Cap. 2: Teobaldo por Romeo
Jensen's POV
Eu não sabia o que estava acontecendo, eu ao sabia o motivo de ter convidado ele para ir lá em casa, eu não sabia o porque de ter sentido vontade de empurrá-lo no balanço, eu não sabia o porque de ter sentido aquela vontade insana de beijar os lábios dele.
Apenas aconteceu, era como se todo aquele momento me chamasse, como se fossemos pessoas diferentes, pessoas que podiam se entregar aquele momento. Como se nada mais existisse, como se o fato de eu estar beijando outro garoto fosse normal.
Eu o levei para casa e por todo o caminho eu imaginei o que estaria se passando pela cabeça dele, porque eu estava assustado e com medo, mas tentava não demonstrar, mas era visível o modo como ele estava, os olhos fixos, como se apenas o corpo dele estivesse presente, eu reparei que várias foram as vezes que ele abriu a boca para falar, mas tornou a fechá-la sem dizer uma só palavra, e isso me assustava ainda mais.
Eu desviava o olhar constantemente para as nossas mãos, batiam uma nas outras de vez em quando, de propósito, é claro, mas só porque eu não sabia se podia pedir para segurar nas mãos dele.
Normalmente, eu não seria esse tipo de pessoa, sabe?! Esse tipo que quer andar de mãos dadas na rua, que quer sorrir entre os beijos, porque eu não o tipo de cara romântico, como Misha costumava se referir aos garotos do time de basquete, nós éramos os trogloditas do colégio, mas eu não queria mais ser.
É uma coisa estranha para falar a verdade, eu não me imaginava aqui, ainda mais com uma pessoa que eu nem ao menos reparava, porque as únicas lembranças que eu tenho do Misha, não são muito felizes, principalmente para ele.
Lembro de ter acertado a cabeça dele com a bola do basquete no campeonato do começo do ano, que teve no colégio, não foi intencional, é claro, eu nunca fui do tipo de implicar com os nerd's, eu só... Não me importava com o fato dos meus amigos fazerem isso.
Lembro do Jared pegar os livros dele e jogar no lixo, lembro das pegadinhas e das piadinhas que faziam dele e do grupo de teatro, eu ria, mas não concordava com isso, minha consciência pesava depois.
Então tudo mudou agora, e faz apenas uma semana que eu estou nesse grupo, tudo idéia do insuportável do diretor, o fato é que, no fim, eu sei que vou ter que agradecê-lo por isso, porque ele me fez conhecer Misha e o grupo dele, e eu sei que... De algum modo, o basquete nunca foi o meu lugar.
Quero dizer, eu adoro basquete, mesmo, é como se eu pudesse ser mais próximo do meu pai com isso, porque ele também foi capitão do time de 1960, então é algo em comum, mas agora, se me pedissem para escolher entre o time e o teatro... Pois é, não haveria duvidas.
Minha mãe chegou a reparar, disse que eu estava mais feliz e que estava até mesmo assoviando, eu disse que era tudo coisa da cabeça dela e que com certeza, todos aqueles casos a estavam afetando de alguma maneira.
Ela sorriu pra mim e levantou as duas sobrancelhas, um jeito dela me dizer que nunca estava errada, o que me fez pensar se ela usava essa estratégia no tribunal também. Balancei a cabeça, agradeci pelo lanche e sai, eu não olhei no relógio, mas tinha certeza que era muito cedo, porque minha mãe, nem estava pronta ainda. Devia ser a ansiedade.
Maldita! Era assim o tempo todo agora.
Eu levantava cedo para ir a escola, eu roia as unhas quando Misha dizia que ia lá em casa para ensaiar, minha vida era ter um mini ataque cardíaco cada vez que acordava, porque meu primeiro pensamento era que eu o veria naquele dia.
Já estava quase chegando à escola quando notei que minha mãe tinha razão, eu assoviava, sem nem mesmo perceber. Fechei a cara e mordi o interior da boca, apressei os passos e cheguei rápido, estava praticamente vazio, olhe o relógio e percebi que os portões tinham sido abertos aquele instante.
Sem opção, fui à biblioteca, com certeza era a única sala que estava aberta naquele horário, já que nem mesmo o diretor tinha chegado ainda. Não sei quanto tempo fiquei lá, mas quando sai da sala, aqueles alunos pareciam ter brotado do chão.
Passei os olhos pelo lugar, procurando ele.
Sabe como é isso? Já sentiu? Já chegou em algum lugar e se pôs a procurar por alguém? Era como eu estava naquele momento.
Não me importava se algum professor não tinha chegado, ou se alguma sala ainda não estava 'usável', não me importava com nada, o importante mesmo era que Misha estivesse ali, para que eu pudesse vê-lo, porque apenas de encarar aqueles olhos e receber aquele sorriso, eu já tinha ganhado o meu dia.
