Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Takaya Kagami e Yamato Yamamoto; a trama, no entanto, me pertence.
Warning: Yaoi.
N/A: Olá leitores!
Demorou, eu sei, mas cá está! =D
Não vou ficar explicando muito o que aconteceu, sei que vários já sabem por conta das postagens no facebook, mas em resumo é o seguinte: eu me mudei de casa, tive que me readaptar a essa mudança; além disso estou no último ano da faculdade e, portanto, um pouco enrolada com questões do curso (monografia, estágio obrigatório, e tal). A crise política também acaba influenciando no meu bem-estar por conta do meu local de trabalho, e ai eu fico estressada demais com a carga pesada do ambiente e, mesmo quando chego em casa e tenho uma horinha pra escrever, tudo que eu quero fazer é transmutar as más energias. Entretanto, entre aos trancos e barrancos, finalmente consegui escrever o final de Komorebi, e espero que vocês gostem!
Muito obrigada aos poucos que acompanharam a fanfic, eu sei que ela não é uma das minhas fanfics mais famosas, mas eu escrevi com muita boa-vontade porque amo DEMAIS o casal, e quis dar minha contribuição pro fandom. ^^
Para os meus leitores que também acompanham Haunted, não se preocupem: ela foi produzida ao mesmo tempo que Komorebi, e está com metade do capítulo escrito. Me desejem força pra continuar que logo vem a atualização!
Comentem com suas opiniões sobre o final da fanfic, ok? Sempre muito importante saber o que vocês acharam! =D
E, sem mais delongas, boa leitura a todos!
Amo vocês, cuties!
S2
Komorebi
Terceiro Capítulo
"Vamos voltar, acho que ouvi a Krul me chamar."
Essa foi a única coisa que Mikaela falou logo depois que controlou seu olhar de indignação e colocou um sorriso falso em seus lábios, pegando o papel que entregara para Yuuichirou, guardando-o em seu bolso e dando-lhe as costas. Se esquivou da forma mais eficiente que podia, voltando para o interior da casa; Yuuichirou o seguiu depois de alguns minutos, mas, mesmo estando na companhia de Mikaela no restante da noite, parecia que os dois estavam em mundos completamente opostos.
Já fazia quatro horas que tal incidente acontecera e agora eles voltavam para seu apartamento depois de uma ceia de Natal recheada de farturas e desconforto. O trato era que Yuuichirou iria dirigir o carro de Mikaela na volta, já que o loiro planejava beber alguma coisa na casa de sua mãe; contudo, aparentemente seu apetite para bebida e comida se esvaiu completamente: ele apenas comeu o que Krul o forçou a comer e parecia imerso em seus próprios pensamentos durante a ceia, se alimentando de maneira meramente mecânica.
Como Mikaela não chegou a beber, ele se ofereceu para dirigir naquele início de madrugada. Yuuichirou, envergonhado e perdido com tudo que estava acontecendo, entregou-lhe as chaves e se preparava para abrir a porta do carona, olhando para a neve na calçada enquanto tentava pensar.
— Não se esqueça do que eu te disse, Mika! — Ferid exclamou da porta, acenando para os garotos na companhia de Crowley e Krul. Ferid parecia animado e empolgado como sempre; Crowley o olhava de canto de olho recriminando sua intervenção; e Krul aparentava esperança e incerteza, mordendo a ponta de sua unha do mindinho em certa apreensão — Tá faltando um anel nesse dedo aí, hein!
Yuuichirou não sabia dizer ao certo o que no discurso de gozação de Ferid o fez tomar a decisão de agir, mas tudo fez sentido na cabeça dele naquele instante: todos aguardavam que Mikaela tomasse alguma atitude naquele relacionamento (e, céus, até Yuuichirou se sentiria muito mais confortável se isso acontecesse, assim ao menos ele não teria mais dúvidas sobre o que seu amigo queria!).
Todavia, depois do grande mal entendido daquela noite, ele duvidava que o loiro fosse agir por conta própria. Estava mais do que na cara que caberia à ele agir.
— Mika. — Yuuichirou o chamou, ainda do lado de fora do carro.
A temperatura estava muito baixa e Yuuichirou conseguia ver sua respiração se tornar fumaça branca diante de seus olhos. Ele não podia negar que queria muito entrar no carro e ligar o ar quente, mas ele tinha a impressão de que se fizesse isso, os dois agiriam pelo resto de duas vidas como se aquela conversa no balanço nunca tivesse ocorrido, e iriam se afastar cada vez mais com o decorrer do tempo.
Ele definitivamente não iria permitir que isso acontecesse.
— Pode entrar no carro. — Mikaela finalmente respondeu, ainda sem adentrar ao veículo ou direcionar seu olhar para Yuuichirou, se preocupando em consultar o celular enquanto destravava o carro — Eu vou te deixar em casa, mas não vou subir pro apartamento.
Yuuichirou arregalou os olhos, não sabendo ao certo como lidar com aquela informação. Mikaela mantinha uma falsa expressão de calma, e isso só servia para deixá-lo mais temeroso. Ele achou que os dois ignorariam o que ocorreu caso ninguém falasse mais nada a respeito, mas era pior do que ele imaginou: Mikaela tinha outros planos.
— Você vai dormir fora?! — questionou, sua voz soando mais fraca do que ele gostaria.
— Lacus está em casa hoje. Ele me deu permissão pra dormir lá. — o loiro respondeu, parecendo muito desconfortável em dar detalhes sobre onde passaria a noite.
O sangue de Yuuichirou gelou e ele teve a completa certeza de que empalidecera totalmente naquele instante.
Lacus Welt era um colega de faculdade de Mikaela, e Yuuichirou nunca escondeu seu ciúmes. Lacus era extrovertido e se dava bem com todos, mas Yuuichirou nunca se sentiu convencido pela aparente alegria do rapaz, chegando a se envolver em uma briga que ele e Yoichi travaram durante um período, quando Lacus e a irmã de Yoichi, Tomoe, se envolveram em um relacionamento bastante destrutivo. Yoichi até hoje tinha ressentimentos com Lacus, e Yuuichirou tomava suas dores como amigo.
Mikaela, alheio a todo esse drama, nunca quis tomar partido na história, nem para defender Lacus e nem para condená-lo. Se recusou a ter discussões com Yuuichirou por conta de Lacus, saindo de perto toda vez que o assunto era trazido à tona. O pequeno ciúmes, aliado ao combustível que o problema com Tomoe causou, fez com que Yuuichirou mantivesse seu ressentimento por Lacus em grande escala. E nem mesmo sabendo que ele e Tomoe já tinham superado tudo e estavam em bons termos, além de ter ouvido por ai que ele e René Simm pareciam bem mais próximos do que meros amigos, o ciúmes não diminuía nem um pouco.
— Por quê!? — questionou, indignado, sentindo vontade de arrancar os seus cabelos e gritar com Mikaela.
Mika sabe que eu odeio esse cara!
— Porque vai ser melhor pra nós, Yuu. — Mikaela respondeu estoicamente. Apesar da falsa ausência de emoções que ele refletia, tudo que Yuuichirou conseguiu sentir foi uma pontada muito forte no peito.
"Yuu"? Apenas "Yuu"? Mika não pode me chamar assim, ele sempre me chamou de "Yuu-chan"! — toda sua momentânea raiva foi transformada em um medo de perder a sua pessoa mais especial, e ele mal conseguia disfarçar esse pavor.
— M-mika... — Yuuichirou sentia suas mãos trêmulas, seu coração batia com tanta intensidade que ele achava que estaria próximo de ter um colapso — Não vai dormir na casa do Lacus, por favor. Seu lugar não é lá.
Mikaela suspirou fundo, abaixando um pouco a cabeça e passando a mão no rosto, como se estivesse exausto por lidar com toda aquela situação. Isso fez com que o moreno agisse por impulso, dando a volta no carro se colocando na frente do outro. Ao fundo, ouvia algumas exclamações de Ferid ("Crowley! Socorro! Yuu-chan foi para o ataque!"), mas preferiu ignorar por hora.
— Olha pra mim. — Yuuichirou sussurrou, tentando alcançar a mão de Mikaela, mas ele a puxou abruptamente, dando um passo para trás.
— E onde é o "meu lugar"? Hein? — exclamou, finalmente erguendo o olhar, acuado e temeroso com a insistência de Yuuichirou. Será que ele não percebia que se fosse para o outro não retribuir seus sentimentos, era melhor deixá-lo se distanciar e curar as feridas? — Meu lugar é do seu lado porque você sente pena de mim? Meu lugar é do seu lado porque você não quer mudar sua rotina!? É do seu lado porque você acha que eu gosto de viver uma mentira!?
— MIKAELA! — Yuuichirou ergueu consideravelmente o tom de voz, chamando seu amigo pelo nome completo, algo que dificilmente fazia; o loiro calou-se abruptamente. A voz de Ferid, que até então também estava cantando besteiras a alguns metros dali, também parou de soar — Não fale absurdos como esses! Você é minha família!
— Eu não tenho mais ânimo pra ficar me iludindo com definições não-condizentes do que é uma "família". — Mikaela respondeu, dando-lhe as costas ao abrir a porta do carro.
Antes que Mikaela pudesse entrar no veículo, Yuuichirou segurou com força o seu pulso, impedindo-o de se mover. Empurrou um pouco seu corpo com a outra mão em seu ombro, girando-o e forçando-o a encostar na janela do passageiro da parte de trás do carro, pressionando ambos os corpos ao entrar de maneira abrupta em seu espaço pessoal.
— Y-yuu-chan... — Mikaela expirou seu fôlego, trêmulo e surpreso pela intensa movimentação. Fitou finalmente os olhos esmeraldas e se sentiu um pouco indefeso pela determinação que encontrou em suas íris.
Já Yuuichirou, apesar de encontrar-se extremamente nervoso com sua decisão, sentiu sua confiança aumentar ao novamente ser chamado pelo apelido carinhoso de sempre.
Ainda há conserto. E eu não vou perder essa chance!
— Seu lugar é do meu lado, Mika, mas não porque sinto "pena" ou "comodismo" ou qualquer besteira que você acabou de falar e eu vou fazer questão de esquecer. — afirmou, baixinho, mantendo seu olhar firme e determinado, sentindo o calor do corpo de Mikaela e a forma como ele corava gradativamente com aquela aproximação; uniu sua testa a dele, para transparecer apoio e ternura, esperando consideravelmente que Mikaela entendesse suas entrelinhas. Levou suas mãos ao rosto do mais alto, que agora parecia menor e mais acuado pela posição, acariciando de leve as maçãs rosadas pelo frio e pela vergonha — Seu lugar é do meu lado porque você é muito especial pra mim. E você pode ter ao meu lado a função que você quiser.
Mikaela instintivamente abaixou seu olhar para os lábios de Yuuichirou, tentando a lhe responder com um gesto, mas perdendo a coragem ao fervilhar em pensamentos.
O que ele quer dizer sobre "função"? Será que ele está insinuando o que eu estou pensando? Será que não vou por tudo a perder se-...
— Hm, acho que agora as coisas voltaram ao normal. — o moreno atropelou seus pensamentos, sorrindo de canto de boca como se adivinhasse perfeitamente o que o outro imaginava ao olhar daquela forma para seus lábios — Antes parecia estranho, eu estava pensando demais. Mas agora é você quem tá ai quebrando a cuca, enquanto eu vou ser o impulsivo de sempre.
— Impulsivo?
— É. E quer saber, Mika? — Yuuichirou respirou fundo e fechou os olhos, inclinando-se para frente enquanto sussurrava de forma arrastada — As coisas sempre dão certo pra mim quando ajo por impulso; você deveria experimentar.
Yuuichirou o beijou. E, por incrível que pareça, não foi em meio ao sonho que Mikaela secretamente fingia não ter quase em todas as noites: ele o beijava de verdade, na boca, e na frente de sua família.
— CROWLEY! CADÊ MEU CELULAR!? ABRE O APLICATIVO DA CÂMERA! LÓGICO QUE A SENHA É O TAMANHO DO SEU-... É! CENTÍMETROS E MILÍMETROS, OK? RÁPIDO, RÁPIDO!
Ao fundo, Mikaela ouvia os gritos de Ferid, mas a partir do momento que Yuuichirou deixou um leve suspiro escapar e mordiscou o seu lábio inferior, ele bloqueou toda aquela gritaria de seu consciente. Instintivamente envolveu seu braço ao redor do outro, ajeitando sua postura e puxando-o para perto, bem mais confiante em suas ações e tentando recobrar o controle do beijo.
Seria fantasioso demais afirmar que o beijo deixou suas pernas bambas, ou que foi extremamente quente e sedutor. Não, aquilo era a realidade, e não uma fantasia ou um conto de fadas forçado. Yuuichirou mordeu forte seu lábio e o fez sibilar baixinho de dor; os dois ainda estavam aprendendo como fazer o beijo funcionar.
