"Freedon Fighters"

- Eles só queriam ser livres –

Capítulo III

Finalmente chegara o Domingo. Era incrível como os outros seis dias da semana pareciam um mês, e o único dia que não precisava estar trabalhando passava como se tivesse apenas algumas horas. Era tão incrível que a loira tinha certeza de que quem quer que fosse responsável pelo passar do tempo estava de brincadeira com ela. Não tinha dúvidas de que seu relógio andava mais rápido do que o normal neste primeiro dia da semana – Que, apesar disso, ela sentia como se fosse o ultimo -.

Havia terminado seu banho a pouco, e aproveitou o tempo livre para dar uma ajeitada na casa que estava em estado deplorável. Juntou todo o lixo acumulado da semana e saiu para levá-lo para fora. Estava subindo de volta para o seu apartamento, quando viu um garoto de cabelos presos que tinha certeza já ter visto uma vez. Ele carregava umas sacolas que pareciam ser de compras, e subia as escadas para o andar de Temari. Foi quando ele se virou que conseguiu reconhecer aquele rosto.

Tinha certeza. Era o garoto que havia vomitado durante o show. Não podia acreditar que ele morava no mesmo prédio que ela. Alguém que foi ao mesmo show que ela, morava no mesmo prédio e ela nem sequer havia ouvido falar ou visto o garoto por ali qualquer outro dia. Bom, se for contar que o tempo que passava ali não era nem 20% do dia inteiro, até que não era tão estranho. Mas, de qualquer forma, não podia deixar que ele a visse. Não depois da vergonha que passara. E se ele a reconhecesse e resolvesse jogar toda a raiva pelo ocorrido? Estaria certo em fazê-lo, mas ela realmente não queria passar por isso. Escondeu-se na curva da escada, abaixando-se o máximo que podia, enquanto ele terminava de subir. Por sorte, ele não morava no mesmo andar que ela. Se morasse, as chances de se cruzarem eram ainda maiores. Era só o que faltava para ela ter algo a mais com o que se preocupar. Não que achasse tão preocupante assim, mas não precisava disso. Mesmo.

Quando ele finalmente saiu de sua visão, entrou o mais rápido que pode em seu apartamento e bateu a porta. Ótimo. Agora sempre que saísse de casa iria ter que olhar para todos os lugares para não ter a possibilidade de encontrá-lo por ai. Assim que trancou a porta, ouviu seu telefone tocar. Era o número de Ino.

- Alô. – Disse Temari, se sentando.

- Ei Temari, quer ir àquele bar de sempre comigo e o Gaara amanhã? Ouvi que vai ter uma banda boa lá. – Convidou a loira.

Temari concordou, e combinaram de se encontrar lá pela meia noite de terça. Seria bom para relaxar do trabalho, o problema seria trabalhar no dia seguinte, mas ela dava um jeito depois. Sempre dava um jeito.

Acordou cedo no dia seguinte, como o habitual, e foi trabalhar. Fora mais um dia cansativo como todos os outros, mas, ao menos, tinha algo com o que esperar a noite. Conseguiu sair um pouco mais cedo do trabalho sem que a vissem, e pegou o metro lotado para casa para poder se arrumar. Mal via a hora de ter um momento de diversão em sua semana tão entediante.

Vestira uma regata preta qualquer, uma saia jeans curta, uma cinta liga preta e seu coturno velho. Havia terminado de passar lápis preto no contorno dos olhos quando ouviu a campainha tocar. Será que Ino resolvera passar em sua casa antes, ou será que...

Deveria ter imaginado. Já fazia uma semana que Kankurou não aparecera, e lá estava ele, em frente a sua porta, parecendo – se é que era possível – mais desesperado que o normal. Suspirou, e abriu a porta.

- Temari, preciso passar a noite aqui. – Disse ele, passando a mão pelo nariz e parecendo meio ansioso.

- O que foi agora? – Perguntou a loira, sem acreditar no que estava ouvindo. Mas uma coisa já sabia: sua saída já era.

- Eu perdi a chave de casa quando tava vindo pra cá, e agora não posso voltar nesse estado, você sabe... – Explicou ele, já se sentando sem nem pedir permissão.

-Kankurou, minha casa não é hotel. – Suspirou Temari. Não era a primeira vez que isso acontecia, e a Sabaku já estava chegando a seu limite. Não sabia mais quanto tempo iria agüentar aturar isso.

- Você é minha irmã ou o quê? Quer que eu durma na rua? – Reclamou ele, já ligando a televisão. – E me alcança uma bebida aí.

Temari balançou a cabeça, sem acreditar. Foi até a geladeira e pegou uma latinha de cerveja. Kankurou estendeu a mão para pegá-la, mas a loira passou reto por ele. Pegou seu celular e sua carteira e foi em direção a porta do apartamento.

- Não sou sua empregada. – Disse, batendo a porta atrás de si. Suspirou, encostando-se na parede ao lado da porta. Discou o numero de Ino, e esperou que esta atendesse.