Eu não sabia o que tinha me chamado a atenção nele, quer dizer, acho que tinha sido tudo, mas... Eu não o via como um garoto, quer dizer, eu sabia que ele era, mas não fazia diferença pra mim, era Misha ali, e eu nunca tinha sentido nada parecido com o que eu sentia agora, só por ter ele do meu lado.
Eu finalmente sorri quando aqueles fios pretos bem penteados e os olhos azuis, que também analisavam a multidão, assim como eu também estava fazendo, eu só não sabia se ele estava me procurando, resolvi me aproximar mesmo assim.
_Hm, oi. – eu disse, sem saber ao certo como cumprimentar.
Ainda era tudo muito esquisito, até mesmo o fato de eu estar aceitando normalmente que estava gostando de Misha de um modo que eu não deveria, mas eu deixei isso de lado depois de ver o sorriso que ele me deu.
_Oi, Jen. – ele respondeu, e aquele diminutivo do meu nome me fez sorris encabulado, minhas bochechas esquentaram e eu sabia que estava vermelho.
_Nós... – e então parei subitamente, esperando o time de basquete passar, vi que Jared estava com a munhequeira de capitão e aquilo não doeu tanto quanto eu imaginei. – Nós precisamos conversar. – eu disse, assim que passaram.
Os olhos de Misha ainda olhavam o bando, e então ele desviou-os para mim, suspirou e abriu os lábios, como se fosse falar alguma coisa, mas então, eu senti uma mão grande apertar meu ombro, os olhos de Misha estavam arregalados agora, então eu virei para ver quem era.
_Jensen... Fiquei sabendo que vai atuar na peça do colégio esse ano, – e sorriu de um jeito debochado. – eu nunca pensei que você, justo você, se tornaria um deles.
_Não me enche, Mark. – eu rosnei.
Ele deu uma risada escandalosa e passou um dos braços pelo meu ombro.
_Fica frio, Jen. – disse. – Eu pensei que entrando na peça você finalmente conseguiria controlar seu mau gênio e deixaria seu lado florzinha desabrochar. – e riu mais ainda. – Esse é o seu companheiro? – eu travei meu maxilar, estava com um ódio mortal dele, fechei a mão e sabia que os nós dos dedos estavam brancos, tamanha força estava fazendo. – Ele é bonitinho, tem a bunda empinada... Já comeu ele? – perguntou, chegando perto de Misha e o analisando, senti nojo de Mark, foi quando fiquei cego.
Cego de ódio e ciúmes.
Foi tudo muito rápido, em um momento ele estava rindo e no outro estava estirado na parede mais próxima por causa do soco que eu lhe dei, mas é claro que Mark não pararia por ai, eu o conhecia a tempo suficiente para saber que quando ele entrava em uma briga, só saia quando ela acabava.
_Jensen, não! – as mãozinhas de Misha agarraram meu braço, mas eu estava tão furioso que acabei me soltando bruscamente dele, empurrando-o de encontro aos armários.
Fui na direção de Mark, só via ele na minha frente, ia acabar com aquele desgraçado, filho de uma puta!
_Eu vou te matar Mark! Vou te matar e pendurar o que sobrar de você na escola, pra todo mundo ver que eu não sou bicha! – e esmurrei ele mais uma vez. – Eu... Não... Sou... Bicha! – gritei, cada palavra correspondia a um soco.
Mark revidava, me acertou várias vezes, mas era ele quem estava mais acabado, só parei quando um monte de mãos surgiram e me seguraram, eu estava totalmente descontrolado.
_O que você acham que estão fazendo na minha escola? Por acaso isso aqui parece um ringue? Hein, Ackles? – a voz do diretor fez minha cabeça latejar e eu não conseguia vê-lo direito, já que um dos meus olhos, eu não tinha certeza qual deles, estava fechado por causa do inchaço, o miserável do Mark tinha me acertado em cheio.
_A culpa não foi...
_Eu não quero saber de quem é a culpa! Isso é uma escola! Eu pensei que estivesse levando a serio as aulas de teatro Jensen, pensei que estivesse aprendendo alguma coisa com elas, mas talvez você não tenha concerto! – ele bradou e eu diminui, percebendo o que tinha feito. – Tem vários no grupo que desejam fazer Romeo, você está fora, eu não quero saber de você freqüentando as aulas de teatro outra vez, vai fazer provas para poder passar, como todos os outros.
_Diretor eu...
_Não quero saber. – ele retrucou, antes que eu pudesse dizer o quanto sentia por ter feito aquilo. – Levem os dois para a enfermaria e os dispensem pelo resto da semana, comunique ao treinador que Mark não vai jogar em dois jogos e...
