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Capítulo 3 – Casa dos Cullen.

O típico suor acumulado nas laterais do rosto e o coração palpitante levavam a informação ao subconsciente de Esme que tudo o que visualizava agora, não passava de um pesadelo. Mas os olhos não se abriam, a garganta seca lhe causava um mal estar interminável. E ele estava ali, tão perto, tão nostálgico e ainda tão lindo... Era fácil de alcançar.

Ela só queria um abraço, só queria poder lhe dar um beijo na testa e olhar mais uma vez naquelas órbitas azuis cristalinas, acreditando que está tudo bem. Queria a paz que sua alma passava, e a risada calorosa que enchia seu coração. O peito acelerava as batidas e a cada passo inútil que dava em sua direção, mas o sorriso não lhe saía da face. Aquele sorriso que por muitas vezes lhe foi motivo para esboçar um próprio. Os dentes sempre muito brancos e alinhados, ao contrário de seus fios rebeldes descoordenados. A lagrima escorreu do canto de seu olho e a realidade despertou sua mente para o agora.

Eram quatro e trinta e quatro da manhã. E mais uma noite de sonhos e pesadelos misturava a cabeça da mãe inconsolada. O pulo que deu da cama, correndo para o banheiro, foi exatamente como das inúmeras vezes anteriores. O lençol remexido bruscamente, fez Carlisle acordar em um susto e olhar automaticamente para o lado, encontrando o vazio. A luz fraca saía da brecha da porta do banheiro de sua suíte e o barulho de torneira abafava um choro baixinho de Esme.

Ela passava as mãos molhadas pelo rosto, nuca e por ultimo, nos olhos lacrimejados. Apoiou as mãos no batente da pia, recuperando a respiração a pouco perdida. Carlisle abriu a porta do banheiro, observando mais uma vez, sua esposa desmoronar. Sempre quando pensavam em uma possível superação, outro dia conturbado, outra noite de pesadelos, os atormentava. Ela considerava ainda a história de terapia, que uma vez escutou uma amiga antiga falar. Mas o marido achava que não melhoraria em nada, uma vez que o filho era insubstituível.

Ele passou a mão em seu cabelo, afagando a dor que também sentia. Era um momento de pura cumplicidade entre o casal. O carinho que ela recebia, era o mesmo que acalmava de quem o fazia.

- Já está melhor? – ele perguntou com a voz rouca de sono.

Esme assentiu suspirando fundo. Não era a primeira vez que a encontrava assim. Palavras de consolo não bastariam para suprir a dor que tinha no peito. Puxou o corpo da esposa para si, passando a ponta do nariz pela bochecha úmida até chegar ao ouvido, sussurrando palavras doces de compreensão. Ao voltarem para a cama, depois de longos minutos se olhando, ela resolveu aliviar o que sentia.

- Anthony estava tão lindo... – murmurou contra o peito resistente de Carlisle.

- Ele sempre foi um rapaz bonito.- concordou.

- Eu vou fazer a terapia, Carlisle. – apesar da voz trêmula do choro, conseguiu ser firme com sua decisão. – Eu preciso.

- Tudo bem, meu amor. – e inclinou o rosto para baixo encontrando os olhos chorosos. – Eu apóio você, ok? Agora vamos dormir.

- Obrigada.

Sussurrou antes de fechar as pálpebras de novo e adormecer sem sonhos.

Casa dos Swan.

Bella estava sentada no meio da cama conferindo o material para a palestra, ansiosa pelo "cargo" que pegou. Depois de ter ido tomar um ar, por conta da crise de riso, voltou a sala e a professora lhe perguntou se poderia ajudar com os preparativos da palestra, ela chegaria mais cedo que os demais, porém não se importou com esse fato, em cima da proposta.

Laurent não era muito mais velho que Bella, mas a maturidade que adquiriu por ser pai de família tão novo, pesava quando conversavam. Ele contava como seu filho lhe tinha dado uma lição de moral, sussurrando, enquanto copiavam a matéria da Sra. Muller. A criança tinha apenas quatro anos e deu bronca no pai por não saber a diferença entre dois videogames. Bella rompeu o silêncio da sala com uma risada tão contagiante, que Laurent se segurou para não acompanha-la. Ela lhe era uma boa companhia e sempre perguntava sobre a família recém-formada.

