Capitulo 2 – Quando Tudo Muda

Carlisle PDV.

- Dr. Cullen, acaba de chegar um paciente inconsciente. Ele está no quarto Um. Mandaram que fosse vê-lo imediatamente – Lucy, uma das enfermeiras disse.

Eu fui em direção ao quarto Um sem me importar com os suspiros da enfermeira. Eu estava me acostumando, isso é cem vezes melhor do que quando aparece um paciente sangrando. Eu consigo me controlar, afinal estou trabalhando na medicina há quase 80 anos. Mas ainda assim, a queimação em minha garganta é muito forte. No quarto Um, reconheci Sr. Swan em uma maca. Pouco sabia sobre ele, somente que era um politico muito importante, e que sua filha havia se casado hoje.

Ele deveria ser mais importante do que imaginei, pois já estavam dois médicos em sua volta.

- O que aconteceu?

- Carlisle, venha aqui, ele teve um início de derrame, e você já cuidou de muitos casos assim, então... – o Doutor Rudolf falou.

Ele era um dos médicos mais velhos naquele hospital, não entendo porque ele me chamou para um caso desses. De repente, entra uma enfermeira na sala correndo, e ignorando os outros médicos fala somente comigo.

- Dr. Cullen, chegou uma mulher, sangrando muito, parece que foi ataque de animal. – Ela estava assustada, estava nítido em seu rosto. - Você deve ir vê-la imediatamente na sala de emergência.

- Bom, acho que você terá que cuidar dessa Rudolf, a sala de emergência me espera. - disse e fui saindo do quarto, não sem perceber o olhar de raiva que Rudolf me lançou.

Eu já havia percebido que ele não gostava muito de mim. Provavelmente por causa das enfermeiras e secretárias que suspiravam quando eu passava, ou porque a enfermeira Lucy deixou de correr atrás dele depois que cheguei aqui, cheguei à sala de emergência e logo paralisei.

Numa maca, estava sangrando, e muito, Isabella, a filha do Sr. Swan. Ela tinha um corte desde o lado direito do peito, até a perna. E ela estava cheirando a... A Lobisomem. Fora o cheiro de seu sangue, eu consegui distinguir o cheiro de lobisomem, o meu inimigo natural. Mas, porque Isabella foi atacada por um lobisomem?

Naturalmente, eles atacam vampiros, seus inimigos, não humanos, a quem eles protegem. Tinha algo muito errado nisso. E de repente, foi como se acendesse uma lâmpada em minha cabeça. Isabella tinha se casado com Jacob Black, filho de Billy Black. Os Black, que moravam na reserva indígena e são descendentes de lobisomens. Black, o mesmo sobrenome do lobisomem que me atacou quando eu vim para Forks em 1790 e o motivo que me fez mal chegar e já partir.

Só voltei para essa cidade, porque sabia de fontes confiáveis que os lobisomens não habitavam mais ess e local. Se tinham sido extintos ou só mudaram de reserva não sabia. Mas, e se talvez, com a minha volta, os lobisomens também voltassem? Será que Jacob se transformou perto de Isabella e a machucou?

- Dr. Cullen? – Lucy me tirou de meus pensamentos, e voltei à realidade. À realidade de que tenho uma paciente para salvar, o que, sinceramente, não tenho muitas esperanças.

- Lucy, você já viu os batimentos dela?

- Si-sim doutor, e a-acho que ela está... morta – Lucy tremia dos pés à cabeça.

- Lucy, vá tomar um copo de água, que eu vejo o que posso fazer aqui.

- Claro doutor – e ela saiu da sala o mais rápido que pode.

Aproximei-me de Isabella, e consegui escutar o batimento mínimo de seu coração. Não tinha mais o que fazer, ela estava morrendo e nada que eu fizesse a salvaria.

A não ser uma coisa. A única coisa que salvaria ela agora, era ser transformada. Mas eu nunca faria isso com ela, nunca a condenaria a uma vida como a minha. Mas era uma pena, ela não merecia morrer, muito menos assim, um dia depois de seu casamento, fazer seu funeral não é uma coisa que eu gostaria que acontecesse para ninguém.

Eu estava bem do seu lado machucado e assim, tão perto, o cheiro de seu sangue parecia tão apetitoso. Para ajudar eu estava há três dias sem caçar. Quando você trabalha em um hospital, três dias sem caçar é muito tempo. Eu necessitava ir caçar urgentemente. Provavelmente irei hoje à noite, caçar alguns ursos talvez, alguns leões, mas tenho que tomar cuidado para não ser notável a falta desses animais.