_O quê?! Mas eu...
_É a minha decisão! – ele gritou e Mark abaixou a cabeça. – E Jensen está fora da peça.
_Sim, senhor. – o zelador, que ainda me segurava disse.
O homem me soltou e foi ajudar Mark a levantar, escorado no zelador, eles sumiram depois de virar no corredor. Olhei para o diretor, ele tinha a face cansada e as olheiras pareciam maiores.
_Eu pensei que estava melhorando garoto, pensei que finalmente estava entendendo. Essas duas semanas... Em nenhuma delas, eu ouvi reclamações sobre você, Jensen, seu texto sobre Lancelot estava maravilhoso, sua oratória sobre as mudanças possíveis no país, eu... O que aconteceu?
Ele parecia decepcionado e eu abaixei os olhos respondendo sinceramente.
_Eu não sei, o Mark me irritou, me chamou de bicha, de florzinha, ele... Ele não entende que o teatro se tornou importante pra mim, nenhum deles entende! Até mesmo o treinador me expulsou por estar fazendo parte da peça! – eu soltei, como se fosse uma grande enxurrada.
_Como pode dizer que ninguém entende? – a voz dele soou tão sabia que por um momento esqueci a dor no olho e o abri, para vê-lo melhor. – Todos esses dias tenho visto você como garoto de olhos azuis, o Misha, você são amigos não são? Como pode dizer que ninguém entende? Você parece tão ligado a ele, imagino como ele deve estar se sentindo agora, pensando que você não liga para o teatro, apenas para sua reputação.
_Mas ele...
_Ele saiu chorando, Jensen, foi ele quem me avisou, você não acha que foi bruto demais batendo no Mark só porque não queria ser tachado como alguém que é como o Misha?
_O que quer dizer com isso?
Ele sorriu e balançou a cabeça devagar.
_Você praticamente se recusou a ser parte dele. – abri a boca para protestar, mas ele me parou com a mão, fazendo um gesto para que eu apenas escutasse. – Não estou dizendo isso com um contexto sexual implícito, Jensen, estou dizendo isso como amizade, porque vocês são amigos e batendo no Mark pela razão que você fez, sabe o que pareceu?
_O que? – mordi os lábios.
_Que você tem vergonha dele. – e então começou a caminhar. – Vá pra enfermaria e não volte ao colégio até a próxima segunda.
Fechei os olhos, não tinha agido certo, nem com Misha nem com Mark, mas principalmente com Misha, porque o diretor não sabia, mas nós estávamos envolvidos sexualmente e agora eu podia ver que tinha magoado ele.
Fui devagar até a enfermaria, ainda faltavam três ou quatro aulas para bater o sinal da saída. A mulher baixinha com um coque vermelho veio logo me ver, dizendo o quanto aquilo era feio, e eu sabia que ela não estava se referindo apenas a briga, mas também ao meu estado.
Ela me deu analgésicos, cobriu alguns ferimentos com gases e me deu um saquinho de gelo para o olho, dizendo que desincharia logo se eu ficasse com ele. Eu agradeci e fiquei sentado na maca, esperando até ela dizer se eu podia sair. Mark estava na maca em frente a minha, ele estava pior e eu senti pena dele.
_Me desculpe, cara. – eu falei e ouvi um resmungo da parte dele. – Eu não devia ter perdido o controle e batido em você daquele jeito.
_Eu bati em você. – ele disse, a voz meio risonha, isso era engraçado e Mark, ele nunca deixava de rir, mesmo que estivesse na pior, como era o caso. – Você estava apanhando.
_Sim, claro, mesmo assim, me desculpe ter começado isso e ter feito você ficar fora dos jogos.
_Tudo bem, eu vou ficar fora só por dois jogos, você é quem não vai mais participar da peça.
Eu abaixei a cabeça, aquilo era verdade.
_É. – e suspirei fundo.
Se instalou um silêncio insuportável, porque, podia não parecer, mas eu não gostava de ambientes calmos e aquilo já estava me fazendo ficar entediado, a única coisa que se podia ouvir ali eram as nossas respirações e o ponteiro do relógio.
_Me desculpe, Jensen. – ele disse depois de um tempo.
_O que? – eu pensei não ter ouvido direito.
_Me desculpe. – ele olhou pra mim, a face esquerda vermelha pelos socos que eu tinha dado. – É tua vida, eu não tinha que me meter, e se você gosta, – ele deu de ombros. – eu não me importo na verdade, porque eu também gosto, minha peça preferida é A Noviça Rebelde, dá pra acreditar? – ele sorriu e eu balancei a cabeça sorrindo junto.
_É, isso não era algo que eu esperava.
_Só que se contar isso pra alguém...! – e apontou um dos dedos enfaixados pra mim.
