Capítulo III – Bastard Meets The Bitch
Edward POV
Para ouvir: AC/DC – Back in Black
- Vai fazer alguma coisa hoje à noite? – Jessica disse ao sair do carro.
- Vou assistir ao jogo dos Falcons com Emmett. – respondi.
- Você não vai na festa da fraternidade? – ela franziu o cenho, apoiando-se na porta.
- Não. – segurei o volante com força, já impaciente.
- Queria te ver lá.. quem sabe a gente não terminaria o que começamos hoje de manhã... – ela falou sorrindo.
- Não força, Jessica. Você já teve o que queria. Agradeço pela belíssima manhã. Agora chega, ok?
- Você é um grosso, Cullen.
- Eu sei. – dei um sorriso sarcástico.
- Argh! – ela bateu a porta do Volvo com tanta força que quase saí do carro para fazê-la voltar e pedir desculpas. Mas não valeria a pena e eu tinha coisas mais importantes a fazer.
Fiz a manobra no Campus e estacionei, para ir até o prédio de Engenharia, e encontrar a mulher mais linda do mundo: Esme Cullen.
Encostei na parede em frente a sua sala e acendi um cigarro esperando acabar a aula. Vinte minutos depois vejo minha mãe em seus cachos loiros, caindo sobre os ombros, uma blusa de gola alta vermelha e um terno cinza, saindo da sala de aula com vários livros na mão.
- Deixa que eu te ajudo, mãe. – dei um beijo em sua testa e peguei os livros.
- Pára com isso, Edward. Eu consigo pegar. – ela riu. – E tira esse cigarro da boca. Quantas vezes tenho que falar que não vou ficar com você no hospital quando você tiver câncer de pulmão?
- Eu me viro sozinho. Quanto aos livros; eu levo até o seu escritório. Deixa de ser chata. – ri junto.
- A que tenho a ilustre visita do meu filho bonitão? E de terno, ainda por cima? – ela levantou os óculos de grau na cabeça e me olhou sorrindo enquanto andávamos pelo corredor do prédio de engenharia.
- Quero almoçar com você hoje e saber se têm aluninhas novas na sua turma.
Esme revirou os olhos e parou no meio do caminho.
- Muito maduro, Edward. Muito maduro.
Fomos para o restaurante do campus e conversamos sobre diversos assuntos, inclusive a viagem em família que faríamos no final do ano com Carlisle para o Alaska.
- Seu pai é louco! Só escolhe lugar assim. – ela disse enquanto dava garfadas em uma folha de alface.
- Mãe, nós já fomos pra quase todos os lugares conhecidos. O Alaska vai ser legal, te garanto.
- Enfim, não importa. Ficar com meu maridão e meu filho lindo já é bom demais. – ela sorriu.
Esme vivia estudando e ficava compenetrada a semana inteira em suas teses. Carlisle praticamente morava no hospital e poucas eram as horas que eles passavam juntos. Mas quando estavam unidos era muito bom. Um amor admirável. Eu fazia questão de ficar em casa nesses momentos. Me sentia bem quando minha família estava junta.
- Tenho uma entrevista de estágio hoje. – falei olhando para a minha comida.
- Excelente, filhote. Era o que faltava pra sua grade, não é?
- Exato. – sorri. – Flint arrumou pra mim.
- Flint é uma excelente profissional. Fico feliz. Mas quero que saiba que isso é mais uma provação de responsabilidade sua. Encare como uma coisa séria. Você sabe que sua educação e sua profissão são as maiores heranças que eu e Carlisle podemos deixar para você.
- Sério que não tem herança em dinheiro? – ri.
- É esse tipo de atitude que me tira do sério, Edward. – ela apontou pra mim com o garfo.
- Estou brincando, Miss Cullen. – ri mais alto.
- Que horas vai pra lá? – ela disse enquanto bebia o suco de melancia.
- Daqui a pouco. Saindo daqui vou para o Centro.
- Qual o nome da empresa?
- Swan & Associates.
- A empresa do Charles Swan? – ela continuou mastigando e olhando pra mim.
