Disclaimer e devidos agradecimentos estão no primeiro capítulo!

E antes de mais nada, gostaria de me desculpar pela demora... A vida acontece. Faculdade acontece. Seminários intermináveis também acontecem. Estou dando meu melhor aqui! hehe

Se divirtam!


"Atenção passageiros. São 11h54 da manhã, e em aproximadamente quinze minutos aterrizaremos no Logan Aeroporto Internacional de Boston. Por favor, retornem a seus lugares e preparem-se para a chegada."

O chamado no interfone acordou Emma, e olhando ao redor, reconheceu os passageiros que retornavam aos seus lugares ou mandando as crianças guardarem seus videogames portáteis. O bebê que estava a três fileiras a frente havia se quietado há um tempo, e a mulher no assento do meio havia terminado o rosário pela terceira vez. A mulher dizia ter medo de avião desde sempre, e buscava conforto na poltrona ao lado de Emma, que ainda precisava tirar seu uniforme.

Agora era tarde demais para isso. Estariam aterrizando em alguns minutos. Emma suspirou ao avistar a pista pela janela. Ao pensar que estaria de volta à cidade depois de anos não pode deixar de sorrir. Ela tinha algum tempo de licença, mas só percebeu a necessidade desse tempo quando foi dispensada. Não estar em guarda o tempo todo era um alívio para Emma e seus comandantes estavam contentes pelo fato de ela tirar esse tempo para ela mesma.

O leve choque do avião com o chão fez a mulher ao lado de Emma segurar em suas mãos, e Emma permitiu tal ato, e logo se assegurou que estava tudo nem com o olhar. Logo o anúncio de que haviam chegado ao destino soou pelos falantes do avião, seguido por agradecimentos do piloto.

Emma segurou firme em sua mochila, que tinha algumas peças de roupa, produtos de higiene pessoal e as cartas de Regina e os desenhos de Henry. Não queria arriscar que esses itens se perdessem caso sua bagagem fosse extraviada.

Foi um longo processo até chegar onde August havia combinado de encontrá-la. Alguns passageiros estavam sendo parados para revista, mas o uniforme de Emma facilitava o processo. Emma caminhou pelo portão de desembarque procurando algum rosto familiar quando avistou uma placa escrita SWAN nas mãos de August.

"August" Emma chamou e deixou suas coisas ao lado da cadeira de rodas e se abaixou para abraçá-lo.

"Você está de férias, soldado," ele a olhou e colocou de lado o cartaz que tinha consigo para colocar as coisas de Emma em seu colo. "Já pode relaxar um pouco, sabe?"

Ela apenas o olhou e tomou seu lugar para guiar a cadeira de rodas. "Como está tudo por aqui? Pensei que fosse colocar uma prótese."

Ele levantou a perna esquerda para mostrar o pedaço de metal que agora era sua panturrilha. "Ainda em recuperação. Leva um tempo pra acostumar. Eu queria uma de madeira, mas me disseram que ia ficar parecido com um pirata."

Emma riu enquanto deixavam o aeroporto. "Mas você está bem?"

"Nunca estive melhor, menina."


A corrida de táxi do aeroporto até onde Emma mantinha o fusca, depois té o apartamento de August foi a melhor parte da tarde. Assim que entraram, August já tratou de perguntar se Emma queria arrumar o sofá, que seria sua cama pelo próximo mês.

Emma deu uma boa olhada no apartamento simples, de um quarto e um banheiro, com mobília simples e uma enorme quantidade de garrafas de cerveja no lixo. "Você deu uma festa?"

Ele olhou para o lixo e depois par Emma. "Eu tenho meus vícios, certo?"

"August-"

"Emma," ele interrompeu. "Fui atrás de ajuda, e não apenas para minha perna."

O rosto dela permaneceu impassivo e continuaram a se analisar. Finalmente, Emma erguei uma das sobrancelhas, por fim acreditando no que August havia dito. "Okay. Há algo mais que eu possa fazer?"

Ele jogou alguns cardápios na mesa entre os dois. "Pode escolher o jantar."


Emma havia tirado o uniforme e estava com um jeans e uma regata. Recipientes vazios de comida chinesa estavam sobre a mesa da sala, onde haviam comeram. August riu e disse havia feito algo parecido quando saiu do hospital. Levou meses de exercícios e reabilitação para perder os quilos extras. Ela sorriu e mostrou que não tinha nada com o que se preocupar com sua boa forma.

Agora ela estava sentada com as pernas cruzadas na sala e na TV passada um seriado de drama que Emma não reconhecia, enquanto procurava em sua mochila as cartas que recebei de Storybrooke. Emma havia organizado as cartas por data. As cartas de Regina eram as melhores histórias para se ler antes de dormir. Quer fosse por alguma coisa que Regina falava sobre Henry ou algumas histórias sobre machucados, que permitiu a Emma descobrir sobre a cicatriz que a prefeita tem no lábio superior, Emma apenas não conseguia mais dormir sem ler essas histórias. Era maravilhoso o fato de manterem contato por três anos. A única pessoa com a qual tinha mantido contato por tanto tempo havia sido August, e isso só porque estavam na mesma divisão.

