"Tell me how do you do it, walk me through it,
I'm following every footstep..."
Existem muitos corpos iluminados, e muitos corpos luminosos.
Mas só um corpo luminoso foi originado da completa escuridão.
Cap. 3 - Shine
– Oy, Shikamaru!
Estava numa lanchonete chamada "Madzu-madzu OK". Havia acabado de entrar, e imediatamente encontrou um amigo sentado, ou melhor, debruçado sobre uma mesa, sozinho. Este levantou a cabeça, dirigindo um olhar sonolento ao autor do chamado.
– Kiba. – Ele cumprimentou, monossilábico. Kiba sentou-se à sua frente.
– Ainda bem que te encontrei, cara! Tava mesmo precisando de uma ajuda do seu cérebro.
Em resposta, Shikamaru apenas bocejou um "que problemático." Uma gota deslizou pela testa do garoto tatuado, mas este continuou a falar.
– Me responda uma coisa... – Kiba hesitou. Seu rosto foi avermelhando-se lentamente. – Hum... é que... qual... qual é o menor tempo possível em que uma pessoa pode se apaixonar?
Pela primeira vez Shikamaru pareceu acordar, olhando para o colega com estranheza.
– Hm? Como assim?
– Sabe... – Kiba tentou rearticular a pergunta, vermelho. – Existe algum tempo mínimo de convivência pra se apaixonar por alguém?
Shikamaru o encarava, surpreso. Kiba parecia querer ser um avestruz só naquele momento, pra poder abrir um buraco no chão e enfiar a cabeça lá.
– Eu não sei.
Kiba levantou seus olhos para Shikamaru, perplexo.
– Nani??
– Eu não sei. – repetiu Shikamaru, sonolento. – É algo muito problemático.
Por algum motivo, Kiba parecia ter ficado ainda mais vermelho, tanto que suas tatuagens confundiam-se com o tom de sua pele. Levantou-se.
– Ok.
Dizendo apenas isso, saiu da loja.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
– Tadaima! – exclamou Naruto quando chegou a sua nova casa, a pensão Whirlwind.
– Okaerinasai, Naruto-kun! – respondeu alegrmente sua nova "mãe", Mikoto.
– Mikoto-chan! – cumprimentou Naruto, sorrindo. – E aí? Muitos hóspedes hoje?
– Não, o ritmo de sempre, Naruto-kun. E pode me chamar de ka-chan, já disse! – falou ela, saindo de trás do balcão e abraçando o "filho". Naruto deu uma risada.
– Tá bom, ka-chan. – resmungou ele, dando uma risada. – Vou fazer o dever de casa bem rápido e já venho trabalhar. Quando o "tou-chan" chegar, você me avisa!
Mikoto deu uma risada melódica enquanto Naruto ia pra seu quarto.
O quarto de Naruto era quase do tamanho de seu antigo apartamento. Tinha as paredes azul-claras, contrabalanceando-se com móveis de madeira clássica e uma cama de colchão duplo. No primeiro dia lá, Naruto se sentira quase desconfortável com o luxo de ter uma cama de colchão duplo, mas, assim que mergulhara na cama pela primeira vez, esqueceu da vida, da morte e do preço do gás e mal lembrou a si mesmo que tinha que fazer o maldito dever de casa. Agora, o quarto já estava mais a cara de Naruto: livros na bancada numa espécie de organização caótica, porta-lápis e assessórios com o redemoinho laranja marcado, Sapatos espalhados ao redor da cama. Limpando a bancada com dois movimentos, Naruto se posicionou e começou a fazer o dever.
O problema é que não estava fácil. Apesar de Kakashi ser um professor severo, Naruto obviamente não o levava a sério, dado o fato de, mesmo sendo professor a mais doze anos, Kakashi sempre, invariavelmente sempre, chegava atrasado. Mesmo sabendo que tinha que prestar atenção em álgebra ou iria acabar tomando pau na matéria, que tinha peso na maioria dos vestibulares, o loiro não conseguia se concentrar totalmente nas contas e sempre começava a entrar em estado de dormência no meio da equação. Perguntava-se quando raios teriam aula de geometria. Percebendo que havia começado a voar de novo, Naruto chacoalhou a cabeça e se concentrou na tarefa.
Não passou mais de cinco minutos e já se distraía de novo.
