Título: Masks Marked

Autora: Samantha Tiger Blackthorn

Beta: Yume-vy

Casal: Aoi x Kai

Tema Musical: Every Day e Take Me There - Rascal Flatts

Classificação: NC-17

Gênero: Yaoi, angust, lemon, romance, BDSM.

Resumo: "Isso não significa... Que você vai voltar àquele lugar! Você não pode!". Ao ouvir, sem querer, essas palavras, a curiosidade e a preocupação de Aoi se manifestaram. Naquele momento ele soube que um amigo precisava de ajuda, mas... Como ajudá-lo? E quais segredos... Poderá descobrir?

Avisos: Esta estória é Slash: um romance entre dois homens e contém sexo explícito. PORTANTO, SE NÃO GOSTA NÃO LEIA.

Disclaimer: Esses homens lindos e talentosos não me pertencem, o que é uma pena, então apenas tomo a liberdade e o atrevimento de me divertir com eles.

Dedicatória: Para minha Amada Mestra Kaline, que me pediu com aquele jeitinho fofo e irresistível que ela tem de chantagear... O que você me pede que eu não faço...

Masks Marked

There's a place in your heart, nobody's been,
Há um lugar no seu coração, onde ninguém esteve
Take me there.
Me leve lá
Things nobody knows,
Coisas que ninguém sabe
Not even your friends,
Nem mesmo seus amigos
Take me there.
Me leve lá
Tell me bout your momma, your daddy, your hometown,
Me fale sobre sua mãe, seu pai, sua cidade
Show me around,
Me mostre tudo
I want see it all, don't leave anything out.

Eu quero ver tudo, não deixe nada de fora

I want to know, everything about you THEN.
Eu quero saber, tudo sobre você então

And I want to go, down every road you've been.
E eu quero ir, em toda estrada que você esteve
Where your hopes and dreams, and wishes live,
Onde seus sonhos e esperanças, e desejos vivem
Where you keep the rest of your life hid,
Onde você mantém o resto de sua vida escondido
I want to know the girl behind that pretty stare,
Eu quero conhecer a garota atrás desse lindo olhar,
Take me there.

Me leve lá

.....

- POR KAMI! DIGA A PORRA DA SENHA!

Capítulo 3 – Things Nobody Knows

- É a sua data de aniversário Aoi... O dia e o mês...

- Certo. – Respondeu ansioso, rapidamente virou os números, colocando-os na posição correta... Sem parar pra pensar neles, tamanha era sua aflição. – 2... 0... 0... 1... – Ouviu o click da porta destravando. – Abriu! – Tateou a parte de cima do compartimento, encontrando a chave grudada ali. Puxou-a e já saiu no corredor, chamando o elevador. – Já está comigo.

- Vai lá ver o que aconteceu e me liga em seguida... – Aoi entrava no elevador, chamando o andar... – Só volto amanhã, na hora do almoço devo estar aí.

- Assim que eu tiver uma idéia do que aconteceu, eu telefono. – Via os andares passando, seu coração acelerado pela adrenalina. – Depois eu te ligo.

Desligou o aparelho saindo do elevador no andar indicado, encontrando o loiro que ainda batia na porta e chamava. Chegou perto, tocando no ombro do loiro que interrompeu o que fazia e colocou a chave na fechadura, a destrancando. Virou o trinco e a abriu. O apartamento estava na penumbra, as cortinas nas janelas fechadas, o silêncio dominava o ambiente.

Ele entrou seguido pelo loiro, seus passos abafados pelo grosso carpete vermelho, notando os sapatos logo na entrada, o abajur tombado na mesinha de canto, no rumo do corredor que dava para os quartos, uma camisa rasgada que Aoi reconheceu como a que ele usava na noite anterior, jogada logo no começo do corredor. Foi andando devagar e com cuidado, acompanhado de perto por Uruha afinal não queria que fossem indiscretos, nem inconvenientes e flagrassem Kai em uma cena íntima.

A porta do quarto estava aberta, o cômodo estava escuro, a calça social preta largada no chão ao lado da porta, e o amigo deitado de mau jeito na cama, meio de bruços, atravessado em diagonal, os pés fora do colchão, como se tivesse tido força apenas para chegar ali e mais nada. Chegaram mais perto, Uruha abriu a cortina para clarear o ambiente, vendo que Aoi chegava perto para olhar.

Aoi apoiou o joelho na cama, e os braços, ficando com o corpo logo acima do baterista, observando atentamente a fisionomia do moreno que parecia em sono profundo. A face estava tensa e porejada de suor, o olhar acompanhou o corpo, notando que a roupa que ele vestia, a camiseta e o moleton estavam úmidos. Tocou de leve na testa do baterista, sentindo-a extremamente quente.

- Então, como ele está? – Uruha chegou até ao lado da cama. – ouvindo alguns resmungos do amigo adormecido.

- Ele está fervendo... – Murmurou preocupado, tentando pensar no que fazer, sem saber se Kai tinha antitérmico ali.

Puxou pela memória, lembrando que quando era criança e tinha febre muito alta, sua mãe o colocava na banheira com água morna, quase fria, para baixar a febre. Podia dar certo... Só precisava entrar com ele sob o chuveiro.

- Me ajuda aqui Kou… – Tirou a própria roupa e virou o corpo dele na cama, ouvindo os gemidos doloridos, colocando o braço por baixo das costas dele, tentando pegá-lo no colo com a ajuda de Uruha. – Abre as portas pra mim e liga o chuveiro, a água precisa estar bem morna.

