Achei importante ressaltar que no início desse capítulo a Leah Kate deixou uma avisinho: "Eu devia avisar que este capítulo contém um conteúdo mais sexual do que o habitual – alguns irão gostar disso, outros podem se sentir ofendidos... mas eu tento agradar a todos!"
Capítulo 2 – Traduzido por Cristianepf
Ainda não fazia um hora que estavam viajando quando uma chuva fina começou a cair. O interior dos vidros rapidamente ficaram embaçados, e a temperatura caiu, o ar se tornou úmido e frio, o tipo de frio que te penetra até os ossos. Kate se ajustou o aquecedor, e ficou surpresa quando funcionou, jorrando uma rajada de vento com cheiro de mofo, quente e seco no rosto dela. Ela olhou para Sawyer, que parecia tão surpreso quanto ela, entretanto ele tentou esconder.
Para um pequeno intervalo na melancolia, eles chegaram a uma parada de caminhões, que funcionava a noite toda, para a sua primeira refeição de verdade em três dias. Kate colocou o capuz do moletom sobre a cabeça então ela parecia que espiava por debaixo dele. Eles sentaram numa mesinha escura no canto, e apesar dela receber alguns olhares dos caminhoneiros solitários que variava entre apreciativo e concupiscente, ninguém parecia conhecê-la. A garçonete estava meio dormindo e tinha pesadas olheiras debaixo dos olhos. Ela mal olhou para eles.
Os dois estavam muito cansados e famintos para tentar uma conversa, então a refeição se passou mais em silêncio. No banheiro, Kate deixou as mãos debaixo da água quente por mais tempo do que ela verdadeiramente precisava, apreciando o calor e o vapor que subia até sua face. Suas pálpebras se fecharam e seu queixo se recostou no peito. Repentinamente ela levantou a cabeça, se forçando a desligar a água e voltar para a caminhonete, onde Sawyer já estava esperando.
"Você caiu na privada?" ele perguntou sarcasticamente.
Suspirando, ela colocou o sinto e não respondeu.
A opressiva névoa continuava a cair, sem se tornar em chuva de verdade, mas sem diminuir também. O limpador de pára-brisa ia e voltava... ia e voltava... ia e voltava. A cada três vezes pra esquerda, eles faziam um rangido mais forte. Kate marcou o tempo, e depois seguiu o ritmo em sua mente, seguindo o rastro para ver se continuaria em seqüência. A combinação do movimento e do som eram estranhamente hipnóticas, embalando-a em algo que parecia um transe. Foi só no sétimo rangido que ela percebeu que estava para vomitar.
Fechando os olhos bem apertados, ela engoliu com força e respirou fundo e lentamente. Apenas não pense em comida... não pense em comida... ela repetia pra si mesma como um mantra. Claro, quanto mais ela tentava não pensar em comida, mais ela pensava
Abrindo os olhos de novo, ela olhou pra fora pela janela por distração. Eles estavam passando pela rua principal de uma pequena cidade da montanha. O lugar estava deserto exceto pela caminhonete deles, e letreiros luminosos da frente das lojas formavam um brilho luminoso distorcido na calçada molhada. O vermelho e verde do único semáforo da cidade refletia tão reluzente e chamativo na rua escorregadia que lhe machucava a vista. Mas seu imenso alívio, sua náusea começou a passar.
Ao passar pelo semáforo, eles se obrigaram a esperar enquanto um trem carregado de madeira passava na via férrea, tão devagar que os vagões pareciam na verdade nem estarem se movendo.
"Você vai ficar bem?" Sawyer perguntou calmamente sem olhar para ela.
Kate olhou para ele, surpresa. Ela não tinha sequer imaginado que ele tinha notado qualquer coisa.
"Yeah," ela finalmente sussurrou, virando para frente. "Tudo bem."
Por um minuto os únicos sons ouvidos foram a constante batida do limpador de pára-brisa e o tinir do trem. Então Sawyer exalou ruidosamente e propositalmente, como se alguma coisa o estivesse aborrecendo.
"Antes que eu esqueça," ele resmungou. Mexendo atrás dele, ele catou sua carteira do bolso do trás. Kate assistia com curiosidade enquanto ele procurava por alguma coisa. Era a mesma carteira que ele tinha na ilha, agora suja, manchada e caindo aos pedaços. Ela se perguntava distraidamente se algum dia ele pensaria em comprar uma nova. Provavelmente não, ela decidiu.
Ele finalmente retirou da carteira um pedaço de papel e deu uma olhada, então entrou à ela.
"Memorize," ele lhe disse. "Então jogue fora."
Ela olhou para o papel utilizando a luz fraca do painel do carro. Era um número de telefone.
"De quem é esse número?" Ela perguntou devagar.
Ele manteve os olhos no trem que ainda passava barulhentamente, e ela pôde ver um músculo na mandíbula dele se apertar de forma tensa. A princípio ele não respondeu, mas então ele se forçou a dizer, quase com tédio, "É do Jack."
Kate continuou a encará-lo, ainda sem entender.
Ele virou a cabeça para ela, relutante.
"Por via das dúvidas."
Ele falou com voz lenta, dando a ela um olhar significativo.
Ela manteve o olhar preso ao dele por um segundo, então rapidamente desviou para fora da janela para que ele não visse as lágrimas que inundavam seus olhos.
Na verdade só havia um caso em que "por via das dúvidas" se aplicava, e não era nada que ela quisesse pensar. Havia lhe ocorrido que talvez um dos dois não visse o fim dessa jornada, mas mesmo na pior das hipóteses, ela sempre havia imaginado a si própria como a que era deixada de fora. Não ele.
