Nukao Quest
Capítulo 3 – Revelações
Já era noite e chovia fraco. Após a queda do helicóptero Nukao havia fugido novamente, e se escondeu em um galpão abandonado. O galpão estava quase vazio, estava muito sujo e empoeirado. Lá entro havia apenas uma mesa e duas cadeiras, todas velhas e cheias de rachaduras, que também se espalhavam pelas paredes e teto. E ainda havia várias goteiras, por infiltração da chuva.
Nukao estava analisando sua mão. Como ele pôde disparar vários jatos de fogo?
- Isso não pode estar certo, nada está certo! Nada nunca esteve certo! – Gritou chutando uma das cadeiras que se chocou contra uma das paredes e se partiu – Eu preciso recuperar minha alma... Não vou deixar aquele cara escapar...
Nukao se levantou, foi até o portão, abriu um pouco do mesmo e pôs a cabeça para fora e olhou para os dois lados. A rua estava completamente vazia, apenas algumas latas de lixo pelos cantos. Saiu, andou até chegar a uma rua mais movimentada, onde alguns carros estavam passando e nos prédios vários letreiros luminosos.
- Não posso ficar de braços cruzados esperando aquele pote com minha alma cair do céu – Mas antes que pudesse dar outro passo alguém o agarrou e lhe deu um soco nas costas, mas antes que dissesse ou gritasse algo, essa pessoa lhe tapou a boca e o nariz, sem lhe deixar respirar, que depois de alguns segundos desmaiou.
- Argh... Onde estou? – Olhou em volta e estava em uma floresta, uma floresta bem densa, tentou se levantar, sem sucesso, estava sem forças – O que aconteceu? – O local estava escuro, então Nukao não pode ver muita coisa, até que ouviu passos e fingiu ainda estar desacordado.
- Tsc, tsc... Você teria facilitado tudo se não tivesse fugido ou primeiramente destruído meu laboratório, agora meu robô foi totalmente destruído. Sim! Aquele robô que estava com sua alma... Mas quando fui abrir o robô naqueles destroços, uma luz partiu dele em direção ao céu, e o compartimento estava vazio... Pois é, você me dará semanas, talvez meses de trabalho para achá-la. Talvez eu nem ache e você terá de seguir sua vida, ou morte, com o perdão do trocadilho – Riu – Sem alma. Sim, é um destino trágico, mas fazer o quê? Eu não vou fazer nada. Mas, porque estou falando sozinho aqui? – Virou-se e seguiu pelo caminho que veio. A esta altura Nukao já havia recuperado as forças e levantou-se sem fazer barulho.
- Pare agora! – Gritou – Você vai encontrar minha alma, e vai devolvê-la para mim.
- É o quê?! Se eu encontrar sua alma vou continuar com minhas experiências... E talvez se sobrar algo dela eu devolva.
- Seu ordinário... Vire-se e olhe nos meus olhos!
- Você que pediu. – Virou-se lentamente e andou até Nukao – E agora? O que vai fazer? Spin-dash?
- Não. Vou arruiná-lo
- Você e mais quem?
- Eu e meus novos poderes...
Nukao atirou uma rajada de fogo nas árvores em volta e deu uma rasteira no homem, que caiu no chão, atirou uma rajada de fogo no peito do homem que começou a pega fogo. Charlie correu até uma poça de água que tinha ali perto e ficou rolando sobre a mesma. Nukao riu como louco, mas logo se virou e foi embora.
- Ainda não é hoje que vou te matar... – Disse ele entrando na penumbra.
- Nukao você vai pagar! Vai me pagar! Muito caro! – Gritava o doutor ainda apagando o fogo em seu peito.
Passaram-se algumas horas, Nukao estava em um beco escuro sentado sobre um latão de lixo. Estava com os olhos fechados. Sentia a chuva, que já estava mais forte há essa hora.
- Não deixa de passar pela minha cabeça que talvez eu não recupere minha alma... O pior é esse sentimento de raiva dentro de mim... Eu queria me lembrar do que aconteceu antes... É tudo muito vago...
Nukao foi interrompido pelo som de alguns passos – Você parece estar com problemas... – Disse o estranho.
- Q-Quem está aí? – Perguntou gaguejando.
- Você não me conhece, mas eu sei o que aconteceu com você... Você é Nukao. Teve sua alma extraída de seu corpo pelo Doutor Charlie.
- Saia daí! E explique-se! Como sabe disso?! – Nukao estava eufórico.
Das sombras saiu um ouriço de pelo alaranjado e com espinhos ligeiramente levantados para cima. Ele vestia um casaco preto e uma calça também preta. A luz da lua, que estava cheia naquela noite, refletia em um cinto prateado que o ouriço usava.
- Meu nome é Lonic. Eu estava escondido no laboratório do doutor e vi tudo o que aconteceu. – Disse o ouriço.
- Como assim? E se, como você disse, estava lá, porque não me ajudou?! – Indagou Nukao.
- Eu não tenho poder para lutar contra as máquinas de Charlie, muito menos contra a que retirou sua alma! Eu sinto muito, mas não podia ajudar. – Disse o outro ouriço com uma expressão triste.
- Então ta... Se não se importa, agora eu vou embora. – Falou já se levantando da lata de lixo e virando na outra rua.
- Não vá. Tenho muito que falar pra você sobre a experiência...
- Mas como você sabe de tanta coisa? E principalmente, porque eu deveria confiar em você? Quem me garante que isso tudo não é mentira? – Perguntava Nukao.
- Para falar a verdade, eu não tenho provas disso tudo. Na verdade, você é a única prova da experiência. Então te peço, confie em mim. – Fez se um silêncio momentâneo. Nukao voltou atrás e sentou-se novamente sobre a lata de lixo.
- Prossiga... – Disse ele.
- Obrigado. Bem... O Dr. Charlie já foi uma pessoa comum, mas quando se envolveu em estudos sobre a alma, ficou louco e obcecado, e após vários anos construiu uma máquina capaz de extrair a alma de qualquer coisa que possua alma! Mas aí você se pergunta, por que logo eu?
- É... Por que eu?...
- Bem... Aí eu já não sei... Mas devo dizer que temos de impedir Charlie de continuar com suas experiências, e pra isso, teremos de encontrar sua alma antes dele...
- Er... Temos? – Falou Nukao dando alguns passos para trás...
- Sim! Eu e você! – E deu alguns passos a frente de Nukao.
- Olha, eu acabo de te conhecer, você me vem com uma história bem convincente mas, será que posso confiar em você? Quem vai me garantir que o próprio Charlie não tem mandou vir falar comigo?
- Eu posso te garantir... Por favor... Confie em mim...
Nukao virou-se, olhou para o céu. A chuva já havia parado.
- Tá... Eu vou confiar em você... Mas apronte uma comigo – Ergueu sua mão e provocou uma labareda – e verá...
- Certo.
Os dois ouriços caminharam de volta a rua que deveria ser a principal da cidade, e seguiram na direção em que os carros iam. Os dois caminharam até o fim da rua, onde seria os limites da cidade, não deduziram isso olhando nem o céu nem as estrelas, mas sim uma placa com os dizeres "Você está saindo de StreetVille". Que ouriços espertos...
Continua no próximo capítulo, obrigado por ler!