Uruha abriu as portas e ligou o chuveiro temperando a água de modo a deixá-la quase fria. Quando Aoi entrou com Kai no banheiro, soltou as pernas dele, sustentando o corpo no braço, tentando tirar a camiseta e o moleton, o loiro o ajudando e...

- Kami Sama! O que é isso...!? – Uruha olhou boquiaberto para as pernas machucadas do baterista, cobertas de vergões e escoriações, e vendo o moreno levantar a camiseta com dificuldade, o ajudou a tirá-la, descobrindo horrorizado que as costas estavam no mesmo estado que as pernas, senão piores.

- O Kai não ia se atrasar por qualquer coisa... – Aoi mantinha a cabeça do moreno no ombro, olhando o que podia das costas. – Primeiro vou baixar a febre depois lavar os ferimentos... Então o colocamos de bruços na cama e veremos se ele tem algum antitérmico e o que ele tem para passar nos machucados.

Entrou com ele sob a água, arrepiando-se todo, ouvindo os gemidos do amigo e sentindo a pele dele se arrepiar fortemente sob suas mãos, tirando a boxer, ultima peça de roupa no corpo dele, devagar por causa dos vergões. Deixou que a água quase fria molhasse os cabelos negros, e caísse sobre o dorso e o resto do corpo, o sustentando e resfriando, para que a febre baixasse. Sorriu agradecido quando Uruha apareceu no banheiro com uma cadeira, a colocando dentro do box, sob o chuveiro para que ele se sentasse e acomodasse Kai no colo.

Deixou-se ficar ali, a água caindo sobre ele até sentir que sua temperatura tinha baixado quase de tudo. Depois com todo cuidado, fez espuma nas mãos e lavou delicadamente a pele esfolada, e todo o resto do corpo dele, enxaguando com calma, até que toda espuma fosse retirada.

- Me ajuda a enxugar ele Kou? Traga umas toalhas limpas... – Aguardou enquanto o loiro procurava as toalhas, e retornava com elas. – Encostou de leve a toalha na parte das costas, alguns lugares estavam em carne viva... – Segurou-o junto a si, deixando a parte de trás do corpo exposta para que Uruha trabalhasse. – Agora seque o resto do corpo enquanto eu seguro...

Uruha fazia tudo o que Aoi pedia, percebendo que ele estava seguro do que estava fazendo e notando o desvelo com que cuidava do amigo. Enxugava a pele magoada com carinho... Sentia muito carinho por todos eles, em especial por Aoi.

Olhava para ele enquanto trabalhava, era um grande e querido amigo... – Tão gostoso e confortável de estar com ele... Fosse para o sexo ou simplesmente para conversar... – Às vezes ficavam conversando por horas, assunto não faltava e era sempre agradável e divertido. Levantou-se, apertando a toalha nas mexas do cabelo molhado, retirando o excesso de água. Terminava de secar o corpo todo, quando se lembrou que os lençóis deviam estar úmidos...

- Você não quer que eu troque os lençóis e fronhas antes de levá-lo? Deve estar toda molhada de suor e vai ser melhor colocá-lo sobre uma roupa de cama limpa...

- Bem pensado, você faria isso pra mim, Kou?

- É lógico Yuu, não perguntei isso agora mesmo? – Sorriu gentil. – Espere bem aí, que eu troco tudo e te chamo assim que estiver pronto.

Uruha foi até a cama e retirou os lençóis, levou-os para o cesto na área de serviço, depois foi até o armário onde achara as toalhas e pegou um jogo de lençóis limpos, estendendo-os na cama. Assim que terminou de arrumar os travesseiros e lençóis, deixando o edredom dobrado aos pés da cama, foi chamar o moreno.

- Pode vir Yuu... – Chegou de mansinho na porta do banheiro, reparando no jeito do moreno. – Quer que eu te ajude?

- Não precisa Uru, ele não é tão pesado... – Levantou-se da cadeira num impulso, tomando cuidado para não escorregar no piso do banheiro. – Vou colocá-lo na cama de bruços para não irritar a pele machucada, depois preciso achar a caixa de primeiros socorros e ver o que ele tem lá.

- Eu sei onde ele guarda, vou buscar. – Uruha saiu, sumindo no corredor.

Aoi levou Kai para o quarto, colocando-o na cama, apoiando um joelho e depositando o corpo sobe o colchão, o virando de bruços. Sentou-se sobre a perna dobrada na beirada da cama apoiando o corpo sobre o braço esquerdo e passando os dedos pelos cabelos úmidos tirando-os de sobre o rosto dele. Virou-se para a porta ao ouvir o som dos passos do loiro, trazendo nas mãos a caixa de remédios e uma bandeja com uma jarra de água com dois copos.

- Obrigado Kou... – Recebeu a caixa das mãos do loiro enquanto este colocava a bandeja sobre a cômoda. Abriu a caixa, encontrando tudo para primeiros socorros, como tesourinha, pinça e um joguinho de agulhas de sutura, micropore e band-aid, Algodão, gaze, faixas, água oxigenada, um pote com pomada, e Tintura de Iodo... Esse último sim serviria bem aos seus propósitos. Separou-o com o algodão e o micropore.

Num outro compartimento encontrou vários vidros com remédios e entre eles um antitérmico. Sorriu satisfeito sabendo que podia medicar corretamente o amigo. Colocou a caixa de lado, e os remédios no criado mudo: o iodo, a pomada (que descobriu ser um cicatrizante ao ler o rótulo) e o anti térmico (para medicar diluído em água). Uruha saiu com a caixa para guardar e nesse meio tempo um telefone começou a tocar. Aoi reconheceu o toque do seu celular, buscou o aparelho no meio de suas roupas, amontoadas no chão, atendendo-o incontinente.

