CAPITULO 3

Naruto's POV

- Eu não acredito nisso! Ela realmente fez isso? – eu me perguntava – Bom, pelo menos eu vou deixar de ouvir deboches por algum tempo – conclui sorridente.

Como ela era linda. A visão dela andando calmamente até o vestiário sempre fazia com que eu me perdesse em pensamentos. Ela, em si, sempre fazia eu me perder em pensamentos. E falando de pensamentos: O QUE EU ESTAVA PENSANDO QUANDO EU A BEIJEI?

Kami... desse jeito eu vou me entregar. Suporto tudo nessa vida, só não suporto perder ela. Ela não gosta de mim assim, sei que não, ela só deve ter respondido automaticamente a MINHA aproximação. Se bem que... eu não me arrependo nem um pouco! Foi o paraíso, sentir os lábios dela por um breve momento.

- Dobe, que história é essa de você carregar as coisas da Hinata? – Sasuke me perguntou aparentemente indiferente, mas só aparentemente que eu sei – e ela ainda vai te fazer doces! Você a drogou? Está ameaçando a de morte? Que truque é esse? – ele me olhou avaliativo.

Nossa, pra uma pessoa que pouco fala e se importa menos ainda, hoje ele estava falante e prestativo. Uma pena que a essência da preocupação e das falas era desdenhosa.

- Não, eu só... sou eu – respondi calmamente, indo para a porta do ginásio.

- Como assim "só é você"? E desde quando isso basta pra garotas? – Neji perguntou um pouco incrédulo – elas querem que sejamos românticos, atenciosos, carinhosos, sei lá! Mas nunca querem que sejamos "só nós mesmo" – ele soltou o argumento com certa raiva.

- Elas querem sim – eu falei me virando de frente pra eles – pelo menos a Hina-chan quer que eu seja eu mesmo – conclui.

- Tá, Dobe, e desde quando você ser você é algo... bom? – Sasuke falou com certo sarcasmo.

- Olha Teme, eu posso não ter muita coisa para oferecer a Hina-chan – eu falei constrangido pelo pouco que eu era em comparação a eles, que sempre eram os melhores em tudo – mas ela é especial, ela é o tipo de pessoa que não pede nada em troca – desta vez eu falei olhando pra eles de igual pra igual.

- Não pede nada em troca? Ela pediu que você carregasse as coisas dela... – Neji debochou.

- Sim, mas só porque ela sabe que eu me sinto bem fazendo isso, me sinto útil pra ela – admiti tristemente, e seriamente revoltado com minha quase inexistente habilidade de impressionar – do contrário, ela nunca me pede nada, mesmo que ela precise... e é por isso que... – eu parei de súbito.

Quase. Mas quase MESMO. Mais um pouco do gosto do sentimento de revolta por não ser brilhante em nada, e eu iria admitir que eu a amo. Ainda mais pra eles. Preciso me cuidar mais, não quero que ninguém saiba demais daquilo que não lhe interessa.

- Que...? – Sasuke me incentivou a continuar, sorrindo maldosamente claro.

- Esqueça – falei tentado agir naturalmente – bom, eu preciso me trocar e ir pra casa – cortei a possibilidade de mais diálogo enquanto pegava minha mochila e ia ao vestiário.

Depois dessa agradável troca de farpas, aonde não eram necessários somente deboches e argumentos afiados pra ofender e sim olhares de superioridade, troquei de roupa e fui ao meu armário pegar meu material de matemática. Enquanto eu andava no corredor, em direção à sala de artes, onde eu iria buscar a Hina-chan, tive uma visão tão encantadora que eu me belisquei algumas vezes pra ter certeza que eu estava acordo e vivo.

Vi a Hina-chan pintando uma tela. E o porquê de essa visão ser divina era: ela tinha prendido o cabelo. Toda a vez que ela pendia o cabelo, mesmo que de qualquer jeito, com alguns fios soltos, meio torto como ela fez agora, ela deixa o pescoço e os ombros a mostra. Ela geralmente usa roupas que mostravam seus ombros, ou que são folgadas e ficavam caídas e que por essa razão deixam os mesmo à mostra. Mas o cabelo geralmente os tapa.

Ela tem as curvas tão femininas, e a pele tão macia e clara, que só de olhar a curvatura do pescoço dela, sinto como se estivesse tendo uma visão mais linda que qualquer quadro de Leonard Da Vinci. Aquela Hinata que eu via, era a que os outros não conheciam. A artista linda e simplória fisicamente, mas de jeito encantador e surpreendente.

