Capítulo 3
Draco ficou no alto da escada esperando que Ginny o seguisse. Mas ela não o fez. Ficou parada na sala como uma estátua. O rapaz suspirou. Ela também não sabe do que se trata concluiu sozinho antes de descer as escadas novamente. "Eu só vou te carregar no colo na noite de núpcias. Por enquanto você continua andando com suas próprias pernas" disse no melhor tom irônico que podia. Mas ela continuou sem responder. Ficava lentamente olhando de um lado para o outro como se ainda tentasse entender o que estava acontecendo. Aquilo o deixava extremamente impaciente. "Weasley!" Ele disse pelos dentes "Vem comigo, agora!" e então fez menção de segurar suas mãos, mas pensou melhor e não segurou. Apenas voltou a subir as escadas, mas dessa vez certificou-se que ela estava indo atrás dele.
Não tinha certeza de qual era o quarto que sua mãe havia resignado para Ginny, mas isso realmente importava? Tudo o que ele precisava era descobrir o que ELA sabia sobre essa história toda. Porque, ele mesmo, sabia muito pouco.
Seus pais não disseram muita coisa depois de anunciar o casamento. Apenas continuaram a conversar com o senhor que estava no escritório e ignorá-lo. Mas ele não continuou perguntando. Era óbvio que alguma coisa totalmente anormal estava acontecendo. E, até ver a reação de Ginny na sala, ele pensava que ninguém mais havia percebido. Entrou em um dos muitos quartos de visita que havia na casa e deixou a porta aberta para que ela também entrasse. Não demorou muito e ela estava lá dentro. Jogou-se na cama de casal e ficou esperando que ela dissesse alguma coisa. Mas ela não disse nada.
"Eu sei que você não está acostumada com lugares grandes e luxuosos, mas não deixe se intimidar pela casa... com o tempo você se acostuma com os ecos que produzem a sua voz." Não que provocá-la fosse ajudar a situação... mas era isso que ele fazia de melhor, porque ele deixaria de fazer quando tivesse a oportunidade? Estava tão distraído com sua piadinha que não percebeu a cara de Ginny. E também não percebeu quando ela pulou para cima dele e lhe deu um murro.
"O que você pensa que está fazendo?" Ele gritou enquanto rolava da cama para o chão tentando fugir de outro possível soco. "Você ficou louca!?"
"O QUE EU PENSO QUE ESTOU FAZENDO?!" Ginny respondeu gritando "PARA ONDE VOCÊ ME TROUXE SEU CRETINO?!" ela avançou novamente nele, mas dessa vez ele já esperava por isso. Quando ela pulou nele ele segurou-a pela cintura e derrubou-a de costas no chão. A ruiva começou a debater-se e ele sentou sobre ela e prendeu suas mãos com os joelhos. "ME LARGA, MALFOY!" ela gritava enquanto tentava se desvencilhar do garoto. Mas a tentativa era em vão. Ele era muito mais forte do que ela.
"Não enquanto você estiver tentando me agredir." ele respondeu com um sorriso no rosto. Aquela situação de quase poder o divertia. Ela respirou e parou de se debater. Fixou os olhos nos dele e ficou quieta. Seu rosto vermelho parecia queimar de raiva "O que foi?" perguntou com um sorriso malicioso "Não gosta de um homem de verdade em cima de você?".
"E foi para isso que você me trouxe aqui? Para sentir-se um homem de verdade em cima de mim?" Ginny respondeu usando exatamente o mesmo tom sarcástico que ele havia usado "O que foi? Pansy não te deixa ficar por cima?!" ela sorriu falsamente.
"Weasley, pense um pouco. Porque eu te traria para minha casa de verão e convenceria meus pais de que quero me casar com você?"
Para surpresa dele, ela sorriu. Um sorriso irônico melhor do que qualquer outro que Draco já havia visto na vida dele. "Pelo mesmo motivo que convenceu seu pai a comprar as melhores vassouras para todo o time de quadribol da Sonserina." Ele ficou quieto esperando que ela continuasse o que quadribol tem haver com isso? "Porque você sempre quer ter forçado, aquilo que o Harry tem naturalmente." Ela continuou com um sussurro provocador.
Aquilo subiu a cabeça de Draco. A raiva que sentiu dentro dele era tão grande que ele teve uma vontade louca de esmurrá-la. Ele desceu seu rosto perto do dela e deitou-se de corpo todo sobre ela enquanto certificava que seus punhos ficassem presos pelas mãos dele. Seu rosto nunca esteve tão perto do rosto de um Weasley. Ou qualquer outra parte do meu corpo, pensou enquanto a encarava.
"Sai de cima, Malfoy" ela disse virando a cabeça.
"Não!" ele respondeu por entre os dentes. "Ouça uma coisa, garota Weasley." Sua raiva era tão grande que ele não sabia se conseguiria continuar a frase sem arrebentá-la. "Se eu quisesse você, eu não convenceria ninguém a fingir que vamos nos casar. Se eu quisesse você eu teria."