Bella abriu um sorriso para si mesma lembrando da situação passada e levantou da cama indo pelo corredor, até o quarto ao lado de meias, na ponta dos pés para não acordar os demais. Os dedos encostaram na maçaneta de metal gelado, mas ao tentar abrir, a mesma encontrava-se trancada. Xingou baixinho por ter que acordar Jane que não teria uma boa vontade para abrir a porta. Respirou fundo e bateu três vezes na madeira pintada de branca com os nós dos dedos.

- O que?! – gritou a voz sonolenta de Jane após alguns segundos.

- Sou eu. – Bella anunciou, mordendo o lábio, divertida, esperando a porta ser destrancada.

Deu um passo para trás escutando os passos pesados da irmã. Os olhos ainda semicerrados e os cabelos em completa confusão fez Bella soltar um risinho após entrar no quarto.

- Sábado. Oito da manhã. Você é louca. – resmungou Jane para depois se jogar de volta embaixo dos cobertores.

- Precisava da minha bolsa, que a senhora pegou ontem. – esclareceu.

- Ta. Tchau.

Bufou a loirinha escutando depois a irmã bater a porta do quarto de leve. Depois de se calçar e arrumar seu material na mochila pequena, Bella desceu as escadas arrumando seu rabo de cavalo no alto da cabeça. Ia sair sem tomar café ou ao menos olhar para a cozinha. Mas o barulho da xícara em cima da mesa chamou sua atenção.

- Já, vai, filha? – perguntou Charlie com o jornal entre os dedos.

- Nem sabia que o senhor estava acordado. – confessou andando em sua direção.

- É, acostumei a acordar cedo. Nem no sábado consigo ficar um pouco a mais na cama.

- Ah, sim. – compreendeu dando um beijo no topo da cabeça do pai. – Mais tarde a gente se fala.

Já ia sair, mas antes lembrou da conversa que teve com a irmã e virou o pescoço para falar com Charlie.

- Tenta ser menos obtuso com a Jane. – aconselhou. – Ela já está grandinha...

- É, eu vou conversar com ela. – se deixou vencer.

Apartamento de Jasper e Edward.

- Merda.

Murmurou Edward quando olhou para o relógio que indicavam faltar dez minutos para a palestra. Ele não achava seus óculos em lugar algum. Dormiu a noite passada com eles no rosto, lendo um artigo sobre behaviorismo, e em algum momento da noite, lembrou ter-los jogado em algum canto qualquer. Raramente usava o objeto, mas não sabia como seria o procedimento do evento, então tinha em mente que precisaria levar.

Escutava a discussão de Jasper e Alice na sala há mais de meia hora. Em um sábado de manhã, que parecia que tudo estava para acontecer. A baixinha pediu carinhosamente que a levasse no aeroporto. Jasper não hesitou, mas quando ela veio com a conversa de que não o apresentaria aos pais, o mesmo ficou furioso. A complicada situação de um relacionamento aberto pesava nessas horas, divertindo Edward e estressando o "casal".

Depois de tanto procurar, encontrou os óculos no lugar mais óbvio. Respirou fundo e tentou não pensar que aquilo seria uma má sorte para o dia inteiro. – Foi apenas um descuido. – Tentou otimizar. Passou pela sala como um furacão sem se importar de se despedir ou atrapalhar a discussão de relacionamento.

Universidade de NY – Palestra.

Chegou no campus da faculdade e o estacionamento estava praticamente vazio. – Claro, quem seria o louco a vir para a faculdade em um sábado ensolarado de manhã? – Apressou o passo pelos corredores escutando as vozes em uma única sala iluminada. Não tinham muitas pessoas, e as poucas que tinham estavam em sua maioria enfileiradas, recebendo ordens da professora.

Primeiramente, entrou com cautela, pelo canto colocando a mochila em cima da cadeira. No quadro branco escrito em letras garrafais "Cidade das Flores". Observou melhor, tentando entender a sistematização que a professora tinha programado. Mas antes de qualquer coisa, notou a morena do outro dia colocando colares de pano verde em alguns dos voluntários.

