A única estudante de Ohio que tinha conseguido ingressar em Yale, Quinn era um orgulho a todos. No começo do primeiro semestre teve suas dúvidas de se realmente teria feito a escolha certa estudando artes, mas não precisou esperar muito para que tivesse a certeza de que era a escolha ideal pra ela. O curso foi uma surpresa pra ela, na verdade ela não sabia muito bem o que esperar dele, no começo tentou optar por várias disciplinas diferentes, como fotografia, pintura, literatura, história da arte... No final todas convergiam para um mesmo ponto. Com o tempo ela percebeu que seu talento não se limitava aos passos de dança, as notas suaves que ela cantava, e nem mesmo a sua habilidade com a escrita e leitura, ela tinha realmente mãos de artista.
A relação que Quinn tinha com grandes obras de arte era grande, desde muito cedo teve aulas de etiqueta, sua mãe a obrigava, a levava a museus e exposições para que a pequena Quinn Fabray crescesse com um nível cultural acima dos demais colegas, se era Fabray tinha que ser superior, pensava assim seu pai. Mas ela nunca tinha realmente entrado em contato com aquela forma de expressão e de trabalho, Judy exigia que ela conhecesse, mas nunca deixou sua princesa sujar os lindos vestidos e sapatilhas de tinta. Não foi uma grande surpresa quando ela conseguiu se expressar e fazer ótimos trabalhos que foram bastante reconhecidos por todo o campus.
Quando Quinn seguiu para Yale não só seus pais, como também seus colegas, e até Sr. Schue temeu por ela se sentir muito sozinha. Depois de todos os traumas que ela viveu, como engravidar e perder a Beth, lidar com a separação dos pais, interesses amorosos todos falhos, o acidente de carro, sua reabilitação que foi bastante complicada, ninguém sabia se Quinn estaria realmente pronta para seguir em frente deixando o passado um tanto quanto aterrorizante para trás.
Quinn sabia que ela estava pronta. Ela não sabia o que poderia encontrar, mas depois do seu último ano ela teve certeza de que estava preparada pra abrir seus horizontes e, principalmente, absorver todo o conteúdo passado em sala de aula. Ela foi aluna nota "A" todo esse tempo, e não era agora que suas notas iriam cair. Nas primeiras semanas a adaptação foi ótima, e com o passar do tempo foi fazendo bons amigos e colegas... Ela sabia que ninguém chegaria aos pés do que Santana e Brittany eram pra ela, mas agora as amizades soavam até de um jeito diferente.
Seu primeiro affair foi um desastre total, foi com um professor, 35 anos e casado. Ela era tão boa aluna, tão aplicada que nem o professor resistiu a ela. Apesar de isso ter gerado uma briga ocasional com Santana em seu primeiro dia de Ação de Graças. Depois ela sentiu como se tudo se encaixasse, ela acabou incentivando a latina a seguir seus sonhos e ir pra Nova York, e recebeu um e-mail que foi pior do que o tapa na cara que levou da Santana, com certeza, mas que a fez abrir os olhos pela primeira vez desde que havia chegado à universidade.
"Q,
Apesar do ocorrido há poucos dias, eu tenho que te agradecer, estou embarcando para Nova York no próximo semestre, minha inscrição para Juilliard está feita.
Espero que saia dessa sua zona de conforto onde você se encontra há quase 19 anos, porque agora não importa se você está transando com um cara de 35 anos e tirando boas notas se você nem sabe o que quer.
Quem precisa acordar agora é você.
Com todo o carinho,
S."
Agora ela entendeu suas próprias palavras, foi como se o que ela tivesse dito tivesse voltando contra ela, não adiantou se ela se gabou sobre seus feitos, sendo que nenhum deles foi realmente relevante. O Ensino Médio tinha acabado.
Foram quatro anos de isolamento, quatro anos de aprendizados, quatro anos nos quais ela não se sentia pressionada a fazer qualquer coisa, foi como se ela tivesse se desligado de parte dos traumas e estivesse caminhando para frente, finalmente. Agora não importava mais o que os Fabray pensavam sobre ela, era muito mais do que isso, era o que ela pensava sobre si mesma, ela se orgulhava do que tinha se tornado.
Apesar das poucas ligações e visitas, manteve contato com suas sempre amigas Brittany e Santana, mesmo que tudo nela tivesse mudado elas ainda se encaixavam perfeitamente, tudo na Brit e na San havia mudado também. Ela tinha tido a oportunidade de visitar Santana em Nova York apenas uma vez, e Santana tinha ido visita-la três vezes, uma delas com Brittany, mas tinham se encontrado em Ohio nos feriados, e era como se ainda tivessem 10 anos em suas festinhas do pijama.
