Como Perder Um Maroto Em 10 Dias
Capítulo 1 – Um Plano Cruel
- Eu nem acredito que você está aqui, Lily!! – Marlene dava pulos de alegria pelo quarto.
Marlene McKinnon era uma das melhores amigas de Lily, com cabelo preto e liso, batendo nos ombros, e olhos azul-claros.
Lily havia chegado de manhã cedo na casa da amiga, situada em Wandtown¹, um vilarejo bruxo. Depois de muito Lene insistir, a ruiva acabou por aceitar passar um tempo em sua casa.
O colégio ainda não estava de férias, mas para o sétimo ano tudo era festa. Há pouco tempo atrás tinham prestado os exames para os NIEMs, agora só voltariam ao colégio para o baile de formatura. Lily era a única que pretendia passar esse tempinho de folga procurando concursos e vagas de empregos pelo Profeta Diário. E seus dias seriam assim, se não tivesse uma amiga como Lene.
- Lene! Desse jeito você me deixa tonta! – exclamou a ruiva, após ver pela décima vez a amiga pulando pela casa.
A morena parou, ofegante. Sorriu para Lily, abraçando-a novamente.
- Nossa, não imaginava a falta que eu fazia na sua vida. Não faz nem três dias que saímos de Hogwarts e parece que faz séculos que você não me vê... – Lily disse, sorrindo.
- Você nem sabe a saudade que eu senti de você! Quer dizer, um dia sem seus "NÃO, POTTER!" Não é um dia comum.
Lily fez uma careta ao ouvir o nome da pessoa que mais odiava. Marlene gargalhou da amiga.
- Vem! Vou te mostrar a vizinhança!
Sem nem ao menos esperar Lily guardar suas coisas, Lene saiu a puxando pelo braço. Apesar de conhecer Marlene há tanto tempo, era a primeira vez que a ruiva ia a sua casa. Ela sabia o que ia encontrar por lá: James Potter.
Esse pensamento a fazia desistir de ter férias divertidas com a amiga. Apesar de Marlene sempre dizer que James morava longe dali, praticamente no vilarejo vizinho, e que não era muito possível eles se encontrarem. "Quem garante?", pensava Lily. Acabava sempre preferindo ficar em sua cidade trouxa natal. Quanto mais longe de Potter, melhor.
Mas dessa vez não conseguiu fugir. Seria a última vez que as amigas poderiam se divertir juntas sendo consideradas estudantes, e Lene não cansava de repetir que precisavam de uma despedida descente dos tempos de Hogwarts.
Esquecendo o caso Potter, Lily acabou aceitando passar esse tempo com a amiga. Afinal, seriam só dez dias até terem que voltar a Hogwarts para o último passo, o baile. Depois disso, adeus vida de colegial...
As três chegaram no portão de frente da grande casa dos McKinnon. Lily observou que o vilarejo que Marlene morava era maravilhoso, parecia aquelas vilas de princesas que ela sonhava quando pequena. Era tudo arrumado.
As ruas eram extremamente limpas, sem nenhum lixo, sem uma folha de árvore, apesar de serem bem arborizadas, com os tipos mais bonitos e diferentes de plantas. Eram pouco movimentadas, com perdestes usando vestes berrantes e levando consigo os mais bizarros pacotes.
As casas, por fora, seguiam um mesmo padrão, grandes, bem arrumadas e silenciosas, com jardins lindos e bem cuidados. Não que por dentro também fosse assim, o quarto de Lene estava longe de ser arrumado, silencioso e bem cuidado.
- Lily! Que surpresa! Não sabia que você viria! – uma voz empolgada e conhecida, muito conhecida fez Lily olhar para frente.
E o que viu não foi nada, nem um pouco bom. É, decididamente, não havia começado bem o dia.
- Potter. – deu um aceno de cabeça a contragosto, rangendo os dentes.
E só então percebeu uma coisa. Potter saía da casa da frente da casa onde iria ficar durante dez dias. Mas não, não podia ser. Ele não podia morar tão perto assim.
- O que você está fazendo aí?! – ela perguntou antes de pensar sobre quão idiota poderia ser a pergunta.
- Aqui? Bem, eu moro aqui. – respondeu James sorrindo.
- Eu sei, Potter! Eu estou falando o que você faz nessa casa!
- Eu moro nessa casa, Lily. – falou, mais sorridente ainda, se possível. Não era todo dia que James descobria que a sua amada estaria mais perto dele do que imaginava.
A ruiva abriu a boca, indignada. Ela seria, hum, vizinha do Potter?!?!
- MARLENE MCKINNON! – exclamou ela. Lene a olhou com um sorriso malicioso. – Você me falou que o Potter morava a léguas daqui!