"Se não me quer, porque me trouxe para sua casa?" ela perguntou ainda olhando para o lado.
"Quem veio para cá foi você. Eu não me lembro de ter ido te buscar." Ele respirou com força. "escuta," disse um pouco mais calmo. "Estou tão confuso com essa situação, quanto você. Não quero me casar com você. E você não quer se casar comigo. A única coisa que nos resta é descobrir porque nossos pais acham que vamos nos casar."
Ginny ficou calada e Draco não sabia se ela estava ignorando-o ou apenas pensando no que ele dizia.
"Não acho que você precise ficar em cima de mim para descobrir isso, não é?" ela finalmente olhou para ele.
Draco levantou-se e deu a mão para ela levantar. Quando ela segurou a mão dele para se apoiar, ele largou-a e ela voltou a cair. "Muito adulto de sua parte, Malfoy!" Ela gritou para ele enquanto ele saia do quarto. Ele voltou e sorriu. "Estarmos na mesma situação não nos torna amigos, Weasley." E ele saiu deixando-a lá. Fechou a porta atrás de si e foi para o seu quarto. Agora ele ia achar sua varinha.
***
Ginny continuou deitada no chão frio do quarto. Colocou as mãos na cabeça e respirou fundo. O que estava acontecendo? Se realmente não foi o Malfoy que me trouxe aqui, quem foi? E porque alguém iria querer que eu me casasse com ele? A forma como sua mãe havia sido seca e mal educada mais cedo, os pais de Malfoy crentes de que eles estavam noivos, ter sido transferida de Hogwarts para aquele lugar, no meio da noite. Oh, Merlin... O que está acontecendo!?
Alguém bateu na porta. Antes mesmo de Ginny mandar entrar a porta se abriu e a cabeça da senhora de coque baixo apareceu pelo vão. "Está na hora do almoço, Srta. Virginia. A senhora sua mãe lhe espera na companhia do senhor e senhora Malfoy."
Ginny levantou-se e começou a seguir a senhora. Seus pensamentos longe do que a mulher insistia em dizer. Existe algum motivo para pensarem que eu e Malfoy vamos nos casar. Será que eles pensam que nós QUEREMOS nos casar? A garota achou que aquilo era, no mínimo, uma dica de como sair dessa situação. Eles diriam que não queriam se casar e ponto. Afinal, eles não estavam mais no século 17 onde as pessoas se casavam obrigadas pelos pais. Esse era o século 20. E nesse século as pessoas escolhiam com quem iriam se casar.
A senhora parou e indicou uma porta, Ginny por pouco não trombou nela. Desviando-se da mulher ela entrou pela porta indicada. Era a mais linda sala de jantar que ela já havia visto. Bem espaçosa tinha uma mesa que deveriam caber umas cinqüenta pessoas. Bem no meio da sala um lustre que descia do teto e ficava há um metro da mesa. Todo de cristal. As cadeiras eram estofadas com um veludo marfim. E todas elas (assim com a mesa) tinham a madeira trabalhada. A parede tinha uma textura que lembrava uma renda azul-claro. Enormes janelas davam uma vista maravilhosa para o jardim. Ela ficou em pé apreciando cada detalhezinho do local. Uma coisa ela tinha que admitir. Narcisa Malfoy era a última palavra em decoração.
"Sente-se Virginia." Molly disse com um sorriso no rosto. Mas não lembrava nada aquele sorriso caloroso que ela costumava dar. Ginny não esperou que ordenassem duas vezes. Sentou-se em um cadeira ao lado de sua mãe. Não havia absolutamente nada sobre a mesa. Provavelmente eles usam a mesma magia que Hogwarts pensou quando a comida ficar pronta, ela magicamente aparecerá sobre a mesa.
"Amélia." Sra. Malfoy disse em um tom elevado. A senhora de coque entrou na sala. "Onde está Draco?"
"Estará aqui em um instante, Senhora Malfoy." Amélia respondeu em um tom firme. Diferente de Dobby (quando ele pertencia aos Malfoy), ela não parecia intimidada na presença deles.
E ela estava certa. Em poucos segundo Draco havia entrado e se sentado de frente com Ginny. Diferente do que a garota havia presumido anteriormente, a comida não apareceu magicamente na mesa. Um por um, empregados foram entrando e deixando enormes travessas de comidas na mesa. Depois que toda a comida já estava posta. Um rapaz chegou perto de Ginny e perguntou baixinho "A senhorita prefere peixe ou ave?".
Ginny balbuciou antes de responder "p-peixe". E então o rapaz começou a servi-la. "Pode deixar," ela disse com um sorriso no rosto "eu me sirvo sozinha.". Ela pode sentir o olhar de todos nela. Qual era o problema?
"Continue a servi-la." Molly ordenou ao rapaz. Outros quatro empregados faziam o mesmo serviço para o resto dos presentes. Quando todos estavam devidamente servidos e os empregados tinham saído, a sala caiu em um silêncio incomodo. A única coisa que era possível ouvir eram os talheres batendo delicadamente nas louças chinesas. Ginny considerou que era um bom momento para anunciar o fim do noivado.