Para ele, seria mais um dia daqueles com direito a palestras chatas, onde anotaria tudo e sairia nervoso por ter que fazer algum resumo ou resenha sobre o assunto. Mas quando Bella veio em sua direção com uma prancheta e um colar na mão, um milhão de perguntas passaram por sua cabeça. Ela que ele nunca havia notado por muito, e que teve que pedir licença pelo ataque de riso, tinha uma expressão séria demais, que em sua simplória opinião não combinava com seu rosto.

Se sentiu intimidado quando ela esticou a prancheta sem mais explicações, sem nem ao menos olhar para ele.

- Ei. – ele chamou, quando ela girou os calcanhares para sair.

Bella olhou de volta com a mesma face sem expressões e esperou que ele continuasse.

- O que eu faço com isso?

- O que você acha que deve fazer? – perguntou ríspida.

Edward deu um sorriso sem graça, ajeitou a haste do óculos e encarou a folha pregada a prancheta. Alguns dados eram pedidos. Uma coisa simples, e ele se sentiu extremamente constrangido com a frieza na voz da menina. Engoliu seco e a fitou sorrindo sem graça.

- E isso? – perguntou sentindo as bochechas corarem por antecipação, por receio de receber em troca outra resposta ríspida.

Ela apenas revirou os olhos e andou em sua direção, tomando bruscamente a prancheta da mão dele e o colar de pano.

- Nem uma tarefa simples. – ela resmungou. – Se acham tão bons e não sabem preencher nem o nome.

Edward franziu o cenho, encarando a menina, que o observava e anotava algumas coisas em seu lugar. Como ela podia ser tão grossa se nem ao menos o conhecia? Trincou o maxilar e fechou os punhos, respirando pesado.

- Pronto, preenchido. – ela disse lhe devolvendo o papel. – Pode ao menos assinar seu nome? Acha que pode lidar com isso?

- Sim, obrigado. – respondeu com raiva na voz.

Nem cinco minutos naquele lugar e sua vontade de sair batendo portas e se deixar reprovar na matéria era descomunal. Apoiou a prancheta na coxa, pegando apoio com o pé na cadeira e assinando rapidamente o nome. Quando lhe devolveu, ela se aproximou colocando o colar, ainda com a máscara vazia em seu rosto. Depois deu as costas e o deixou parado no mesmo lugar.

Edward observou o burburinho um pouco mais alto no canto da sala, onde a professora estava com um dos voluntários. Era alto, tinha cabelos bem claros, quase brancos e olhos claros. Ele começou a prestar atenção, vendo que não era só a morena que estava tratando mal as pessoas dali.

- Assine seu nome legivelmente. – Sra. Muller mandou.

- Eu já fiz isso! – protestou o aluno.

- Eu disse legivelmente, isso aqui é um rabisco. Ou faz o que eu mando, ou se retire.

Quanto mais tempo passava dentro da sala, mais ele queria fugir e mais ficava confuso. - Uma palestra de sociologia peculiar e de mau gosto. – Ele pensava.

- Se não seguir as regras, as minhas regras, está fora.

Depois de toda uma discussão desnecessária, ela os ordenou que sentasse. Sendo os que estavam com o cordão ao redor do pescoço, ela escolhia o lugar. Aos poucos, Edward foi notando a semelhança dos que se encontravam ali. Todos os que estavam "marcados" pelo pano verde, tinham olhos claros e os que não estavam, olhos escuros. Ela se dirigiu ao pequeno tablado em frente a classe e Bella estava sentada ao seu lado, anotando algo na prancheta.

- Eu quero que toda pessoa branca nesse auditório que gostaria de ser tratada da mesma maneira que a sociedade trata os cidadãos negros, se algum branco gostaria de receber o mesmo tratamento dado aos negros, levante-se.

O rosto confuso de cada um ali dentro, ficou ainda mais abstruso. A pergunta parecia sem nexo e ao mesmo tempo a ficha caía na cabeça de cada um lentamente.

- Vocês não entenderam? – perguntou a professora. – Se vocês brancos, querem ser tratados do modo como os negros são tratados, levantem-se.

