CAPÍTULO III
Enquanto entrava, Draco perguntou-se se cometera um erro ao vestir seu novo terno Armani. Todos o olhavam como se ele fosse de outro mundo. O velho senhor sentado no canto do balcão, o grandalhão atrás do bar e a garota que estava ao lado.
Srta. Hermione Granger, provavelmente.
O olhar dele fixou-se nela, detendo-se por um instante na volumosa massa de cabelos... Santo Deus! Se um salão de beleza fizesse aquilo a uma mulher em Sidnei, certamente seria processado.
De qualquer forma, os cabelos podiam ser consertados. Ele esperava.
Finalmente Draco examinou o rosto, que estava completamente ao natural, sem nenhuma maquiagem.
Nada mal... Olhos grandes, maçãs do rosto salientes e lábios carnudos.
Por outro lado, as sobrancelhas eram espessas demais. E a pele parecia seca e excessivamente queimada pelo sol.
Mesmo assim, nada que um dia num bom salão de beleza em Sidnei não pudesse contornar.
Pelo menos ela era alta e magra, com uma figura bem apresentável. Muito parecida com a tia, em tamanho e porte. Com um pouco de sorte a moça ficaria perfeita no caríssimo guarda-roupa de Maxine. Harry tinha dito que a mulher possuía roupas para todo tipo de ocasião. E muito mais...
O suéter e a calça jeans que a garçonete usava no momento não combinavam com a futura presidente da Femme Fatale.
Draco sorriu ao se aproximar do balcão, mas seu sorriso não foi retribuído. A mulher limitou-se a encará-lo, imóvel.
Olhos azuis, ele pensou ao sentar-se numa banqueta depois de colocar sua cara valise Gucci no chão.
— Srta. Granger? — perguntou num tom absolutamente impessoal. — Srta. Hermione Granger?
Ela não disse uma palavra, continuando a olhá-lo com curiosidade.
Foi o sujeito grandalhão quem falou:
— Quem quer saber? — O tom da pergunta era de desconfiança. O homem, visto de perto, parecia bem mais idoso que à primeira vista. Mesmo assim, tratava-se de uma figura formidável.
— O nome é Malfoy — Draco disse. — Draco Malfoy. Estou aqui representando a companhia Femme Fatale. Você já deve ter ouvido falar... É uma empresa com sede em Sidnei que produz lingeries finas.
A garota finalmente quebrou o silêncio.
— Você vende roupa íntima? — O riso dela era de descrença. Apesar do momento embaraçoso, Draco limitou-se a sorrir secamente.
— Não, não sou um vendedor. Na verdade, trabalho com publicidade. Sou proprietário de uma agência em Sidnei chamada Wild Ideas. Posso apostar que nunca ouviu falar.
— Sinto muito — Hermione replicou. — Como deve ter percebido, estamos um tanto... Isolados aqui neste lugar. Mas como sabe meu nome, e o que quer de mim?
O tom frio e desconfiado da pergunta pegou-o de surpresa, bem como a polidez das palavras dela. Hermione Granger falava mais como uma princesa britânica do que como uma simples garçonete.
— Eu também gostaria de saber a resposta — o homenzarrão secundou-a.
Draco recobrou-se da própria surpresa e, da forma mais urbana e profissional que pôde encontrar, fez um resumo da história da Femme Fatale, terminando com o que tinha acontecido à companhia depois da morte trágica de Maxine. Cuidadosamente, evitou revelar que a tia de Hermione era homossexual. Quando, porém, revelou que Maxine tinha deixado a companhia para a parente mais próxima, que no caso era Hermione, a moça ficou simplesmente aturdida.
Pelo menos daquela vez a reação não fora uma desconfiança fria.
Em seguida, ele entregou a Hermione uma carta de apresentação feita pelo escritório de Harry, juntamente com uma cópia do testamento de Maxine, e ela segurou os documentos com mãos trêmulas, lendo-os atentamente. Terminada a leitura, Hermione repassou os papéis para o homem a seu lado e voltou a encarar Draco com uma expressão chocada.
— Eu sabia que papai tinha uma irmã em algum lugar — admitiu. — Mas ele nunca quis que eu entrasse em contato com ela. Vivia dizendo que minha tia era uma depravada.
As sobrancelhas de Draco arquearam-se imperceptivelmente.
— Está nos dizendo que Hermione é uma herdeira? — o gigante perguntou. — Que ela é rica?
— Ela é e não é — Draco replicou. — Infelizmente, Maxine não deixou propriedades ou dinheiro... apenas um incrível e caríssimo guarda-roupa de luxo. Para dizer a verdade, ela até devia uma pequena quantia quando morreu. De qualquer forma, a Srta. Granger herdou muitas ações, ações que dão a ela o controle da empresa.