Emma nunca troou fotos com Regina, apenas os desenhos de Henry ou as tentativas de Emma demonstrar suas habilidades artísticas, e todas as noites, ela imaginava a morena com algum conjunto imponente como via as primeiras-damas usando. As vezes imaginava uma mulher com um simples suéter, as vezes Emma imaginava que Regina era uma dessas mães lunáticas que assistiam jogos de futebol dos filhos. O lado curioso de Emma queria pedir para Regina mandar uma foto, mas o máximo que conseguiu pedir foi que a prefeita se descrevesse. Regina não havia pedido uma foto também, o que levou Emma a não passar de nenhum limite.

Ler essas cartas ajudava Emma a passar por noites duras e solitárias. Pela primeira vez em vinte anos de vida, Emma podia sentir que alguém se importava com ela, e se importava de verdade, e se tivesse qualquer coisa que Emma pudesse fazer para retribuir tamanha bondade, certamente o faria. Algo lhe passou pela cabeça quando viu August passeando pelo apartamento para se acostumar com a nova perna.

"Você ainda está bem?" Emma perguntou.

Depois de um leve desequilíbrio, ele se apoiou na parede antes fazer o sinal de positivo com ambas as mãos.

"Você tem papel e envelope?" Emma perguntou enquanto se levantava para buscar os objetos.

"Pra que?" August resmungou enquanto colocava um pé na frente do outro.

"Vou escrever para Regina. Falar que estou em Boston."

Imediatamente August a olhou e sorriu. "Regina, hein? Vão planejar um encontro?"

Emma rolou os olhos. "Somos só amigas. Quero que ela saiba que estou bem. Ela se preocupa demais as vezes."

"Ah, verdade?" Seu sorriso apenas aumentou enquanto se apoiava no balcão da cozinha. "Você se lembra que eu estava lá quando Sr. e Sra. Johnson descobriram o porque da porta trancada quando Stephanie Cobalt estava no seu quarto, certo?"

"Isso vai além do que estamos falando aqui." Emma bufou e se apoiou nas costas do sofá.

"Não acho que vá." Ele insistiu. Se movendo o mínimo possível e abriu a geladeira e jogou uma garrafa de água para Emma antes de pegar uma para si. "Você deveria visitá-la. Já se falam há quanto tempo? Dois anos?"

"Três." Ela murmurou. "E eu não posso aparecer em Storybrooke sem ser convidada."

"Porque não? Só entram convidados na cidade?" August deixou sua garrafa no balcão e retornou à sua caminhada, com passos mais confiantes e levemente menos doloridos.

"É rude." Insistiu Emma, mesmo que a voz em sua mente repetisse o que dissera há cinco anos: Emma Swan, regras foram feitas para ser quebradas.

August encolheu os ombros. "Você quem perde. Tem um caderno na estante da TV."


Ao amanhecer, o hábito falou mais alto para Emma. O barulho que vinha do quarto de August enquanto fazia seus exercícios para recuperar a força não ajudavam muito. Emma abriu os olhos e estava pronta para o dia que se seguia. Emma corria todos os dias pela manhã no parque que descobriu perto do apartamento, e ao retornar era recebida com um cereal de fibras que August havia preparado para ambos. Desde que Emma havia chegado, por três dias consecutivos levou seu amigo para a fisioterapia e ao retornar ao apartamento se via sem rumo. Sua rotina era sempre abarrotada de treinamentos e missões, mas agora que estava de férias não sabia o que fazer para passar o tempo. Havia envido uma carta à Regina na manhã seguinte à sua chegada dizendo que já estava em Boston e que estava bem, mas fora as cartas, Emma não tinha qualquer contato com Regina.

Então, Emma ficou no apartamento fazendo agachamentos, flexões e todos os tipos de exercícios que lhe passavam pela cabeça. Quando não aguentava o isolamento do apartamento, saía para tomar um ar no parque que ia todas as manhãs para ler algum dos livros que Regina havia enviado até chegar a hora de buscar August. Já havia lido os livros três vezes depois que os recebera, e em pequenos momentos de pausa, apenas observava as pessoas. Pelo menos era o que August sabia. Na verdade, ela debatia consigo mesmo se deveria ir até Storybrooke. Ela não podia simplesmente aparecer. Podia?

Aparentemente podia, já que na quarta manhã após retornar de sua corrida se deparou com August na porta do apartamento e sua mochila pronta sendo jogada aos seus pés. Emma abriu a boca para tentar protestar, seus olhos arregalados pelo fato de que aparentemente August a estava despejando. Sem dizer uma palavra August entregou nas mãos de Emma o cartão postal de Storybrooke e as chaves do fusca.

"Vá." Disse simplesmente.

Emma logo pegou o cartão das mãos de August, mas apenas ficou olhando as chaves de seu carro. "Você tem consulta hoje."

"Eu fui às minhas consultas sem precisar de motorista por muito tempo. Vá." Ele colocou as chaves na mão de Emma e assumiu sua voz de comando. "E isso é uma ordem, soldado."

Um pequeno sorriso brotou em seus lábios, mas nenhum dos dois se manifestou nessa discussão silenciosa e Emma ainda suada da corrida. Emma podia jurar que August ainda ia usar de autoridade sobre si. Seu coração que antes estava calmo, estava agora tão forte que ela podia sentir em sua cabeça. Tutum-tutum-tutum.