- E realmente mora! – Lily a fitou com o cenho franzido. – É uma rua que nos separa! Uma rua! Sabe quantos passos tenho que dar para atravessa-la?! Me dá até cansaço ao ver isso... – Lily teria rido se não fosse a circunstância em que se encontrava.
- Eu não acredito que até aqui, quando venho passar um tempo de folga, o Potter estará tão próximo me atazanando! – sibilou ela para Lene.
A amiga apenas deu de ombros, segurando-se para não cair na gargalhada com a expressão assassina no rosto de Lily.
- E então, para onde vocês estão indo? – James perguntou, se intrometendo na conversa.
- Vou mostrar a vizinhança para a Lily! – antes que a ruiva dissesse algo, Lene se pronunciou. – Vem com a gente!
- Acho que não vai dar agora. O Sirius ainda está dormindo, e não acho muito confiável deuxá-lo sozinho. É possível que ele resolva botar fogo na casa inteira! – falou sem conseguir esconder a felicidade de ver Lily.
A ruiva sorriu, satisfeita. De repente Potter tenha percebido que ela não o suporta e seus zilhões de Não's finalmente tiveram algum efeito sobre o Potter.
As duas se despediram do maroto com um aceno e foram andando lentamente. Lene contava histórias malucas sobre o vilarejo, que se resumia em uma lenda sobre uma abóbora roxa voadora, uma árvore mitológica que Morgana havia plantado, no centro do vilarejo e mais outras coisas que envolviam a varinha de Merlin.
Todas as ruas e casas eram iguais, constatou Lily, e um pouco mais distante tinha um campo de quadribol. A movimentação ficava mais concentrada no centro, cheio de lojinhas, como chalés.
Mas a ruiva logo percebeu algo muito estranho. Para um vilarejo bruxo como Wandtown, o centro estava muito movimentado, com muita confusão, muito barulhento e decididamente com muitas luzes vermelhas e verdes.
- Lene, vai ter alguma coisa aqui? – perguntou Lily, vendo dois homens de meia-idade discutirem sobre algo que não podia entender.
- Ah! Esqueci de te avisar! – falou Marlene, sem deixar o sorriso malicioso.
Lily a olhou enfurecida. A amiga andava se esquecendo ou se fazia de esquecida? Hum... Segunda opção.
- Vai começar amanhã um festival famoso na cidade. O Festival da Magia conta a história da criação de Wandtown. Diz a lenda que Wandtown foi a cidade natal de Merlin, e aqui ele descobriu a varinha e toda a magia em volta dela, por isso o nome da cidade². Todo ano tem, e incrivelmente, sempre é diferente. A cidade passa o ano inteiro trabalhando nisso, e todas as famílias ajudam de alguma maneira. Nessa época Wantown vai a loucura.
Lene parou de falar, ficando com uma expressão pensativa, relembrando de como foram todas as festas.
- Meus pais, junto com o Sr. e a Sra. Potter, estão ajudando na organização dos eventos, já que vem muitas bandas famosas, grupos de apresentação e essas coisas. Os jovens normalmente ajudam na parte de vendas. Já temos nossa própria barraca! Você quer nos ajudar? Não é durante todo festival, normalmente fazemos rodízio. – Lene falava com empolgação.
- Claro. E são quantos dias? – perguntou Lily, sentindo-se ligeiramente preocupada com a empolgação da amiga.
- São dez dias! Dez dias de farra, Lily! Cada dia tem uma coisa diferente, teatro, shows, dança... É muito bom! E nós iremos em todos! – exclamou antes que Lily pudesse retrucar. – Só precisamos arranjar um par rapidamente. – falou quase em um sussurro. Sabia que Lily ficaria uma fera.
- Como assim?! Par?! Que história é essa?! – Lily olhou a amiga, indignada.
- Lily, não se vai em festivais em Wandtown sozinha. Te juro, é perigoso. Já passei por cada coisa por aqui... – Lene fez cara de espanto, teatralmente. Lily sabia que era invenção.
- E de onde que eu vou arranjar um acompanhante até amanhã?! Não conheço ninguém!
- Calma, Lil. Eu conheço bastante gente interessante. – Lene sorriu maliciosamente, sem Lily perceber. – Certamente encontraremos um par para você em tempo. Mas agora vou te apresentar a algumas pessoas. – em seguida Lily se viu sendo puxada pela amiga em direção a um pequeno grupo de meninos do vilarejo.
Um moreno alto, de cabelos rebeldes e olhos castanhos-esverdeados contornados por óculos entrava em casa, correndo como um jato. Subiu as escadas de madeira, fazendo um barulho infernal com seu peso. Entrou no quarto vizinho ao seu, sem permissão e batendo a porta com força. Mas, mesmo assim, a pessoa que dormia ali como um anjo continuava inconsciente de qualquer acontecimento.
