Capitulo 3 – Um encontro extremamente atípico.

Snape vestiu um blazer preto por cima de um suéter branco. E usava calças jeans rasgadas. Não estava formal demais, estava no ponto.

- Como estou Narcissa? – Perguntou para a garota loira ao chegar ao salão. Havia contado toda a história a ela quando chegou ontem da biblioteca. Afinal, ninguém melhor para conselha-lo com uma garota do que outra. Apesar de que não eram bem... Parecidas.

- Está ótimo Severus. Eu fisgava fácil – Disse lançando um olhar malicioso ao garoto. Ele suspirou e passou pelo quadro. Narcissa soltou uma pequena risada quando ele saiu.

- Quero ver quando tempo esse aí vai agüentar com essa sujeitinha de sangue ruim.

Caminhou a saída, todos já tinham ido, pois haviam combinado um pouco depois do horário. E lá estava ela, com uma saia de cintura alta preta e uma blusa branca, usava meias 7/8 listradas. Ela tentou sorrir quando o viu. Mas aquilo era estranho demais.

- Olá Evans – Disse, cumprimentando-a com a mão.

- Por favor, pode me chamar de Lily agora. – Ela esboçou um meio sorriso. – Posso te chamar de Severus?

- Certamente – Um ponto para ele. A ruiva nunca deixava que o Potter a chamasse assim.

- Se não se importa, como o intuito é nós conhecermos. E um dos meus lugares preferidos é Hogsmeade vou te levar as minhas lojas preferidas, certo?

- Por mim tudo bem. – Disse tentando parecer o mais animado possível, mas foi um pouco falho. Caminharam em silêncio, não sabiam o que conversar.

- Então Severus, sua família toda foi de sonserina? – Perguntou. Ela não agüentava o silêncio. E ele não agüentava sua presença.

- Sim. Todos.

- Eles devem ter ficado bastante orgulhosos quando foi escolhido para lá.

- Nem tanto. Eles na verdade disseram que apenas mais do que minha obrigação. Não ligam muito para laços familiares – Ela o olhou com certa pena. Quis se socar, havia se aberto demais para uma sangue ruim o que ela podia entender disso?

- Sabe, meus pais ficaram muito felizes que fui escolhida para essa escola de magia. Mas minha irmã Petúnia, meio que odiou me jogando milhares de ofensas de que eu era imprestável e que ficava feliz de me ter por longe. – Parecia um pouco triste pela sua voz. – Mas bom, deixe isso pra lá. Você não se interessa pela família de trouxas.

Snape ficou quieto, mas entendia muito bem aquela rejeição que a garota havia sofrido, pois passou o mesmo com sua vó. Tudo era motivo de reclamar dele, o fato que demorou de mais para manifestar que tinha poderes mágicos. Chamava-o de aborto sempre por mais que o garoto fosse um bruxo agora.

Chegaram ao povoado em silêncio e ela o levou até uma loja chamada "Meus contos preferidos" que eram sobre livros bruxos.

- Sabe, eu gosto muito daqui. Sempre fico imaginando como seria se minha família tivesse lido alguns desses contos para mim quando eu era pequena.

Claro que não, você era apenas uma sangue ruim. Murmurou Snape por dentro. Pegou o livro que a garota segurava, chamava o conto de o Legolas, o elfo.

- Ah eu li esse livro. Quer dizer leram pra mim quando era pequeno.

- E como foi?

- Terrível. São contos bem chatos – Disse, colocando o livro de volta à estante. Percebeu um desanimo crescente na ruiva, mas não se importou. Ela disse rapidamente que ia ir ao banheiro da livraria e já voltava. Quando ela saiu, ele comprou o livro. Na verdade, gostava muito daquele livro. Seu pai costumava lê-lo para que o garoto dormisse.

Quando ele viu a presença dos cabelos ruivos. Guardou rapidamente o livro no blazer.

- Vamos? – Disse. Ele assentiu e novamente saíram agora e passeavam pelas vitrines quando ela viu um pet shop bruxo. E parou, contemplando o vidro. Nele havia um gatinho preto com manchinhas brancas em formato de círculos. Usava um grande laço vermelho e quando viu a garota colocou suas patinhas no vidro para chamá-la pra brincar.

- Own, você é realmente uma doçura – Disse meigamente pro gatinho. – Eu te chamaria de Grindewald e te daria um lar.

- Você é fã dele? – Perguntou Snape, achando aquilo estranho. Era seu bruxo favorito da época e todas as outras.

- Claro, é o meu bruxo favorito do século – Ela sorriu deixando de olhar para o gatinho e fitando Snape.

- Mas você sabe que ele não é muito a favor de quem não é sangue puro.

Ela suspirou, já esperava por algum comentário daquele.

- Porém, não era contra – disse desanimada. Voltando a olhar para vitrine, mas seus olhos já não brilhavam do mesmo jeito. Sentiu uma enorme vontade de colocar sua mão no ombro dela e consolá-la. Mas desistiu rapidamente. O que estava acontecendo com ele? Não devia ter o mínimo de dó com ela. Pigarreou.

- Bom, deixa eu te mostrar um pub que gosto muito – Disse tentando sorrir. Atraindo a atenção da garota, ela assentiu com a cabeça.

Eles caminharam até um pouco depois dos três vassouras. Chegando na porta de um bar que tinha o letreiro apagado e meio caído. Ninguém havia se importado de concertar. E lá dentro parecia escuro.