"Pelo jeito não vou conseguir me concentrar no dever agora... vou fazer minhas tarefas e depois eu volto." Decidiu ele, largando a lapiseira sobre o livro e trocando de roupa, saindo do quarto logo em seguida.
-x-x-x-
– Naruto-kun, você está muito fofo!
Essa foi a única frase de Mikoto quando viu Naruto saindo do quarto para fazer suas tarefas.
No melhor estilo "peguei a primeira roupa que eu vi no guarda-roupa", Naruto havia se vestido com uma blusa preta, com o característico redemoinho laranja, sobrepujada por uma jaqueta
laranja de ombros pretos e, para fechar, uma calça do mesmo tom de laranja-brilhante; roupa perfeitamente adequada para o meio da primavera, estação atual.
– Hã, arigato, Miko... ka-chan. – falou Naruto meio embaraçado, lembrando-se de chamá-la pelo apelido carinhoso. – Então, quais são as minhas tarefas?
– Bem, Naruto-kun, se não for muito incômodo, gostaria que você comprasse esses ingredientes para mim ali no Suppa Daka, por favor. – falou ela, estendendo uma listinha para ele.
"Arroz, misô, molho shoyu, pimenta, umeboshii e vinagre. Pode comprar um doce com o troco! Assinado: Mikoto."
– Ok! – ele falou, botando a lista no bolso. – Volto já! Ite ikimasu!
– Ite irasshai! – a mulher respondeu docemente, sendo ouvida antes do loiro fechar a porta da frente.
E lá vai Naruto, feliz e saltitante pela rua. Go, go!
-x-
– Tó, querido, aqui está o troco, e pode levar essas balinhas de limão.
– Sério?? – ele olhava encantado para as balinhas. – Dattebayo!! Arigatou, onee-san! A senhora é mesmo um amor! – Naruto se curvou para a "onee-san", a japa de uns trinta anos do caixa supermercado, e saiu, ainda sorrindo e agradecendo.
Naruto estava feliz de fazer compras. Era algo realmente muito legal de se fazer! Conversar com as vendedoras e saber das histórias, dos preços na bolsa internacional, da qualidade dos produtos, das fofocas da vizinhança... e, o aéreo loiro não sabia bem por quê, mas o troco que ele tinha na mão era ligeiramente maior do que o que a sua mãe esperava que ele tivesse obtido. (N/A: Naruto, você sabe o que é DESCONTO? xD)
Andando feliz e pululante pelas ruas, ele avistou de longe um estabelecimento que parecia muito divertido: as janelas da frente eram emolduradas por tubos pintados de laranja brilhante, que pareciam neon de tão escandalosos; o interior era de azulejos pretos e brancos, em losangos, formando um padrão bonito que era quebrado pelas cores intensas da mobília; a parede da fachada era amarelo-canário, e o letreiro da loja, que definitivamente era neon, estava em azul-royal: MADZU-MADZU OK.
Naruto achou a decoração da lanchonete coisa de gênio (lembremos que ele próprio estava vestido de laranja e preto.) e, animado com a aparência do lugar, resolveu entrar para dar uma olhada. Mas qual não foi sua surpresa ao encontrar Inuzuka Kiba, amigo da escola, abrindo a porta de vidro cor-de-rosa!
– Kiba!! – o sorriso de Naruto alargou-se ao ver o amigo.
– N-naruto!! – Kiba exclamou, sua face de repente tomando um tom intenso de vermelho.
– Genki desu ka? É mesmo uma coincidência te encontrar aqui! – Naruto continuou a falar empolgado, parecendo não se importar com o rubor no rosto do amigo.
– Ah, é! É que eu moro por aqui mais ou menos, então... – Kiba falou meio embaraçado. Como uma garotinha do colegial cara a cara com seu grande amor, ele pensou.
– Mas você já está de saída? – Naruto perguntou, com algum interesse. Kiba resistiu o impulso de corar de novo.
– É que eu encontrei um colega aí, então eu entrei para falar com ele...
– Ah! Então não quer comer alguma coisa? Mikoto-ka-san falou que eu podia comprar alguma coisa com o troco, então acho que ela também não vai se importar se eu dividir com você.
