Os meses subsequentes foram conturbados e em contra partida passaram de forma bastante rápida, a nova Sra. Cooper já havia se tornado a antiga Sra. Cooper, na primeira semana de janeiro, sem maiores manifestações, exaltações de humor, ou mais brigas com o Sr. Cooper, apenas no dia 15 de janeiro se levantou, com suas malas e se retirou da casa, sem dar maiores explicações, e com isso, o sumiço do Sr. Cooper se tornou ainda mais frequente, passava dias fora, provavelmente havia dito a segunda mulher que largara sua antiga esposa e agora a assumiria como a esposa legítima, pobre a mulher que acreditava em tudo aquilo.

Fevereiro foi marcado pela indiferença do Sr. Cooper, que não apareceu em casa por dias, deixando um Leander completamente assustado e um Vincent cada vez mais raivoso em relação ao Sr. Cooper, que agora estava deixando a entender que havia esquecido sua primeira família.

Março passou sem maiores acontecimentos, Garrett crescia em uma velocidade impressionante, e se mostrava uma coruja orgulhosa e arrogante, se alguém diz que a coruja assemelha-se ao dono, teria sua teoria corroborada se observasse Vincent e sua coruja.

Abril foi marcado por algo que Vincent já estava esperando, o surgimento de uma nova Sra. Cooper, essa parecia ser um tanto mais submissa do que a anterior, e um pouco mais obtusa também. O Sr. Cooper deveria estar querendo correr de perigos, e por isso estava procurando pessoas com intelecto inferior ao dele, para que pudesse manter o controle com maior facilidade.

O primeiro dia de maio finalmente chegou, e na primeira hora da manhã, ou seja, às 7h, Vince já estava acordado, e por consequência acordou Leander, ambos estavam sentados na sala de casa, Vincent lia a nova edição do Profeta Diário.

– Vince, por que eu tenho que ficar aqui acordado com você? – Leander perguntou com uma voz extremamente sonolenta.

– Porque você tá precisando acordar cedo, pra gastar essa energia a mais de criança, se não de noite você não dorme, e fica me enchendo. – Vincent respondeu, dando um longo bocejo. Os primeiros programas da manhã terminaram, e Leander tentava dormir, mas a todo o momento era acordado por Vincent. Quando o relógio marcou 8h30, e então batidas foram ouvidas na porta da casa. Leander correu para abrir a porta, e então um homem muitíssimo alto, de cabelos pretos intensos, e de olhos esmeraldas, muitíssimo semelhante aos de Vince, a única diferença estava no brilho, os olhos do homem eram praticamente sem vida, de uma frieza considerável.

– Bom dia, Leander. – Ele anunciou, passando uma das mãos pelos cabelos louros do meu meio-irmão mais novo. – Bom dia, Vincent. Está pronto? – A voz de seu tio soava como um verdadeiro trovão dentro da casa, ele tinha a voz rouca, desde nascença, mas devido a um combate, suas cordas vocais haviam ficado deformadas, dando a ele aquela potente voz.

– Bom dia. Estou sim. Minha mãe não veio com o senhor? – Vincent perguntou esperançoso, embora soubesse claramente da resposta, tanto ele sabia que seu tio não se deu ao trabalho de responder.

– Então vamos. Leander, o Cooper não está aí, está? – Leander recuou alguns passos, por algum motivo tinha muitíssimo medo do tio de Vincent.

– Não, não senhor! – Ele respondeu, sentando-se no sofá, e fixando seus olhos na televisão.

– Obrigado. – O homem caminhou em direção à lareira. – Adeus Leander, passar bem. – Ele disse e então jogou o pó de flu na lareira e gritou: – Para o caldeirão furado. – E desapareceu nas chamas.

Vincent copiosamente imitou o tio, entrou nas chamas e gritou: – Para o caldeirão furado. – E em poucos segundos, ele apareceu no famoso bar que levava ao beco diagonal.

– Vamos, Vince. Vamos primeiro a loja de Madame Malkin, quero comprar logo tudo o que você irá precisar para Hogwarts. – Os dois cruzaram o bar e então seu tio acionou o mecanismo mágico que dava passagem para o famoso beco diagonal.

