Parte 3
Lentamente Veck acorda de baixo de uma grande arvore coberta de neve. Olhou confuso para todos os lados. Notando um conhecido odiado e querido lugar.
"— Even!? " – pronúncia Veck, levantando-se "— Como vim parar aqui...? "
Olhou mais atentamente em volta, estranhando tudo, olhou novamente para arvore na qual há instantes atrás estava dormindo confortavelmente em suas raízes. Era a mesma que usava para descansar, depois de um treino pesado com seu Mestre.
"— Foi um sonho...? "
Andou mais pelo lugar, estranhando-o, apesar de conhece-lo extremamente bem. O clima frio. A branquidão do lugar. As pessoas que o olhavam de forma estranha, por causa de seu Mestre.
"— Vectorius! Vectorius, que bom que achei você! " – a voz feminina que veio de trás de Veck era doce e muito suave.
Veck se vira espantado, reconhecendo muito bem a doce voz que ouvira vinda atrás de si. Ao se virar é abraçado pelo pescoço por uma garota belíssima, de cabelos longos e ondulados de coloração loira.
Os olhos cor de mel brilhavam com o pouco sol que possuía aquele reino, em perfeita harmonia com seu rosto delicado. Esta estava a usar um vestido muito longo de coloração violeta e um casaco branco com capuz feito de pele de animais.
"— Luc...Lucy!? " – falou Veck extremamente espantado, afastando gentilmente a garota.
"— Credo Vectorius... Por que você está tão assustado? "
"— Lucy...? " – sussurra Veck, ainda confuso, olhando fixamente a garota a sua frente.
"— Eu estava te procurando... "
"— ... "
"— Vectorius você está estranho... o Senhor Shisue andou exagerando no treino novamente? " – pergunta a garota, dando um angelical sorriso para Veck.
Veck olha admirado aquele sorriso. Era lindo. Mas algo dentro de si fazia lembrar outra pessoa... Mas não conseguia lembrar-se direito quem era.
" Com quem este sorriso parece...? " – pensou Veck, ainda vislumbrado com o sorriso de Lucy "— O sonho! " – falou em seguida.
"— Sonho? " – perguntou confusa a garota.
Lentamente fleches de memória cruzavam a mente de Veck. Lembrava-se de quem mais possuía um sorriso tão lindo quanto o de Lucy. Cain. Mas...
Teria tudo sido um pesadelo?
Antes poderia até ter dito que era um 'pesadelo', mas apesar do tempo ter sido curto, Cain transformou este em um doce sonho.
Mas então tudo agora era uma ilusão?
Olhou mais atentamente para a garota a sua frente. Em seu sonho, esta estava morta. E a dor desta perda, principalmente pela forma a qual ela foi tirada de sua vida, o torturavam sempre.
Acariciou os cabelos belamente ondulados desta, com uma delicadeza extrema, com medo de que o sonho se tornasse realidade e que tudo o que via agora não passasse de uma miragem.
Mais fleches de memórias do sonho vinham as mente. Parecia tudo tão real que estava já estava com o coração doendo, tanta a dor e tristeza que aquele sonho passava. Talvez seja mesmo um pesadelo...
"— Vectorius...? " – chamou a garota, preocupada.
Parecia tão real... Tudo era tão real... Que fazia o que estava vendo agora parecer uma utopia.
Lembrou-se que no sonho, ou pesadelo, era um vampiro com mais de trezentos anos. Instintivamente levou sua língua aos seus caninos, querendo constatar se eram realmente levemente pontudos, como os de um vampiro.
Nada, eram dentes normais.
Mas algo em seu coração dizia que aquela garota a sua frente era apenas uma ilusão. Já estava começando a acreditar em seu sonho, e se fosse como este, a garota a sua frente não poderia estar viva.
"— Vectorius... O que houve? " – perguntou esta, passando levemente a mão na face de Veck.
"— Lucy... " – sua voz saiu tremula, pelo medo de que o que estava acontecendo agora fosse a real ilusão "— Em que ano estamos...? " – perguntou, tentando achar uma resposta para tudo o que estava acontecendo.
A resposta da garota só deixou Veck mais confuso, mas era a resposta certa e já estava preparado para ela. De acordo com seu sonho, era a data que ainda era apenas um humano estudante de magia.
Fechou os olhos, ignorando a garota a sua frente que estava ficando preocupada pelo seu silencio. Um sorriso lhe veio a mente, e não era o da garota, mas sim o de Cain. Ele era real, seu único e real amigo.