Depois de alguns segundos, no entanto, ela respirou fundo, se recompondo, e olhou novamente para o papel. Sua memória estava aguçada e bem sintonizada, e não demorou muito para gravar os números de cabeça. Quando ela estava certa de que já os tinha memorizado, ela rasgou o papel em pedaços e abriu o vidro da janela até a metade. Quando o último vagão do trem passou rumando para o oeste, Sawyer acelerou e eles ganharam velocidade de novo.
Kate manteve a mão para o lado de fora da janela e abriu a palma da mão, deixando os fragmentos de papel voarem e se dissolverem na umidade. O ar em seu rosto era frio e refrescante, e ela inspirou fundo enchendo o pulmão com ele, tentando não pensar em quanto perigo eles poderiam ter que enfrentar.
"Que pena que não podemos simplesmente pular dentro de um avião e voar até lá, né, Sardenta?" Sawyer perguntou, como se ele estivesse lendo a mente dela. "Ia fazer as coisas serem bem mais fáceis."
Ela sorriu de leve. "Quando que voar tornou nossas vidas mais fáceis?"
Ele sorriu para ela. "Bem lembrado."
Ela fechou a janela e soltou o cinto de segurança, então foi em direção à ele no acento. Deitando a cabeça no pescoço dele, ela inalou o aroma úmido da jaqueta dele e observou enquanto a estrada emergia da escuridão para encontrá-los.
Quando Kate abriu os olhos, o céu estava pintado de um verde pálido, a garoa inda caindo. Ela se sentou rapidamente.
"O que aconteceu?"
Sawyer virou o pescoço pra olhar desajeitadamente para ela, então de volta para a estrada. "O que você quer dizer com "o que aconteceu"? Você caiu no sono, sassafrás. Depois do ultimo posto de gasolina, você me indicou a direção como se fosse um maldito sargento, e então se apagou." Ele parecia exausto, mas ainda se divertindo com isso.
"Me desculpe," ela disse miserável. "Eu queria ficar acordada com você."
"Sempre tem a próxima vez," ele respondeu. Ele não parecia se incomodar mesmo. Ela teve a ligeira suspeita de que ele pudesse ter gostado do silêncio.
Suspirando, ela olhou a paisagem por onde eles estava passando. As montanhas eram baixas aqui, mais como planaltos, na verdade, com os vales e áreas planas entre eles maiores e mais espalhadas. Eles estavam em uma rodovia estreita de duas mãos que serpenteava pelo que pareciam os subúrbios de uma cidade de tamanho médio.
"Onde estamos?"
"Quase cruzando a divisa com o Kentucky," ele respondeu.
Kate olhou mais atentamente em frente. "É um motel ali?"
Ele olhou para onde ela estava apontando. "Parece que é."
Ela fez sinal com a cabeça. "Entre ali. Já fomos longe o bastante por uma noite."
"Tem certeza?" ele perguntou. "Nem está claro ainda… eu posso dirigir por mais uma hora ou até mais."
"Não," ela disse firme. "Você precisa descansar."
Ele revirou os olhos e não demonstrou nenhuma intenção de diminuir, mesmo que eles estivessem próximos da entrada do estacionamento de veículos.
"Sawyer," ela disse com ênfase. "Vire aqui. Eu to falando sério."
"Ah bom, se ela fala sério…" ele repetiu irritado, virando a caminhonete para o terreno fazendo barulho contra a pavimentação sulcada do estacionamento contra a calçada.
"Peça por um quarto do outro lado do prédio, ela falou pra ele depois que ele desligou a ignição. "No Segundo piso se eles tiverem."
"Sim, senhora," ele disse, abrindo a porta para sair. "Mais alguma coisa?" Ele olhou de volta para ela com falsa e exagerada paciência.
"Só isso," ela disse calmamente, tentando não repreendê-lo. Ela sabia que era só a falta de sono que o deixava com esse mau-humor, mas ela certamente não ia encorajá-lo.
Ele bateu a porta e foi até o escritório, voltando em alguns minutos com uma chave. Eles acharam o quarto e carregaram algumas coisas pra dentro, olhando em volta. Era um tipo quarto de motel barato, não muito melhor ou pior do que qualquer outro. O carpete tinha marcas de cigarro, o colchão de molas era duro como uma pedra, e na parede pendia uma armação com um retrato de um Chefe Indígena Cherokee no qual um ocupante anterior do quarto havia acrescentado um cigarro e uma argola no nariz. Também havia um grande espelho do chão ao teto posicionado estrategicamente em frente à cama, que fez com que Kate imediatamente olhasse para Sawyer que levantou as sobrancelhas em aprovação. Afinal, o lugar não era assim tão ruim. Bom o suficiente para dormir e se limpar.
"Com que nome você nos registrou?" Kate perguntou.
Sawyer parecia orgulhoso de si mesmo. "Bonnie e Clyde," ele disse com uma voz engraçada, movimentando a cabeça pra direita.
Ela teve que lutar contra a vontade de rir, mesmo que ela devesse estar irritada. Era muito arriscado fazer bobagens como esta, mesmo que fosse engraçado e tristemente apropriado. "Não faça isso de novo," ela disse calmamente.
Ele a ignorou.
"Quer tomar banho primeiro?" ela ofereceu, tentando ser diplomática.
