Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.

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Era uma bela manhã de sol, como outra qualquer, mas a Dra. Elizabeth Owens não tinha tempo para apreciá-la com passeios no parque ou caminhadas na orla de uma praia, pois ser a diretora chefe do Departamento de Psicomagia de St. Mungus requeria alguns sacrifícios. Mas ela não se importava com isso. Não se importava em passar a manhã toda em seu escritório analisando a ficha de um único paciente, porque este paciente era Harry Potter, seu mais novo e peculiar desafio.

Naquele exato momento, então, na solidão de seu sóbrio e imaculado escritório adornado de tons pastéis, ela analisava os apontamentos clínicos que a psicomaga que o assistira em Hogwarts havia registrado na ocasião.

E os dados não poderiam ser mais curiosos:

Paciente: Harry James Potter.
Dra: Olivia Spencer.
Primeiro dia:

"O paciente apresenta claros sinais de desespero e transtorno de ansiedade. Insiste em querer voltar para o cativeiro. Às 20h07min precisou ser sedado, momento em que foram administradas também poções Oclumentes, por recomendação do Diretor Alvo Dumbledore".

Intrigada, a Dra. Owens continuou a leitura:

"O paciente acordou, mas continua com os reflexos lentos devido às poções sedativas. Ele chama desesperadamente pelo nome do captor, Tom, implorando que o venha buscar. Seus olhos estão fora de foco, o desespero é palpável em sua voz, e em menos de quinze minutos é preciso aumentar os sedativos outra vez, pois ele estava a ponto de ter uma parada cardíaca".

Sem conseguir conter o desconcerto em seus olhos, Elizabeth continua a leitura e percebe que o desespero será um traço incisivo em Harry durante suas primeiras semanas de volta a Hogwarts, até chegar ao comportamento agressivo:

Paciente: Harry James Potter.
Dra: Olivia Spencer.
Décimo sétimo dia:

"O paciente continua a expressar uma conduta desesperada, mas agora de forma violenta. Há algumas horas, Hermione Granger e Ronald Weasley apareceram no quarto do paciente – um quarto particular ao lado da enfermaria – e foram recebidos com insultos e objetos atirados em cima deles, a magia do paciente estava descontrolada e precisou ser rapidamente contida".

Então a magia de Harry havia se descontrolado mais de uma vez? Pensou a Dra. Owens, lembrando-se do episódio da visita de Draco Malfoy ao hospital.

"O paciente, ao receber a visita do Diretor e do Professor de Poções, recebeu-os aos gritos, exigindo que o deixassem voltar para o seu captor, e aproveitando um momento de distração do Professor de Poções, furtou-lhe a varinha e lançou uma maldição proibida no Diretor, que por sorte não o atingiu. O paciente, então, precisou ser contido outra vez com poções calmantes, mas não parou de insultá-los e de exigir voltar para 'casa' até adormecer sob o efeito das poções. Horas mais tarde, à noite, ao passar pelo quarto do paciente, pude ouvi-lo chorar desesperadamente chamando pelo nome de seu captor".

Naquele instante, a Dra. Elizabeth se encontrava indignada consigo mesma por ainda achar tal relato impressionante. Depois de contemplar a cena da violação na própria memória de Harry e a seguir, ouvi-lo sussurrar o nome de seu violador com tamanha devoção e amor, nada mais deveria surpreendê-la. O quão ela ainda se surpreenderia ao longo do tratamento do menino, porém, ela não sabia. E assim, continuou a leitura, percebendo que desgastantes semanas se passaram até Harry passar do estado da violência e do desespero para a total apatia:

Paciente: Harry James Potter.
Dra: Olivia Spencer.
Trigésimo nono dia:

"O paciente se encontra completamente apático – não fala, não anda, não come, não se levanta da cama, sequer move o olhar da parede –, não esboçou reação alguma ao estar na presença do Diretor e nem mesmo com a visita de Granger e Weasley. Não fala mais comigo de seu agressor, da saudade que sente dele e nem mesmo da vontade de voltar para 'casa'. Ele não fala nada. Não reage a coisa alguma".

