CAPÍTULO 3: MAIS QUE PALAVRAS...
Ao contrário do que ele esperava, chamaram-no pelo auto-falante para avisar de que seu vôo seria novamente adiado por tempo indeterminado. Ele queria pular de alegria, ao invés de aparentar frustração para seu superior. Sem dizer mais nada foi para o saguão aguardar o desembarque das pessoas que estavam chegando de todos os lugares. Ficou andando e vendo as vitrines, resolveu comprar uma lembrança para sua mãe e irmã, já que estava com tempo e numa cidade linda.
Para a mãe comprou uma pequena estátua de uma mulher nua, e para a irmã uma estátua também, só que esta era de um deus grego. Ele sabia que ela iria adorar e compará-la ao seu namorado. E ele sabia também que seu amigo não iria gostar nada daquilo, sorrindo consigo mesmo ele saiu da loja. Os vôos estavam no horário programado. Mas ainda existia um detalhe, seriam dois portões de desembarque vindo de Londres. Então ele teria que jogar na sorte, uma vez que cada portão ficava a uma boa distância um do outro.
Sem perceber ele já estava com o celular na mão pronto para ligar para Marie. Será que ela atenderia? Ele resolveu arriscar, mas para sua agonia estava fora da área o celular. Pensou em escrever uma mensagem e assim fez. Antes de enviar leu de novo para ver se não estava sendo meloso demais, ficou feliz com o resultado e enviou.
From: Marie.
February 12 – 09:25 am.
Bom dia luz do dia. Como foi a viagem? Gostaria de informar que estou nesse momento no aeroporto Tessera, estou aguardando sua chegada. E também aguardando a partida de meu próximo vôo. Gostaria saber qual é seu portão de desembarque, quero muito te conhecer, não sei se agüento até sua volta a Londres. Por favor, responda assim que puder. Beijos.
- Meu Deus. Esse homem é louco – falando sozinha novamente ela leu a mensagem, e sentiu felicidade pela oportunidade que surgia à sua frente. Tudo seria perfeito para o momento se não fosse um pequeno detalhe. Ela não tinha decido naquele aeroporto, mas sim num outro. Seu vôo havia chegado no horário, e para aproveitar a viagem ela já estava num táxi indo para o hotel descansar, antes de andar pela cidade. Foi com uma dor no coração que pensou em digitar uma resposta para ele. Era uma pena que não desse certo esse encontro. A não ser que... – Para o carro! – ela gritou para o motorista – preciso que me leve para o aeroporto Tessera – ele fez que sim com a cabeça e entrou em outra rua.
Seu coração só faltava sair pela boca. Ela sabia que o local onde ele estava era longe, e se não se apressasse não chegaria a tempo. O motorista não colaborava também, era uma lesma no trânsito, e ela sentiu-se tentada a sentar ao volante e fazer valer cada minuto de agonia.
- Não dá para ir mais rápido? – ele só olhou para ela e continuou na mesma. Sem ter o que fazer resolveu responder a mensagem. Quando viu que seu celular estava sem bateria achou que fosse enlouquecer – Merda, isso é uma merda! – o motorista ficou assustado com ela e acelerou o carro.
Se soubesse disso teria gritado antes com ele. E agora, como reconheceria o homem misterioso das mensagens? Se nem ao menos soubesse suas características. Ficou sem saber o que fazer, até que do nada resolveu arriscar.
- Será que você pode me emprestar seu celular? É um caso de vida ou morte – ele suspirou pesadamente antes de passar a ela o aparelho. Sem pensar muito no que fazia digitou e enviou uma resposta para seu querido. Não sem antes conferir mesmo se o número era dele.
February 12 – 09:40 am.
Bom dia. Estamos com um pequeno erro de percurso, não aterrissei em Tessera. E agora estou no meio do caminho para aí. Se puder me esperar e me dizer com qual roupa você vai estar. Quem sabe nossa espera acabe de vez. Ah, e meu celular está sem carga. Se puder me responda nesse numero que é o do taxista, rsrsrsrs. Também estou ansiosa por nosso encontro, e se não for hoje, minha viagem será frustrada. Beijosss...
Mesmo tendo a certeza de que era sua Marie que lhe respondia a mensagem, ele ficou meio receoso em responder. Parou e ficou pensando: como explicar a ela que estava com a roupa de piloto. E se ela achasse que ele estivesse brincando e não o procurasse? E se ela fosse feia? Só agora depois de tanto tempo ele parava para pensar nisso. Era melhor não arriscar. Começou a digitar duas vezes e parou. Então resolveu inverter a situação, pediria a ela com que roupa ela estava.