Era como se ela esperasse que realmente alguém fosse levantar. Algumas pessoas confusas se sentiam tão ameaçadas que levantariam só pelo tom de sua voz. Quando na verdade, aquele era o alerta mais poderoso que ela estava dando ao pequeno grupo de alunos. Mas ninguém levantou.

- Isso deixa claro que vocês sabem o que está acontecendo. – continuou. – Vocês não querem isso para vocês. Quero saber então porque permitem que aconteça com os outros.

Uma lufada ralhada saiu de um dos homens sentado a três cadeiras o lado de Edward. O silêncio era tanto e tão compenetrado, que toda a atenção da sala foi virada para ele.

- Quer voltar atrás com sua decisão? – a professora perguntou.

- Não. – respondeu rindo sarcástico. – Só não concordo com isso. E não creio que ficaremos aqui para discutir as desavenças entre negros e brancos.

- Você se acha muito bom para estar aqui?

- O que? Não! – se defendeu atrapalhado.

- O problema de vocês é acharem que sabem tudo demais. – e se fez silêncio novamente. – Porque não conseguem manter a boca fechada por cinco minutos? Não conseguem não usar o fardo libertino da América do norte e reivindicar quando alguma coisa não vai de acordo com seus princípios. Não conseguem por uma maldita hora ser tratado como os negros são tratados!

A atenção estava totalmente nela novamente. Aos poucos os que se conformavam começaram a prestar atenção no discurso da anciã. Ela tinha muito mais a falar em tão pouco tempo.

- Não digo só por eles. – apontou ao jovem de pele escura, sentado a sua frente. – Mas por todos que sofrem qualquer tipo de preconceito, sejam as mulheres, os gays, as lésbicas, os deficientes mentais, físicos. Estamos em pleno século vinte e um e não somos capazes de nos tratarmos de igual para igual. O modo como separei vocês e rotulei foi desagradável. Mas apenas por alguns minutos, vocês se sentiram mal, se sentiram sem privacidade, diferenciados. Agora, pergunte a algum deles como é se sentir assim a vida inteira.

Outro minuto de silêncio. Outro minuto de consciência.

- Porque a distinção entre uma pessoa que tem mais ou menos melanina na pele? Porque o nojo quando algum deficiente passa ao seu lado, ou quando um casal homossexual está de mãos dadas no cinema? Eles estão vivendo a vida deles! E só não estão sendo normais, porque nós os tratamos diferentes! – explicou - O problema do homem inteligente é ter poder na mão. E quando um homem inteligentemente burro tem poder, ele o usa de forma incorreta, empregando a sociedade uma realidade distorcida.

Pouco a pouco e mesmo que minimamente, a comoção veio aos olhos de alguns dos voluntários presentes. Era realmente para mexer com os instintos e os princípios erráticos de alguns.

- Existe uma cidade aqui nos Estados Unidos, - falou andando em direção ao quadro. – chamada vulgarmente "cidade das cores"; lá é um dos únicos lugares que as flores nascem de todas as cores. Gente do país inteiro viaja para tirar algumas poucas fotos do lugar. Todas adoram ver cor nas flores. Só não gostam de ver em pessoas.

Muitos minutos e aplausos depois, a professora terminou seu discurso, dando a lição de moral que marcaria a vida das pessoas presentes. Mesmo que no externo, eles fingissem indiferença, no fundo todos saíram com um algo acrescentado.

A palestra já tinha ganhado prêmios na década de sessenta e muitos adultos tinham em si a conseqüência gratificante do objetivo do projeto. Bella se sentia renovada. Uma grande brincadeira de ser assistente daquela mulher tão fantástica, a fez no final sair com um sorriso estampado no rosto, querendo rasgar a face. Todos os assuntos relacionados à sociedade, ela se empenhava em saber e não se importava em ter acordado antes do sol em um sábado para absorver um pouco mais de cultura a sua mente.

Para Edward foi uma palestra produtiva. Ele se encaminhava para o estacionamento da faculdade, pelo corredor vazio com a mochila nas costas, enquanto retirava os óculos de grau e guardava no estojo acolchoado. Escutou uns passos apressados atrás de si, mas não se incomodou em virar, até ouvir seu nome ser chamado.

- Edward!

