.:: Blood Lust ::.
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Lucien, Jéssica Belmonte e Diana Rossini são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Capitulo 3: Lucien.
.I.
Fitou-a atentamente, enquanto assistiam ao filme, ela ainda continuava entre seus braços, mas parecia alheia ao resto do mundo e suas atenções eram apenas para na tela a sua frente.
Jamais pensou que iriam terminar a noite daquele jeito, mas ainda sentia o ego levemente arranhado com a esquiva da jovem depois daquele beijo. Em partes, Jéssica estava certa, saber a verdade não mudava em nada as coisas entre eles.
Se fossem alguns anos antes, talvez fizesse alguma diferença, mas agora... Não. Fechou os olhos por alguns segundos, sentindo a essência suave de "Egeu" invadir suas narinas de maneira embriagante, dando-lhe a oportunidade de matar a saudade do Mediterrâneo.
Era como se fosse tragado ao passado, novamente para tudo aquilo que acontecera. Numa época que prometera a si mesmo, jamais duvidar de lendas e folclore por mais absurdo que fossem.
-Me passa a pipoca; a jovem pediu, chamando-lhe a atenção.
Tateou o chão, em busca do pote sobre o tapete. Entregou a jovem, vendo-a colocar o mesmo sobre o colo e continuar a ver o filme. Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, lembrando-se das palavras dela há poucos instantes, quando a beijara.
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-É melhor pararmos antes que nos arrependamos depois; ela falou quase num sussurro, colocando as mãos sobre o peito do cavaleiro e empurrando-o levemente para longe de si.
-Mas...;
-Detesto traições; Jéssica sussurrou, tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos.
-Uhn?
-Pode ser diferente com você, mas jamais me perdoaria estar emocionalmente envolvida com alguém e beijar outra pessoa; a jovem falou com um fino sorriso nos lábios
-Mas você disse que...;
-Não estou me referindo a mim e sim, a você; ela falou se afastando. –Você ainda não me contou qual é seu nome?
-Porque o interesse? –Kanon perguntou curioso.
-Apenas curiosidade; Jéssica respondeu casualmente.
-Faria diferença? –ele indagou com um sorriso matreiro nos lábios.
-Não... Mas isso iria esclarecer muitas coisas, principalmente o motivo de você estar aqui e não no santuário; ela rebateu, vendo o semblante dele ficar carregado. –Touché; a jovem completou com um sorriso sádico nos lábios.
-Você é irritante; Kanon resmungou.
-Não parecia ser essa sua opinião há alguns segundos atrás, o que prova que você esta se acovardando; Jéssica continuou, sentando-se confortavelmente no chão da sala, em frente ao aparelho de DVD. –Espero que você tenha algum filme que preste aqui;
-Por quê? –ele perguntou confuso.
-Para passarmos o tempo, até você decidir abrir o jogo e falar de uma vez. Ou você acha que eu vou realmente me abster do direito de saber o que esta acontecendo? –Jéssica indagou, voltando-se para ele com os obres antes castanhos, levemente avermelhados agora.
-Façamos uma troca então; Kanon falou fitando-a atentamente.
-Parece justo, o que quer saber? –Jéssica perguntou casualmente.
-Se soubesse a verdade desde o começo, teria preferido o Saga? –o cavaleiro indagou, perguntando-se em pensamentos porque levantara essa questão justamente agora.
Estremeceu ao vê-la fitar-lhe diretamente os olhos, as íris castanhas tornaram-se ainda mais vermelhas como a lua cheia lá fora. Teve a impressão de ter-se tornando um livro aberto, pois via-se completamente refletido nos olhos dela.
-Porque não pergunta a Celina o que ela viu em você, que o Saga não tem; Jéssica rebateu com um sorriso nada inocente nos lábios.
-O que você fe-...;
-Agora é a sua vez, mas sou paciente e vou esperar você contar; a jovem completou voltando-se para o DVD e a estante onde continham algumas capas.
Sentou-se no sofá, observando-a atentamente. Como ela sabia? Alias, como ela poderia saber? Lembrava-se que muitas coisas haviam mudado naquela missão, mas não pensou que tanto assim. Entretanto, os olhos dela estavam diferentes, guardavam algo que não sabia explicar o que era, mas quem sabe até o fim daquela noite compreendesse.
