Disclaimer: Naruto não me pertence, eu não ganho nada além de seu singelo feedback para escrever essa fanfic! ^^
Warning: Yaoi, lemons, literatura fantástica (fantasiosa/surreal) e assuntos religiosos/polêmicos.
Placar:
Sasuke (0)
Itachi (1)
N/A: Ok! Itachi ganhando na votação até então =)
Nesse capítulo conto a história de Sasuke e Naruto, mas em terceira pessoa e rapidamente.
Sobre o universo do Itachi, gradualmente vou explicando as coisas, não se preocupem se parecer confuso, pois tudo será explicado minunciosamente no momento certo.
Mas quero mesmo que vocês quebrem a cuca pra tentar entender, pois demorei mais de dois meses pra criar tudo isso... =P
THE PLAN
Naruto acordou na manhã seguinte com uma tremenda dor de cabeça. Sequer sabia se poderia ter chamado o ato de abrir os olhos e encarar o teto iluminado pelo sol de seu quarto como "acordar", tendo em vista que a noite cheia de pensamentos o impediu de sequer cochilar.
Sasuke o confundia. Sempre foi assim, por mais que ele odiasse admitir.
Naruto e Sasuke se conheceram quando crianças, aproximadamente aos doze anos de idade. Odiaram-se profundamente a primeira vista, e criaram uma rivalidade imensurável durante boa parte da adolescência.
O loiro recordava vividamente os pais de Sasuke, sempre rígidos porém carinhosos à sua maneira. Seu pai, por sua vez, era uma pessoa extremamente amorosa e despreocupada, brigas era algo que não havia na rotina da família Uzumaki.
A família Uchiha e a família Uzumaki dividiam a calçada: eram vizinhos, apesar da leve disparidade financeira. Obviamente, os imigrantes Uchiha possuíam maiores condições financeiras, mas nem por isso os Uzumaki poderiam ser colocados para trás financeiramente. Possuíam um grande terreno e depois de alguns anos de trabalho duro de Minato, que gerou dinheiro empregado em reformas constantes na casa da família, resultaram em uma casa digna de ser vizinha da mansão Uchiha.
As famílias se davam consideravelmente bem se desconsiderasse as briga dos filhos. A criança loira e a criança morena se odiavam profundamente e brigavam por diversos motivos. No início da adolescência esse ódio se transformou numa rivalidade longe de ser saudável, o que fazia os garotos voltarem da escola sempre com hematomas e arranhões pelo corpo. Fugaku e Minato tentaram castigar os filhos para educá-los para não agirem mais assim, colocando-os de castigo juntos como última tentativa de coerção correcional. É redundante afirmar que os garotos quase se mataram nesta ocasião.
Naruto lembrava vagamente de haver mais alguém morando na casa dos Uchiha, talvez um primo, mas por mais que forçasse a memória era incerta e deturpada. Em seus registros infantis, apenas Fugaku, Mikoto e Sasuke existiam com clareza. Pensar que Fugaku e Mikoto morreram de uma maneira tão trágica o fizera lembrar-se da morte do próprio pai. E isso foi o que fez os olhos de Naruto encararem seu teto praticamente toda a noite.
Minato criou Naruto sozinho, tendo em vista que Kushina morrera no parto. Naruto cresceu ouvido historias de sua mãe, adquirindo um verdadeiro amor por alguém que jamais conhecera. Por vezes se entristecia, trazendo na mente memorais que jamais aconteceram de momentos imaginários com sua mãe. Ao receber a notícia do desaparecimento de Minato, o mundo de Naruto acabou.
Fantasiar que sua mãe, alguém que você nunca havia conhecido, possuía um passado contigo era algo doentio, mas aceitável – afinal, ele jamais a teve por perto. A lembrança de um passado real e de um presente que fora arrancado de si era extremamente mais doloroso.
Foram longos meses para o loiro. As buscas policiais penduraram por meses, mas nenhuma pista era adquirida. Dentro de algum tempo, o delegado de policia encerrou o caso, independente dos protestos veementes de Naruto e a família Uchiha.