Respirei algumas vezes, e bem fundo, para me acalmar e não falar alguma besteira. Andei até a sala, entrei discretamente e pus minhas coisas encima da mesa que ficava atrás dela. Ela não me virá até agora. Aproveitei quando ela largou o pincel e a palheta de cores, e coloquei um banquinho do lado dela e me sentei.

- Como anda seu novo quadro? – falei baixo.

- Na-naruto-kun! Que susto! – ela riu suavemente.

- Desculpa, mas eu não queria atrapalhar... – falei um tanto sentido.

Eu sempre sentia que atrapalhava ela.

- Imagina! Você nunca me atrapalha! Mas então.. o que acha? – ela me perguntou apontando para o quadro.

Analisei a obra. Por hora eu só via uma calçada clara que não tinha um final visível, no meio da tela, e dos lados havia grama, troncos de arvores e galhos. Ela ainda não tinha pintado as folhas, flores, e o céu.

Eu sabia que ela tinha afinidade com paisagens impessoais.

- Lindo como sempre Hina-chan – falei sorrindo abertamente pra ela.

- Muito obrigada – ela sorriu limpando as mãos no pano que ela tinha no colo – bom, então você me da um minuto para eu organizar e limpar tudo aqui? – ela me perguntou enquanto guardava as tintas, as canetas, e todo seu material em geral.

- Claro, não tenha pressa – eu falei enquanto me encostava à parede, observando-a.

Ela era tão graciosa. Mesmo fazendo essas coisas tão simples, ela fazia de um modo tão delicado. Depois de tudo arrumado, ela pegou uma sacola no canto da sala. Lá estava a sua distração enquanto me ensinava analítica. Ela faria seus doces maravilhosos, na minha cozinha, com a minha mãe e na minha frente. Tentador. Com certo esforço, tentei chegar aos livros dela primeiro. Depois que os peguei e abri a porta para ela, eu tive de me segurar muito para não mostrar minha insatisfação de ir para o corredor.

Nesse exato momento, Neji, Sasuke, Sakura e Tenten estavam passando. Sakura e Tenten sabiam ser discretas e fingirem não notar meus sentimentos, mas só elas sabiam fazer isso.

- Hina-chan! Como estava a aula de artes? – Tenten se adiantou a perguntar.

- Hina-chan, você continua pintando aquela paisagem com a calçada e as arvores? – Sakura quis saber logo em seguida.

- Oi garotas – ela respondeu docemente, como ela sempre fazia – a aula estava ótima e rendeu bastante – ela comentou despreocupada – sim Sakura-chan, eu ainda estou pintando aquele quadro, acho que ele vai me tomar um pouco mais de tempo do que eu esperava – mas no final da frase ela sorriu.

- Ah, como eu queria saber pintar como você Hina-chan – Sakura falou admirada – mas então, aonde você vai com todos esses ingredientes de doces? – a pergunta não me pareceu muito inocente.

- Pra minha casa – eu falei rápido demais.

Estava me incomodando ficar ao lado dos mestres da perfeição, que avaliavam demais a minha garota. Sim, ela já era minha, mas eles não sabiam. Nem ela... mas isso é um detalhe.

- Vou ajudar o Naruto-kun com analítica, e vou fazer alguns doces pra ele – ela falou sorrindo pra mim – ele é sempre tão gentil me acompanhando e carregando minhas coisas, ele ainda acha que eu posso me machucar por carregar muito peso – ela deu uma risada leve.

Musica para os meus ouvidos. Se ela soubesse...

- Mas alguma utilidade ele tem de ter, não é? – Sasuke falou ácido.

- Sim, porque o resto todo ele não sabe fazer... – Neji completou olhando de modo superior.

- Na verdade, o Naruto-kun é muito bom com esportes, não é? – ela perguntou olhando pra mim e sorriu de modo carinhoso.

- Bom, eu acho que sim... – a essa altura eu não sabia nem meu nome, aquele sorriso me tirou da órbita.

- Tenten, sabe aquele ursinho marrom com uma pedra vermelha em forma de coração na pata, que você tanto gosta? – ela perguntou.

Não, a história do ursinho não. Que vergonha.

- Sim Hina-chan! Eu amo tanto aquele seu ursinho! – Tenten falou com os olhos brilhantes.

- Oh, sim! Aquele ursinho é realmente muito fofo!- Sakura concordou.

- Vocês sabiam que o Naruto-kun foi quem me deu? – ela falou sorrindo para elas.

- SÉRIO? – elas perguntaram em coro.