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Afagou-lhe os cabelos vermelhos distraidamente, sentindo-a sonolenta aconchegar-se entre seus braços. Estava ganhando algum tempo, sabia que Jéssica iria querer saber os motivos que o levaram a ir a Dublin, mas não iria lhe pressionar até que decidisse falar, mas uma hora isso iria chegar.
Abaixou-se um pouco, apoiando o queixo sobre o ombro da jovem, ouvindo o leve ressonar. Pelo visto não era o único cansado ali; Kanon pensou, tencionando afastar-se para levá-la para o quarto, mas estancou ao notar algo sobre a curva do pescoço.
Afastou alguns fios vermelhos que caiam sobre o ombro e notou dois pequenos pontos sobre a jugular. Franziu o cenho, serrando os orbes perigosamente. Ela ainda tinha as mascaras, era uma pena aquele miserável não estar mais vivo, ou do contrario teria um imenso prazer em matá-lo de novo; o cavaleiro pensou, colocando-a sobre o tapete, antes de apoiar-se no chão, envolvendo-a entre os braços e suspendê-la.
Andou pelos corredores do apartamento, até chegar a um dos cômodos principais. Ainda se perguntava por que Alexia decidira que todos os apartamentos deveriam ser tão grandes, só o seu era quase do mesmo tamanho que o templo de Gêmeos. O que diria o último que pertencia a ela.
Colocou a jovem sobre a cama, colocando uma coberta sobre a mesma. Ouviu-a suspirar e encolher-se um pouco. A noite já estava esfriando, possivelmente já passava das duas da manhã; ele pensou abrindo dois botões do colarinho da camisa.
Afastou-se a passos silenciosos indo até o quarto ao lado, ocupado por si. Era melhor descansar um pouco e se preparar para o segundo round de perguntas que não seria nada fácil.
Jogou-se na cama, mal tirando os sapatos e a camisa, estava cansado, mas sem sono. Sentia novamente a mente voltada para as lembranças do passado. Aquelas que lhe foram fieis companheiras nos anos de exílio na prisão do Cabo.
Talvez as coisas pudessem ter sido diferentes se tivesse ouvido Saga naquele dia, ou quem sabe era para ser daquela forma. Entretanto, tinha ainda algumas coisas para perguntar e amanhã, colocariam tudo sobre pratos limpos.
.:: A História dentro da História – Pela Honra::.
Estava impaciente, nos últimos séculos jamais vira uma situação dessas, mas agora era diferente. Detestava aquelas tradições, céus, como detestava; Shion pensou vendo um rapaz com ar impertinente entrar na arena.
Quase todos estavam presentes para a sagração da nova geração, Ares a seu lado estava igualmente aborrecido, sabia que ninguém ali concordava com aquilo, mas não podia deixar de dar uma chance.
-Tomara que ele morra; Ares resmungou.
-Ares; Shion o repreendeu.
-Irmão, eu mesmo faria isso, você sabe; o cavaleiro de Altar falou com os orbes rosados quase num tom violeta brilhando de pura indignação. –Quem esse bastardo pensa que é?
-Não se preocupe Ares, logo isso vai acabar; uma voz tranqüila falou atrás deles. Viraram-se encontrando a amazona de cabelos negros e unhas tão afiadas quanto a lamina de uma navalha.
-Diana?
-Aconteceu alguma coisa? –Shion perguntou vendo o choque do irmão.
Todos sabiam que Diana estava em missão com o primo, devido a problemas familiares ambos haviam retornado a Florença e não tinham previsão de voltar tão cedo, mas justamente agora na sagração dos novos cavaleiros Diana estava de volta, porque seus instintos diziam que alguma coisa estava muito errada ali? –Shion se perguntou.
-Não, só estou curiosa com os boatos que tenho ouvido sobre o novo cavaleiro que tem a pretensão de suceder Abel; a amazona de Cobra falou num com calculado.
-Puff! Esta vendo, eu não sou o único; Ares falou em tom acusador para o irmão.
-Então é verdade? – Diana perguntou arqueando a sobrancelha por baixo da mascara. –Vai deixar mesmo esse bastardo concorrer à armadura de Leão?
-Não tenho muitas escolhas Diana; Shion respondeu.
-Tem, porque não espera Aioros retornar, ele já havia deixado claro que gostaria de treinar o irmão para Leão; Ares falou completando o raciocínio da jovem.