- Moshi moshi...

- Aoi? Miyavi falando... – A voz séria e compenetrada tão diferente do usual chamou a atenção de Aoi. – Você me deixou preocupado... Encontrou o Kai? Como está ele? O que aconteceu?

- Calma, estou aqui no apartamento dele. Ele estava dormindo, com uma febre muito alta. Dei um banho para abaixar a febre e descobri que ele estava todo machucado, ia medicá-lo e fazer os curativos agora. – Suspirou. – A princípio ele só parece ter sido surrado... Mas eu sei que tem mais coisa nessa história e que você sabe. – Falou baixo e austero. – Preciso conversar com você.

- Eu chego amanhã. Vou visitar o Kai e aí combinamos alguma coisa.

- Certo, eu vou estar aqui cuidando dele. Bye. – Desligou o celular, colocando ao lado da cama no criado mudo.

Abriu o vidro de Iodo, e pegou um chumaço de algodão, embebendo-o nele, debruçou-se sobre Kai, passando o remédio com cuidado sobre as feridas. Uruha chegou até a porta e se encostou ao batente, os braços cruzados, observando o moreno de longe, vendo a delicadeza com que ele tratava de Kai.

Aoi é sempre tão dedicado, responsável, cuidadoso... No dia que se apaixonar por alguém, ele será ainda mais atencioso, protetor e gentil... – Endireitou o corpo devagar, arregalando os olhos, uma faísca de entendimento passando por sua mente ao ver aquele quadro diante de si.

- 'Tá apaixonado... – Sussurrou aturdido. – Você está apaixonado! – Falou um pouco mais alto, chamando a atenção do moreno.

- O que você disse...? – Aoi perguntou meio distraído, se dando conta aos poucos das palavras do loiro. – Quem...?

- Você... Agora entendi tudo! – As peças se encaixaram em sua mente. – O Kai é o tal amigo... E você está apaixonado por ele.

- Não... Não é isso... – Aoi respondia assustado com as palavras de Uruha.

- Você ouviu uma conversa do Kai... Por isso ficou tão constrangido! – Uruha continuava confrontando o moreno com sua constatação. – Não sei o que você ouviu... Mas se apaixonou por ele. – Sorriu compreensivo para o amigo. –Acorda Aoi!

- Não pode ser... Não pode... E... E nós?

- Que 'nós'? – O loiro riu baixinho, apiedado pela insegurança do amigo. – Esse 'nós' nunca existiu Aoi! Você sempre soube disso! – Respondeu suavemente, entrando e colocando uma cadeira diante do moreno, pegando em suas mãos. – Nós somos só amigos, ficamos juntos de vez em quando e isso é ótimo... Mas é só isso. Agora você está apaixonado e por uma pessoa maravilhosa.

- Mas Uruha, o Kai já ama alguém...

- E você vai desistir dele antes de tentar conquistá-lo? – O loiro alfinetou. – Você sempre foi persistente... Não abra mão dele sem tentar.

- Vou pensar... – Sorriu, acalentado pelas palavras de incentivo do loiro.

- Isso, pense bastante. Vou ligar pros rapazes e tranqüilizá-los.

- Faça isso, mas não conte a eles sobre... – Mostrou os vergões. – Sobre isso... Kai ia ficar consternado se eles soubessem.

- Fique tranqüilo, direi apenas que ele está doente, com febre, talvez por ter cometido alguns excessos, ou algo assim. – Encaminhou-se para a porta parando já no corredor. – Você vai dormir por aqui? Se você ficar eu fico com você pra te fazer companhia.

- Vou sim. – Assentiu com a cabeça. – Obrigado Uru-chan... Pelo apoio, pela amizade, pela companhia...

- Não seja bobo... – Sussurrou o loiro, o sorriso terno nos lábios.

Uruha saiu do quarto para telefonar e tomar mais algumas providências, afinal iriam passar o resto do dia e a noite por ali. Aoi sentou-se na cadeira ao lado da cama, seus olhos fixos no moreno na sua frente, pensando em tudo que o loiro havia falado. Ainda tinha dificuldade de assimilar que estava irremediavelmente apaixonado por Kai, no fundo sabia que sim, que era verdade, mesmo achando uma loucura que esse sentimento tivesse tomado conta de si num espaço de tempo tão curto.

oOo

Dor... Foi o que sentiu... Moveu-se minimamente ao acordar e todo seu ser doeu principalmente a parte de trás do corpo, dos ombros aos tornozelos, como se dezenas de abelhas estivessem ferroando sua carne, fazendo um gemido escapar de seus lábios. Ficou parado, tomando consciência de seu corpo aos poucos, percebendo que ao contrário de quando chegara ali, o corpo não era mais uma massa de carne inerte mergulhada em dores.

Sentia-se refrescado, um cheiro bom e suave na sua cama, a dor de cabeça havia passado e com espanto notou que estava nu. Foi abrindo os olhos lentamente, para a penumbra reinante no seu quarto, a porta entreaberta mostrava que a luz do corredor estava acessa. O que causou estranheza, por que não havia deixado luz nenhuma acesa quando entrou, mal tivera forças para arrancar a roupa que o incomodava e colocar a que usava para dormir...

- Você está bem...?