Ele parou e esperou que ela o alcançasse. Diferente da expressão que tinha no início da manhã, Bella exibia um sorriso diferente no rosto e divertido. Edward sabia que não podia ficar com raiva dela, o projeto o qual ela fez parte e ajudou a professora, tinha o objetivo dela ser rude com ele. Mas não conseguiu poupar a confusão interna quando ela veio lhe falar pela segunda vez ao dia.

- Hey! – falou esbaforida de correr. – É Edward, não é?

- Sim. – respondeu cauteloso.

- Eu sou Isabella – e inclinou a mão para um aperto amigável. – Bella Swan.

E por um tímido minuto de silêncio ela reparou nos olhos que não vestiam mais óculos e pôde ver o verde escuro das órbitas de Edward.

- Só queria me desculpar pela grosseria mais cedo. – ela explicou ainda um pouco tímida. – Sra. Muller me pediu ajuda e...

- Tudo bem. – ele sorriu surpreso. – Entendi, eu acho.

- Sério, me desculpe. – ela pediu ainda sem graça, apoiando uma mão no braço dele. – Olha, por que não fazemos o seguinte: Ainda não está tarde e aposto que você também está com fome. A gente pode almoçar ali na lanchonete mesmo.

Seu pedido de forma alguma parecia um galanteio barato de mais uma das garotas que o abordava naquela faculdade. Edward era muito bonito e vistoso, chamava atenção feminina fácil. Mas Bella tinha realmente a culpa de ter sido rude nos olhos e foi difícil recusar um convite tão leve e tranqüilo como aquele. De qualquer forma, seria uma boa maneira de passar o resto da tarde. Seguiram para a mesa em silêncio, cada um em seus respectivos pensamentos.

Antes que o silêncio fosse incômodo, o celular de Bella tocou e ela pediu desculpas, atendendo, sem se importar de levantar e falar em outro lugar. Charlie ligara para saber que horas ela estaria em casa. Ele trabalharia hoje e Jane queria uma carona para alguma festa, - a qual ele decidiu que ela poderia ir, a fim de "liberar" um pouco mais a caçula. – mas os horários não coincidiram.

Edward ficou constrangido com a situação, mas não queria parecer rude falando que não era necessário um almoço para compensar. Talvez ela só estivesse sendo gentil. Sim, porque além de bonita, ela era gentil.

- Olha, não precisa fazer isso... – ele começou sem jeito, coçando a nuca.

- Fazer isso o que?

- Me convidar para almoçar. – esclareceu. – Provavelmente você tem planos e acabou de receber uma ligação.

- Está tudo bem. – Bella garantiu. – Eu realmente me senti mal, te tratando daquela forma.

- Mas não chamou todos que tratou mal para sair.

Bella se surpreendeu mais com a hipótese da saída do que com a idéia de que ela não chamou todos. Raramente saía com alguém. Claro que não recusaria, em alguma oportunidade, um encontro com Edward. Sua beleza não era típica de um americano albino. Seu cabelo dourado e desgrenhado fazia um belo conjunto com o par de esmeraldas nos olhos. Mas de maneira alguma, antes daqueles cinco segundos, havia passado idéia de um encontro descarado com o jovem.

- Me desculpa se dei essa impressão. – disse rindo. – Eu realmente só chamei para um almoço.

- Ah, sim...

- E calhou se você ser o único o qual eu tratei daquela maneira.

- Sorte a minha não?

Ele brincou, fazendo Bella corar envergonhada pela má impressão. Mas logo o embaraço passou e soltou uma gargalhada.

- Não saio em encontros para comer. – disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, fazendo Edward a olhar confuso.

- Como não? Todo mundo sai para comer em encontros!

- Ah, claro. Mas eu não saio no primeiro encontro para comer. – e fez uma careta.

- E porque não?

- Bem, se eu quiser passar vergonha, eu sairia. – ele continuou confuso. – Qualquer lugar que você vá sair para comer, é um constrangimento diferente. Massas que lambuzam o rosto, saladas que deixam folhas nos dentes, sushis que não se partem e temos que colocar inteiros na boca...