Em essência, era um primeiro beijo, um primeiro beijo de verdade: com faltas de encaixe, com um deles tendo um ritmo mais acelerado, e com aquela maldita preocupação de "ele vai achar que eu beijo mal". Não havia sinos tocando nem pássaros cantando; mas havia risadinhas anasaladas, estalos empolgantes e mãos levemente ousadas. Pois, ao mesmo tempo que era um primeiro beijo recheado com os defeitos que todo primeiro beijo tem, os sentimentos de ambos não eram condizentes com os sentimentos que as pessoas que trocavam os primeiros beijos geralmente tinham: não era mera curiosidade e atração física, não era empolgação gerada por artifícios como música alta de uma festa ou consumo moderado de bebidas alcóolicas para dar coragem. Não, certamente não. Era um sentimento mais consolidado, uma vontade de finalmente, oh Deus, finalmente realizar o que já devia ter sido feito há anos! Dar um passo à frente no relacionamento que estava implorando por essa mudança. É claro que a ansiedade estava presente, não por saber que o outro podia achar o beijo ruim e nunca mais aparecer; mas por saber que ele sempre estaria ali o aguardando, para trocar dezenas de beijos desastrados, até tudo se encaixar.
Mikaela não pôde deixar de pensar se era assim que os noivos do passado se sentiam quando finalmente subiam no altar e beijavam pela primeira vez seu prometido ou prometida: não era um mero "experimentar pra ver se dá certo", era um "vamos fazer dar certo, porque eu te amo e o mais difícil nós já conquistamos". Era como deveria ser com Yuuichirou, e ele estava nas nuvens por poder se sentir dessa forma!
Quando finalmente separaram seus lábios, um pouco envergonhados e com pensamentos à todo vapor, Yuuichirou suspirou fundo e sorriu um sorriso radiante, encostando sua testa à testa de Mikaela e deixando uma risadinha baixa e empolgada escapar de seus lábios.
— Você tem que abrir mais a boca. — ele disse, entre o riso, aproveitando a aproximação para acariciar a lateral do pescoço de Mikaela e se intoxicar com o cheiro de seu perfume, agora sem precisar fingir que não adoraria morar o resto da sua vida com o rosto enfiado no colarinho dele.
Mikaela tateou docemente a pare de dentro do casaco de Yuuichirou, beliscando sua pele bem na lateral de sua barriga, fazendo-o rir, estremecer de frio e se contorcer pelas cócegas. Ele sabia que o moreno não estava rindo por tirar sarro dele; ria porque estava realizado, ria porque estava finalmente sentindo o ar de leveza naquela relação depois de tanto tempo. Ria porque "puxa vida, se soubesse que seria tão fácil resolver tudo, teria te beijado antes".
E isso fazia com que Mikaela sorrisse da mesma intensidade, mordendo as bochechas para não rir e tentar aparentar indignação — sem sucesso.
— Você que abre demais a boca. — ele argumentou entre o riso — Parece que estou beijando um desentupidor de pia. Um desentupidor de pia muito bonito, por sinal.
— Há há, muito engraçado! — Yuuichirou tentou entrar na brincadeira e fingir-se contrariado, mas Mikaela apenas o beliscou ainda mais, fazendo-o rir e deixar a falsa expressão de irritação sucumbir.
O loiro ainda tentou fazer cócegas e foi bem sucedido por vários segundos, até Yuuichirou finalmente conseguir segurar seus dois pulsos com firmeza, impedindo o ataque de continuar, e controlando sua risada aos poucos — sem jamais deixar o sorriso escapar de seus lábios. Mikaela estava mesmerizado com a forma como os olhos esmeralda de Yuuichirou brilhavam em contentamento, e ele tinha a certeza de que sua aparência não estava muito diferente.
— Eu sonhei tanto com isso. — o loiro confessou, sentindo-se lotado de emoções intensas e quentes em seu coração, optando por esconder seu rosto na dobra do pescoço de Yuuichirou e dar um selinho na pele macia: Mikaela sempre quis beijar e morder o pescoço dele, não entendia o motivo desse fetiche particular, mas agora que a oportunidade estava diante de seus olhos não iria perder tempo.
Yuuichirou podia jurar que se ele fosse um gato, estaria ronronando. Levou seus braços ao redor do outro, puxando-o para mais perto, fazendo todo seu corpo se unir ao dele enquanto se deliciava com os beijos que recebia.
— E eu amo seu cheiro, mas esse perfume misturado com seu cheiro me deixa louco; use pra sempre. — o moreno confessou.
— Não te dava dor de cabeça?
— Me dá dor de ereção persistente, na verdade.
— Pervertido. — Mikaela murmurou em resposta, adorando de um jeito fenomenal a maneira como tratar destes assuntos estava fluindo com tanta naturalidade entre eles. Certamente era só isso que faltava para a relação ficar perfeita e, como já havia a intimidade, metade do caminho já estava andado. Ele também optou por confessar algo, inalando ruidosamente os cabelos bagunçados da nuca de Yuuichirou enquanto falava — Eu amo o seu cheiro natural. Eu adoro quando você esquece o perfume, o que é quase sempre porque você esquece tudo nessa vida.
— Eu não esqueço tudo na vida!
— Não vamos discutir coisas óbvias, Yuu-chan.
Feliz demais para se importar com a provocação de Mikaela, limitou-se apenas a sorrir, sentindo que a confissão que recebera também o deixou mais corajoso para contar alguns segredos, e ele o fez prontamente:
— Eu amo acordar e sentir que você está me abraçando enquanto dorme. — ele disse, mantendo os olhos fechados enquanto recebia devoção nos gestos de Mikaela; ele gostava muito disso, e era reconfortante sentir isso sem estar deitado na sua cama, forçando-se a não se mover para não acordar o outro e cessar de vez o contato físico.
— Eu acordo antes, Yuu-chan. — Mikaela revelou, afastando seu rosto a contragosto dos cabelos de seu amado, olhando-o nos olhos com um sorriso satisfeito nos lábios — Todo dia, acordo uns quinze minutos antes que você.
— Então você finge que está dormindo?
— Lógico. — Mikaela respondeu, na maior cara de pau — É pra poder ter mais tempo você nos meus braços.
— Isso não vale, Mika! — Yuuichirou exclamou, corando intensamente — Agora você vai ter que levantar comigo e me ajudar no café! Quero nem saber!
Mikaela riu de euforia e, talvez para tentar dissipar as energias, girou o corpo de Yuuichirou e o beijou, desta vez iniciando a carícia por conta própria e tentando guiá-lo. A carícia foi mais suave desta vez, e mais demorada: depois de alguns minutos apenas massageando os lábios de Yuuichirou com os seus, tentaram novamente aprofundar tal contato e o fato de que dessa vez encaixou um pouco melhor só podia ser um bom agouro para a nova fase desse relacionamento.
Para ele, o beijo durou muito pouco (apesar de ter durado vários e vários minutos); mesmo com o corpo chegando a latejar por conta do frio, Mikaela e Yuuichirou só desprenderam as bocas um do outro quando foram interrompidos.
Krul foi quem tratou de desfazer a magia do momento, separando os dois garotos com um ruído de indignação do fundo de sua garganta, e puxando Yuuichirou para longe de Mikaela com um beliscão firme em sua orelha. O moreno até choramingou, e não era pra menos: Krul o fez se curvar quase que totalmente com o puxão de orelha.
— KRUL! — Mikaela gritou, horrorizado ao lembrar que tinham plateia desde o início do contato; se perdera tanto no seu momento com o Yuuichirou que até esquecera desse pequeno detalhe, e, de certa, forma nem podia dizer que estava tão indignado assim com a sua mãe: em breve, as mãos curiosas de ambos estariam realizando atos extremamente vergonhosos de serem feitos em plateia, então a interrupção até que veio a calhar.
— Shiu, Mikaela Shindo! — Krul o censurou, olhando de forma severa para seu filho e fazendo-o se calar prontamente; voltou sua atenção para o outro, o qual gemia de dor pelo puxão de orelha e tentava se escapar — Yuuichirou Amane! Você vem na minha casa, come da minha comida, e agarra meu filho no meio da rua na noite mais fria do ano e não o deixa se abrigar do frio? Você quer que ele pegue uma pneumonia? Os dois, já pra dentro do carro! E se o aquecimento desse veículo não estiver 40 graus em cinco segundos, Mikaela está proibido de voltar pro apartamento até amanhã!
Yuuichirou se soltou do beliscão de Krul, ainda um pouco desnorteado por vê-la agir com tamanha força. Ela certamente era forte demais para o seu tamanho, e autoridade que ela tinha com todos naquele momento era evidente. Até Ferid calou a boca, ainda tirando algumas tímidas fotos enquanto a briga acontecia.
— N-na verdade, Krul, um... — Yuuichirou tentou se explicar, acariciando a orelha enquanto tentava fazer seu cérebro voltar a funcionar; era difícil, ele estava se adaptando a mudança de acontecimentos sem grande sucesso: não espere que alguém que estava há minutos beijando Mikaela pudesse voltar a realidade com tanta facilidade assim — Nosso apartamento está com o aquecimento quebrado, então acho que o Mika já está bem acostumado com o frio, ontem mesmo estava mais frio que hoje, e-...
— MIKAELA! — Krul interrompeu a tentativa frustrada (e idiota) de Yuuichirou de acalmá-la, voltando toda sua fúria para seu filho, o qual se encolheu de maneira evidente com o grito que recebera — VOCÊ ME DISSE QUE ESTAVA TUDO BEM NO APARTAMENTO!
E foi assim que Yuuichirou se deu conta que, com a nova mudança de status com Mikaela e o fim de um problema bastante incômodo entre eles, um novo e complicado pormenor surgiria em sua vida:
A sogra.
(***)
— Deixe os cobertores ali na poltrona. — Yuuichirou falou em um suspiro, ligando o aquecimento da casa e a luz da sala com um click, logo depois pendurando as chaves no aparador — Sua mãe é um pesadelo, Mika.
Yuuichirou levou uma cotovelada de Mikaela, o qual fingiu ter sido um acidente ao deixar a pilha gigante de cobertores na poltrona surrada de Guren.
— A culpa é sua, Yuu-chan. — Mikaela murmurou, um pouco emburrado com a situação como um todo; ele queria ir para casa, não para a casa de Guren! Ainda mais de ter passado a última hora em meio a um bate-boca com sua mãe — Você fala demais. Se dê por sortudo: ao menos ela deixou a gente ficar na casa do Guren e não obrigou a gente a dormir lá na casa dela. Crowley até teve que interferir pra ela parar com essa ideia, e tenho certeza que ela vai vigiar o carro pela janela a noite toda pra ter certeza que a gente não voltou pro apartamento.
— Isso seria cárcere privado. — Yuuichirou resmungou; Mika estalou a língua nos dentes com a sua resposta, mas optou por não retrucar — Vem, vamos ver como está o meu quarto. Guren disse que fez mudanças nele para receber a gente.
O loiro pareceu surpreso com esta afirmativa: Guren fez alterações em sua casa para recebê-lo?
— Nós? No sentido de "eu e você"? — ele tentou se certificar, ainda tentando fazer a situação ter algum sentido.
Mesmo que Mikaela ainda exibisse uma expressão um pouco contrariada e levemente confusa, Yuuichirou se sentiu compelido a se aproximar dele, segurando-o em suas mãos e sorrindo um pouquinho; a expressão do outro amaciou quase que instantaneamente, e ele acariciou as palmas de suas mãos com os polegares.
— É, foi o que ele disse mês passado. — Yuuichirou respondeu, sentindo seu coração mais quente com o gesto e decidindo puxar Mikaela por uma mão para levá-lo para o andar de cima; o outro o acompanhou, sem protestos — Eu ainda não vim conferir que tipo de mudança ele fez, mas ele deve ter colocado mais uma cama de solteiro, ou um beliche.
— Mas por que ele faria isso? — indagou, acompanhando o andar de Yuuichirou — Krul mora na porta ao lado. Mesmo que nós dois passássemos uns dias nessa parte da cidade, eu tenho um quarto na casa dela.
Mikaela viu a maneira como as orelhas de Yuuichirou ficaram avermelhadas a cada nova passada, e não pode deixar de sorrir com a forma como o outro pigarreou. Parecia bastante encabulado ao lhe responder, tomando cuidado para não parar de caminhar ou olhar para trás e mostrar claramente o quão envergonhado estava.
— Acho que eu mencionei ao Guren que estava acostumado a dormir no mesmo quarto que você, e que não dormia tão bem quando a gente estava separado...
Faltava poucos metros para chegarem ao quarto; o ultimo do corredor, logo ao lado do quarto principal, mas Mikaela não se controlou mais: independentemente de ter ficado um pouco irritado com Yuuichirou por dificultar as coisas com Krul, ele estava ansioso demais para ficar a sós com ele desde o primeiro toque de lábios — e o silêncio daquela casa era bastante convidativo.