- Ah, aí está você – era seu co-piloto Andrew que chegava esbaforido pela corrida – estamos te esperando, nosso vôo está certo e agora sai em menos de meia hora.
- Droga. Mas essa agora – frustrado pela terceira vez naquele dia ele passou as mãos pelos cabelos bagunçados – tem certeza disso Andrew? Já não é a primeira vez que eles erram hoje.
- Mas agora é certo. Só faltam alguns ajustes no novo avião e estaremos prontos. Até o check-in já está sendo feito.
- Certo. Só estou terminando aqui e já vou.
- Ok, mas não demore você sabe como o Lúcius fica com atrasos no seu aeroporto.
- Ele que vá pro diabos também, não tenho culpa do avião ter dado problema.
- Eu sei. E é por isso que estou atrás de você, para que ele mesmo não venha.
Lúcius era chefe de setor, e ele se sentia no direito de mandar e desmandar em todos os pilotos. Dizendo que logo iria, ele pensou que ia ter um colapso nervoso. Se tivesse esperado mais alguns minutos não teria feito sua querida Marie mudar seu curso para vir a seu encontro. Mas fazer o que. Agora eles teriam que esperar a volta de cada um para casa. Pensando assim retornou a seu celular.
February 12 – 10:05 am.
Como te dizer que nossos planos terão que ser adiados novamente sem me sentir mal? Não sei. Mas para minha completa infelicidade meu vôo sairá em menos de dez minutos. Por favor, se quiser voltar para seu destino anterior. Peço que me perdoe, mas infelizmente acho que não será hoje que vamos nos conhecer. Mas só por curiosidade com que roupa você está?
Mas ela já estava no portão do aeroporto. Como esperar mais por um encontro entre duas pessoas desesperadas para se conhecerem? Pensou em desistir e voltar dali mesmo para seu hotel. Mas sabia que se não fosse até o fim em sua busca não ficaria contente.
Mesmo com o taxista olhando feio para sua mão, já que não parava de gastar seus créditos do celular, ela digitou novamente feito louca. Explicando com que roupa estava e esperando loucamente que pelo menos se vissem de longe. Ou que desse tempo de pelo menos dar um 'oi'.
- O senhor espere aqui. Prometo não demorar – ela saltou do táxi no momento em que a mensagem foi enviada.
- Ei moça, meu telefone... – ele não poderia largar aquele celular por nada no mundo naquele momento.
- Espere por mim – sem dizer mais nada ela adentrou as portas do imenso aeroporto. Olhou a sua volta e correu para procurar pelos os vôos de Londres.
February 12 – 10:15 am.
Anthony. Estou com um vestido branco e botas pretas de cano alto. Como vou te explicar como sou? No momento meu cabelo está loiro. Até quando eu não sei rsrs. Gosto de mudanças...Estou entrando na área de desembarque agora. E como eu vou te achar?
Ela deveria ser linda, pensou enquanto lia a nova mensagem. E ela já estava no aeroporto. Ele olhou para todos os lados e ficou observando as pessoas que vinham para aquela área. Seus olhos buscavam toda e qualquer mulher que estivesse com vestido.
Seria cômico se não fosse trágico. Ele uniformizado, no meio do saguão olhando que nem bobo para todos os lados. Ele sabia que era como procurar uma agulha no palheiro. Mas não iria desistir agora que estava tão perto.
De repente seus olhos se focaram em uma mulher que vinha correndo em sua direção, ela olhava para os lados, e também para o celular que havia em suas mãos.
Ela parou a uns dez metros de onde ele estava e ficou olhando em volta. Ela estava nervosa e passava as mãos nos cabelos loiros a todo momento. Sim ela estava de vestido, e botas. Seu cabelo era loiro, uma cor sem igual. Seu coração deu um salto, e ele teve certeza de que ela era sua Marie. E agora o que fazer? Ela era linda. A mulher dos seus sonhos de consumo.
Para ter a certeza de que aquela mulher espetacular era mesmo a sua mulher mistério. Começou a digitar uma mensagem. E foi andando a passos lentos até ela. De quando em quando parava para verificar se estava escrevendo certo.