- Vamos? – Perguntou. Ela relutou no começo, mas disse sim e eles entraram no local.

Lá dentro não tinha uma aparência muito melhor. Tinha um cheiro de coisa velha, como a casa de sua vó. Com velas que iluminavam o local flutuando-o. A clientela parecia meio estranha, ninguém conseguia ver os rostos estavam escondidos por baixos de chapéus e jaquetas de gola alta. Ninguém pareceu lugar para a chegada dos dois no aposento.

- Sente naquela mesa ali no fundo – Disse Snape apontando – Eu já vou, vou pegar as bebidas. Alguma preferência?

- A que você escolher está bom.

Pediu as bebidas para um barman que um bigode estranho e usava um chapéu com pena. Parecia que tinha saído de um daqueles filmes trouxas. Snape pediu duas firewhisky. Um dos pontos que gostava lá podia pedir bebida para maiores.

- A garota que você está junto é muito bonita – Disse o velho com um sorriso malicioso. – Por acaso está traçando-a?

- Não – Murmurou com certo repúdio do velho, pegou suas bebidas saindo dali. Sentou em frente a Evans que sorriu pra ele.

- O que é isso? – Perguntou olhando o conteúdo estranho do copo. Parecia flamejante.

- É um firewhisky. Espero que não se importe.

- Não, tudo bem. – Murmurou, bebendo um gole e fazendo careta. Fraca. Pensou ele, rindo por dentro enquanto bebia quase metade em um gole só.

- Posso perguntar uma coisa, sem querer te ofender Severus?

- Hm? – estava distraído. Aquele lugar parecia cada vez mais familiar com a casa da sua vó.

- Por que gosta de vir aqui? – Ele suspirou, não queria entrar naquele assunto. Mas, tampouco queria ficar no silêncio tendo que olha-lá.

- Aqui ninguém se importa com o que você é. E aqui ninguém te enche.

- Você quer dizer como o Potter faz? – Potter... Só aquela menção de nome o deixava enraivecido. Engoliu o resto da bebida.

- Sim, exatamente.

- Oh, Severus eu realmente sinto muito por isso. Queria que ele fosse mais maduro nesse ponto.

- Diga isso pro seu namoradinho – Resmungou entre dentes. A garota nada respondeu, levantou o olhar pra ela e viu que ela parecia extremamente nervosa.

- Olha, eu esperava ao menos um pingo de respeito de você. Pensei que fosse bem melhor que o Potter. Mas é tão irônico quanto. – Disse, levantando bruscamente e saindo do local. Ele a seguiu. Droga, droga tinha esquecido que tinha que continuar o plano e sendo daquele jeito nunca conseguiria nada.

Alcançou ela indo em direção à casa dos gritos. Tremia de frio, e viu que seu rosto estava triste. Parou em frente dela. Ela pareceu não ligar para sua presença. Então, tirou seu blazer e colocou nela que o segurou o traje com força contra o corpo.

Suspirou, apesar de tudo. Odiava ver garotas naquele estado. Diversas vezes havia visto sua mãe triste por causa das ofensas que vovó a fazia. Por um impulso, assim como fazia com sua mãe. Com sua mão, puxou o queixo da garota pra cima para que o olhasse.

Os olhos dela de um verde tão claro estavam avermelhados agora. E ele sentiu vulnerável aquilo.

- Me desculpe, eu quero que saiba que sou muito diferente do Potter. – Ela assentiu pegando a mão dele que ainda estava em seu queixo e segurando-a. Por um momento, sentia o estupor o dominando por completo.

Ouviu um estampido e Snape foi arremessado pra trás, caindo nas moitas espinhosas. Sentiu uma dor tremenda com aquilo.

- O que você está fazendo? – Gritou à ruiva.

- Ele, ele ia te machucar Lily. – Sabia de quem era aquela voz, era o Potter.

- Não me chame de Lily – ralhou com ele. – eu não preciso que você me proteja de ninguém.

Snape levantou com dificuldade se pondo ao lado da garota. James parecia confuso, sem saber o que fazer.

- É tudo culpa desse Ranhoso, deve estar pondo idéias mirabolantes sobre mim em sua cabeça! – Gritou, apontando para o sonserino. Ele apenas sorriu. Senti-a uma imensa vontade de socar a cara do Potter. Mas ele estava fazendo papel de bobo o suficiente já.

- Some daqui Potter!

- Mas... – gaguejou.

- AGORA! – Ela gritou. Ele apenas assentiu. – Não pense que você está livre Ranhoso, eu vou saber no que você está fazendo com a minha ruivinha.

Ela continuou ralhando com ele, até o garoto sumir de vista. Suspirou e virou-se para Snape.

- Desculpe-me. – Disse.

- Tudo bem. – Disse, a raiva o dominava. Novamente Potter o estava provocando-o se ficasse ali sabia que ia descontar tudo na garota, destruindo totalmente seu plano que ia tão bem. Então simplesmente disse que tinha que ir e foi embora.

- Espera! – Gritou – SEU BLAZER!

Mas Snape não se virou pra buscá-lo apenas continuou correndo. Ela apalpou o bolso e viu que tinha uma embalagem nele de papel de presente.

- Mas o que é isso? – Murmurou pra si mesma. A curiosidade dominando-a . Rasgou o papel, vendo que era o conto de Legolas, o elfo. Sorriu. Talvez aquele sonserino fosse realmente diferente.