3º Capítulo: A primeira aula de vôo.
Muito cedo naquela manhã, a garota já estava acordada; a noite havia sido agitada porque sonhara com homens de orelhas gigantes desfilando apenas de cueca na frente de seus olhos o tempo todo.
Ela levantou- se silenciosamente e olhou para os gêmeos. Os dois estavam deitados de costas, as cobertas meio jogadas para fora da cama; ela balançou a cabeça e sorriu, saindo do quarto.
A casa estava silenciosa e o sol ainda fraco entrava pelas janelas, lançando algumas sombras no corredor. Ab caminhou até a escada, reparando em como tudo parecia surreal naquela manhã. Ela desceu o primeiro, o segundo e o terceiro degraus, quando ouviu um barulho e um tremendo ronco sobrevindo do sótão.
Abssy desiquilibrou- se no susto e foi por pouco que não rolou o resto da escada; derrapou apenas dois degraus e conseguiu se firmar, imaginando que espécie de coisa poderia produzir aquele som. Ela terminou de descer as escadas e entrou na cozinha, onde Molly Weasley já trabalhava.
Oi.- Ab cumprimentou.
A mulher olhou- a de relance e sorriu desejando bom dia e perguntando se ela dormira bem. Abssy puxou uma cadeira e sentou, dizendo que fora uma noite muito boa, ainda que ela tivesse tido muitos sonhos estranhos e engraçados, os quais, obviamente, não revelou.
Sra. Weasley, me desculpe, mas existe alguma coisa no sótão desta casa?- perguntou.
Oh, você já o escutou? É nosso vampiro...está aí há muito tempo, velhinho já, coitado.- respondeu a senhora, naturalmente.
Um vampiro, hein?- fez Ab, olhando para os lados como se o mesmo pudesse surgir a qualquer momento.
Molly riu com gosto ao ver a reação dela e contou:
Esqueci que você não está familiarizada com esses seres; nossos vampiros não lembram em nada os vampiros trouxas da Transilvânia. Talvez você devesse vê- lo, mas não encorajo a idéia, porque é um bicho um tanto feio.
Oh... que mundo curioso este; mal posso esperar para aprender mais sobre as coisas!- a garota exclamou.
Giny e Hermione entraram na cozinha neste momento, e Ab resolveu que era hora de vestir- se; desejou bom dia e disse que ia subir para trocar a roupa. Molly aproveitou e pediu que ela acordasse os gêmeos.
Abssy subiu, pegou uma camiseta e uma calça e trocou- se no banheiro, depois veio chamar os rapazes que pareciam dormir profundamente. Tentou duas vezes, mas não surtiu efeito, então ficou parada entre as camas, pensando.
AHHHHHHHHHHHHHHH!!- gritaram os dois do nada, pregando- lhe um susto.
Ab apertava o peito e arfava, enquanto eles riam abertamente se congratulando mutuamente pelo plano. Então ela riu e disse:
Ah, quanta graça, né! A mãe de vocês mandou vocês acordarem.
Os dois foram se levantando, reclamando um pouco, e ela sorriu e lembrou:
É melhor eu ficar lá fora!- e deixou o quarto.
Dez minutos depois, os três desceram para a cozinha que já estava apinhada de gente e tomaram o café da manhã.
Hei, Fred, George, vamos jogar uma partida de quadribol?- propôs Ron, quando terminou seu prato de aveia.
Opa!- eles concordaram, engolindo o que sobrara de seus pratos.
Giny, Ron, Fred , George e Harry tomaram seus sucos de abóbora de uma só vez e praticamente correram porta afora, sob os protestos veementes de Mollly:
Hei, meninos, hei...voltem aqui! Isso são modos?!
Abssy que estava muito curiosa para ver o tal jogo, levantou- se e seguiu os outros quase correndo; Hermione foi a última a chegar, balançando a cabeça, incrédula.
Num pequeno campo gramado perto da casa, todos, exceto Ab e Hermione, montaram vassouras e se impulsionaram para o céu velozmente.
Putz!- a garota exclamou, inclinando- se para a frente, excitada.
Ela olhou para o lado e viu que Hermione abrir um grosso livro e enfiar o rosto dentro dele, mas reparou que nem mesmo esse conseguia evitar de olhar, vez ou outra, para o jogo.
Hum, Herms...tudo bem se eu te chamar assim?
Hermione balançou a cabeça concordando.
Bom, como se joga esse jogo? Qual as regras?
