A Redenção de um Traidor e os Cegos do Castelo
Peter
Eu não quero mais mentir.
Isso dói.
Queria só uma chance para provar que eu não era um bobo; alguém que não tinha vontade própria, que era o motivo das piadas quando já não havia nenhuma outra para contar. Às vezes eu olhava para eles, perguntando-me por que me aceitaram e a única resposta que encontrava era que precisavam exatamente de alguém bobo, sem vontade própria, que não se importasse em ser o motivo das piadas quando eles já não tivessem nenhuma para contar.
Mas eu me importava.
Por várias vezes imaginei que era passageiro, que uma hora ia acabar, que eu me acostumaria, que fazia parte da graça de pertencer aquele grupo... No final das contas, apenas cheguei à conclusão de que eu sempre estive preso; amarrado a uma fidelidade que eu não sabia se realmente era boa para mim.
Mas quando você é jovem, tem necessidade de se sentir especial e eu queria ser.
Ainda quero.
Talvez por isso eu já não enxergue mais o inferno que me atraiu e já não saiba mais o que eu sou. Não consigo definir a mim mesmo, não me conheço e tenho medo de conhecer. Talvez me falte um pouco da coragem gryffindor que sempre sobrou em James e Sirius, ou talvez eu a tenha de sobra, caso contrário não estaria nesta encruzilhada.
Saí de uma prisão para entrar voluntariamente em outra – e eles não falariam sobre os planos da Ordem na minha frente se soubessem a marca que eu carrego no braço...
E em meus ombros.
Queria ter forças para virar as costas e deixar tudo o que aconteceu dentro das paredes daquele castelo para trás, mas dói. E eles são cegos demais para perceber.
Somos cegos.
E agora estou aprisionado a duas prisões;
Uma corrente em cada braço;
A quem eu devo ser fiel?
Talvez já tenha a resposta, mas talvez, pela primeira vez na vida, eu esteja pensando em mim mesmo. E o tempo não pode curar a dor de uma traição. Nem em mim, nem neles, pois estamos todos marcados.
No final, somos todos cegos.