Com uma súbita coragem e decidindo agir por impulso, Mikaela puxou Yuuichirou pela mão para que parasse de andar, girou seu corpo levemente e o forçou contra a parede, olhando por breves segundos a pele corada do outro e decidindo que Yuuichirou ficava mais do que perfeito desse jeito.
O beijou, desta vez sem inibições, juntando seu baixo ventre ao outro e deixando mais do que claro o que desejava fazer assim que a porta logo ao lado deles quarto fosse aberta. Recebeu um suspiro fundo em resposta, permeado por gemidos suaves e uma fricção de corpos bem promissora. Em meio a todo o processo, Yuuichirou envolveu seu pescoço com os braços e afastou um pouco suas pernas, permitindo que Mikaela encaixasse melhor seu corpo contra o dele.
Não sabia quanto tempo ao certo ficaram naquela troca de beijos e gemidos reverberavam ainda mais promiscuamente por conta do silêncio, contudo, quando a mão trêmula de Yuuichirou agiu por instinto e agarrou com vontade a coxa de Mikaela, o loiro se afastou com um estalo de lábios, sentindo-se quente e sabendo que, por mais que o aquecedor da casa de Guren estivesse funcionando no máximo, a razão daquela sensação de extremo calor não podia decorrer apenas da tecnologia.
Yuuichirou automaticamente enfiou seu rosto no pescoço de Mikaela, beijando-o com suavidade assim que ele se afastou um pouco.
— Yuu-chan... — Mikaela suspirou, um pouco surpreso pela sua voz ter ficado mais rouca, provavelmente pelos desejos que surgiam cada vez com mais detalhes em sua mente. Estava excitado com o que aquele beijo mais intenso prometia, e nem tentava disfarçar a sua ansiedade.
— Hm? — Yuuichirou perguntou distraído, seus olhos bastante brilhantes e semicerrados, demonstrando que ele também queria muito ir para o quarto e dar mais um passo naquele relacionamento.
Ainda sim, era necessário se certificar: Mikaela engoliu em seco, respirou fundo duas vezes, e disse:
— Você tem certeza que não quer que eu durma no sofá essa noite?
Isso fez com que Yuuichirou piscasse firmemente, deixando de lado sua expressão luxuriosa e demonstrando sua confusão, descrente com o que acabara de ouvir; isto fez com que o outro mordesse o lábio e se arrependesse instantaneamente de suas palavras.
— Você não quer dormir comigo? — o moreno indagou, ressentido — Eu... Eu não achei tivesse algum problema da gente dormir junto... Q-quero dizer-...
— N-não é isso, Yuu-chan. — Mika respondeu, bastante encabulado, sentindo seu coração bater mais forte do que ele achava ser capaz de aguentar — E-eu... Eu acho que se eu entrar no seu quarto, a última coisa que eu vou querer fazer é dormir, se é que me entende. E, bem, é Natal, é uma data difícil pra você, pra nós dois na verdade, e eu não quero me aproveitar de qualquer estado vulnerável seu e...
Yuuichirou o calou com um selinho demorado, mas inocente e suave o suficiente parar fazer com que um pouco das preocupações de Mikaela se esvaíssem. Ao se afastar, repetiu o gesto mais uma vez e depois empurrou o outro para que desgrudasse da parede e saísse da posição sexual que se encontravam, tomando a mão dele com as suas.
— Não vou dizer que tá tudo bem, que não sofro mais no Natal, não seria uma verdade nem pra mim, nem pra você. Eu sei que o Natal também te causa más lembranças; meus pais me torturaram na véspera de Natal e eu fui pro orfanato nesse dia, mas o incêndio aconteceu em novembro alguns anos depois, e já estávamos em época natalina e tudo mais. Eu sei que você sofre tanto quanto eu sofro, Mika.
Mikaela sentia sua garganta fechar pelas lembranças ruins e, por mais que estivesse sedento por ter Yuu de volta em seus braços, sua melancolia voltava gradativamente. Era tão estranho, porque Yuuichirou era um pedaço especial do seu passado que, por mais que fosse uma benção ele ainda estar ali, acabava por causá-lo sentimentos de melancolia quando eles recordavam sobre o passado, ou até mesmo quando ele fazia algo que relembrasse a infância. Amar e desejar Yuuichirou era, ao mesmo tempo, uma benção e uma maldição: porque Yuuichirou trazia de tempos em tempos essas memorias que ele não gostaria de lembrar, consciente ou inconscientemente; mas ao mesmo tempo era o causador da maioria de suas alegrias no presente.
Era uma dualidade, que as vezes o sufocava... Entretanto, ele não aceitaria vivenciar isso de forma diferente. Ele aceitava todas as sensações que adviriam dessa relação: desde a euforia, até a soturnidade.
— Só que eu acho que não tem nada de errado com isso, Mika. — Yuuichirou falou com suavidade, juntando sua testa a do outro e chegando a mesma conclusão que o outro chegava — Você é o meu elo com esse passado, e eu não vejo isso como algo ruim. Ainda mais agora, depois de tudo que aconteceu essa noite: você me quer do mesmo jeito que eu quero você, e putz... — Yuuichirou agarrou a mão de Mikaela e a colocou em seu peito, fazendo-o sentir a forma como seu coração batia de maneira preocupantemente acelerada — Você consegue imaginar o que isso faz comigo?
Mikaela expirou todo o ar de seus pulmões de uma vez, deslizando sua mão pelo peitoral de Yuuichirou até conseguir agarrar a barra de sua calça, puxando-o para perto mais uma vez, agora mais confiante de que a necessidade não era decorrente de carência e sim de desejo verdadeiro. Yuuichirou deixou um pequeno ruído de surpresa escapar de sua garganta, e Mikaela o guiou para dar um passo à esquerda, empurrando-o agora contra a porta.
— Você é um idiota, Yuu-chan. — ele disse baixinho em seu ouvido, mordendo-o e aproveitando para chupar a pele de seu pescoço em seguida, sabendo que, a partir de hoje, Yuuichirou precisaria receber alguns cachecóis de presente — Eu te quero desde sempre, e acho que sempre deixei bem óbvio isso.
— Claro que deixou, você até namorava comigo sem eu saber, né?
Mikaela mordeu forte seu pescoço dessa vez, fazendo Yuuichirou sibilar em surpresa.
— Eu era criança, ok? — Mikaela se defendeu, assoprando de leve a marca vermelha que deixou na pele do outro — Lógico que eu não achava que a gente estava namorando até agora. Eu entendi o que era namorar quando cresci um pouco. Isso não significa que eu não quisesse da mesma forma que queria quando criança.
— Sem beijos? — a voz de Yuuichirou soava divertida, lembrando-se da repulsa que Mikaela-criança tinha com beijos de namorados.
— ... Ok, pensando bem, eu queria namorar de uma forma bem diferente do que queria quando era criança.
Yuuichirou empurrou Mikaela para trás, sabendo que se ele não agisse, acabariam por fazer tudo que tinham direito escorados naquela porta de madeira, e ele definitivamente não tinha a mínima intenção de ter a sua primeira vez nessas condições. Quando finalmente conseguiu se lembrar como girava a porcaria da maçaneta e a porta se abriu, os dois pararam de se agarrar por alguns instantes, piscando rapidamente e tentando entender o que estava diante de seus olhos.
Yuuichirou saiu da casa de Guren ao final da adolescência, e algumas coisas típicas do Yuu-adolescente ainda estavam ali, tais quais os pôsteres de rappers que até hoje Mikaela não entendia como seu meigo Yuu-chan tinha conseguido ouvir, alguns action figures, um Plays Station 2 e alguns bonés vergonhosos espalhados pelos cantos. Tudo normal, como se o tempo não tivesse passado nenhum mês desde a saída do garoto de casa.
A não ser pela cama de casal no centro do quarto.
— Yuu-chan, Guren sabe que a gente dorme em cama de casal?
— E-eu nunca falei nada. Não estou entendendo porque ele comprou cama de casal.
Mikaela deu de ombros. Ok, era estranho a escolha da cama que Guren fizera, mas ele não tinha tempo para se preocupar com isso agora. Tudo que ele queria era estrear aquela cama com Yuuichirou, e não importava se era em uma cama de solteiro apertada ou numa bela e imaculada cama de casal.
— Prioridades, Yuu-chan. — Mikaela afirmou, empurrando Yuuichirou para frente para que ele andasse até a cama.
Yuuichirou não se fez de rogado, jogando-se no colchão e percebendo que o presente de Guren era de extrema qualidade: a cama era maciça, nem rangeu com a movimentação, e o colchão era de mola, bem aconchegante, fazendo Yuuichirou quicar um pouco com o impacto e girar o corpo instantaneamente, ficando de barriga para cima enquanto experimentava seu novo presente.
— Vamos roubar essa cama? — Yuuichirou comentou, abrindo os braços e se sentindo nas nuvens — É melhor que a nossa!
— Quem diria que seu quarto cheio de porcarias teria uma cama nova tão boa, né? — Mikaela comentou, subindo em cima do garoto e sorrindo de canto de boca ao vê-lo fitar com ares ultrajados.
— Meu quarto não é cheio de porcaria! — ele se defendeu, sentando-se na cama com as pernas esticadas, encostando as costas na cabeceira acolchoada e cruzando os braços; Mikaela engatinhou até sua altura e se sentou em suas coxas, olhando-o nos olhos e se divertindo com sua indignação — Tudo aqui tem valor sentimental, tá?
— Aham, claro, com certeza tinha muito sentimento pra você ouvir 50 Cent e Snoop Dogg, bem profundo. — Mikaela respondeu, apontando o pôster da revista Rolling Stones colado atrás da porta; Yuuichirou corou — Cheio de sentimentos, B-Rabbit.
— Ah, cala a boca Mika, você não pode falar de mim. Eu ainda lembro muito bem do pôster de My Chemical Romance e Good Charlotte tinha em cima da sua cama, emoboy.
Mikaela riu com gosto, lembrando muito bem do seu passado e não se arrependendo dele. Na verdade, Yuuichirou estava certo: aquelas coisas detinham sim valor sentimental, e Mikaela também não queria mudar drasticamente seu quarto de adolescente na casa de Krul. Era reconfortante ver aqueles objetos que pareciam dedurar da forma mais clara possível sua personalidade adolescente, jogar jogos antigos e nostálgicos de consoles ultrapassados que ele não queria se desfazer e ouvir músicas que hoje seriam consideradas vergonhosas (mas que ele, com certeza, salvava no lado obscuro do seu spotify).
— Eu estou brincando, Yuu-chan. — ele se debruçou um pouco por cima do outro, tentando alcançar seu criado-mudo; o moreno aproveitou a aproximação para dar uma mordida contrariada no ombro do seu... namorado? É, acho que agora (finalmente) poderiam se chamar dessa forma — Eu gostava de você mesmo quando você usava todas as peças de roupas disponíveis três números acima do seu.
Mikaela colocou um boné Von Dutch na cabeça do outro e, como esperado, verificou que, mesmo com o passar dos anos, o boné ainda era grande demais para a cabeça de Yuuichirou; deu-lhe um selinho estalado no nariz, desfazendo o bico de irritação da expressão do outro.
— Isso porque eu ficava irado daquele jeito, tá! — Yuuichirou respondeu, dando um sorriso de canto e virando a aba do boné para trás, ainda não tirando-o da sua cabeça — Ao contrário de você, que não ficava bem com base branca na cara.
— Nunca usei isso, nem vem. — Mikaela contestou, franzido o cenho.
— Tá, tá, mas lápis usou sim que eu lembro. — após alguns segundos sob o olhar indignado de Mikaela, Yuuichirou sorriu largamente — Ok, confesso, realçava seus olhos!
Mikaela gargalhou alto, abraçando Yuuichirou e o fazendo se deitar em seu lado na cama.
— Podemos ter uma noite diferente já na primeira noite e lembrar os antigos visuais, se você quiser. A gente põe pra tocar "Candy Shop" e-...
— Como ousa! — Yuuichirou exclamou, já ouvindo a música em sua mente e morrendo de vergonha ao relembrar a letra — Saia do meu quarto, pervertido!
Mikaela estava se divertindo horrores com a situação, mas quando Yuuichirou realizou um novo ataque de cocegas em sua barriga, sua gargalhada se tornou de desespero. Os dois rolavam na cama, Yuuichirou se divertindo com a efetividade de seu ataque, e Mikaela praticamente chorando e implorando por misericórdia.
Quando o loiro finalmente conseguiu imobilizar seu parceiro, os dois se encontravam em uma posição bastante comprometedora. Mas, em virtude de toda reviravolta da relação dos dois naquela noite, nenhum deles pareceu verdadeiramente envergonhado com aquilo; pareciam nervosos, e tinham motivos para estar: Yuuichirou era virgem, esse não era nenhum segredo (naturalmente, Shinoa certificou-se de que até o zelador da faculdade soubesse dessa condição) e Mikaela, apesar de ter tido algumas experiências no passado, também nunca chegou as vidas de fato com alguém.
