Oi, estou de volta, apesar de não saber se tem alguém lendo isso aqui... Mas bem, vamos lá! Por favor, deixe pelo menos um "legal" ou "chato" ou "isso é horrível!"? Obrigada!

Capítulo 2

- Por favor, me deixe ir? Por favor!

Sonea ouviu um suspiro ao seu lado. Fazia mais de uma semana que ela e Akkarin estavam presos nos Alojamentos dos Curandeiros e ela não aguentava ficar alí nem por mais um minuto. O dia estava maravilhoso do lado de fora da janela e o jardim transbordava dos aprendizes que resolveram pegar uma pausa dos estudos e saírem para o sol e vento fresco. Mas ela, ao contrário deles, estava presa naquele quarto minúsculo! – pelo menos era o que ela pensava depois de uma semana presa nele – e isso tinha que terminar agora.

Lady Vinara lhe lançou um olhar de desaprovação e apertou os lábios em uma linha severa. Eram poucos que podiam bater Lady Vinara de frente e dois deles estavam ali presente. Sonea lançou um olhar de ajuda para Akkarin que estava de pé perto da janela, seu rosto sem espreção visível. Ele lhe deu aquele pequeno sorriso que ela tanto amava e piscou para ela.

- Lady Vinara – começou ele, se afastando da janela e vindo para ficar perto de Sonea, - Por que você não faz uma... vistoria completa e se estiver tudo bem, é claro, pode liberar Sonea para algum quarto que o Clã nos oferecer?

Por um minuto Sonea temeu que ele, assim como ela, não iria ter nenhuma chance com a chefe dos curadores, mas, depois de um tempo ela bufou e concordou.

- Muito bem. Deite-se lá – ela apontou para a cama e Sonea correu para cumprir.

Ela se aproximou e pôs a mão em seu braço. Fechando os olhos, a curandeira foi para dentro do corpo da jovem.

Depois do que parecia uma hora, Vinara abriu os olhos e retirou a mão de seu braço. Seu rosto estava pálido e seu olhar se alternava entre Akkarin e ela mesma.

- O que está errado? – perguntou Akkarin se aproximando e tomando uma das mãos de Sonea entre as suas.

Lady Vinara suspirou e se sentou na cadeira para os visitantes.

- Por acaso... Me perdoe a intromição... Mas vocês tiveram relações sexuais a algumas semanas?

Os olhos de Akkarin se arregalaram e sua respiração acelerou. Sonea, um pouco acostumada com os sinais corporais e gestuais dele, apertou seu braço com a mão livre e pediu que ele se acalmasse.

Ela própria estava com as bochechas vermelhas – embora por um motivo diferente de Akkarin – mas olhou para Lady Vinara com calma controlada.

- Sim, por que?

- Sonea! – exclamou Akkarin. – Lady Vinara, eu realmente não quero dividir a minha vida pessoal com...

- Sonea está grávida – interrompeu a curandeira.

Os olhos de Sonea se arregalaram e ao seu lado, Akkarin puxou uma respiração forçada para dentro de seus pulmões. O que? Como ela poderia estar grávida? Ela pensou que Akkarin estava cuidando das coisas já que ele tinha mais experiência e era o mais velho! Mas em duas vezes? Tinha pessoas – conhecidos! – que tentavam ter uma criança por anos e não conseguiam! E agora Akkarin e ela consiguiram uma em apenas duas vezes? Ou será que foi logo na primeira?

- Mas como? – a voz de Akkarin estava rouca e um pouco mais alta que um mero sussurro.

Lady Vinara lhe encarou sem expressão.

- Akkarin, será que eu devo lhe explicar como os bebês são feitos?

- Eu sei como os bebês são feitos! – ele quase gritou. – O que eu quero intender é como Sonea ficou grávida em apenas duas vezes?

Os dois a encararam. Sonea ficou vermelha e desviou o rosto para que não pudessem a encarar.

- Sonea? – Akkarin tocou sua mão. – Eu pensei que você tinha cuidado das coisas...

- E eu pensei que você tinha feito a mesma coisa... Afinal de contas, além de você ser o mais velho de nós, ninguém me ensinou o que fazer exatamente!

Com isso ela desviou o olhar para não ver a raiva e o desgosto de Akkarin. Agora ele ia confirmar tudo o que tinha dito no início de sua viagem ao exílio; ela era uma criança ignorante e desajeitada, que não sabia o que fazer na maior parte do tempo e só destruía os planos das outras pessoas.

Perdida em seus pensamentos escuros, Sonea perdeu o olhar de fúria que Akkarin enviou na direção de Lady Vinara. Como ninguém tinha falado com Sonea? Afinal, ela já tinha idade para esse tipo de conversa e ela era uma mulher pelo amor do Olho!

- Eu quero saber – ele começou sombriamente - ... Como Sonea não foi dita sobre essas coisas ainda? Por que?

Sonea foi tirada de seus pensamentos pelo fim da sentença de Akkarin. Avaliando as coisas rapidamente, ela entendeu que o mago estava questionando Vinara sobre a sua falta de informação.

- Eu... Bem, ela estava sozinha em sua maioria... E bem, seus contatos não eram com os rapazes e nós achamos melhor esperar para falar com ela sobre esse assunto – concluiu Lady Vinara.

Akkarin bufou e resmungou algo baixinho que ela não conseguiu ouvir o que era. Ele ergueu a cabeça e deu um olhar zombeteiro a curandeira.