— Uau! Isso é ótimo! — o outro homem comemorou. — Ouviu isso, amor? Você está rica!
— Acho que não — a garota comentou pensativa. — A julgar pelo que o Sr. Malfoy acabou de dizer, essas ações não devem valer muito no momento.
Draco decidiu não mentir para Hermione. Pelo menos por enquanto...
— Creio que isso depende de seu ponto de vista. As ações estão valendo uma fração de seu preço real. Mas você ainda levantaria algo próximo de duzentos mil dólares se as vendesse ao preço de mercado hoje.
— Duzentos mil! — ela engoliu em seco, e Draco percebeu instantaneamente que tinha um problema nas mãos. Devia ter imaginado que aquela quantia devia parecer uma verdadeira fortuna para alguém que morava num fim de mundo como Drybed Creek. — Ouviu isso, Augusto? Com duzentos mil dólares eu poderia reformar esse lugar e transformá-lo num hotel de classe. Colocaríamos banheiras nas suítes, ar condicionado e...
— Espere um minuto, amor — Augusto interrompeu-a com ar preocupado. — Eu nunca a deixaria fazer isso. O dinheiro é seu, não meu. Não vai querer passar o resto da vida em Drybed Creek... Não uma garota como você. Deve guardar num banco e prevenir seu futuro. Lembra-se de que vivia dizendo que não queria ser como seu pai? Ele nunca pensou em poupar um centavo, e veja como acabou.
— Sim, isso é verdade...
— Primeiro você devia fazer algo que realmente deseja. Uma viagem, talvez. Que acha de ir para Sidnei? Você sempre sonhou em ir para lá.
Draco estava começando a gostar do tal Augusto. Seus lábios entreabriram-se para fazer uma proposta, mas Hermione falou primeiro:
— Como posso ir para Sidnei quando você precisa de mim aqui? Não, não, Augusto, não vai se livrar de mim tão fácil. Ficarei aqui até que você realmente esteja bem. E não quero mais ouvir essa Bobagem sobre o dinheiro ser só meu. O que é meu é seu. Não, eu vou vender aquelas ações e usar o dinheiro para transformar este lugar.
Os olhos de Augusto pareciam desanimados, Draco notou, como se o sujeito estivesse enjoado por ter alguém controlando sua vida, e seu negócio. Obviamente Hermione não era apenas uma garçonete. Qual seria a verdadeira ligação entre os dois? Augusto era velho o bastante para ser avô dela! Mas às vezes coisas muito estranhas aconteciam num lugar pequeno e isolado como aquele...
Qualquer que fosse a relação dos dois, Draco estava feliz por ter encontrado um aliado. Porque tinha notado que a Srta. Granger era do tipo teimoso. E era esperta também. Nada do que tinha imaginado.
Entretanto, Draco ainda nem tinha tocado no que era o ponto fraco da maioria das pessoas. A cobiça.
— Infelizmente, não é tão simples assim — ele interveio. — Em primeiro lugar, Srta. Granger, não poderá vender as ações até que o testamento passe por todos os trâmites legais, o que pode demorar algumas semanas. Em segundo lugar, você vai descobrir que é bem difícil encontrar um comprador para uma quantidade tão grande de ações, especialmente quando se trata de ações de uma companhia que no momento encontra-se numa situação financeira precária.
— Oh! — Hermione murmurou desanimada.
— De qualquer forma, tenho um plano — Draco continuou. — Uma idéia que pode ao mesmo tempo salvar a companhia e aumentar o preço das ações. Mas, para isso, realmente preciso que me acompanhe até Sidnei, Srta. Granger.
— Como eu poderia? Augusto esteve doente e...
— Sinto-me forte como um cavalo agora — Augusto interrompeu-a com firmeza. — Sinceramente, amor. Escute o que o homem está dizendo. Oportunidades como essa não aparecem todo dia, você sabe.
— Só precisaria se afastar por um mês — Draco comentou razoavelmente. — Um mês de sua vida, o que lhe permitirá conhecer uma das maiores cidades do mundo e ao mesmo tempo lhe dará a chance de realizar um grande negócio!
— Mas como minha presença por um mês poderá fazer tanta diferença? — ela perguntou, numa mistura de hesitação e espanto. — Quero dizer... o que eu poderia fazer para mudar o estado das coisas?
— Da seguinte forma, Srta. Granger: Como única herdeira de sua tia, poderá administrar a Femme Fatale até vender sua cota de ações.
— Verdade?
Draco notou que a idéia parecia ao mesmo tempo excitá-la e intrigá-la.