" Eu ainda devo estar na Floresta das Ilusões... " – pensou, clareando as idéias e colocando-as no lugar "— Mas tudo é tão real... " – pronunciou baixamente em seguida.
Seus olhos ardiam e não pode controlar suas lagrimas. Chorou. Abrindo lentamente os olhos, lotado de lagrimas, fitando a garota à frente. Ela realmente estava morta.
"— O que foi? " – a pergunta veio suave da garota.
Veck, agora já notando a verdade, olhava triste para esta. Tudo o que estava vendo, ouvindo, sentindo, não passavam de lembranças suas que foram modificadas por algum encantamento da floresta no qual estava. Tudo não passava uma lembrança, a lembrança de seu doce anjo.
A garota parecia realmente preocupada, não agüentava vê-lo desse jeito. Então singelamente removeu as lagrimas que teimavam em descer pelo rosto, aproximando-se lentamente mais dele, dando-lhe um suave beijo em seus lábios.
Veck arrepiou-se todo. Era extremamente real o que sentia... O calor daquela boca, que em anos nuca sentira outra igual. Mas sabia que isso era por que nunca poderia esquecer destes lábios, em contato aos seus. Da doce lembrança de seus beijos.
Doces e calmos, mas sempre o mexiam por dentro. Realmente a amava. Sempre a amou e ainda até hoje a ama. Não importava o quanto tempo passasse, ou quantas tinha em sua cama, trocaria tudo para ter novamente a dona daqueles lábios doces e quentes para si.
" Até aonde essa lembrança vai? " – pensou Veck, após a garota afastar-se delicadamente dele, levemente corada, sorrindo de forma meiga " Talvez eu possa aproveitar, matar a saudade... Antes de voltar para a fria realidade. "
A garota da um lindo e puro sorriso para Veck, por um momento lembrou-se de Cain. Devia estar procurando por este, quem sabe poderia estar em perigo. Mas sabia que este podia se cuidar por uns tempos sozinho, enquanto desfrutava de suas lembranças.
"— Vectorius, vamos ao-COF, COF! Eu-COF, COF, COF!!... " – a garota tenta falar, mas não consegue pois começa a tossir desesperadamente.
Estava em uma crise respiratória , não podia quase respirar, já estava ficando tonta. Suas pernas falharam, e só não foi ao chão por que Veck a amparou, enlaçando sua cintura fina e bem modelada com o braço direito para que não caísse.
A garota ainda tossia com a cabeça apoiada no peito de Veck, este passava a sua outra mão nas costas em uma suave caricia a fim de acalmar sua crise. Com um pouco mais de tempo as tosses diminuem, e a garota se acalma, buscando proteção em um abraço apertado em Veck.
"— Estais bem? " – perguntou Veck, não ligando mais se era real ou não.
"— Estou... " – a vos de Lucy saiu tremula e baixa.
"— Vamos para sua casa... Você não devia ter saído de lá, precisa de repouso. "
"— Eu não agüento mais passar minha vida toda naquele quarto... " – falou meio deprimida, abraçando Veck mais forte.
"— Mas você sabe que eu sempre estarei ao seu lado. "
Ao terminar sua frase, lembrou-se da realidade. Já estava esquecendo que tudo não passava de lembranças... Suas mais doces e preciosas lembranças.
Lentamente os dois se separam e andam calmamente para a casa de Lucy.
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Cain olhava atentamente no espelho, no qual não refletia sua imagem mas sim as lembranças de seu amigo. Estava um pouco espantado em como este tratava a garota que via de uma forma tão afetuosa, tão diferente da forma na qual tratava Luna. Estava gentil e delicado. Mas notou também os olhares de indiferença que o povo daquele reino lançavam para ele.
" Veck... " – pensou Cain
"— Não fique com ciúmes humano. " – falou sarcasticamente a garota cujo segurava o espelho.
"— Ciúmes!? De que? "
"— Hahahah! Vocês dois são realmente engraçados. "
"— Como...? "
"— Esqueça. "
"— Mas... Ele está bem? " – perguntou preocupado.
"— Calma... O seu 'amigo' não está sofrendo " – ironizou.
Cain então se acalmou um pouco, voltando a prestar a atenção ao espelho. Em um misto de curiosidade e medo por saber o passado de seu amigo.