"Vá em frente e tome," ele disse. "Eu vou assistir TV." Se estiver tudo bem pra você, claro, doçura," ele acrescentou.
Fechando os olhos por um segundo e suspirando, ela pegou sua mochila e entrou no banheiro.
Quando ela saiu vinte minutos depois, ele parecia dormindo em cima das cobertas. Ele segurava o controle remoto, ms não tinha nem sequer apertado o botão. Ela sorriu e tirou os sapatos dele, e mesmo assim ele nem se moveu.
Enquanto ele dormia, ela lavou as roupas deles no corredor próximo do quarto deles, virando a cabeça nervosamente toda vez que alguém passava pelo balcão ou subia pelas escadas para usar as vending machines¹. Era uma manhã nublada e escura, e mesmo esta área fosse fechada dos dois lado, de vez em quando uma rajada de ar fria e úmida soprava da frente do prédio, fazendo-a desejar que pudesse vestir todas as roupas de frio que ela tinha colocado na lavadora.
Depois dela comprar um café da máquina de café, ela voltou ao quarto deles para esperar. Ela assistiu ao noticiário e ficou aliviada ao ver que não houve sequer uma menção sobre Sawyer ou ela, nem nas notícias nacionais, nem nas locais. Talvez eles tivesse exagerado, afinal de contas, em partir tão de repente. Não seria a primeira vez. Mas ainda assim, mas mesmo assim não se deixou cogitar a idéia de voltar. Eles teriam que partir mais cedo ou mais tarde, não importasse o quê, dessa maneira ao menos, eles tinham uma chance descente. Se esperassem mais, as coisas poderiam ser diferentes.
No verso de um folheto de propaganda que ela pegou da prateleira perto das vending machines¹, ela escreveu uma lista de coisas que Sawyer precisaria comprar antes deles partirem de novo, então estudou o atlas em detalhes por um tempo, fazendo notas mentais. Eventualmente, ela trouxe a roupa seca de volta para o quarto e as dobrou. Sawyer ainda não mostrava sinais de acordar, então ela deitou ao lado dele e trocou o canal para um daquelas detestáveis comédias românticas em preto e branco dos anos 40 onde os principais falavam sem parar e não importava o que diziam porque nunca calavam a boca. As pesadas cortinas estão completamente fechadas, e quando ela apagou a luz, estava escuro como se fosse meia-noite.
Ela se reclinou contra o travesseira enquanto a luz da Tv tremulava nas paredes, tentando focalizar sua mente em algo que não fosse a quantidade de quilômetros que eles ainda tinham de viajar, mas era difícil pensar em outra coisa. O café a manteve acorda, e ela começou a se perguntar o porquê dela tê-lo comprado. Era de cedo da tarde, quase terminando outro filme irritante, quando Sawyer finalmente acordou e cambaleou até o banheiro sem dizer uma palavra.
Depois de tomar banho, ela lhe deu a lista e sugeriu que ele fosse agora enquanto ela esperava dentro do quarto. Era mais seguro do que dentro da caminhonete.
Ele deu uma olhada para as palavras, ainda sem estar completamente acordado. "Tintura para cabelo, loiro," ele leu, soando confuso. "O quê que isso quer dizer?"
"Você não sabe o que é
Tintura pra cabelo?"
"Eu sei o que é, eu
só não sei pra que diabos você quer."
Ela tentou falar pacientemente, como se estivesse falando com uma criancinha. "Eles sabem exatamente como eu me pareço – eles me viram na ilha quando me prenderam. Se eu mudar a cor do meu cabelo, isto é só mais um detalhe que pode fazer toda a diferença."
Ele a encarou por uma segundo, uma expressão estranha na face, quase de arrependimento.
"O quê?" ela perguntou, verdadeiramente confusa.
"Nada," Ele falou hesitante, como se estivesse envergonhado. "Talvez eu não queira que você pinte o cabelo, só isso. Talvez eu goste do jeito que é. Já pensou nisso?"
Por um Segundo ela não soube o que dizer. Ela mordeu o interior da bochecha pra evitar de rir, olhando para baixo fixando em suas mãos, então olhou para cima, para ele, com as sobrancelhas levemente levantadas.
"E pare de me olhar desse jeito," ele disse com desdém.
"De que jeito?"
"Como quem diz Ele não é adorável?"
Ela revirou os olhos. "Você pode ser muitas coisas, Sawyer, mas adorável nunca vai ser uma delas."
Ele pareceu estar pensando. "Tudo bem, o que você acha disso? Eu te consigo uma peruca, ao invés da tinta. Eu acho que eles não vão notar a diferença, acredite. Homens não vêem esse tipo de coisas."
Ela considerou, mas finalmente desistiu dando um suspiro. Não adiantaria discutir com ele. "Ok, mas não compre do tipo mais barato, tá bom? Elas são pegajosas."
"Oh, então agora é uma fugitiva de alta classe?" Ele perguntou com sarcasmo.
Ela lhe dirigiu um olhar severo e até ele baixar os olhos de volta à lista.
Ele terminou de ler, e então olhou para longe, pensando. Seu rosto se tornou mais sério. Ela estava preparada pra isso.
"Então você não quer outro teste?" Ele perguntou calmamente.
Por um segundo ela olhou para o chão sem responder. "Não," ela sussurrou , finalmente encontrando os olhos dele. "Não posso passar por isso de novo. Ainda não."
Ele ainda a observava como se essa resposta não o satisfizesse.
"Qual o propósito?" ela perguntou na defensiva. "De qualquer jeito, vamos saber eventualmente, certo? Não podemos só … esperar um pouco?"