Na última vez que chegou um paciente muito ferido eu exagerei na caça e fizeram algumas buscas, achando que tinha outro animal os atacando. E tinha mesmo. E mesmo assim, não é como se sangue animal acabasse com a minha vontade de sangue humano. Somente a diminuía. Sangue humano sempre me dá sede, sempre me dá vontade de sugá-lo até a última gota. Ainda mais quando está assim, do meu lado... E ela já vai morrer mesmo... Eu fui inconscientemente me aproximando de onde escoria sangue. O veneno já preenchia minha boca...

NÃÃO!

Me afastei dela tão rapidamente que bati na parede e quase a derrubei. Eu não sou assim, eu não sou um monstro igual aos outros vampiros, eu não bebo sangue humano. Minha garganta ardia de sede, mas mesmo assim, eu não cederia e não tomaria nenhuma gota do sangue de Isabella e de humano nenhum.

Me controlei, e voltei ao lado de Isabella, não o 'lado sangrento' e meu coração congelado se apertou com a cena. De repente, notei que não estava sozinho.

- Dr. Cu-cu-llen? - escutei uma voz atrás de mim e me sobressaltei. Sai de perto da menina Swan, quer dizer, Black, rapidamente, rapidamente demais, e a Sra. Swan notou. Mas a essa altura acho que não faria diferença, pelo que notei em sua expressão ela havia presenciado o momento em que o monstro tomou conta de mim e eu quase matei sua filha. Ela me olhava assustada e quando senti que iria gritar, tampei sua boca.

- Por favor, Sra. Swan, não grite.

Ela tremia e tentava tirar minha mão de sua boca, em vão. Ela então olhou em meus olhos, que estavam em um dourado âmbar, e foi como se ela visse minha alma, se é que eu tinha uma. Compreensão encheu os olhos dela, e ela se acalmou e senti que não havia mais necessidade de tampar sua boca, e soltei minha mão calmamente. As próximas palavras delas me fizeram congelar mais do que eu já estava.

- Se o senhor pode, então a salve, por tudo que é mais sagrado. Não importa o que tenha que fazer, apenas faça.

Como? Ela poderia saber o que sou? E mesmo que soubesse, como poderia uma mãe querer que sua filha se transforme em um monstro, um ser sem alma, e que vive para o sangue? Não, isso não estava acontecendo.

- Sra. Swan, sinto lhe informar que... que... Sua filha não tem salvação, não sei do que a senhora está falando, mas sinto muito, quando Isabella chegou aqui ela já havia perdido muito sangue... E não há mais nada que eu possa fazer.

Ela me olhava com um sorriso. E eu fiquei sem entender ainda mais.

- Dr. Cullen, eu sei o que o senhor é – meus olhos arregalaram e eu estava pensando para qual país eu iria depois dessa informação, mas antes que eu pudesse correr ela continuou - e não se preocupe, não pretendo contar para ninguém, e também não tenho medo de você, eu sei que você não me fará mal, assim como não fez mal a minha filha a pouco.

Eu estava completamente sem ação. Como ela sabia o que eu era? Será que os Quiluetes contaram da existência dos frios para os humanos, ou a família de Sra. Renée era de alguma família que acredita em monstros místicos? De repente, seus olhos se encheram de lágrimas e ela olhou para sua filha na maca, e depois para mim, suplicando com os olhos.

- Por favor, Carlisle, eu imploro, salve-a, não importa o que você tenha que fazer, mas eu não irei aguentar ver minha filha morrer. Não no dia de seu casamento, não quando ela tem uma vida inteira pela frente. Faça logo, ou será tarde demais. Transforme-a e eu contarei como sei tudo sobre você, Doutor Carlisle Cullen.

E agora, salvaria a vida dela, e a condenaria para sempre, ou a deixaria morrer? Olhei para Isabella, e para sua mãe que me suplicava com os olhos. Eu havia prometido a mim mesmo que nunca faria isso com uma pessoa que tivesse escolha. Prometi que nunca condenaria uma pessoa a isso. Mas Isabella não tinha escolha, ela iria morrer se eu não fizesse nada, e se eu transformasse Isabella, será que ela iria ser uma vampira como eu, que beberia sangue animal, quando o humano é tão fácil e mais convidativo? E ela me perdoaria por ter feito isso com ela? Mas ao mesmo tempo em que eu via isso, eu me via com Isabella ao meu lado, caçando, e ela seria como uma filha para mim. Eu que vivi tantos anos sozinhos, teria alguém com quem compartilhar coisas, experiências. Nunca havia pensado nisso, mas quem sabe se eu começasse com uma filha, eu não poderia criar uma família maior? Quem sabe eu não encontraria uma companheira, assim como Isabella pode encontrar um companheiro para ela? Quando eu era humano, sempre sonhei em ter uma família, e agora que tenho a oportunidade de começar uma, o que irei fazer? E Isabella, que teria meu veneno em seu corpo, continuaria comigo, ou seguiria seu próprio rumo? São questões demais, mas no fundo, eu sinceramente sei que transformá-la era o certo. Como se alguma coisa me dissesse isso. E que eu não iria me arrepender. Eu decidi, e espero mesmo nunca me arrepender.