"Eu e Malfoy estivemos conversando, e decidimos que não queremos mais nos casar." Ela disse assim. Tudo de supetão. Não sabia exatamente qual seria a reação deles, mas esperava que fosse algo como 'finalmente' / 'que grande idéia'.
Mas ninguém disse absolutamente nada. O barulho de talheres batendo na louça continuou. Era como sequer estivessem ouvindo-a.
"Nós não vamos mais nos casar" repetiu sílaba por sílaba. Talvez eles não tivessem entendido essa parte.
"Nós te ouvimos, Virginia. Mas você deve aprender que o momento da refeição é sagrado e deve ser feito no mais absoluto silêncio. Então, poderia deixar o bate-papo para mais tarde?" Lucio respondeu de forma seca e sem emoção. Bate-papo? Ela pensou assustada não estou batendo papo. Eu estou anunciando o FIM do meu noivado! Olhou para Draco esperando que ele a apoiasse. Mas ele estava com a cabeça abaixada para o prato comendo vagarosamente. Além do que, ele jamais me apoiaria mesmo. Só por diversão! Continuou comendo sem sequer prestar atenção na comida. Odiava silencio durante as refeições.
***
Quando todos terminaram Lucio e Narcisa deixaram a sala de jantar. Draco já ia fazer o mesmo quando ouviu a Senhora Weasley começando a falar.
"Você me sempre tem que me envergonhar, não é?" ela perguntou rispidamente para Ginny. A garota pareceu assustada com o que a mãe disse. Se ela iria responder, Draco não ficou sabendo, porque no mesmo momento a senhora de coque baixo entrou na sala e anunciou "O Senhor e a Senhora Malfoy esperam vocês no escritório." Ginny olhou para ela e sorriu. "Obrigada, Amélia.". Malfoy olhou para ela com o cenho franzido. Como ela sabe o nome da minha empregada e eu não sei? Não chegou a perguntar. Levantou-se assim que Ginny e sua mãe fizeram o mesmo.
Malfoy andou calmamente atrás das duas ruivas. Não tinha a menor vontade de entrar naquele escritório. Sem perceber a garota diminuindo a velocidade, ele assustou quando ela estava do seu lado. "Porque você não me apoiou lá na sala de jantar?" ela perguntou quase em um sussurro.
"Em primeiro lugar, por diversão. Eu jamais apoiaria um Weasley." Ele a viu rolando os olhos. "E porque o momento da refeição é sagrado e deve ser feito em silêncio." Ficou esperando ela responder ou mostrar qualquer sinal de impaciência. Mas ela não o fez. "Você não deve saber disso, não é?" dessa vez ela olhou-o intrigada "afinal, duvido que se consiga um único minuto de silêncio quando se mora com 15 pessoas no mesmo cômodo." Se Ginny ficou irritada, ele não chegou a ver. Logo depois de ter dito isso, abriu a porta do escritório e entraram os dois juntos. Seus pais, a Senhora Weasley e o senhor que Draco havia encontrado naquele mesmo escritório já estavam lá. Todos olharam para Ginny quando ela entrou e ele agradeceu por não estar no lugar dela.
"Agora você pode dizer, na frente do nosso advogado, o que você estava tentando dizer durante o almoço, Virginia." Lucio disse isso como se fosse uma sugestão. Draco olhou para a garota. Ela não parecia intimidada com nada. Apenas sorriu e começou. "Eu e Malfoy decidimos que não queremos nos casar." Ela parecia até feliz por ter sido ouvida.
"Querer nunca foi o motivo para esse casamento ter sido marcado, Virginia." Lucio respondeu "Por isso fizemos o contrato sobre desistência." Seu pai pegou uns papéis e começou a folhá-los "Além do que, vocês são apenas UMA de todas as partes interessadas nesse casamento. Não cabe a vocês decidirem se ele acabou ou não." Aquilo soou estranho para Draco. Meus pais querem que eu me case com uma Weasley? Ele estava considerando a possibilidade de questionar seu pai, quando Ouviu Ginny.
"Malfoy!" ela estava com a voz um tanto quanto esganiçada. "Olhe para essa foto." Ela apontou a foto e Draco olhou. Era ele quando tinha uns cinco anos de idade.
"Weasley, eu já vi essa foto pelo menos um milhão de vezes..." ele sussurrou. Não queria que seus pais prestassem atenção naquele comportamento esquisito dela.
"E ela sempre foi assim... PARADA?"
Draco voltou a olhar para foto. Uma coisa estranha se revirou em seu estomago. Nós somos trouxas.
N/A: E foi feita a grande revelação! Bom, só no próximo capítulo (que não vai demorar muito) vocês vão saber o motivo EXATO que os obriga a se casar. Então comentem para me dar animo para terminá-lo o mais rápido possível, ok?