-Enquanto não houver um sucessor, não posso impedir um cavaleiro de clamar o direito de competir pela armadura livre; o Grande Mestre falou sério.
-Mas ele vai competir com quem? Com esse bando de franguinhos que mal se agüentam sobre as próprias pernas? –Diana vociferou, indicando alguns garotos que estavam num canto da arena, pensando na possibilidade de saírem vivos ao confrontar qualquer um dos ali presentes.
-Diana, essa decisão já foi tomada; Shion falou sério.
-Porque não espera só mais uma semana, Eraen volta semana que vem com Gêmeos e Sagitário; ela insistiu.
-De qualquer forma, Leão continuara livre; ele falou dando de ombros.
-O senhor disse que qualquer um pode clamar o direito de lutar pela armadura, mas parece disposto a dá-la de graça a Lucien; a amazona falou pausadamente. –Ele não treinou como nós, não têm a honra necessária para ser cavaleiro. Resumindo, não passa de um bastardo que comprou sua entrada aqui, por causa de seu falso sangue azul; Diana vociferou, referindo-se ao fato do cavaleiro ser pertencente a uma das mais importantes famílias gregas, que alguns parentes já haviam sido sagrados um dia, mas devido a sua pouca competência, por meios normais jamais seguiria o mesmo caminho.
-Velhas alianças não podem ser quebradas; Ares falou com pesar. –Se pudessem, eu já teria matado-o;
-Parem vocês dois; Shion falou irritado.
-Tudo bem, só queria a confirmação de que qualquer um pode lutar, por isso eu vim; Diana falou com um fino sorriso nos lábios. –Com licença;
-Não estou gostando disso; Shion falou vendo-a se afastar.
-Não sei o que Diana pretende, mas gostaria de ajudar; Ares comentou distraidamente.
-Ares; o irmão o repreendeu.
-Você sabe minha opinião, eu preferia esperar Eraen chegar; ele falou desgostoso quanto à situação.
-Sei; Shion provocou, acomodando-se em seu acento na arquibancada, esperando aquele show acabar.
-o-o-o-o-o-
Seguiu a passos rápidos com os três por uma entrada alternativa na arquibancada. Não deveriam estar ali, mas quando recebera a mensagem de que um cavaleiro queria disputar a armadura de ouro de Leão e destruía a concentração de seu pupilo, sua única alternativa era ir até lá e saber o que estava acontecendo pessoalmente.
-Mestra; Saga falou ofegando em meio à corrida. –Não deveríamos estar aqui, não é;
-Cala a boca; Kanon reclamou.
Finalmente, depois de seis anos de confinamento naquela ilha esquecida pelos deuses, voltar ao santuário era o paraíso, mesmo que ainda quisesse matar alguém por causa de não ser o sucessor a Gêmeos; ele pensou com ar sombrio.
-Já estamos chegando; Aioros falou embrenhando-se pelo bosque.
Encontraram a entrada para uma parte mais isolada dar arquibancada. Não sabia o que a mestra iria fazer, mas Eraen não deixaria qualquer um entrar para a ordem. Ela poderia ter seu próprio código, mas nada a impedia de se colocar no caminho de algum infame oportunista. O que era o caso.
-Aquele é o tal de Lucien; Kanon falou ao verem um rapaz de ar prepotente parado no meio da arena. Outros dez aspirantes estavam junto, mas tremiam, tomados pelo pânico. –Ratos covardes;
-Quem é ele? –Saga perguntou, voltando-se para Eraen.
-Alguém que não deveria estar aqui; ela falou observando atentamente o que iria acontecer.
-Ninguém pode impedi-lo de lutar pela armadura, mestra. É obvio que vai ganhar em cima daqueles coitados; Aioros falou aflito. Não queria que outro ficasse com aquela armadura, treinar um pupilo para Leão era a única forma de trazer o irmão para perto de si.
-Garotos, essa é uma boa hora para rezar por um milagre; ela falou séria, mal sabendo que isso estava longe de se realizar.
.III.
Acordou com o sol caindo sobre seus olhos, há muito tempo não dormia tão bem assim; a jovem de melenas vermelhas pensou remexendo-se na cama. Tinha até medo de saber o que Diana iria fazer consigo quando lhe encontrasse; ela pensou.