— Sim, verdade — ele repetiu com convicção. — Você herdou mais da metade das ações da companhia, o que lhe permitirá controlar os negócios. Francamente, no momento a Femme Fatale precisa desesperadamente de você, Srta. Granger. O advogado de sua tia nomeou um administrador provisório para o espólio, mas errou ao escolher um homem. Tenho a forte suspeita de que a equipe formada por sua tia, constituída por uma grande maioria de mulheres executivas, não gosta muito de receber ordens do administrador. Estão acostumadas a ter uma chefe mulher. Espero que sua presença lá possa mudar tudo.
Hermione arqueou as sobrancelhas, mordiscando o lábio ao mesmo tempo.
— Mas não sei nada sobre a indústria de moda...
— É aí que eu entro. Minha agência de propaganda trabalha com a Femme Fatale desde o começo, por isso acabei aprendendo alguns truques com o passar dos anos. Serei seu guia secreto. Seu braço direito nos bastidores, por assim dizer...
Ela ainda parecia hesitante. Mas como poderia ser diferente? Para uma garota do interior, sem grande experiência, administrar uma grande empresa podia ser uma idéia assustadora. Muito diferente de trabalhar como garçonete num lugarejo como aquele.
— Que mal fará se tentar? — Draco murmurou no seu tom mais persuasivo. — O valor das ações pode cair ainda mais se não tomarmos uma atitude. Escute, a reunião anual da diretoria acontecerá dentro de um mês. Se você estiver lá, liderando o encontro, evitará uma debandada dos demais investidores. O preço das ações inevitavelmente subirá... podendo até atingir um patamar próximo ao valor de venda em que se encontrava antes da trágica morte de Maxine.
Calou-se tempo suficiente para recuperar o fôlego. Então continuou:
— De qualquer forma, o preço certamente vai subir. Nesse momento você poderá vender sua ações, e então voltará para cá com uma verdadeira fortuna na sua conta bancária. E, como eu já disse, será apenas um mês de sua vida.
Draco não podia acreditar que a garota ainda hesitava. Qual era o problema com ela? Será que não tinha nenhuma coragem? Ou será que somente se preocupava com a situação do bom e velho Augusto? O homem queria que ela fosse, e aquilo era bastante claro.
— Se tudo correr de acordo com seus planos, Sr. Malfoy, e o preço das ações subir — Hermione murmurou devagar —, o que vai acontecer com a empresa quando eu vender minha cota?
A pergunta o pegou de surpresa. O que aquilo importava?
— O negócio vai ser arruinado outra vez, não é? — ela murmurou preocupada. — E todas aquelas pessoas provavelmente perderão seus empregos...
Por um instante Draco não pôde acreditar no que ouvia. Entre todas as garçonetes do mundo, ele tinha que lidar com uma que possuía consciência social!
— Não necessariamente — ele respondeu, sorrindo com os dentes cerrados. — Durante o mês que vai passar em Sidnei você pode contratar uma equipe administrativa competente, o que dará à companhia uma chance de sobreviver a todas as mudanças.
— O que há de errado com a equipe que trabalhava com minha tia?
— Se demitiu quando o novo administrador foi nomeado.
— Oh, eu entendo. Sim, eu entendo.
Houve uma longa pausa. Depois disso o olhar de Hermione fixou-se no dele.
— Me diga uma coisa, Sr. Malfoy, qual é o seu interesse nisso tudo? Quero dizer... você certamente teve muito trabalho para vir até Drybed Creek. A conta publicitária da Femme Fatale é tão importante assim?
Draco teve que respirar fundo para esconder a própria frustração. Por que tivera o azar de encontrar uma mulher com cérebro, em vez de uma garota caipira que pudesse manipular facilmente? De qualquer forma, como bom jogador, ele sempre guardava uma carta na manga para a última rodada.
— Posso conversar com você em particular, Srta. Granger? — O tom de voz dele agora era quase confidencial.
— Acho que é melhor me chamar de Hermione — ela replicou com certa relutância. — Mas, seja lá o que tiver a me dizer, pode falar na frente de Augusto. Ele me criou desde que meu pai morreu e não temos segredo entre nós...
— Pode apostar — Augusto interveio com firmeza. — E não pretendo ir a lugar nenhum. Fale logo, Sr. Malfoy.
Mais uma vez, Draco esboçou um arremedo de sorriso.
— Podem me chamar de Draco...
— Ótimo. Não estamos acostumados com muita cerimônia por aqui. Então, qual é seu verdadeiro interesse, Draco?
Ele respirou fundo antes de falar:
— Você está certa. Eu tive mesmo muito trabalho para vir pessoalmente. Mas não fiz isso por interesse próprio. A saúde financeira da Femme Fatale não me afeta, nem à minha firma. Na verdade, a Wild Ideas é um sucesso, por isso não tenho necessidade de me preocupar com nenhuma conta de publicidade em particular...