Mikaela sempre, sempre, sempre foi apaixonado por Yuuichirou. Desde menino, desde pouco depois de se conhecerem no orfanato. Quando era mais novo, ele naturalmente não entendia ao certo a intensidade dos seus sentimentos, mas mesmo quando realizou aquele pedido infantil de namoro, ele já tinha alguma noção de que queria ficar com Yuuichirou o resto de sua vida. Os anseios físicos vieram um pouco depois, com o início da puberdade: e, com isso, uma nova fase bem complicada na vida de Mikaela se iniciou.
Yuuichirou o chamava de família, o tratava como irmão; nunca, nem nos mais absurdos sonhos de Mikaela, ele achava que haveria retribuição no seu sentimento romântico, quem dirá de sua atração física. Tentou se envolver com outras pessoas (todas de cabelos escuros e olhos verdes — mas nunca naquele inesquecível tom de esmeralda), e tudo não passou de grandes frustrações; não com os outros, mas com sua incapacidade de retribuir sentimentos. Depois de ouvir algumas verdades de um caso de poucas semanas que teve (onde foi acusado de frígido e sem coração), Mikaela desistiu parar de se enganar e ficou longos anos solteiros.
Quando Yuuichirou o chamou para morar junto no apartamento próximo a faculdade, Mikaela achou que teria um infarto. Recordava-se muito bem de ter voado para a casa de Lacus e ficado algumas horas tentando se distrair com uma maratona de jogos de seu medo de pôr tudo a perder na amizade com a convivência mais próxima. Lacus até hoje não entende muito bem como Mikaela decidiu ir de boa vontade para sua casa e ficou tantas horas jogando sem nem abrir a boca; o loiro não costumava fazer nada fora de casa de Krul por conta própria, só depois de algumas horas de pedidos intermináveis...
De qualquer forma, talvez Lacus não tivesse a sensibilidade para perceber, mas estava na cara o medo de Mikaela. E este medo acabou se mostrando um medo bastante pertinente: porque a convivência se mostrou um verdadeiro desafio para seu autocontrole.
Foi muito difícil conviver com Yuuichirou todos esses anos e não poder de fato tê-lo para si: acordar de manhã todos os dias e fingir que ainda estava dormindo, só para ficar mais uns minutos tão próximo da sua pessoa mais especial; sofrer todas as vezes que ele ia para festas com amigos, com medo de que ele encontrasse uma pessoa interessante num lugar desses; céus, até assistir televisão ao lado dele era um desafio constante. Ao menos Yuuichirou não namorou nesse meio tempo e nem trouxe outra pessoa para dentro de casa, ele provavelmente não iria conseguir disfarçar o choro que se alastraria madrugada a dentro caso isso acontecesse.
Era uma tentação constante. Era como um vampiro viver sempre com sede, mesmo tendo a opção de sangue fresco próximo de si todos os dias, sem poder de fato enfiar seus caninos na sua preza — era assim que Mikaela se sentiu durante todo esse tempo com Yuuichirou do seu lado.
— Yuu-chan... — Mikaela sussurrou, deixando de lado o momento lúdico e abaixando-se para beijá-lo com extrema necessidade, não se prendendo mais em seus anseios e deixando toda a ousadia que reprimia até então do lado de fora do quarto: ali, em quatro paredes, ele iria deixar bem claro para Yuuichirou o quanto o desejava.
Suas mãos estavam mais ousadas e, em meio a um beijo intenso que claramente deixava o outro sem fôlego (Tá na cara que Yuu-chan não tem experiência com beijos, e eu vou resolver esse problema com treinamento intenso!), Mikaela abriu o botão do jeans de Yuuichirou sem grandes dificuldades, enfiando sua mão na parte de trás de sua calça e apertando seu traseiro sem qualquer cerimônia, ainda se refreando o suficiente para fazer isso por cima do tecido de sua cueca.
Sentindo o nervosismo crescer ainda mais em seu corpo, Yuuichirou tentava inutilmente acalmar seu tremor de ansiedade e pavor do desconhecido. Mikaela também estava nervoso, mas não tanto quanto ele; quando se afastou um pouco para olhar para o mais novo, Yuuichirou chegou a bater os dentes de leve do tanto que tremia.
— Você está com medo? — questionou, tentando retirar sua mão de dentro da calça de Yuuichirou, mas sendo impedido pelo próprio de encerrar o contato; o moreno o agarrou mais forte, impedindo-o de mover seu braço — Se estiver arrependido...
— N-não. — Yuuichirou respondeu, levando as mãos trêmulas para o rosto de Mikaela e acariciando da forma que conseguia sua mandíbula — Eu quero muito, eu... eu só...
— Eu entendo. — Mikaela disse, virando o rosto para beijar uma das mãos de Yuuichirou docemente em meio a carícia — Fique calmo e me deixa conduzir, ok?
— Eu-...!
— Não seja teimoso. Você está nervoso demais. — o loiro rebateu, já sabendo que tipo de protesto se iniciaria — Deixe eu cuidar de você, ok?
Yuuichirou engoliu em seco, corou ainda mais, mas balançou a cabeça em afirmação, fazendo com que seu nervosismo diminuísse consideravelmente ao ouvir aquelas palavras suaves.
Mikaela sabia que Yuuichirou queria conduzir no sexo e ser o ativo. Não porque era um grande sonho seu ou algo assim, mas porque era uma pessoa muito competitiva, desde que eram crianças eles discutiam e competiam por conta de quase tudo em seu dia-a-dia. E Mikaela, para ser sincero, não se importava muito com essa dinâmica e até adoraria tentar deste jeito quando Yuuichirou se sentisse mais confiante; entretanto, se ele tentasse fazer isso naquela noite, da maneira como se encontrava nervoso não iria conseguir, iria brochar, iria se envergonhar e ficaria semanas sem conseguir encarar qualquer outra pessoa. Ele sabia disso, e só estava tentando poupá-los de desconfortos desnecessários.
Talvez na próxima vez... — Mikaela pensou, sentindo um leve arrepio em seu corpo. Ele também ia aguardar ansiosamente por esse momento.
— Feche os olhos, Yuu-chan. — Mikaela murmurou, beijando o pescoço do outro com devoção e deixando mordidinhas e marcas em sua pele.
Ele atendeu ao seu pedido, respirando de forma entrecortada e, por mais que estivesse loucamente desesperado por um contato sexual com Mikaela, tinha serias dúvidas se conseguiria expor uma ereção naquele momento. Não conseguia acreditar que iria estragar tudo sendo um virgem idiota que-...
— Não pense em nada, Yuu-chan. — Mikaela murmurou mais uma vez em seu ouvido, e passou gradualmente a despi-lo enquanto acariciava cada parte exposta de sua pele — Só sinta.
Yuuichirou novamente se esforçou para se acalmar e fechou os olhos, tentando não deixar transparecer o momentâneo ciúmes que teve ao imaginar que Mikaela adotava toda responsabilidade para si por já ter experiência com o assunto — e tentando barrar as desastrosas imagens de Lacus que vinham em sua mente. Ainda sim, seguir o conselho Mikaela o acalmou consideravelmente, e ele aguardou pacientemente.
Já Mikaela engoliu em seco, se dando conta do peso da responsabilidade que teria e se perguntando como diabos iria se controlar com Yuuichirou. Afinal de contas, depois de muitos anos de frustração e sonhos eróticos, finalmente ele teria Yuuichirou para si; e se ele o machucasse? E se Yuuichirou se arrependesse?
Balançando a cabeça de leve e tentando deixar sua preocupação longe, Mikaela se concentrou em despir a parte de cima dos dois. Não foi tão gracioso quanto ele imaginava: Yuuichirou deu uma cotovelada em seu ombro quando ergueu os braços para que ele retirasse sua roupa, mas isso só diminuiu um pouco mais o nervosismo de ambos, arrancando um riso breve de Mikaela. Agora despidos, Yuuichirou abriu os olhos e encarou Mikaela, apreciando-o com olhar sem precisar se conter; o loiro fez o mesmo, demorando sua atenção especialmente na marquinha arroxeada no pescoço do outro.
— Não fica olhando! — Yuuichirou protestou, cobrindo a marca que já imaginava estar ali, e se escondendo abaixo de seus braços friccionados. Sabia que essa vergonha não tinha o menor sentido; Mikaela já o vira nu mais vezes do que ele poderia se recordar, e sem camisa então? Corriqueiro.
Todavia, logicamente a situação atual era diversa, e era impossível exigir uma reação diferente dele.
Mikaela e Yuuichirou tinham corpos parecidos: eram em forma, nada muito exagerado, e certamente puxavam mais para o estilo "magro" do que para "musculoso". Mikaela, no entanto, tinha seu abdominal um pouco mais definido, enquanto Yuuichirou tinha um abdominal liso e uma cintura um pouco mais fina do que era esperado para um homem com sua idade. Isso o irritava profundamente e ele tentava "consertar" essa característica com exercícios regularmente — se fosse sincero, na adolescência ficou tanto tempo usando roupas largas simplesmente porque queria disfarçar o que ele considerava um defeito.
Mas, aos olhos de Mikaela, essa característica de Yuuichirou era uma qualidade.
— Eu sempre olhei pra você, Yuu-chan. — Mikaela respondeu, não se importando em parecer um stalker com aquela afirmação; abaixou seu rosto para a dobra do pescoço de Yuuichirou, deixando um rastro de beijos desde ali até seu umbigo e agarrando os braços do outro quando este tentava afastá-lo por causa das cocegas — Eu te acho perfeito, perfeito pra mim. Não sinta vergonha de mim. Você tira meu fôlego de tão perfeito que é.
Como se quisesse deixar claro a veracidade de sua afirmação, Mikaela passou suas duas mãos na lateral da cintura de Yuuichirou, apertando-o com vontade e erguendo as pernas dele, guiando-o para que o envolvesse e o puxasse para mais perto, voltando a friccionar as ereções encobertas, erguendo a cabeça e não escondendo seu olhar levemente predatório de Yuuichirou — ele o queria muito, e fazia questão de deixar escancarado seu desejo.
Incapaz de manter a troca de olhar sem entrar em combustão espontânea, Yuuichirou virou o rosto na cama, sentindo sua pele arder um pouco onde Mikaela o apertara; estava apavorado consigo mesmo por ter gostado dessa demonstração de desejo um pouco mais possessiva. Cobriu o rosto com um dos braços, tentando não olhar mais para Mikaela. Nada disse, mas seu silêncio foi interpretado como um consentimento: Mikaela abaixou um pouco as mãos, agarrando-o pela barra da calça (quando foi mesmo que ele abriu seu zíper? Yuuichirou nem percebeu!) e começando a retirá-la. Novamente tiveram que lidar com o corta-clima de momentos desajeitado, mas logo Yuuichirou estava de fato sem roupas; correção, ainda usava roupas íntimas.
E, bem, Mikaela conhecia essa cueca...
— Yuu-chan, isso é meu! — ele exclamou, fazendo o outro tirar o braço do rosto e olhar para baixo, se dando conta do que Mikaela se referia, sentindo seu coração acelerar e seu corar intensificar; ergueu a cabeça, pronto para se desculpar e lidar com o flagra, mas se surpreendeu ao ver que Mikaela não estava irritado com ele como sempre ficava quando ele usava algo sem pedir emprestado.
Ao contrário, Mikaela parecia ainda mais possessivo, olhando-o de forma claramente predatória.
— Un... — Yuuichirou tentou formular uma resposta, mas antes que pudesse abrir a boca, foi atacado em um beijo intenso que lhe tirou o fôlego: a essa altura do campeonato, Mikaela nem parecia se inibir mais, agarrando sua nádega esquerda com vontade — M-Mika!
Mikaela tinha alguns desejos peculiares e, sem querer, Yuuichirou acabou dando combustível para um deles durante todos esses anos.
Ao contrário do que Yuuichirou anteriormente imaginava, Mikaela não era mesquinho com suas roupas e objetos pessoais. Ele não ficava irritado quando Yuuichirou vestia alguma peça de roupa, não era bem isso que ele sentia: Mikaela adorava ver Yuuichirou usando suas roupas, porque isso alimentava de alguma forma sua grande (e reprimida) possessividade pelo moreno; vê-lo utilizando seu cinto quando estavam se arrumando para o jantar, por exemplo, fez com que Mikaela sentisse desejo sexual por Yuuichirou quase que instantaneamente, e ele precisou se controlar muito para não puxá-lo pelo cinto e beijá-lo até sua boca inchar. Por isso, Mikaela ficava com frustração sexual quando Yuuichirou usava alguma coisa dele, e isso fazia com que ele arrancasse tais peças de roupa quase que instantaneamente. Era sua única forma de precaução para que não fizesse algo fora dos limites.