Há muito tempo quando deixara de vez o santuário, fora para Florença não queria voltar a viver em Londres, por isso buscara abrigo em uma de suas residências na cidade italiana, lá tinha uma vida tranqüila, onde teve tempo de estudar e aprender a viver como uma pessoa normal, embora o que acontecera no passado ainda lhe impedisse às vezes se andar completamente tranqüila.
Seis anos vivendo em Florença e quando pensava em migrar para outro país reencontrou Diana, que a pouco havia deixado o santuário, já que sua sucessora assumira sua posição.
Eram duas amazonas de temperamento forte e que gostavam da vida que levavam, sem depender de ninguém fisicamente, porque emocionalmente... Quando a encontrou, Diana não parecia à mesma que conhecera quando ainda era oficialmente uma amazona a serviço do santuário.
Ela parecia cansada, enfadada de tudo e isso tinha nove e signo especifico. Miguel de Capricórnio. A morte repentina do antigo guardião abalou toda a ordem, mas ainda mais ela. Eram poucos que sabiam a história que o casal vivera mesmo sob o ameaço de uma guerra e as responsabilidades do dever para com a deusa.
Diana jamais admitiu perdê-lo para o destino. Qualquer pessoa em seu lugar, também não admitiria e isso acabou por aproximá-las novamente. Como uma Rossini, Diana logo começou se interar das coisas na Coliseu, empresa atualmente comandada pelo primo mais velho, Giovanni Rossini. O 'Dom' do clã.
Naquela época tinha alguns negócios com a família e vez ou outra viajava para algum lugar por meio dessas ligações, a primeira viagem fora um momento de lembranças, onde conversaram sobre coisas do passado, que poderiam ter sido, mas jamais iriam voltar.
Quando decidiu deixar de vez Florença e começar uma viajem pelo mundo, estudando e expondo os quadros que recentemente começara a pintar, Diana decidira ir consigo, já que a idéia do modesto café em Floresça iria demorar um pouco para se concretizar.
Ela queria se acomodar na terra natal, mas não estava pronta para parar completamente, ainda sentia necessidade da adrenalina da vida antiga. Então, veio os acontecimentos em Londres e a constatação de que logo uma guerra iria começar entre deuses e cavaleiros novamente.
Suspirou cansada, finalmente aquilo iria acabar, mas tinha a sensação de que coisas inacabadas ainda iriam tirar a paz de muitos de seus confrades.
-Bom dia, bela adormecida; a voz do geminiano chegou a seus ouvidos chamando-lhe a atenção, fazendo-a se lembrar onde estava.
Virou-se na cama, acomodando-se entre os travesseiros, encontrando-o parado na porta, vestindo apenas uma calça de malhas como pijama, com uma bandeja nas mãos.
-Trouxe o café; ele falou se aproximando da cama.
-Bom dia; Jéssica respondeu sentando-se. -Não precisava ter se incomodado, poderia ir numa cafeteria;
-E perder a oportunidade de mostrar a você que sei pelo menos fazer uma torrada com manteiga decentemente; Kanon brincou, colocando a bandeja sobre o colo dela, que continha algumas frutas, café e outras coisinhas para beliscar.
-Obrigada; a jovem respondeu com um sorriso.
-E também, eu queria aproveitar para te perguntar uma coisa; ele falou entregando-lhe uma pequena leiteirinha, para misturar o leite ao café em sua xícara.
-Pensei que fosse minha vez de fazer as perguntas; Jéssica rebateu, abrindo um saquinho de adoçante que estava na bandeja.
-...; Kanon assentiu, passando a mão nervosamente pelos cabelos. –Eu sei, mas preciso perguntar;
-Vá em frente; ela falou dando de ombros, mexendo o conteúdo dentro da xícara com uma colherzinha prateada.
-Ontem seus olhos estavam vermelhos e eu sei que você leu meus pensamentos; o cavaleiro falou sério. Conhecia as técnicas dela e ler pensamentos não fazia parte, pelo menos não até anos atrás. –E também, as marcas ainda estão ai; ele falou indicando-lhe o pescoço.
-Elas nunca saíram daqui Kanon; Jéssica respondeu fitando-o intensamente.
Estremeceu ao vê-la esboçar um leve sorriso ao pousar os lábios na beira da xícara e os caninos brancos ficarem mais salientes que o comum. Piscou freneticamente, enquanto ela pousava a xícara sobre a bandeja. Não havia nada, será que estava vendo demais? –ele se perguntou. Poderia jurar que vira;
-Você sabe, existem algumas coisas que já fazem parte de nossa natureza; Jéssica falou calmamente, passando um pouco de geléia sobre uma torrada. –Coisas que não podemos fugir;
-...; Kanon assentiu silenciosamente.
