O boxeador afro-americano, Mike, acordou em uma cama aconchegante. Abriu os olhos e viu algo terrível: estava em uma espécie de laboratório, tomava soro no braço direito, tinha um aparelho de metal frio na cabeça. Parecia uma aranha do tamanho de uma melancia.

- Onde estou? - indagou ele.

Um homem veio andando até ele. Era velho e usava roupas de médico e parecia cansado.

- Acordou Mike? Relaxe, está tudo bem, apenas estamos fazendo alguns testes, logo poderá voltar para a sua irmãzinha. - disse o velho por trás da máscara cirúrgica.

- Lily... Está viva? - perguntou Mike extasiado.

- Sim, um milagre Mike, um milagre, volte á dormir, certo? - respondeu o velho, dando um inalador cheio de anestesia ao boxeador.

Mike dormira novamente. Pobre coitado. Não sabia que sua irmãzinha que precisava de uma operação para retirar um tumor, o motivo de sua entrada no torneio, estava morta. Não morreu pelo tumor, não foi preciso. "Eles" a mataram.

Uma semana havia se passado desde a luta no Monte Rushmore. Havia sido uma batalha fácil, apesar de Ryu ter ficado com muita dor no estômago após os golpes do boxeador americano Mike. O lutador do gi branco tomava alguns analgésicos no avião: estava saindo do aeroporto de Seattle e iria para Londres, na Inglaterra. Iria lutar com um homem chamado Birdie, e que deveria encontrá-lo em uma rua da área punk da cidade. Ryu já havia enfrentado alguns punks á dois anos, em uma viagem á Inglaterra com seu mentor e pai, Gouken. Lutava de um jeito idiota, berrando e balançando os moicanos, geralmente usando canos de metal e outros instrumentos que serviam de porretes. Se o tal Birdie fosse assim, outra luta vencida para Ryu, mas ele não via assim. Ryu via a honra em todo lutador, não importa quão miserável e patético ele seja. A viagem passou-se lentamente, houve uma turbulência violenta, mas Ryu não se preocupou. Se a aeronave caísse em alto mar, ele nadaria até seu destino.

Apesar dos problemas, o avião pousou em segurança na capital inglesa. Ryu colocou sua roupa de luta no banheiro do aeroporto, e não ligou para todos os ingleses e turistas olhando com desdém enquanto andava pelas ruas. Londres não mudara muito desde sua última visita. Em vinte minutos, com ajuda de um mapa, conseguiu chegar até a rua especificada. Era suja, com cheiro de bebida alcoólica e cigarros. Vários posters da banda Velvet Underground, sem falar de vários outros de bandas punk inglesas, como Sex Pistols e The Clash estavam nas paredes. O local era medíocre, o asfalto estava molhado, mesmo fazendo sol, mais e mais jovens de moicano estava sentados na sarjeta, ouvindo música de um aparelho de som, bebendo e fumando. Ryu achou a cena triste. Voltou á realidade e chamou.

- Birdie? - chamou alto.

Os punks pararam tudo que estavam fazendo para olhar para Ryu. Eles começaram a falar coisas em inglês entre si, com o sotaque britânico muito forte. Finalmente, um dos punks se levantou. Tinha mais de dois metros de altura, era musculoso, a pele era pálida, os olhos eram cruéis e negros, o cabelo estava cortado e penteado em um moicano loiro. Usava um colete de couro negro, sem camiseta por baixo, uma calça jeans rasgada em vários pontos, e munhequeiras de pregos nos dois pulsos. Era assustador.

- I'am Birdie. So, you're Ryu right? - disse Birdie, sua voz grave e poderosa, como um cantor de ópera.

- Yes. - respondeu Ryu.

Pelo menos entendera o punk rocker. Birdie não esperou mais: pulou para cima de Ryu com os braços erguidos, pronto para agarrá-lo. No último momento, ele conseguiu desviar. Birdie virou-se pesada e lentamente para o oponente, mas Ryu estava preparado, estava acostumado com lutadores lentos.

- Shoryuken! - berrou ele, acertando um gancho no queixo de Birdie, fazendo o enorme homem cair pesadamente ao chão.

Ele levantou-se com dificuldade, o queixo estava apenas ralado. Ryu ficou em estado de choque: depositara toda a força que tinha no golpe, mas não havia ferido o oponente. Birdie fez um movimento pesado: pulou com as duas pernas esticadas, um típico golpe de luta-livre. O peito de Ryu quase explodiu com a força das pernas do tamanho de troncos de árvores do punk rocker loiro. Mesmo com a respiração difícil e o sangue saindo pela boca, Ryu não desistiu. Continuou em pé, apesar da dor. Estava tonto, mas conseguiu distinguir o oponente preparando-se para desferir um tapa com sua mão gigantesca.

- Hadouken! - gritou Ryu.

A esfera de fogo azul foi repelida como ar pela mão de Birdie. Ryu voou e caiu á vinte metros de distância, quase acertando uma garota de cabelos arrepiados. Com muita dificuldade, Ryu conseguiu se por em pé. Sentiu o gosto do sangue mais forte. Estava vendo turvo, e estava quase desmaiando, mas continuou em pé. Birdie riu e disse algo, mas a audição de Ryu também estava ruim. Achava que iria desmaiar ali, naquela rua lateral imunda, desmaiado e levado pelos organizadores do evento, sem honra, sem vitória, sem nada. Ryu não iria deixar. Seus sentidos estavam voltando pouco a pouco, uma aura azul aparecia em volta de seu corpo ferido. Sua audição melhorou, e a visão também: Birdie gargalhava e então olhou para Ryu. Viu a aura formando-se e se assustou: viu que tinha que acabar com aquilo rápido. Ele começou a correr pisando em tudo em seu caminho, com o punho fechado. Ergueu o braço para desferir o soco, mas Ryu foi esperto. Desviou do golpe pela lentidão do inimigo. Usou as banhas de Birdie para subir nele, e o moicano estava tão impregnado de gel que não se desmanchou quando ele pisou em cima dele. Ryu deu impulso e estava no ar, juntando toda a energia chi que lhe restava. Birdir levantou o rosto para o oponente. Má idéia.

- Hadouken!

A esfera acertou o britânico no rosto. Não tinha mais nada á fazer. Caiu no chão, o rosto estava apenas bronzeado, não queimado. Ele se levantou, parecendo estar com muita dor.

- On the next time, I'll murder you! Little piece of shit! - berrou Birdie saindo da rua.

Pareceu uma desistência, mesmo que temporária. Ryu teve o pressentimento de quê iria ver o punk novamente, mas não por algum tempo. Um homem com uma camiseta com o logotipo do torneio "O Lutador Mundial" apareceu. Deu informações específicas á Ryu, dizendo o local de sua próxima luta, o nome do inimigo e sua nacionalidade. O garoto sorridente também congratulou Ryu por passar para as semi-finais, e logo depois, saiu correndo. Mais e mais, o guerreiro do gi branco se aproximava do fim do torneio. O prêmio em dinheiro o esperava. Se ganhasse, iria reformar o dojo de seu mestre, como um agradecimento por tudo que ele lhe fez.

Ryu deu entrada em um hotel, tirou seu uniforme no quarto e ligou a TV á cabo. Conseguiu sintonizar o canal japonês TV Asahi, á tempo de ver o seriado. Adormeceu ali mesmo, com a TV ligada, e a mochila jogada ao lado da cama. Ryu, estava orgulhoso de si mesmo, finalmente.

CAPÍTULO 3
RYU WINS