usar com essa roupa lá em casa – ele sorriu pra mim – eu fico feliz que tenha te agradado... – ele piscou pra mim e eu apenas corei – você trabalha aqui?
- Ele é apenas um anexo da loja – riu Reita ao passar por mim com as duas garotas.
- Um anexo pequeno, mas muito bonito, muito bonito mesmo – ele passou as costas de suas mãos por minha bochecha, me deixando mais vermelho, se é que era possível, mas eu sentia minha bochecha cada vez mais quente.
Senti algo vibrar no meu bolso e eu agradeci, peguei o celular e vi a mensagem da minha mãe perguntando se eu não tinha mais casa.
- Se me dão licença, eu realmente tenho que ir, ja ne – acenei para Reita, Kai e para Aoi.
Fui correndo metade do caminho, então eu voltei a andar normal, muito envergonhado com aquilo, por que aquele alto tinha falado assim comigo, poxa, ele não me conhecia, por que fez coisas tão intimas e ainda na frente do Reita, aaaa que vergonha eu tava sentindo
PUTS! Falando no Reita, na verdade pensando, eu esqueci de pegar a chave, mas eu não quero voltar lá hoje, melhor encarar minha mãe brava, com esses pensamentos eu toquei a minha própria campainha.
- Perdeu a chave neah? – minha mãe perguntou praticamente me acusando.
- Não, eu esqueci na casa do Yuu – eu disse a primeira coisa que me veio na cabeça.
- Espero que esteja falando a verdade – ela retrucou.
- Eu não tenho por que mentir mãe, posso entrar? – ela me deu passagem.
- E quando você pretende pegar sua chave de volta?
- Amanhã o Yuu leva na escola pra mim – sorri.
Minha casa era grande, tipicamente japonesa, herdada da minha bisavó, era grande, toda varandada e porta de correr em todos os cômodos da casa, até mesmo na porta de entrada, um quintal com um laguinho razoavelmente grade e alguns kingyos nele.
Fui para o meu quarto e fiquei lá fazendo algumas lições, depois coloquei um CD da Luna Sea pra tocar e comecei a imitar o vocal, fiquei brisando nas músicas por um bom tempo, então eu decidi que tomar um banho me faria muito bem.
No banheiro enchi a banheira e quando estava quase cheia me despi, como antigamente o banho era quase um ritual e minha casa era um cenário típico, por que não fazer esse ritual não é mesmo? Até um tempo depois do meu pai se separar da minha mãe a banheira era aquecida de forma tradicional, mas minha mãe trocou por uma banheira que a água vinha quentinha naturalmente.
Entrei na banheira sentindo meus músculos relaxarem e isso me fez muito bem, fiquei um tempo na água, apenas sentindo o calor da água me envolvendo e pensando no dia que eu tive, era estranho tudo isso acontecer de repente.
Sai da banheira e me lavei e voltei para a banheira, era tão gostoso, eu não sei quanto tempo fiquei lá, mas minha mãe veio me chamar pra jantar, eu sai d'água, minha pele estava toda enrugada, afinal uma hora dentro d'água era natural que enrugasse mesmo.
Me troquei e fui para a cozinha, minha mãe estava me esperando com cara de poucos amigos.
- Sabe que eu detesto chamar e ficar esperando.
- Gomen ne – me sentei e comecei a me servir.
Comemos em silêncio, nem uma palavra foi trocada, não que isso fosse ruim, mas não era bom... tirei a mesa e arrumei a cozinha.
Voltei para o quarto e fiquei na minha varanda observando as estrelas, quando a campainha tocou, eu fui atender, eu juro que pensei que podia até ser os pais do Yuu falando que entraram de férias antes do planejado e vieram nos visitar, menos quem eu vi ao atender...