- Eu a transformarei senhora, mas torça para que quando eu morder o seu pescoço, eu consiga parar.

- Você vai Dr. eu sei que vai.

- Não coloque tanta confiança assim em mim, depois que começamos, é difícil parar.

Fechei a porta da sala de emergências e me aproximei de Isabella, que estava com um batimento muito fraco, e aproximei minha boca de eu pescoço, dessa vez consciente. Cortei a pele de seu pescoço facilmente, e logo seu sangue atingiu minha boca. O monstro em mim acordou novamente, mas eu o coloquei de lado e me concentrei em colocar o veneno no sistema de Isabella, sem lhe tirar mais sangue. Já estava suficiente ruim, e com uma enorme força, soltei-lhe o pescoço e me afastei o máximo possível. A Sra. Swan se aproximou de Isabella e passou a mão carinhosamente pelo rosto da menina.

- E agora? – ela perguntou em um fio de voz.

- Agora é esperar a transformação ser completada, levará cerca de três dias, devemos providenciar que a enterrem amanhã de manhã e assim à noite, eu posso retirá-la do caixão e leva-la para um lugar seguro. A enfermeira Lucy já tinha dito que ela estava morta de qualquer jeito, será fácil. Você deve pedir que somente eu cuide dos preparativos até que a enterrem, para não corrermos risco nenhum. Deve também parecer abalada. O difícil será contar para seu marido. No estado que ele está uma noticia dessas pode levá-lo a ter problemas mais sérios. Ou se você preferir pode contar a ele o que aconteceu realmente.

- Não, Charlie não pode saber da verdade, Billy já lhe contou algumas historias sobre os frios, e Charlie iria preferir sua filha morta a ter uma filha vampira.

Isso quer dizer que Charlie Swan também sabe sobre os vampiros, e foi Black quem contou. Será que ele também contou sobre os lobisomens? Provavelmente não, ele não iria querer que todos tivessem medo que ele, seu filho e parentes se transformassem em enormes lobos quando ficassem muito nervosos.

- Agora Sra. Renée, que sua filha está salva, se é que podemos chamar isso de salvação, me explique: como sabe sobre mim, e tem tanta convicção de que eu não a machucaria e não mataria sua filha?

Eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo da resposta.

- Eu sei sobre você Dr. Carlisle, simplesmente porque minha avó o conheceu. – Por essa eu definitivamente não esperava, ela continuou - Ela me contou essa historia quando eu era pequena, mas nunca me esqueci, ela achou que eu não havia acreditado, mas eu sabia que era verdade. 'Sempre acreditei em criaturas místicas, e minha avó me contou que em uma de suas viagens havia conhecido o ser mais bonito do mundo, e que ele não era humano, que ele bebia sangue, mas não sangue de humanos, e sim sangue de animais, porque ele era uma criatura boa, e podia ter sido condenado a ser um monstro, mas não era. E que ela havia se apaixonado por ele imediatamente.'

Eu soube imediatamente de quem ela estava falando.

- Emily Barcliff – eu disse. Renée sorriu.

- Fico feliz que se lembre Dr. Cullen, minha vó falou tantas coisas sobre você, que eu sinceramente acreditei, sabia que não era simplesmente mais uma história, ela me contou sobre a cor dos seus olhos, seu cabelo. E quando entrei nessa sala, e vi o senhor ao lado de minha filha, achei que você havia sim, virado um monstro ao qual foi condenado, mas quando olhei em seus olhos e vi que estão de cor âmbar, soube imediatamente, que você ainda é a mesma pessoa que minha vó conheceu e se apaixonou.

Se eu fosse humano, com certeza estaria com lágrimas nos olhos. Emily foi a única pessoa, nos meus muitos anos, que mesmo sabendo o que eu era, não teve medo de mim, nem disse que eu era um monstro. Ela dizia que só via meu lado bom e que as coisas ruins eram só mentiras. Ela me pediu para transformá-la, mas eu nunca faria isso com uma alma tão boa como aquela. Ela foi um verdadeiro anjo para mim. Que chegou no momento que eu mais precisava, no momento em que eu quase deixei meu monstro prevalecer. Mas ela apareceu, e nos poucos dias que convivi com ela, eu conheci o amor, não o amor de um homem por uma mulher, mas o amor de amigos, ela foi a minha primeira amiga desde que me tornei um vampiro, e sou grato a ela pelo resto de minha existência.