Ela ouviu um fio de desespero em sua voz, mas não havia nada que ela pudesse fazer. Eventualmente ele desviou o olhar, desapontado mas desistindo por agora. "Você quem sabe."
Ele levantou e se preparou pra sair, pegando a jaqueta. Na porta ele parou e olhou para ela com intensidade como se ele quisesse dizer algo mais. O que ele finalmente decidiu não era o que ele tinha intencionado, mas tinha que ser.
"Você devia tentar dormir um pouco. Você está pálida."
Ela acenou com a cabeça e deu a ele um breve sorriso. "Eu vou."
"Volto logo."
Alguns minutos depois dele fechar a porta, ela percebeu com uma ponta de irritação, que ele havia esquecido de levar a chave do quarto com ele.
O sono errante que ela entrou assim que ele saiu foi profundo e cerrado, e o eventual som de batidas na porta a alcançaram como se ela estivesse debaixo d'água. Ela teve que se esforçar para chegar até a superfície para achar algum sentido, mas finalmente ela percebeu o que era. Levantando da cama sem ao menos abrir os olhos, ela se moveu cegamente até a porta no escuro. Maltido seja. Foi ele mesmo quem tinha falado pra ela dormir, não foi? A batida era insistente e pesada.
Ela torceu o trinco, tentando achar o ângulo correto no escuro. "Só um minuto!" ela gritou impaciente. Finalmente girou, e ela abriu a porta e foi momentaneamente cegada pela luz que invadia o quarto. "Talvez da próxima vez você lembre de pegar a …" Suas palavras foram cortadas em choque quando seus olhos se ajustaram melhor à luz do dia.
Não era Sawyer parado ali. Era um policial.
Ele olhou para ela estranhamente, como se estivesse tentando completar a sentença que ela havia acabado de começar, mas não conseguia descobrir que palavra devia caber no fim dela, ou se ao menos se aplicava a ele. Ele era gordinho e de meia idade, e aparentemente estava suando, como que o subir até o segundo andar tivesse feito isso com ele.
"Como?" ele perguntou, confuso.
Kate congelou, incapaz de formular qualquer tipo de resposta. Ela nem ao menos tinha certeza de que seu coração ainda estava batendo.
Finalmente, ele tomou a iniciativa e disse. "Eu só queria avisar, Senhora, que as reclamações foram atendidas. Você estava certa, Eles eram todos menores de idade… Acho que estavam planejando uma grande festa para hoje à noite… você sabe como garotos são. Mas está tudo bem agora, então você não tem nada com que se preocupar." Ele pausou ai, como se esperasse algum tipo de resposta.
Ela tentou transformar as palavras dele em imagens com algum significado, repassando-as em sua cabeça, tentando fazer com que elas tivessem sentido. Ela estava acordada? Era demais esperar que isso era só um sonho?
"O quê?" Finalmente ela disse sem esperança, desistindo de entender.
Ele parecia confusa. "Não foi você quem ligou sobre o quarto próximo ao seu – os adolescente bebendo, fazendo bagunça?"
Ela forçou a cabeça a se mover pra um lado e pro outro, brevemente. "Não," ela murmurou, ainda desorientada.
Ele esfregou a testa com a manga, olhando acima da cabeça dela e piscando os olhos. "Bem, droga," ele resmungou. "Acho que foi o pessoal do outro lado do quarto." Ele olhou novamente para ela, como se sentisse muito. "Desculpe quanto a isso."
"Tudo bem," ela finalmente pôde dizer.
Ele acenou com a cabeça, o que aparentemente significava uma despedida, poise ele se virou para ir embora. Quando ela se preparava pra fechar a porta, ele gritou de volta, divertidamente. "Você com certeza não tem problemas pra dormir com barulho!" Então virou sua atenção para a outra porta, dois quartos mais adiante, e começou a bater na porta com a mão fechada.
Ela entrou de volta para o quarto escuro e se deixou cair em uma cadeira ao lado da cama. A coisa toda era engraçada, de qualquer maneira, mas ela não tinha vontade de rir. Depois de seu alívio inicial, a única emoção que ela pôde sentir foi nojo de si mesma. Como diabos ela se deixou ser tão babaca? Em que diabos ela tava pensando? Óbvio que Sawyer não teria voltado tão rápido. E ele provavelmente ia avisá-la que era ele, ao invés de só bater na porta sem dizer nada. Ela podia parcialmente culpar o fato dela estar saindo de um sono profundo, mas não era só isso. Ela esperava que fosse Sawyer ali, sem nem questionar isso. Ela sabia que seria ele ali da mesma maneira que sabia que ele perguntaria sobre o teste de gravidez. Ela estava contava que fosse ele.
E talvez, esse fosse o problema, ela percebeu com uma pontada no estômago. De quantas outras coisas ela estava simplesmente contando nos últimos dias? Ela sabia de que nunca teria feito algo assim tão absurdamente estúpido e descuidado durante os anos que ela estava fugindo. E a razão pra isso, ela supôs, era porque ela estava sozinha. Não havia antes existido a oportunidade de contar com alguém, e então ele nunca o havia feito.
O pensamento horrível repentinamente lhe ocorreu de que isto poderia não funcionar para duas pessoas. Sawyer a pouco tinha dado uma de engraçadinho ao registrá-los como Bonnie e Clyde, mas talvez o paralelo servisse como um lembrete do que podia acontecer quando se tenta fazer isso em parceria. Afinal de contas, aqueles dois foram mortos juntos, não foram? Talvez Bonnie tivesse ficado melhor golpeando sozinha, Kate pensou com amargor.