Foi então que o diretor decidiu trazê-lo para mim, concluiu a Dra. Owens, lendo o relatório final da jovem Olivia Spencer, a quem viu uma única vez numa conferência em Berlin, mas que contava com sua admiração e respeito por ser uma profissional qualificada ainda tão jovem.

"O paciente permanece apático há mais de duas semanas e será levado amanhã para St. Mungus, sob o diagnóstico de Síndrome de Estocolmo. Os traços observados que concluem seu diagnóstico atual foram: 1º) A exposição a um evento traumático e extraordinariamente estressante, em que o paciente se viu prisioneiro de um homem que há tempos o deseja matar. O exame clínico, com a chegada do paciente a Hogwarts, comprovou a presença de resquícios de sêmen em seu reto e feridas cicatrizadas por todo o seu corpo que comprovam os abusos físicos e sexuais. O paciente, então, viveu numa situação em que a única chance de sobreviver era a obediência; 2º) Foi estabelecida, com isso, uma relação de severo desequilíbrio de poder na qual o raptor ditava aquilo que o paciente podia e não podia fazer, e devido ao instinto de preservação, o paciente buscou conhecer o captor; 3º) Um pequeno gesto de gentileza do raptor, que pode se limitar simplesmente ao fato de ainda não ter matado o prisioneiro, posiciona o raptor como salvador do prisioneiro e assim, o raptor lentamente começa a parecer menos ameaçador - mais um instrumento de sobrevivência e proteção do que de dano; 4º) Vê-se, portanto, que o paciente sofreu com aquilo que pode ser definido como "uma ilusão auto-imposta", a fim de sobreviver psicológica, além de fisicamente, e a fim de reduzir o inimaginável estresse de sua situação. Com isso, o paciente passou a acreditar que o seu agressor realmente se importava com ele".

Com um suspiro, a Dra. Elizabeth releu o diagnóstico: Síndrome de Estocolmo, e concluiu que de fato os apontamentos da Dra. Olivia Spencer eram precisos e explicavam com perfeição o desequilíbrio psicológico de Harry, afinal, pôde perceber que foi com base em seus próprios livros que a Dra. Spencer o diagnosticara, pois reconheceu imediatamente passagens de seus artigos e teses no relatório da jovem psicomaga. E Olivia entendera bem o conceito da Síndrome, que se aplicava perfeitamente ao menino-que-sobreviveu, mas ainda sim, a própria Elizabeth não estava satisfeita com aquilo. Olivia não tinha entrado nos pensamentos de Harry para contemplar a interação dos dois e depois visto o olhar apaixonado do menino ao mencionar o Lord das Trevas.

Poderia, então, haver uma esperança.

Mas uma esperança para quê?

Ela sinceramente não sabia.

...Mas nem por isso deixaria de tentar.

Com esses confusos pensamentos, a psicomaga desviou o olhar para o relógio e percebeu que estava na hora de visitar seu paciente. Ela não sabia se queria acreditar em Harry e assim, deparar-se com a eminente destruição do Mundo Mágico, ou se queria acreditar em suas próprias pesquisas e então, perceber que o coração do menino-que-sobreviveu era o fadado a ser destruído com o possível retorno de sua sanidade.

- Não é hora de pensar nisso, Owens... – ela suspirou, apagou a luz de seu escritório e se dirigiu para o quarto mais reservado da ala de psicomagia de St. Mungus.

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Quando ingressou nos aposentos de Harry, a psicomaga não pôde conter um triste sorriso ao vê-lo deitado na imaculada cama de lençóis brancos, com o olhar perdido, murmurando com devoção e saudade o nome do Lord das Trevas enquanto abraçava um travesseiro, como se estivesse abraçando o próprio Lord. O cabelo negro espalhado graciosamente, os lábios rosados murmurando o mesmo nome, como um mantra, e a tez pálida em contraste com as belas esmeraldas que eram seus olhos faziam daquela melancólica cena uma obra de arte.

