Se eu me apaixonar
Romance – yaoi
N/A: Mais um capítulo não betado, por favor, perdoem qualquer erro e me avisem que coisa, nessa fic o Ikki tem mais de dezoito anos e o Shaka está com seus vinte e três, vinte quatro, por isso, coloquei como se tivesse passado uns aninhos desde a Saga Santuário, sabendo que no mangá e anime não há intervalo entre as sagas. Mas, para mim, não há como pensar no Ikki com quinze anos e nem muito menos escrever Yaoi com personagens menores de dezesseis anos.
Boa leitura.
Às vezes, pode ser tarde demais
III Capítulo
Milo e Afrodite, os mais animados dos cavaleiros de ouro, resolveram fazer uma festa de despedida com a permissão da deusa e, por isso, agora estavam discutindo sobre a decoração do salão principal da casa de escorpião, onde seria a festa. Era uma forma também de passar o tempo, já que a espera era angustiante...
— Não Afrodite! Nem adianta, não vou deixar você encher tudo aqui com rosas, já chega à escadaria! Que saco! — reclamava Milo.
— Ah, você é muito venenoso, quer tudo do seu jeito! — Fez becinho o pisciano e mirou para o rosto impenetrável de Camus que olhava pela janela. Cutucou Milo que até então nem notava a presença do namorado.
O escorpiano se aproximou dele e com uma fita de seda da decoração, enlaçou-lhe o pescoço, colando seu corpo ao do aquariano.
— Qual o problema, grande mago do gelo? — perguntou sorrindo — Que carinha é essa?
— Nada, estou apenas pensando... — respondeu friamente e depois olhou para o amante — Milo, nós temos só alguns dias juntos antes de você partir, aí você me inventa essa festa que toma todo o seu tempo com que cara quer que eu esteja? — perguntou mal humorado.
— Fico lisonjeado que esteja preocupado com isso, já que passou esses dois últimos dias com a cara enfiada em livros e nem notou que eu existia. – sibilou com um sorriso irônico.
— Isso não é bem verdade, precisava fazer umas pesquisas só isso, e você sabe o quanto a Saori me enche com seus pedidos...
— E que pesquisas seriam essas?
— Coisas da Fundação, e quer parar de interrogatório? Se quiser, pegue um dos livros e leia.
— Ah, você está azedo hoje!
— Não, só queria que você não tivesse inventado essa festa, temos coisas a nos preocupar.
— Amor, calma, não temos nada para nos preocupar por enquanto e já estamos terminando. Além disso, prometo que nossa última noite será incrível... — sussurrou no ouvido do amante que se arrepiou por completo e acabou sorrindo, Milo sabia mesmo como derreter seu gelo, contudo, a frase o deixou inquieto.
— Não fale isso, Milo...
— Isso o quê, Camus? — Milo ficou sem entender.
— Que é nossa última noite, me lembro muito bem, quando você disse isso pela última vez! E sinceramente, esses rumores me preocupa...
— Ah, Camus, que azedume, não foi isso que quis dizer, para, deixa de pensar bobagens e me beija vai... — tornou o escorpião já se sentando nas pernas do amante e tomando-lhe a boca sensualmente.
— Para Milo... Aqui não... — Camus protestou e o escorpiano se afastou, nesse momento, perceberam Shaka parado, olhando-os constrangido, e Afrodite rindo da cara do indiano.
— Vocês dois querem parar, o fogo de vocês está embaraçando nosso santo amigo! — caçoou peixes.
- N. não... eu... por favor, fiquem a vontade, estou saindo... – disse Virgem começando a caminhar para a saída do salão até se esquecendo do que fora falar com o dono da casa e pensando que aquele santuário virou mesmo o "bacanal de Athena", parecia que todo mundo estava "se pegando", claro, menos ele.
Não soube por que aquele pensamento o incomodou, mas preferiu não pensar em nada daquilo. Dukkha, Dukkha, vida é sofrimento, morte é sofrimento, presenciar aquelas coisas era sofrimento.
Desceria para sua casa se Milo não aparecesse e segurasse-lhe o braço.
— Ai, que susto, está rápido, hein escorpião?! — tentou não demonstrar seu grau de perturbação.
— Preciso falar com você...
— O que quer me falar, Milo? Se for aquela história de novo...
— Shaka, por sua cara, percebe-se que está doidinho pra beijar também.
O indiano ruborizou.
— Está me insultando, Milo de Escorpião, cuidado! — ameaçou.
— Insultando? Por favor, você mesmo se insulta sendo tão covarde!
O louro emudeceu e o Escorpião sorriu:
— Louro, aquele garoto gosta mesmo de você e pelo que vejo é correspondido...
— Milo, você não consegue me entender... Aliás, ninguém consegue!
— Entendo que está jogando fora a chance de viver uma paixão e isso é errado!