- Se vocês tivessem cumprido com o seu dever, isso poderia ter sido evitado – ele sussurrou friamente.

Sonea se assustou quando seus olhos repentinamente se encheram de lágrimas. O tom de vóz de Akkarin era frio e reservado, assim como o do antigo Lorde Supremo que ela não gostava muito. Será que ele iria mandar ela embora? Pelo seu tom de voz ele não queria um filho... Como ela iria fazer para cuidar de uma criança sozinha? Ela foi tirada de suas divagações por dedos frios esfregando seu rosto. Seus olhos se encontraram com os escuros de Akkarin e ela não conseguiu segurar os enormes soluços que atravessaram seu pequeno corpo. Ele a levantou da cama e a apertou contra seu peito, uma das mãos em suas costas e a outra acariciando seu cabelo. Ela ouvia que ele dizia alguma coisa em seu ouvido, mas ela não conseguia entender o que estava sendo dito.

Depois de um tempo ela conseguiu controlar as suas lágrimas e seu cérebro conseguia entender o que ele estava lhe dizendo a muito tempo.

- ... Nunca ficaria bravo com você, minha Sonea. Nós vamos enfrentar isso juntos e qualquer um que tenta prejudicar vocês dois irá se arrepender! Eu amo você, Mi Vita, e amo o nosso filho... Um pequeno bebê feito pelo nosso amor será bem-vindos em nossas vidas, certo?

Sonea enxugou os olhos e ergueu a cabeça para olhar para ele. Seus olhos escuros estavam transmitindo calma e segurança. Tudo iria ficar bem.

- Eu pensei que você não quisesse um filho... – ela abaixou a cabeça.

Ele colocou um dedo por debaixo de seu queixo e a fez erguer a cabeça. Ele se aproximou dela e encostou seus lábios nos seus, lhe dando um pequeno beijo de descupas.

- Me descupe se eu dei essa impressão a você. Eu estava surpreso e com raiva por eles não terem te explicado como se cuidar; eu jamais iria ficar com raiva de você por ter engravidado do meu filho. Eu poderia não estar pensando em ter um filho neste momento, mas eu sabia que quando eu tivesse um seria com você – ele sorriu para ela – Só você poderia ser a mãe dos meus filhos.

Sonea suspirou de alívio e sorriu de volta para ele. Ela estendeu a mão para pegar uma das suas e as levou até seu estômago. Ela viu os olhos de Akkarin se fechando e logo depois uma presença conhecida estava dentro de sua mente, pesquisando para o pequeno feiche de magia que estava localizado em seu útero. Ela sentiu o espanto e logo depois uma felicidade que se espalhou por todo o seu corpo. Ele estava feliz.

Akkarin abriu os olhos e segurou seu rosto com as duas mãos. Ele se aproximou e mais uma vez os dois se perderam em um beijo que dizia tudo para os dois; um novo começo, uma nova chance e felicidade em suas vidas.

Um pigarro alto os trouxeram de volta ao tempo presente e eles olharam se descupando para Lady Vinara que estava em pé perto da porta, seu rosto severo lhes dando um pequeno sorriso de entendimento.

- Eu vou preparar os remédios necessários para vocês levarem e chamar alguém para lhes conduzir para seus aposentos. Os dois estão de alta.

E com isso ela girou a maçaneta e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

Sonea sorriu para Akkarin e lhe deu um beijo na bochecha.

- Graças ao Olho estamos indo em bora daqui! Eu iria ficar louca se tivesse que passar mais uma noite nesse quarto...

Akkarin riu em voz alta.

Uma batida na porta fez os dois trocarem um olhar de caltela. Akkarin enviou um pouco de poder e a porta se abriu para revelar Lorde Balkan com suas vestes vermelhas parado no corredor. Ele entrou e os cumprimentou com um gesto de cabeça.

- Lady Vinara disse que vocês já estão bem o suficiente para saírem daqui – ele disse divertido.

Akkarin bufou.

- Estivemos prontos a alguns dias atrás.

Balkan revirou os olhos para a porta.

- Vai entender os curandeiros e suas obseções com os pacientes... Bem, vamos lá. Os magos superiores viram vocês interagindo – ele lançou um olhar para Sonea – e decidimos lhes colocar juntos; acho que os dois iriam fazer muito barulho se fosse alcontrário.

Akkarin acenou com a cabeça para ele.

- Acabamos de saber que Sonea está grávida, Lorde Balkan. Eu fico muito grato por nos colocar juntos. Eu jamais iria me separar de Sonea e meu filho.

Os olhos de Balkan se arregalaram com surpresa. Ele lançou um olhar escuro na direção de Akkarin.

- Eu nunca toquei em Sonea enquanto ela estava sob minha proteção aqui no Clã, Lorde Balkan – disse Akkarin gravemente. – Juro sobre minha vida e minha magia que nosso envolvimento começou a exatamente duas semanas atrás.

Balkan suspirou de alívio. Ele acenou com a cabeça para o Mago Negro satisfeito. Um juramento pela vida era muito forte; ainda mais incluindo a magia.

- Ótino. Vamos? Vocês irão ficar no útimo andar dos aposentos dos Magos. Lá é mais vazio do que o resto do edifícil e lhes dará uma pequena sensação de segurança...

Akkarin e Sonea trocaram um olhar divertido por trás das costas do guerreiro que se afastava pelo corredor, ainda resmungando sobre "Magos idiotas que temem quem os salvam". Não eram eles a quem os magos tinham que temer...