Elizabeth, então, aproximou-se devagar e se sentou em sua habitual poltrona com suavidade.

- Olá, Harry, como se sente?

- O que você acha?

- Não sei, diga-me.

- Experimente ser separada do homem que você ama e que cuida de você acima de todas as coisas e então irá saber como eu me sinto.

- Tenho certeza de que logo as coisas voltarão ao rumo certo, Harry, você precisa apenas me deixar entendê-lo.

O menino suspirou e assentiu em silêncio.

- Obrigada – ela sorriu docemente – Você se lembra de nossa conversa ontem?

- Sim.

- Bem, eu gostaria que você pensasse em como seguiram os meses naquele sótão para eu poder analisar suas lembranças.

Um pequeno, porém sincero sorriso, logo apareceu nos lábios rosados:

- Foi maravilhoso...

Com um movimento suave, então, ela deslizou a névoa prateada, isto é, as lembranças de Harry, para a pequena Penseira em seu colo. Secretamente, ela se encontrou temendo descobrir o quão 'maravilhosos' aqueles meses haviam sido. Mas não pensou duas vezes antes de mergulhar delicadamente sua face na Penseira.

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As horas se transformaram em dias.

E os dias, então, em semanas.

As semanas em meses.

E os meses...

Ah, os meses não demoraram a se transformar em anos. Dois anos. Dois anos desde que o menino-que-sobreviveu se tornara prisioneiro do Lord das Trevas. Dois anos estando rodeado por exatas quatro paredes obscuras. Dois anos mergulhado em angústia, desespero e mortificação. Contudo, dentro destes dois anos, nenhum dia foi tão terrível quanto aquele em que o Lord roubara o seu último grau de inocência, quando Voldemort o violara pela primeira vez, quando Harry se viu gemendo nos braços do assassino de seus pais. Desde então, tudo mudou. O Lord havia encontrado uma forma muito mais prazerosa de torturá-lo. E Harry, então, viu-se cada vez mais dócil, silencioso e obediente, procurando evitar ao máximo sofrer com as novas conseqüências.

Em resposta ao comportamento brando e cada vez mais submisso do menino, Tom permitiu que ele passasse a ingerir alimentos de verdade, ao invés das rotineiras poções nutrientes. Assim, três vezes ao dia, uma pequena bandeja aparecia no aposento por pura e simples arte da magia, como os alimentos que apareciam em seus pratos no Salão Principal de Hogwarts.

De tal modo que, uma vez que o Lord não precisou mais lhe administrar as poções, Harry deixou de receber suas diárias visitas. O que angustiou ainda mais o pobre Gryffindor. Afinal, Tom Riddle era sua única companhia naquele lugar.

Harry, então, descobriu-se contando os segundos para vê-lo.

Todos os dias esperava por ele.

E quando Tom aparecia, Harry podia sentir seu coração acelerar e um pequeno suspiro de alívio escapar de seus lábios. Não estava mais sozinho. Não havia sido esquecido. E quando Tom o acariciava, sentia-se desconfortável, mas não com nojo ou sujo – como ocorrera na primeira vez. O Lord realmente sabia como levá-lo ao ápice do prazer e com o passar do tempo, Harry viu a culpa diminuindo e a necessidade aumentando. A necessidade de não estar sozinho naquele lugar.