Mas ah... agora não há mais limites!
— Eu quero te morder inteiro quando você usa minhas coisas. — ele praticamente grunhiu contra os lábios de Yuuichirou, adorando senti-lo estremecer abaixo de si com a intensidade de seu tom de voz.
— Q-que...? — Yuuichirou questionou, confuso, jogando a cabeça para trás quando Mikaela arranhou novamente sua pele, desta vez para puxar a cueca que utilizava com certa brutalidade (os dois claramente ouviram o barulho da costura se rompendo, mas não pareceram se importar com esse detalhe).
— Você sabia, não sabia? — Mikaela o acusou, afastando-se um pouco e olhando-o para a expressão luxuriosa do outro com um certo orgulho de si próprio (Yuu-chan está assim por minha causa...!) — Você sabe que eu fico louco quando te vejo usando minhas coisas e faz de propósito, não é?
— N-não...! Eu-u... — a verdade era que Yuuichirou era tão desligado pra essas coisas que muitas vezes nem se dava conta de que estava utilizando alguma peça de roupa de Mikaela; eventualmente fazia isso por cara de pau mesmo, mas nunca, nem em um milhão de anos, imaginaria que esse era o real efeito que a troca do guarda-roupa causava.
Não conseguiu se justificar, pois Mikaela o deixava sem voz: estava sobrecarregado de sentimentos, mal conseguia compreender onde as mãos de Mikaela estavam e onde sua boca o beijava e mordia. O loiro o deixava sem fôlego e, pela pouquíssima (para não dizer nenhuma) experiência de Yuuichirou, ele não conseguia sequer prever as sensações de cada toque. Sentia calor, desejo, luxúria e uma ansiedade que não parecia conter dentro de si.
Deixou um gemido languido escapar de seus lábios quando Mikaela voltou a mordiscar todo seu torso, desta vez descendo a coluna de beijos até a altura de sua virilha. Apoiou-se em seus cotovelos ao ponto de ver o outro apreciar sua região intima com grande satisfação, lambendo os lábios e aparentando estar diante de algo muito saboroso.
Mikaela o fitou nos olhos por poucos segundos, antes de sorrir de canto de boca, por a língua para fora e lamber toda a extensão de seu membro sem qualquer pudor. Yuuichirou jogou a cabeça para trás e cobriu novamente os rosto, temendo perder o controle se continuasse a assistir Mikaela agir daquela forma consigo.
— M-i... ka... Ahn... — Yuuichirou não tinha mais coerência em suas palavras, e Mikaela não se fazia de rogado ao chupar de forma um pouco desajeitada o seu membro, ainda sim não menos sexy. Aliás, ver Mikaela se engasgar um pouco com a ansiedade de tê-lo por completo em sua garganta, sem saber a consequência deste ato, fez com que Yuuichirou dissipasse um pouco do ciúmes estonteante que sentira desde que constatara que Mikaela tem algum tipo de experiência com esse tipo de coisa.
Prefiro que ele não tenha experiência com nada. Quero que ele aprenda comigo! — Pensou, de forma possessiva, não se reconhecendo em seus pensamento. Abaixou de novo o olhar, respirando de forma ofegante e não desejando perder um segundo daquela visão: tinha certeza de que sonharia com aquilo durante muitas e muitas noites.
Mikaela ficava extremamente convidativo daquela forma, olhando-o de baixo com os olhos semicerrados de desejos, quase que brilhantes na iluminação baixa do ambiente, com o rosto corado e os lábios ao seu redor. Os dois gemeram quando seus olhares cruzaram, e Yuuichirou choramingou ao se dar conta de como um gemido de Mikaela bem ali podia ser especialmente prazeroso; levou sua mão direita para os cabelos do outro, forçando-o a parar de mover sua cabeça, temendo que não conseguiria adiar o orgasmo por muito tempo.
Mikaela deixou o pênis de Yuuichirou escapar de seus lábios, respirando ruidosamente e gostando bastante da pegada firme do outro em seus cabelos. Yuuichirou, parecendo mesmerizado com sua aparência, levou a mão livre para erguer seu queixo, passando o polegar sob seu lábio inferior; Mikaela o envolveu com sua boca e o chupou de um jeito desavergonhado, deixando claro que gostaria de estar chupando outra coisa naquele instante.
— Caralho Mika... — Yuuichirou gemeu, estremecendo e se perguntando se era possível ter um orgasmo sem estimulação física, apenas visual — Eu... Eu quero, mas... E-eu...
Apesar de ter adorado a iniciativa, Yuuichirou não queria passar vergonha. Sabia que Mikaela queria oferecer mais tempo de sexo oral, mas ele era virgem! Não espere que um virgem dure mais do que três minutos ao receber seu primeiro boquete — e ele podia até ter cedido várias coisas, mas seu orgulho não o deixava chegar ao orgasmo antes de Mikaela. Por mais deliciosa que fossem aqueles lábios, ele não podia deixar isso acontecer! Não desta vez!
O loiro, no entanto, parecia entender seus motivos sem questionar, e isso era um alívio e tanto.
— Onde está seu lubrificante, Yuu-chan? — indagou ainda passando a língua no polegar de Yuuichirou e se refreando para não mordê-lo. Era difícil, mas ele teria que aprender a se controlar.
— Eu não tenho estas coisas. — respondeu, rápido demais para ser uma verdade.
— É mesmo? — Mikaela não escondia a diversão em seu tom de voz, soltando o polegar de Yuuichirou e tratando de tomar para si o seu dedo indicador, adorando a forma como a respiração do outro falhou ao vê-lo agir dessa forma — Então teremos que encontrar uma alternativa, né?
Yuuichirou engoliu em seco com a intensidade no olhar de Mikaela quando este desprendeu o dedo de seus lábios subitamente, limitando-se de apreciá-lo de cima a baixo lentamente uma única vez, antes de virá-lo de maneira levemente abrupta e colocá-lo de barriga para baixo no colchão.
Mikaela mordeu sua nádega direita antes mesmo que Yuuichirou se desse conta do que estava acontecendo, e ele mal conseguiu manter sua voz numa altura razoável, temendo que Krul fosse capaz de ouvir seu escândalo na casa ao lado.
— N-NÃO MIKA, NÃO! NÃO FAZ ISSO! PARA! — implorou, mortificado de vergonha, tentando fugir do toque do outro e conseguindo depois de Mikaela o soltar ao compreender seu desespero. Ofegante, agarrou a borda do criado-mudo com força, caindo sobre o móvel, e enfiou a mão bem no fundo da gaveta, achando o que procurava em questão de segundos — E-eu tenho, eu tenho!
Yuuichirou praticamente jogou a bisnaga de lubrificante para trás, se afastando de Mikaela e escondendo o rosto com vergonha no travesseiro.
Mikaela piscou algumas vezes, recobrando seu foco e encarando o objeto que agora se encontrava em seu colo. Ele estava com muita vontade de sentir Yuuichirou daquele jeito, apreciar seu gosto e fazê-lo chorar de prazer com um sexo oral bem dado, mas pelo jeito era exigir demais do outro que se desinibisse tanto assim logo na primeira vez. Entendeu, sorrindo e achando toda demonstração de vergonha perante seus olhos algo extremamente adorável, mas sentindo-se até um pouco culpado por encabular o outro desta forma.
— Desculpe. — murmurou, aproximando-se de Yuuichirou e se deitando atrás dele, de conchinha, entrelaçando sua perna a dele e passando a mão sobre sua cintura mais uma vez, em uma forma carinhosa e visando transparecê-lo confiança — Eu fui rápido demais, eu não devia ter agido assim. Eu não me controlei como deveria quando te vi usando minha cueca, Yuu-chan. Eu sabia que ia ser difícil me controlar com você, mas ai teve esse golpe-baixo... Me perdoe.
— M-mika, não peça desculpas. — a voz de Yuuichirou soava abafada pelo travesseiro, e Mikaela se inclinou um pouco para beijá-lo na bochecha, fazendo com que o outro virasse o rosto para fita-lo lateralmente — Eu... droga, eu não queria estar tão nervoso, mas...
— Eu entendo, shii... — Mikaela respondeu, dando um beijinho em seus lábios — Você quer parar?
— Não! — Yuuichirou tentou se virar, mas Mikaela o segurou com suavidade, dando-lhe um beijo doce em seu pescoço.
— Então fique nessa posição. — orientou, transparecendo paciência e deixando claro que iria encontrar uma alternativa — Eu vou te ajudar a se acalmar.
Mikaela tratou de tirar as próprias roupas, ainda estava com calças e isso com certeza deixaria Yuuichirou mais nervoso por ser o único totalmente exposto. Tratou de ficar totalmente nu, e Yuuichirou não virou o rosto, ainda mantendo-se deitado de lado e fechando os olhos com força.
Quando Mikaela tirou a última peça de roupa, se posicionou novamente atrás de Yuuichirou, e ficou evidente a forma como ele respirou profundamente a sentir o contato quente de pele contra pele. Mikaela também não escondeu sua excitação evidente, deixando sua ereção descansar nas costas do mais novo.
— Eu te quero demais, Yuu-chan. — murmurou ao ouvido do outro, mordendo o lóbulo de sua orelha docemente, e pegou a mão trêmula de Yuuichirou e a guiou para trás de seu corpo, fazendo-o tocar em seu membro com cautela.
Yuuichirou o envolveu com os dedos, tateando e tentando suprir sua curiosidade ao medi-lo e senti-lo timidamente. Ainda um pouco incerto de como deveria fazer e respirando de forma entrecortada, passou a masturbá-lo quase que por instinto.
— Por que você se sente tão inseguro quando eu estou desse jeito por sua causa? — Mikaela indagou dentre um gemido, adorando a carícia inexperiente que recebia.
Chegou a conclusão de que deveria deixar claro para Yuuichirou que a excitação era reciproca, se não o outro ficaria muito preocupado se "estava fazendo a coisa certa" ou "estou passivo demais", e ele não queria isso. Deixar Yuuichirou ter algum controle claramente era essencial para que continuassem e que a tensão se dissipasse um pouco.
Deu certo: Alguns segundos depois, Yuuichirou se virou na cama, ficando de frente para Mikaela e olhando-o com extremo desejo estampado em seu rosto. Abaixou seu olhar logo que instantaneamente, curioso para ver de perto o membro de Mikaela. Corou um pouco mais ao vê-lo, mas antes que pudesse se refrear novamente pela vergonha, Mikaela levantou seu queixo para um beijo e tomou a ereção e Yuuichirou em suas mãos, acariciando-o por uns segundos antes de guiar a mão do outro para que envolvesse os dois membros ao mesmo tempo em uma carícia compassada e intensa.
— M-mika... — ele gemeu seu nome de uma forma tão fraca que Mikaela teve vontade de mordê-lo por completo novamente; ele se controlou desta vez.
Yuuichirou comandava a masturbação dupla em seu próprio ritmo, mais lento do que Mikaela geralmente fazia em si mesmo. Apesar disso, o loiro não o impediu, apreciando-o com os olhos levemente abertos a expressão totalmente perdida em êxtase estampada no rosto de Yuuichirou: olhos fechados, lábios apartados e liberando gemidos impudicos, e seus cabelos negros estavam em vários pontos grudados em seu rosto corado e suado pelas atividades que faziam. Mikaela o apreciou por vários segundos, tentando gravar esta expressão de Yuuichirou na memória como se estivesse diante de uma das sete maravilhas do mundo.
Após sentir seu corpo protestar e desejar acelerar o contato, aproveitando que Yuuichirou ainda se distraia com as sensações, Mikaela tateou às cegas a bisnaga já quase esquecida de lubrificante, encontrando-a presa entre o corpo dos dois. Pegou uma generosa quantidade da substância, provavelmente mais do que precisaria, querendo certificar de que ninguém acabaria a noite machucado.
— Você é muito melhor do que eu sonhava, Yuu-chan. — Mikaela sussurrou em seu ouvido, o manipulando para que colocasse uma perna sobre seu corpo, deitando de costas na cama enquanto o puxava para perto de si. Yuuichirou permitiu a movimentação, preso demais em prazer para deixar que a masturbação dupla cessasse.
Hipnotizado pela sensação e pelas palavras elogiosas, Yuuichirou não se deu conta de que estava agora acima de Mikaela, sentado em seu colo e, agindo por impulso, realizando movimentos com seus quadris para intensificar ainda mais o contato das duas ereções. Mikaela deixou um gemido grave escapar, quase como um grunhido; Yuuichirou abriu os olhos, engolindo em seco ao ver a forma como o outro parecia extasiado ao vê-lo satisfazendo seu próprio prazer daquela forma.
Não podia negar: ver Mikaela entre suas pernas, abaixo de si, lhe deu um pouco mais de autoconfiança; sorrindo de satisfação, Yuuichirou curvou-se para frente e iniciou um beijo languido e demorado, acelerando a intensidade de sua masturbação dupla.