James olhou descrente para o amigo que dormia enrolado ao lençol, de boca aberta, roncando e babando em cima do travesseiro.
- Padfoot, acorde. – chamou. O amigo não mexeu um dedo sequer. – Padfoot! – James deu mais alguns berros, sem conseguir resposta. Então resolveu se divertir um pouco com aquilo.
Puxou sua varinha do cós da calça jeans e apontou ao amigo.
- Levicorpus!
- AAAARREEEEE!!!! – ouviu-se o berro assustado de Sirius Black, batendo as costas no teto e em seguida caindo com tudo no chão.
Sirius, assim como James, era morenoe alto, cabelos lisos batendo na nuca e olhos cinza-azulado.
- Bom dia, amigo! – Potter gargalhou da careta do amigo.
Sirius fitou James mal-humorado.
- Você não tinha um jeito melhor para me acordar?! – retrucou, levantando-se. – Ou melhor, não podia me deixar dormir?!
- Deixa de ser babão! Tenho uma novidade ótima! – exclamou, abrindo um sorriso largo.
- E é bom que seja uma novidade muito boa para atrapalhar meu sono. – Sirius sentou-se na cama reprimindo uma careta, já tinha uma idéia muito provável do que seria.
- Adivinha quem está aqui em Wandtown! – exclamou James com empolgação, fazendo Sirius resmungar pelo grito.
- Você não podia me contar essa GRANDE novidade de tarde quando eu estivesse devidamente acordado?! – retrucou, lançando ao amigo um olhar assassino.
- Isso vale a pena! To falando sério, Pads! É incrivelmente maravilhoso!
- Hum... Algo incrivelmente maravilhoso. – Sirius fez cara de pensativo, coçando o queixo. – Não me diga que aquela modelo loira, peituda, maravilhosa está aqui! Eu ouvi dizer que ela vai pousar nua! – Sirius agitou-se. – Putz! Isso sim que são férias! – James revirou os olhos.
- Não, Padfoot! Não é nenhuma loira! É uma ruiva! – falou significavelmente.
- Ahhhh! – James sorriu, o amigo não era tão retardado. – Uma ruiva vai pousar nua! – É, ele conseguia ser retardado à décima potência. – Hum... Eu não conheço nenhuma modelo ruiva famosa...
- Não, Pads! Lily! Nossa colega de Hogwarts, lembra-se?! Lily Evans!
- A Lily vai pousar nua?!
- CLARO QUE NÃO PADFOOT! A LILY ESTÁ NA CIDADE COM A MARLENE! NÃO TEM NENHUMA MODELO, NEM LOIRA, NEM PEITUDA, E MUITO MENOS NUA!
- Eu sei, Prongs! Não precisa gritar! – Sirius agora gargalhava do amigo. – Você só tem essa cara de veado idiota e apaixonado quando se trata da Lily! – James amarrou a cara.
- E então? O que acha? – perguntou o moreno se acalmando, retomando a cara de idiota apaixonado.
- O que eu acho do quê?! – Sirius retrucou, se irritando com as frases incompletas do amigo. Daqui a pouco trocaria seu apelido de Prongs para Mooney, ou "Mooney 2, O Retorno" ou de repente "O Clone"... Que seja.
- Da Lily estar aqui, cara! É perfeito! – falava James, afobado. – Essa é a minha chance! Sem aulas para atrapalhar, sem fãs loucas, sem professores, sem detenções, sem sonserinos. E o melhor, praticamente do meu lado! – James apontou a casa vizinha.
- E o que você pretende fazer? Chamá-la para sair novamente? – perguntou Sirius entediado. Odiava as sessões "Como conquistar Lily Evans" do James. Mas fazer o que, era seu amigo, tinha que agüentar.
- Bem, ela deve ir ao festival que começa amanhã, já que a Lene vai, e é a única coisa diferente de Wandtown. Então, vou pedir a ela ir comigo. Todo mundo arranja um par nessa festa. Ela não pode ir sozinha.
- Eu duvido muito que a Lily vá com você. – falou Siris, descrente. O sorriso de James murchou. – Principalmente em um festival de dez dias.
- Não precisa ser os dez dias, mas pelo menos uma noite já fico feliz. – James falou baixo, mais para si mesmo. E então encarou o amigo, esperançoso. – É claro! Como não pensei nisso? Eu tenho que conquista-la nesses dez dias! Ela não tem como fugir!
Sirius soltou sua "risada-latido".
- Você promete isso desde seu quinto ano! Duvido que agora consiga. Desista, Prongs.
- Nunca! – Sirius olhou descrente para o amigo. – A Lily me ama, cara! É só um empurrão para ela ser dar conta que somos feitos um para o outro!
Sirius fez expressão de tédio novamente.