- Não sei. É? Eu sabia que eu conhecia esse nome de algum lugar.
- É! Charles Swan é aquele advogado conhecido de Atlanta. – ela parou por um tempo processando a informação e sorriu. - Filho, isso é ótimo. Um ótimo começo. Não me desaponte nisso, e nem a seu pai. Nós já ficamos muito decepcionados quando você reprovou no colégio.
- Não quero voltar nesse assunto, mas eu repito que a culpa não foi minha. E isso já tem anos!
- Tá Edward, mas se você tivesse estudado não precisava ter pedido cola pra ninguém. Ponto final.
- Eu estava sobre o efeito do remédio que meu pai tinha dado!
- Você falou que não ia voltar nesse assunto. – ela colocou o óculos novamente, ajeitando o garfo e a faca no prato. – Vamos? – perguntou passando a mão em meu cabelo. - Tenho reunião com dois alunos de monografia agora.
- Vamos, Dona Esme.
Enquanto estávamos na fila, ela pegou o celular que vibrava no bolso e olhou a tela.
- É seu pai. Vou contar sua notícia pra ele.
- Tudo bem. – dei um beijo em sua cabeça. – Nos falamos mais tarde. Dá um abraço no pai.
- Tchau, meu amor. – ela sibilou ajeitando o cabelo e atendendo ao telefone.
Saí do restaurante do Campus e fui em direção ao estacionamento, quando senti os dedinhos pequenos batendo em meu ombro.
- Fala, Brandon. – sorri.
- Cullen, por onde o senhor andou esse tempo todo, posso saber? Não te vi mais depois da prova de Penal. E que roupa é essa? Você de terno? Em que mundo estamos? – ela franziu o cenho delicado.
- Ih... já aconteceu muita coisa depois da prova. Meu dia está sendo cheio. – sorri de um jeito que provavelmente só Alice conhecia.
- Não me diga que comeu Jessica novamente! – ela revirou os olhos.
- Não, não. Não dessa vez. Foi um trabalho digamos... mais dela do que meu. – continuei sorrindo.
- Você não presta, garoto. – ela deu um tapa em minhas costas e riu, revirando os olhos. – Acho que é por isso que nos damos bem. – entregou um papel rosa brilhante. – Você vai?
- Não. Odeio festinha de fraternidade. – rebati. – Jessica já tinha perguntado se eu ia.
- Vai estar cheio de garotas, Edward. É sua chance de mudar um pouco de cardápio e descartar a Jessica. Um ano comendo o mesmo prato? Fala sério... – ela passou a mão nos cabelos curtos e olhou de cima a baixo um calouro que passou por nós.
Nosso relacionamento era estritamente amizade. Ela era a minha versão feminina, e compartilhava de todos os meus segredos, assim como eu compartilhava os dela. Dotada de um gênio forte, não admitia brincadeirinhas, e odiava compromisso. Nunca namorou, e sempre só curtiu.
- Cansei de menininhas da faculdade. Inexperientes demais. – olhei para o céu, e o sol já havia sumido. Estava começando a esfriar novamente. Porra de tempo louco.
- Ah sim, e você quer o que agora? As professoras? – ela riu.
- Não. Aí é que você se engana! – sorri e apertei sua bochecha. - Tenho uma entrevista de emprego agora. Vou dar uma analisada por lá. Escritórios de advocacia tendem a ter as mulheres mais gostosas.
- Hahaha, entendido. Boa Sorte. – ela colocou a o dedo nos lábios e então paramos no meio do caminho. – Ah! Você poderia me dar uma carona mais tarde? Vou estudar com Josh na biblioteca. – ela sorriu. – Me liga quando sair de lá. – ela pegou o papel rosa brilhante de minha mão e guardou no fichário branco. – É bom que vou ser a primeira a saber sobre sua entrevista.
- Dou sim. Mas esteja pronta quando eu passar aqui. Não vou ficar te esperando. – acendi um cigarro assim que saímos do prédio. - Hoje vou assistir ao jogo com Emmett. Já entrou nas finais. Se quiser ir, está convidada pra ir lá em casa.
