"Sempre Ao Seu Lado" por Fernanda Pinheiro (Nanda Kuchiki)
Capítulo 3 – De pai para filha (Especial de dia dos pais)
A pequena Yura transmitia determinação e firmeza em suas palavras. Ichigo não soube o que responder. Jamais quis envolver sua pequena em meio àquela realidade violenta e aventurosa. Usara de todos os meios para protegê-la daquela severa verdade e não envolvê-la em qualquer perigo. O mundo dos vivos já o deixava tenso, imagine o conturboso mundo dos mortos.
- Isso não é assunto seu. – respondeu friamente o ruivo.
- Como disse?
- Estou mandando você ir embora! É algo perigoso demais para você!
- Nem pensar! Eu não sou mais um bebê de colo para você ficar mimando e protegendo!
- Eu só não quero que se machuque, Yura! – levantou-se.
Sem os dois perceberem, Urahara e os outros haviam saído da sala. O ambiente já estava absolutamente pesado.
- O Urahara-san disse que eu possuo uma imensa energia espiritual!
- O Urahara-san é maluco! Você é nova demais para isso!
- Entrou nisso com 15 anos de idade, não foi? A mamãe te ajudou!
- Eu era bem mais velho! – cruzou os braços.
- 3 anos apenas! E eu duvido que você seria o que é agora se não fosse pela mamãe. Soube que você era imaturo demais a ponto de ela ter que viver pegando no seu pé!
- Comigo foi diferente! Eu comecei caçando pequenos hollows aqui! – exclamou tentando ignorar o último comentário bem argumentado da filha. - Duvido que você saiba até o que é um hollow! – menosprezou.
A garota riu com a pergunta do rapaz. Ela estava fazendo-o de idiota?
- Qual é a graça?
- Não só sei disso, como também sei o porquê da mamãe estar em perigo. – cruzou os braços.
As lúcidas castanhas do ruivo arregalaram-se. Yura pretendia mesmo salvar Rukia? Não conteve a risada sarcástica.
- Você? Salvar a Rukia? Como se eu fosse deixar!
- Mas você TEM que deixar. – deu ênfase ao verbo sem perder o nível oratório. – Ou eu vou sozinha. Todos estão ao meu lado para conseguir meus poderes! E você não vai me impedir. – encarou-o friamente.
Ichigo bufou. Se Rukia estivesse ali, ela apoiaria Yura com todo o vigor. Como sempre, ELE era o errado, pois, seu instinto protetor falava mais alto e quem segurava aquilo era Rukia. Somente ela.
No fundo ela tinha razão. Mais cedo ou mais tarde ela acabaria descobrindo e, quem sabe, de uma maneira pior. Aproximou-se da pequena e encarou-a seriamente de cima.
- Eu vou te dar uma chance.
O mais belo e deslumbrante sorriso pairou no delicado rosto da mocinha.
- Mas com uma condição: - manteve a seriedade. – Assim que adquirir seus poderes, terá que lutar comigo.
- Hã? Ficou maluco?
- Se você ganhar, estará livre para me acompanhar. Se perder, será obrigada a esquecer-se de tudo o que viu e ouviu sobre isso e voltar a viver sua vida normalmente.
Os ouvintes ocultos que se encontravam quarto afora estavam absolutamente chocados. Ichigo teria mesmo coragem de machucar a própria filha a sangue frio?
- Ficou maluco, Kurosaki? – disse Ishida abrindo violentamente a porta.
- Eu não estou nem um pouco a fim de andar por aí com uma garotinha fraca que não sabe nem manejar uma espada. – respondeu friamente.
- Mas...
- Eu aceito sua proposta. – interrompeu. – Vou te deixar com a cara no chão. – propôs o desafio acompanhado de um sorriso sínico.
Ichigo entendeu aquilo como uma verdadeira ofensiva à sua moral. Bem, era justamente aquela a intenção. Yura estava decidida. Tinha um grande espírito desafiador e determinado, tomando o lugar da razão, ou seja, os anos de experiência e luta do rapaz de cabelos laranja não a intimidavam.
- Só espero que saiba o que está dizendo, garota. – tratou-a com desdém.
No momento em que a garota posiciona-se para dar uma resposta, Urahara coloca-se entre os dois evitando assim uma nova briga.