- É. E eu sou Merlin. – James lançou uma careta ao amigo. – Prongs, é a realidade. Ela não te ama, te odeia! – O moreno disse como se explica a uma criança que um mais um são 2.
- Eu estou dizendo, Pads! Ela é feita para mim e eu para ela! Você vai ver. Ela finalmente será minha! Eu a amo e ela me ama!
- Isso é o que você acha. Eu duvido que você consiga demonstrar isso para ela. – Sirius atirou-se na cama, arrependendo-se fatalmente de ter acordado para ouvir as ladainhas de seu amigo.
- Ela só precisa ver que eu mudei. E mudei por ela! Não sou mais aquele garoto que ela conheceu no terceiro ano! E farei isso amanhã no festival! E eu irei conquista-la, e ela vai admitir que eu sou o amor de sua vida!
- E viverão felizes para sempre. – Sirius fez voz de locutor de filme infantil, zombando do amigo. – Duvido. – provocou.
- Nunca duvide de um maroto, Pads! Nesses dez dias eu irei conquista-la. E te garanto, voltaremos para a formatura em Hogwarts namorando!
Sirius riu novamente.
- Duvido, cara. Você nunca vai conseguir. – disse Sirius, desafiando o amigo, divertindo-se com tudo aquilo.
- Quer apostar? – James desafiou o amigo do mesmo modo. Sirius soltou mais uma vez sua risada característica.
- Desde o quinto ano você aposta a mesma coisa, Prongs, e a sua dívida comigo só vai aumentando... Daqui a pouco eu cobro juros! Você não cansou de perder em apostas ainda?!
- Dessa vez vai ser diferente. A Lily vai parar de resistir. – James falou, em tom confiante.
- Então se você está tão certo disso, vamos à aposta. Melhor para mim, ganharei de novo. – James lançou um olhar assassino ao amigo. – Você terá que passar os dez dias de festival com ela para a conquistar. Não precisa ser ficando com ela ou coisa do tipo, mas sem ela te xingar ou gritar a quatro cantos que te odeia. E, para provar que ela realmente não resiste ao seu charme – Sirius riu. "Se é que o Prongs tem charme". – terá que leva-la ao nosso Baile de Formatura, daqui a dez dias. Caso você não consiga, terá que me pagar cem galeões. Se você conseguir, eu te pago.
- Fechado. – respondeu James prontamente. Os dois apertaram as mãos, se encarando.
Sirius estudou o amigo divertidamente. Todo ano era a mesma coisa. O amigo prometia que ia fazer e acontecer e, finalmente, que Lily se daria conta de sua paixão por ele. E Sirius sempre saía ganhando nas apostas, deixando o amigo devendo quantidades grossas de dinheiro.
James sorriu. Não seria algo fácil de conseguir, mas ele adorava dificuldades.
- E você? Já sabe com quem vai? – perguntou James, ficando curioso.
- Se eu achar, com alguma modelo loira peituda e que aceite ficar nua. – James revirou os olhos e Sirius sorriu. – Vou pedir a Lene.
- E ela tem que aceitar! – James exclamou repentinamente, fazendo Sirius pular de susto. – Se a Lene for, a Lily não tem como negar meu pedido! Não vai querer ficar sozinha ou com um desconhecido.
James sorriu largamente, empolgado com a possibilidade de estar tão próximo de conquistar a ruiva.
- Pads, eu dependo de você! – o moreno ficou anormalmente sério, praticamente implorando. – É a minha única chance! Depois do baile acabou-se Hogwarts, acabou-se pedidos para sair com a ruivinha, e eu serei obrigado a virar um mendigo bêbado pedindo esmola por causa de uma desilusão amorosa!
- Não se preocupe. A Lene vai sair comigo. – Sirius falou, convencido.
Os dois sorriram marotamente e foram andar pelo vilarejo, com o propósito de falarem com as meninas.
Não foi difícil encontra-las. Wandtown, sendo extremamente pequeno, era o tipo de lugar que todo mundo conhecia todo mundo e todo mundo sabia sobre todo mundo. Então, era de se esperar que todo mundo estivesse curioso para saber quem era a desconhecida que andava com Marlene.
E realmente, percebeu James com certa irritação, o povo de sua cidade era um bando de moscas. Não podiam ver carne nova, tinham logo que ir atrás. Um exemplo disso eram os meninos, lançando olhares nada discreto a SUA ruivinha.
As duas ainda conversavam com o grupo de meninos. Lily não estava gostando muito do rumo daquela conversa. Na verdade nem tinha simpatizado muito com os meninos, e eles estavam prestes a babar em cima dela tamanho os olhares indiscretos que mandavam, coisa que ela não tolerava. Marlene sorriu largamente, seu plano estava dando certo.