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Veck já estava na casa de Lucy, subindo com esta uma enorme escadaria que dava ao terceiro andar. Era uma casa enorme, toda branca mas possuía vários vasos de flores de todos os tipos e cores, impregnando a casa com varias fragrâncias. Lembrava-se de tudo, afinal nunca conseguira realmente esquecer.
Chegaram ao quarto, Veck abriu lentamente a porta deste, trazendo consigo delicadamente a garota.
"— Lucy deite-se, eu vou abrir um pouco as cortinas. "
O quarto para Veck era um tanto nostálgico. Era todo branco, assim como a casa, mas possuíam vários detalhes como tapetes, cortinas, lençóis e fronhas na cor violeta. Na qual lembrava perfeitamente ser a cor favorita dela.
"— Vectorius não precisa se preocupar... Eu estou bem. " – falou Lucy, já deitava na cama "— Você sabe que isto é normal. "
"— Sei... "
Sabia muito bem da doença grave que Lucy possuía, e que não tinha cura. Esta foi a razão principal para se submeter a qualquer coisa que o insano de seu Mestre pedira. Tudo para tentar salvar sua amada, mas sem esta saber do sacrifício que estava fazendo.
"— Já não está na hora de você ir estudar? O senhor Shisue deve estar lhe esperando. " – comentou a garota, ajeitando-se melhor na cama, de um modo que ficou parcialmente sentada nesta.
" Meu Mestre... Talvez nesta época ele não esteja tão louco... " – pensou Veck, rumando para a porta.
"— Você está estranho hoje... Vai sair sem ao menos se despedir de mim? "
"— Desculpe Lucy, é que eu estou com muitas coisas na cabeça... "
"— Não se esforce muito nos treinamentos. " – comentou sorrindo.
Veck caminhou, quase como encantado pelo sorriso de Lucy, sentou-se na beirada da cama desta. Suavemente passou sua mão na face da garota, esta sorriu mais lindamente ainda. Eram iguais, não sabia como, mas os sorrisos de ambos Lucy e Cain eram os mesmos. Até nos jeito que se preocupa mais com os outros do que com si próprio.
"— Pena que nada do que eu fiz deu certo... " – pronunciou Veck, retirando a mão da face da garota.
"— Como? "
Isto que estava vendo era apenas um sonho, e tal como um não poderia modificar nada. Nada do que fizesse para tentar salvar sua amada valeria a pena. Nada adiantaria. Nada, simplesmente nada.
Mas algo poderia modificar, não neste sonho, mas sim na realidade. Ainda poderia salvar uma pessoa, algo que não conseguiu fazer quando era mais jovem. Mas agora já tinha poder e experiência o suficiente para salvar Cain.
" Este sonho precisa acabar... Tem alguém que precisa de mim agora, e não é esta ilusão a minha frente. " – pensou Veck levantando-se, decidido a por de alguma forma um fim a tudo.
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"— O Veck parece estar sofrendo... " – fala baio Cain, preocupado pelo amigo.
"— Esta assim, por que decidiu que a realidade é mais importante de que suas lembranças... De que você é mais importante que ela... "
"— Pare com isso agora! Liberte o Veck. " – ordenou Cain.
"— Não se preocupe humano tolo... Nada de mal acontecerá com o vampiro."
"— Mas... Ele está sofrendo... "
"— Mas nos estamos nos divertindo... " – comentou a garota, olhando para as arvores ao redor.
"— Liberte-o... " – pediu.
"— Mas a culpa foi sua... Por sua ingenuidade o vampiro caiu em nossa armadilha "
"— ...! "
Cain fica mudo, afinal realmente fora o culpado pela armadilha no qual os dois se encontravam. Sentia-se responsável por tudo o que estava acontecendo a Veck, e realmente de uma certa forma, era.
"— Você parece realmente se importar com ele... " – comenta a garota.
"— Sim. "
"— Certo... Te dou duas escolhas. Pode ficar aqui vendo mais sobre o passado do vampiro, ou ir procura-lo pela floresta. "
"— Se eu encontra-lo, tem algum jeito de faze-lo açodar? "
"— Tem vários jeitos... Mas você tem certeza que não está curioso sobre o passado dele? "
"— Não mentir dizendo que não estou curioso... Mas não posso deixa-lo livrar-se dessa ilusão sozinho, já que a culpa principalmente minha. "
"— Que ato nobre, vejo que gosta muito dele. " – ironizou.