- Alô? Temari?

- Oi Ino.

- Onde você tá? Não conseguiu chegar mais cedo? Eu e o Gaara já estamos esperando, e tem um amigo nosso com a gente, que, aliás, é bem bonito, vem logo. A gente já tá até fazendo propaganda sua pra ele.

- Desculpa, não vai dar pra ir... – Suspirou a loira. Também não era a primeira vez que desmarcava saídas com sua amiga por causa de Kankurou. Estava cansada de inventar desculpas. – Tô passando mal, e acho que não consegui dormir direito.

- De novo? Temari você tem que ir ao médico logo! Eu sei que você não tem muito tempo, mas pede um dia no trabalho para isso.

- Tá, vou ver o que faço, desculpa mesmo, na próxima eu vou.

- Então tá, que pena, porque a banda é realmente boa. – Disse a Yamanaka, suspirando. – Vê se melhora.

- Sim, desculpa. – Pediu novamente, desligando o telefone em seguida. Odiava mentir para Ino e Gaara, mas não poderia falar a verdade. Além do mais, se dissesse, teria que explicar o porquê de não poder deixar seu irmão sozinho em seu apartamento, e isso não era uma opção.

Guardou o celular no bolso da saia e abriu a latinha de cerveja, cansada. Iria tentar enrolar ali do lado de fora para não ter que ficar agüentando seu irmão. Estava tão empolgada para sair... Ele sempre tinha que aparecer para estragar tudo. Parecia que era de propósito. Mas uma hora, com certeza, não iria mais agüentar.

o.O.o.O.o.O.o.O.o.O.o

Saira tarde de seu trabalho mais uma vez. Ao menos conseguira terminar todos os projetos pendentes, mas agora já tinha mais alguns novos que lhe tomariam a madrugada toda mais uma vez. Entrara em seu prédio e subia as escadas carregando sua maleta e seu notebook. Planejara chegar em seu apartamento e já começar a trabalhar, para ver se sobrava algum tempo para poder dormir mais do que quatro horas. Apesar de que sabia que isso era impossivel.

Estava subindo as escadas quando viu uma garota loira encostada na parede tomando uma latinha de cerveja, parecendo meio perturbada. Iria passar reto, quando esta o viu e quase derrubou a lata, se sujando de cerveja. O que só fez com que a garota ficasse ainda mais irritada.

- Tudo bem? – Perguntou ele, parando no andar em que ela estava. Ela concordou com o rosto, e passou a encarar a parede a sua frente, parecendo meio desconcertada. Shikamaru ergueu as sobrancelhas. Observou-a por mais um tempo. Seus cabelos loiros estavam presos em quatro rabos de cavalo, e tinha muita maquiagem preta sobre os olhos. Seu rosto não lhe era estranho. – Você mora ai? – Perguntou ele. Talvez a tivesse visto algum outro dia no prédio. Ela fez que sim com a cabeça mais uma vez, o olhando de relance.

Ela não conseguia acreditar em sua sorte. Aparentemente ele não a reconhecera, mas não queria arriscar. E voltar para seu apartamento também não era uma idéia lá muito boa, pois teria que aguentar seu irmão. Suspirou, tomando mais um gole de sua latinha e já achando que o garoto havia subido. Mas estava enganada.

- AH! – Exclamou ele. Temari prendeu a respiração. Por favor, que ele não tivesse descoberto. – Você vomitou em mim! – Tarde demais. Ele a olhava com uma cara de como se perguntasse "O que você está fazendo aqui?". E também não parecia muito feliz.

- Acho que você se enganou. – Disse ela, sorrindo falsamente. Mentindo de novo. Mas ele não podia ter tanta certeza, podia? Afinal, estava escuro lá no show. Apesar de que ela tinha certeza de que era ele. Ah, realmente era a pessoa mais azarada do mundo.

- Não me enganei. – Falou ele, com cara de tédio.

- Hm. Sim, se enganou.

- Não.

- Se enganou sim. – Insistiu a loira. Mas tendo certeza de que ficar insistindo não iria adiantar nada.

- Você podia deixar de ser insistente e pedir desculpas. – Suspirou ele, apoiando as mãos no corrimão da escada.

- Desculpa. – Disse ela logo. Não iria adiantar ficar discutindo, muito pelo contrário: Ele poderia se irritar mais ainda. E demorar ainda mais para se afastar. Estava sendo realmente dificil encará-lo sabendo que vomitara nele. Era realmente nojento de se imaginar.

- Tá. – Disse ele. – Mas também, para falar a verdade, não foi de completo ruim, pois pude sair daquele show que já estava me matando sufocado.

- Quê? – Perguntou a loira, sem acreditar. Como ele poderia querer sair do show de sua vida? – Tá falando sério?

- hmm... Sim? – Falou ele, sorrindo de lado, meio cansado. Temari riu em resposta. Nunca havia visto alguém que ficara feliz por isso. Achava que essa deveria ser a pessoa mais estranha que já conhecera. E, afinal, pra que ele fora num show se achava tão ruim ficar lá?

