Capítulo 3

-Tudo certo – Gina disse entrando novamente na sala da amiga.

-Quem você ameaçou? – indagou franzindo a testa.

-Eu apenas consegui meu marido.

-Ah é – Hermione ergueu a sobrancelha, quase descrente. – E quem seria o príncipe encantado? Posso saber?

Gina perdeu o sorriso. – Não é e nem chega perto de um príncipe encantado... Mas tenho certeza que a Vitória irá desejar minha morte, depois da sua é claro, quando ver o meu "marido".

-Você não vai me dizer o nome?

Gina riu. – Draco Malfoy.

-Você chamou o Malfoy! Eu não posso acreditar!

-Pois é – Gina ficou séria novamente. – Era uma situação critica, eu tinha que encontrar alguém. Como um milagre o nome dele me surgiu.

-Ouvindo o nome de Draco Malfoy na cabeça, Weasley? – A morena zombou. – Cuidado, pode ser muito perigoso. A paixão surge assim, inesperadamente.

-Quero distância daquele homem, Ok?

-Estou vendo – retrucou sordidamente.

-Você diz isso, mas já pensou no Harry? Talvez você possa beijá-lo e dizer ainda que fazia parte do "pacote completo" – contrapôs em remoque. - Não seria te todo ruim, não é?

Hermione não respondeu. Apenas olhou severamente para Gina.

&&&&&

Ele buzinou pela terceira vez, já impaciente. A mulher apareceu na janela com cara de poucos amigos. Ele abriu os braços como se dissesse: "Como é que é? Ta entalada no vestido!".
Virando os olhos ela pediu, em sinais, que esperasse só mais um minuto. Pelo jeito, ele não entendeu porque no segundo que ela desapareceu da janela ele buzinou novamente.
Gina pensou em azará-lo quando finalmente desceu.

-Por que você me pediu que chegasse nove horas se só estamos saindo meia hora depois? – indagou abrindo o carro para ela. - E afinal, por que temos de ir de carro? Por que temos que usar este artefato trouxa? – indagou virando os olhos e dando a partida no carro. – Só o usamos em missões.

-Como estou? – perguntou ignorando-o.

Incrédulo, ele finalmente a observou, voltando a atenção para a pista segundos depois. – Você está bem - disse, depois de um minuto calado, ruborizando levemente, ainda olhando a pista.

-Você não tem música? – indagou minutos depois.

-Não. Não escuto músicas trouxas.

-Deveria esperar por essa – ela disse virando os olhos.

-Então o Potter está fingindo que é o marido da Granger? – foi a vez dele perguntar, depois de mais alguns minutos calados.

-Está.

Ele riu. – O que vocês tem na cabeça, Merlim!

-O que quer dizer?

-O que você entendeu. Por favor, e daí que não estejam casadas?

-Você não entende nada.

-Não. Você que é muito complicada – retrucou a olhando, sorrindo. – Você me odeia e pede um favor: Fingir que sou seu marido. É quase o cúmulo!

-Não é um favor, você está me devendo.

-É um favor, Weasley. Querendo você ou não – comentou sob olhar duro dela. – Porque eu estava lhe devendo um favor e agora estou pagando um favor – disse estacionando.

-Que seja, então – disse secamente. – Espere um momento – ela disse segurando seu braço. – Use isso – ele não retrucou como esperava, só examinou a aliança e a pôs no anelar esquerdo. – Mas uma coisa – o deteve quando este se posicionou para sair. - por favor, na frente dos outros, me chame de Gina.

-E para você, hoje, meu nome é Draco – retrucou dando de ombros. Ela assentiu.

&&&&&

Eles entraram finalmente no local, o homem segurou sua mão, entrelaçando-as e apertando levemente. Ela o olhou e sorriu.

-Obrigado por estar aqui, comigo.

-Está tensa. Relaxe, você está comigo... E se algum desses trouxas idiotas tentarem alguma coisa – ele se aproximou de seu ouvido. - Eu os mato, dolorosamente.

Hermione sorriu um pouco, apertando um pouco mais a mão dele. Estava nervosa, odiava mentir... – Então, seja o que Deus quiser...

Harry iria comentar alguma coisa, mas seu celular tocou e Hermione o soltou, deixando-o livre para atendê-lo. – Eu não demoro – murmurou se afastando.

-Tudo bem... – disse suspirando. Agora se sentia como uma isca... Prestes a ser pega por um enorme predador. E como se a cena pedisse para se tornar real, Hermione viu um casal se aproximando. – Ah Meu Deus... - ela murmurou tentando olhar para qualquer lugar, menos para eles... Talvez eles se afastassem. Mera ilusão.

-Hum, Hermione...?

-Sou eu – disse virando-se para olhá-los.

-Olá Meu bem! – disse lhe prendendo em um abraço. – Lembra de mim, não? Vitória!

-Como poderia me esquecer – retrucou com um belo sorriso.