Entre os estalos de beijos molhados, Yuuichirou sentiu algo úmido em seu traseiro: se deu conta de se tratar dos dedos de Mikaela, provavelmente encobertos de lubrificante (quando foi que ele abriu aquela bisnaga?) e, apesar de claramente se sentir mais tenso pelo que viria a seguir, se deixou conduzir mais uma vez.
— Posso? — Mikaela perguntou, apenas acariciando a entrada de Yuuichirou com seus dois dedos lubrificados; sendo sincero, preferiria olhar fixamente para esse traseiro lindo que Yuuichirou possuía e, com alguma sorte, provando essa parte tão íntima do outro; mas sabia que ele necessitava um pouco de paciência em sua primeira vez e, por isso, olhava firmemente em seus olhos, tentando transparecer calma e cumplicidade.
Yuuichirou balançou a cabeça afirmativamente; para o delírio de Mikaela, curvou-se um pouco para trás e levou sua mão desocupada para seu traseiro também, puxando sua nádega esquerda para facilitar o contato do outro com a região mais intima, abrindo-se para ele.
Mikaela chegou a salivar de satisfação, deixando um ruído um pouco assustador escapar de sua garganta quando enfiou o dedo do meio dentro de Yuuichirou, deliciando-se ao sentir o calor daquela região.
— D-deus... — o moreno suspirou, tentando instintivamente fugir do toque, mas Mikaela o forçou a manter a posição com sua mão livre, segurando-o de uma forma bastante firme sua cintura. Yuuichirou gemeu alto, adorando a força da pegada do outro e a sensação familiar em seu ânus.
Por óbvio, ele não era inexperiente ao ponto de não ter brincado consigo mesmo. Se fosse falar a verdade, ele até preferiria suas longas noites solitárias na cama de solteiro de seu antigo quarto, com direito a privacidade e autoconhecimento, do que masturbações convencionais no chuveiro do apartamento que dividia com Mikaela; mas ele tinha vergonha demais para admitir isso para quem quer que fosse. Ainda sim, a forma como ele gemeu alto e se empinou instintivamente para Mikaela denunciou seu conforto em ser tocado naquela região.
Mikaela sorriu de canto de boca, erguendo uma sobrancelha ao retrair seu dedo e enfiar o indicador em conjunto, ganhando um gemido impudico do outro, que simplesmente parou a masturbação e se jogou sobre seu peito, deixando seu traseiro bem empinado com a pretensão de sentir mais prazer.
— Você gosta, né? — Mikaela sussurrou de forma arrastada em seu ouvido; Yuuichirou levou mais uma mão para trás, abrindo-se ainda mais para o outro.
— C-cale a boca... — ele respondeu, rispidamente, mas mesmo assim não retraiu suas mãos, fechando os olhos e apreciando a sensação, adorando especialmente o tom da voz de Mikaela e desejando, bem no fundo, que ele não parasse de falar.
E ele não parou.
— Você brinca assim todos os dias que tem aqueles banhos demorados, é? — Mikaela rosnou em seu ouvido, sentindo Yuuichirou apertar seus dedos em seu canal, indicando que sentira prazer em suas palavras.
Então meu Yuu-chan gosta de ouvir sacanagem no sexo? Hmm...
— N-não... — Yuuichirou suspirou, começando a rebolar sobre os dedos de Mikaela, mordendo o pescoço do outro enquanto ouvia a respiração ofegante dele em seu ouvido.
— Então você fazia isso quando vinha dormir na casa do Guren?
— Q-quieto!
— Você fazia isso aqui pra eu não te pegar no flagra? Era nesse quarto que você enfiava esses dedos lindos aqui, hein? — Mikaela enfatizou sua pergunta acelerando ainda mais o vai e vem; Yuuichirou choramingou alto, soltando uma de suas mãos e agarrando o braço de Mikaela com força.
— M-mika por favor, para de me provocar... — usando sua técnica infalível de olhos pidões, Yuuichirou fitou Mikaela por alguns segundos, logo fechando os olhos ao sentir os dedos dele atingirem sua próstata, destruindo sua tentativa de convencimento ao pegar o pulso de Mikaela com uma de suas mãos e força-lo a acelerar ainda mais o vai e vem de seus dedos.
Mikaela suspirou fundo ao ver Yuuichirou perder pouco a pouco o controle, adorando este lado possuído de desejo que agora tinha o prazer de apreciar nele. Mordeu o lábio, deliciando-se com o descontrole do outro, e arranjando forças de algum lugar de sua alma para provoca-lo só mais um pouquinho:
— O que você quer? Me diz, Yuu-chan. — sussurrou, tentando ao máximo fazer sua voz soar inocente e perdida, como se realmente não soubesse o que o outro queria — Não sou adivinha.
Yuuichirou gemeu em frustração, soltou o pulso de Mikaela, levou sua mão para o rosto do outro e o segurou com um pouco de autoridade, forçando-o a fitá-lo e adorando o olhar levemente surpreso e animado que Mikaela lhe direcionou.
— Quero você, dentro de mim, anda Mika! — toda a vergonha de outrora não se fazia presente, não quando ele estava necessitado daquela forma — Eu to pronto, eu aguento!
Mikaela não precisou pedir mais nada: retraiu seus dedos, limitando-se apenas em espalhar um pouco do resto de lubrificante que tinha em suas mãos no seu pênis e roçando-o de leve na entrada de Yuuichirou, mordendo o lábio ao sentir o calor dele envolver a cabeça de seu pênis de uma maneira tão saborosa.
— Anda Mika, anda... — Yuuichirou suspirou, recobrando a coerência o suficiente para recolocar seu olhar pidão; este sempre foi seu tipo de chantagem mais eficiente contra Mikaela — Eu preciso!
Mikaela quase cedeu, quase! Mas antes, ele queria, e muito, ouvir apenas uma coisinha:
— Então pede "por favor", Yuu-chan. — ele disse entre um sorriso torto, desejando alimentar suas fantasias sexuais futuras ao ver um Yuuichirou com as pupilas dilatadas de prazer implorando pelo sexo.
Mas, ao contrário do que estava esperando, não foi isso que aconteceu: Yuuichirou estreitou o olhar, visivelmente furioso, e sentou-se sobre seu membro, deixando apenas um suspiro de desconforto escapar de seus lábios. Apesar de Yuuichirou já ter experiências consigo mesmo, receber o membro de Mikaela dentro de si claramente não era a mesma coisa. A sensação era mais intensa, mais quente, maior... Era muito melhor, era algo que ele não estava preparado a receber: não porque doeu, não doeu nem um pouco (ele tinha alguma experiência, afinal de contas!) mas porque era maior e mais intenso do que estava acostumado. Apesar disso, logo recobrou sua compostura e o olhou cara-a-cara com um ar desafiador que o outro não esperava receber.
— Nem fodendo, Mikaela. Literalmente. — Yuuichirou riu da expressão indignada do outro e se curvou para frente para beijá-lo; claro que algum dia iria alimentar essas fantasias de Mikaela, ele claramente desejava vê-lo necessitado e implorando por sexo, mas não seria essa noite.
Não tinha porque tudo acontecer na mesma noite, não é mesmo? Agora, eles tinham uma vida inteira pela frente... Esse pensamento fez um arrepio percorrer todo o corpo de Yuuichirou e, deixando sua mente ir mais longe, teve a constatação de que Mikaela estava dentro dele do jeito mais íntimo que um ser humano é capaz de se conectara ao outro.
Quando Mikaela arranhou suas costas e mordeu seu lábio inferior, Yuuichirou não mais conseguiu se segurar: suspirar dentre o beijo, apartando-o por alguns instantes e levando uma das mãos a franja molhada de suor de Mikaela, fitando seus olhos enuviados de prazer com total devoção no olhar.
— Você... Mika, v-você está e-em mim... — gemeu, fazendo Mikaela sorrir de canto de boca e superar o ataque de Yuuichirou que tinha recebido.
Ele agarrou o traseiro do moreno, forçando-o um pouco mais para baixo, arrancando um segundo suspiro permeado de um palavrão descontrolado. Mikaela também estava extasiado pela constatação de que ele finalmente estava dentro de Yuuichirou, e isso o fazia ficar ainda mais audacioso.
— Isso, Yuu-chan. Aprecie bem essa sensação, porque você vai sentir isso muitas vezes. — ele sibilou, ajudando o mais novo a rebolar sobre seu membro com as mãos firmes em seus quadris. Yuuichirou choramingou, afastando-se um pouco, com as mãos no peitoral de Mikaela e se perdendo na sensação.
— Sim... sim...! Eu quero mais vezes! — ele declarou, colocando força em seus joelhos, movendo-se para cima lentamente e deixando a gravidade puxar seu corpo para baixo, arrancando um ruído de prazer do fundo da garganta de Mikaela.
Mikaela deixou seus instintos tomarem conta, empurrando Yuuichirou para o lado e forçando-o a cair de barriga para baixo no colchão. Antes que o mais novo pudesse protestar, Mikaela encaixou-se atrás dele e se enfiou por completo em seu corpo, fazendo-o engasgar pela intensidade da penetração e enfiar a cabeça no travesseiro para abafar seu grito de prazer, tentando controlar um orgasmo que estava prestes a acontecer.
Ele estava adorando, não, venerando essa forma mais bruta de Mikaela em seus lençóis: era realmente revigorante saber que ele tinha o necessário para fazer o outro perder o controle e abandonar um pouco a gentileza que sempre direcionava a ele e, por mais que tudo isso o deixasse sem chão pela falta de experiência, ele ainda pretendia explorar muito essa dinâmica dos dois em momentos futuros.
Acho que eu tenho uma tara e não sabia...
— Você está ficando mais apertado, Yuu-chan. Tá na cara que você gosta assim! — a voz grave e aveludada de Mikaela sussurrava contra o ouvido de Yuuichirou, seus quadris começaram a empurrar mais fortemente contra seu traseiro, e os dois começaram a ouvir a cabeceira da cama bater de forma ruidosa contra a parede — Não se preocupe, eu também sempre te sonhei em te comer desse jeito.
Yuu tentou morder os lençóis para esconder os sons vergonhosos de sua garganta, mas Mikaela não gostou nem um pouco disto, agarrando seus cabelos negros e forçando-o a erguer o rosto. Foi instantâneo: os gemidos e soluços soaram livremente dos lábios de Yuuichirou, que parecia ter se perdido por completo:
— Mais Mika! Mais! Mais rápido!
Apesar da ausência do "Por favor" que Mikaela queria tanto ouvir, eram súplicas imersas de prazer que alimentaram e muito seu próprio tesão. Ele sentia-se cada vez mais descontrolado, e o calor súbito em seu baixo ventre indicava que, em breve, ele chegaria ao orgasmo.
Ficou feliz em acelerar mais suas estocadas, gemendo baixinho em sua garganta e soltando os cabelos de Yuuichirou ao levar suas duas mãos ao traseiro do outro, apertando-o grosseiramente suas nádegas e abrindo-as para observar sua ereção entrar e sair do corpo de seu namorado rapidamente, conectando-os. Ele puxou o corpo debaixo dele para mais perto enquanto sentia Yuuichirou estremecer de prazer e apertar-se ao seu redor, parando de respirar e indicando que estaria a um passo de gozar.
As impressões das mãos e unhas de Mikaela ficaram marcadas na pele de Yuuichirou enquanto ele continuava a agarrar seus quadris como se sua vida dependesse disto; subitamente Mikaela chegou ao orgasmo, liberando-se bem fundo em Yuuichirou, imerso em um prazer descomunal que não sabia ser capaz de sentir. Yuuichirou não ficou logo atrás, depois de sentir Mikaela desfalecer dentro dele, chegou ao orgasmo na mesma intensidade, agarrando os lençóis com as unhas e gritando o nome do loiro em voz alta, ouvindo a fronha romper diante sua força descontrolada pelo prazer.
Mikaela o movimentou na cama, fazendo-o deitar do outro lado da cama (a qual não se encontrava suja pelo esperma de Yuuichirou) e, antes que o garoto pudesse respirar, o beijou com tanto desejo que Yuuichirou pensou seriamente que Mikaela pretendia ter mais um round. Sendo sincero, apesar de ainda estar com o coração batendo rápido demais para sequer pensar em alguma coisa, e da sensibilidade de seu corpo ser notável ao ponto de se tornar um problema se continuassem, Yuuichirou não seria contra mais uma tentativa naquela noite.
— Esse foi o melhor presente de Natal que você podia me dar, Yuu-chan. — Mikaela murmurou com a voz rouca entre o beijo, começando a sentir seus próprios lábios doerem de tanto que beijara Yuuichirou até aquele momento.