Um lugar, é claro, que estava visivelmente mais confortável. O colchão velho havia sido substituído por uma grande e aconchegante cama de casal – por interesses óbvios do Lord –, enquanto uma pequena mesa redonda de mogno, acompanhada de duas confortáveis cadeiras estofadas, fora situada junto à parede oposta àquela pela qual se formava uma porta quando o Lord aparecia, e era ali onde Harry saboreava suas refeições agora. Havia ainda um criado mudo ao lado da cama e um pequeno armário na parede adjacente àquela pela qual a porta, segundo as vontades do Lord, aparecia e desaparecia. Dentro do armário continham roupas limpas, simples, mas de ótima qualidade – em sua maioria túnicas demasiado curtas e de tecidos leves que além de humilhar e envergonhar o pobre Gryffindor, incitavam a libido do Lord. O banheiro permanecia sem uma porta para separá-lo do outro ambiente, mas agora o chuveiro contava com água quente e dentro de um pequeno armário acima da pia, Harry podia contar com todos os itens de higiene que precisasse. Era uma mudança realmente significativa de cenário, uma mudança tecida durantes estes dois anos e que agora oferecia ao menino um local agradável, mas as mudanças de nada importavam em meio à sua solidão.

A perda da noção de tempo.

O completo isolamento.

O silêncio.

O vazio...

Tudo isso estava consumindo o seu corpo e a sua mente. Ele estava sendo consumido pelo vazio. E ele precisava do Lord, porque ele não queria desaparecer, não queria ser consumido, não queria mais ficar sozinho. Ele precisava... Era sua única companhia.

- Sonhando acordado? – uma profunda voz ecoou pelo sótão e ao levantar os olhos, Harry se deparou com os burlescos rubis de seu captor.

O menino estava recostado na confortável cama de casal, contorcendo-se levemente e sentindo o seu pequeno corpo começar a suar frio. Era a angustia, a perda da noção de tempo, a solidão o consumindo... Havia sabem-se lá quantos dias desde que o Lord aparecera pela última vez e ele não agüentava mais aquilo. Não agüentava o silêncio, a solidão, o vazio. Mas então, ao escutar a imponente voz e contemplar aqueles belos rubis que sempre o observavam com malícia, a dor desapareceu, assim como todo o desespero e a angustia.

- Tom... – murmurou com evidente alívio. O Lord havia ordenado que o chamasse assim, pois gostava de como o seu verdadeiro nome soava nos lábios rosados prontos a serem profanados.

- Sentiu minha falta?

Abaixando o olhar, Harry sentiu suas bochechas ganharem uma linda cor carmim.

- Responda – O Lord ordenou. E o menino imediatamente assentiu:

- Sim.

Com um sorriso no canto dos lábios, então, Tom observou o seu prisioneiro como quem contempla uma obra de arte. Porque Harry definitivamente deveria ser contemplado, mas apenas por ele, é claro. Os cabelos negros e rebeldes caíam graciosamente pelo rosto fino, enquanto o corpo esguio se encontrava parcialmente oculto pela leve túnica verde escura de seda, que mal lhe chegava à altura das torneadas coxas e assim, oferecia uma deliciosa visão ao Lord, e os olhos esmeraldas, grandes e expressivos, continham todo o desespero de quem permanece vinte e quatro horas por dia trancado no mesmo local, sozinho e isolado do mundo, mas para satisfação de Tom, agora continham também o alívio de estar na presença de outro ser vivo.

- Tenho uma surpresa para você – o mais velho anunciou, aproximando-se calmamente.

E os olhos de Harry brilharam ainda mais.

- Você quer ver?

- Oh, sim!

- Então, peça.

- Por favor, Tom, eu gostaria muito de vê-la – falou com obediência.

Com um simples balançar de sua mão direita, Tom fez uma pequena caixa azul-marinho aveludada, adornada por um belo laço prateado, aparecer no colo de Harry:

- Feliz aniversário, Harry.

- Oh... – os olhos do menino se arregalaram, numa encantadora e inocente imagem – Então, hoje é meu aniversário?

- Sim.

- Er... Q-Quantos anos e-eu...? – murmurou timidamente, não se atrevendo a encará-lo. Tom não gostava de quando ele fazia perguntas.