Kai paralisou ao som da voz preocupada, levantando e virando a cabeça de repente para o lado oposto, causando ferroadas no pescoço, ombros e costas. Ofegou, sentindo o corpo pesado, uma dificuldade enorme para mover-se sozinho. Fez um esforço para focar a pessoa sentada ao lado da cama, não acreditando nos próprios ouvidos que identificaram a única voz que não queria ouvir de maneira alguma naquele momento.

- A-Aoi? – Reconheceu a silhueta assim como reconhecera a voz... O que mais temia estava acontecendo, Yuu presenciando aquela cena deprimente. Virou a cabeça, escondendo a face no travesseiro de tanta vergonha. – O q-que... Como chegou... Como entrou aqui...?

- Liguei pro Miyavi... – Aoi inclinou-se para frente, aproximando-se da cama e encostou levemente o dorso da mão na testa e no pescoço dele, tomando a temperatura. – Pensei que, se alguém poderia saber de uma chave extra, esse alguém era ele...

- Você ligou pro Myv... – Olhou incrédulo para ele. – A essa hora da madrugada...?

- Claro que não Kai... São oito horas da noite. – Aoi sorriu e se sentou na beirada do colchão, no lado esquerdo da cama. – Quando você não apareceu no horário do ensaio... Ficamos preocupados. Tocamos a campainha, batemos na porta e chamamos várias vezes. Precisei ligar para ele e pedir ajuda.

- Eu dormi o dia todo? – Perguntou assombrado.

- Quando chegamos, você não estava bem. – Explicou com cuidado. – Você estava com uma febre altíssima, em delírio febril...

- Espere aí... Você... Não veio sozinho? – Arregalou os olhos assustado. – Quem veio com você?

- Uruha veio comigo, ainda bem por que sem a ajuda dele seria complicado cuidar de você... – Corou ao se lembrar de que estivera quase nu, com Kai nos braços. – Tivemos que baixar a sua febre rapidamente, então fiz como minha mãe fazia quando eu era criança, entrei com você sob o chuveiro quase frio...

- Então e-ele... Viu... Ele viu...? – Ao constatar a confirmação na expressão compadecida de Aoi, escondeu o rosto no travesseiro.

- Não tinha como ele não ver... Foi ele quem me ajudou a te despir... – Colocou a mão sobre a dele, o confortando. – ...Trocou os lençóis da sua cama, estava tudo molhado de suor, assim como a sua roupa. Ele me ajudou a banhar e a enxugar você e foi ele que achou onde estavam os remédios, que tomou uma série de providências enquanto eu cuidava de você.

Kai permaneceu em silêncio, envergonhado por ter o objeto de seu amor ali, num momento tão constrangedor para si mesmo. Aoi respeitou o silêncio do companheiro, admirando o corpo perfeito, embora marcado, a sua mão ainda sobre a dele, apertando de leve, desejando transmitir com esse gesto todo apoio que pudesse.

- Não fique assim Kai, não precisa se sentir tão incomodado desse jeito, está tudo bem. – Aoi falava baixinho tentando tranqüilizar o companheiro. – Uruha ligou para Reita e Ruki e disse que você estava doente, mas que já tínhamos te socorrido e medicado e que estava tudo bem.

O baterista virou o rosto, repousando a face no travesseiro, deixando que o moreno visse seu rosto levemente corado, apenas ouvindo as notícias que ele lhe contava.

- O Miyavi ligou depois de algum tempo e eu disse que tinha dado tudo certo e que você estava bem, ele avisou que chega amanhã e vem fazer uma visita... – Aoi sorriu imaginando como seria tal encontro entre eles. – Acho que ele vai fazer um sermão...

Ao ouvir isso, Kai fez uma careta engraçada, já imaginando as coisas que o amigo iria lhe dizer, provocando o riso leve e descontraído do guitarrista mais velho. Sabia também que não teria justificativas a apresentar, já que fora 'meio' irresponsável, e o que tinha acontecido era o resultado da sua inconseqüência, mesmo que ele tivesse gostado.

- Que bom que já acordou! – Uruha entrou pela porta, carregando uma bandeja nas mãos, colocando-a no criado mudo ao lado direito da cama, sentando-se na beirada do colchão. – Estávamos preocupados com seu sono profundo... O dia todo...

Uruha tentava falar como se nada houvesse acontecido, fez uma pequena pausa, como se escolhesse as palavras, ou o que falar. Inclinou o corpo e o apoiou na mão, o braço esquerdo estendido o sustentando, cruzando as pernas, sem poder ver a expressão envergonhada do amigo, deitado de bruços, o rosto corado virado para o outro lado, sob as vistas do moreno, o lençol cobrindo o corpo da cintura pra baixo, as costas marcadas.

- Reita e Ruki estavam preocupados, foi duro convencê-los a não vir, disse que você estava com febre, que a suspeita era de que fosse uma virose. Eles entenderam, aliás, Reita achou melhor não expor Ruki, consegui convencê-lo a esperar um pouco mais. – Sorriu, imaginando o dilema dos amigos.

- Mas... Você disse que estava tudo bem...? Conseguiu convencê-los? – Kai tinha muito medo que Ruki e Reita o vissem assim, já era vexame suficiente Aoi e Uruha terem visto. Ele próprio achava o que fazia doentio.

- Claro Kai, eu disse sim. – Tocou sua perna por cima do lençol, de leve, para não provocar dor. – Falei que nós tínhamos te medicado e agora estava tudo bem. – Sorriu doce, buscando os olhos negros de Aoi. – Não está com fome? Fiz uma sopa, é a única coisa que eu faço bem na cozinha, e... Eu e Aoi podemos ajudar você a sentar... Não vai ser muito confortável, mas... – Viu a aflição nos olhos negros, sem entender muito bem o porquê, abaixando o tom de voz. – Você precisa comer um pouco...