A placa "Bem-vindo à Storybrooke" era o único sinal de que Emma havia tomado a direção correta. Já havia dirigido por horas, não que isso fosse problema, mas o fato de ser uma estrada longa e solitária lhe dava a impressão de haver uma emboscada logo a frente. Tinha que lembrar a si mesma de que estava em solo americano, que estava em casa e segura. Bufou ridiculamente quando se lembrou de quando era mais nova e com certeza o solo onde pisava não fazia diferença alguma para certas pessoas, e ela apenas não se sentia segura.

Mas para pessoas como Regina era diferente. Quem passaria quase três anos falando com alguém e não tirar algo disso? Mesmo assim, seu nervosismo estava se tornando aparente. Olhou para o cartão postal que havia deixado no banco do passageiro, para rever o endereço que já havia memorizado. Rua Mifflin 108, Storybrooke, Maine. Agora, onde essa rua fica?

Emma quase parou o fusca no meio da rua quando se deparou com a torre do relógio, que estava pardo no horário 8h15. É tudo real, pensou Emma, e não apenas histórias inventadas para entreter algum soldado com saudades de casa. Eram eventos reais com pessoas reais, que Emma estava prestes a conhecer.

A loja que estava à sua frente era a loja de antiguidades do homem desleixado que tinha ido contra Regina nas eleições para prefeito. Ela espiou a loja e o viu conversando com uma jovem morena e apoiado em sua bengala.

A julgar pelo cheiro de comida que subia pela rua, Emma julgou estar perto do restaurante do qual Regina disse que tinha as melhores panquecas que maçã, embora Regina nunca parabenizava o chefe para não inflar seu ego. Olhou ao redor, tentando imaginar em que direção eram os estábulos, mas seu estômago tinha outros planos. Essa era uma boa hora para um bom almoço.

O sino da porta soou, indicando a sua entrada no restaurante. Como se fossem um, cada um dos cidadãos que estavam almoçando pararam o que estavam fazendo para olhar à recém-chegada. Emma literalmente olhou para si mesma para verificar se não tinha nada errado com sua roupa. Geralmente conseguia se misturar na multidão.

"Olá!" Uma morena petulante com uma mecha vermelha no cabelo apareceu, e como pagica, Emma era apenas mais um rosto na multidão. "Mesa para um?"

"Sim." Emma acenou positivamente com a cabeça e seguiu a morena até o balcão.

Ela sentou em um banco e apoiou os cotovelos, usando sua visão periférica para analisar onde estava. O restaurante tinha um ar dos anos 80 com linóleo xadrez com uma jukebox em um dos cantos que estava tocando Karma Chameleon. Era evidente que todos se conheciam – adolescentes marcavam seus encontros, amigos se encontravam depois da escola, e idosos sentavam-se para ler os jornais da manhã. Era legal. Acontechante.

"Então," a morena disse, olhando para Emma. "O que posso servir…?"

"Swan." Emma estendeu a mão. "Emma Swan."

"Ruby."

Depois do cumprimento, Emma soltou de suas mãos. "Ouvi dizer que as panquecas de maçã daqui são muito boas, mas acredito que esteja fora do horário de café da manhã."

"Panquecas de maçã?" Ruby ergueu uma sobrancelha. "Você conhece a prefeita Mills, não conhece?"

"Sim." Os olhos de Emma brilharam e se endireitou em seu lugar. "Regina. Na verdade estou procurando pela rua Mifflin, você sabe como faço para chegar lá?"

"Você quer encontrar a rua Mifflin." Ruby repetiu enquanto mordia a ponta da caneta e olhava para Emma como se a loira fosse uma espécie de mártir. Ao ver a resposta positiva de Emma, e apontou em direção à porta. "Ok, siga a norte na Principal, vire a direita na Bringhton e de novo a direita na Mifflin. Não tem como não ver a casa."

"Obrigada." Emma sorriu em gratidão e pegou o menu."

"Minha avó me obriga a dizer que tudo é bom aqui." Ruby brinca. "Mas fazemos um cheeseburger matador."

Emma se satisfez apenas em pensar. "Não como um deses há um bom tempo."

Ruby franziu a testa. "De onde você é?"

"Boston." Emma encolheu os ombros.

Ruby sorriu e aceitou a resposta da loira. "Então um cheeseburger será."


Emma lambeu o ketchup que estava caindo do último pedaço em sua mão. Entre seus dedos tinha um pedaço que consistia basicamente em hambúrguer, queijo e bacon e quase nada de pão e Emma adorava isso. Estava tão concentrada em sua comida que não notou Ruby rindo de como Emma se dedicava à sua comida. Ruby conversava com Emma enquanto não anotava pedidos, e a loira apreciava a companhia.

Depois que o último pedaço da comida tinha sido devorado, Emma lambeu os dedos e limpou as mãos antes de empurrar o prato. Tinha devorado as fritas e o milk shake que vinha no pedido. Ela tinha tempo para entrar em forma, afinal estava apenas no começo de suas férias.

"Obrigada Ruby." Emma assentiu e entregou algumas notas à Ruby para cobrir a conta e a gorjeta. Levantou de seu lugar e foi em direção a porta. "Então é Principal, direita na Bringhton e direita-"

Emma ouviu o sino da porta soar e sentiu alguém entrar no restaurante. Ela se virou rapidamente e se assustou. Segurou-a rapidamente pelo braço. Antes de sequer pensar em uma desculpa, a mulher tentou se livrar das mãos de Emma.