Ah, é um jogo bem simples, na verdade- ela afirmou- há um goleiro em cada time, três artilheiros, dois batedores e um apanhador. Aqui neste jogo o número de participantes está muito reduzido de forma que Ron faz o papel de goleiro e Harry fica como artilheiro e apanhador. No outro time está melhorzinho porque Fred ficou de goleiro, George de artilheiro e Giny só apanha o pomo.
Ela continuou;
O goleiro defende os três aros onde se faz o gol; os artilheiros cuidam que a goles passe por esses aros e marcam os pontos. Os batedores rebatem os balaços, bolas pesadas, defendendo assim os os colegas do time. E o apanhador espera até avistar o pomo de ouro, uma bolinha voadora rápida, pequena e dourada e o agarra conquistando a vitória.
Hermione terminou de explicar voltou para o livro, mas Ab, sabe- se lá por que, parecia decidida a atrapalhar a leitura da outra garota.
Sobre o que é o livro? Eu amo ler.- contou.
Entretanto, a outra se animou e exclamou:
Ai, que bom que você gosta, eu também! Este livro conta a história de Hogwarts desde a fundação até os dias de hoje. Você precisa ler, quer que eu te empreste?
E assim as duas arranjaram algo em comum e conversaram até o fim do jogo, ainda que Ab jamais deixasse de prestar atenção a ele. O resultado foi que na hora do almoço os rapazes e Giny vinham caminhando e discutindo sobre o jogo e encontraram as duas em uma animada conversa e o livro de Hermione esquecido de lado.
Ah, Fred nem vem!- reclamava Ron- Nós estávamos me desvantagem e vamos querer uma revanche esta tarde; você vai ficar de fora, ou George, assim ficará equilibrado!
O quê?- gritou um dos gêmeos- Ficar de fora do jogo? Nem sonhando, Roniquinho, você vai se virar, ah vai!
Bom, então um de vocês vai passar para o nosso time à tarde- resolveu Harry, satisfeito com sua idéia brilhante.
Não, não vamos.- afirmaram Fred e George.
Ron ficou roxo de raiva e fechou os punhos, pronto para brigar se necessário, mas foi seguro por uma Hermione muito irritada:
Isso é só um jogo, meninos!
Ah, Mione...- bufou Harry.
Você não entende como o quadribol é importante para nosso vida, né?- perguntou Ron.
Não, claro que não...- e ela começou um longo discurso. Ab olhou para Giny que sorriu e deu de ombros.
A discussão só acabou quando entraram na cozinha, todos suados e descabelados, exceto Ab e Hermione, e viram que o Sr. Weasley já chegara do trabalho. Os filhos lhe cumprimentaram alegremente, mas o olhar de Molly sobre suas aparências apagou o sorriso de seus rostos.
Sentaram- se na mesa e Ab ficou de frente para a Sra. Weasley, o que facilitou para a mulher coloca- la numa situação difícil.
Ab, você que dormiu no quarto dos gêmeos, no qual eu não posso entrar, viu alguma coisa suspeita por lá, poções, balinhas, coisas assim inocentes?- ela perguntou.
A garota encarou a mulher e, então, num átimo, fixou os dois rapazes cuja cor do rosto estava próxima de um verde doentio. Encarando o rosto bondoso da senhora e tendo visões de uma bancada cheia de poções num certo quarto, ela respondeu com máximo de dignidade possível:
Não, senhora, por que?
Molly pareceu aliviada e sorriu:
Por nada mesmo, queroda! Coma agora.
Todos seguiram a ordem da mulher, até que Ab interrompeu o silêncio e disse:
Nossa, eu adorei quadribol, mal vejo a hora de poder voar numa vassoura!
Nós poderíamos lhe ensinar.- afirmou George recebendo apoio de Fred.
Não, não, melhor esperar as aulas de vôo em Hogwarts- sentenciou Molly.
Mas...- Ab procurou argumentar.
Sem "mas", pode ser perigoso; você pode cair lá de cima, meu bem. Não é mesmo, Arthur?
O homem ergueu a cabeça para a esposa e deu de ombros:
Nossos filhos entendem bem de voar e...- ia dizendo o senhor, mas frente ao olhar da mulher, corrigiu- se- Mas pode ser mesmo muito perigoso!
Ah, papai!- foi o murmúrio indignado dos rapazes.