Os dois atravessaram a passagem e logo Vincent estava vivendo a sua grande primeira experiência de bruxo. Prestava atenção em cada uma das lojas do local, e o Olivaras foi a primeira a prender de fato a atenção completa do garoto, mas logo ele foi tirado de seus pensamentos, pois seu tio o puxou em direção a loja da Madame Malkin.

Ao entrarem no local, deram de cara com uma distinta senhora, de longos cabelos louros, e de uma aparência bastante delicada e arrogante, que abriu um sorriso exuberante ao ver o Sr. Selwyn e seu sobrinho.

– Que coincidência adorável! – A distinta dama anunciou, quando o Sr. Selwyn se aproximou, dando os clássicos dois beijos, que era uma forma de cumprimento bastante usada pela Aristocracia Bruxa.

– Muitos bons dias, Montie. – Fazia tempo que ele não via alguém chamar seu tio por aquele apelido.

– Muitos bons dias, Ciça. – Madame Malkin deu um pequeno sorriso ao ver que novos clientes estavam chegando à loja.

– E esse rapazinho? Não poderia ser, mas seria o jovem Vincent? – Ela perguntou, Vincent pôde perceber que ela o olhou de cima a baixo, como se estivesse medindo toda a sua capacidade.

– Ele mesmo, Ciça. O novo orgulho da família. Falando em família, onde está o Lucius? – Aquela conversa estava mais parecendo um encontro de comadres do que um verídico encontro casual.

– Bom dia, senhora. – Vincent apressou em cumprimentá-la, tinha uma excelente educação, e não podia perder a chance de demonstrá-la.

– Bom dia, Vincent. Sou Narcisa Malfoy, colega de longa data de seu tio. Lucius ainda está no ministério, Montie. – A senhora Malfoy, Vincent pensou algumas vezes logo encontrou algumas reportagens em sua mente falando sobre os bons feitos da senhora Malfoy.

– Bem, Montie, Vince. Estou de saída, preciso ajudar Draco com suas compras para Hogwarts, tenho a impressão que vocês dois serão excelentes amigos em Hogwarts. – A distinta senhora abriu outro sorriso e se dirigiu para fora da loja, carregando algumas sacolas.

– Bom dia, Madame. Viemos comprar os uniformes básicos de Hogwarts, mais algumas vestimentas bruxas para o jovem Selwyn. Seu vestuário anda muito trouxa. – A Madame abriu um sorriso enorme, sabia que iria lucrar vários galeões.

Não se demoraram mais de 50 minutos naquela loja, escolhendo todas as roupas, acertando o tamanho e etc. Quando saíram caminharam direto a Sorveteria, seu tio pediu a mesa mais afastada da sorveteria, para que pudessem conversar.

– Vincent, daqui a alguns meses, você irá para Hogwarts. Sua vida inteira vai mudar você vai perceber que a sociedade bruxa é muito mais do que você nos jornais. – Seu tio começou a falar, enquanto eles se acomodavam a mesa. – Antes de tudo, você deve entender a seguinte situação: Existem os sangue-puros, os mestiços, e os sangues-ruim. Nós, os Selwyn, somos uma família de sangue puro desde a aurora dos tempos, mas existem outras famílias assim como nós, os Black, os Malfoy, e você irá ver em Hogwarts, outras famílias de sangue puro. – Ele fez uma pausa, para que Vincent pudesse acompanhar tudo o que estava sendo dito.

– Pode continuar. – Vincent falou um tanto pensativo.

– Os mestiços são filhos de um bruxo com um trouxa, algo inaceitável, os bruxos sangue-puro que fazem isso, são chamados de traidores do sangue. Já ainda existe os sangue-ruins, que são filhos de dois trouxas, mas que mesmo assim possuem magia, esse tipo deve ser completamente evitado. Pois podem manchar a reputação de uma família de sangue puro inteira. – Aquela conversa não estava sendo bem aceita por Vincent, achava um tanto tolo todos esses preceitos sobre a pureza do sangue.