"Me solte!" Emma a soltou e deu um passo para trás. "Olhe por onde anda."

Emma levantou uma sobrancelha para a morena que estava bufando e tirando fiapos imaginários de sua roupa social. "Eu não trombei em você." Emma observou.

Ela parou o que estava fazendo e olhou para Emma. "Mas isso poderia ter acontecido."

"Duvido."

A morena rolou os olhos. "A não ser que você tenha olhos atrás de sua cabeça, sugiro que faça o que qualquer pessoa civilizada faz e ande corretamente."

A morena, ofendida, deu as costas para Emma e foi ao balcão falar com uma senhora, que Emma descobriu ser a avó de Ruby. Emma queria dizer umas verdades para a moça, mas tinha pessoas mais importantes para ver. Olhou de canto para onde as duas conversavam e saiu do restaurante.

Não precisou caminhar muito para chegar à torre do relógio onde tinha estacionado o fusca, e Emma e repente se viu nervosa imaginando que algo poderia acontecer no restaurante.

Ela lidava com pessoas o tempo todo. Fazia amigos apenas quando precisava. Não era nada de se estranhar que ela não se envolvesse pessoalmente. Passou pela sua cabeça que Regina não gostasse dela na vida real. Oh Deus, Emma se sembrou. Ela odeia surpresas. E se Regina a odiasse por aparecer de surpresa? Conversaram e brincaram várias vezes com essa possibilidade, mas nunca confirmaram nada. E se Regina não estivesse na cidade? Ela é prefeita, logo deve estar fazendo coisas de prefeita. E se Regina parasse de escrever por causa de seus impulsos? Droga!

Deveria escrever para Regina. Isso. Era um bom plano. Ela escreveria, diria que gostaria de encontrar Regina e elas marcariam uma data.

A guerra em sua cabeça estava armada e ela ainda não havia sequer chego à torre do relógio. Mas nem se incomodou em atravessar a rua quando viu que seu carro estava apreendido.

"Mas que merda?" Ela disse de braços abertos e correu para ver o que tinha acontecido. Contra sua própria razão, tentou empurrar a trava, sem se surpreender quando nada aconteceu. Ela bufou e disse alguns palavrões, procurando por algum sinal de que ali era proibido de estacionar, mas não encontrou nenhum. Ela chutou o carro frustrada, pegou sua mochila e caminhou brava de volta ao restaurante.

Agora seus pensamentos não estavam em conhecer Regina, mas sim no fato de que a única coisa de valor que era dela estava parada e ela não havia colo utilizá-lo. A Mercedes disparou quando ela passou pela entrada do restaurante.

"Tinha percebido que você gostou do hambúrguer, mas não sabia que tinha gostado tanto assim." Disse Ruby enquanto limpava a mesa próximo da entrada do restaurante.

"Meu carro foi apreendido."

A garçonete riu alto e pegou algumas louças sujas consigo até o balcão e Emma a seguiu. "Engraçado;"

"Como?" Emma quase gritou. "É normal isso?"

"Só quando você irrita a morena com quem trombou."

Emma olhou para o local onde havia encontrado com a morena. "Que bicho mordeu aquela mulher?"

Ruby chacoalhou a cabeça, tentando entender. "Do que você está falando? Aquela-"

Emma se virou, indo em direção à porta de saída. "Eu sei quem pode me ajudar, Obrigada, Ruby."

Ruby continuou encarando Emma, claramente confusa com o que viu. Sua avó chegou perto enquanto secava uma caneca. "Ela não sabia que era Regina?"

A garçonete sorriu e negou com a cabeça. "Não, mas vai descobrir."


Quando Regina disse que morava em uma cidade pequena, Emma não tinha noção de quão verdade era. Acostumada a se mudar sempre, Emma descobriu que a caminhada até a rua Mifflin levava apenas vinte minutos. Seria menos de cinco minutos de carro, se o fusca não tivesse sido apreendido, que deu mais tempo para Emma sentir raiva enquanto caminhava até a casa de Regina.

O ar estava frio para Abril e, com certeza, havia chovido no dia anterior. A rua Brighton parecia ser o início do subúrbio de Storybrooke e as casas remodeladas davam lugar aos pequenos lofts. Todas as casas da rua eram diferentes. No jardim a frente dos apartamentos tinha uma grande árvore onde uma morena baixinha colocava um pássaro na casinha para se alimentar. Essa mulher acenou para Emma, que para retribuir a hospitalidade acenou de volta.

Fora o incidente com seu carro, Emma estava gostando de Storybrooke. Era uma cidade com hábitos estabelecidos, famílias antigas, cercas brancas e balanços de pneu, onde todos sabem de tudo de todo mundo, mas quando necessário, todos se uniam. Era uma cidade que Emma gostaria de morar quando criança e zombava disso quando adolescente, e agora caminhando pela cidade quando adulta, apreciava seu lavor novamente.

Quando chegou na rua Mifflin, a mansão branca se destacou imediatamente aos seus olhos. Não sabia o porque, mas algo a dizia que aquela era a casa de Regina. Afinal de contas, ela era a prefeita, A maior casa da cidade deveria ser dela. Um carro passava pela rua, e Emma quase o parou, acreditando ser Regina, mas o cabelo loiro da motorista apenas serviu para que se desse conta do quão ansiosa estava. Por fim, a ansiedade de ver Regina era maior que a raiva de ter seu carro rebocado. Regina poderia ajudá-la.