- Pelo que vejo, você gostou muito de minha avó Dr. Cullen – disse Renée sorrindo.

- Com certeza Sra. Reneé, ela foi, posso dizer, minha única e melhor amiga.

- Não mais Dr. Cullen, não mais. Eu sei que você deve ter muitas duvidas do que irá acontecer quando minha filha acordar, mas pode ter certeza, que ela verá você como um pai, quando tiver que se afastar. Reneé já estava a ponto de chorar, quando Dr. Rudolf entrou, nada delicado na sala de emergências.

- Ah, olá Sra. Swan. Seu marido já está melhor, e consciente. Dr. Cullen, a enfermeira Lucy está falado que a Senhorita Isabella... – ele olhou para Renée, que estava chorando e não terminou o que ia dizendo.

- Sim Dr. Rudolf, infelizmente quando chegou Isabella já havia perdido muito sangue, e não resistiu. – disse e olhei para Renée, com um olhar de pena.

- Bom, então acho que irei tomar as providencias necessárias para... – Dr. Rudolf ia dizendo, mas Renée o interrompeu.

- Não, eu quero que o Dr. Cullen tome todas as providências necessárias. Rudolf fez uma carranca, deu um simples aceno de cabeça, e saiu da sala.

- Bom, agora acho que a senhora deve contar ao seu marido, já que ele está consciente, e com certeza sabe que Isabella também está aqui. Renée olhou para baixo e assentiu, isso seria uma coisa difícil para ela fazer, mas necessária. Ela olhou para Isabella na maca e novamente seus olhos se encheram de lagrimas.

- Só não entendo porque isso aconteceu, porque Isabella? Como ela foi atacada quando era pra estar com seu marido? E falando em Jacob, ele apareceu aqui Dr.? – ela me olhou e eu não poderia mentir.

- Sra. Renée, eu acho que foi... Jacob que a atacou. Ela me olhou chocada e eu acho que errei em contar a verdade.

- JACOB? JACOB FEZ ISSO? Mas como? Por quê? – e de repente ela parou e acho que a lâmpada se acendeu em sua cabeça também. – Ele... Ele é um... – ela engoliu em seco – Lobisomem? De verdade?

- Pelo que tudo indica sim Sra. Swan. Sinto muito, mas você deve ir falar com seu marido agora, vou começar a cuidar para que enterrem Isabella. Provavelmente, como está de madrugada, hoje de manhã mesmo possamos enterrá-la.

Reneé saiu de seu estado de choque, assentiu, e foi em direção ao quarto Um, onde seu marido estava, e eu espero que depois dessa conversa não precise continuar.

Olhei para Isabella, e eu podia começar a ouvir a transformação, o veneno curando seu ferimento. Ninguém poderia notar isso, então, a cobri com um lençol braço. Não sei como, mas consegui providenciar tudo sem ninguém por perto, o que foi bom, porque não poderia deixar que vissem Isabella, fiquei ao lado dela até de manhã, quando o caixão que a Sra. Swan comprou chegou. Ela havia ido bem cedo providencia-lo. Ela não conseguiu ficar no hospital também, seu marido havia piorado com a notícia, e agora estava em risco. Perguntei à Reneé se ela iria enterrar Isabella mesmo se Charlie não comparecesse, e ela disse que sim, que Charlie disse que não queria ver Isabella morta.

Fui colocar Isabella no caixão. Era um caixão fechado, o que era bom, coloquei-a fechei e aguardei o carro da funerária o levar. Algumas horas mais tarde foi o enterro, e não compareci, porque um humano normal precisa dormir, e eu preciso fingir que durmo. Quando anoiteceu, fui ao cemitério, achei onde Isabella estava enterrada e com uma pá, comecei a cavar, logo cheguei no caixão, e só quebrei a tranca e lá estava Isabella, praticamente curada, somente com algumas cicatrizes e ficando cada vez mais pálida. A tirei do caixão, arrumei novamente seu caixão e a terra em cima, e a levei para casa, que era bastante afastada da cidade, o que favorecia o fato que daqui a dois dias existiria um vampiro recém-criado aqui.

Coloquei-a na cama, que tinha por conveniência, não havia necessidade e me sentei ao seu lado, esperando uma nova vampira ser transformada.


Obrigado KiviaL , AysNise , lolo , A.C , Nami , LeiliPattz , Leandro e Cah pelos reviews, e espero que continuem gostando :D
Nami vou tentar não demorar muito pra postar tá flor? *-*

Enfim, mais um cap postado, fale o que achou please *-*
Beijos x3