— Não! Paixão é errado, isso sim, não estamos nesse santuário para viver paixões e sim para lutar pela humanidade!
— E quem manda no coração, meu amigo? — o escorpiano voltou a exibir seu lindo sorriso — Eu que o diga...
— Eu nunca entendi essa capacidade que vocês têm de se afeiçoar. — falou o cavaleiro de virgem — Cheguei mesmo a achar que eram só rumores, as eternas fofocas do santuário, bem, antes da chegada da deusa, não tínhamos tanta proximidade...
— É. Então, por que não aproveitar a chance que ela nos ofereceu? Shaka pense, não sabemos como será nosso futuro, nem ao menos, sabemos se teremos um.
O escorpião voltou para o seu templo, deixando aquelas palavras no ar. A mente do "homem mais próximo de Deus" nunca esteve tão confusa.
oOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Ikki deixou o alojamento no horário marcado e encontrou o louro parado o esperando. Ele estava deslumbrante numa camisa azul e numa calça jeans e sorriu ao vê-lo se aproximar.
— Oi, Ikki, você está ótimo.
— Obrigado, você também... — Elogiou. O leonino, tinha caprichado mesmo na produção, vestindo uma camisa azul escura, um jeans preto e uma jaqueta da mesma cor, queria está elegante, a altura de alguém tão vaidoso como Misty.
— Vamos?
— Sim. — ele assentiu com a cabeça e deixaram o santuário. Foram para uma boate badalada no centro de Atenas, na companhia de Shura e Afrodite e mais alguns cavaleiros de prata. Fênix estranhou a presença dos reclusos cavaleiros de ouro, mas não questionou, resolveu não pensar muito e se divertir, era disso que precisava.
oOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Shaka, Mu, Aiolia e Aldebaran tentavam uma partida de xadrez na entrada da primeira casa. Tentavam, já que, com um leonino falando pelos cotovelos e dando palpites em todas as jogadas dos outros, aquilo era impossível.
— Shaka, você tomou outro xeque, puxa, você está muito burro hoje! — exclamou Aiolia ao notar que mais uma vez o louro seria vencido, dessa vez por Aldebaran.
— Nunca o vi levar tanto xeque, alguma coisa o perturbando, Shaka? — perguntou o gigante brasileiro que parecia farejar cada sentimento dos amigos.
— Não, nada, eu... só estou cansado, já é tarde, acho que é hora de dormir.
— É, realmente é tarde! — concordou Mu com um sonoro bocejo e olhando com olhos pidões para o Leão.
— Ah, amor, me deixa terminar essa cerveja que já vou... — pediu o leonino, mas os olhos verdes de Mu se mostraram aborrecidos e ele logo cedeu — Tá bom, eu vou!
Áries sorriu com a própria capacidade de manipular Aiolia, era só fazer aquela cara de birra e o namorado fazia o que ele queria, ao menos, quando estava de bom humor.
— Xeque-mate! — disse Aldebaran derrubando o rei de Shaka que suspirou:
— Não sou mais o mesmo! — sorriu — Antes eu era um adversário melhor, não era, Deba?
— Com certeza! —falou o taurino se erguendo e bocejando também.
O indiano o imitou, quando ouviu vozes se aproximando. Muitos risos e sussurros.
Os primeiros a deixar as sombras foram Afrodite e Shura e logo em seguida, Misty e Ikki.
Shaka abriu os olhos pasmados e mesmo controlando o cosmo, as peças do xadrez voaram pelo chão. O leonino também parecia surpreso ao encontrá-lo, porém, continuou de mãos dadas ao cavaleiro de prata.
— Boa noite! — falou Afrodite com a voz meio embargada e sendo apoiado por Shura que fez uma solicitação com o olhar, de que nada que ele dissesse fosse levado a sério.
— Boa noite, parece que a farra foi boa! — riu Aldebaran.
— E como! — falou o pisciano e chamou os amigos com as mãos — Venham, ah... esses dois cavaleiros serão meus hóspedes hoje, não tem problema passarmos por sua casa não é, Mu?
— Não, Afrodite. — respondeu o ariano lançando um olhar para o rosto pálido do virginiano.
Shaka na verdade não ouvia nada, seus olhos só permaneciam presos na mão de Misty que passeava pelo peito de Ikki, provocativamente.
O moreno também o encarava, mas seus olhos eram indecifráveis.
— Vamos, Ikki... — Misty chamou docilmente, fazendo com que seus olhos se desprendessem do indiano.
— Sim, vamos. — ele disse, passando pelos quatro cavaleiros de ouro com um aceno de cabeça, desaparecendo pelas escadas.
Três pares de olhos curiosos se cravaram no guardião da sexta casa e ele se irritou.
— O que vocês querem? Tem algo errado comigo?! — soltou farpas o virginiano.
Os amigos resolveram não comentar nada, ou eles sim, seriam mandados para um dos seis mundos.