O caminho pela calçada até chegar a entrada da casa de Regina parecia o mais longo percurso que percorrera em sua vida. E ela tinha andado vinte quilômetros em um sol escaldante pouco tempo atrás. Respirou fundo e arrumou a mochila em seu ombro. Trate isso como uma missão, pensou consigo mesma. Operação Amigo por Correspondência.

Deu um passo a frente, podendo ouvir o barulho de suas botas de combate sobre o pavimento perfeito. Antes que de desse conta estava em frente a porta, encarando o número 108 que estava ao lado.

Três batidas na porta.

Até ouvir os passos que ressoavam por trás da porta fizeram dos vinte e sete segundos de espera os mais longos. Podia ouvir o clic clic dos sapatos até que a porta se abriu.

A boca de Emma se abriu quando viu a morena com a qual tinha trombado no restaurante, e suas sobrancelhas perfeitamente franzidas em confusão quando viu Emma em sua porta. A mente de Emma processou apenas uma possibilidade. Merda.

"Ah," Regina disse. "Você de novo."

Emma abria e fechava a boca, tentando formular uma frase coerente.

"Acredito que tenha aprendido a olhar por onde anda, mas o que não consigo entender é o que te fez escolher minha casa para praticar suas habilidades." Regina cruzou os braços, de alguma forma crescendo perante a loira. Quando não ouviu resposta alguma de Emma, Regina inclinou a cabeça e fitou. "Posso ajudar?"

Os milhões de pensamentos e coisas que havia imaginado que aconteceriam quando a encontrasse não a preparavam em nada para a vida real. Emma piscou algumas vezes e soltou a primeira coisa que veio à mente. "Você rebocou meu carro."

Regina se lembrou. "Aquela monstruosidade em frente a torre do relógio? Você estacionou em frente a um prédio público e isso é proibido. Pode reclamar com o xerife se quiser."

Com um aceno final, Regina se virou para retornar à casa, e Emma foi mais rápida ao segurar seu braço. "Regina," Emma a chamou.

Regina se virou e a encarou. "É Prefeita Mills para você, e seria bom se você se lembrasse."

Emma não pode evitar o pequeno sorriso que surgiu em seu rosto a medida que o olhar da morena ficava mais penetrante. Havia aprendido a ler pessoas e seus comportamentos nas mais diversas situações. Isso salvou sua vida mais de uma vez, e fora do treinamento militar. A máscara de Regina era apenas um mecanismo de defesa. A barreira que mantinha as pessoas longe, exceto por Henry, e com alguma esperança, Emma. A Regina para a qual escrevera sempre dizia que Emma tinha uma impressão diferente da maioria das pessoas, e Emma se deu conta de onde vinha essa informação. Mas Emma conhecia Regina e a prefeita Mills era apenas uma das facetas que aprendera a gostar nessa mulher extremamente complexa.

Regina estreitou o olhar. "Quem é você?"

Emma encolheu os ombros tentando conter as borboletas no estômago que resultavam de revelar sua identidade. "Emma," finalmente respondeu. "Emma Swan."

A armadura de Regina caiu imediatamente e prendeu seu fôlego. Uma das mãos foi ao seu peito e deu um passo pra trás. Seu olhar duro se foi e deu lugar à descrença. "Emma?" Sussurrou.

Emma lhe ofereceu um sorriso tímido. "Oi."

"Você está aqui?" Regina perguntou. O tom ríspido deu lugar ao tom mais suave. Emma podia apostar que Regina raramente usava esse tom. "Você está aqui em Storybrooke."

"É, eu mandei uma carta." Emma rapidamente respondeu, ainda maravilhada que este não tenha sido seu primeiro encontro com Regina. "Eu acho que cheguei mais rápido. Quer dizer, eu não disse na carta que viria, mas eu estava passando pelo estado. Eu estava com August, se lembra dele?"

"Claro. Como ele está?"

"Ainda não acabou comigo."

Um sorriso surgiu nos lábios de Regina e isso apenas aumentou o de Emma. Regina se aproximou e estendeu sua mão. "Soldado Swan, é muito bom te conhecer. Sou Regina Mills."

Emma riu e aceitou o cumprimento, se dando conta de como a mão de Regina é macia ao toque. "Emma. Tecnicamente agora sou Cabo, mas eu gosto de Emma."

Elas continuaram com as mãos apertadas, suas mãos indo de cima a baixo enquanto mergulhavam no olhar uma da outra.

Emma havia sido sugada pelos insultos de Regina e agora apreciava o fato de a mulher que estava a sua frente não ser uma vadia. Emma não negava que estar do outro lado era agridoce, e Retina a havia avisado mais de uma vez, mas Emma a observava mulher, e todos os três anos que se corresponderam vieram a sua mente. Ela lia Ulysses por diversão. Essa era a mulher que nunca perdeu um Natal ou aniversário desde que começaram a escrever uma para a outra. E tinha a cicatriz no lábio superior que Regina havia conseguido de um cavalo selvagem. Seus olhos, que antes eram duros agora brilhavam e Emma apostaria que apenas seu filho acenderia o olhar. Henry. Onde está o menino?

"Mamãe!" Uma voz aguda ressoou de dentro da casa, roubando a atenção das duas. "Ma-mãe! Eu ter-mi-nei!"