- Se você preferir, ajudo você a se deitar de lado e a se alimentar um pouco Kai. – Aoi perguntou solícito.

Kai se sentia em um sonho. Aoi ali do seu lado, com tanto cuidado e desvelo. Sorriu minimamente. Mas Aoi era sempre assim não era? Não era assim só consigo, faria o mesmo com Ruki e Reita, faria o mesmo com Uruha... Eles faziam um belo par, Aoi e Uruha. O moreno não merecia alguém tão complicado quanto ele, mas sim uma pessoa alegre e companheira como Kou.

- Não precisa Aoi, me ajuda a sentar que eu posso comer sozinho. – Tentou levantar o tronco e se virar sem ajuda, e não pode conter um quase grito e alguns gemidos de dor, como se milhares de agulhadas penetrassem sua carne.

- Kai! – Aoi tentou apoiá-lo.

- Espera seu doido, deixa a gente ajudar você! – O loiro também se apressou. – Não imagina como estão as suas costas... Ferida da nuca até os tornozelos! – Tampou a boca, consciente de que falara uma besteira, auxiliando Aoi a vira-lo e o colocar apoiado nos travesseiros, mantendo o lençol sobre seu quadril, notando os olhos baixos e a face totalmente rubra. Xingou-se internamente por sua falta de tato, colocando a bandeja com os pés abertos sobre as coxas dele.

- Kou, você... – Aoi começou, parando ao ter a mão de Kai sobre seu braço.

- Desculpa Kai...

- Não... Tem razão Kouyou, deve estar horrível mesmo. – Deu um pequeno sorriso, mexendo a sopa com a colher. – Mas está tudo bem. – Olhou diretamente nos olhos chocolates. – Tudo bem mesmo.

- Bom eu tenho que providenciar mais algumas coisas, ainda hoje. Volto mais tarde pra ver como você está.

Saiu deixando os dois conversando calmamente. Precisava ir ao seu apartamento e ao de Aoi buscar algumas roupas e artigos de higiene pessoal.

oOo

Ainda não eram dez horas da manhã, quando a campainha tocou, anunciando a chegada da visita que já estava sendo ansiosamente aguardada. Uruha foi logo abrir, dando de cara com o amigo encostado ao batente da porta, de camiseta regata branca, calça e jaqueta jeans, óculos escuros. Sua risada descontraída se fez ouvir, acompanhando o abraço exagerado do amigo que havia chegado.

- E então, onde ele está? – Miyavi indagou risonho, tirando os óculos da face e o colocando sobre a cabeça.

- No quarto, Aoi está fazendo companhia a ele. – Uruha fechou a porta, vendo-o entrar e parar no meio da sala, largando a mochila no sofá.

Uruha foi à frente sendo seguido pelo amigo de perto a apenas alguns passos atravessando o corredor, entrando no quarto onde Kai estava deitado de lado, de costas para a porta, conversando com Aoi.

- Aaahhh! Aí está você! – Chegou até a cama, perto do moreninho, o enlaçando e abraçando pelos ombros, ouvindo um gemido em resposta. – Wow, desculpa Kai, esqueci.

- Não foi nada Myv. – O baterista se virou na cama com dificuldade, fazendo uma careta enquanto se acomodava sentado, recostando aos travesseiros que Aoi colocava às costas dele. – Como foi de viagem?

- Muito bem, acabei de chegar. Saí do ônibus e peguei o carro vindo direto para cá, ver com meus próprios olhos como você estava. – Olhou para, o moreno do outro lado da cama, sorrindo. – Não que eu duvide dos seus relatórios Aoi, mas eu tinha que ver de perto...

- Eu entendo perfeitamente Miyavi, você não imagina o quanto. – Aoi dizia, com um grande sorriso nos lábios. – Mas, vamos deixar vocês conversando aí e providenciar o almoço.

Saiu com Uruha, indo até a cozinha, arrumar a comida pronta em bandejas, pondo a mesa e sentando no sofá da sala enquanto ouviam uma palavra ou outra mais alta. Mas de repente, percebiam que Miyavi perdia a paciência, pois subitamente a voz se elevava, aos brados.

- Seu... Seu louco! Tem noção... – A voz abaixava de repente, mas não se ouvia a voz de Kai. – ... Não pensou... ...Mas eu avisei!

Aoi e Uruha se entreolhavam, constrangidos de estar ouvindo parte da conversa. Chegava a ser estranho presenciar Kai levando uma bronca, quando geralmente era ele quem chamava a atenção deles. Ficaram conversando baixinho até não ouvirem mais nenhum rompante vindo do quarto. Já passava do meio dia.

Era hora de levar o almoço para o moreninho, afinal tinha horário para tomar os remédios, e não devia ser de estomago vazio. Arrumaram a bandeja e voltaram ao quarto, diminuindo o passo ao chegarem mais perto, não querendo interromper nenhuma conversa séria.

- Kai... As coisas não podem mais continuar assim... – A voz de Miyavi soava preocupada.

- Eu sei que exagerei um pouco Myv...

- Um pouco...? Kai! E como vai ser quando passar de todos os limites? – Mantinha a voz baixa, preocupado com o problema do amigo. – Você tem que achar um jeito de resolver isso, não pode agir insanamente todas as vezes que os vir juntos.