– Ah, quero sim, claro! – respondeu Kiba, agora sem conseguir resistir ao calor que subia ao seu rosto. Claro que ele não o havia convidado com aquela intenção, mas aquilo realmente parecia um convite para um encontro. Porém, Naruto, sem se dar conta disso, apenas abriu a porta para Kiba passar primeiro. Exatamente como em um encontro, Kiba não pôde deixar de pensar, corando de novo.
Kiba procurou a mesa onde a poucos segundos havia conversado com Shikamaru sobre (indiretamente) a pessoa que o acompanhava no momento. Enquanto procurava o colega, ele não pôde deixar de reparar algumas coisas em Naruto: como o loiro parecia ainda mais alto perto dele, Kiba, que tinha míseros 156 cm de altura, ou em como a fisionomia do Uzumaki parecia tão infantil apesar de ser um pouco mais alto que a média. Seus olhos pousaram involuntariamente sobre a mesa de Shikamaru.
– Vamos nos sentar ali. – Ele indicou Shikamaru com o dedo. Naruto reconheceu o rosto; era da sua sala.
– Oi! Eu sou Uzumaki Naruto, prazer! – cumprimentou alegremente Naruto, enquanto ele e Kiba se sentavam junto ao garoto sonolento.
Shikamaru levantou a cabeça. O que viu foi: um garoto não excepcionalmente bonito, mas com um grande carisma e um Kiba olhando para o outro lado com o rosto meio cor-de-rosa. Soma-se isso à pergunta de antes.
Nara Shikamaru era um gênio, e isso não é apenas uma expressão. Seu QI fora calculado entre 200 e 210 durante os últimos anos. Conseguiria vencer qualquer um no xadrez, caso tivesse saco para jogar com alguém que não seu vizinho e professor, Sarutobi Asuma. Bastava que quisesse – correção, não era nem sequer necessário que quisesse, bastava mover a caneta um pouco mais durante a prova. – e ele seria o melhor aluno do colégio inteiro e já poderia estar terminando o ensino superior, pronto para ingressar a faculdade. Porém, a preguiça era maior do que a vocação. Isso não o impediu de imediatamente reparar o que Kiba havia querido dizer com "tempo mínimo para se apaixonar". Seu amigo havia se apaixonado pela grande lenda sombria da cidade. Que mágico.
– Esse é Nara Shikamaru. – adiantou-se Kiba, talvez reparando que Shikamaru ainda estava em choque de literalmente encarar um grande medo de sua vida. Cínico, o preguiçoso não dava sinais de grande interesse.
– Prazer. – O próprio Shikamaru cumprimentou, sem levantar a cabeça da mesa.
– Shikamaru-san, vai querer alguma coisa? – Naruto perguntou simpaticamente quando a garçonete entregou o cardápio.
– Não, obrigado. – ele resmungou indiferente, porém, no ínfimo fundículo profundo de sua alma, lisonjeado por ter sido chamado de "Shikamaru-san".
E, para variar, entrou em seu estado vegetal: dormindo, porém acordado.
Observou Naruto falar delicadamente com a garçonete, que dava risadinhas nervosas por estar sendo bem-tratada por um cliente. Kiba, que parecia muito ligeiramente desconfortável com aquilo, pôs-se a conversar com Naruto sobre baseball e outras coisas aleatórias. Os dois logo conversavam animadamente como se fossem amigos há uma década, não um dia.
O tempo passou e Shikamaru parecia ter cochilado ligeiramente. Por fim, acordou com Naruto se despedindo dos dois e indo embora. Ainda teve tempo de acenar para o loiro que partia, antes de dar de cara com um Kiba com o sorriso aparentemente congelado no rosto.
– Descobriu qual o tempo mínimo? – perguntou Shikamaru, simplesmente. Kiba pareceu acordar para o mundo ao seu redor, ruborizando-se com a pergunta sonolenta dirigida a ele.
– Eu acho que é... – ele ponderou, voltando a olhar para o ponto onde Naruto havia acenado pela última vez. – ...o tempo de um sorriso cativante.
Espantado com palavras românticas saindo da boca do infantil e definitivamente NADA romântico Kiba, Shikamaru ficou a imaginar quem era, de verdade, Uzumaki Naruto.
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Vai noite, vem o dia seguinte. Naruto está indo, feliz e saltitante, para a aula.