Emma não pode evitar de olhar para dentro da porta aberta. "Esse é-"

"Sim." Regina confirmou. Após uns segundos, mencionou a porta. "Gostaria de entrar?"

Emma assentiu, mas hesitou. "Tem certeza? Não quero me intrometer."

"Emma." Seu nome foi tudo o que ouviu de Regina quando teve sua mão seu pulso segurado e foi levada para dentro da mansão. Emma podia jurar que a mais doce melodia era seu nome saindo dos lábios de Regina.


Santo Deus, ele era bem menor do que Emma imaginava, e seu cabelo estava esvoaçante apesar de todos os esforços de Regina para manter arrumado. Henry se ajoelhou na cadeira que estava na bancada do centro e colocou confeitos no biscoito em forma de dinossauro, fazendo seus olhos. Emma sorriu quando viu o garoto colocar um confeito na boca, para depois removê-lo e perguntar a Regina se podia comer, já que estava escorrendo e manchando seus dedos.

"Só desta vez." Regina concedeu e fez a presença de Emma ser notada ao chamá-la para a cozinha. "Henry, gostaria que você conhecesse alguém."

Henry olhou para Emma imediatamente, colocando confeito na boca e em seguida limpou sua mão no avental tamanho infantil, depois acenou. "Oi. Eu estou fazendo biscoitos."

Emma sorriu e assentiu. "Você deve ter sido um bom garoto pra poder fazer biscoitos."

"Estou teinando pro meu aniversário." Henry explicou e voltou a confeitar os biscoitos.

"Treinando." Regina o corrigiu. Ele repetiu a palavra da forma correta. Regina beijou sua têmpora e pediu para Emma se aproximar.

"Henry, você se lembra da nossa amiga especial?"

"Emma." Henry disse como se fosse a coisa mais óbvia antes de despejar uma quantidade ridícula de confeito no pobre dinossauro de biscoito.

O coração de Emma saltou ao ouvir o menino dizer seu nome. Se ela tinha sentido algo quando Regina havia dito, sua voz parou na garganta quando seu nome saiu da boca de Henry. Emma havia acompanhado o crescimento de Henry através de desenhos e seu desenvolvimento que iam dos rabiscos aleatórios até representações de seu dia no parque. Emma havia lido sobre sua primeira palavra, seus primeiros passos, mas ouvir o menino dizendo seu nome pela primeira vez foi algo que não podia encontrar comparações.

"Certo, Emma." Ela chamou sua atenção. "Você pode dizer olá para Emma de novo, por favor?"

Henry olhou confuso para sua mãe, depois para a estranha em sua cozinha. O pequeno chapéu em sua cabeça caiu imediatamente quando pulou para os braços de Emma. "Emma!"

"Ei." Emma disse, enquanto segurava o menino e mostrou para Regina que o menino está seguro. Quando Henry a envolveu num abraço e a apertou a fez mais feliz ainda. Emma retribuiu o abraço com alegria. "Oi, Henry."

Ele se afastou e apertou as bochechas de Emma entre suas mãozinhas. "Você veio para o meu aniversário?"

Se Emma não estivesse segurando uma criança de dois anos provavelmente se bateria. Quase esqueceu que seu aniversário estava chegando. Olhou para Regina, e quando a morena não disse não, Emma assentiu. "Sim, garoto."

Ele sorriu satisfeito e se inclinou para o balcão, para terminar de enfeitar seus biscoitos. Emma quase perdeu a firmeza em seus braços pelo movimento repentino de Henry. "Vai com calma aí."

Henry mostrou todos os dentinhos em um sorriso antes de se virar para Regina. "Mamãe, Emma pode ajudar também?"

"Você já terminou aqui, querido." Regina mostrou que Henry havia decorado o último dinossauro. "Você pode praticar suas habilidades depois do jantar, que é depois da soneca."

"Mas Emma está aqui." Ele olhou para a loira com seu melhor olhar de cachorrinho abandonado que ela havia visto na vida. Regina sentiu que este olhar estava surtindo efeito e resolveu intervir. "Soneca primeiro, Henry."

O garoto desceu da cadeira e entregou seu avental para Regina pendurar junto com o seu próprio.

Ele correu da cozinha, ignorando os chamados de Regina pedindo para ir devagar, e deixou para trás a mãe e Emma na cozinha bagunçada.

Elas se olharam e Regina colocou os biscoitos de lado.

"Você tem razão." Emma quebrou o silêncio. "Ele é fofo."

Regina sorriu orgulhosa. "Não se sinta mal. Eu mesma já caí por esse olhar uma vez ou outra."

"Você? Regina Mills?" Emma fingiu estar chocada a medida em que ajudava Regina. "Se depender desse olhar, a humanidade está perdida!"

Henry chamou pela mãe novamente, e Regina deixou Emma na cozinha com a promessa de que logo retornaria.


"Mas eu não quero dormir, mamãe." Henry disse enquanto esfregava um dos olhinhos, já deitado em sua cama, em seguida bocejou. "Quero brincar com Emma."

Assim que abaixou sua mãozinha, Regina o arrumou firmemente na cana. Henry era sempre muito educado com as pessoas que conhecia, era o filho da prefeita, mas Regina se surpreendeu com a facilidade com a qual o pequeno aceitou Emma em sua vida. Ela se inclinou e beijou-lhe a testa. "Você pode brincar quando estiver acordado."