- Ah, qual seu nome? – Perguntou ela, ainda rindo.

- Nara Shikamaru... – Suspirou ele, rindo de lado da risada da garota. Não entendia onde estava toda a graça, mas não havia se incomodado tanto. Fazia bastante tempo que não sorria por alguma coisa, por mais futil que parecesse ser.

- Prazer. Sou Sabaku no Temari. – Apresentou-se ela, sorrindo. Shikamaru assentiu com o rosto. O sorriso da garota era meio debochado, mas não deixava de ser bonito. Talvez não tão bonito para alguns, mas, certamente, era intrigante.

- Você não vai entrar em casa? – Perguntou ele, curioso pelo fato da garota estar bebendo do lado de fora.

- Ah... É que estou lavando roupa na maquina, e o barulho é realmente irritante para ficar la dentro. – Mentiu a loira. Não podia dizer que não queria ficar na companhia de seu irmão para um estranho, ou, certamente, iria assustá-lo de alguma forma. E, agora, ficara com uma estranha vontade de conversar.

- Ah... – Murmurou ele, não parecendo muito convencido, mas a loira não se importou.

- Você tem um tempinho? – Perguntou ela. Shikamaru pensou por um momento. Na verdade não tinha, mas...

- Sim. – Mentiu, erguendo as sobrancelhas mais uma vez. A loira sorriu, e pediu para que esperasse um pouco enquanto entrava no apartamento. Voltou com mais uma latinha de cerveja e a entregou ao moreno, que aceitou.

Se sentaram no primeiro degrau da escada, em silêncio, enquanto bebiam.

- Então... – Começou ela. – O que faz alguém ir a um show que não gosta? – Perguntou. Shikamaru ergueu os ombros.

- Fui a trabalho. – Disse, sem saber direito como iria explicar aquela ideia sem sentido de seu chefe, mas ela não pediu por muitos detalhes, e ele agradeceu.

- Ah... – Murmurou a loira. – Nunca tinha visto alguém ficar na pista à trabalho. – Disse, estranhando.

- É. – Respondeu ele, apenas. Temari voltou a rir e ele a olhou sem entender.

- Você é engraçado. – Comentou ela, mas este não entendia muito qual era a graça que ela estava vendo, apenas ignorou. – Mora a muito tempo aqui?

- Sim. – Respondeu ele, olhando para a garota como se perguntasse o mesmo.

- Eu também. E nunca te vi por aqui. – Disse ela. Realmente, nunca ficava em seu apartamento. E muito menos ia em reuniões de condomínio, que ela mal sabia se realmente existiam.

- Trabalho muito. – Explicou ele, e Temari sorriu.

- É. Eu também. – Suspirou.

- Temos algo em comum. – Riu ele. Temari assentiu, sorrindo.

- E não posso dizer que seja um ponto muito bom. – Disse ela. Lembrando-se que ainda tinha vários dias de sufoco pela frente.

- Concordo. – Murmurou ele, parecendo cansado.

- É...

- E, acho que já vou. – Disse, assim que terminou a latinha. – Tenho muito trabalho ainda pela frente. – Explicou, se levantando. Temari assentiu, e também se levantou. – A gente se vê. – Falou ele, acenando e subindo as escadas.

Temari se despediu e foi até a porta de seu apartamento, criando coragem para voltar. Iria entrar e tentar dormir, torcendo para que ele já tivesse ido no dia seguinte

A ultima vez em que Kankurou dormiu em sua casa, levara seu aparelho de som, e agora ela só podia escutar música pelo computador. Deixaria a porta bem aberta para, caso ouvisse algum barulho estranho, pudesse acordar e impedir seu irmão de levar mais alguma coisa de sua casa.

Seria uma noite e tanto.

o.O.o.O.o.O.o.O.o.O.o

O Nara entrou em seu apartamento, deixando seu notebook sobre sua escrivaninha e o ligando para começar a trabalhar. Perdera um tempo de sono conversando com a loira, e provavelmente não iria conseguir dormir mais do que três ou quatro horas essa noite, mais uma vez.

Tinha realmente muito trabalho para fazer, e, não importava quanto adiantasse, mais trabalho aparecia. Estava exausto.

Mas, apesar de saber que perdera uma meia hora de sono, não se sentia arrependido. Conversaram pouco tempo, mas foi o suficiente para esquecer o que acontecera no show, e que, provavelmente, se não fosse por aquilo, não teriam parado para conversar.

Se sentia um pouco mais relaxado, apesar do cansaço que ainda tinha no corpo. Ficar conversando com a Sabaku, certamente, tinha valido a pena. Esperava poder se encontrar com a loira outras vezes.

Continua...

N.A.: Tá aí o terceiro capítulo. É curtinho também, mas espero que gostem.

E deixem reviews, por favor D:'

Obs.: Eu não possuo os direitos do anime Naruto, nem de seus personagens, e de nenhuma das bandas citadas nesse capítulo ou que serão citadas no decorrer da fic.