- Não! – ela arregalou os olhos. – Desculpa Ed, mas... – ela bufou. - Pelo amor de Deus! Emmett não me deixa em paz desde aquele dia em que dormimos juntos. – cruzou os braços. – Será que ele não percebe que eu não quero namorar?
- Emmett é meio sentimental mesmo. – gargalhei. – Não sei nem como somos amigos, ele às vezes me irrita com esse sentimentalismo excessivo. – abri a porta do Volvo e me encostei enquanto terminávamos de conversar.
- Poisé, imagina dormir com um sentimentalista excessivo. – ela revirou os olhos.
- Sério que você quer que eu imagine isso? Cala a boca, Alice. – ri e dei um tapa em sua testa.
- Ok, chega. Vai lá. – ela riu e me empurrou. – Boa sorte, e me liga!
- Pode deixar.
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Eu odiava me sentir nervoso e vulnerável. Depois de me identificar na portaria do prédio, entrei em um enorme elevador espelhado. Olhei meu reflexo e ajeitei a gravata. Eu não ia me estressar. Eu ia encarar essa mulher de jeito, e o cargo seria meu. Simples assim.
Ao chegar no gigantesco escritório com janelas de vidro escuro que iam do teto ao chão - esses de mármore branco - encostei no balcão principal do hall de entrada e olhei a belíssima loira sentada digitando algo no computador de forma compenetrada.
- Boa Tarde. – exagerei no tom de voz sexy e arrebatador. Saiu meio rouco e eu sabia que era irresistível.
- Boa. – ela me olhou séria. Sério que não tinha dado certo? – Quem é você?
- Edward Cullen. Estou procurando por Angela Weber. Tenho uma entrevista.
- Ah. Sim. – ela me olhou de cima a baixo e pegou o telefone. Enquanto ela falava, dei um tempo para observar o ambiente de ar condicionado absurdamente gelado. Era um espaço muito grande para um hall de entrada. Chegava a ser meio intimidador. Dois sofás de couro preto ficavam no canto, com algumas revistas em uma mesa de vidro centralizada. Uma máquina de café expresso, com cappuccino e milhares de variáveis de café, ficava do outro lado junto com uma máquina de refrigerantes e outra de salgadinhos. Na parede ficavam os diplomas da diretoria e dos sócios. Charles Swan, Isabella Swan, James Bradley e Jasper Hale. Só tinha uma mulher nessa porra dessa diretoria, e eu tinha sido o sortudo para ser estagiário dela. Que merda.
- Sr. Edward? – a loira me chamou com a voz baixa quase inaudível. Se não fosse pelo silêncio extremo acho que nem teria ouvido.
- Oi. – virei com as mãos nos bolsos distraído.
- A Srta. Angela está esperando. É no décimo nono andar, mas temos um elevador interno. Fica no corredor à esquerda. – ela apontou. – Quando chegar lá procure pela sala da Diretoria.
- Ok. – me aproximei novamente do balcão. – Obrigado.... Heidi. – olhei o crachá minuciosamente.
- Disponha. – ela me ignorou e voltou para o computador. Que porra essa mulher tinha? Minha vulnerabilidade parecia ainda mais abalada com a atitude dela.
Fui até o bendito corredor e entrei no elevador. Panorâmico. Esse povo tinha mais dinheiro do que eu imaginava. Pra que colocar um elevador panorâmico dentro de um escritório? Quando fui até o décimo nono andar foi que vi que no meio havia um jardim de inverno e uma pequena lanchonete para os funcionários. Tudo isso em dois andares. Puta exagero. Quantas pessoas trabalhavam aqui pra precisarem de uma lanchonete particular, afinal? Devia ter alguma razão para isso.
O segundo andar era ainda mais amplo e moderno que o primeiro. O ar condicionado, porém, era tão gelado quanto o de baixo. Quando achei a enorme porta de madeira com a placa em prata escrito "Diretoria" passei a mão nos cabelos dando o último suspiro nervoso. A partir do próximo passo o Edward-Cullen-foda-e-seguro-de-si ia tomar conta de mim. Precisava recuperar minha confiança e a recepcionista não parecia me ajudar.