– Mas preste atenção, Vince. Nossa família é ainda mais especial, em algum momento de nossa história, nosso ancestral Arcelius Selwyn, se relacionou com Fellinda Gaunt. Com isso, em nossas veias ainda hoje, corre o sangue de Salazar Slytherin, e com isso um precioso dom: A ofidioglossia. Mais do que nunca, Vince. Você deve se lembrar de que não pode se misturar com qualquer um. Deve escolher bem suas companhias. Bem, acho que nosso papo se encerra por aqui, vamos comprar sua varinha, seus livros, e depois podemos voltar para casa. – Vincent ainda estava bastante pensativo em relação ao que o tio havia dito.

Saíram em direção ao Olivaras, que falou animosamente ao ver os dois entrarem.

– Senhor Selwyn, quanto tempo. Jovem Selwyn, já o esperava. – O senhor caminhou em direção a uma categoria de varinhas, e pegou uma caixinha. – Mogno, 25cm, inflexível, fibra de coração de dragão. – Vincent pegou a varinha um tanto temeroso, apontou-a para uma das paredes e então explodiu um vidrinho.

– Er... Desculpe. – Olivaras riu um pouco, e então Vincent colocou a varinha de volta a bancada.

– Experimente essa, bétula, 25cm, escama de dragão, razoavelmente flexível. – Vincent pegou novamente a varinha, e então algo diferente aconteceu nada explodiu, Vince sentiu como se estivesse estabelecendo uma ligação com sua varinha.

– Senhor Selwyn, a varinha escolheu o seu dono. E devo dizer que estou surpreso, pois vendi uma varinha semelhante a essa ao Selwyn Sênior, a diferença foi de apenas 1 centímetro, impressionante. – Pôde-se ver que algo passou nos olhos do tio de Vince, ao ouvir falar de Selwyn Sênior, que era avô de Vince, por consequência, pai de seu tio.

– Sim, eu me lembro muito bem da varinha de meu pai. – O Sr. Selwyn comentou um tanto pensativo. – Bem, Sr. Olivaras, estamos de saída, temos muita coisa para comprar.

– Claro, claro, muito obrigado pela visita. – O Sr. Selwyn pagou, e então os dois saíram em direção a Floreios e Borrões, para comprar os livros do primeiro ano. Parecia algo programado, pois ali os dois encontraram novamente a família Malfoy, dessa vez completa.

– Lucius meu caro! – o Sr. Selwyn anunciou, entrando na loja, apertando a mão do outro homem. Lucius ao contrário de Narcisa conservava uma aparência sombria, um tanto bem cuidada, mas sem sombra de dúvidas, sombria.

Draco Malfoy parecia uma mini cópia do pai, devidamente sombrio, destoava apenas por não possuir os longos cabelos que o pai e a mãe conservavam.

– Narcisa me contou que estava de passagem por aqui, junto com esse adorável rapaz, então resolvi sair mais cedo do Ministério para poder cumprimentá-los. – Lucius se pronunciou, sua voz era sedosa, pausada e aplumada, deveria ser algo recorrente da aristocracia bruxa.

– Muito prazer, Senhor Malfoy. – Vincent cumprimentou o Sr. Que estava a sua frente.

– Igualmente, Vincent. Não poderia chamá-lo de Vince, poderia? – Perguntou Malfoy, obviamente era uma pergunta retórica.

– Com toda certeza que sim, Lucius. – O tio de Vince apressou em respondê-lo. – E esse jovem rapaz, não fala com os mais velhos? – Perguntou, se referindo a Draco, que estava agarrado a mãe.

– Me chamo Draco Malfoy, senhor. – Ele prontamente respondeu, ficando em silêncio.

– Queridos, temos que ir. – Narcisa se pronunciou pela primeira vez. – Foi um prazer encontrá-lo hoje, Montie. E Vince, foi um prazer conhecê-lo. – A família Malfoy se retirou dos Floreios e Borrões.

Os dois terminaram as compras, e então o tio de Vince o levou de volta a casa do Sr. Cooper, com a promessa que iria levá-lo a plataforma 9 ¾.