Algumas horas de discussão depois...

"4.600 soldados... e quanto homens estão em idade de alistamento?"

"Bom, sem contar os que estão na construção do templo e nas plantações, basicamente 1.200, que já estão sendo convocados e iniciarão o treinamento imediatamente, minha rainha." - informou-lhe um preocupado Shinomut.

"Isso não é bom..." - Hinatschepsut caminhava até a grande mesa de pedra, para ver os mapas dispostos pelo oficial - "Se nos atacarem, virão com exércitos em larga escala... sozinhos, não poderemos suportar tamanho confronto! Preciso pensar..." - e olhou para uma grande estátua de Kami-Rá, o deus sol.

"Estamos bem no meio deles. Se chegarem a uma aliança, atacarão nestas direções (apontando alguns lugares no mapa) e ao mesmo tempo. Nos forçarão a dividir as campanhas e... não resistiremos..." - Nejitmés concluía, observando a irmã.

"Sim... mas... talvez também tenhamos que fazer uma certa aliança... 'ele' pode nos ajudar!"

"Acha que 'ele' atenderá ao seu chamado?" - duvidou seu irmão.

"Atenderá por Kami-Rá. Ser filha de um deus tem inúmeras vantagens. Embora eu quisesse que fosse por outros motivos..." - suspirou desanimada. - "Shinomut, prepare o melhor exército que Tebas já teve, desde os anos de Hiashimés I! Peço aos deuses que nos apartem dessa guerra mas... se nossos inimigos a querem... eles terão!"

O oficial se retirou, deixando Kibseneb. O sumo-sacerdote aconselhou que se fizesse um festival homenageando o sol. Shikamerut avisou que, em cinco dias, o tempo estaria perfeito e se manteria por assim por três. Com a aprovação da rainha, Kibseneb também se retirou, a fim de começar os preparativos. Os festivais ao deus sol eram complexos e demandavam dedicação total.

"Shikamerut... nunca duvidei de seus prenúncios mas... gostaria que 'este' estivesse errado..." - olhava-o tristemente, a rainha.

"Bem... eu disse que haverá muito sofrimento... mas nem as estrelas, nem as nuvens predisseram a sua derrota..." - um discreto sorriso foi lançado à rainha, que demorou alguns segundos para 'captar' a mensagem. Dito isso, o astrônomo saiu, deixando Nejitmés intrigado. Ao olhar para sua irmã, viu uma nova expressão. Um misto de esperança e coragem se faziam presentes num sorriso recém formado. Assim, ele a ouviu profetizar:

"Neste festival... confirmaremos a nossa vitória!" - a rainha fez sinal para que um mensageiro entrasse (havia sempre alguém pronto à atendê-la) e deu-lhe breves instruções. Tão logo recebidas, o mensageiro se pôs a caminho o mais rápido possível.

"Quais são seus planos? Você sabe o que a tradição manda. Se pensa em 'mais' do que uma aliança política, esqueça! Não permitirão que o poder saia da família. E é sua obrigação fortalecê-lo."

"Tradições podem ser quebradas. Em todo o Egito, eu sou a única com poder para isso... sou a rainha! Se não gostarem, veremos o que acontece..." - assunto encerrado, recolheu-se em seus aposentos e lá permaneceu. Mas, seus pensamentos estavam muito longe...

...

Haviam se passado oito anos, desde que o vira pela última vez. Ainda muito jovens, eram amigos inseparáveis. Incomum naquela época, o filho de Fugahotep, melhor amigo de seu pai, sempre era visto acompanhando a princesa Hinatschepsut e seu irmão Nejitmés. Houve quem dissesse que ele reinaria ao lado da princesa, mas as tradições impostas há vários séculos, eliminavam qualquer possibilidade de tal fato se consolidar. Os sacerdotes, ocultos ao Faraó Hiashimés I, planejaram e executaram o afastamento de Fugahotep e seu filho Sasumoukhe, para uma terra longínqua, além do Mar Mediterrâneo. Incontáveis expedições foram enviadas pelo Faraó, em buscas incertas do paradeiro de seu melhor amigo e seu filho, sendo as últimas com palpável desesperança...
Hiashimés sofria a perda do amigo, mas sofrimento maior, era ver a filha chorar. Pensando ser pela amizade findada, afinal, a filha tinha apenas onze anos, não imaginava o real motivo de tamanha tristeza...

...

Hoje, aos dezenove anos, ainda lembrava das palavras de Sasumoukhe, descrevendo o próprio futuro: se tornaria um grande guerreiro, teria o seu próprio exército e levantaria o reino mais próspero de sua era.
Há dois anos, recebera a notícia de que um novo rei se levantara, nas terras da Grécia. Enviando pesquisadores (para não dizer espiões), descobriu ser Sasumoukhe. Indescritível era a felicidade que inundava o seu coração, que ainda guardava um resquício de esperança. Seu irmão, Nejitmés, que há muito o dera como morto, não acreditou e enviou mensageiros com tratados de paz, visando uma confirmação sobre sua identidade. Tão logo a recebera, a rainha decidiu ir até ele, mas foi impedida pelos ministros e sacerdotes, pois seu pai encontrava-se muito doente, já à beira da morte. Viagem adiada, os anos passaram e tudo o que pôde fazer foi solidificar uma excelente relação diplomática com o rei Sasumoukhe, mesmo que à distância...
Há poucos meses, uma rota comercial foi aberta entre os reinos, estreitando os laços. Analisando a situação, até que não era tão ruim... finalmente o encontraria...

...ººº...ººº...

continua...


Personagens:

Fugaku: Fugahotep

Sasuke: Sasumoukhe


Gostando? Que bom!! \o/\o/\o/

Já deu pra perceber que é uma SasuHina, né? :D Casal diferente mas, o que acontece quando os dois clãs mais fortes se unem?? É só ler pra saber... XD

Beijos... o/