Mas como Deus nunca fecha uma porta sem abrir uma janela, Naruto recebeu de presente a sua segunda família. Apesar de possuir um tutor que administrara o dinheiro dos Uzumaki até sua maioridade, o auxílio emocional veio do outro lado do muro. Mikoto foi a primeira a se preocupar com a saúde do menino, buscando-o para almoçar dia sim dia não, assim como checando praticamente todos os dias se ele estava cuidando de sua higiene e fazendo o dever de casa. E o garoto recordava das histórias que seu pai constantemente o narrava, Mikoto e Kushina eram grandes amigas na faculdade e fora a própria Kushina que apresentara Fugaku para a morena... Talvez ela sentisse alguma vontade de se redimir. De qualquer maneira, Naruto aceitou os cuidados da vizinha de bom grado, e depois de algum tempo passou a frequentar constantemente a casa dos Uchiha.
Fugaku foi o primeiro a se preocupar com sua formação educacional superior, e foi quem o fez perceber o talento que possuía para a política. E a política se tornou o laço entre eles, pois era um assunto que muito interessava Fugaku, o que fez sua relação com Sasuke piorar consideravelmente. Ciúmes envolto da tão conhecida rivalidade, talvez. O moreno passou diariamente a fuzilar o loiro com o olhar, e aos poucos Naruto foi percebendo que adentrara sem qualquer permissão na vida de Sasuke.
Procurou, então, se afastar novamente dos Uchiha, não se sentindo no direito de bagunçar a vida do moreno desta maneira. Neste momento, ambos já possuíam a idade de 16 anos e estavam prestes a fazer vestibular. O loiro usou isso como desculpa de seu afastamento, falando que necessitava estudar.
Algumas semanas depois, Sasuke apareceu em seu parapeito.
Irritado, argumentou que o loiro não podia desaparecer sem mais nem menos. E quando Naruto perguntou o porquê dele se importar, ele respondeu que não ligava, mas que sua família sentia falta da companhia barulhenta de Naruto. Obviamente não engoliu essa resposta, afinal, Mikoto e Fugaku tinham livre acesso à sua casa. O herdeiro Uchiha, sem ter mais o que falar, deu-lhe as costas e marchou novamente para sua casa, batendo a porta com força. Naruto sorriu, por mais que ele também não admitisse, sentia saudades das brigas com o jovem da mesma maneira.
Passou a frequentar novamente a casa dos Uchiha e chamou Sasuke para estudarem juntos para o vestibular, desejando ser ao menos útil na vida do garoto que praticamente dividia os pais consigo. O moreno, meio receoso, aceitou a oferta. As brigas foram diminuindo consideravelmente enquanto a disciplina e rotina de estudos aumentava cada vez mais, rendendo uma grande pontuação nos mais importantes vestibulares do país. Passaram na faculdade mais famosa, tanto para Ciências Sociais quanto para Medicina, e os olhos de Mikoto se encheram de lágrimas no dia que finalmente partiram.
Dividiram um apartamento na cidade universitária e, de inicio, a convivência ainda mais próxima foi encarada com estranheza. Naruto tratou de fazer amigos no curso com bastante velocidade, enquanto Sasuke permanecia sempre em casa estudando, sem almejar qualquer vida social. Uma noite em específico, Naruto foi deixado em casa tropeçando em seus próprios pés de tão bêbado que se encontrava.
O Uchiha ficou lívido.
Discutiram praticamente o dia inteiro assim que o loiro acordou de ressaca, e aquela noite foi a vez de Sasuke sair irritado do apartamento, voltando tarde da noite e com uma companhia... Sakura Haruno.
Não entendendo muito bem os seus sentimentos à época, Naruto iniciou uma briga assim que o moreno adentrou a porta. Discutia, apontando o dedo para o peito de Sasuke, que gargalhava divertindo-se com a ironia da situação (efeito este apenas conseguindo com grandes doses de Vodca). Fulminando, o Uzumaki pulou para cima do moreno. A briga só não foi mais violenta porque Sakura interferiu, parecendo ainda mais ameaçadora do que os dois juntos, jogando cada um em seu quarto e batendo a porta ao sair do apartamento.