Chega aos portões, no horário certo! Milagre! Ainda saltita, feliz.
Passa pelo mural com as aulas. Seus olhos pousam distraidamente no primeiro horário de sua sala hoje: Álgebra, professor Hatake Kakashi.
Opa. Não bom. Nada bom.
Quem disse que Naruto havia lembrado de fazer o dever?
Péssimo, realmente.
Naruto de repente estava correndo desesperado, para conseguir ter tempo de colar de algum dos seus colegas. Ainda que lembrando o fato que todos eles, menos Kiba e Hinata e provavelmente Shikamaru, achavam que ele era um monstro terrível, ele manteve a esperança.
Chegou à sala esbaforido e sentou-se numa carteira perto de Hinata.
– Hinata-chan! – ele chamou-a, meio aliviado. – Você pode me emprestar o dever de álgebra?
– C-c-claro... – ela se limitou a responder, entregando a tarefa.
– Dômo arigato, Hinata-chan! Desculpe por ser mais um peso morto do que um amigo... – ele falou meio lamentoso, copiando a tarefa em velocidade recorde.
Ela ficou vermelha.
– Q-q-q-que n-nada, Naruto-kun... s-se tem a-algum p-peso morto aqui... s-sou e-eu.
– Hinata-chan, que é isso! Você é que é inteligente, eu sou burro pra caramba e nem cozinhar um onigiri... eu acho que tenho sorte de ter uma amiga como você. – ele falou, terminando de copiar e entregando o caderno à sua dona original. – Aqui. Arigato!
Hinata estava sem ação. Havia entrado em estado catatônico, apenas olhando para frente com os olhos vítreos arregalados e o rosto mais vermelho do que era imaginariamente possível.
"Eu acho que tenho sorte em ter uma amiga como você."
Imediatamente, a garota Hyuuga não conseguiu se conter e caiu no choro.
– Hã? – Naruto foi pego de surpresa pelas lágrimas da amiga. – Hinata-chan! O que aconteceu? Eu te disse alguma coisa ruim? Me desculpe, por favor, eu não queria te ofender! – ele tentava consolar a amiga de algum jeito. – Mas que bruto que eu sou... por favor, Hinata-chan, me desculpe...
– Na... na... naruto-kun!! – ela falou entre soluços, escondendo o rosto nas mãos. – Vo-vo-você é a-a-a pessoa m-m-mais maravilhosa q-que existe! O-o-obrigada por ser meu amigo!!
Naruto corou com o elogio da amiga. Agora ele era quem estava emocionado.
– N-não tem de quê, Hinata-chan! Você é que é uma pessoa muito legal... – o choro dela se intensificou. – Vamos, por favor, pare de chorar...
Ela levantou o rosto das mãos, tentando conter os soluços. Ela sorriu para o loiro, ainda envergonhada e emocionada, e levantou-se para ir ao banheiro, murmurando algo sobre "lavar o rosto".
Naruto teve vontade de nunca mais parar de sorrir. E, depois de ver a cara de Sasuke, teve vontade de nunca mais parar de gargalhar.
– Hum... com licença?
Naruto se virou para a pessoa que o havia chamado. Ao seu lado, estava parado uma bela garota, de cabelos rosas que atingiam sua cintura e olhos esmeraldinos muito brilhantes. Haruno Sakura.
"Whoa! Kirei da nee..." (Bonita...) (N/A: Nem a pau ¬¬)
– Ah... eu sou Haruno Sakura, e, bem, eu queria saber o que aconteceu com a Hinata-chan...
– U-uzumaki Naruto! – ele falou meio rápido, estendendo a mão. – E. bem, eu não entendi muito bem, mas eu posso perguntar para ela...
– Não precisa. – ela respondeu, apertando sua mão. – Eu a pergunto, obrigada.
E voltou à sua carteira, já que Hinata havia voltado e o professor já estava à porta.
Haruno Sakura era uma menina meio sisuda, baixinha e ligeiramente pedante. Mas Naruto a achou muito bonita e, mais tarde, incrivelmente inteligente.
Hinata e Kiba observavam aquela admiração pelo canto do olho, absolutamente desconfortáveis.
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E aí, adivinhem, saltitamos diretamente para a hora do almoço.