Entretanto, alguns minutos mais tarde, enquanto subia as escadas após o almoço, Abssy descobriu que os gêmeos não desistiam fácil. Eles a circundaram na escada e disseram:
Hei, venha rápido, já te mostramos como voar. Obrigada por esconder da mamãe que temos "coisas inocentes" em nosso quarto.
Os três subiram num instante e, no outro, já estavam dentro do quarto, bem trancados. Ambos pegaram as vassouras que haviam trazido escondido e a encorajaram:
Vamos até lá no campo, daí você experimenta, OK?
Eles já faziam menção de montar as vassouras, quando ela os segurou:
Mas e se eu cair de verdade?
George olhou para a cara de preocupação dela e esclareceu:
Ab, existem feitiços para consertar ossos quebrados.
George, seu idiota, não vê que a está deixando ainda mais nervosa?- perguntou Fred com um sorriso maroto, dando um murro de leve no braço do irmão- Na verdade, Ab, nós podemos errar o feitiço e extrair os ossos do seu braço, por exemplo.
Que horror!- ela gritou, saltando para trás.
Ah, veja pelo lado bom, pelo menos você nunca mais correrá o risco de quebra- lo de novo!- concluiu George, rindo com o outro.
Ela riu e exclamou:
Puxa, vocês são engraçados.
Somos?- e eles entreolharam- se surpresos.
É, vai dizer que ninguém nunca disse isso?- estranhou ela, séria.
Bom, toda sorte de gente nos diz isso, mas as mulheres costumam nos achar mais imaturos do que engraçados!
Ah, as mulheres...- ela repetiu e balançou a cabeça desconsolada.
Mas, agora vamos antes mamãe venha nos procurar!- apressou um dos rapazes.
George montou uma das vassouras e voou através da janela aberta; Fred montou a outra e instruiu a garota a sentar- se atrás e segura- lo quando deixassem o chão. Ela fez como recomendado, mas suas percepções do mundo ao redor ficaram prejudicadas ao segura- lo levemente pela cintura.
Fred era magro, mas firme e bem delineado; tais eram os pensamentos que cruzavam a mente dela que Ab mal tinha coragem de toca- lo como deveria e foi por pouco que não provocou um tremendo acidente.
Quando a vassoura deixou o chão, ela desequilibrou- se totalmente e só ouviu a voz desesperada dele gritando:
Abaixa logo!
Abssy olhou para frente e vislumbrou o batente superior da janela vindo de encontro a seu rosto. Num segundo, inclinou- se para baixo e prendeu a respiração, sentindo a madeira do batente raspar- lhe as costas e não tornou a erguer- se até alcançarem o chão.
Assim que seus pés tocaram o solo ela percebeu que voara agarrada à ele com todas as suas forças e soltou- se corada.
Caracas, no que você estava pensando quando saímos do chão?- Fred perguntou, pálido.
Não sei, juro. Desculpe!- ela mentiu, sentindo o rosto queimar loucamente.
Tudo bem, só preciso lembrar de não leva- la em minha garupa de novo.- ele brincou e sorriu.
Pelos próximos cinco minutos os irmãos deixaram- na sentada no gramado e executaram manobras radicais no ar; cambalhotas, loopings, espirais e se divertiram exibindo suas habilidades para uma garota admirada.
Logo, Ab foi instruída sobre como voar e engolindo seu medo de alturas, montou a vassoura emprestada e lançou- se no ar. A sensação de vazio embaixo dos pés revirou seu estômago e ela teve vontade de gritar de pânico, mas controlou- se.
"Está tudo bem, tudo bem...é só olhar pra frente, não olhar pra baixo...equilibrar deste lado, assim, e segurar a vassoura reta; tenho que sentir que estou sentada sobre ela...ai, meu Deus...equilíbrio, equilíbrio...um pouco para cá, isso, melhor assim. Nossa, que legal aqui de cima, é bom olhar a paisagem, distrai, acalma, né! Até que não é tão difícil, dou para o gasto!" ela ia pensando, até que normalizou sobre a vassoura e voou alguns metros para lá e para cá.
Quando voltou a pousar, recebeu elogios; havia sido realmente bom para uma primeira vez. Desse dia em diante ela jamais confundiria um gêmeo com o outro, mesmo que eles se esforçassem para parecerem iguais e pregar peças nos outros com isso.
Espero que estejam gostando da história...muito em breve publicarei mais alguns capítulos(já tenho todos escritos e digitados).
Bjus e até.
