Capítulo 3
- Ele acordou. – Remus disse ao entrar na cozinha, onde Harry e King conversavam.
Kingsley nem se deu ao trabalho de responder, levantou-se e caminhou apressadamente para fora da cozinha, certamente para o quarto onde Severus estava.
- Como ele está? – Harry perguntou, recolhendo as canecas de chá e colocando-as na pia.
- Pior. – Remus respondeu, num tom exausto. – Está reclamando por não estar em casa terminando sua poção. Parece que não lembra da explosão.
- Ele vai acabar fugindo. – o rapaz disse, acompanhando o namorado para fora da cozinha. E Remus não pôde evitar concordar.
Snape estava desacordado há três dias. Cometeu um erro ao tentar fazer uma poção e acabara se machucando. Sorte que King ainda estava na vizinhança e o tirou dos escombros antes que os muggles chegassem ou, muito pior, alguém do Ministério da Magia aparecesse e visse que Snape havia tentado produzir uma poção ilegal.
O estado de Snape não era grave. Seu corpo estava apenas exausto demais para se curar normalmente. Remus e Harry se revezavam para cuidar de Snape, enquanto King ajudava, ocasionalmente tomando conta de Snape ou até saindo para comprar remédios e poções.
- Harry. – Remus disse, puxando Harry pelo braço antes que ele começasse a subir os degraus. – Eu acho melhor chamarmos um psicohealer.
- O que?
- Não temos condições de ajudá-lo, Harry. – o lobisomem disse, como quem se desculpa. – Ele está enlouquecendo. Ficou obcecado com essa história de trazer Sirius de volta.
- Eu sei, mas... – Harry suspirou. Não havia mesmo outra opção. – Ele vai ficar furioso conosco.
- Ele está sempre furioso conosco.
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King passou o resto do dia no quarto com Snape, ouvindo todas as reclamações e azarações possíveis. O mestre em poções estava inquieto. Dizia precisar voltar para suas poções, visitar o véu e pesquisar. Precisaram enfeitiçar a cama para impedi-lo de fugir.
Às vezes, Snape parecia fora de si, às vezes sabia perfeitamente onde estava e o que havia acontecido. Mas o que mais os preocupava é que muitas vezes ele falava como se estivesse conversando com Sirius.
- King? – Remus chamou, aparecendo na porta. – O psicohealer chegou.
Snape levantou a cabeça e encarou Remus, estreitando os olhos de raiva.
- Você chamou um psicohealer? – Sibilou.
- Chamei. – Remus respondeu, sem pensar duas vezes, entrando no quarto. – E se você estivesse em sã consciência ia perceber que foi preciso.
Antes que Snape pudesse dizer mais alguma coisa, o doutor entrou no quarto, acompanhado de Harry.
O médico
era um pouco mais alto que Harry, tinha os cabelos castanhos na
altura dos ombros, presos em uma trança um pouco frouxa. Usava
um óculos de aros arredondados e azuis. E apesar de muito
magro, tinha uma presença um tanto imponente.
- Esse é
o Doutor Diego Andrews...
- Me chamem apenas de Diego. – o doutor interrompeu. - Quando me chamam por meu sobrenome, penso que estão falando com meu pai. – E King teve certeza que o médico havia lhe lançado um sorriso.
- Vá embora. – Snape disse, sério. – Isso é patético! Não estou louco.
- Ninguém disse que está louco, Sr. Snape. – Diego disse, sentando-se numa poltrona próxima à cama de Snape.
- Vamos, King. – Harry chamou, saindo do quarto com Remus, para poder deixar Diego a sós com Snape.
- Volte aqui, Shackelbolt! – Snape chamou, mas King foi forçado a sair do quarto. Era preciso.
----- SSSB -----
Quatro horas se passaram e todos já estavam ficando impacientes. Da sala de estar, não ouviam nada, nem passos, nem gritos, nem som algum que indicasse qualquer coisa.
King exibia um semblante exageradamente calmo, mas Harry e Remus sabiam que, dos três, ele era o que estava mais ansioso.
- Talvez devêssemos ver como eles estão. – comentou, tranqüilamente.
- Vamos dar mais um tempo. – Remus disse. – Snape é muito teimoso.
- Vocês conhecem esse doutor?
- Conhecemos. – Harry respondeu, bebendo um gole de sua cerveja amanteigada. – Ele me acompanhou depois da guerra.
- Ele é de confiança? Não me lembro dele.
- É, sim. – Remus respondeu, levantando-se. – Acho melhor ir ver como eles estão. Está estranhamente quieto.
King e Harry também se levantaram. Mas antes que dessem o primeiro passo, o som da madeira das escadas rangendo fez com que eles sentassem de volta no sofá.
- Com licença. – o doutor falou, caminhando até o sofá e lançando um discreto sorriso pra Kingsley.
- Sente-se, por favor. – Remus falou e o doutor sacudiu a cabeça.
- Não, obrigado. Passei as últimas quatro horas sentado. – ele riu. – Acho que não sinto mais minha bunda.
- Então, Diego... O que ele tem? – Harry falou, ainda rindo.
- Não é tão simples quanto achávamos que fosse. Ele está em depressão, como vocês já tinham percebido. Tenho motivos para acreditar que ele anda ingerindo algum tipo de poção energética para se manter acordado por mais tempo. E pode ter misturado essa poção com firewhisky vezes demais.
- E as mudanças de humor? As alucinações? – Kingsley perguntou. – Nunca esteve tão grave assim.
- Exaustão. Não apenas física. Não sei há quanto tempo a idéia de reviver Black o persegue, mas ele está obcecado. Precisa de descanso, de um tempo longe da idéia e longe dessa realidade. – Diego falou. – Ele precisa de acompanhamento vinte e quatro horas por dia.
- É impossível convencer Snape a fazer algo que ele não queira. – Kingsley disse. – Ele é teimoso demais.
- Meus temores são muito maiores do que a simples teimosia dele, Sr. Shackelbolt. – Diego disse, seriamente. – Ele planeja coisas muito piores do que uma poção ilegal para poder encontrar com Black.
- Tipo? – Harry perguntou.
- Tipo suicídio, Harry. – Diego disse e todos se calaram.
Algo precisava ser feito.
…Continua