"— ...Podemos ter nos conhecido a pouco tempo... Mas sei que posso confiar nele... Ele... Ele é meu primeiro amigo de verdade. "
"— Interessante... "
A garota fechou sos olhos, como se estivesse a refletir sobre tudo. Já haviam brincado demais com os dois, e já estava na hora de liberta-los. Talvez uma ultima brincadeira, para ver no que poderia acontecer...
"— Você conhece a lenda antiga... A do beijo da princesa pura? " – comenta a garota.
"— Só ouvi falar... "
"— Talvez isto o acorde. "
"— Mas aonde eu vou arranjar uma princesa nesta floresta...? " – perguntou Cain, não entendendo aonde a garota queria chegar.
"— VOCÊ é um príncipe! " – lembrou a garota.
"— Mas não sou mulher! Não vou beijar outro homem. " – esperneou cain.
"— Bem... Existem outros modos, mas só lhe contarei este. " – avisa a garota, rindo logo em seguida.
"— Maldita... "
"— Tem algo que eu esqueci de comentar... " – pausou, olhando para o céu "— Agora que ele quer se livrar das ilusões, a garota em seu sonho vai fazer de tudo para prende-lo neste. E se isto acontecer, ele nunca mais acordara. "
"— COMO!? " – quase gritou Cain, levantando-se, olhando a garota de forma espantada "— Possuem outros modos de acorda-lo... Não é? " – perguntou, com a voz tremula.
"— Sim... Vários, mas duvido que os encontre antes do tempo acabar. "
"— Poderia ao menos me informar em que direção ele esta? " – pergunta, já rumando para seu cavalo.
"— Nossa... Que apresado. "
"— Me diga! " – ordenou.
A garota sorriu, vendo Cain de uma certa forma alterado. Singelamente apontou para um canto da floresta.
Cain não pensou duas vezes, cavalgou a toda velocidade para o local aonde a garota tinha apontado. Não ligando em receber em seu corpo os pingos daquela chuva, que pareciam navalhas de tão rápido que estava indo.
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"— Malditas ilusões.. " – comentou Veck, saindo da casa da garota.
"— Por que...? " – de repente, Lucy aparece a sua frente, e tudo a sua volta se modifica, aparentando estar no quarto da garota novamente "— Este era seu desejo..."
"— Meu desejo? " – pergunta Veck confuso, notando que talvez não fosse tão fácil sair deste sonho sem alguma ajuda.
"— Sim... Sempre quis que eu estivesse viva... Ainda sonha comigo, ainda espera ansioso que de alguma forma eu reencarne. " – comenta a garota, aproximando-se de Veck "— Ainda se culpa pela forma que eu morri... Pelo jeito que VOCÊ me matou. "
"— Não! " – grita Veck desesperado "— Foi um erro! Foi culpa do meu Mestre... "
"— Sim, foi um erro... Mas este erro foi causado por você, e isto custou a minha vida! "
Isto era o que Veck mais teria no mundo... Lembra-se detalhadamente a forma como sua amada morreu. Suas pernas estavam tremendo. Foi ao chão, não conseguindo mais se controlar.
"— Isso, sofra. Não há ninguém na no mundo real que se importa com você. " – comentou a garota, aproximando-se mais "— Fique comigo, nesta doce ilusão, nesta sua utopia. "
"— Ninguém...? " – sussurrou Veck.
"— Sim... Você sabe que a única pessoa na qual te amou, na qual importou verdadeiramente com você, foi eu. " – falou a garota ajoelhando-se na frente de Veck.
"— Lucy... "
"— Esta é a realidade... O que você pensa ser real é apenas um sonho... "
"— Sim... "
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"— Achei! " – gritou Cain, ao avistar de longe, Veck deitado entre as raízes de uma grande arvore.
Ao se aproximar mais, desceu rapidamente de seu cavalo, não desviando o olhar de Veck. Sua expressão era de dor, algo em seu sonho o devia estar causando tal expressão. Aproximou-se mais, ajoelhando-se ao lado de Veck.
"— Veck... Acorde... Por favor... " – pediu, com pequenas lagrimas nos olhos.
Tocou-lhe lentamente o rosto, passando sua mão de forma delicada por este. Com medo de fazer algo de errado. Pensava em como acordar seu amigo...
"— Não vou usar aquele método daquela garota louca. " – sussurrou para si "— Como faço então para te acordar...? "
Em um ato de desespero, começou a sacudir Veck, tentando acorda-lo. Mas nada.