Mas depois ela horrorizada consigo mesma por pensar em uma coisa assim. Talvez fosse verdade que isso não teria acontecido se ela estivesse sozinha, mas pensando bem, se ela estivesse sozinha, pra começar ela não estaria hospedada neste motel. Ela estaria encolhida em uma parada de caminhão, ou acocada debaixo de ponte em algum lugar. Era o dinheiro do Sawyer que estava pagando por tudo isso, e ela não devia se esquecer. Claro, em seu coração ela sabia que o dinheiro era só uma coisa a mais. Ela agora era dependente dele por muito mais que isso, e talvez fosse isso que realmente a assustava.
Depois de mais ou menos uma hora e meia, ele finalmente bateu de leve na porta. "Sou eu. Esqueci a maldita chave…"
Ela suspirou e destrancou a porta, deixando-o entrar. Agora já era de tardezinha, e não demoraria muito até o sol de pôr. O cheiro de comida que exalava das sacolas que ele carregava com ele de repente fizeram ela se dar conta de que não havia comido nada o dia todo.
"O que eu perdi?" ele perguntou brincalhão, largando tudo na mesa.
Ela ficou quieta por um minuto, e ele olhou para ela, preocupado.
"Nada," ela disse finalmente. Ela sorriu de leve. "Eu só dormi."
"Com fome?" Ele perguntou.
Depois de comerem, Sawyer tirou um envelope de uma das sacolas e tirou um enorme bolo de dinheiro.
"Oh meu Deus," Kate disse incrédula. "O que você fez, roubou uma loja de bebidas?"
"Não," ele disse com desdém. "É meu. Eu tirei do banco."
Quando ele começou a contra, ela notou que a maioria das notas eram de cem.
"Você limpou a sua conta?" Ela parecia alarmada.
"É um banco do Tennessee… Não ia ser fácil pegar o dinheiro depois de deixarmos o estado."
"Você não tem cartão?"
"Perdi."
"Você pode conseguir outro."
Ele suspirou. "Olha, se ele decidirem nos seguir, você quer mesmo deixar uma trilha ao usar o cartão por todos os lugares onde passamos?"
Era bem lembrado. E também uma coisa que ela podia ter pensando sozinha.
Ela olhou para as notas, ainda preocupada. "Não é seguro viajar com todo esse dinheiro."
"É a alternativa mais segura que temos." Ele olhou para ela. "Você acha mesmo que alguém ia nos roubar? Ia ser um pouco irônico, não ia?" Ele parecia se deleitar.
"Coisas estranhas tem acontecido," ela disse a ele tediosamente.
Eles ficaram quietos por um minuto enquanto ele contava. Ela podia ver o quanto ele gostava da presença física do dinheiro, o cheiro e o sentir dele. Ela não queria nem tocar naquilo.
Quando ele terminou, ele se inclinou contra a cabeceira. "Então… você vai experimentar, ou não?"
Ela olhava para ele sem entender. "Experimentar o quê?"
"A peruca," ele disse, como se fosse óbvio. "Diabos, eu passei meia hora escolhendo a bendita peruca. O mínimo que você pode fazer é colocar e me mostrar."
Ela fechou olhos irritada, então os abriu novamente. "Eu tenho que fazer isso agora?"
"Você tem alguma coisa melhor pra fazer?"
Ela não tinha uma resposta pra isso. "Onde está?" Ela perguntou com uma voz cansada.
Ele arremessou para ela uma sacola plástica. Ela procurou dentro e retirou, fazendo uma cara. Era um vermelho escuro e brilhoso, longo e ondulado.
"Sawyer! Eu pensei ter dito pra você comprar loiro."
Ele não parecia arrependido. "Loiro não ia ficar bem em você. Esta vai ficar melhor, confia em mim. Ruivo combina com suas sardas."
Ele estava tão satisfeito consigo mesmo que quase sorriu. Se levantando, ela entrou no banheiro. Havia um espelho no quarto, mas ele não queria que ele ficasse observando-a.
Ela não se importou em fazer muita coisa com seu próprio cabelo, já que isso era só temporário. Ela só prendeu pra trás e pôs peruca em cima, tentando não prestar muita atenção em como ela ficava. Ao menos ela não seria reconhecida. Isso que era o importante, ela disse a si mesma com firmeza.
Com seus braços cruzados, ela voltou. Sawyer estava olhando para a Tv, mas ele deu uma olhada para ela. A expressão dele mudou para de surpresa, então para uma com interesse, e finalmente para uma de fascinação. Ele a encarava com intensidade.
"Deus do céu," ele sussurrou.
"Oh, Deus," ela disse com tom de nojo. "Isto tá te deixando ligadão? Por favor diga que está brincando." Isso era uma coisa que ela realmente não queria lidar agora. Não depois do que ela tinha passado hoje. Depois do susto com o policial na porta, ela não achava que poderia se concentrar em nada, especialmente o que ele parecia ter em mente.
Ao invés de responder, ele levantou e lentamente cruzou o quarto até ela. Ele continuo olhando para ela maravilhado por um Segundo, então a segurou pela cintura e a virou para o espelho, girando-a a despeito de sua resistência.