Naruto estava procurando Sakura para pedir para almoçar com ele, Hinata e Kiba quando foi parado por a última pessoa que ele queria ver na face da terra naquele momento.
– Oy, dobe. (idiota)
Naruto se virou, com o lanche entre as palmas, já borbulhando por antecipação.
– O que é, teme? (bastardo)
– Você pode ficar com a Hyuuga para você.
Surpresa para os que disseram que o Uzumaki não poderia ficar mais bravo.
– ISSO NÃO É JEITO DE SE FALAR DE UMA DAMA! E eu e a Hinata somos amigos! Eu não faço amigos por interesses, como você!
O Uchiha apenas fez um "humpf" de desprezo e, quando Naruto estava prestes a socá-lo, foi interrompido por uma voz aguda, aparentemente esbanjando alegria.
– SASUKE-KUN!!
Apenas Naruto olhou para a origem do barulho. E, quem diria, a sisuda Haruno Sakura vinha correndo enlouquecida atrás de Sasuke.
– Sakura-chan! – o louro exclamou, esquecendo-se da má companhia. Mas seu convite de almoço foi cortado brutalmente pela voz aguda da garota.
– Sasuke-kun! Vamos almoçar juntos, por favor! Eu fiz um curry especial, com polvo, sua comida predileta! – ela falava numa voz melosa e açucarada, mas o moreno não poderia ligar menos.
– Sakura-channn!! Por que você quer almoçar com esse BASTARDO?? – reclamou Naruto apontando para Sasuke, ofendido por ter sido preterido em prol daquele cara.
A atitude de Sakura virou cento e oitenta graus.
– Damare! – (cala a boca!) Ela mandou, com raiva. – Quem você pensa que é para chamar o Sasuke-kun desse jeito?
– Mas... mas... Sakura-chan... – agora ele estava REALMENTE ofendido.
– Eu não te dei permissão para me chamar assim! – ela exclamou enojada, pronta para encerrar o assunto por ali. – E então, Sasuke-kun... WHAH! – o Uchiha havia sumido.
A garota virou-se para Naruto, energúmena.
– OLHE O QUE VOCÊ FEZ!! – Ela berrou, não parecendo a garota doce de segundos antes. – POR CAUSA DISSO O SASUKE-KUN VAI ME ACHAR ESQUISITA!! EU TE ODEIO, UZUMAKI NARUTO!! – E finalizou acertando um soco bem dado exatamente no meio do rosto amuado de Naruto. E virou-se, correndo para encontrar o Uchiha.
Naruto sentia-se despedaçado por dentro (e por fora, já que o direto da menina era muito potente). Queria chorar compulsivamente, como Hinata havia feito antes, com a diferença que naquela hora a menina não parecia estar chorando de tristeza. Tristeza; era exatamente isso que assolava o interior do loiro quando ele se levantou, massageando a testa onde havia sido socado. Mas é claro que a garota nunca iria preferir ele ao alto, elegante e frio Uchiha Bastardo Sasuke. Naruto era um monstro, afinal de contas. Um exilado. Um monstro.
– Essa menina é mesmo muito problemática.
Naruto se virou, surpreso de encontrar alguém ali. Deitado num banco e meio camuflado, estava Nara Shikamaru.
– Shikamaru...
O garoto sonolento levantou-se bocejando, como que respondendo ao nome desprovido de sufixos.
– Aquele Uchiha Sasuke... atrai todas as meninas do colégio. – ele falou, espreguiçando-se ao levantar. – Ter meninas te rodeando sempre é muito problemático.
– Mas aquela era a Sakura-chan... – ele falou.
– Não vale a pena ficar assim por ela. Fica muito problemático que isso depois. – ele disse simplesmente.
Naruto apenas suspirou em resposta.
– Não quer dar uma olhada na testa? Você parece ter levado um soco e tanto.
– Não tem problema. Não está mais doendo. – falou ele, ficando ereto. – Ela vai ver! O Sasuke é um bastardo que não merece ela, e, quando ela perceber isso, vai ver que eu sou bem melhor que ele, dattebayo!
Shikamaru levantou as sobrancelhas. Era cientificamente possível que uma pessoa mudasse tão rapidamente de humor? Talvez não. E, não sabendo por quê, ele lembrou-se que Kiba era apaixonado por aquele garoto em sua frente, o mesmo que tinha acabado de se recuperar do fora mais arrasador já presenciado na história.