- Dezessete anos.

O pequeno Gryffindor assentiu devagar.

Aquilo significava que ele estava há dois anos ali. Dois anos sem que Dumbledore e a Ordem da Fênix pudessem encontrá-lo. Dois anos que comprovavam que eles nunca o encontrariam.

- Sim, Harry, eles nunca vão encontrá-lo – O Lord proferiu tranquilamente, sabendo tudo o que se passava pela mente de fácil acesso do menino – E se você não quiser abrir o seu presente, não há problema, vou levá-lo de volta então.

- Não!

Harry se agitou, percebendo que o Lord pegaria a caixa em seu colo e iria embora. E ele não queria ficar sozinho. Não, ele precisava do Lord, precisava de sua companhia.

- Não, por favor...

- Abra a caixa – Tom ordenou, desfrutando do olhar desesperado no rosto infantil.

Na mesma hora, Harry desfez com cuidado o laço prateado e abriu a pequena caixa aveludada, deparando-se com um livro, um bonito livro de capa dura vermelha, adornado por letras douradas que gravavam os seguintes dizeres na capa: "As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia".

- Acredito que você tenha estudado em História da Magia o que Morgana e Avalon significaram para o surgimento do Mundo Mágico inglês – O Lord comentou, sentando-se ao lado dele na cama – Este é o primeiro volume de uma coleção de literatura mágica, o que significa que se você se comportar, talvez eu lhe dê os outros.

- Tom... – Harry murmurou embelezado, acariciando a capa vermelha com a ponta dos dedos, como se fosse desaparecer se a tocasse – É incrível... Obrigado.

- Venha aqui.

Imediatamente, Harry colocou o presente no criado mudo ao lado da cama e se aproximou do Lord, que lhe agarrou a nuca, puxando-lhe para um beijo forte e exigente, um beijo que Harry se esforçou ao máximo para corresponder à altura, sentindo suas bochechas corarem e seu pequeno corpo estremecer inconscientemente. Quando Tom o soltou, Harry sabia o que estava por vir, mas não parecia preocupado com isso. Ele queria apenas que o Lord não o deixasse sozinho. Assim, durante as horas seguintes, aquele obscuro sótão se viu mergulhado em sons de corpos se chocando e extasiados gemidos.

Até o momento em que os dois se deixaram cair na cama, exaustos e satisfeitos. E agora, com a cabeça apoiada no musculoso peito do Lord, enquanto este lhe agarrava possessivamente a cintura, Harry suspirava tranqüilo. Uma colcha negra, então, cobria parcialmente seus corpos e os mantinha aquecidos.

- Tom, posso fazer uma pergunta?

- Você acaba de fazer - abaixando a cabeça, o Lord observou os apreensivos, mas curiosos olhos do menino.

- Hum... Desculpe.

- Diga logo, Harry.

- Q-Quando é o seu aniversário?

O Lord ficou em silêncio e Harry sentiu seu sangue gelar, esperando pela Maldição Cruciatus que logo viria. Mas para surpresa do Gryffindor, o que veio foi um monótono suspiro do Lord e uma resposta tranqüila:

- 31 de Dezembro.

- Oh, e você não comemora...?

- Não.

- Por quê?

- Porque não há o que ser comemorado.

Harry ficou em silêncio e se aconchegou melhor tórax desnudo, temendo fazer qualquer outra pergunta. Tom, no entanto, após alguns segundos prosseguiu com indiferença e a voz desprovida de emoções:

- Foi o dia em que minha mãe morreu.

As belas esmeraldas, então, fixaram-se em seus olhos, assustadas:

- Eu sinto muito.

- Eu sei – O Lord suspirou, sabendo que ao ter um puro coração, Harry realmente sentia.

- Como ela se chamava?

- Mérope Gaunt.