Ela estava nervosa, mas ele também estava. Seus dedos travavam uma batalha com o teclado do celular. E ele tentava ser rápido em seu pequeno texto. Quando estava a aproximadamente dois metros de distancia ele enviou e aguardou. Ela deu um pulo e olhou para a tela. Ele esperou nervosamente enquanto ela lia o pequeno texto.
February 12 – 10: 25 am.
Linda não é a palavra certa para lhe descrever. Se eu não estiver enganado quanto a isso estou bem atrás de ti.
Respirando com certa dificuldade, ela leu e releu a mensagem. E agora?
Ele dizia que estava atrás dela. A coragem de antes tinha ido embora. E se ele fosse feio? Agora era tarde para pensar nisso né. Foi virando lentamente para sua esquerda, e quando deu a volta completa se deparou com um cara alto e uniformizado.
Arfou quando se deparou com olhos verdes magníficos. E um sorriso torto que amoleceu suas pernas. Poderia ser loucura, mas ele não era totalmente estranho para ela. Alguma coisa em seus traços perfeitos lhe era familiar.
Sem dizer palavra nenhuma, ele encurtou o caminho de ambos. Parou a poucos centímetros dela e sorriu abertamente. Realmente ela era a mulher mais linda que ele já tinha conhecido. Os olhos de um verde perfeito, uma boca que convidava qualquer um a beijá-la. E sem contar com seu sorriso delicado. Se antes ele estava nervoso agora estava suando frio. Não sabia se falava ou esperava ela falar.
Eles estavam numa bolha, onde nada precisava ser dito. Mesmo que não se conhecessem antes, somente com os olhos conseguiam se comunicar.
Ela estava sem ar e antes que pudesse vir a desmaiar respirou fundo. Ele era lindo, perfeito, e estava sorrindo para ela. Como descrever em palavras o que estava sentindo? Não tinha muito a ser dito. Foi ele quem quebrou o silencio.
- Marie? – ele perguntou, e ela achou que ia morrer. Que voz era aquela pai amado...
- An – Anthony? – ela conseguiu gaguejar seu nome. Sem esperar por mais nada ele deu dois passos e lhe estendeu a mão.
Ela aceitou sua mão e foi puxada para um beijo, longo e apaixonado. Como se já conhecesse seu corpo, suas mãos foram parar em seus cabelos lindos e sedosos. Ela chegou mais perto do seu peito largo e arfante. Entrelaçaram suas línguas numa dança sensual e erótica, como se já fossem velhos amantes. Nenhum dos dois tinha se visto antes, mas isso era um mero detalhe.
A paixão que estava nascendo ali naquele momento, não precisava de anos de convivência ou de palavras doces para ser verdadeira. Cada um sabia que não tinha mais volta, que depois daquele dia, suas vidas não seriam mais as mesmas.
Sem se conter, ela gemeu em sua boca, esquecendo-se do lugar onde estavam. Ele trabalhava intensamente em deixá-la louca de paixão apenas com um beijo, e ela se imaginou sendo tocada e beijada por aquela língua em todo seu corpo sedento.
Sem se preocupar com as pessoas a sua volta eles simplesmente não conseguiam separar suas bocas. Até que sem ter como respirar mais, eles se separaram e ele percorreu com o nariz todo seu pescoço. Ela se arrepiava a cada toque, e ele sorriu com as sensações que despertava nela. Com um sorriso apaixonado colaram as testas uma na outra. Olhos nos olhos, respiração entrecortada e o coração acelerado em ambos.
- Isso foi... – ela começou.
- Esplêndido... – ele terminou por ela.
- Eu – disseram juntos e sorriram.
- Primeiro as damas.
- Eu não sei bem o que falar. Não sei o que pensar.
- Eu também não Marie. Eu também não sei bem o que dizer.
- Como disse?
- Te chamei de Marie. Esse é seu nome certo?
- Sim, quero dizer também é. Meu primeiro nome é... – nesse momento eles foram interrompidos por um rapaz também uniformizado. Nenhum dos dois perceberam que ele trazia angustia nos olhos.
- Estamos atrasados. Lúcius está louco atrás de você... – ele parou quando viu que Edward não tirava os olhos da linda moça a sua frente. Então entendeu que estava atrapalhando o momento – me desculpem. Mas você sabe como ele é. – com certa dificuldade Edward separou-se dela e puxou-a para o banco mais próximo.