E falando no capeta...
– Naruto! Daijoubu ka? (tudo bem?) – Kiba parecia ter aparecido de lugar nenhum, acompanhado por Hinata. Os dois ainda carregavam os almoços intocados.
– Hai, daijoubu! – ele falou, sorrindo. – Me desculpem por ter feito vocês esperarem! Eu sou mesmo um mala...
– N-naruto-kun... – Hinata apontou para a testa dele. – E-está vermelho...
– Huh? Ah! É que eu trombei na porta da sala sem querer! Foi uma cena e tanto! – ele falou, rindo ao evocar a memória inexistente.
Shikamaru não poderia estar mais surpreso.
Aconteceu ao ver aquilo, o garoto agindo como se nada houvesse acontecido, como se seu coração nunca tivesse sido estraçalhado impiedosamente, e sorrindo um sorriso inocente de quem tem certeza que a vida é só alegria. Alguma coisa pareceu perder o compasso no coração do garoto gênio da 3-B.
Mas não era amor, ele declarou a si mesmo no exato instante. Era surpresa. Só surpresa.
Amor é para os problemáticos. E Nara Shikamaru definitivamente não era problemático.
Ele estava apenas surpreso.
Não era uma grande diferença, já que desde os cinco anos Shikamaru não se surpreendia tanto em menos de vinte e quatro horas.
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E era tarde desse mesmo dia em pouquíssimo tempo. Saída do colégio.
– Tchau Naruto! – acenou de longe Kiba. Hinata também acenou, em silêncio.
Naruto sorriu para os dois, acenando de volta. Ambos ficaram ligeiramente vermelhos e recomeçaram a andar, mas Naruto não notou.
Dessa vez Naruto não pululava. Refletia sobre o que havia acontecido naquele dia. Sentia-se magoado por Sakura preferir aquilo a ele, e sentia muita, MUITA raiva do Uchiha por desprezar a mesma garota que ele teria dado qualquer coisa para que não o desprezasse. E era nessa confusão que ele reparou Shikamaru também saindo do colégio.
– Shikamaru! – chamou Naruto, aproximando-se dele. – Você também mora nessa direção?
O garoto preguiçoso encarou Naruto em silêncio pouco antes de responder, desviando o olhar para frente de novo:
– Não. Mas eu passo a tarde naquela lanchonete.
– Eh? Por quê?
– É mais perto que a minha casa.
Naruto bufou.
– Ou seja, você tem preguiça de ir para casa?
– Sim.
Naruto resmungou um "dattebayo", mas continuou seguindo Shikamaru.
Silêncio...
– Onde você mora?
Essa foi a pergunta de Naruto. Shikamaru, de novo, demorou um pouco para responder.
– Avançando um pouco mais daquela loja. Umas cinco quadras pra oeste.
– É perto, dattebayo! – Naruto exclamou. – Você não tem mesmo vontade de ficar em casa à tarde?
– Não muito. – ele respondeu. – Não entendo porque alguém teria.
Naruto bufou de novo.
– Bem... eu morava num orfanato até poucos dias atrás.
Shikamaru encarou-o.
– E era horrível. – o loiro continuou. – Era cinza, e cheio de rachaduras. Ainda por cima era dirigido por freiras. E todas as crianças de lá me odiavam. – ele suspirou. – Eu era o único da minha idade lá. Caso perdido, claro, porque ninguém nunca iria querer me adotar. Aí eu entrei com um recurso na justiça e consegui adiantar a maioridade! – ele recomeçou a sorrir. Era o sorriso mais alegre do mundo. – Aí eu com segui um emprego ótimo e uma casa realmente legal, além de duas pessoas que se preocupam muito comigo! Eu acho que nunca vou conseguir agradacê-los por tudo... então eu amo ficar em casa, porque é um jeito de usufruir da minha sorte...
Shikamaru não conseguia despregar os olhos do garoto do seu lado. Era um garoto que havia passado por tantas provações... e falava de todas como se fossem da história de outra pessoas, e não como se ele tivesse sofrido aquilo, sentido aquilo na pele. Era uma capacidade de recuperação incrível. Tanta força de vontade...
Tão diferente dele próprio...