"Eu estou acordado agora." Henry disse, visivelmente cansado.

Regina sorriu e começou a cantarolar a canção de ninar que seu pai cantava para ela quando era mais nova. Logo, Henry cedeu à soneca. Se levantou e deixou a porta do quarto de Henry apenas encostada, indo encontrar Emma na cozinha.

Quando Regina acordou essa manhã, sua lista de tarefas envolvia resolver o cardápio do aniversário de Henry nesse sábado, pegar sua roupa na lavanderia e confeitar com Henry. Encontrar Emma na porta de sua casa havia sido uma surpresa, e para ser honesta consigo mesma, uma surpresa agradável. Sidney importunava Regina sobre as informações da correspondência com o exército para seu artigo de relações humanas, mas Regina não tinha interesse algum em divulgar tais coisas. Talvez antes aceitasse para sua imagem melhorar, mas agora, Emma é sua amiga. Essa palavra ainda a desconcertava, mas ela sabia que era verdade.

Sempre havia imaginado como a pessoa com quem se correspondia parecia, mas assim que a viu pessoalmente, parecendo um pouco mais velha para seus vinte anos e sinceramente, sua mente não fazia justiça para o que via a sua frente. A loira era bonita, até quando transbordava de raiva – Oh meu Deus, ela havia rebocado seu carro. Regina quase parou onde estava quando se lembrou, mas continuou e foi em direção à cozinha. Desta vez, ela realmente parou na porta da cozinha quando viu que Emma havia limpado a bancada, e arrumado os confeitos que estavam pelo balcão em seus respectivos potes.

"Desculpe," disse Emma da pia, de onde se virou com um pano de pratos na mão. "Imaginei que estaria cansada e te poupei o esforço. Além disso, é hábito."

"Não precisava fazer isso." Regina limpou a garganta e suas bochechas levemente coraram em realização às suas ações anteriores com a loira. "Eu deveria estar me desculpando. O que eu fiz mais cedo foi desnecessário. Vou mandar o xerife devolver seu carro."

Emma virou de costas para a pia e sorriu para Regina. "Vamos rir disso no futuro. Além disso, eu apareci sem avisar, então não é totalmente sua culpa."

Regina devolveu o sorriso e se endireitou em seu lugar. "Gostaria de uma taça da melhor cidra de maçã que já experimentou?" Perguntou enquanto apontava para seu escritório.

"Você ainda não pode." Regina se encolheu em seu lugar quando suas mãos se tocaram, e se lembrou da idade de Emma.

"Vou poder em alguns meses." Emma rebateu. Quando Regina manteve-se firme na recusa, Emma riu. "Eu posso morrer por esse país, mas deus me livre tomar um drink?"

Regina pensou um segundo, pesando sobre o fato de Emma falar abertamente das consequências do que faz. "Só dessa vez."

"Você fez da sua macieira?" Emma tomou um gole e apreciou o gosto.

"Sim." Regina se sentou de frente a Emma no escritório e bebeu de seu próprio copo. "A árvore está bem em frente a Prefeitura."

Houve um momento de silêncio entre elas, enquanto estudavam os traços uma da outra. Emma soltou uma risada audível e tomou outro gole de sua bebida antes de se encostar no sofá onde havia se sentado. "Você é diferendo do que havia imaginado."

Regina arqueou uma sobrancelha. "Diferente como?"

"Do tipo que se deixa ser diferente para algumas pessoas apenas."

"Bem," Regina cruzou as pernas com sua elegância usual, "essa é a vida política."

"Não quis dizer isso de uma forma ruim. É só que, é bom dar um rosto ao nome."

"Eu admito que imaginei que você fosse mais..."

"Masculina?" Emma completou. "Se você me imaginou fazendo flexões por horas e mascando tabaco, então sim, menos o tabaco."

"Somos todos cheios de surpresas, eu acho." Regina colocou seu copo de lado, gesto que Emma imitou. Se arrumou em sua cadeira, e olhou de forma atenciosa para a moça a sua frente. "Como você está?" Disse Regina com um tom de voz suave que Emma ainda não tinha ouvido.

Emma passou uma mão pelo cabelo, e sorriu. "Estou bem. De verdade, eu só – é bom estar de volta."

Regina assentiu, se contentando com a resposta. "Por quanto tempo ficará por aqui?"

"Um mês."

"Só isso?" Regina perguntou estupefata. "Você ficou um ano lá."

"É." Emma sorriu de novo. "Faz parte."

"Você vai voltar para o Iraque?" Regina questionou sem lutar contra a preocupação, que lhe era visível.

Emma encolheu os ombros. "Eu vou onde eles me dizem para ir."

"E você concorda com isso?"

Emma quase deixou escapar que não tinha escolha, mas, na verdade, tinha. No fim do dia, vestir o uniforme e representar seu país, fazer algo, valia a pena. A loira apenas assentiu. "Sim. Eu concordo."

Levou certo tempo para que Regina digerisse as palavras de Emma.

"O que aconteceu?" Emma perguntou.

"Acho que nosso primeiro encontro não foi exatamente como eu imaginei, mas de uma coisa eu estive certa o tempo todo."

"Sobre o que?"

