Capítulo III - Lágrimas Eternas
Horas depois o Arrancar entrava no aposento dela novamente. A menina foi acordada de seu transe pelo ruído da porta... Não sabia ela quanto tempo havia se passado desde aquilo... Não conseguia pensar direito, seus pensamentos estavam confusos... Sentia-se imunda, repugnante com a memória do fato, a sensação de quando o líquido quente invadira seu ventre... Isso ela jamais esqueceria...
- Siga-me. Falou ele, tirando-a de seus pensamentos... Ela pareceu não entender muito bem a ordem, pois permaneceu sentada no divã onde ainda estava. - Terei que levá-la à força? Finalmente ela havia despertado totalmente... Mas ainda não conseguia pensar com clareza... Ela se levantou e o seguiu pelos corredores até um lugar onde havia uma grande banheira.
- Tire suas vestes. Ordenou ele, ao que a garota retrucou: - Você vai ficar aí? Ela não sabia por que havia dito aquilo, afinal, agora já não havia mais nada que ela pudesse esconder... Ele apenas disse: - Sim.
Ela começou a se despir, ainda intimidada com a presença masculina. Entrou na banheira e ao contato da pele com a água quente sentiu como se a sua parte ainda adormecida tivesse despertado... Com o tempo conseguiu relaxar e aproveitar o banho. No final, sentia-se mais calma, mas ainda se sentia repugnante devido aos ocorridos anteriormente...
O Schiffer observava a garota, absorto em seus pensamentos... Analisando agora, ele tinha a impressão de que havia sido tudo inútil. Percebia que ela ainda não o pertencia. Conseguiu enxergar algo que antes não conseguia: Não a queria só de corpo, queria-a inteiramente só para ele. E isso ele sabia agora que ainda não havia conseguido... - Pode dar-me uma toalha? Ele ouviu a garota pedir. Então se levantou, desdobrou a toalha que tinha nas mãos. A garota havia saído da banheira e estava de costas para ele, protegendo a parte da frente do corpo da visão dele, quando se sentiu envolvida por algo. O Espada havia a abraçado por trás. A toalha estava estendida entre os dois corpos. Surpreendentemente ela não se sentiu mal com isso, apesar do grande constrangimento. Sentia-se protegida como já não se sentia desde que seu Onii-chan havia lhe deixado só naquele dia fatídico.
Ela se virou e o encarou nos olhos... Por um instante não conseguiu pensar em nada. Foi como se ela tivesse dado um mergulho nas águas frias do oceano. Sentiu sua pele se arrepiando e não soube o porquê daquilo... No instante seguinte se indagava sobre a ironia daquelas marcas no rosto do Espada... Duas lágrimas eternas na face de alguém que não poderia chorar jamais... Ou pelo menos, isso era o que ela pensava...
- Há roupas limpas e um pente sobre aquela mesa. Ele disse indicando uma mesinha no canto da sala, e interrompendo a corrente de pensamentos dela. Inoue foi até a mesa indicada e se vestiu pensando: - Mais um vestido branco e preto... Querem que eu perca minha individualidade nesse mundo sem fim... Não irão conseguir. Ela enxugou os cabelos com a toalha e depois os penteou graciosamente, enquanto o Arrancar a observava... Quando ela terminou, ele a conduziu novamente ao seu quarto (ou seria mais uma cela?).
Nos dias que se passaram, ele sempre ia visitá-la (ou seria vigiá-la?). Com ele vinha também um criado que deixava as refeições se retirando logo após, porém o Espada ficava... Sentava-se em uma cadeira de frente para ela, no canto do aposento e ficava fitando-a, admirando-a, paralisado e absorto em pensamentos que ela não conseguia nem mesmo imaginar... Às vezes ela chorava, e ele permanecia soturno. Na maioria do tempo ela ficava olhando através das grades, para uma Lua inatingível, que por vezes parecia ser sua única companheira, já que o Arrancar nunca falava nada...
Às vezes também caía em sono profundo. E sempre que isso acontecia, ele ouvia múrmurios saírem dos lábios rosados dela: - Kurosaki-kun... E isso fazia algo doer dentro dele, o que ele não entendia muito bem... Certa vez ela dormiu e qual não foi o espanto dele ao ouvi-la murmurar: - Ulquiorra... Porém sua alegria durou somente alguns segundos até que ela começasse a gritar: - Por favor, pare com isso, por favor... E isso foi como se a zampakutou mais afiada estivesse lhe cortando por dentro... Lembrou-se do que fizera com ela semanas atrás... Se houvessem lágrimas nos seus orbes cor de esmeralda elas teriam deslizado por sua face nesse momento... Como ele se arrependia... Havia machucado a garota por nada... Pensou que poderia saciar seu desejo dessa forma, e mais que isso, queria provar a si mesmo que só desejava-a como um objeto... Mas não conseguira... E agora estava tudo tão pior... Talvez ela até mesmo o odiasse...