- Boa Tarde. – falei ao ver uma menina magra, com cabelos pretos e lisos um pouco depois dos ombros e óculos de grau.
- Boa Tarde, Edward! – ela falou sorrindo. Finalmente algo caloroso nesse escritório frio. Já bastava a louca da recepcionista frígida. – A Srta. Isabella já vai te atender, ela só está terminando de fazer uma video-conferência.
Isabella Swan. Porra! Porque esse nome não saía da minha cabeça? Tentei de todas as formas possíveis e imaginárias escavar minhas memórias e lembranças, mas nada vinha. Devia ter lido no jornal ou algo parecido.
- Edward? – Angela inclinou a cabeça em minha direção. – Alô? – ela riu.
- Oi Angela, desculpa. Tava pensando em outras coisas. – ri também.
- Tudo bem. – ela sorriu novamente e voltou à enorme quantidade de papéis em cima da sua mesa. – Céus, eu não vou conseguir terminar isso hoje. – ela bufou.
Ri ao ver seu aparente desespero, e então sentei na poltrona em frente à sua mesa observando as coisas que ela fazia. Nas pastas tinham nomes de clientes, e processos criminais. Não via a hora de me envolver nesses casos. Eu tava no lugar certo. Pena que a chefe era a errada. Eu não sabia como agir ao ser mandado por uma mulher, e isso seria o meu maior desafio.
- Você ri, mas quando estiver no meu lugar você vai chorar. – ela deu um sorriso fraco. – Se eu te explicasse como funcionamos aqui, você me entenderia.
- Pode me explicar. Enquanto a mocinha lá dentro não me atender, tenho todo o tempo do mundo. – sorri abrindo meu paletó e ajeitando-me na cadeira, fazendo-a perder seu olhar em mim por um tempo. Sabia que isso ia acontecer. Então soltei um sorriso torto.
Angela sacudiu a cabeça sorrindo, e então ficou séria novamente.
- Isso é a primeira coisa. – ela levantou o dedo. – Nunca chame a Srta. Swan por nomes, apelidos, ou algo parecido. Prepotência não funciona com ela. – ela riu. – Ela é um amor de pessoa, e trata muito bem os que merecem. Mas pra quem não anda na linha, ela sabe ser uma bitch total. – disse as duas últimas palavras quase que como um sussurro.
- Quantos anos a Srta. Swan tem? – falei debochado.
- Quantos anos você tem? – ela entrelaçou suas mãos em cima dos papéis e olhou pra mim.
- Vinte e quatro.
- Pois ela tem a mesma idade que você. – ela levantou uma sobrancelha e sorriu da mesma forma debochada que eu havia feito antes.
- Tá de sacanagem. – bufei e falei baixo, passando a mão nos cabelos.
- O que? – ela riu. - Apesar de nova, parece ter experiência de pessoas com o dobro da sua idade. Portanto, não a subestime. – ela pegou mais alguns papéis e grampeou.
- Ok. – levantei minhas mãos me rendendo. – Mas posso te fazer uma pergunta? – ri.
- Diga. – Angela ajeitou o óculos no nariz.
- Porque vocês tem uma lanchonete no jardim de inverno? Sério, quantos funcionários tem? Porque tem um shopping a duas ruas daqui, desnecessário ter aquilo ali. – apontei para trás, na direção da onde ficava o jardim de inverno.
Angela riu, e parou novamente de dar atenção aos papéis.
- Primeiro, somos 60 funcionários. 40 na área fiscal e 20 na área criminal. Só tratamos dos dois. E segundo, no dia que você tiver que ficar analisando uma petição criminal até três horas da manhã, horário em que o shopping já está fechado, vai agradecer por ter uma lanchonete a alguns pequenos passos da sua mesa. – ela piscou.
Puta Merda.
O telefone gritou na mesa de Angela nos dando um susto, e então ela sorriu pra mim ao atender.
- A Srta. Isabella vai te atender.