E nas horas que se seguiram, Harry e Tom permaneceram assim, conversando e se conhecendo um pouco mais. O Gryffindor descobriu os detalhes da triste infância de Tom no orfanato muggle, contados pela inexpressiva voz do Lord, e este se manteve entretido com a dor e a tristeza que brilhavam nas esmeraldas do menino, como se ele não estivesse preso há dois anos na fortaleza de um assassino psicopata que o perseguia desde o seu primeiro ano de vida.

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- É uma história linda.

Uma doce e melodiosa voz informou à psicomaga quando esta finalmente saiu da Penseira.

- As Brumas de Avalon – Harry especificou com um pequeno sorriso – Eu li várias e várias vezes, a coleção inteira, é incrível.

- Sem dúvida, é uma obra magnífica.

- Nas noites em que ele ficava comigo, eu pedia para que lesse para mim – murmurou, mergulhado em doces lembranças – eu adorava ouvir sua voz...

A Dra. Owens, porém, o encarou com lástima e carinho. Em sua análise do conteúdo observado na Penseira, ela se deparou com indícios claros da Síndrome de Estocolmo, segundo a qual, qualquer pequena demonstração de afeto do seqüestrador é aumentada a níveis extraordinários pela vítima debilitada psicologicamente, a mesma vítima que busca, então, conhecer um pouco mais seu agressor, identifica-se com ele, e faz com que o agressor pareça uma tábua de salvação em meio à solidão e a angústia do cárcere. Todavia, a psicomaga ainda não estava plenamente convencida da existência concreta da síndrome, o olhar puro e repleto de amor que brilhava em verde-esmeralda ainda a deixava em dúvida e apreensiva.

- É melhor você descansar agora, Harry.

- Tudo bem.

- Eu volto amanhã para continuarmos.

Harry apenas assentiu.

E quando a Dra. Owens fechou a porta do quarto, ainda pôde contemplar nos lábios de seu paciente um doce sorriso.

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No segundo andar do Ministério da Magia, onde se encontrava o Departamento de Execução das Leis Mágicas, incluindo o Quartel General dos Aurores, dois jovens Aurores aproveitavam o final do expediente para fazer algum exercício físico na área de treinamento e conversar sobre o único tema de interesse comum enquanto distribuíam socos e chutes em sacos de areia vermelhos perdurados no teto. Tal tema consistia em: Harry Potter.

- Hermione não para de pesquisar sobre doenças mentais, está buscando até livros muggles, querendo saber mais do que a psicomaga – o ruivo comentou, sem interromper sua seqüência de chutes.

- Seria estranho se ela não fizesse isso.

- Às vezes eu me pergunto, e se não for uma doença, e se o Harry estiver mesmo apaixo...?

- É uma doença! – o loiro interrompeu bruscamente, colocando um pouco mais de força em seu soco do que precisava – Ele não poderia se apaixonar por aquele monstro!

- Certo, não precisa gritar, Malfoy.

- Então não fale asneiras, Weasley.

Draco Malfoy e Rony Weasley não eram exatamente amigos. Nunca foram e nunca seriam. Mas o interesse distinto em uma mesma pessoa havia aproximado Rony e Hermione do herdeiro da fortuna Malfoy, que, no entanto, havia sido deserdado por seus pais quando resgatou Harry das garras de Voldemort. O casal de Gryffindors se preocupava com o seu melhor amigo, enquanto o Slytherin de olhos acinzentados estava perdidamente apaixonado por Harry e assim, Rony e Hermione mantinham com Draco uma relação de respeito e simpatia.

- Você está louco para vê-lo outra vez, não está? – Rony perguntou divertido e com um certo toque de malícia – Quem diria, a serpente oxigenada morrendo de amores pelo ícone dos leões...

- Cale a boca, pobretão.

- Ora, Malfoy, você foi deserdado, ganhamos o mesmo salário como Auror e somos vizinhos num confortável bairro de classe média no centro mágico de Londres, então comece a pensar em novos insultos.