— C-cale a boca, Mika. — Yuuichirou o censurou com um soquinho no ombro, e Mikaela riu alto, mordendo o pescoço de Yuuichirou com leveza e beliscando a lateral de sua barriga, arrancando risos de cócegas e suplicas de "pare!".
Sentindo-se especialmente de bom humor, Mikaela cessou seu ataque e se afastou um pouco do corpo de Yuuichirou, permitindo que ele respirasse e recuperasse o fôlego. Tomou seu tempo apreciando cada pedacinho do corpo do moreno, com um olhar até mesmo sonhador, adorando as marcas que deixara na pele do outro (algumas em lugares bem expostos, e seu lado possessivo adorou esta constatação).
Quando Yuuichirou finalmente relaxou, aproximou-se de Mikaela e descansou sua cabeça em seu peito, entrelaçando suas pernas à dele e não se incomodando com a nudez que ambos exibiam. Ficou algum tempo se deliciando com o cheiro natural de Mikaela, sentindo traços do perfume que agora estava bem menos intenso, e constatando que não havia nada mais aconchegante do que ser envolvido por Mikaela daquele jeito. Ele queria isto para sempre, e se sentia um idiota por ter demorado tanto tempo para perceber isso.
— Me desculpa, Mika. — Yuuichirou falou, sentindo-se um pouco culpado — Eu demorei demais pra perceber. Você deve ter sofrido bastante esse tempo todo...
Mikaela fez um barulho de contemplação no fundo da garganta, envolvendo o corpo de Yuuichirou com um braço e, com a mão livre, acariciando seus cabelos negros e bagunçados.
— Era meio difícil sim ver você andando pra cima e pra baixo só com uma toalha na cintura, Yuu-chan. Eu sofri bastante. — Yuuichirou ergueu um pouco a cabeça e lançou um olhar levemente irritado para Mikaela, o qual sorria satisfeito pela brincadeira — O que foi? Ereção persistente pode levar a óbito, sabia?
— Eu falo sério, Mika!
— Pior que eu também falo... — o loiro respondeu, fazendo uma expressão séria por alguns instantes e se lembrando do quão frustrado sexualmente ele se encontrava nos últimos meses — Mas, de qualquer forma, não tem que pedir desculpas. Até porque, se dependesse de mim, você nunca ia saber. Foi você que tomou a iniciativa, então é você quem tem que ter todos os créditos.
Yuuichirou deu um sorrisinho encabulado, voltando a se aconchegar no ombro de Mikaela e se deliciar com a caricia inocente que recebia. Os dois ficaram algum tempo explorando um o corpo do outro de forma preguiçosa e sem pretensões sexuais, trocando beijinhos suaves e cosquinhas leves, até que Yuuichirou se lembrou de algo importante:
— O que tinha no papel que você me entregou, Mika?
Mikaela se ajeitou na cama, soltando-se do corpo de Yuuichirou e olhando-o de cima, parecendo bem mais desperto no momento.
— Você não leu?
— Não deu tempo. — Yuuichirou respondeu, um pouco encabulado com sua lerdeza. Ele estava perdendo tempo relembrando do passado enquanto Mikaela achava que ele lia, e ele se sentia um idiota por isso — Me diz o que era? Você não jogou fora, né?
— Por que você não procura no bolso da minha calça? Acho que joguei ela lá no canto, do quarto, perto da sua escrivaninha.
Yuuichirou franziu o cenho, fitando Mikaela e duvidando de seu olhar inocente. Ainda sim, se preparou para levantar, gemendo um pouco de dor e sentindo suas pernas tremerem quando se apoiou no chão. Encontrou a roupa jogada no chão e se curvou para baixo para pegá-la.
Quando ergueu sua cabeça e fitou Mikaela, ficou claro que ele o fez sair da cama para olhá-lo naquela posição comprometedora, abaixado e com a bunda erguida no ar. Mikaela nem tentou colocar uma máscara de falsa inocência no rosto, fitando seu traseiro com aquele olhar de desejo que Yuuichirou descobrira recentemente, mas que pelo jeito se tornaria algo recorrente.
— Você pode vestir minha roupa se quiser.
— Você não tem limites, Mika!
Um pouco corado, voltou para a cama com o papel em mãos e, estapeando as mãos de Mikaela para longe de seu corpo, se enfiou debaixo do lençol.
— Ahhh, Yuu-chan! Injusto!
— Quieto. Me deixe ler.
O loiro fez uma expressão de birra e cruzou os braços, mas permitiu que o outro lesse o papel. Yuuichirou demorou dez segundos para compreender o que estava escrito ali, passando os olhos diversas vezes sobre o folheto.
— Eu ainda não posso visitar o mundo todo com você, Yuu-chan. Mas um pedacinho dele, talvez... — Mikaela se aproximou dele, mostrando alguns pontos no mapa desenhado ao folheto — Bem, a gente vai descer de avião no Cote d'Azur, em Nice, e passaremos três dias lá. Depois a gente pega um trem para Mônaco, e...
Yuuichirou deixou seu queixo cair, não acreditando no presente que tinha em mãos. Mikaela planejara um roteiro de viagem de dois meses, passando por diversas cidades da Europa neste meio tempo. Sentia-se eufórico, tudo que ele sempre quis foi conhecer outros lugares fora do Japão, e Mikaela lhe dava um presente daquela magnitude? Claro, não parecia que seria uma viagem cheia de luxos, muito provavelmente dormiriam em hostels; mesmo assim, Yuuichirou estava totalmente sem palavras. Nunca recebera um presente assim, no máximo esperaria uma viagem para algum lugar próximo como Hong Kong.
— ... Yuu-chan, você está chorando? — Mikaela interrompeu seu discurso, olhando-o de cima com ares de preocupação — Por que você está chorando? Eu fiz o roteiro errado? Você não queria começa pela França? Nós podemos mudar, tem uma segunda rota que dá um preço parecido, só um terço mais caro, e eu posso dar um jeito de-...
— Mika, se você tivesse me dado um ticket de metrô pra Nagoya eu já estaria mais do que feliz, imagina com todo esse roteiro planejado! Eu estou muito, muito feliz. Muito obrigado, eu amei esse presente. Eu... eu nem sei o que dizer!
Mikaela sentia borboletas no estomago ao ver Yuuichirou abrir um sorriso radiante enquanto falava. Abriu a boca para retrucar que o presente nem era tão bom assim, que queria ter oferecido uma viagem muito melhor, que Yuuichirou merecia uma volta ao mundo de doze meses... Mas Yuuichirou o cortou antes que pudesse falar:
— "Komorebi". — Yuuichirou concluiu, olhando para cima e passando as mãos nos cabelos de Mikaela, suavemente. O loiro ergueu uma sobrancelha em tom de dúvida, se questionando da ligação àquela palavra à situação — Você tem esse cabelo meio selvagem e cada cacho faz frestas onde a luz penetra. Quando você está assim, me olhando dessa forma, eu só consigo pensar em "Komorebi".
Mikaela sentiu seu rosto esquentar, e achou interessante a forma como Yuuichirou também associava a palavra a ele de alguma forma. Mikaela gostava de comparar o significado da relação que tinha com Yuuichirou como "Komorebi" porque era única, era incomparável com qualquer outra relação, era muito especial. "Komorebi" era uma palavra que só existia no japonês, era até mesmo difícil explicar para aqueles que não falavam o idioma; assim como o sentimento que ele tinha por Yuuichirou era único, especial, diferente de qualquer outro, e extremamente complicado de fazer outra pessoa compreender a amplitude dessa sensação.
— Você é meu komorebi, Yuu-chan. — Mikaela suspirou, abaixando seu rosto e beijando seus lábios em um selinho suave, murmurando próximo de sua boca — O sol que ilumina minha vida, mesmo quando eu estou escondido nas sombras, querendo distância da luz. Esse é você pra mim. Muito mais do que minha simples família, você é meu komorebi, e dizer "eu te amo" é pouco perto do que eu sinto por você.
Yuiichirou o beijou, puxando-o para baixo e deixando claro que não tinha mais interesse em brincadeiras ou conversas. Estava emocionado com tudo que acontecia e tinha vergonha de deixar que Mikaela o visse tão emotivo, preferia deixar a situação fluir naturalmente e ver se o outro não percebia o nervosismo. Mikaela o amava, ele amava Mikaela com todo coração, e o laço que eles possuíam era diferente de qualquer outro — céus, como Mikaela podia vê-lo como seu komorebi, sendo que foi ele quem o tirou das sombras quando Yuuichirou chegou completamente destruído emocionalmente no orfanato?
— "Amor" é algo tão ínfimo perto do que eu sinto por você... — Yuuichirou murmurou entre os beijos, mas não quis se explicar além disso: haveria momentos para tanto no decorrer dos próximos dias, eles estavam só começando essa nova etapa de suas vidas. Oportunidades não faltariam.
E isso, para Yuuichirou, era o verdadeiro presente de Natal que ele podia receber.
(***)
Ele estava nervoso. Não chegava nem aos pés do nervosismo que sentiu há algumas horas, é claro, mas ainda sim estava nervoso. Olhava para o celular em suas mãos como se ele o ofendesse profundamente, e se perguntava mil vezes porque queria fazer aquilo em um horário tão inapropriado.
Isso poderia esperar... — ele pensou, e realmente poderia esperar.
Mas sua ansiedade era tão grande que Yuuichirou optou por não aguardar mais nenhum um minuto. Se reconhecendo muito mais em seu imediatismo daquele momento do que dos dias de incerteza que tivera em dezembro, apertou no nome do contado e aguardou o atendimento de sua ligação.
— Yuu? — a ligação foi atendida ao terceiro toque, e Yuuichirou sentiu toda sua momentânea certeza se esvair.
— Hm... O-oi.
— Você tem noção de que horas são aqui onde eu estou? Eu te passei a diferença de fuso horário! — Guren o censurou dentre um bocejo, parecendo bastante frustrado por ter acabado de acordar — Acho bom seu apartamento está em chamas, porque só isso justificaria você me ligar a essa hora!
Yuuichirou engoliu em seco, não sabendo ao certo como falar a novidade que queria lhe contar. Como Guren reagiria? Era difícil imaginar que Guren aceitaria Mikaela tão facilmente, aja vista que eles já tiveram alguns (vários) momentos de desentendimentos. Ainda bem que já fazia mais de um ano que os dois não tinham uma discussão, mas toda calmaria culmina em alguma tempestade cedo ou tarde.
— Guren, eu tenho algo importante pra te contar.
Guren se calou no outro lado da linha, parecendo mil vezes mais preocupado no momento. Yuuichirou ouviu um ruído de tecido se movendo e cabeceira da cama batendo de leve contra a parede, como se o mais velho estivesse se sentando na cama.
— Diga. — ordenou, sua voz soando bem mais séria no momento — Sou todo ouvidos.
— Eu... uh... — Yuuichirou sentia o celular escorregar pela sua mão, sentindo dificuldade até em manter a pegada no aparelho firme.
Olhava para o seu próprio reflexo, seu cabelo ainda bagunçado e a pele marcada por chupões em vários pontos, ele mal se reconhecia depois de uma noite tão intensa com Mikaela. Estava prestes a entrar no banho e ver se a água quente aliviava um pouco a dor de seus músculos; sabia que assim que relaxasse um pouco iria querer voltar para a cama e tentar novas experiências com o loiro, ainda mais agora que o medo do desconhecido já não existia mais. Estava até se recriminando por ficar sem o mínimo de controle quando estava com Mikaela deitado em sua mais nova cama, mas era inevitável...
Contudo, ele precisava contar para Guren. Yuuichirou sentia-se um pouco mal por Krul já estar sabendo de tudo (e, céus, sua orelha conseguia doer mais que qualquer outra parte de seu corpo, mesmo depois de tudo que eles fizeram!), enquanto Guren ainda não saber da mudança de status do relacionamento deles.
Era injusto com Mikaela, Guren tinha que saber.
— Eu... Eu estou na sua casa agora.
— Oh. Vocês optaram por beber ontem, então? — Guren perguntou, um pouco confuso do porquê Yuuichirou ligaria só para falar isso — Aconteceu alguma coisa com a minha casa?
Aconteceu muitas coisas maravilhosas na sua casa, Guren... — Yuuichirou pensou, mas obviamente não falou. Ele só queria que Guren compreendesse a mudança no relacionamento dele com Mikaela, não necessariamente todos os detalhes. Deus o livre!
— N-não, na verdade Krul fez questão que a gente dormisse por aqui, porque o aquecimento no nosso apartamento tá com defeito e ontem nevou. — optou por responder de maneira simples e verdadeira; mesmo que essa resposta ainda não chegasse a lugar algum — Está tudo bem por aqui.
— Então porque você me ligou às quatro da manhã, Yuuichirou Amane?
Yuuichirou respirou fundo, fechou os olhos com força e arranjou coragem do fundo de sua alma:
— Eu e Mika estamos namorando, Guren.