Talvez percebendo o olhar do outro sobre si, Naruto virou-se para Shikamaru, com uma face inocente e intrigada. Mas, talvez deixando o hábito tomar conta, sorriu amplamente para o colega.
BA-THUMP.
O coração de Shikamaru pareceu fora de controle. As suas funções vitais pareciam ter subitamente se desregulado. Lembra daquilo que antes havia perdido o compasso no coração do Nara? Pois bem, agora aquilo havia definitivamente tropeçado.
– Minha casa é por aqui. – Falou Naruto, separando-se de Shikamaru em uma esquina. – Matta ashita, Shikamaru!
E foi embora, correndo com energia.
"O tempo mínimo de se apaixonar é o tempo de um sorriso cativante."
Mas não era amor, ele havia dito para si.
Pela primeira vez desde que seu cérebro havia começado a funcionar, Shikamaru havia errado. Errado feio, por sinal.
Mas obviamente ele não iria admitir isso para si mesmo tão cedo.
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Sasuke chegou em casa sem dizer nada, como sempre. Afinal, não esperava encontrar ninguém em casa. Simplesmente tirou os sapatos e foi entrando. Mas estancou quando viu que tinha alguém na cozinha.
Ele andou sem fazer barulho até a cozinha. Lá estava uma mulher, baixa, com os cabelos negros na altura dos ombros. O mesmo tom de negro. Ela se virou, vendo o menino.
– Sasuke-kun! – ela exclamou docemente.
– Mãe...
A mulher o abraçou. Ele simplesmente não reagiu.
– Filho... Como foi a escola? Tem ido bem? E os amigos?
– Tá tudo bem, mãe.
– E os professores?
– Legais.
Ela acariciou gentilmente o cabelo de Sasuke.
– E então, amor? Vocês virão morar comigo algum dia?
– Mãe, não precisa. Estamos bem aqui.
Era sempre assim, sempre que ela vinha. Sempre.
Ela suspirou.
– Está bem... – ela soltou o filho e pegou um molho de chaves do bolso. – Só vim pra ver se precisavam de algo... mas já estou indo. – ela estalou um beijo na testa do garoto. – Tchau, Sasu-kun.
E foi embora.
Sasuke suspirou pesadamente. Odiava quando ela o chamava de Sasu-kun. Significava que ela estava amuada. Paciência, já havia sido um dia difícil, com Harunos seguindo-o pela escola afora. Largando as coisas pelo caminho, subiu as escadas e foi deitar-se.
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– Shikamaru, seu preguiçoso! – exclamou Kiba ao encontrar o amigo na mesmíssima mesa de sempre, mas dessa vez apenas sentado normalmente.
– Você veio aqui tentando encontrar ele, não é? – Shikamaru perguntou, desviando-se do vocativo.
Imediatamente Kiba enrubesceu.
– Eu... não... ah, vá se ferrar! – ele gaguejou sem jeito. Shikamaru suspirou com sono.
– Kiba... – ele começou, sonolento. – Qual o tempo mínimo para uma pessoa se apaixonar?
O garoto o encarou, confuso. Depois, a cor começou a abandonar seu rosto.
– Shikamaru... não me diga que você...
– O que?
– Você também se apaixonou pelo Naruto??
A pergunta direta como uma vassourada nas idéias assustou Shikamaru, que corou involuntariamente.
– O que?? Não! Não, eu... eu... eu vou para casa! – ele exclamou, saindo da lanchonete.
Shikamaru indo pra casa?
Oh, não.
Contagem nos primeiros dez metros!
-HinaNaru
-KibaNaru
-ShikaNaru
Mas, volto a frisar (ui! xD), o principal não é nenhum desses!! 8D
E, pelo amor de Deus, também não é NaruSaku. Mesmo disfarçada, eu esculhambei a coitada pra dar na vista que ela NÃO vai terminar com o Naruto-kun. u.ú/
Respondendo a las reviews \õ:
Isa belle b.a.y.h: Oxe! Há algum problema com os gays? Oo E OC's são coisas duSatã xD
E não existe gay lindo e camarada? Uaiu! Oo
Mesmo que ele não vá ficar com o Naruto no final, eu não tou cem por cento certa, mas há uma GRANDE chance do Kiba acabar num casal yaoi Oo
Eu acho que o Naru-chan não tem AIDS, coitado. Ele é tão inocente... mas nunca se sabe se o pai dele não pegou uma AIDS com uma das vítimas, ou sei lá! o.o/
SasuHina é um dos casais rebaixados dessa fic, lamento dizer. No capítulo quatro já nem se falará mais nisso XDDD E, como eu disse, HinaNaru não é o casal oficial, embora vá durar um bom tempo.