- Eu vou tentar resolver isso ok? Eu prometo que isso não vai mais acontecer. Apesar de tudo, apesar de ter sido delicioso. – O tom descontraído mostrou que o pior já tinha passado, dando o sinal para que os outros dois entrassem. – E o show? Foi tudo bem?

- Dá licença... Estamos interrompendo? – Aoi se fez ouvir da porta, vendo os dois amigos sorrindo um para o outro, Miyavi sentado à beira do colchão.

- Não Aoi, podem entrar. Estamos só conversando.

Uruha colocou a bandeja sobre o colo do baterista, encostando-se à cabeceira da cama, Aoi sentou-se na cadeira do outro lado, e a conversa continuou descontraída durante o almoço de Kai e durante boa parte da tarde.

oOo

Mais um ensaio se encerrava. E o humor entre eles estava leve, solto, apesar de estar ultrapassando um pouco os limites do horário, entrando pela noite. Kai estava em uma disposição invejável depois de uma semana de molho em casa, as feridas quase não incomodavam mais, e ele fazia intervalos regulares durante o dia, para que não ficasse dolorido.

- Hei Kai, quando é que vai diminuir o ritmo? – Ruki brincou ao vê-lo se levantar do banquinho. – Está nos torturando há uma semana já.

- Éééé! Você tirou uma semana de férias, nós não... – Reita brincou e todos riram inclusive Kai.

- Ahhh, vai dizer que você e Ruki não se divertiram... Tiveram bastante tempo para isso comigo naquela cama... – O baterista teve o prazer de ver os dois amigos corarem, rindo, aquela gargalhada que era só dele. – Eu tinha certeza disso...

Aoi guardou suas coisas bem humorado, logo se despedindo de todos. Trocou um breve olhar com Uruha, que o indagou mudamente, fazendo um leve sinal negativo com a cabeça, dando a entender que não iriam se encontrar mais tarde naquela noite. Eles não estavam mais ficando, mas independente disso eram excelentes amigos e se sentiam confortáveis, um com o outro. Eram confidentes, apesar de tudo.

Pegou o seu carro na garagem e parou sob a árvore de sempre, na rua transversal, esperando pela saída de Kai como vinha fazendo na última semana, seguindo-o até vê-lo chegar são e salvo em casa. Já tinha dado um tempo, de hoje não ia passar. Miyavi estava em Tókio, tinha certeza, só tinha que avisá-lo. A seu ver, uma ligação era o suficiente.

- Moshi moshi...?

- Myv? Aoi falando. – Olhou no relógio de pulso, conferindo o horário. – São oito e meia, posso ir até aí falar com você?

- Sem problemas Aoi, pode vir, estou esperando... Aconteceu alguma coisa?

- Está tudo bem, não se preocupe. Em vinte minutos, no máximo, estou chegando.

oOo

Tocou a campainha, sabia que ele já o aguardava, pois tinha sido anunciado pelo interfone. A porta foi aberta e eles se olharam, já com a exata perspectiva sobre aquela conversa. Miyavi o levou até a sala, o convidando a se sentar no sofá. Olharam-se em silêncio, já sabendo que quem teria que começar o assunto seria Aoi, mas o tatuado teve misericórdia e começou o papo de modo leve, o colocando mais à vontade

- Então Aoi, o que o trás aqui hoje? – Sorriu afável, deixando o corpo relaxar contra o encosto da poltrona. – Tenho uma pequena desconfiança, mas...

- Sei sobre o segredo de Kai... – Aoi deixou escapar mantendo-se inclinado para frente, os braços apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas.

- O... O QUE??? – Sentou-se ereto, em alerta, com aquela afirmação inusitada, seus olhos arregalados, sua pulsação tão acelerada que parecia que o coração iria saltar-lhe pela boca. – Como é que é...?

- Sei sobre o Herrschaft... – Assustou-se com aquela reação. – O Club Privé BDSM... – É lógico que esperava uma reação meio exagerada dele, diante daquela revelação, afinal isso era típico de Miyavi, mas não esperava aquele quase descontrole; isso era para se considerar, ali tinha alguma coisa a mais, como suspeitava.

- Ah, sim, claro... – Deixou o corpo se recostar novamente. – O Clube...

- Vamos Miyavi, sei que aí tem muito mais, essa é só a ponta do novelo. – Disse-lhe sério. – O que Kai vai buscar naquele lugar... E o mais importante: 'Por que'!? – Aoi gesticulava com as mãos, ainda inclinado para frente, sua postura mostrando o quão interessado estava no assunto. – É lógico que eu sei o que as pessoas fazem naquele lugar. Aliás, pode se fazer muita coisa, mas quero saber do 'Kai'.

- Isso... Não diz respeito a nós Aoi, veja bem, é um assunto particular e...

- Besteira! Depois do que eu ouvi... Sem querer é claro, mas ouvi... – Corou levemente. – E do que vi... Preciso saber... – Dava para perceber o quanto Aoi estava perturbado com aquilo. – Por Buda Myv! Kai foi de uma imprudência como nunca vi antes! Tudo isso por uma paixão não correspondida? – Meneava a cabeça, como se achasse aquilo impossível. – Sei que ele está apaixonado, mas não pode ser tão simples assim!

- É e não é! Não envolve somente o presente, mas o passado dele também, e não sei se devemos falar sobre isso. Não quero trair a confiança que ele depositou em mim.

- Se você não falar vai ser pior... Vou começar a remexer nessa história e não vai ser agradável. – Levantou-se do sofá e andou para um lado, para o outro, voltou, sentou-se entrelaçando as mãos novamente. – Não posso ficar assistindo tudo e não fazer nada! – Olhou-o intensamente. – Vamos lá Myv! Comece pelo Clube...