— Bem, a noite acabou! — exclamou Aiolia, ignorando a pergunta — É melhor todos dormirem depois dessa.
— É o que farei. Boa noite a todos! — Shaka subiu as escadas de volta ao seu templo soltando fogo pelas ventas, acabaria com qualquer mortal, deus ou demônio que cruzasse seu caminho naquele momento.
Jogou-se na cama ao entrar no quarto e chorou, embora não quisesse, embora se perguntasse o tempo inteiro o motivo das lágrimas e isso lhe levava mais raiva, porque não queria admitir que aquilo fosse ciúme, achava-se acima disso, achava-se.
Mais uma vez, Ikki de Fênix conseguiu tirar-lhe o sono e o virginiano viu o dia romper, imaginando o que ele fazia na casa de Afrodite e se odiando por fazer tais questionamentos, lembrando-se da ousada mão do cavaleiro de prata sobre aquilo que era... seu? Não, ele não era seu, nunca foi, nunca seria e não queria que fosse!
Deixou-se cair mais uma vez na cama, seu corpo estava exausto e seus pensamentos desordenados. Fechou os olhos novamente, na tentativa inútil de dormir. Uma vez mais, se levantou e prostrou-se sobre a flor de lótus para tentar meditar. Impossível.
Já passava e muito das oito horas quando ouviu passos na escadaria que ficava ao lado das doze casas. Não suportou a curiosidade e saiu, sentia o cosmo de quem passava e seu sangue fervia só em pensar nele, dessa vez, de raiva.
Ikki estancou o passo ao vê-lo parado a sua frente.
— Bom dia... — disse com ironia recebendo a análise fria dos olhos azuis.
O leonino continuava com a mesma roupa da noite, porém, amarrotada e sua camisa tinha alguns botões abertos e escapava da calça.
O guardião da sexta casa mordeu os lábios para não grunhir como um animal, tamanho era o ciúme por pensar na forma que aquela roupa foi amarrotada, pensamentos sobre a noite ardente dos dois jovens cavaleiros invadiam sua mente sem controle.
Não respondeu ao bom dia dele, voltou a entrar no seu templo e Ikki o seguiu, não perderia a chance de provocá-lo, por mais que percebesse que corria grande perigo.
— Você não aprendeu bons modos, Shaka de Virgem? Eu disse bom dia!
— Bom dia, agora saía da minha casa! — falou o indiano tentando controlar a raiva, precisava ou se trairia.
— Nossa! O que eu fiz pra tanto ódio logo pela manhã? Assim fico magoado...
Shaka recitou um mantra em pensamento, para ter paciência não mandá-lo de verdade a um dos seis mundos.
"tatyata om muni muni maha muni sakyamunniye svara." Cantava em pensamento, enquanto o leonino tentava fazer que parasse, pois ele continuava a andar tentando fugir das investidas de Ikki que o cercava o tempo inteiro, tomando sua frente e impedindo sua passagem para dentro dos seus aposentos.
Não agüentava olhar pra ele e saber que ele esteve com outro, e aquilo o desesperava, porque não aceitava aquele sentimento.
— Shaka, você não vai me responder?
E mais: "tatyata om muni muni maha muni sakyamunniye svara." Agora ele já estava cantando de verdade.
O cavaleiro de bronze não sabia se ria ou se esbofeteava o indiano para que parasse com aquela música irritante.
— Shaka, se não parar com isso...
— Você vai fazer o quê? — finalmente ele parou de cantar e o olhou. Seus olhos cintilando de raiva — Me deixa em paz, Ikki de Fênix, por que não vai atrás daquela boneca que estava pendurada no seu pescoço, ontem?
Ikki sorriu e Shaka corou se odiando pela frase que demonstrava o claramente o ciúme que sentia. O moreno se aproximou dele e estendeu a mão para tocar-lhe o rosto, mas, ele a afastou com violência.
— Ciúmes, louro? — riu o mais jovem — Pensei que você nunca pudesse sentir isso por mim...e nem por ninguém.
— Pensou certo dessa vez! — esbravejou tremendo de ódio — Agora se preza um pouco a sua vida, saia daqui!
— Por quê? Não me diga que vai me matar só por que saí com outro?
Shaka respirou fundo para controlar a vontade de despedaçá-lo com um único golpe. Ikki pisava num campo minado e mais um passo a bomba explodiria.
— Não me importa o que você faz de suas noites... — conseguiu controlar a voz.
— Sério? Então por que tanta raiva? — o moreno se aproximou mais dele e Shaka pode sentir o perfume que emanava do seu corpo, um perfume que não era dele.
— Não estou com raiva, decepcionado seria a palavra certa... — mentiu numa tentativa de disfarçar o que sentia.
— Decepcionado? — dessa vez, Ikki realmente não entendeu.
— Você mentiu pra deusa, disse que não estava tendo um romance... — sua voz fraquejou com a mentira e Ikki riu.