Mas não perca as esperanças! Beijos, e leia sempre! o/
Tea Modoki: Eu adoro falar Méol Deols XD
Eu viajei legaaaal naquela parte XD Nagato? Oo
Ow, muito obrigada!! \o\ (mil reverências) espero que leia sempre! Beijos! 8D
Harumi-sama: XDD (joga serpentinas) Impressionante, não? E isso é apenas o começo °¬°/
É, pois é... como eu tinha que botar alguma tragédia com o pai do Naru-chan, o pai dele virou o pai postiço dele... que confusão XD
PARE DE ADIVINHAR AS COISAS QUE EU VOU BOTAR NA FIC! XDDDDDDD Eu dei um destaque para a aula do Sasori porque o Deidara vai ter uma grande participação na fic. Apenas aguardem è.é/ (mwuahuahuahuahua...)
AAAAAHHHH, VOCÊ É MÃE DINÁ Oo Você lê mentes! Estou ficando com medo, porque você adivinhou o que eu ia fazer como Sasuke! XDDD Medonho...
Hummm, chocolate °¬° mas, apesar de você adivinhar as coisas da fic, eu ainda te peço para ler sempre, por favor! Beijos XD
susurame-chan: Você está sempre num estado permanente de dormência de Kabuto. Mas naquele dia, tinhas fumado orégano XDDD SasuHina nevá evá ò.ó/ (se você entender algo, você ganha um ano de Bola Oito grátis XD)
U-aaaaaaau! Responder à review com-concluído! Você é uma ven-Você ganhou um capítulo! XDD Tchau, minha fia o/
S2 Yuki Mao Kitsune S2 : Siiiiiiiiiim! Mwuahuahuahuahuahuahuahuahua!! \o/
Mas ele não sera o único... terá também... leia e saberá! XDDD Beijos, e leia sempre!
Camis: Essa frase brilha na minha mente sempre que eu leio uma fic °¬° E, por Kami-sama, não, Deus me livre e me guarde de cometer uma fic SasuHina XDDD
Eu ainda estou quebrando a cuca pra ver com quem a Hinata vai ficar no final. NejiHina não é uma má idéia, realmente. E o Sasuke ainda vai ter muito ciúmes pela frente, pode deixar essas preocupações de lado XD
Sim, Sai vai entrar (XD), mas temo dizer que Sai e Gaara são como água e óleo na minha cabeça. Eles nunca conseguiriam ser cordiais um com o outro XDDDD
Beijos e leia sempre! Eu achava que você votava em SasuNaru o.o'
Uchiha FeH n' Uzumaki LaH: Omg muito obrigada! °¬° Eu espero que você(s) leia(m) sempre! Beijos!
Shiroi Bakemono: Omg! Toca aqui por TodosxNaruto!! o/
Eu também não gosto de HinaNaru, mas eu quase me matei foi na hora que eu botei o "SasuHina". Meu consolo é que logo acaba XD
Muito obrigada por ler! Beijos, e leia sempre!
Allkieds: OMG TOCA AQUIIIIIIIIIIII!! o/
NaruNaru-cchi FOR LIFE! \o\
E DEVO DIZER QUE o Sasuke vai se devorar internamente de ciúmes nessa fic XDDD e o Kiba ainda é um dos que tem menos amor pelo Naruto... apenas aguarde o nosso trio da alegria chegar 8D (não vou citar nomes porque estraga a surpresa xD)
Muitíssimo obrigada por ler!! Beijos, e leia sempre por favor! °¬°
Uchiha Hyuuga Anna: NaruHina, como eu falei no outro capítulo, não é um casal oficial. E eu não cometeria este impropério de te fazer sofrer sendo prima do Teme XD
Sim, eles vão aparecer! Eu inclusive acho que eles vão ser os três Incríveis (!!) da fic XDD
Por ler, muito obrigada! Leia sempre! Beijos! \o\o\o\o