- O Clube... – Passou a mão pela testa, esfregando a pele com aflição, os olhos fechados. – Kai vai lá... Todas as vezes que termina um relacionamento. É o modo que ele encontrou pra lidar com a frustração, com a decepção, com a culpa. – Suspirou, cansado de tantos segredos, quem sabe não era assim que tudo ia começar a se resolver. – Ele tem um parceiro lá...

- Sei, um moreno, o nick dele é Chartreux... – Sorriu. – Já o vi com Kai, fiquei sócio de lá também, sem o Kai saber.

- Isso mesmo... – Miyavi se espantou ao notar o quanto ele sabia. – Eu não sei exatamente tudo que eles fazem, mas ele satisfaz o Kai sem fazer perguntas, ele... Faz uma... Sessão de chicote. – Nunca se sentira tão constrangido, se sentia mal falando aquelas coisas para Aoi, sentia-se miserável! – Mas ele é cuidadoso! – Justificou rapidamente. – A única vez em que ele exagerou foi culpa do Kai, que não deixou que ele parasse!

- Será que eu estou entendendo bem? – Levantou a sobrancelha. – Kai gosta de Spanking? Ele sente prazer com isso?

- Não é como se ele sentisse prazer 'só' dessa forma. – Tentou explicar-se. – Mas quando fica sozinho... Quando sente que a frustração o está corroendo, que a culpa é grande demais e que não está conseguindo suportar... É maior que ele Aoi, ele precisa disso para voltar ao equilíbrio!

- Culpa pelo que? O que ele pode ter feito de tão errado? O Kai é a pessoa mais sensata e altruísta que já conheci Myv! O pessoal chega a brincar que ele é a mãezona do grupo!

- É coisa da cabeça dele! Por mais que a gente diga que foi um acidente, que ele não fez nada, não adianta! – Olhou nos olhos negros, sabendo que ele não estava entendendo nada. – Certo, eu conto.

- Por favor, comece do começo.

- Foi há muito tempo, quando Kai tinha dezesseis anos. Ele namorava uma garota, e por um motivo que não sei qual tinha brigado com ela, uma 'briga feia', coisa de adolescente impulsivo e temperamental, sabe? Então ele foi numa festa, sem ela, e lá conheceu um rapaz interessante que se sentiu muito atraído por ele. Isso era novidade, e eu soube que ele acabou num amasso com o rapaz num canto do jardim e a namorada que tinha ido atrás dele para fazer as pazes, o viu naquela situação ao mesmo tempo em que ele a notou. Ela ficou muito perturbada e saiu correndo e chorando pelo portão do local, com Kai atrás dela, ele não conseguiu alcançá-la e ela sumiu na rua...

Aoi assentia, prestando atenção naquela estória trágica, sem saber o que pensar de tudo aquilo.

- Então... Mais tarde, depois de ligar várias vezes para o celular dela, ele ficou sabendo o que aconteceu, um acidente, que ela atravessou a avenida sem olhar... Dá pra imaginar o choque? Ele foi ao hospital, chegou a vê-la no quarto com vida, mas ela morreu. Mesmo depois na UTI com todos os aparelhos e toda equipe médica tentando salvá-la ela se foi. Então ele se afogou em culpa. Ele achou e ainda acha que não merece ser feliz, que se não tivesse sido tão leviano ela ainda estaria viva.

- Mas não foi culpa dele!

- Eu sei! Eu disse isso para ele, a 'família dele' disse, até a 'família dela' disse. Mas ele não ouve! Depois disso, ele nunca mais conseguiu ter um namoro mais estável. Toda vez que parece que está tudo bem, que ele percebe que alguém está gostando dele de verdade ele termina o relacionamento. Aí se sente sufocado pela angústia e pela solidão. Se sente culpado e vazio, e acaba naquele lugar, e a única coisa que consegue lhe dar alívio e equilíbrio novamente é aquele castigo a que ele se submete de tempos em tempos.

Aoi suspirou, fechando os olhos, deixando o corpo cair contra o encosto do sofá, o cotovelo apoiado no braço do móvel e a cabeça na mão. Era muita informação, uma situação que chocou e complexou o adolescente. É claro que deixaria marcas profundas. Mudaria o modo de ele amar, se apaixonar... Abriu os olhos, se lembrando.

- Por quem o Kai está apaixonado? Acho que é um de nossos companheiros, mas... Tenho certeza de que você sabe!

- E você não? – Riu baixinho, notando que talvez Kai fosse correspondido. – Você vai descobrir se pensar um pouco, se for observador.

- Eu desconfio... Mas você bem que podia me dizer...

- Aoi, já fui longe demais, já falei muito mais do que deveria. Isso eu não posso lhe dizer. Você vai ter que descobrir sozinho ou então perguntar a ele.

- Está bem...! – Espiou o relógio em seu pulso. – Já aluguei você demais, Myv. – Andou em direção à porta, estendendo a mão a ele. – Vou te deixar em paz agora, tá na minha hora.

- Tudo bem, eu também acho que temos que fazer alguma coisa. Então que seja você a fazer uma primeira tentativa. – Acompanhou-o, abrindo a porta e apertando a mão que lhe era estendida. – Se precisar estarei por aqui.

- Até qualquer ora... Você foi um grande amigo. Dele e meu também.