A ruiva já estava desconfortável, mas antes que pudesse falar qualquer coisa a amiga, sentiu uma mão puxa-la com uma rapidez invejável. Ao mesmo tempo viu alguém muito conhecido puxando Marlene para outro canto.
No susto, Lily gritou. James tampou sua boca, sentindo os dentes da ruiva se enterrando em sua pele. Foi a vez de ele gritar.
- Calma, Lily. Sou eu! – James falou ainda sentindo a dor na mão, largando-a ao se afastarem dos olhares curiosos.
Lily o fitou com desgosto.
- Eu devia saber! Tinha mesmo que ser o Potter! – a menina exclamou, olhando para o céu e pedindo silenciosamente que caísse um raio na cabeça do moreno.
- Você por acaso acha que eu te deixaria andar por aí com esse bando de homem olhando para minha Lily? – falou, entre a diversão e o ciúmes.
- SUA LILY?! Eu não sou sua, Potter!! E quem você pensa que é para me "dar permissão" para fazer alguma coisa?! – Lily começou a adquirir um tom rubro no rosto. James sorriu, adorava vê-la assim.
- O amor da sua vida. – falou displicente. Lily bufou.
- Só se for em pesadelos! – a ruiva virou-se para ir embora, mas James a puxou pelo braço.
- Pára de fugir de mim, Lily! Eu sei que você é louca por mim! – falou lançando charme.
- Potter, tudo o que falei esse ano por acaso entrou por um ouvido e saiu pelo outro?! Você não entendeu que eu te odeio?!
- E por que você me odeia tanto, Lil? – falou, com uma carinha de veado abandonado em um dia de chuva no meio da floresta.
- Simplesmente porque você é um garoto medíocre desde o primeiro ano! E me chame de EVANS! – respondeu, entre dentes.
- Mas eu mudei, Li... Evans! E você é a única que não percebe!
- Você é arrogante demais para perceber algum defeito em si mesmo e mudar, Potter!
- Você está errada. E eu posso provar que sim, eu mudei por você e para você. – James falou com uma seriedade anormal. Lily lançou a ele um olhar descrente. – Por favor, Evans, só uma chance!
- Não, Potter! Você não sabe o que é isso?! – exclamou, impaciente. – Quando é que você vai desistir?!
- Quando eu ouvir um sim. Você nem ao menos me deixa provar que eu não sou tão ruim quanto pensa! –
James parou de falar, respirando com certa dificuldade. E então, da mneira mais sincera que pôde, disse:
- Eu gosto muito de você. É só uma chance que te peço, para provar a você que esse meu sentimento é verdadeiro e que eu nunca, nunca, seria capaz de te magoar.
- E você acha que eu vou cair nessa sua conversa fiada?! Não, Potter! Eu não serei mais uma para você! -
Mentiroso, pensou Lily. Ele que pensa que com essas frases gravadas vai conseguir... Ah! Mas não vai mesmo!
- Você nunca será mais uma, Lily, você é única. – Lily sentiu-se estremecer diante do olhar que o moreno lhe mandava.
- Me poupe de suas cantadas, Potter! Eu quero distância de você! – Lily tentou se desviar da mão forte que a segurava, mas não conseguiu.
- Lily, não adianta. Eu nunca vou desistir, até você sair comigo. – James tentou parecer racional. – Não é melhor você me dar essa chance? Já estamos acabando Hogwarts, e desde o quinto ano eu te peço a mesma coisa. Ninguém saberá se sairmos juntos...
Lily sentiu vontade de rir na cara do moreno. Percebendo isso, James resolveu continuar por outro caminho.
- Entenda de uma vez, Lily. Eu jamais vou desistir de você. Quando eu digo que gosto de você, é para valer. É possível que, onde quer que você trabalhe ou more, eu vá atrás de você. Aí sim você não se verá livre de mim. – Isso seria total verdade, pensou James. Era capaz de ir atrás dela onde estivesse.
Lily pareceu pensativa durante um tempo, pelo jeito pensando em como seria desconfortável ter um chiclete James Potter pelo resto de sua vida. Já havia passado três longos anos assim, e não estava mais afim de agüentar outros.
- Potter... – começou Lily a xinga-lo, mas James a interrompeu.
- Eu não aceito não, Lily. – falou, fazendo Lily franzir o cenho. – Olhe, amanhã começará o festival mais famoso da cidade. A Marlene vai com Sirius na abertura, e deve ir com ele nos outros dias. Você não pode ficar sozinha e sei que se sentirá mal se for com alguém desconhecido.
Lily o olhou desconfiada. Não se lembrava da amiga ter dito que iria com Sirius, mas era algo possível. De qualquer forma, certamente não iria em um festival aberto com qualquer um.
- Vamos fazer um trato?
"PÁRA TUDO! Trato com Potter?!?!"
