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Um chiado baixo soou sobre as cabeças, vindo de algum lugar do segundo andar.

Inerte, a garota deixou o corpo cair. Nervosa, apertava com força as mãos no colo.

Pelo silêncio dos irmãos, sorriu de modo afetado.

-Não se preocupe, vamos encontrar alguma solução- disse Samuel. Tentava animá-la.

-Num armário?- sorriu ao encará-lo. Os olhos cheios de lágrimas- É melhor eu ir embora. Sumir, entrar pra um convento.

- Não funciona assim.

- Essa coisa vai persegui-la pelo resto da vida. Homem, mulher, cachorro, ninguém vai estar seguro perto de você - disse Dean.

- É por isso que me trancaram no armário?

- O quê!?

Surpreso, o jovem Winchester a fitou.

- Se é parte de mim... A arma... Não é preciso ser nenhum gênio para deduzir – murmurou a garota de cabeça baixa.

- Na verdade, há um jeito mais fácil - disse Dean, sério, ao encará-la.

Aproximava-se devagar quando Samuel reteve-o pelo braço.

-Tem noção do que isso significa? - sussurrou

-Eu to dando uma escolha, Sammy. É melhor do que morrer.

Sem argumento, soltou o braço.

- Uma bacante só pode existir, enquanto uma vestal existir. Se a vestal deixar de existir...

- Se eu deixar de ser virgem, tudo ficará bem?

Dean lançou um olhar ao irmão.

- Talvez – respondeu o caçador ao voltar-se a ela.

- Não têm como ser mais vago?

- Desculpa, é a nossa primeira vez- sorriu.

- E os meus amigos? - sem encará-lo, perguntou.

- Mortos. Não há nada que possa fazer. Eu sinto muito.

Ficaram em silêncio por algum tempo.

De olhos fechado, ela respirou devagar. Mais calma, enxugou as lágrimas. Por fim, perguntou:

- Quando isso acabar, vocês vão desaparecer?

- Se assim quiser.

Fez uma pausa.

- É só um cabaço, mesmo. – murmurou a garota.

Os irmãos trocaram olhares surpresos.

- Dá pra pelo menos dar algum espaço?- disse ao se levantar- Quero alguma dignidade, quando isso acabar.

- Não dá - disse Samuel sem jeito.

- Ah, acho que posso fazer isso sozinha.

- É... mais complexo do que isso.

- Você tem que transar com alguém e querer isso. – disse Dean.

Olhou para o irmão, por algum tempo, de cenho franzido.

- É por isso que me trouxeram pra cá. Pra... - a garota emudeceu. De cara fechada, mirou os irmãos.

O mais velho, ao aproximar-se, bufou.

Ao avanço do caçador, ela recuou. Desequilibrou. Caiu sobre o baú.

Dean escorou a mão direita na parede as costas da garota. Vagoroso, inclinou-se à frente.

A bacante urrou.

Tensa a garota puxou a camisa de botões para baixo. Tentava ocultar as pernas, sem se dar conta que mais revelava o colo.

- Não precisa ter medo- disse o caçador a meia voz. Aproximou o rosto do dela - Nós não vamos forçar a fazer nada que não queira. Eu e meu irmão podemos encontrar outra solução, se quiser. A gente sempre dá um jeito.

"Eu só ainda não sei como", pensou.

As paredes estremeceram, embora a garota se mantivesse estática.

Dean encarou o irmão ao erguer-se. Antes que pudesse se afastar, entretanto, tímidos dedos inibiram o movimento. De cabeça baixa, ela o segurava pela blusa cinza.

Surpreso, o Winchester sorriu.

Retirou os cabelos negros do rosto da garota ajeitando-os com cuidado atrás da orelha. Com o indicador dobrado sob o queixo, ergueu o rosto.

Ela mantinha os olhos fechados.

Ao beijá-la, sorriu. Enquanto, as paredes estremeciam.

Assustada, a garota abriu os olhos. Afastou a cabeça. Empurrou o caçador com as mãos à altura da barriga.

Dean observou a garota, por algum tempo, sentada sobre o baú. Mantinha o rosto baixo e de lado. A face muito além de um leve rubor.

- Se nós começarmos aquela coisa, não vai parar até você desistir. Eu não sei o que ela pode fazer. Quer continuar mesmo assim?

Flexionou as pernas, tombou o corpo um pouco para o lado. A altura do rosto da garota sorriu ao encará-la.

Estava nervosa.

Hesitante levantou a cabeça. Abriu a boca. Mas, antes que pudesse respondê-lo, lançou um breve olhar sobre o ombro do caçador encolhendo-se.

Dean não precisou acompanhá-lo para entender. Sem se voltar para trás, apenas sorriu. Mordia os lábios.

- Não tem problema se prefere meu irmão – sibilou ao ouvido da garota.

Do lado de fora do closet, uma repentina calmaria.

- Quem sabe os dois? – sussurrou o caçador com um enigmático sorriso.

Agora era Samuel quem estava vermelho.