Ela ria e fazia careta a cada explicação, e ele a acompanhou achando loucamente que tudo aquilo fazia sentido. Bella passou a mão pelo cabelo preso ajeitando e deixando os fios longos caírem em cascatas pelo ombro. Ainda rindo, Edward reparou na beleza da menina. Algumas sardinhas brincavam nas maçãs do rosto corado naturalmente dela e os olhos tinham o tom exato dos cabelos. Não era muito cheia de curvas, mas toda a delicadeza do corpo bem delineado, a fazia bela sem sombra de dúvidas.

Fizeram o pedido com um clima mais leve e risonho. Agora o silêncio não era desconfortável, já que Edward fez questão de quebrá-lo sem receios. Por um momento ele esqueceu os dias trancafiados no quarto sem ver ou ouvir vozes de pessoas desconhecidas. Conseguiu não lembrar que passou mais de três meses sem escutar o nome de alguma pessoa diferente, ou de conhecer alguém novo.

- Faz faculdade de que? – ele perguntou.

- Assistência Social e você?

- Sociologia. – ele disse fazendo uma careta.

- Não gosta do curso? – ela presumiu.

- Não é isso. Só não tenho muita certeza dele.

Há algum tempo ele não tinha muitas certezas e o curso era só mais uma dentre elas. Mas ver a expressão reprovando de Bella o fez se arrepender momentaneamente de ter falado que não gostava. Não queria se passar por um dos riquinhos que estavam em um curso sem rumo, para em seguida ir para a empresa do pai.

Escritório de Emmett.

- Realmente nem acredito que consegui!

- Você sabia sim. – Disse Emmett aplicando um beijo na bochecha da loirinha.

- Ok, eu tinha uma prévia idéia. Mas nada confirmado. – se explicou. – Nem acredito que estou preenchendo o formulário da faculdade.

Sua excitação para um novo lugar era palpável e divertia Emmett. Ele já tinha tido aquela experiência e ficava mais que feliz vendo a namorada passando pelo que ele passou. O que o remetia a algumas outras lembranças que não o agradavam tanto assim.

- Sabe que calouras de faculdade chamam muita atenção, não é?

- Chamam? Como assim?

- Os veteranos sempre ficam de olhos abertos para as "carnes frescas" que chegam. – falou e segurou o queixo para que demonstrasse. – E menininhas com ar inocente como o seu, são ótimas para cair na laia deles.

Rosalie começou a rir tão alto que jogou a cabeça para trás.

- Meu amor, você está nervoso e enciumado?

- Não, não é isso! – desmentiu rápido desviando os olhos, mas logo se rendeu a ela. – Um pouco. Preocupado e cauteloso seria melhor.

- Pois pode ficar despreocupado, senhor advogado! – falou se jogando em seu colo e o beijando ternamente. – Sou sua e só sua. Agora deixa eu ir, que minha mãe está me esperando no shopping.

- Me liga mais tarde, ok?

- Pode deixar. – prometeu sorrindo e selando os lábios rapidamente.

Estacionamento da NYU.

Depois de um almoço tranqüilo, trocando informações saudáveis e leves, os dois estudantes se dirigiram lado a lado trocando risadas pelo estacionamento. Duas pessoas que trocaram gostos e discutiram a política de ensino. Que riram como dois novos amigos e que curtiram a tarde sem preocupações.

- Meu carro está para lá. – ele apontou para trás explicando.

- Ah, tudo bem. – compreendeu sorrindo simpática. – Acho que agora só nos veremos depois das férias, não é?

- Acho que New York não é tão grande assim... – comentou piscando um olho.

- É, acho que não. – Ela concordou. Edward não sabia como fazer isso sem ficar corado.

- Obrigado pela tarde e pelo "encontro". – brincou só para vê-la corar e não se sentir envergonhado sozinho.

- Não foi um encontro! – ela protestou rindo sentindo as bochechas ruborizadas.

- Mas podia ser. – ele sugeriu.

- É... podia.

Ainda era cedo para ele. Edward não se sentia preparado ainda para ter seus encontros casuais e sair sem estar afetado. Bella não parecia o tipo de garota que se levava em um encontro casual para uma noite de prazeres carnais. Então ele se conteve em apenas sorrir e receber um sorriso de volta. Talvez essas férias seriam uma boa pedida para a sua mente. E talvez, quem sabe, Nova York não fosse tão grande assim?


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