"— Eu preciso de você... " – desabafou, com mais lagrimas nos olhos.
Após sacudir Veck desesperadamente Cain sente a energia da sua espada aumentar na sua mente a voz do espírito da espada ecoar.
"— Cain me use, deixe que eu acordo este vampirinho... " – a voz soara em sua mente.
Quase que involuntariamente Cain segura a espada com as duas mãos e a crava na mão direita de Veck.
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Neste momento, dentro dos sonhos do veck todas as ilusões se dissipam e este se pergunta o que esta acontecendo. Ele vê ao longe a figura de Yami em pé com uma aura negra em volta.
"— Até quando você pretende dormir? Meu hospedeiro ainda precisa de você. Acorde logo, antes que eu acabe corrompendo seu próprio corpo. " – falou este apontando o dedo na direção de Veck.
Neste momento Yami cria uma bola de energia negra em sua mão esquerda. Que parecia sugar toda a luz do ambiente, deixando apenas trevas. Este olha para o vampiro com indiferença.
"— Você tem apenas o tempo dessa bola absorver tudo inclusive você, para despertar deste sonho, caso não consiga, estará provado que você não é útil ao meu hospedeiro " – neste momento Yami sorri malignamente "— E sua alma será destroçada aqui mesmo! "
"— Você... Quem é você? " – pergunta Veck, não entendendo o que estava acontecendo.
"— Tsk... Parece que eu superestimei você demais... É apenas um vampirinho cujo tem medo da realidade. "
"— Me deixe em paz... Ela, por ela eu fiz tudo... Mas ao mesmo tempo não consegui fazer nada. "
"— Deixe de viadagem! Se ela está morta, ache outra para ficar em seu lugar. " – ironiza Yami.
"— Não... Ela é única... A única na qual eu verdadeiramente amei. Mesmo estando morta, eu ainda a amo. Mesmo que ela nunca me desculpe por tê-la matado, eu ainda a amo. "
"— Que papo mais sentimentalista... " – comentou, rindo em seguida "— Bem... isto já não me intereça mais. Pelo meu hospedeiro, eu tentei te ajudar. Não pense besteiras depois... "
"— Hospedeiro...? "
"— Cain... Aquele ingênuo... "
"— Cain...? Este nome... Me é familiar... "
"— Aff! Aturar gente sem memória é um porre! " – comenta Yami "— Já o ajudei, agora cabe a você decidir se fica nesta ilusão ou se volta a realidade. "
"— Mas ela disse que esta é a realidade. "
"— Decida-se em quem vai acreditar... Se é no garoto cujo deve estar chorando neste momento ou se é nesta garota que é uma miragem. "
"— Chorando? Alguém está chorando... Por mim? "
"— Acorde e descubra se o que estou falando é verdade ou não... " – Fala Yami, com sua imagem começando a desaparecer "— Não se esqueça... Tem apenas o tempo desta esfera absorver tudo ao redor... "
Em um piscar de olhos, Veck se vê sozinho, em um lugar distorcido que aos poucos era absorvido pela esfera flutuando a sua frente.
No que acreditar?
Qual era a realidade?
Duvidas e mais duvidas. Veck ficava pensando em tudo, mas algo bloqueava suas memórias. A bola de energia negra a sua frente a cada instante ficava maior.
"— Lucy... Cain... "
Então sentiu algo quente em seu rosto, pareciam gotas de chuva, mas logo percebeu que se tratavam de lagrimas, quentes e delicadas. Alguém devia estar realmente chorando por ele. Olhou para cima, contatando apenas uma imensa escuridão, no qual misteriosamente lagrimas apareciam e pingavam em seu rosto.
Fechou os olhos por um instante, deixando-se aquecer por estas lagrimas. Mas foi então que algo estranho aconteceu. Um calor gostoso apoderou-se de seus lábios. Parecia um beijo de Lucy, mas era completamente diferente. Quem teria lábios mais ardentes, mas de uma forma extremamente delicada que ela?
Quem?
Precisava saber, talvez seria o fim de todos os lamentos, de todas as lamurias, de todos os sofrimentos. Talvez devesse acordar para saber quem lhe dera este beijo...
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Cain lentamente se afasta de Veck, extremamente vermelho pelo ato que acabara de fazer. Instintivamente leva sua mão a boca, passando levemente seus dedos nos lábios.