- Sim – ela falou enquanto andava do meu lado – ele passou por maus bocados pra conseguir me entregar o ursinho, mas no final, foi o melhor presente de aniversário que eu já ganhei – ela sorriu pra mim.

- E o que ele fez pra conseguir esse urso? – Sasuke perguntou indiferente.

- Bom, ele tinha onze anos, meio ano de mesada poupada e ainda pagou mico na frente de meia vizinhança só para me entregar – ela deu uma gargalhada – ele acordou mais cedo no meu aniversário de onze anos, foi ao centro da cidade achar a loja que eu tinha dito milhares de vezes ter visto o ursinho, e usou da sua melhor arma para conseguir baratear: o "pentelhismo" – ela sorriu e enganchou seu braço no meu.

Por sorte eu desenvolvi o habito de por as mãos nos bolsos das calças. Porque nesse exato momento comecei a tremer mais do que gelatina. Graças a Kami-sama ela não perceberia.

- Então ele pentelhou tanto o dono da loja, que conseguiu comprar o ursinho por um preço mais barato, e com o dinheiro que sobrou comprou minhas balas favoritas, e depois ele foi lá a minha casa entregar o presente – ela contou enquanto sorria para as garotas que já estavam na lua sonhando com a história – mas ele esqueceu que o piso em frente a minha casa é extremamente liso, e como estava nevando, ficou extremamente perigoso – ela segurou uma risada – então quando eu fui abrir o portão e deixá-lo passar ele escorregou e jogou o presente longe, ai ele saiu correndo pegar o presente e conseguiu escorregar no meio da calçada, deslizando até o portão do vizinho da frente para dar um magnifico abraço na cerca, que ficou enroscada na sua calça e ele ficou preso – ela contava dando risada e esporadicamente me olhava com os olhos inocentes, como desculpas por rir – resultado: o vizinho da frente lembra-se do Naruto-kun até hoje pela calça rasgada e o talento para patinação artística – ela falou com um ar de criança.

- Ainda não consigo passar na frente da casa dele e cumprimentar direito – eu falei realmente envergonhado – ele sempre da uma risada muito constrangedora! – reclamei.

- Mas pelo menos ele sabe que você é a pessoa mais maravilhosa do mundo, sabia? – ela inclinou a cabeça e sorriu de modo infantil.

Meu coração parou. Com dificuldade ele começou a bater de novo. Como ela consegue fazer isso tão facilmente?

- Nossa, que fofo Naruto! – Tenten disse tão... sonhadora eu diria.

- Quem diria que você era do tipo romântico – Neji falou em descaso.

- Eu queria que alguém fosse atencioso assim comigo – Sakura falou olhando pra baixo.

De imediato olhei pro Sasuke. Ele não disse nada, e não olhou pra ela. Mas eu percebi que isso tinha incomodado ele.

- Bom, a Hina-chan sempre me ajuda, e ela tinha realmente gostado do ursinho – eu falei dando de ombros – não há nada de mais em fazer a Hina-chan sorrir – dei um sorriso de canto.

Queria saber o que ela acharia se eu dissesse que ela me faz o cara mais feliz do mundo por deixa-la feliz.

- Obrigada Naruto-kun – ela falou de um jeito muito doce.

- Hm, ainda acho que não foi nada de mais – Sasuke olhou pra Hina-chan como se ela fosse uma idiota ingênua.

- Deve ser por isso que vocês dois continuam solteiros – Tenten falou brava – não deve existir garota no mundo que não goste de ser agradada – ela reclamou e cruzou os braços em sinal de revolta.

- Exatamente – Sakura sai em protesto concordando – só o fato do Naruto-kun se lembrar do aniversario da Hina-chan todos os anos e fazer alguma coisa pra ela já mostra como ele se importa com ela – ela falou convicta.

Ah, se vocês soubessem como eu me importo com ela.

- Deixa pra lá garotas – Hina-cha tentou acalmar os ânimos – eles ainda vão perceber que eles admiram o tipo errado de pessoa – ela olhou pros dois e depois sorriu pra Sakura e pra Tenten.

Nossa, ela nunca dá indiretas, mas quando solta uma é de doer.

- Bom, a conversa tá ótima, mas eu preciso estudar e pra isso eu preciso da Hina-chan – eu falei puxando a Hina-chan em direção à rua da minha casa – então até amanhã gente – falei acenando de costas já.

- Ja nee – ela sorriu e acenou.

Graças a Kami-sama, agora era só eu e ela. E meus pais. Mas eles não eram um incomodo.

Eu espero que não sejam...