Entrei
com a Amanda, colocamos as pulseirinhas e saímos CORRENDO em direção
ao palco. Naquele momento, eu tive a certeza de que se eu quisesse,
eu poderia muito bem me tornar uma maratonista.
Estávamos BEM em
frente ao palco quando chegamos, e o empurra-empurra começou um
tempo depois, eram MILHARES de meninas tentando ficar mais perto do
palco, e o vuco-vuco aumentou muito rápido. ´
Em pouco mais de
meia-hora, já tinham meninas desmaiando, suando MUITO e até gente
sentada no chão. Me derrubaram, puxaram tufos dos meus cabelos e
quase me pisotearam, mas foi a sensação mais incrível e
satisfatória da minha vida. Mas é realmente uma pena que eu seja
uma menina minúscula. Ainda faltavam duas horas, e o empurra-empurra
não parava.
EU já estava quase no meio, MUITO longe de de onde
eu estava antes, e conheci um menino, o Lucas, MUUUUUITO gay, ele
também tinha um cartaz:
Poynter I
you.
Gay, mas uma fofura de menino, ele que me ajudou a ficar ali
no meio enquanto o pessoal tentava me empurrar mais e mais pra trás.
As duas horas se passaram MUITO rápido, e de repente, as luzes se apagaram. Todo o mundo pareceu calar naquele segundo, as pessoas congelaram, pararam de se empurrar para ouvir:
- Here's one for the radio
Na mesma hora, as pessoas que haviam parado de
se empurrar, começaram a pular, como um bando de macacos com formiga
no traseiro.
Flashes de fotos e essas coisas.
Eu já estava
ficando dolorida e tinha certeza de que também estava toda roxa de
pessoas me esmagando, me batendo e me dando cotoveladas, então fui
pra um canto, onde ainda não tinha NINGUÉM. Eu já tinha me perdido
dos meus amigos no meio da muvuca, mas não estava nem ligando pra
isso, já tínhamos combinado coisas pra esse caso, se a gente se
perdesse, não devia sair do estádio até encontrar o resto do
grupo.
Fui pra esse canto mais ou menos na segunda música do
show e uma música depois, Dougie apanhou um tênis que alguém havia
atirado no palco. Uma menina saiu do meio da multidão CHORANDO em
prantos e gritando:
- IT'S MY SNEAKER.
Nós
duas ficamos sozinhas nesse canto, e ela me explicou o que tinha
acontecido. O tênis dela é um all star branco, e tava todo escrito:
Dougie, I
you. O Dougie pegou o tênis, olhou, olhou e perguntou?
- De quem
é isso?
Milhares de meninas gritando É MEU, É MEU, É MEU. Mas
só a menina que estava do meu lado ( Bárbara ), eu e umas amigas
dela sabíamos de quem era o tênis. Eu já tinha jogado um dos meus
cartazes no palco,mas não sabia se um deles leria um dia.
O
Dougie cheirou o tênis, e disse em seguida:
- NOJENTO, mas é
legal...
Dougie só pode ter neurônios a menos, mesmo assim é
uma gracinha.
O show devia estar acabando, quando o Tom voltou
para o microfone:
- Eu quero pedir desculpas pela minha voz, e
também pedir desculpas por só termos mais uma música pra cantar :
5 colors on her hair
Eu já achava que não tinha mais lágrimas
pra chorar. Mas eu chorei, eu chorei nela, em POV, em All About You e
em Room on the 3th floor. E chorei muito! Era engraçado, porque eu
não sou de chorar assim!
O
show acabou e eu acho que minhas lágrimas também, aí eles
começaram aquela papagaiada de jogar palhetas, jogar a garrafinha de
água que cada um deles bebeu, essas coisas assim, eu e a Bárbara já
tínhamos quase certeza de que NENHUM deles iria olhar pra gente,
quem dirá jogar alguma coisa na gente. O Harry as vezes virava a
cabeça pra onde nós estávamos, mas poderia ser só que ele
estivesse olhando pra bateria, mesmo assim, eu não desisti de fazer
coraçõezinhos.
Foi então que o super-charmoso-Harry levantou da
bateria com aquele jeito meio marrento de ser e caminhou ATÉ O NOSSO
CANTINHO!!!!
Ele colocou as baquetas no bolso da calça, agachou
um pouco e fez um coração com as mãos. Um coração em resposta
aos nossos corações. Naquele segundo eu tive certeza de que o Harry
estava olhando pra gente, que ele estava vendo a gente o tempo todo.
A Bárbara me beliscou e começou a chorar. Quando a gente sequer
sonharia que um dos nossos ídolos iria olhar pra gente?
Ele se
levantou e mandou um beijo com as mãos! Na hora a primeira coisa que
eu pensei eu gritei:
- Harry, I LOVE YOU, TE AMO!
Ele olhou pra
mim, sim, eu tenho certeza, e respondeu:
- Really?
Foi mágico.
Daí ele tirou as baquetas do bolso e atirou uma na minha mão e a
garrafa de água na da minha amiga! A gente começou a chorar, a
Bárbara eu tinha conhecido a uma hora e já eramos quase íntimas.
Aí um monte de menina se amontou em cima da gente pra saber o que
tinha acontecido, querendo tocar na baqueta, essas coisas. O
segurança me aconselhou a guardar ela, e eu coloquei ela dentro da
calça, debaixo da blusa porque ali ninguém ia meter a mão, certo?
Eu ainda não estava acreditando no que tinha acontecido, como uma
cena de filme, mesmo.
Fim do capítulo O3