Draco, no entanto, apenas revirou os olhos.

- Então...? – o ruivo insistiu.

- Sim, eu estou louco para vê-lo outra vez.

- Hehe. Tenha calma, ele vai voltar a si. E no final das contas, verá que uma serpente albina vale muito mais a pena do que um maníaco sociopata que deseja destruir sua vida.

- Espero que sim – suspirou, lembrando-se do ódio nos olhos de Harry quando o visitara em St. Mungus.

Um ódio nunca antes visto.

Um ódio que, um dia, Draco esperava que pudesse se transformar em amor.

- Hermione vai fazer almôndegas com champignon e batas hoje, mandou chamar você para o jantar.

- Parece melhor do que as comidas instantâneas lá de casa.

- Se ela estiver de bom humor, pode ser que tenha até pudim de baunilha.

- Vamos torcer então.

Com um pequeno sorriso de burla, Draco seguiu com o colega para o vestiário, seus pensamentos, porém, estavam centrados num lindo moreno de olhos verdes, que naquele exato momento suspirava o nome de outra pessoa no leito do hospital de St. Mungus.

Continua...

Próximo Capítulo: - Ele me deixou sozinho aqui... – Harry murmurava, abraçando suas pernas junto ao corpo – Eu não quero ficar sozinho... Ele se esqueceu de mim... Esqueceu... Tom! TOM! TOM!

O menino estava tendo uma crise de ansiedade.

(...)

Horas mais tarde, quando o Lord ingressou no sótão, ficou satisfeito com o que viu.

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N/A: Olá pessoal, como vocês estão? Saboreando muitos ovos de páscoa? Hehe... Espero que sim! Bom, mais uma vez eu peço desculpas pelo atraso na postagem, mas aconteceram eventos inesperados e tristes... Meu bisavô faleceu e eu estou louca com as coisas da faculdade. Ainda bem que veio o feriado, e eu sei que agora o meu bisavô está em algum lindo lugar metafísico junto com a minha amada bisavó. Hehe, a sugestão do nome Elizabeth para a psicomaga foi idéia dele: "Vô, diz aí um nome bonito para mulher inglesa"... "Elizabeth"... "Perfeito!" Bom, como diz a Disney em O Rei Leão: é o ciclo da vida.

Agora, em relação à história, eu não posso resistir... EU ADORO TORTURAR O HARRY! Hehehehe... Sério, psicológica e fisicamente, ele fica ainda mais lindo sendo torturado. A Dra. Elizabeth não sabe se acredita nos sintomas ou no olhar apaixonado do moreninho – afinal, convenhamos, é impossível resistir aos olhinhos esmeraldas e a boquinha rosada murmurando "Tom" o tempo inteiro, não há como negar que é lindo –, e o Draco, agora proletariado – hehe... –, mostra-se cada vez mais amadurecido e apaixonado pelo Harry, enquanto Rony e Hermione simpatizam pelo loiro que "salvou" o seu melhor amigo. Bem, mais para frente haverá mais detalhes.

Enfim, espero que vocês estejam gostando! Então, por favor, mandem suas REVIEWS para eu saber o que estão achando – olhinhos de filhote que caiu da mudança.

Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!

Um grande beijo e meus agradecimentos especiais à:

Lily-lecter... kittyblue... Srta Laila... Karool Evans Malfoy... Inu... Deh Isaacs... Freya Jones... Sasami-kun... Miss Durden... xXxMartelxXx... Nicky Evans... FranRenata... St. Lu... Laura... Kimberly Anne Evans Potter... vrriacho... e Nailly!

A próxima história a ser atualizada, O Pequeno Lord, será postada o mais rápido possível.
É o sexto ano do Harry começando e a trama chegando ao fim... Muitas descobertas que vão abalar as estruturas do Mundo Mágico.
Espero que vocês desfrutem!