Ela levou um bocado de tempo pra entender o porquê de suas amigas terem terminado o relacionamento delas, desde que as conhecia lembrava-se do carinho especial que acontecia entre as duas, lembrava-se de quando eram ainda muito pequenas, com ainda uns 13 anos e Santana confessou a ela numa noite em que faziam um trabalho de geografia que ela se sentia especial quando estava perto de Brittany, e que estava chateada por perder a companhia de Brit nos intervalos de aulas agora que Brit estava saindo com um garoto da turma delas, na época Quinn não entendeu o que aquilo significava muito bem, mas sentiu como aquelas palavras soavam. Depois da festa de Halloween dois anos depois, onde elas deram o primeiro beijo, elas nunca mais tinham deixado de se pertencer, o carinho delas sempre tinha sido muito puro e verdadeiro, apesar de toda a bolha de proteção que Santana teimou em construir em torno delas, e principalmente de si própria por medo. Quinn lidava muito bem com isso, sempre acobertando e se sentindo um xodó das duas, elas tinham acabado de entrar pra cheerios juntas, e reinavam a escola, não só pelas belezas naturais que tinham, mas pelo poder que emanavam juntas. Quando Quinn e Finn começaram a sair suas amigas quiseram saber como aconteciam as coisas, se Quinn se sentia apaixonada por ele realmente, mas Quinn sempre foi vaga sobre isso, ela nunca tinha sentido seu coração realmente se acelerar, ela só estava com ele porque aparentemente era o certo a se fazer, não era? A líder de torcida com o jogador de futebol, era assim que as coisas aconteciam. E com o Puck... Bom, foi um verdadeiro deslize, ele era um cara engraçado, legal, tinha uma pegada boa, e ela nunca tinha sentido isso antes... Foram só uns encontros, e depois um em especial, com bebida demais e consentimento de menos, algo que traria consequências enormes pra ela em especial. Apesar do jeito firme e decidido da líder de torcida sentia-se ainda uma menina, ela só tinha 16 anos, ela só queria ganhar o campeonato nacional de torcida, ela queria fazer festas do pijama com Brit e San, ela não estava pronta pra ter uma criança, mas infelizmente nessa situação não importava se ela estava ou não pronta, era isso e ponto.
O amadurecimento de Quinn se deu devido as passagens de sua vida, ela tinha a impressão de que tudo acontecia com ela ao mesmo tempo que ela era obrigada a se manter firme, com os pés no chão. Houve grandes deslizes, mas superações ainda maiores, ela foi realmente uma surpresa a todos.
Quando no segundo ano da universidade ela resolveu excluir algumas matérias que estudava para incluir outras nas quais tinha descoberto ter grande interesse, ela o fez sem pensar, e foi a melhor de suas escolhas. Ela continuou estudando matérias que não envolvia diretamente Artes Plásticas, mas que para ela eram essenciais para o entendimento, e que a interessavam muito, nunca tinha sido um problema para ela lidar com tempo e compromissos, ela sempre conseguiu dar conta de tudo, e foi assim que continuou acontecendo.
Se tinha duas pessoas que tinham tido extrema importância nesse período de Quinn essas duas eram Anne e Zac, estavam em praticamente todas as classes juntos e conseguiam trabalhar em perfeita harmonia. Desde o começo eles tinham se dado bem, e a amizade foi crescendo naturalmente, eles se divertiam muito juntos, iam a exposições de arte, a shows, cafés, bares, teatro sempre juntos, compartilhavam do mesmo gosto.
Anne era um pouco mais baixa que Quinn, tinha cabelos ruivos que batiam no meio de suas costas, tinha olhos escuros que destacavam suas sardas na bochecha, era filha única e vivia algo totalmente diferente de sua realidade, ela nasceu e cresceu na Austrália e depois de longas conversas com seus pais resolveram que o melhor para ela era Yale, não só pelo curso no geral oferecido, mas muito mais sobre sair da zona de conforto. A amizade dela com Quinn começou depois que tiveram que fazer duplas para o primeiro trabalho do curso de literatura. Anne não tinha nada em comum com Brit e San, mas como tudo o que Quinn experimentava da universidade era novo, ela não estranhou.
Zac era super brincalhão e as meninas o conheceram no café que passaram a frequentar para planejar o trabalho de literatura, mesmo que isso tenha acontecido de um modo meio desajeitado, com Anne esbarrando em Zac e fazendo-o derrubar os livros que carregava, vários deles eram de conhecimento comum fazendo assim que a conversa fluísse rapidamente entre os três. Zac era um rapaz de cabelos escuros não muito mais alto do que Quinn, nem muito mais pesado, usava óculos e era bastante tímido. Desde sempre soube que queria cursar Artes Plásticas, tinha um irmão cinco anos mais velho que há pouco se formara em Administração, mas que sempre cursou literatura, artes e fotografia por interesse. Sempre que podia olhava os materiais do irmão, e cada vez tinha mais certeza de que tinha nascido apenas com o lado artístico igual ao do irmão mais velho. Harry era fisicamente diferente de Zac, apesar de terem rostos que lembrasse um o outro, era mais alto e mais forte, com seu excelente desempenho na universidade hoje era um dos organizadores do XXV Festival de Artes Gerais.
O XXV Festival de Artes Gerais era uma grande ocasião para Quinn e todos os seus colegas de classe. Havia 8 meses que esse Festival era o mais falado de todos os assuntos entre os alunos interessados, e há 3 meses houve a exposição interna para seleção de possíveis obras a serem expostas no festival de alunos que estariam capacitados não só para expor, mas para explicar, palestrar e abrir oficinas de workshop no festival. Quinn e Zac tinham sido dois dos dez escolhidos. Depois disso houve os vídeos e e-mails trocados entre eles e os organizadores e jurados do festival, e quando essa etapa terminou restava apenas uma coisa a ser feita: esperar.
Era uma manhã de quinta feira quando Quinn acordou e apertou sem pensar o botão da cafeteira, sentou-se na cadeira bem a frente para esperar enquanto checava seu celular, tinha recebido uma mensagem de texto de Zac
Quinn, dá uma olhada nas suas correspondências
Não pensou um segundo sequer, ela sabia muito bem sobre o que ele estava falando. Dois minutos depois ela respondeu a mensagem
Onde vamos comemorar?
Só Quinn sabia o quanto aquilo era importante pra ela.