Ele parou atrás dela um pouco ao lado, e ela olhou para o reflexo dos dois. Por mais estranho que fosse, ela percebia que nunca tinha na verdade visto eles dois juntos assim antes. Ela tinha de admitir que eles combinavam muito bem, fisicamente. Mas a peruca estava desconcertante. Fazia ela parecer outra pessoa, e a imagem no espelho parecia ser outra mulher – uma estranha – ao lado de Sawyer. Ela levou a mão para tirá-la, mas ele pegou seus dedos e trouxe de volta para o lado do corpo dela. Ela encontrou seus olhos no espelho com um olhar confuso. Havia um brilho intencional nos olhos dele que ela conhecia muito bem.
Abaixando um pouco a cabeça, ele sussurrou contra o ouvido dela, "O que você acha de ficar com ela um pouco mais?" O roçar da barba dele contra o seu pescoço faiscou algo que havia estado adormecido dentro dela, e de repente, o corpo dela estava em completo acordo com os planos dele. Talvez, afinal de contas, isto fosse exatamente a distração que ela estava precisando. Ela se virou para ele, querendo enlaçar o pescoço dele, mas ele a impediu de novo.
"Uh-uh," Ele murmurou provocante, virando-a para que ela olhasse novamente para o espelho. "Você só aproveita a vista."
De trás dela, ele ergueu as mãos e desabotoou o último botão da camisa justa de Oxford dela, separando os dois lados do tecido e revelando só um pequeno triângulo de pele abaixo do umbigo. Antes de começar a desabotoar o segundo botão, ele correu a ponta dos dedos sedutoramente sobre a pele exposta.
Kate matinha seus olhos no reflexo do espelho, de alguma forma incapaz de desviar, mesmo que ela não estivesse inteiramente à vontade com isso. Era muito bizarro, muito diferente de tudo que ela tinha feito antes. Ela tinha uma relação ambivalente consigo mesma nos bons tempos, e isso estava ultrapassando os limites. A peruca ruiva que Kate usava, tentava se manter no lugar enquanto Sawyer seguia subindo pela sua camisa, desabotoando deliberadamente, com tormentosa pausa entre um e outro. Ele beijava seu pescoço, a língua ocasionalmente saindo pra fora, pressionando contra sua pele, e ela teve de lutar contra a urgência de virar a cabeça e fazer com que a boca dele encontrasse com a sua.
Finalmente ele alcançou o primeiro botão que ficava acima do peito, e ela sentiu o calor das mãos e do pulso dele que encostavam nela suavemente. Se pressionar contra ele não adiantava, ele retraia as mãos insultuosamente, mantendo a pressão gentil e enlouquecedora. Separando os dois lados da camisa dela, ele a deslizou pelos seus ombros e braços. O ar repentino contra a pele causava arrepios nela.
Agora o reflexo no espelho usava somente um simples sutiã branco com um lacinho. Se Kate olhasse atentamente, ela quase podia detectar em seu pescoço o contínuo batimento da sua pulsação. Sawyer beijou perto de seu ombro direito até a saliência do seu seio e então parou abruptamente, passando os dedos pela cintura dela enquanto ele se ajoelhava em frente à ela. Ela podia ver o topo da cabeleira loira ao que ele levou os lábios até o estômago dela, tentando guiá-lo na direção que ela queria que ele fosse, mas obstinadamente ele escolheu seu próprio curso. A seguir ele desabotou a calça jeans dela, baixou o zíper, e ela viu de relance a sua calcinha vermelha. Sawyer, é claro, tinha sido quem escolheu do catálogo. Era uma cor que ela jamais teria escolhido pra si mesma. Mas parecia exótica e combinava perfeitamente com este momento, então ela não lamentava a escolha dele.
Depois de beijar em linha reta a pele descoberta perto da calça jeans, ele começou a puxar a presilha do cinto, tirando-o. Ela cooperou, e deslizou uma perna e depois outra. Começando pelos pés descalços, ele correu suas mãos de volta, e ela puxou o ar rápido quando ele delicadamente tocou o espaço entre suas pernas e pressionou o polegar contra ela por uma fração de segundos antes de mover para outro lugar. Quando ele ficou novamente na frente dela, ela tentou mais uma vez puxar o rosto dele até ela, para sentir seus lábios contra os dela, mas novamente ele a trapaceou, ao invés disso se inclinando e beijando o alto de seus seios. Ela suspirou trêmula de frustração. Ele sabia exatamente o que estava fazendo com ela.
Agindo rápido agora, para o alívio dela, ele retirou seu sutiã e calcinha com técnica perfeita. Ela agora estava completamente consciente do seu próprio estado de excitação, e ela tinha certeza de que ele também tão falhava em notar. O perceber disso trouxe um leve rubor à sua face, e ela cuidadosamente evitou olhar o espelho
Mas ele não a deixaria ir muito longe com isso. Voltando pra trás dele, ele a segurou de leve pela cintura e se curvou a cabeça para sussurrar no ouvido dela novamente. "Olhe pra cima," Ele instruiu. Ele estava se pressionando tão perto dela que ela podia sentir o tecido do jeans dele roçando contra sua pele. Ele ainda estava completamente vestido, enquanto ela estava usando absolutamente nada, uma situação que ela não considerava exatamente justa. Mas então porque era tão emocionante e sedutora?