- Ok, ok. Agora que se entenderam, vamos preparar o treinamento da Yura-chan. – disse abanando-se com o leque. – Afinal, ela passará pelo mesmo treinamento do Kurosaki-san.
- VAMOS PERDER 10 DIAS? – vociferou Ichigo.
- Acho que já está na hora de lhe contar o que realmente está acontecendo. – disse o loiro encarando diretamente os olhos do Kurosaki.
-X—
O par de olhos violáceos foram abertos com uma certa dificuldade. O ambiente lhe pareceu desconhecido e diferente. O pequeno corpo estava repousado em uma imensa cama de casal de estilo europeu com lençóis de seda vermelha e dourada. O quarto possuía artefatos antigos e muito bem feitos, entre eles um relógio de pêndulo, um enorme tapete rústico vermelho vinho com detalhes dourados e prateados e bibelôs de porcelana, sem contar com a estante portada de vários livros.
A própria arquitetura nobre-européia era refletida nos detalhes esculpidos nas paredes e na porta, no belíssimo e grandioso lustre e no grande janelão coberto por cortinas de seda fina cor vermelho sangue. Eram os aposentos típicos de uma princesa, ou melhor, de uma rainha.
Sentiu sua cabeça latejar e a visão escurecer no momento em que se sentou. Assustou-se ao ver-se vestida em um longo vestido branco de mangas longas e um simples decote retangular.
- Onde eu estou? – disse para si ao analisar o ambiente com maior seriedade.
De repente uma moça compareceu ao quarto com uma bandeja portando um bule de porcelana e duas xícaras.
- Rukia-sama! Bom dia! – cumprimentou simpaticamente.
- Rukia-sama? – estranhou a formalidade.
- Claro! A senhora é dona de tudo isso.
Ela era maluca? Havia se enganado de amo?
- Desculpe, mas...
- Kuchiki-dono! Que bom que acordou. – disse a bela figura de fios dourados e olhos esverdeados que entrava ali.
- Murakami! – a Kuchiki espantou-se.
- Acalme-se, Kuchiki-dono. Está grávida, não pode ficar nervosa.
- O que você ainda quer comigo? Achei que estivesse morto! – disse tentando tomar a maior distância possível do loiro.
-X—
Os raios solares do sol do meio-dia refletiam-se na brilhante pele mulata. As madeixas tão negras quanto a noite mais sombria cobriam parte da bem esculpida face. Sayaka Iamela havia dormido mais uma vez em serviço, mas desta vez o capitão de cabelos prateados não repreenedeu-a. Haviam passado a noite toda ali e a garota estava esgotada, tanto quanto ele.
A quantidade de trabalho era mais sobrecarregada para o 10º esquadrão do que para qualquer outro. Toushirou odiava aquilo. Apoiou a mão destra no queixo e passou a analisar a tenente substituta. Por que Matsumoto não era tão eficiente quanto ela? Se era uma coisa que Toushirou admirava era esforço e competência. Sayaka, apesar de tímida, transmitia-lhe uma grande fortaleza em seu olhar, e isso o atraia de certa maneira.
O pequeno capitão levantou-se de sua mesa e andou em direção à adormecida tenente. Aproximou-se dela e retirou parte das longas madeixas escuras do rosto cansado, depositando-as atrás da orelha da tenente. Hitsugaya não evitou um sorriso sereno ao encarar o sono de Sayaka. Por que era tão esforçada? Tão doce e meiga? E não pôde negar, ela era muito bonita.
Ao sentir a mão de seu capitão alcançar-lhe o rosto de maneira delicada, Iamela abriu lentamente os olhos. Um belo par de esmeraldas a encarava com doçura, algo que a deixou constrangida, mas ao mesmo tempo protegida. Hitsugaya era seu capitão, assim como era o dever dele protegê-la, ela também tinha a mesma obrigação, a qual ela considerava um desejo vindo de seu coração. Seu rosto avermelhou-se e lentamente levantou a cabeça, despertando a atenção do capitão anteriormente perdido em seus devaneios.
- Sayaka! - assustou-se.
- Hi... Hitsugaya taichou! - afastou-se com o rosto em fogo.
- De... desculpe-me! - curvou-se o capitão. - É... é que tinha um cílio no seu rosto e... sabe...
Sayaka riu do desespero do rapaz.
- Qual é a graça?
- O senhor fica engraçado quando está constrangido. - disse rindo docemente. - Está desculpado.