— Ah, você está pensando nisso?
— Não estou pensando, mas não sabia que era um hipócrita! — declarou. O coração descompassado, porque Ikki se aproximava cada vez mais do seu corpo e ele já não conseguia respirar e nem pensar direito.
— Não sou, posso ter todos os defeitos, mas não sou um mentiroso...
— Ah...não... — o indiano se viu quase pressionado contra uma parede, na tentativa infrutífera de fugir do leonino.
— Não... eu e o Misty não temos um romance... – declarou chegando bem perto do corpo de Shaka que já estava com as costas coladas na parede e virou o rosto para que seus lábios não roçassem nos lábios do cavaleiro de bronze.
— N... Não estou pedindo satisfações... — a voz do indiano foi quase um sussurro.
— Mas, eu faço questão de dá-las, louro... — provocou e falou bem devagar no ouvido dele: — O que tivemos foi uma quente e muito gostosa foda... só isso...
O virginiano quase explodiu de raiva, seu cosmo se tornou mais hostil embora ele fizesse um controle sobre-humano para controlá-lo, empurrou o cavaleiro de bronze, e depois lhe deu um vigoroso tapa na cara, sua vontade era dar um murro que desfigurasse aquele rosto cínico, mas se conteve no último momento, precisava conter-se, ou com certeza, aquilo se transformaria num escândalo; dois cavaleiros, que serviam a mesma causa, lutando entre si.
Ikki quase caiu com a força do golpe. Limpou o sangue da boca e automaticamente revidou a bofetada. Os cabelos de Shaka caíram sobre seu rosto e ele os afastou olhando furiosamente para o leonino e limpando também o filete de sangue da própria boca com as costas da mão.
Dois pares de olhos azuis cintilavam. Shaka parecia um tigre prestes a devorar uma presa, mas Ikki não recuou, nunca recuaria, não estava com raiva do indiano, acharia até graça da situação se ela não estivesse se tornando perigosa para ambos. Seria uma burrice se os dois começassem uma batalha naquele momento, mas Fênix observou pasmado, que era exatamente isso que o louro queria:
— Na arena... — rosnou Shaka, arrumando os cabelo sem tirar os olhos do oponente.
— Está me desafiando, monge? — os olhos de Ikki também brilhavam maliciosos.
— Eu vou matá-lo!
— Um crime passional, então? — provocava o leonino vendo a ameaça iminente de receber um Tenma Kōfuku, mas não era homem de recuar — Porra, Shaka, diz logo que é louco por mim! Para com essa frescura!
— Nunca! Eu odeio você! — gritou — Saia do meu templo, agora!
— Desistiu do duelo?
— Ah, se não fosse a deusa, ah... se não fossem as leis impostas a mim... e eu o despedaçaria com minhas mãos! — Shaka cravou as unhas tão forte ao fechar os punhos que o sangue pingou no chão.
Ikki percebeu que tinha passado dos limites com ele, o virginiano realmente estava no limiar entre a sanidade e o descontrole total.
— Não se preocupe, eu não quero lutar com você, vou embora. — declarou caminhando para a entrada lateral — Não sei por que vou dizer isso, mas...
Ele parou e fitou os olhos do indiano. Ele estava trêmulo e rangia os dentes. Os olhos de Fênix cravaram-se no sangue que pingava dos seus punhos cerrados e ele não teve mais vontade de provocá-lo, além do mais, era muito perigoso fazer aquilo, Shaka se encontrava no limite do seu autocontrole e precisaria apenas de uma palavra para que realmente os dois entrassem num duelo sem vencedor e que, certamente, só deixaria mais mágoa entre eles. Não era isso que Ikki queria.
— Eu não tenho nada com o Misty, foi só um encontro. — disse e não esperou resposta deixou a sexta casa, não agüentava vê-lo daquela forma, por mais que gostasse daquele jogo sádico.
Shaka caiu de joelhos, e tapou o rosto para esconder os soluços, respirava pesadamente e as mãos feridas acabaram manchando sua face com seu próprio sangue. Era a imagem da desolação e lutava para que lágrimas de raiva e frustração não banhassem seu rosto.
Certamente, o santuário inteiro ouvira a discussão e, além de se sentir um miserável por todos os sentimentos que o devorava, estava envergonhado.
— Shaka de Virgem? — Ouviu aquela voz meiga e altiva e virou-se.
Seus olhos logo tomaram a expressão de um cão raivoso e ele se ergueu do chão ajeitando a toga curta que vestia. Orgulho e vaidade; não permitiria que ninguém o visse como um derrotado, embora soubesse, que um discípulo de seu mestre não devesse se sentir assim.
Misty o olhou com uma mistura de respeito e divertimento, se perguntava por que as pessoas se tornavam tão tolas quando apaixonadas?
— Se deseja passar por minha casa, faça logo. — disse o indiano com desprezo.