O olhar dele fixou-se no rosto de Hermione por um segundo. Era a hora certa para lançar sua cartada. Dizer simplesmente a verdade:
— Não vou mentir para você, Hermione. Eu realmente não ligo para você ou sua herança. Droga, mal a conheço! Mas vim aqui para tentar ajudar uma pessoa com quem realmente me importo. Para salvá-la da ruína financeira. O nome é Harry Potter, e ele é um dos sócios do escritório da advocacia que representava os interesses da sua tia. Para ser franco, é meu melhor amigo.
Draco calou-se deliberadamente, manipulando uma pausa dramática.
— Continue — Hermione murmurou curiosa. Parecia ter mordido a isca...
O suspiro dele soou preocupado, mas no fundo Draco sentia certo alívio.
— Harry possui muitas ações da Femme Fatale. Infelizmente, ele as comprou quando o preço de mercado era o máximo. Foi um tolo por comprar tantos lotes, e chegou até a vender propriedades para fazer isso. Mas o homem acreditava que estava fazendo um bom investimento para garantir o futuro da família. Harry, ao contrário de mim, é um devotado marido e pai de família. Tem dois filhos, um garoto e uma menina. James e Lilian. Para ser franco, sou padrinho de Lilian...
Draco meneou a cabeça devagar, fixando o olhar no balcão para que os ouvintes não percebessem nenhuma falta de sinceridade.
— Se a Femme Fatale afundar — continuou, deixando escapar outro suspiro — Harry irá junto. E o casamento dele provavelmente não vai resistir. Ele tem medo da reação que a esposa pode ter quando descobrir que as economias da família foram todas investidas num negócio arruinado. E também teme que a esposa leve as crianças ao deixá-lo. Não posso deixar isso acontecer. Não vou deixar que aconteça — ele emendou, batendo no peito com o punho cerrado. — Não se eu puder evitar.
Por um instante, no silêncio que se seguiu, Draco temeu ter exagerado sua atuação. De qualquer forma, manteve a expressão mais digna possível no rosto.
— É admirável encontrar um homem que se importe com os amigos — Augusto comentou. — Você deve acompanhá-lo até Sidnei, amor — continuou, dirigindo-se a Hermione. — Te conheço bem. Você não se perdoaria se não tentasse ajudar o amigo do Draco. Principalmente porque a felicidade da família do homem está em jogo... Além disso, não é vergonha nenhuma tentar multiplicar seu próprio dinheiro honestamente, não é, Draco?
Aquele homenzarrão era incrível.
— Claro que não! — Draco replicou com firmeza.
— Você está certo... — ela murmurou, parecendo desconsolada. — Sei que está certo. É que...
— Fica preocupada comigo — Augusto terminou a sentença.
— Sim.
— Isso é bobagem, e você sabe disso. Ficarei bem. De qualquer maneira, Ninfadora Tonks se ofereceu para me ajudar sempre que for necessário...
Os olhos de Hermione estreitaram-se, deixando bem óbvio que ela desaprovava aquela ajuda.
— Fique bem longe de Ninfadora Tonks — ela ordenou. — Pelo amor de Deus, Augusto, a mulher já se casou com todos os solteirões decentes de Drybed Creek.. e sobreviveu a todos eles. É a própria viúva negra.
— Ninfadora é uma boa mulher, minha filha — respondeu contrariado. — Só não tem tido muita sorte, a coitada...
Observando atentamente a cena, Draco concluiu que por trás da superfície cínica e desconfiada aquela mulher escondia um coração muito, muito terno...
Também se perguntou que homem a teria magoado no passado, mas concluiu que era melhor esquecer aquela questão.
— Bem... tudo bem — Hermione finalmente concordou. — Mas só poderei ficar por um mês — emendou, focalizando os olhos de Draco. — Nem um dia a mais!
— Nem sei como lhe agradecer — ele murmurou, estendendo a mão para cumprimentá-la e tentando conter um sorriso de satisfação.
Definitivamente, Draco Malfoy podia se considerar um excelente ator.
N/A:Pessoal meu PC está no concerto,então vou ter que postar no meu horario de trabalho T.T
vou postar nas segundas ok?
Amei os comentarios *-*
Mila Pink : a questão do Rony vai ser abordada nos proximos capitulos, tenha adiantar que ele foi um canalha e só.
Ahh e tambem adoro o Draco mais safado *-* (quero ele pra mim um dia)
Lally Sads : Obrigada querida, estou com alguns problemas mas prometo postar com mais freqüência *-*
Continuem comentando lol