Com relutância, ela lentamente levantou os olhos, colocando-os na sua própria imagem no espelho. Ela raramente se via dessa maneira, e foi uma sensação estranha ver seu corpo pelos olhos de Sawyer. Ela podia notar, mesmo sem olhar profundamente, que seus ângulos estavam mais suaves desde que ela havia deixado a ilha. Naquele lugar remoto, e mesmo antes de lá, ela nunca se importava em comer o quanto ela devia. Ela sempre estava ocupada com o stress da simples existência, de correr de um lugar para outro, evitando ser capturada. Aquela vida cobrava de seu corpo, mas também tinha lhe dado força física. Agora seus músculos estão menos definidos, suaves, o que pela primeira vez vagamente a preocupava. Seus quadris também tinham mais curvas, não parecendo tão magra e nem com jeito de garoto como costumava parecer. Seus seios tinham um pouco mais de volume, e mesmo que seu estômago ainda estivesse liso, ela podia detectar, acima da parte escura entre as pernas, uma leve, quase imperceptível ondulação. Ela rapidamente desviou o olhar dali.
Olhando novamente para Sawyer, ela encontrou seus olhos no espelho. Ele estava a observava atentamente, com um olhar que ela não tinha certeza de como interpretar, mas o qual a enervava em sua intensidade. Inclinando de volta o queixo dela, ele beijou a concavidade da garganta dela, se demorando no batimento da pulsação dela. Agora ela focalizava o olhar em seus próprios olhos. Eles a observavam de volta com uma expressão de necessidade feroz que era ao mesmo tempo física e alguma outra coisa indefinível. De repente, o erotismo da cena ameaçou a levá-la para um lugar obscuro, e ela fechou os olhos antes que isso pudesse acontecer, quebrando a visão de sua própria imagem não familiar. Isto havia durado tempo demais.
Ela se virou para Sawyer de novo, procurando cegamente por ele, e dessa vez ele não tentou impedi-la. Quando ela o beijou a peruca se perdeu, e ela a arrancou impaciente. Seu próprio cabelo lhe caiu pelos ombros, e ele se afastou um pouco para examiná-la. "Ainda melhor", ele disse com um sorriso de canto de lábio. Ela começou a tirar blusa dele pela cabeça. Indo para cama, ela se sentou na beirada e começou a desafivelar o cinto dele freneticamente enquanto ele a observava divertido. Finalmente, para alivio dela, ambos estavam no mesmo estado de nudez.
Mas agora ele assumiu o controle novamente, pressionando-a de costas contra a cama e caindo sobre ela. Ela sentiu o cabelo dele fazendo cócegas no estômago dela enquanto ele dispensava desnecessária atenção no corpo dela. Com um impaciente senso de necessidade de chegar ao desfecho daquilo, ela continha os gemidos que sabia que ele queria ouvir. A respiração dela ficava mais difícil e irregular, e seus quadris, por vontade própria, levantavam tentando encontrar os dele. Ele os segurou na cama e os manteve ali.
Depois do que pareceu uma eternidade, ele permitiu que ela o guiasse para dentro dela. Seus quadris estavam tão arqueados que ele a preencheu completamente, ela arqueou um pouco para dar mais espaço. Com dolorosa lentidão, ele começou a se mover sobre ela. Se mover sob ele para aumentar o ritmo não surgia efeito algum. Ele estava fazendo isso de propósito, e ele claramente não tinha intenção de deixá-la apressar a conclusão.
Kate mordeu o lábio para não gritar de arrebatadora ira. Se isso era um desafio, ele não ia ganhar tão fácil. Mas era difícil. Um aspecto fundamental de sua personalidade é que ela não gostava de esperar pelas coisas. Ela estava acostumada a viver impulsivamente, às vezes imprudente, mas em situações que ela sempre tinha certeza de estar no controle. Ela costumava pegar o próprio caminho, fazer sua agenda, fazer as coisas no seu próprio ritmo. Durante esses momentos com Sawyer, sua fé era tirada de suas mãos. Era ao mesmo tempo enfurecedor e excitante.
Eventualmente, ele deve ter se cansado de provocá-la desse jeito em particular, por que em um movimento rápido, ele a colocou para cima e pegou seu lugar no travesseiro. Agora talvez eles pudessem chegar à algum lugar, ela pensou triunfante. se ela pudesse ditar a velocidade, então eles podiam terminar isso rápido. O corpo dela estava desesperado por libertação, e ela sabia que podia trazê-lo ao mesmo ponto, se ele deixasse.
Mas em breve ela percebeu que esses não eram os planos dele. Segurando seus quadris, ele a forçou a ir devagar, usando toda sua força física para elevá-la no mesmo ritmo lento e enlouquecedor que ele estava usando na posição anterior. Você só pode estar brincando comigo, ela pensou consigo mesma. Olhando em seus olhos, ela viu uma expressão de desafio. Ela sorriu um pouco, respirando com dificuldade, e respondendo seu olhar com o dela.