-Acho que não preciso fazer as apresentações... Lembra do Josh? – disse mostrando o homem ao seu lado.

Hermione forçou mais um sorriso. "Então a filha da mãe casou com o rapaz mais belo da faculdade". - Como vai, Hermione – disse com um sorriso sedutor. – Estava comentando com a Vick, você mudou muito!

Hermione se calou sem saber o que responder. – Então – Vitória olhou para os lados. – Onde está seu acompanhante? – perguntou num tom quase irônico, erguendo a sobrancelha.

-Marido – Hermione retrucou por sua vez. – E, sim, ele veio. Por falar nisso – ela sorriu. – Ali está ele - Harry vinha de sua direita, a passos firmes. Com um pequeno sorriso em seus lábios quando finalmente se aproximou de Hermione.

–Me perdoe, Mione... – disse e aparentemente não prestava atenção no casal à frente da amiga. – Era apenas mais uma vez o Tonny... Isso não vai mais se repetir – continuou, desligando o celular.

-Mas Harry, e se for algo importante? – Tonny era um dos inúmeros contatos trouxas que Harry tinha.

Ele sorriu. Essa era Hermione, ela sempre se preocupava com o trabalho em primeiro lugar – Estou aqui para apreciar a noite ao seu lado, e nada mais. O trabalho fica para outra hora.

Sem querer, um sorriso apareceu em seus lábios. – Muito obrigada.

–O que eu não faço por você? – indagou e logo depois a beijou levemente.

- Ah... – a morena se afastou um pouco. - Deixe-me apresentá-lo. Harry, esses são Josh e Vitória Warker.

Harry cumprimentou com um aceno da cabeça Josh e, segurando delicadamente a mão de Vitória, a beijou, sem sequer tirar os olhos dos dela. – É um prazer conhecê-la, senhora Warker.

-O... O prazer é todo meu.

Então Hermione percebeu: Vitória viu em Harry o que todas, ao menos agora, viam quando o observavam pela primeira vez ou quando Harry sustentava o olhar: Toda a singularidade de seu olhar, o charme de seu sorriso, seu porte elegante e toda sua presença – que o faziam parecer único e absoluto em meio a uma multidão -, tornando quase impossível desviar o olhar.

-Eu estava comentando com a Vitória o quanto Hermione mudou, não é Vick? – disse Josh para quebrar o contato visual que a esposa mantinha no moreno.

-Sim... Sim! – comentou voltando-se para Hermione. Harry e a amiga se entreolharam sorrindo.

-Talvez – Harry disse ainda mantendo o olhar sobre Hermione. – Seja esse ar mais grave que ela emana sempre quando quer manter o controle da situação – sussurrou só para que a amiga pudesse ouvir.

-Não seja tolo. – Ela retrucou virando os olhos. O homem apenas sorriu.

-E a Gina? – Vitória voltou a falar, desconfortável por ter sido deixada de lado.

-Se não me engano – Harry disse voltando-se para Hermione com um ar estranhamente chocado. – A vi faz alguns minutos... Ao lado do Malfoy.

A morena sorriu. – Vamos dançar – falou apenas. E, após se despedir dos "amigos", eles se afastaram.

-Não entendi nada... – Harry continuou enquanto Hermione o guiava pelas pessoas, vez ou outra cumprimentando alguém.

-Bom, hoje, o Malfoy é o marido dela.

Harry balançou a cabeça negativamente. - Merlim! Vocês são loucas. Completamente alucinadas!

-O que quer dizer com isso? - ela ergueu a sobrancelha de modo altivo.

-Quer mesmo que responda? – indagou ironicamente.

Hermione sorriu. – Tudo bem, talvez sejamos um pouco complicadas.

Foi a vez de Harry sorrir. Ele segurou sua cintura assim que chegaram à pista de dança e a trouxe delicadamente ao seu encontro. Hermione segurou um de seus ombros, a outra mão na dele e apoio a cabeça no peito do amigo.

-Você viu? Vitória ficou encantada por você.

-Como poderia ver? Ao meu lado estava a mais bela de todas as damas do Baile – Hermione sorriu contra o corpo dele, deixando-se ser guiada, nos passos leves, quase inexistentes de Harry, que seguia o ritmo lento da música que os acompanhava ao fundo. – Você está tão tensa... – murmurou em seu ouvido. – Não estamos nem próximos daquelas pessoas. Por que não tenta se divertir um pouco? Minha companhia não a está agradando?

-Não, Harry, é claro que não – ela o encarou. – É que apenas não consigo me sentir à vontade nesse lugar... Não é você. Como pode dizer algo assim? Sua companhia sempre me faz alegre, ok? Não diga besteiras...

&&&&&

(Continua)

&&&&&

Pra compensar o capítulo anterior! Espero que gostem!

Desculpem-me os erros. E muito obrigado pelos comentários!