— Não, eu queria conversar com você.
— Desculpe cavaleiro, mas não temos nada para conversar.
— Temos um assunto em comum e acho que o santuário inteiro sabe disso. — continuou Misty, calmamente — A propósito, não foi muito educado se referir a mim como boneca...
Shaka corou mesmo sem querer, se a discussão foi ouvida até na casa de peixes, com todos os seus detalhes, estava mesmo perdido.
— Fale logo o que deseja, cavaleiro, tenho coisas a fazer. — sua voz foi fria, mas irritada.
— Eu só tenho uma coisa a dizer depois de ouvir a discussão de vocês. — sorriu o cavaleiro de lagarto — Vocês sem amam e estão sendo burros. Burros e orgulhosos.
Depois da declaração ele começou a andar para a saída, mas parou olhando uma última vez para o indiano que não retribuiu o olhar.
— E se deseja saber, ontem foi a primeira vez que sairmos juntos e pelo visto, será a última. — Misty recomeçou a descer a escadaria e Shaka deixou que um suspiro profundo escapasse de sua garganta. Precisava saber se tudo aquilo era verdade, precisava de respostas para os próprios sentimentos.
O louro tomou um banho e se vestiu com uma calça branca e uma bata azul turquesa, precisava conversar com a deusa, ela com certeza, dar-lhe-ia as respostas que precisava.
Adentrou o templo e fez uma reverência a menina sentada no trono.
— Athena, eu preciso lhe falar. — disse o cavaleiro de virgem.
Saori sorriu, mas ficou apreensiva, pois percebia que o sempre plácido virginiano estava nervoso.
— Levante-se, Shaka, venha comigo até o jardim e conversaremos.
Ela se levantou e eles seguiram para o jardim e sentaram-se num banco.
— E então o que deseja falar? — insistiu a deusa — Não gosto de ver meus cavaleiros preocupados, o que aconteceu?
— Qual o motivo de alguns cavaleiros serem designados para realizar treinamentos fora do santuário? — Shaka era direito, não era homem de fazer rodeios e, nas atuais circunstancias, não fez a mínima questão de ser paciente.
A moça corou, mas sorriu. Confiava em Shaka e sabia que ele era sábio, poderia lhe dar a resposta que Dohko se recusava, contudo, Shaka era parte envolvida naquilo e talvez não fosse de todo imparcial. Bem, confiava no discernimento do cavaleiro de virgem.
— Shaka, sou ciente de que... muitos cavaleiros... — começou hesitante, ruborizando a jovem deusa — Bem, eu sou ciente dos relacionamentos, e acho que... se realmente o perigo que sentir se confirmar... precisaremos de todos os nossos cavaleiros em total forma para o combate e sem preocupação com outros assuntos.
— Entendo e concordo. — ele disse para espanto da deusa.
— Concorda?
— Sim, acho mesmo que esse santuário não é mais o mesmo, as coisas aqui estão fáceis demais e... — o indiano se interrompeu envergonhado. Acabou dizendo o que pensava e aquilo poderia ter conseqüências ruins para os amigos — Quero dizer, é bom que por um tempo...
— Eu entendi, Shaka, mas... era só isso que queria saber? Não parece que esse seja o motivo de sua preocupação.
— Não exatamente. — ele abriu os olhos e fitou os escuros de Saori — Eu gostaria de saber se todos que estão saindo, sem exceção, tem ... alguém...
A deusa pareceu não entender a pergunta e olhou, incomodada, o rosto rubro do cavaleiro.
— Sim, eu acho que sim... — disse sem jeito — Todos sabem do Afrodite e do... Ai, o Afrodite está sempre com alguém, acho que agora é o Shura...
— Sim, é o Shura... — confirmou Shaka, nervoso — E...?
A menina o interrogava com os olhos, sem entender onde ele queria chegar.
— Todos sabem do Hyoga e do Shun e do Saga e o Kanon, o Milo e o Camus então, já fizeram fama até no Japão! — riu Saori tentando quebrar a tensão, mas não deu certo, Shaka parecia ainda mais nervoso.
— E... e quanto ao Ikki?
— Hã? — a deusa de rubra ficou pálida — Eu não estou entendendo, Shaka...
— Ah, Saori por Buda, não torne as coisas mais difíceis, eu quero saber quem é o amante dele, certo? — perguntou em fim, nervoso e constrangido por ter que fazer a pergunta tão objetivamente.
A deusa piscou várias vezes, ainda mais vermelha e confusa.
— Shaka, o que você quer dizer com isso? Eu não estou entendendo a sua pergunta! — Saori se mostrava muito nervosa e um pouco irritada o que levou mais dúvidas ao cavaleiro.
— A pergunta é simples, Athena, eu... eu preciso saber quem é o amante do Fênix, só não me pergunte por que, já é muito difícil pra mim, fazer tal questionamento! – ele fechou os olhos para fugir do embaraço que era aquela situação.