Aoi estava cansado pelo dia e mais ainda pelas revelações. Entrou no carro e abriu o vidro todo, deixando o vento esvoaçar os seus cabelos, deixando a sensação boa o envolver. Dirigiu tranquilamente até sua casa, atravessando os bairros residenciais, mais calmos. Assim que entrou em seu apartamento deixou a chave do carro sobre a mesa de jantar, indo direto ao seu quarto e pegando uma toalha e sua roupa de dormir para tomar um banho relaxante antes de dormir, se é que conseguiria dormir. A noite era boa conselheira... Precisava pensar, saber o que faria, como agir. Como dizia o ditado: Nada como um dia depois do outro com uma noite no meio...

oOo

Era sexta feira, todos estavam juntos almoçando, Reita, Ruki estavam combinando de sair depois do ensaio, ir a uma boate pra descontrair, cheios de carinhos um com o outro. Uruha se aproximou sorrindo, colocando um braço em seus ombros sussurrando em seu ouvido, perguntando se Aoi não queria ir, dizendo que ia ser divertido, quando o moreno ouviu claramente Kai dizer que não ia por que tinha um compromisso... Olhou para ele e o viu com os olhos baixos, nem sombra do sorriso bonito em seus lábios.

Nem precisou dizer nada a Uruha, ele já sabia que Aoi não iria. Sabia que ele ia seguir o baterista, que faria de tudo para tentar protegê-lo. E ele faria mesmo, tinha certeza de onde ele iria, sua roupa estava sempre no carro, ele estava preparado para tudo, tudo mesmo. Depois da conversa com o Myv, ele já tinha fuçado na internet, entrado em vários sites, lido sobre o assunto, visto muitos vídeos e sabia bem o que fazer. Só precisava que aquele moreno, parceiro dele, concordasse com o que ele queria.

Assim que terminou o ensaio, saiu de fininho, nem se despediu do pessoal, passando no banheiro e se trocando rapidamente. Colocou a camisa de seda azul royal transparente, com o colete preto, e a calça de couro preto fechada por com um zíper da coxa até o tornozelo, deixando-a justíssima em meu corpo. Na frente o cós abotoado no meio, mas a frente recortada com um abotoamento duplo, um zíper de cada lado, para que ele abrisse e deixasse seu membro e testículos livres sem que precisasse tirar a calça. Completando seu visual, botas de cano alto que cobriam seus joelhos, uma echarpe negra no pescoço. Vestiu seu casaco por cima e saiu com seu carro pra esperá-lo... E era exatamente ali onde estava agora.

O carro de Kai passou pela frente do carro de Aoi, estacionado na rua diante da produtora. Esperou que o baterista se afastasse um pouco antes de ligar o carro e segui-lo de perto pelas ruas já mais movimentadas, afinal era noite de sexta feira. Estacionou o carro perto do clube, só saindo do carro depois de vê-lo entrar.

Colocou a máscara azul escuro, que tomava quase todo o rosto deixando apenas os lábios de fora e prendeu os cabelos num rabo de cavalo. Desceu do carro, e entrou no saguão, cumprimentando o segurança com um aceno de cabeça. Passou o seu cartão, destravando a porta e ao entrar deixou o seu casaco na entrada, se ambientando, procurando 'Kuroneko' com os olhos, o vendo sozinho e o seguindo discretamente.

Dentro de sua sala, na administração, Werner acompanhava a movimentação do salão, ficando alerta quando viu dois dos homens que despertavam seu interesse chegarem. Primeiro Kuroneko e logo depois Renard*, olhando para os lados como se procurasse alguém, mas tinha certeza que procurava o baterista. Ele nunca se enganava e sentia cheiro de paixão ali. Sorriu ao vê-lo fixar a atenção exatamente em quem pensava, vendo-o segui-lo por todo salão.

Werner não desgrudava os olhos da tela, acompanhando cada detalhe das imagens. Achou a situação ainda mais interessante, quando Chartreux chegou. Renard foi ao encontro dele, antes que alcançasse Kuroneko... Muito interessante mesmo... Viu-os conversando e logo depois Chartreux foi até o rapaz e o levou até o guitarrista, apresentando-os. Não lhe pareceu que tenha havido algum reconhecimento por parte do baterista, já que assentiu e foi para a pista de dança com o novo parceiro. E foi delicioso vê-los juntos, a paixão latente na Raposa como se intitulou, e a sensualidade na dança do gatinho.

No grande salão, no meio da pista de dança, Kai dançava com o novo parceiro para aquela noite pelo menos. Chartreux lhe dissera que era seu conhecido e que sabia o suficiente para satisfazê-lo, já que não poderia ficar. A novidade era apenas um tempero a mais, o deixando ainda mais sensível e excitado. A ansiedade o provocava ainda mais, ondulava o corpo contra o dele com mais tesão ainda, esfregando-se manhoso e sensual nele, a tensão chegando às raias da loucura, mas ali ele podia, por que ali era Kuroneko, somente mais um no anonimato.

Continua...

Kuroneko¹ – Gato Negro

Renard* – Raposa

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Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews:Alluada Malfoy (Que bom que gosta de BDSM. ^^ Pode ficar sossegada que não vou exagerar.); Isabelle Delacour (Você já me disse isso, mas eu adoro ouvir, todas as vezes! Demorei um pouco, mas estou atualizando... O próximo não vai demorar); Mellow Candie (rs A intenção é essa mesmo, instigar a imaginação e a curiosidade do leitor. Prometo não demorar pra postar o próximo. Semana que vem eu atualizo. XD)

Meus agradecimentos também a todos que favoritaram a fic, a mim como autora e aos que leram e por qualquer motivo não deixaram review. Espero que continuem acompanhando a história.