O que acabara de fazer era um absurdo, principalmente por ser um príncipe. Mas não agüentava mais vê-lo naquele estado. As lagrimas desciam pelo seu rosto abundantemente, e não parava agora de ficar os lábios do amigo.
"— Veck... Acorde... " – pediu com a voz tremula por causa do choro.
A mão de Veck na qual foi cravada a sua espada, já estava regenerada, graças ao poder de cura que os vampiros possuíam. Apesar de que o sangue que saiu desta, ainda estar lá.
"— Ca-in... " – sussurrou Veck, lentamente abrindo os olhos.
Cain alegrasse todo, abrindo um enorme sorriso e abraçando o amigo. Se ninguém soubesse do ato que acabara de fazer, principalmente Veck, tudo poderia correr normalmente de novo.
"— Que bom! Que bom que acordou! " – fala sorridente Cain.
" Acordei...? O que me fez acordar...? " – pensa Veck.
"— Eu estava realmente preocupado.... " – comenta Cain, afastando-se um pouco de Veck.
"— Você...? Como você me acordou? " – pergunta Veck, retirando do seu rosto pequenas lagrimas do Cain " Lagrimas... " – pensou em seguida, fitando sua mão, úmida por estas.
"— Bem... " – o rosto de Cain fica absurdamente vermelho "— Errrr... Bem... Eu... "
Veck olha Cain agindo de forma estranha, e extremamente corado. Mas não sabia o que realmente tinha acontecido. Lembrava-se apenas das lágrimas em seu rosto... Da escuridão do lugar...
"— Eu... Eu... " – Cain ainda tentava achar uma resposta para disfarçar o que tinha feito "— Algo dento de mim, tomou o controle do meu corpo, e quando notei, já tinha cravado minha espada em sua mão direita... Desculpe. " – falou, o que de certa forma não era mentira.
"— Mão direita...? " – instintivamente Veck olha para sua mão, vendo nesta uma pequena poça de sangue "— Então foi isto que me acordou.... "
"— Sim... Só isso. " – responde ainda vermelho.
"— Obrigado. " – fala Veck abraçando Cain "— Você me tirou daquilo... Obrigado, muito obrigado. "
Cain nuca tivera reparado, mas o corpo de Veck possuía um calor bom. Por um instante pensou em ficar assim para sempre com este. Mas logo se recuperou, afastando Veck de si.
"— É melhor irmos... " – comenta Cain.
"— Sim... É bom sair desta floresta o quanto antes, e achar um bom lugar para acampar... "
Lentamente ambos se levantam. Veck olha melhor para si, estava todo molhado por causa da chuva que finalmente parecia que tinha acabado, assim como Cain. Rapidamente ressuscita seu cavalo e os dois partem do lugar. Rumando em direção a saída daquela maldita floresta.
Mas apesar de aparentemente nada ter mudado, tudo dentro de ambos haviam se modificado de maneiras absurdas. Pois tudo muda, exceto a certeza de que as coisas mudam.
CONTINUA...
9/12/08
Nota da autora:
Cap pequeno... Eu sei... ( Ç.Ç )
È que a parte que estava em meu caderno só deu isso ( XD )
Se eu não a atualizasse assim, poderia ser capaz de demorar bastante tempo, como a ultima atualização.
Neste Cap, deu pra ter uma pequena idéia do passado do Veck, espero que tenham gostado. Mas acho que ainda vai chegar um dia no qual Veck ira contar todo seu passado a Cain.
Originalmente o Prison Magic era apenas um script de um jogo que eu iria fazer no 'RPG Maker'... Mas eu descrevi as coisas demais, me empolguei na historia e acabei deixando um pouco de lado esta parte.
Mas agora, com mais tempo no PC ( tempo para usar o PC é diferente de tempo para fazer Fics... Ç.Ç ) Eu voltei ao projeto original, fazendo a historia no 'RPG Maker', não sei se farei ela toda ( principalmente pelo tamanho enorme que esta historia está tendo ) mas me esforçarei ( XD )
Depois que estiver concluída, postarei no orkut para as pessoas que quiserem jogar. Bem... Acho que já falei demais ( XD )
Agradecimentos:
Nesta historia original minha, eu realmente tenho que agradecer a quem me incentiva, não importando a forma na qual faz isso.
Muitas vezes já pensei em desistir de escreve-la, mas graças aos Reviews pude seguir em frente com esta historia.
By: Toynako