A deusa engoliu em seco e olhou-o chocada em extremo embaraço.
— Vocês não estão juntos? — perguntou.
— Hã? — foi à vez de Shaka ficar pálido e quase cair do banco, abriu os olhos de espanto — O. o que você disse?!
— Por Zeus... eu achei, ah... estava enganada? — a menina parecia bastante embaraçada e confusa — Não, eu não posso ter me enganado, eu sei o que se passa no coração de todos vocês... você dois se gostam, não é isso?
O cavaleiro de virgem se levantou pasmado, resolveu não responder a pergunta da deusa, só lhe fez uma reverência.
— Peço permissão para me retirar, Athena. E obrigado. — disse e ela concedeu com um aceno de cabeça se martirizando por não ser atenta o suficiente aos seus cavaleiros.
Talvez, Dohko tivesse razão, talvez, estivesse fazendo tudo errado, pensava a deusa, mas, agora era tarde, ela precisa que eles partissem e cumprissem com suas missões.
ooooooOOOooooooOOOoooooo
Shaka desceu rapidamente para sua casa, um peso enorme sendo tirado de suas costas, ao menos, ele não havia mentido, em contrapartida, mais sentimentos confusos dominava sua mente, algo lhe dizia que não deveria ficar tão feliz por isso, era errado, não podia ter aquele tipo de interesse, precisava manter-se limpo daquele tipo de afeição e, além disso tudo, ele estava saindo com aquele cavaleiro de prata.
"O sexo é uma força dominante, é um sentimento mundano e sempre que oramos e meditamos esse sentimento pode se converter em iluminação."
Lembrava-se das palavras do mestre, quando na adolescência vivera sua primeira paixão, seu primeiro teste.
"Mas, como força dominante, significa que é parte inerente do ser humano e sua positividade e negatividade dependerá de como o ser humano conduzirá o processo..."
Sempre foi assim, ele dava um ensinamento e depois o apresentava de forma que, ao final, a escolha fosse feita pelo discípulo.
Começou a pensar na religião dominante do seu país: Para o hinduísmo, há três grandes forças. A primeira delas é o Kama, que significa amor, prazer e satisfação; passando pelo Dharma, que é o mérito religioso, e por fim havia Artha, que complementa os dois anteriores simbolizando a aquisição de riquezas e bens. Para eles, quando as pessoas praticam as três forças igualmente, sem se tornar escravo de suas paixões, conseguirá êxito em todos os seus caminhos. Ou seja, eles acreditam ser capaz se usufruir dos prazeres sexuais sem perder a virtude religiosa.
Mas, ele não era hindu, ele era budista, a religião das escolhas, a religião que não classificava nada como certo ou errado, a religião sem regras. Então, por que não se permitir? Por que se negar o que queria? Por que se sentia tão culpado?
Tentava se lembrar que havia um caminho a seguir, um caminho que ele escolheu e que não teria volta. Ele escolheu o celibato, ele escolheu a iluminação, voltar atrás agora, seria uma traição ao universo.
Sua cabeça começou a doer insistentemente e resolveu meditar, passaria o restante do dia em meditação, queria por um fim naquilo, se certificar que realmente, romances nunca fariam parte de sua vida, embora, a informação de Athena houvesse aquecido seu coração mais do que ousava confessar.
"Teste, estou sendo testado, minha paciência, minha fé, minha integridade, meu coração..." pensou o discípulo de Buda, sentando-se para começar a meditação.
oOoOoOoOoOoOoOOoOoo
4º dia:
Ikki resolveu treinar mais cedo, não se sentia bem com o que fizera, sim, estava vingado, deixara o "santo" morrendo de ciúmes, e mais uma vez, fez com que ele perdesse a pose, mas e agora o que faria? Não sentia a satisfação que achou que sentiria, tudo estava bem diferente do que pensou, nunca imaginou que causar dor a Shaka o incomodaria tanto e também não esperava uma reação tão apaixonada do indiano, afinal, ele era um iluminado, ou não?
"Para mim você é apenas um homem..." lembrou-se das próprias palavras tantas vezes ditas e isso o deixava ainda mais confuso. Afinal o que a "reencarnação de Buda" sentia de verdade?
Passara-se um dia inteiro desde o ocorrido, mas não conseguia tirar aquilo da cabeça, talvez, nunca conseguisse, não conseguia esquecer aquele virginiano arrogante que tanto o confundia, mas estava mesmo disposto a esquecê-lo, estava cansado daquela relação desgastante. Relação? Será que poderia considerar assim aquele amontoado de brigas e provocações?
Seguiu para a arena e começou a treinar sozinho, era muito cedo e não havia nenhum outro cavaleiro e nenhum aprendiz para treinar. Sorte deles. Estava com um péssimo humor, dormira muito mau e sonhara com ele o tempo inteiro.