- Trato?! Desde de quando eu faço trato contigo?! – a ruiva retrucou, temendo o que viria a seguir.
- Me ouça. – pediu. – Aceite ir comigo no festival. – Lily abriu a boca para contestar, mas foi interrompida. – Eu sei, você nunca iria aceitar passar dez dias comigo. Mas não te peço isso com segundas intenções. Quero te fazer companhia como amigo.
A ruiva franziu o cenho. Desde quando James Potter não tinha segundas, terceiras, e quartas intenções com ela?
- Prometo que me comporto. – continuou ele. – Não tentarei nada, apenas serei um amigo, e você vai ver como mudei. É só isso que eu quero, mostrar a você que eu tenho humildade em ver meus próprios defeitos e em muda-los.
Lily abriu a boca para falar, mas novamente foi interrompida pelo moreno.
- Se, depois desses dez dias, não conseguir provar isso, eu prometo que nunca mais volto a te incomodar. – James cruzou os dedos sem que Lily visse. Isso era algo que sabia que nunca seria verdade. Mas o caso em que se encontrava era desesperador, qualquer coisa que pudesse fazer seria bem vinda.
Lily o olhou com raiva. Os dez dias e, Wandtown para ela deviam ser perfeitos, e mal tinham passado vinte e quatro horas, Potter já estava ali, atazanando sua vida. Sabia muito bem como iria se arrepender em confiar no Potter, e principalmente, duvidava muito que ele fosse se comportar. E o pior, durante dez dias!
Mas, infelizmente, ele tinha razão. Ela não iria sozinha no tal festival, já que Marlene, pelo jeito, iria acompanhada. E não tinha gostado nem um pouco dos meninos que a amiga tinha apresentado, e a única pessoa que conhecia, por pior que fosse, era James Potter.
Até que não seria um acordo de todo mal, passados esses dez dias, ela sairia ganhando. Com certeza James não provaria nada para ela, ele desistiria de uma vez por todas e ela viveria em paz para sempre. É uma proposta tentadora.
- Já que não tenho escolha. – falou, suspirando a contragosto. – Eu vou com você.
James abriu um sorriso largo, mal acreditando no que ouvia.
- Mas antes que você cante vivas, estou indo como colega! – avisou. – Não tente nada comigo, sem beijos, abraços e agarramentos, estamos entendidos?!
James afirmou com a cabeça, duvidando muito que tivesse tanto sangue frio perto de sua Lily.
- E faça alguma coisa que eu não goste, você irá se arrepender pelo resto da vida! – a ruiva lançou a ele um olhar assassino.
James assentiu, pensando seriamente se Lily era sádica ou outra coisa qualquer que adorasse o sofrimento alheio.
- Prepare-se, ruivinha. Esses serão os melhores dias da sua vida! – falou, saindo correndo antes que Lily se transformasse em uma fera.
A ruiva o olhou se afastar com certa crueldade no olhar. O que ela tinha feito a Merlin para isso acontecer?! Nem durante alguns dias de folga do colégio ela se livrava daquele crápula!
Mas agora ele tinha passado dos limites, e ela ia se vingar de tudo que um dia James Potter fez a ela. E o melhor, já tinha um ótimo plano na cabeça.
- Finalmente! Já estava na hora de você aceitar sair com o James e revelar seu grande amor por ele! – Marlene exclamou.
As duas andavam de volta para casa, depois de terem sido "seqüestradas" por dois marotos.
- Não enlouquece, Lene! Eu só aceitei sair com ele. A única coisa que sinto por ele é um grande ódio. – respondeu a ruiva.
Lene constatou um sorriso maldoso no rosto da amiga.
- Então o que deu em você para aceitar ficar na companhia dele? – perguntou demonstrando confusão.
Lily sorriu. Marlene sentiu arrepios na espinha.
- Vamos dizer que nós tivemos uma conversa de interesses. – e contou toda a conversa que teve com James. No fim do relato Marlene franziu o cenho.
- Lily, o que você pretende dizendo, "vou me vingar de tudo o que Potter já fez"?
- Simples. – a ruiva alargou o sorriso. – Ele não quer tanto minha companhia? Então, ele terá, porém vou garantir que ele nunca mais volte a me atormentar.
- Você já pensou na possibilidade de ele gostar mesmo de você? – Marlene tentou deixar a conversa racional.
Lily riu.
- O Potter?! Gostar de mim?! Realiza, Lene! O Potter não gosta de ninguém!
- Se você diz isso...
Marlene resolveu ficar em silêncio e não discutir. "James Potter" nunca foi um assunto muito bom para se falar na frente de Lily.
- E o que afinal você pretende fazer? – a morena perguntou, com curiosidade.