-Tudo aquilo que aconteceu teve uma conseqüência; Jéssica continuou, afastando os cabelos vermelhos, deixando o colo amostra, porém foi sobre as marcas que os olhos dele pousaram. –E elas ainda existirem é só uma delas; ela completou pousando a ponta dos dedos sobre as marquinhas.
-Se eu não estivesse lá, acredite, eu duvidaria da verdade; Kanon falou com um fraco sorriso. –Nunca pensei que todas aquelas historias fossem verdadeiras;
-Talvez não tão verdadeiras como a visão de Bran Stoker sobre isso, mas sim, como minha família viu tudo através dos tempos; ela falou seria.
-Ás vezes quando assinto aquele filme, me lembro de você; o cavaleiro falou sorrindo. –Mas acho aquele Dracula tão fraco se comparado ao que nós enfrentamos com Aidan e aquele Gabriel completamente o oposto do que vejo como um caçador;
-Nem sempre a ficção imita a vida; Jéssica comentou calmamente. –Aidan não era só um cara ambicioso ele também queria vingança;
-Aquele bastardo quase te matou; Kanon vociferou.
-Mas não matou; Jéssica respondeu calmamente.
-Como pode ficar assim tão calma? –ele perguntou aborrecido.
-Já passou, porque vou me estressar por algo que já aconteceu? –ela indagou voltando-se para ele.
-Bem...;
-Não estou fugindo do passado Kanon, muitas coisas eu gostaria de ter feito diferente, mas não vou me martirizar pelo que não posso mudar. Já tenho uma leve tendência a ser neurótica e certamente antes dos quarenta vou precisar de um terapeuta, mas por hora, eu prefiro enterrar essas coisas;
-Podem passar anos, mas não vou conseguir te conhecer completamente; Kanon falou pousando a mão sobre a dela. –Pensei que já houvesse visto todas suas facetas, mas ainda existem algumas, não é?
-...; ela assentiu. -Somos mortais, seres imprevisíveis, fadados a errar e receber uma nova chance, mas não é por isso vamos nos acomodar. –Viver, lutar e vencer é uma escolha que só você pode fazer;
-Como com Lucien? –ele indagou com um sorriso matreiro nos lábios.
-Isso não se aplica a vermes como ele e por gentileza, estou tomando café, não me deixe enjoada falando dele; jéssica brincou fazendo-se de aborrecida.
-Como quiser, milady; o cavaleiro falou com um sorriso sedutor nos lábios.
Balançou a cabeça levemente para os lados, já vira muitas coisas nessa vida e aprendera outras igualmente importantes, como aquela do destino ser construído pelas próprias mãos.
Era fácil colocar a culpa de todas as desgraças nas Deusas do Destino, dizendo que foram elas e não a incapacidade de escolher e lutar de cada um. Aprendera muito naquela missão, principalmente aquilo que motivava alguém a continuar a lutar.
Conhecer os gêmeos fora uma das coisas que ficaria gravado em sua alma, mesmo quando outras vidas chegassem.
.::História dentro da Históra – O Milagre::.
-Então, quem vai ser o primeiro? –Lucien perguntou em tom de provocação.
Os aspirantes tremeram, para logo em seguida, um a um cair sob o punho do cavaleiro. Virou-se para o Grande Mestre esperando-o dar como encerrada a disputa.
-Puff! Não tem mais ninguém? –ele perguntou.
-Espero que você não sangre muito, quando eu acabar com você; uma voz feminina ressoou por toda a arena.
Todos que estavam na arquibancada levantaram-se quando uma jovem de melenas vermelhas entrou no Coliseu. Ela não vestia uma armadura, mas seu cosmo abraçava a todos com opressão e arrepios corriam pela alma de cada um, como se o próprio Thanatos lhes sussurrasse ao pé do ouvido.
-Quem é você, mulher? –Lucien falou irritado com a interrupção em seu momento de glória.
-Porque, vai querer um autografo em sua lapide? –ela rebateu com ironia.
A respiração estava presa na garganta e ninguém ousava falar uma palavra sequer, nem mesmo o Grande Mestre.