A mulata se levantou da cadeira, espreguiçou-se e tomou alguns relatórios em mãos.
- Nada disso! - disse o capitão tirando as mãos de Sayaka de cima dos inúneros relatórios. - Hoje será seu dia de folga.
Sem perceber, o capitão estava segurando firmemente a mão destra da tenente, deixando-a um pouco corada.
- Obrigada, capitão. - agradeceu encarando as mãos juntas.
Ao perceber o que estava fazendo, Toushirou rapidamente retira sua mão atrevida de cima da de Iamela. Assim que a garota cumprimentou o capitão em sinônimo de despedida, Toushirou põe-se novamente na frente dela.
- Eh... Sayaka, mais uma coisa.
- Sim?
- Se por acaso der para você, eu gostaria jantar com você hoje à noite.
- Sério? - perguntou de uma forma alegre.
- Sim, no restaurante ao lado do 11º esquadrão. - respondeu abrindo um pequeno sorriso esperançoso.
- Eu adoraria, capitão! - respondeu a garota.
De alguma forma, Toushirou sentiu-se aliviado pela aceitação de seu convite. Temia que a garota pensasse que fosse atrevimento de sua parte ao convidar a tenente substituta para sair.
- Então, eu vou indo. Até mais tarde.
- Até. - despediu-se abrindo um tímido sorriso.
-X-
- Há 40 anos, uma família altamente nobre teve grande hegemonia na Soul Society: a família Murakami. – começou o loiro de chapéu listrado. – Perdendo apenas para os Kuchiki, a família Murakami foi a segunda casa mais nobre. Seus membros eram portados de ganância e muito orgulho, fatores que os levaram a um extremo sem igual.
- E o que a Rukia tem a ver com isso? – disse o impaciente Kurosaki.
- Acalme-se, é justamente aí que eu pretendo chegar.
Ichigo bufou. Estava cheio daquela ladainha infestada de Soul Society, complicações e fampilias nobres. Queria apenas levar Rukia para casa, pedir desculpas de joelhos e esperar seu filho nascer. A situação de Yura também o deixava tenso só de imaginar sua filha de apenas 12 anos lutando contra estrondosos hollows.
- Já que os Murakami e os Kuchiki eram grandes amigos, os Murakami propuseram uma união de clãs através do casamento entre seus herdeiros. Claro, com a intenção de aumentar seus poderes na Soul Society.
- Eles pensaram que conseguiriam mais poder unindo as duas famílias. – deduziu Ichigo.
- Isso mesmo. E aí que a Rukia-san entra. Ela seria a herdeira Kuchiki prometida ao herdeiro Murakami.
- Mas, o que isso tem a ver com o seqüestro dela? – exaltou-se.
- Deixe-me terminar a história. – tomou um gole do chá. – Kuchiki Byakuya não permitiu a união de famílias justamente pensando na irmã e nas reais intenções dos Murakami.
Ichigo suspirou fundo e por um momento agradeceu a Byakuya. Se Rukia tivesse casado com outro, talvez ele nem estivesse ali vivo.
- Os Murakami estavam tão sedentos pelo poder a ponto de travarem guerra contra a própria Soul Society. Pelo decorrer disto, este clã inteiro foi exterminado pelas 13 divisões. Mas apenas uma pessoa sobreviveu e fugiu para o Hueco Mundo: Murakami Itsuki, o último herdeiro da família. Hoje ele tem um palácio e recebi relatórios de que ele anda fazendo experiências com hollows.
- Não me diga que foi esse cara quem seqüestrou a Rukia?
- Sim, foi ele.
- Desgraçado! – levantou-se furiosamente. – Por que vocês não foram atrás dele? Esperaram ele seqüestrar a Rukia?
- Nós não sabíamos que ele estava vivo. Na época ele era apenas um aluno da academia.
- E o que ele ainda quer com ela? Ele deveria saber que ela é uma mulher CASADA! – deu ênfase à última palavra demonstrando seu intenso ataque de ciúmes.
- Creio que ele não queira casamento desta vez. – indagou pensativo. – Ele possui o mesmo Objetivo de Aizen: conseguir a chave real e matar o Rei Espírito. Itsuki percebeu que os planos de Aizen não deram certo e decidiu recorrer a um segundo meio de conseguir essa chave.