- Vou ser a melhor acompanhante que ele já teve. – Lily falou, displicente. Marlene a olhou com a testa franzida. – Vou fazer de tudo para ele desistir de mim. Ele vai ver como é ter Lily Evans no seu pé. E homens como ele odeiam quando uma mulher fica em volta, ele vai logo correr de mim. O que vai provar que ele nunca gostou de mim, é um grande mentiroso e o melhor, que ele nunca, nunca mais voltará a dirigir a palavra a mim de tanta raiva.
- Ou seja, você vai faze-lo te odiar?
- Isso mesmo. Se ele não desiste de mim por bem, desistirá por mau.
- Prefiro minha idéia de você revelar seu grande amor por ele. – disse Marlene, pensando seriamente se a amiga não tinha enlouquecido. De repente ela estava sob um feitiço ou Poção...
- Não é o que o Potter sempre quis? Que eu admitisse ser louca por ele? Que eu me apaixonasse por ele? Eu irei realizar esse seu desejo, e ele sentirá na pele como é me deixar "apaixonada". Irei fingir estar loucamente apaixonada por ele, fazendo todos os tipos de escândalos que os homens odeiam. Vou ser possessiva, ficar no pé dele dia e noite, ser extremamente sensível e frágil, grudar nele como chiclete, chagá-lo por apelidinhos infantis, trata-lo como um bebê, fazer cenas de choro, atrapalhar as noitadas dele com os amigos... – a ruiva sorriu. – Perfeito. – falou baixo, se perguntando como nunca tinha bolado um plano tão bom.
Marlene a olhou com os olhos arregalados.
- Lily, amiga, isso é uma loucura! E quem é a louca aqui sou eu! Eu que devia fazer esse tipo de coisa! – a morena balançou o corpo da amiga para frente e para trás, como se aquilo a fizesse esquecer da idéia.
- Isso não é loucura! E a melhor coisa que eu já fiz! – Lily gargalhou de sua idéia perfeita. O sorriso cruel de "cientista trouxa louco" fez Marlene ficar alarmada.
- Merlin me proteja dessa ruiva louca! É O APOCALIPSE! – berrou.
- E sinceramente, Lene, - continuou Lily, ignorando o comentário da amiga – Você devia fazer a mesma coisa que eu com o Black nesse festival. Ele é tão galinha e arrogante como o Potter, ou pior.
- Eu não dei certeza ainda seu vou com ele ou não. Falei que só ia com ele na abertura e se ele se comportasse pensaria no caso. E, diferente de você Lily, eu planejo outras coisas mais importantes a fazer com o Black. – Marlene falou, com um sorriso malicioso.
Lily mandou-lhe um olhar repreendedor.
- Você muito bem que não dá para se confiar no Black!
- Calma, Lily! Eu sei muito bem o que estou fazendo. Claro, diferente de você.
- Você ainda não se deu conta de que tudo é perfeito?! – Lily voltou a expressão de cientista louco.
Marlene negou com a cabeça, colocando a mão na testa da amiga, certificando-se que ela não estava doente.
- Lene, eu vou me livrar para sempre do Potter, e melhor ainda, irei me divertir ao vê-lo desesperado! – Lily empurrou a mão da amiga de sua testa. – Amanhã eu ainda serei eu mesma, Lily Evans, sem dissimulações para o Potter não estranhar e achar que eu fiquei louca. Depois vou mudando aos poucos, me tornando uma "pobre menina sentimental, grudenta e apaixonada" – Lily fez voz de choro.
- Olha Lily, eu entendo que você tenha um parafuso a menos. – Marlene tentou novamente deixar a conversa racional. – Mas não ter nenhum parafuso e sofrer de insanidade total já é demais! Você jura que não quer ir para o hospício?
- Muito pelo contrário, Lene. Eu nunca me senti tão bem. Eu só irei me divertir um pouquinho com o Potter... E ser a pior mulher que ele já conheceu! Não é ótimo?
- Não, muito pelo contrário. – Marlene olhava a amiga como se ela fosse um extraterrestre. – Isso não vai dar certo.
- Claro que vai! É um plano perfeito! Ele não vai me aturar nesses dez dias e eu não precisarei ir a baile nenhum! Nunca mais verei o Potter na minha frente! – Lily sorriu, empolgada com seu plano perfeito.
- Não adianta, Lily. O James gosta de você, e, muito pelo contrário, você sendo a namoradinha grudenta não vai faze-lo desistir, muito pelo contrário! – Lily amarrou a cara. – Não é melhor você revelar seu grande amor?
- Marlene, presta atenção. – Lily ficou repentinamente séria. – O Potter não atura saber que um dia eu deu o fora nele, e ele nunca deixou isso barato. Agora é sua última chance de mostrar a todo mundo que não existe uma garota em Hogwarts que resiste a ele.