Chegava ao centro da arena quando o avistou, ele caminhava tranquilamente em direção a um bosque. Era muito cedo, o que ele estaria fazendo ali?
Caminhou por instinto até ele, parecendo querer se certificar de que não era uma alucinação.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou e o cavaleiro de virgem pareceu assustado com sua pergunta.
"Zeus! O que está acontecendo? Seria coincidência eu me encontrar o tempo inteiro com esse garoto, mesmo quando tento fugir dele?" pensava o louro que resolvera caminhar aquela manhã depois de mais uma noite mal dormida e nunca imaginou que o encontraria.
Respirou fundo e respondeu:
— Tenho tanto direito a estar aqui quanto você. Agora, por favor, deixe-me continuar minha caminhada.
— Veio se certificar de que não estou com o Misty? — provocou. Mas percebeu que havia alguma coisa errada com o indiano. Ele estava triste e olheiras marcavam os belos olhos o que demonstrava que não dormira bem.
Shaka abaixou a cabeça, os olhos ainda fechados.
— Por que você insiste em me humilhar, Ikki de Fênix? — perguntou já não conseguindo disfarçar os sentimentos, três noites insones e a declaração de Athena, esvaiam suas últimas certezas. — Não basta o que fez ontem?
— E o que eu fiz ontem? Pelo que eu saiba sou livre para sair com quem eu queira e me desculpe se isso o incomoda. — falou, constrangido com a atitude de Shaka, aquilo não era dele. Aquela atitude humilde e derrotada não fazia parte de sua personalidade.
— Não é disso que estou falando, estou falando... — ele se calou — Acho melhor nos evitarmos daqui pra frente.
— Por quê? Teme seus próprios sentimentos? — desafiou o mais jovem.
— Acho que errei desde o princípio com você. — continuou Virgem, ignorando a pergunta — Eu... tudo aconteceu depois daquela sua visita a meu templo, eu não deveria...eu disse as coisas erradas!
— Como assim? Tudo que aconteceu não foi por nada que tenha dito e sim por causa da sua capacidade de renegar seus próprios sentimentos! — tornou Ikki, irritado e perturbado, aquele não parecia ser o guardião da sexta casa, o homem arrogante que olhavam a todos de cima, ele estava visivelmente triste e confuso.
— Minhas responsabilidades nessa vida, são maiores que as suas, Ikki, por isso, não há como comparar nossas atitudes, eu errei, admito. Eu tenho errado sempre...e eu não posso aceitar meus sentimentos.
Agora Fênix estava perplexo, então ele admitia sentir algo por ele, era isso?
— Você acha que seu mestre quer isso? Um discípulo que não aceita o que sente?
— Meu mestre me ensinou desde cedo o quanto é errado se entregar a esse tipo de sentimento e que ele nos leva a ruína... — falou evitando olhar o moreno. Tentava manter a força de vontade. Vontade que sempre se tornava fraca quando estava ao lado dele.
— Shaka, você é humano e possui sentimentos humanos. E você não fez nada de errado, por Zeus! Pare de se martirizar! — Ikki falou irritado, sentia tanta angústia no louro que aquilo o incomodava — Realmente, tem alguma coisa muito errada com você!
O indiano respirou fundo antes de falar:
— A partir de hoje, Fênix, é melhor esquecermos tudo e dar um basta nessa guerra, voltarei ao meu templo e nunca mais o incomodarei, espero que faça o mesmo comigo. Chega dessa situação, estou realmente cansado!
O louro começou a caminhar de volta as doze casas. Não conseguia mais negar, sentia algo muito forte por Ikki de Fênix, mas, não compreendia o que era. Contudo, sentia grande necessidade de fugir daquilo, porque o sentimento o amedrontava e o dominava de tal forma, que ele não conseguia pensar direito e suas emoções ficavam descontroladas. Era impulsionado todo tempo em direção aquele rapaz arrogante e malicioso e por mais que tentasse escapar, acabava sempre sucumbindo. Era mais forte que ele e embora, na maioria das vezes, tivesse vontade de matá-lo, seu coração ansiava por estar ao seu lado.
"Vocês dois se gostam, não é verdade?"
"Vocês dois se amam e estão sendo burros. Burros e orgulhosos."
As vozes se repetiam na sua cabeça e ele começou a andar mais depressa. Precisava afasta-se dele, temia sua proximidade, e achava que isso, era a única coisa certa a fazer, por mais que não quisesse, por mais que ansiasse por seus braços. Seus pensamentos se confundiam. Precisava meditar, precisava esquecer ou enlouqueceria.
"Zeus! O que estou pensando? Nunca me vi tão confuso, por que ao mesmo tempo em que quero ficar, me desespero e quero fugir?"
— Louro! — Fênix chamou e ele parou, entretanto, permaneceu de costa, sabia que não resistiria se ele chegasse mais perto.