_Já sei. – eu disse, a bolsa de gelo em uma das mãos enquanto as levantava em forma de rendição. – Se eu contar você chuta minha bunda.
_É. – ele disse, e voltou a encarar o teto.
Eu sorri e então a enfermeira entrou de novo, dizendo que eu estava liberado, mas que Mark teria que ficar mais um pouco e que o namorado dele vinha buscá-lo, eu ergui as sobrancelhas.
_Namorado? – perguntei depois que a enfermeira saiu.
_Oras, o que tem? Como se você e o moreno também não estivessem namorando. – ele disse, dando de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
_Nós não estamos, quero dizer, eu quero, mas depois de hoje, se tornou mais impossível do que entrar na peça do colégio de novo.
_Ah, qual é?! – e fez uma careta. – Pare com isso, só porque a gente é viado não quer dizer que temos que ter frescurinhas, se quer alguma coisa, vá atrás, foi assim quando eu quis convidar a Genevieve para o baile do colégio do ano passado, mas aí, é claro, eu acabei me apaixonando pelo rei do baile, então... Fazer o que? Foi só ser eu mesmo, deu tudo certo.
_Falando assim parece ser fácil.
_Não disse que foi fácil, mas tudo o que eu passei... Bom, valeu a pena, pra ficar com ele.
_Como o treinador não te expulsou? Ele me tirou do time só por estar na peça, imagina se ele descobre que eu estou a fim do irmão da Julieta?
Mark riu escandaloso, segurando o abdômen.
_Teobaldo hum? – e sorriu, controlando-se. – Bem, ele não sabe, ninguém na verdade sabe. Quem já viu ele, pensa que é meu irmão mais velho, moramos juntos no Sant'Ana.
_Hum. – e peguei minha jaqueta, ainda meio chocado.
_Mas se você... – ele começou e eu sabia que era uma ameaça.
_Não vou contar pra ninguém, Mark, afinal, você sabe um segredo meu também não é?
_Sim, mas o meu segredo é mais complicado, meu companheiro tem muito a perder se alguém ficar sabendo. – ele disse.
_Eu não vou contar Mark, te dou a minha palavra.
Ele acenou com a cabeça e eu apertei a mão dele, como que para afirmar minhas palavras.
_Eu confio em você. – ele disse. – E boa sorte. – desejou.
_Obrigado. – e sai dali, pronto para enfrentar o diretor, eu precisava voltar pra peça.
Entrei na sala e a secretária nem se dispôs a brigar comigo por estar entrando daquela maneira, achei melhor assim, se não perderia pelo menos metade do tempo que pretendia passar ali.
Abri a porta da sala do diretor e ouvi um suspiro cansado vir dele.
_O que você quer aqui? – ele perguntou. – Pensei que tinha sido claro o bastante quando disse que era para ir pra enfermaria e então para casa.
_Eu não concordo com o fato de não poder mais participar da peça. – eu disse, sem dar atenção as palavras dele.
_Pelos céus, Jensen! – ele levantou os olhos para mim. – Isso tudo já está resolvido, você não vai mais atuar, em todos esses anos as peças foram esplendidas, eles não precisam de você para fazê-la, eu só o pus lá porque pensei que pudesse aprender alguma coisa, mas você se mostrou incapaz.
_Diretor, por favor, eu preciso fazer essa peça, eu... Eu preciso me redimir, não posso deixar que as pessoas se decepcionem mais uma vez comigo... Eu preciso que me dê mais uma chance! – implorei. – Por favor...?
_E quem me garante que você quer mesmo isso? Quem me garante que você não vai estragar tudo, Jensen?
Mordi os lábios, não tinha como garantir aquilo para ele, eu era imprevisível até para mim mesmo, mas por alguma razão eu reuni coragem, sabe Deus de onde, e disse.
_Eu.
_Você? – ele riu debochado, mas então viu que eu falava sério. – Me desculpe, mas acho que não, Jensen.
N/a: Demorei de novo, desculpem *foge das pedradas* espero que estejam gostando *u*
N/a²: Ah, eu li a fic da Lia Collins que é quase a mesma linha de raciocínio que esta fic, quem quiser ver, está no AnimeSpirit, o nome da fic é Grease (http:*/* .br*/*fanfics*/*historia*/*fanfiction-*series-*tv-*supernatural-*grease-*460846) - só tirar os * e colar no navegador - , a fic é linda!
*Especial pra Lia: Menina, até me assustei ao ver que nossos pensamentos eram super parecidos, até mesmo o fato de que o Jensen era o capitão do time de basquete! Mas a sua fic é incrível, mesmo, mesmo! Só não deixei review lá porque não tenho conta, mas agora você já sabe que ela é maravilhosa e o Paulo é um sortudo por ganhar um presente daquele *baba de inveja*
Review's?