"Eu falo sobre você para Henry. Digo que você é como uma forte guerreira que foi lutar contra os dragões, como os cavaleiros em seu livro.

"Não sou uma guerreira." Emma se encolheu em seu lugar.

"Para ele, você é. E você é forte."


Regina e Emma conversaram como se amigas por um bom tempo, se conhecendo antes de ouvir os pequenos passos de Henry subindo as escadas e entrando no escritório. Regina perguntou sobre os planos de Emma para esse mês, mas a loira não tinha resposta alguma, já que foi praticamente despejada do apartamento de August. Regina, então, ofereceu um tour pela cidade pelos próximos dias até o aniversário de Henry. Emma tentou argumentar sobre impor sua presença, mas acabou cedendo, e se viu sentada na sala de estar com Henry aos seus pés para Regina atender uma ligação do trabalho depois de almoçarem algo ridiculamente delicioso.

Emma observou Henry brincando com seus cavaleiros e um dragão por um tempo, quando se levantou e foi até onde estava sua mochila. Se ajoelhou e separou todas as cartas e desenhos que tinha consigo, e voltou para perto de Henry. "Henry, quer ver algo?"

"Sim!" O menino abandonou seus brinquedos para se sentar no colo de Emma. Ela segurou o menino em seus braços para se ajeitar no chão e cruzar as pernas, depois colocou os desenhos a sua frente.

"Você se lembra de desenhar pra mim?"

"Sim!" Henry apontou para um desenho recente onde mostrava um ele, Regina e um cachorro no parque. "Aquele é Pongo."

"Sabe, eu tenho todos os desenhos que você me mandou." Emma mostrou todos os desenhos, um a um, enquanto o menino não acreditava que havia desenhado rabiscos, esses que Emma insistia que era um tornado de arco-íris Quando chegaram no desenho da fazenda, Henry contou toda a história e Emma ouviu entusiasmada sobre os acontecimentos e sobre Henry ter pego um pouquinho para casa, mas sua mamãe era "lérgica".

"Eu era?" Regina perguntou do corredor, e julgando por sua tranquilidade na porta, deveria estar assistindo há algum tempo.

"Sim!" Henry disse, se mexendo sobre o colo de Emma em animação. "Você atcim! Atchim! Atchim!"

As duas riram antes de Regina se aproximar e se abaixar até olhar nos olhos de Henry. "Hora de dizer boa noite para Emma."

Enquanto Emma ficava de pé, Henry agarrou a perna de Emma para abraçá-la. "Noite noite, Emma. Você vem também?"

Dessa vez, o olhar de cachorrinho abandonado atingiu Emma com força total, o que resultou em um olhar direcionado pela própria Emma para Regina. A morena rolou os olhos e concordou. "Muito bem."

Emma deixou os desenhos em cima da mesa, pegou Henry em seus braços e seguiu Regina pela escada até chegar ao quarto do menino. O teto era azul-escuro e estrelas e planetas que brilhavam. Sem dúvidas era o toque de Regina encorajando o filho a gostar de ciência.

Quando Emma colocou o menino no chão mãe e filho seguiram sua rotina noturna, colocando o pijama em Henry e escovando seus dentinhos. Emma se interessou no corredor quando viu diversas fotos que iam desde a parte de fora do quarto até sua estante. Haviam fotos de Henry e Regina, que pareciam recentes, dos dois se abraçando. Emma continuou olhando pelas paredes e viu uma foto do primeiro aniversário de Henry, onde o menino segurava no pescoço de Regina como se sua vida dependesse disso. Emma se lembrou do incidente com o palhaço. As borboletas em seu estômago estavam de volta. Haviam ficados presas por tanto tempo e estar em casa as traziam de volta. Elas viajaram do estômago para o coração de Emma em um grande sorriso.

"Emma?" Regina chamou ao se sentar na cama de Henry.

Emma se virou para os dois e se desculpou antes de se sentar na cama junto. Henry entregou em suas mãos um grande livro, de capa marrom com o título "Era Uma Vez" antes de se arrumar e lançar um olhar esperançoso na direção de Emma.

"Era uma vez uma Floresta Encantada, onde viviam uma Rainha e seu Cavaleiro..."


"Desculpe por te manter acordada a essas horas." Disse Emma ao fechar a porta do quarto de Henry. "E por te atrapalhar essa manhã. E por me convidar para sua casa."

Regina acenou com as mãos dispensando as desculpas de Emma, quando de repente se lembrou. "Querida, eu me esqueci de seu carro."

"Tudo bem. Posso caminhar até onde preciso. A garçonete do restaurante disse que sua avó é dona de uma pousada, só preciso ir até lá."

"Uau, já fez amigos." Regina brincou.

"Você me conhece, sou uma soldada órfã cheia de disposição."

"Especialmente se você conseguir fazer amizade com a Prefeita antipática."

"Tem um ''demais'' aí em algum lugar."

Regina riu, e esse som ficaria gravado no mais profundo da memória de Emma para se lembrar quando estivesse desamparada em uma missão.

"Você pode ficar." Regina ofereceu. "Não quero você perdida a noite na minha cidade."

Emma não conseguia palavras para expressar sua gratidão pela generosidade de Regina, algo que havia demonstrado para com a loira repetidas vezes em tão pouco tempo. Emma aceitou e retirou sua jaqueta, para em seguida ir com a morena até seu escritório.