- Você está errada. – novamente Lily lançou um olhar assassino a Lene. – O James mudou, Lil. Mesmo que você não aceite isso. Você vai passar dez dias com esse plano e ele não vai desistir. Além de que você nunca irá conseguir ir adiante com isso. Você vai acabar desistindo de continuar. – Marlene falou em tom de desafio.
- Eu? Desistir? Nunca, Lene. E eu nem vou precisar ficar muito tempo. Grava o que estou te dizendo. Eu serei a pior mulher para o Potter e ele correrá de mim.
Marlene ficou calada, abrindo um sorriso de desafio. Tinha uma ótima idéia, também.
- Duvido. – disse.
Lily a fitou séria, cruzando os braços. Não aturava ser desafiada.
- Pois continue duvidando. O Potter vai querer distância de mim. Você verá. Eu vou fazer o Potter desejar morrer, e antes mesmo de completar os 10 dias, ele estará correndo de mim.
- Isso não vai adiantar. Você passará dez dias em desespero ao ver que ele não vai desistir. – Marlene falou, se divertindo com tudo aquilo.
Lily a olhou enrugando a testa.
- Quer apostar? – continuou Marlene, provocando-a. – Você terá que continuar com esse plano até o dia do Baile de Formatura, e nesses dez dias o Potter terá que enlouquecer, desistir de você e querer o máximo de distância possível. Se você perder, ou seja, se chegar no Baile e você ainda estiver com o Potter, terá que me pagar cem galeões. Se você ganhar, eu te pago.
- Fechado. – as duas apertaram as mãos.
Marlene sorriu, faria de tudo para que o plano de Lily fosse água abaixo. Tudo bem, Lily era sua amiga e não devia querer seu mau. Ou melhor, ela não desejava o mau a amiga, e sim tudo de bom. Mas o que fazer se Lily era cabeça-dura? O jeito seria pôr o plano de Lily contra ela mesma.
Lily estava mais que certa de que seu plano daria certo, essa aposta já estava no papo. Faria de tudo para que James se arrependesse profundamente de ter feito tanto mal a ela. Iria mostrar a ele como era "bom" tê-la a seus pés. Ele não aturaria dez dias de sofrimento e com certeza, desejará morrer. "Ou não me chamo Lily Evans"
¹ Wandtown – Wand é varinha em inglês. O vilarejo não existe, eu inventei para ter algo mais a ver com a lenda sobre o festival (é, eu sei, eu viajei nessa).
² Festival da Magia – Já li em algum lugar sobre uma lenda em volta da varinha de Merlin, mas não me lembro muito bem. Não existe nenhum festival que comemore isso, apesar da lenda realmente existir. Ou seja, em parte a história é verdadeira, com algumas mudanças.
N/A:
Oi meus amores!!
Espero que tenham gostado do capítulo!
Está mais para um prólogo, já que é só uma explicação para o que vai acontecer nos próximos capítulos! Prometo que a fic será mais interessante!
Adorei todas as reviews!! Agradeço a todos que leram e comentaram!
Rose Samartinne: Fico feliz que tenha gostado! Pobre James... Tantas pessoas rindo de seu sofrimento... hauahauahauhaahua. Bem, esse capítulo não está engraçado e talz, mas os próximos prometo que estarão bem mais divertidos (para o bem de suas risadas)! Continue lendo! Beijos!
Luh Black: Que bom que gostou! O James já enlouqueceu tanto a Lily né... Está na hora de uma revanche (se não ocorrer o contrário)... hahuahuahua. Espero que tenha gostado do capítulo! Continue lendo! Beijos!
Jehssik: Oi! Que bom que gostou! Aí está o capítulo! Continue lendo! Beijos!
Ivania Dolores Cuz Bezerra: Que bom que gostou! Espero que também tenha gostado do capítulo! Continue lendo! Beijos!
Thatty: Concordo com você, tem clichê que realmente é bom... Eu também gostei muito desse filme... E não tinha como não fazer uma fic sobre ele! Confusão? Que isso... Vai ser muito pior!Hauahauhauaahaau. Espero que tenha gostado do capítulo! Beijos!
Por favor, escrevam reviews!!! Eu necessito delas para sobreviver!!! E a fic também, já que, para continuar escrevendo, preciso saber o que vocês estão achando... Péssimo? Ruim? Suportável? Mais ou menos? Bom? Ótimo (existe louco para tudo)?
É isso... Para quem quiser passar nas minhas outras fics eu agradeceria:
Diário Maroto
Um Amor, Uma Vida
Por Enquanto
Eu juro, é muito simples me fazer feliz. Estão vendo esse botãozinho lilás aqui do lado esquerdo? A cor lilás não é linda?! Não é roxo nem rosa! Traduzindo, é tudo de bom em um só botão! E o melhor, é fácil, é só clica-lo!
Beijos,
Babi Black