O mais velho ficou um tempo quieto do outro lado da linha, como se não soubesse o que responder. Yuuichirou se sentia cada vez mais nervoso e tentado a desligar o telefone para lidar com a indignação do outro mais tarde. Entretanto, quando já fazia quase meio minuto que Yuuichirou fizera sua revelação, Guren finalmente respondeu:
— E?
Bem, aquele definitivamente não foi o tipo de resposta que Yuuichirou tinha se preparado para receber.
— Como assim "e"?
— Você ia me contar alguma coisa importante, imagino que alguma novidade. — o mais velho respondeu, a confusão mais do que evidente em seu tom de voz, assim como sua falta de paciência — Então... "e"? Ele te pediu em casamento no Natal ou algo assim?
— GUREN!
— Eu realmente não estou entendendo, Yuu. Você me ligou pra falar o que o mundo todo já sabe desde que o mundo é mundo? — Guren fez uma pausa em suas indagações confusas, mas logo recomeçou com o tom de voz mais acusador — Você não tá me ligando pra dizer que fez sexo com o Mikaela em algum lugar da minha casa que não seja a cama que eu comprei pra vocês, né?
Yuuichirou abriu os olhos, fitando sua expressão de perplexidade pelo espelho do banheiro. Guren também achava que eles estavam namorando? É isso?
Meu Deus do céu... Eu realmente fui o último a saber?
Mas Guren não interpretou muito bem o seu silêncio, agora já erguendo bem mais o tom de voz:
— Puta merda, Yuu! — ralhou, em tom de bronca — Eu gastei uma nota nisso! Se vocês inventaram de fazer besteira em outro lugar, eu vou te fazer engolir cada mola desse colchão!
O tom de irritação de Guren fez Yuuichirou voltar à si. Ok, independente do que Guren estava pensando sobre ele e Mikaela, ele já era maior de idade e não iria ficar ouvindo bronca por causa de algo que nem sequer fez! Se era para dar bronca, ele iria dar motivos para isso.
Mesmo que os motivos fossem falsos, é claro.
— Você é muito idiota, Guren! — Yuuichirou respondeu, não escondendo sua irritação no tom de voz e observando seu próprio rosto ficar mais avermelhado pela leve raiva e vergonha que sentia — Não fizemos nada do tipo, mas quer saber? Só porque você é um babaca, eu vou resolver esse pequeno detalhe já!
— YUUICHIROU, EU TE MATO! NÃO OUSE, PIRRALHO!
— Miiiiiiika, acho que a cama do Guren é ainda melhor que essa, vamos testar? — ele gritou para ninguém em particular, torcendo para que Mikaela não acordasse com o seu showzinho.
— YUU-...
Yuuichirou desligou a ligação, xingando-o em um murmuro de indignação. Não sabia se estava irritado pela história da cama, ou se era pelo fato de Guren, até Guren, ter achado que ele e Mikaela já estavam namorando! Ok, ele sabia que, racionalmente, não deveria se sentir assim. Ao que todos os seus amigos afirmaram, ele e Mikaela faziam parecer que estavam namorando (e, se fosse sincero, eles praticamente estavam mesmo — só faltava a parte carnal do relacionamento, e naturalmente já tinham resolvido esse pequeno impasse esta noite), mas Guren...
Bom... Guren comprou uma cama de casal pra mim.
Pensando bem, isso significava que, da maneira bizarra do Guren de lidar com as coisas, ele estava apoiando e facilitando o relacionamento dos garotos. Guren nunca foi o maior fã de Mikaela do mundo, e agora estava claro porque o mais velho ficou um pouco irritado com Yuuichirou quando ele resolveu ir morar com o loiro — de certo Guren imaginou que já estavam namorando desde então e não aprovava inicialmente o relacionamento. Agora, com a compra daquela cama, parece que a situação mudou drasticamente.
Suspirou em alívio: ok, não era necessário revelar nada novo para Guren. Deixa pra lá, ele que imaginasse que o relacionamento se iniciou há dois anos, seria melhor assim do que fazer ele ficar todo desconfiado com Mikaela novamente. Contudo, ainda teria que contar para outras pessoas; em especial seus amigos.
Mal tinha acabado de pensar nesta questão, quando seu celular vibrou indicando o recebimento de uma mensagem; olhou para a tela com desconfiança, e esperou pelo pior: afinal, era uma mensagem de Shinoa.
— Mas que...?! — exclamou, sua voz soando mais aguda do que o costume, em virtude da surpresa e pavor pelo que seus olhos acabaram de enxergar:
Tratava-se de três imagens, mais precisamente fotografias: a primeira era uma imagem do carro de Mikaela estacionado na frente da casa de Guren, já coberto parcialmente pela neve, indicando que a foto fora tirada logo ao amanhecer; a segunda foto se tratava dele e Mikaela trocando seus primeiros beijos na noite anterior, com os baixos ventres unidos, e Krul marchando com uma expressão de fúria em seu rosto para próximo dos dois; e, por último mas não menos assustador, uma foto da janela de seu quarto na casa de Guren, onde era possível visualizar uma pequena fresta na cortina e o foco nas peças de roupas jogadas no chão do quarto (para o seu alívio, a fresta não era grande o suficiente para ter uma visão do casal na cama nem do que eles faziam; todavia, uma imagem já valia mais do que mil palavras).
Apavorado demais para respirar, Yuuichirou leu a mensagem que Shinoa enviara junto com as fotos antes que adquirisse oxigênio em seu cérebro e optasse por se poupar de maiores vergonhas:
Shinoa-anã [09:32]: Kukuku olha o meu presente de Natal, que lindo! Ferid é um anjo da guarda, não é mesmo? Um fotografo nato! Você tinha que ver como meus olhos brilharam com a magia que foi receber essas imagens logo de manhã cedinho! Mas vamos ao que interessa... E então, ex-virgenzinho, Papai Noel te entregou tuuuuuuudo que tinha no saco dele ontem?
Yuuichirou deixou seu celular cair no chão, horrorizado demais para se preocupar se tinha quebrado ou não a tela do aparelho. No mesmo instante, Mikaela abriu a porta do banheiro, olhando-o com ares de preocupação.
— Yuu-chan? Você gritou meu nome? — indagou, ainda sonolento, aproximando-se do moreno e o abraçando por trás, sentindo seu cheiro ainda misturado ao cheiro natural de Yuuichirou e adorando o que esse detalhe significava.
Só não conseguia entender porque Yuuichirou parecia tão pálido.
— EU VOU MATAR O FERID! — exclamou, sua voz entrecortada e desafinada.
— Wow. Esse é mais um presente de Natal atrasado? Conte comigo! — Mikaela respondeu, sorrindo e beijando de leve o ombro do outro.
Yuuichirou não estava com o mínimo humor para beijos no momento, e por isso pegou o celular do chão às pressas, enfiando-o no rosto de Mikaela antes de se esquivar de seus braços e se dirigir com passos firmes para o quarto: mais precisamente para a cortina, para fechar a fresta com força e recolher suas roupas para se vestir. Tinha um assassinato para realizar, tinha que, ao menos, estar vestido para impedir Ferid de tirar mais fotos comprometedoras antes de morrer!
Mikaela ficou alguns segundos no banheiro analisando as mensagens de Shinoa estoicamente, e então começou a digitar; Yuuichirou, imerso em sua própria ira, demorou para perceber que os dois conversavam. Quando se deu conta desse absurdo e correu atrás do loiro, já parcialmente vestido, percebeu que era tarde demais.
— MIKA! — ele exclamou, agarrando o celular e olhando-o com censura — Mas que... diabos?! Que merda você tá falando com a Shinoa?!
— Porque você tá tão bravo, Yuu-chan? — Mikaela indagou, e seus olhos brilhavam de um jeito muito promissor, o que deixou o outro levemente preocupado — Eu só estava tentando calar a boca dela, mas no fim ela me deu uma informação bem mais útil...
Assustado com a resposta, Yuuichirou olhou para o histórico de conversa.
Yuucifer [09:41]: Oi, aqui é Mikaela. Yuu-chan está amarrado no momento e não pode responder. Ele ganhou muitos presentes ontem, não tenha dúvidas, mas eu ainda tenho muito o que dar para ele. Então cuide da sua vida.
Shinoa-anã [09:41]: Mikaela-san, que tipo de cordas usou?
Yuucifer [09:41]: Fitas de cetim, obvio. Não quero machucar a pele do Yuu-chan.
Shinoa-anã [09:43]: Muito bem, Mikaela-san! Meu dever como amiga é zelar pelo bem estar do ex-virgenzinho. Nada de usar cordas ásperas ou cadarços, só vai traumatizar nosso menininho inocente. E ah, Mikaela-san, já que você é a personificação do ditado "os quietinhos são os piores", como eu sabiamente já tinha afirmado para Yuu-san outrora, uma dica: eu dei um vibrador pra ele de aniversário, bem lindo, cor verde-claro pra combinar com os olhos da sua princesa, é a coisa mais gracinha do mundo. Conhecendo a grande genialidade do Yuu em esconder coisas de você na casa do Guren (porque o Guren raramente fuça ai, e no apartamento Yuu-kun não tem a mesma privacidade), o vibrador deve estar na gaveta de cuecas dele, fechado, porque ele é bundão demais pra abrir, mas curioso demais para jogar fora. Procure e faça bom proveito. Feliz Natal! ✧
Yuuichirou empalideceu gradativamente enquanto lia, e Mikaela o agarrou por trás, beijando sua nuca antes de sussurrar em seu ouvido.
— Acho que sua amiga até que nem é tão insuportável como eu imaginava... — concluiu, deixando sua ereção crescente encostar na parte traseira de Yuuichirou sem qualquer inibição — E então, onde que está esse lindo e maravilhoso presente? Vamos abrir juntos, é manhã de Natal, Yuu-chan, hora ideal para abrir os presentes!
Nem é preciso dizer que qualquer planejamento de assassinato que Yuuichirou pretendia fazer foi deixado para outro dia. E, ao que parece, essa mudança de planos não se deu por conta de um súbito "espírito natalino".
FIM.
N/A: Quero só deixar claro que eu gostei de todas essas bandas/cantores na minha adolescência, por isso citei a referência meio pessoal e zoei um pouco (zoando eu mesma, no caso). Eu fiquei um pouco em dúvida do que os adolescentes do Japão ouviriam nessa época, mas porra, o que eu citei foi fenômeno internacional, e se chegou no Brasil com certeza chegou no Japão. Pronto. =)
Eu quis fazer uma descrição mais realista de alguns... uh... aspectos do início de um relacionamento amoroso. Eu, como a maioria de vocês, gosto muito de toda uma descrição altamente "hot" de um primeiro beijo ou de uma primeira vez, mas ao mesmo tempo que eu acho isso bem legal (isso é uma ficção e estamos aqui para sermos enganados, né?), eu nunca me senti assim num relacionamento, ao menos não no começo. Por isso, eu quis puxar um pouco o casal para uma realidade, mas uma realidade bem confortável e gostosinha de se ver. Pois garanto pra vocês que melhor que um sexo cheio de tesão, um recheado de cumplicidade, diversão e amor é bem mais gostoso. Quis deixar alguns pontos que geralmente exploro nos meus lemons bem evidentes nessa fanfic, mas fiz o Yuuichirou mais envergonhado por se tratar de uma primeira vez (quem já conhece meus lemons, sabe que meus ukes são muito sem-vergonha). Enfim, mesmo com a mudança de "pegada" no lemon, eu gostei porque achei mais realista pra uma primeira vez! Espero que vocês tenham gostado!
Além disso, quero confessar que eu fiquei um pouco receosa em fazer um lemon numa noite de Natal. Eu já tinha feito isso antes (em Lies), mas eu sinceramente não gosto muito porque eu acho importante que o Natal foque mais no seu significado Cristão (eu sei que a data é comemorada de maneiras diferentes em outras religiões, mas sempre associo o Natal ao Cristianismo por uma questão de criação mesmo).
Só que eu pensei bem e tentei inserir dentro da cultura japonesa: lá eles até comemoram o Natal, mas como não são Cristãos, o Natal acaba se tornando uma espécie de Dia de Família ou Dia dos Namorados. Pelo que fiquei sabendo, os restaurantes ficam lotados de reserva no Natal, o que não é comum no nosso Natal (onde prezamos mais pelo encontro familiar dentro das casas e tudo mais). O programa lá é mais uma desculpa para encontrar as pessoas que ama, mas não uma comemoração religiosa. Por isso, partindo desse viés, eu me senti mais confortável em escrever o lemon numa fanfic dessa temática. Só queria contar a título de curiosidade o que eu pensei em Komorebi ao planejar hehehe.
Enfim amores, espero que tenham gostado da fanfic! Estou ansiosa para saber o que acharam! Quem sabe eu não me anime no futuro pra escrever um lemon mais desinibido desses dois, depois de algum tempo de experiência, nenom?
Beijinhos no kokoro!
S2
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