- Escute, eu não tenho mais tempo – disse passando o polegar em seus lábios – eu preciso ir nesse instante. É uma pena por que o que eu mais queria nesse momento era te levar para passear e... te conhecer melhor.
- Tudo bem Anthony. Eu entendo, mesmo não querendo eu entendo. – ela sorriu de forma doce para ele – mas pelo menos agora já nos conhecemos. – suas mãos continuavam entrelaçadas.
- Promete que vai me esperar? – ele segurou em seu rosto com uma expressão de dor – me espere, eu volto para matarmos todas as curiosidades e a saudade que eu já sinto de você.
- Prometo sim te esperar. E tome cuidado, piloto. – fez uma continência de brincadeira para ele que sorriu abertamente para ela. – fico essa semana aqui em Veneza, mas chegando a Londres eu te aviso. Enquanto isso, você sabe meu número.
- Eu vou contar os minutos – ele levantou-se novamente sempre segurando em sua mão. Só naquele momento se dando conta de que seu amigo Andrew ainda estava em pé do seu lado. Puxou-a para um curto beijo, apenas para não esquecer seu gosto doce de pecado – eu tenho que ir, eu te ligo. – ele disse somente para que ela ouvisse.
- Eu sei – mais um selinho rápido – a gente se vê então. – ela levantou-se e foi embora, enquanto que ele ficou olhando seu requebrado até perdê-la de vista.
Olhando para baixo ele notou um papel. Pegou e ficou observando as duas figuras risonhas que estava no pedaço de papel, que era na verdade uma foto. Como o mundo era mesmo pequeno, ele pensou antes de guardar a foto no bolso do casaco e seguir por entre as pessoas com seu amigo em seu encalço.
- Então essa é a razão de todo esse atraso e estresse? Pelo menos eu te entendo agora meu amigo. Um mulherão desses até eu ia ficar assim com a cara de besta que você está, aposto que ela não sabe com que tipo de louco está se metendo... – ele soltou uma gargalhada e não disse nada para seu amigo e parceiro. Seguiram em silencio até o local onde entrariam para o avião. Não era preciso palavras para saber que ele já estava doido por aquela mulher...maluco de paixão para ser mais exato.
Depois de sair do aeroporto e o ar bater em rosto foi que ela se deu conta, ele era lindo, perfeito, beijava hiper bem e ainda queria que ela o esperasse. Seu corpo todo ainda estava ardendo de desejo por aquele desconhecido de olhos verdes. Ainda meio aérea pelos últimos acontecimentos, avistou o taxista não muito longe dali. Sem saber direito como agir, apagou as mensagens do aparelho e estendeu para que ele o pegasse.
- Er... obrigada? – saiu mais como uma pergunta do que um agradecimento. Ele apenas revirou os olhos e abriu a porta para que ela entrasse. Pelo menos ele havia lhe esperado mesmo.
Com um sorriso bobo no rosto, ela nem reclamou quando pararam na porta do hotel, e ele lhe cobrou por todos os minutos que ficou esperando do lado de fora do aeroporto. E deve ter cobrado também pelo uso do celular. Mas quem liga para isso, sabendo que foi por uma boa causa, e que apesar de tudo valeu muito a pena?
Decidida a terminar logo essa viagem de trabalho, ela entrou em seu quarto no imenso e luxuoso hotel, e foi direto para o banho. Teria que colocar seu celular para carregar o mais rápido possível, e dormir, afinal seu dia havia sido tenso e cheio de emoções. Quanto mais rápido ela fizesse as compras e as trocas de peças para a galeria, mais rápido ela votaria par casa, e para ele.
Com esses pensamentos, entrou na imensa banheira que já estava transbordando de espuma. Relaxou o máximo que pode e foi comer alguma coisa antes de se enfiar embaixo das cobertas. Digitou ainda uma mensagem para seu querido. Sabia que ele não iria ler agora, mas o que valia era a intenção. Comeu um sanduíche, um suco e se deitou. Que homem, ela pensou, que homem.
From: Anthony.
February 12 – 12:15 am.
Adorei te conhecer. Não tenho palavras para descrever a felicidade que estou sentindo nesse momento. Sei que posso estar me precipitando. Mas parece que te conheço já há muito tempo. Espero que você chegue bem a seu destino, e que possamos continuar de onde paramos muito em breve. Muitos Beijos molhados para você Anthony...