"Por Buda, não se aproxime de mim, fique aí mesmo, não venha até mim..." — pedia mentalmente.
Para seu desespero foi exatamente o que ele fez, o indiano podia senti-lo bem próximo a si, sua respiração quente roçando em seu pescoço.
— Por que você é tão teimoso? É tão difícil admitir que sente algo por mim ? — sussurrou Ikki.
— Eu não... Você não entende, eu simplesmente não posso...
Shaka se interrompeu ao ser abraçado pela cintura fortemente. Ikki encostou seus lábios no pescoço dele entre os perfumados fios louros e o indiano se sentiu vencido, perdera aquela batalha. Se aquilo era realmente um teste, não passaria, tinha certeza.
Segurou as mãos dele e as acariciou mesmo sem querer, sentindo sua aspereza e desejando inconscientemente ser tocado por elas.
Os lábios do moreno brincavam com a pele delicada da sua nuca, levando arrepios incontroláveis ao seu corpo. Precisava fazer alguma coisa, ou aquilo acabaria com o resquício de sanidade que possuía.
— Eu preciso voltar, por favor, me solte... — sua voz foi um sussurro, utilizou de todo o seu autocontrole, mas se ele insistisse, estaria perdido, fraquejaria e se entregaria por completo, seria o fim.
Para sua sorte ou azar, Ikki obedeceu prontamente, e se afastou. Depois, virou-o pra si, o encarando seriamente. Shaka sentiu um nó na garganta e baixou a cabeça. Ele o poderoso cavaleiro de ouro da casa de virgem, não conseguia encarar um cavaleiro de bronze que era quase um garoto.
— Sabe o que mais? Estou cansado de você, Shaka! — a voz dele foi séria e um pouco desapontada.
— Eu... não queria... — o louro balbuciou — Ikki tente me entender...
— Faça o seguinte... — continuou o leonino, magoado — Faça de conta que não há nada entre nós, se isso o fará mais feliz. Para mim, chega desse jogo de gato e rato, quem está cansado sou eu!
— Ikki, eu...
— Não me diz mais nada... — cortou o moreno, zangado — Eu sei exatamente o que você sente.
— Por que você não me entende? — murmurou o indiano.
— Eu entendo sim, Shaka... — falou enquanto se afastava — Entendo mais do que pensa e não quero mais causar esse desespero que sinto em você, se o que você quer é se afastar de mim, aceitarei sua vontade.
Ele o deixou sem dizer mais nada. Shaka sentiu os olhos úmidos e lutou para não ser humilhado pelas lágrimas, não queria admitir aquele sentimento, mas... A verdade, por vezes, é cruel.
Estava apaixonado.
Continua....
Notas finais: É mesmo um jogo de gato e rato esses dois, bem, mas quem sabe na próxima fic eu não faça o contrário, hein? O Shakito mais atiradinho U.u.u., e o Camus, hein? O que será que ele tanto estuda??? Acho que isso só vamos descobrir na próxima fic, pq pretendo fazer uma emendando essa, mas do ponto de vista do Mi e do Camie... ou não, nada de promessa Sion!
Gente, eu sempre me esqueço de colocar no início da Fic que os cavaleiros de ouro mortos, foram ressuscitados por Athena e blábláblá, mas é porque eu acho que o fandom inteiro já sabe disso quando encontrar o Camus, o Dite, o Shura e o Máscara da Morte numa fic, não é? Sorry, tentarei ser mais disciplinada e colocar essa observação.
Agradecimentos especialíssimos:
Jake baa Chan: Assiduamente leitora e comentadora, beijos amiga, obrigada por toda a força, sempre.
Kira Key: Leitora nova que espero que continue acompanhando as postagens,
Danieru : Pelos tão detalhados comentários e pelas sugestões.
Keronekoi: pelos elogios e review deixado, obrigada mesmo!
Lilliuapolonio, Amiga, sempre esperando seus deliciosos reviews!
Gaby: Que bom que ficou dessa forma, queria mesmo mostrar a luta do "iluminado" com seu lado humano, já tinha feito isso em "Amores que matam" mas como aquela era mais focada em Camus e Milo, quis fazer uma "Saga solo dos meus pombinhos favoritos" que bom que gostou e obrigada pelo review!
Amamiya fã: kkkk O Shakito se acha mesmo? E o Ikki, ao menos, pra mim é sempre a insolência em pessoa! Beijos querida e obrigada pelo review!
Suellen-San: Já reclamaram do Aiolia e do Mu e do Shura e do Dite também (KKKk vc não está sozinha!) pode deixar que o Ikki vai pegar o louro metido de jeito. Beijos!
Amaterasu Sonne: Mais uma vez obrigada, querida, por todo o incentivo.
Desde já agradeço os guerreiros que leram e deixaram reviews e mesmo aos que leram e não deixaram nada para motivar a autora ou ajudá-la a melhorar!
Sion Neblina