-Vim pelo direito de combater pela posse da armadura de ouro da casa de Leão; a jovem falou.
-Impossível, somente cavaleiros pertencem a ordem; Lucien vociferou.
-Engano seu, pois pelo que sei, o Grande Mestre disse que qualquer um, ouviu bem? Qualquer um tem o direito de clamar a chance de lutar por ela; Jéssica falou.
-Ela pertence a mim;
-Não ainda; a jovem rebateu calmamente. –Então, é melhor colocar-se em guarda, antes que eu comece a me divertir sozinha;
-Não vou lutar com uma mulher, muito menos pela armadura de Leão;
-Que você é um covarde todos sabemos; a voz de Diana lhe chamou a atenção. –Mas vai ter que lutar até a morte pela armadura, ou nos dará o imenso prazer de matá-lo por quebra de decoro;
Murmúrios tomaram conta da arena, a tensão era palpável. Voltou-se para a amazona a sua frente e estremeceu, quando viu alem de sua cabeça uma nuvem negra descendo sobre a arena.
Trovoes cortaram o céu causando misturando-se aos burburinhos, jamais sentira-se assim. Com medo.
-o-o-o-o-o-
-Quem é ela? –Aioros perguntou surpreso, alias, abismado com a possibilidade de uma mulher integrar a ordem secular, até então presidida apenas por homens.
Um fino sorriso surgiu nos lábios da jovem de melenas lilases. O show ia começar e não havia melhor milagre do que aquele.
-Van Helsing; ela sussurrou, deixando o sotaque inglês carregar seu tom de voz.
-o-o-o-o-o-
Os batimentos dos corações eram agitados, aos poucos cada um voltava a respirar com mais calma ao verem o corpo agora sem vida de Lucien cair sobre o chão de areia.
Chacoalhou com graciosidade uma das mãos, retirando os últimos resquícios vermelhos das longas unhas. Voltou os orbes em direção ao Grande Mestre esperando por um pronunciamento.
-Agora você tem o poder sobre a armadura de Leão, deseja assumir seu lugar como guardiã por direito? –Shion perguntou levantando-se. –Jéssica de Vampiro?
-Quero nomear um representante; a jovem respondeu com os obres vidrados em algum ponto oculto dos demais.
-Eu pensei q-...;
-Não desejo fazer parte dessa ordem... Não dessa forma; Jéssica respondeu as indagações dos demais e do próprio Grande Mestre. –Quero que Aioros de Sagitário tenha o poder de escolher o próximo guardião de Leão e caberá a ele treinar esse guardião;
-O que? –todos indagaram. Aioros não havia voltado com Eraen ainda, ninguém sabia se ele era realmente o cavaleiro de Sagitário.
-Aioros ainda n-...;
-Estou aqui; o cavaleiro falou surgindo na arena ao lado de Saga e Eraen.
-Agora o senhor não vai ter como se negar a cumprir isso, Grande Mestre; Jéssica falou em tom de provocação.
Observou um por um naquela arena, sabia que nenhum deles concordava com a entrada de Lucien para a ordem e agradeciam como Ares, a presença da jovem ali, para livrar a todos daquele prepotente. Não podia se negar a cumprir o protocolo.
-Pelos poderes conferidos a mim, como Grande Mestre do Santuário, por Athena. Que fique claro, que Aioros de Sagitário terá o poder de escolher o guardião da casa de Leão e treina-lo, para que seja merecedor da confiança de Athena;
-...; ele assentiu, vendo-a dar as costas a arena e despedir-se de Eraen com um aceno, antes de partir.
-Quem é ela, mestra? –Saga perguntou curioso.
Poucos antes de aparecerem, Kanon sumira sem dizer aonde ia, mas sua maior curiosidade agora era naquela garota. Vira a forma como aquela nuvem negra descera sobre o santuário, o pior para o tal de Lucien, a revoada de morcegos que ameaçara morder um por um daqueles que estavam ali.
Não conseguia imaginar como ela conseguira manipular aqueles morcegos, mas uma hora a via em um lado da arena e no outro, a revoada de morcegos jogarem o cavaleiro no chão, sobre uma poça de sangue.
Era terrivelmente impressionante...
-A filha de Abel; Eraen respondeu, deixando os pupilos chocados.
Continua...
n/a:
Abel era o antigo cavalerio de Leão, enquanto Miguel de Capricórnio era mestre de Shura.