- Quer dizer que existe um segundo meio de se conseguir essa chave sem usar o Hougyoku?
- Sim, e parece que esta informação não vai lhe agradar.
Ichigo não abiu mão do olhar tenso que se direcionava ao cientista de chapéu.
- O segundo meio de se conseguir a chave real é... – encarou Ichigo com mais seriedade. – sacrificando a alma shinigami mais pura que existe, ou seja, a alma de seu filho e da Rukia-san que está por vir.
A alma do ruivo afogou-se na raiva. Seu sangue fervia ao pensar que Rukia havia sido seqüestrada, mas tocar em um fio de cabelo de seu filho, sangue do seu sangue, parte de si e ainda filho de sua Rukia, era de mais.
O chão começou a tremer. O rapaz reluziu uma grande quantidade de energia espiritual, pois a raiva era tamanha que o ruivo não soube controlar a própria reiatsu.
- O que é isso? – espantou-se o moreno de óculos ao invadir a sala.
Devido à alta quantidade de energia emanada, Kaito acabou apagando e caindo ao chão.
- Kaito-kun! – exclamou a garotinha de cabelos alaranjados ao segurar o amigo.
Apesar dos poderes estrondosos de Ichigo serem procedidos em grande quantidade, Yura ainda conseguia manter-se firme e forte. Como ela aguentava manter-se em pé perante a tamanho poder espiritual?
- ABRA A GARGANTA AGORA! – exclamou o furioso shinigami.
Urahara não se moveu um centímetro sequer. Apenas tomou um gole de seu chá. Tal reação já era esperada vinda de Ichigo.
- Não é necessário ter tanta pressa. Rukia-san e seu futuro herdeiro ficarão em perigo em apenas 9 meses. Ele só será útil para Itsuki quando nascer. E a propósito, eu duvido que ela seja maltratada justamente pela saúde do bebê. Uma criança morta não seria o que seu oponente almeja, não é mesmo?
A casa de madeira iria aos pedaços se Yura não estivesse chutado o pai como se fosse um moleque de sua idade. A pressão espiritual de Ichigo amenizou-se.
- FICOU DOIDO! Quer matar todo mundo de vez? – exclamou a fina voz exaltada.
- Yura?
- Calado! Não é só você que está sofrendo e sente raiva! Erga essa cabeça e vá trinar ao meu lado! Não é descontando a raiva em si e no mundo que vai conseguir o que quer!
Ichigo estava deslumbrado. Yura era tão perfeita e mandona quanto a mãe a ponto de sentir em seu coração a própria Rukia lhe dirigindo aquelas severas palavras.
Seu olhar passou ficar sereno. Suspirou e ajoelhou-se encarando os orbes tão castanhos quanto os seus. Tomou as pequeninas mãos e entrelaçou os delicados dedinhos com os seus.
- Você me perdoa? – perguntou o rapaz ainda sério.
Yura deixou escapar um pequeno sorriso de canto. Soltou as mãos caleijadas pelo cabo de Zangetsu e abraçou calorosamente a figura paterna, a qual retribuiu de forma mais profunda.
- Eu sempre vou estar ao seu lado, pai. – disse a pequena de forma carinhosa.
Grande parte de seu mundo estava ali: presa em seus braços. Sua vontade foi de nunca mais soltar sua pequena. Seu tesouro. Parte de sua alma. Fruto de seu amor com Rukia. Sua vida.
CONTINUA...
E aí galera? Foi um ótimo presente de dia dos pais pro nosso morango né?
Desculpem meesmo a demora. Minhas férias foram maio agitadas e nem tive tempo para me entregar às minhas tão amadas fics.
Declaro esta fic em hiatus por algumas semanas. Prometo que não irei demorar! Terei que me entregar um pouco às minhas duas fics que estavam em hiatus: Damon Dulcis e Laços. Para quem se interessou, Damon Dulcis está no Nyah Fanfiction e Laços está por aqui mesmo.
Agradeço de coração às pessoas que leram e deixaram reviews. Acreditem, as reviews de vocês são minha garra para continuar escrevendo.
Agradeço também especialmente às minhas nakamas MiYuki, Mela-cham, Carol_Elric e ShihouinEveline que me peressionam durante a semana toda para eu continuar postando! Amo vocês, nakamas!
Até mais galera! E feliz dia dos pais aos papis do mundo!