Para ser honesta, entretantom ela sabia que não havia como competir com ele neste campo. Sexo era como um esporte para Sawyer, algo que ele estudava e treinava muito a sério. Era onde ele era mais ele mesmo, era o que ele desempenhava com tanta naturalidade e com tão graciosa perfeição que era um prazer testemunhar. Ela havia suspeitado disso, já nos primeiros dias que o conheceu, mas a realidade ainda não falhava em cativá-la. Não importava o quanto ela o provocava, ou o diminuía, ou o fazia se sentir como um idiota, não importava quantas vezes ela ficava por cima nas discussões ou provava com argumentos que ele estava errado, isto era algo que ela não tinha descoberto ainda como ganhar dele. Salvo algumas raras exceções, ele tomava controle inicial em todas as vezes que eles faziam amor e continuava com essa vantagem até o fim, e era impossível tirar isso dele. Na maior parte das vezes, ela havia desistido de tentar. Esta era uma coisa que ela estava disposta a aceitar que ele dominasse, e não demorou muito para ela se dar conta disso. Era estranhamente confortável, de uma maneira, poder relaxar e curtir o passeio
Mas agora, o passeio, por assim se dizer, não estava sendo nada relaxante. Ela ainda estava sentada sobre ele, uma fina camada de suor cobrindo sua pele. Os dedos dele a seguravam firme, lutando contra os esforços dela de impor seu ritmo, e ela se maravilhava com a habilidade dele de se segurar por tanto tempo enquanto lhe chegava a doer a necessidade de terminar logo com isso. Não era tradicionalmente pra ser o oposto? Ela fechou os olhos e se concentrou em manter a respiração regular, sentindo com embriaguez que seu corpo havia se tornado um circuito elétrico, zunindo de sensações.
Finalmente quando ela pensou que ia gritar se ele continuasse com isso, ele a moveu de novo, colocando-a na mesma posição que haviam começado. O lençol estava quente do corpo dele. E agora o quê? Ela pensou vagamente. Isso não encaixava em nenhum padrão que ela pudesse lembrar. Mas pensando bem, eles não tinham nenhum padrão. Sawyer era imensamente inventivo, e sexo com ele nunca era a mesma coisa duas vezes. Não era só os locais e posições que variavam, mas o método também. Às vezes ele era tão gentil como se tivesse medo que pudesse quebrá-la. Enquanto que em outras ele era tão bruto que ela quase não conseguia agüentar. Esta vez parecida algo entre os dois, mas ela não lembrava dele demorar tanto antes. Quanto mais isso ia durar? Ela tinha perdido a noção de tempo.
Ele mantinha suas mãos movendo nela, descendo no espaço entre eles e então viajando de volta quando ela chegava muito perto, mantendo-a incessantemente no limite, mas negando a ela a libertação final. O que ele queria ela sabia, era que ela implorasse, mas ela apertava os dentes, obstinada e se recusando a ceder. Às vezes ela cedia, mas não dessa vez, ela estava determinada.
Os olhos dela transpareciam a sua necessidade, o rosto dele somente a alguns centímetros da dela. Apesar de suas intenções, a expressão dela dizia as palavras que ela se negava a pronunciar, e Sawyer agora se sentia vitorioso. Inclinando-se sobre ela, ele cobriu a boca dela, a língua encontrando a dela, e ela soltou a respiração rispidamente pelo nariz quando ele finalmente começou a empurrar com força. A cama fazia um barulho que lembrava, absurdamente, do limpador do pára-brisa de antes. Em qualquer outra ocasião, o barulho a teria deixado imensamente envergonhada, mas agora não estava ligando.
Afastando-se de novo, ele continuava olhando para ela, enquanto ela também o fitava. Ela nunca se sentia tão próxima dele como nesses momentos antes do clímax. Estava claro que eles tinham sua melhor comunicação nesse momento. A respiração dela ficou mais ofegante, e ela sentiu as baforadas quentes dele no seu rosto. Sua completa existência caiam para restar só aquilo, e sua realização era a única coisa no mundo que importava. Tudo o mais era esquecido - tristeza, terror, perigo, ao menos que por poucos segundos.
Então ela parou de respirar quando o calor irradiava do centro dela em ondas, atingindo a todas as direções até as pontas dos dedos em palpitações curtas e explosivas. Seus músculos se contraíam em torno dele, que era a deixa pra ele começar seu próprio caminho até o limite. Ela observava o rosto dele enquanto isso acontecia, toda aquela postura de macho evaporando em sua inevitável perda de controle, e ela teve tempo para tirar satisfação em saber que ela era a causa disso. Então ela afundou a cabeça no travesseiro até ficar quase de cabeça pra baixo, empurrando-se mais em direção a ele, perdendo de novo a respiração, arrancando um lamento dela quando atingiu o ápice. Depois desse som, ambos ficaram em silêncio, a intensidade havia sido muito poderosa para precisar de qualquer som vocal. Ele se empurrou mais contra ela enquanto ela se apertava contra ele, os dois se agarraram em um momento de êxtase que era breve demais.
Kate experimentou alguns segundos de vertigem enquanto seu corpo gradualmente descia das alturas, relaxando em etapas enquanto Sawyer ficava mais pesado e mais calmo sobre ela. O respirar desarmônico e fora de sincronia deles, ficando quieto, e ela fechou os olhos enquanto ele se aninhava contra o ouvido dela em exaustão. Ela repentinamente se deu conta, no entanto sem emoção, que eles não haviam lembrado de usar preservativo. No fundo ela já suspeitava que não importava.
Ela sorriu de leve agora ao pensar no que ele havia acabado de fazer ela passar. "Você me paga por essa um dia," ela murmurou para ele em aviso.
Ele se levantou e deu a ela um breve sorriso. "Veremos," foi tudo o que ele respondeu, como se não acreditasse nela. Ela o beijou e então tremeu de leve quando o ar começou a gelar o suor na sua pele.
Ela pegou a coberta barata do motel, e colocou por cima deles tapando-os até a cabeça, criando um abrigo que parecia com uma caverna escura de onde ela não tinha desejo imediato de sair.
Vending machine¹: máquina de vender: distribuidora automática de pequenos artigos por meio de moedas inseridas em uma fenda. Por aqui não são vistas com freqüência, mas lembro que existiu uma da coca-cola uns anos atrás.