Apesar do evidente interesse que a rosada possuía no Uchiha, afinal, fora ela quem se prontificara a levar o rapaz para casa depois de altas doses no bar da faculdade (para que, com sorte, conseguisse tirar uma casquinha), ela havia se identificado muito com Naruto. Passaram, inicialmente, a se encontrar ocasionalmente no campus entre os intervalos de aulas, ora conversava com Sasuke ora com Naruto, visto que desde a briga ambos não trocavam mais do que duas palavras um para com o outro, fugindo um do outro como o diabo foge da cruz.
Dois meses depois, cansada de tanta infantilidade, Sakura invadiu o apartamento dos rapazes. Arrancou Naruto de seu computador e o jogou (com uma força pouco convencional para uma mulher) no quarto do Uchiha, trancando a porta em seguida e gritando em alto e bom som "Vocês só saem daqui quando crescerem pelo menos 10 anos mentalmente!".
Ficaram presos por mais de seis horas. Quando saíram de lá... Bem, pode-se dizer que saíram de uma amizade bem conturbada para uma nova etapa do relacionamento.
Naruto e Sasuke adquiriram um tipo de amizade colorida que mantiveram em segredo durante todo o período da faculdade. Apesar de não namorarem outras pessoas durante todo o curso, tardaram à assumir o relacionamento tanto para os outros quando para si próprios, afirmando constantemente se tratar apenas de atração física que eventualmente acabaria.
Ambos mudaram a maneira de pensar quando, no último ano (devido a dependências o loiro se formou conjuntamente com o moreno, que tinha o curso dois anos mais longo), Sasuke deixou de voltar para o seu quarto após as relações sexuais e começou a dormir na mesma cama que Naruto, envolvendo os braços ao corpo do loiro, para a surpresa do mesmo. Aquele dia foi conhecido oficialmente como o inicio do namoro, apesar de jamais discutirem isso em voz alta, ficou assim convencionado na cabeça de ambos. Resolveram assumir a relação, e decidiram que as primeiras pessoas que deveriam saber da relação eram Sakura, Mikoto e Fugaku.
Quando os dois contaram para a rosada, ela apenas ergueu os olhos da TV e falou em tom monótono "qual a novidade meninos?". Eles se entreolharam duvidosos, e tornaram novamente a explicar. Sakura sorriu calorosamente, abraçando os dois em um abraço coletivo "e vocês realmente acham que eu poderia ser a melhor amiga de vocês se não tivesse percebido isso desde o começo?".
O loiro suspirou aliviado, apesar de Sakura ter largado sua paixonite por Sasuke por volta do terceiro ano de faculdade, ainda tinha receio da reação dela ao descobrir. Sakura havia sido subestimada, afinal, era uma estudante de jornalismo inteligente e informada, seria muito capaz de perceber a relação de seus melhores amigos.
Chegando as férias de inverno, Sasuke e Naruto voltaram para casa e apareceram com uma mala em cada mão, as mãos vagas entrelaçadas de forma afetuosa. Mas Mikoto e Fugaku não reagiram nada bem.
Fugaku ignorou Naruto todo o período de férias, Mikoto tentou agir da melhor maneira possível, mas estava evidente o desconforto. Sasuke o olhava suplicando por auxílio, pois eles não imaginavam que os Uchiha agiriam desta maneira, tendo em vista o quanto pareciam adorar Naruto anteriormente. No ultimo dia de férias, quando finalmente voltariam para o campus a fim de cursar o ultimo semestre da faculdade, Fugaku e Mikoto chamaram Naruto para conversar.
Explicaram que Mikoto não podia ter mais filhos além de Sasuke, e por isso sempre esperaram que Sasuke desse continuidade à família Uchiha com seus descendentes, passando o gene da família para as próximas gerações. Deixaram claro não haver qualquer problema a respeito da sexualidade dos dois, mas que isso impedia o sonho do casal de se realizar. Naruto ouviu tudo atentamente, e extremamente entristecido se despediu do casal, falando que infelizmente quem deveria escolher isso era Sasuke e que ele gostava demais do rapaz para deixá-lo para trás por conta própria, apesar do pedido de sua família de coração.
No aeroporto Naruto relatou a conversa para Sasuke, e este nada disse, apertando ainda mais sua mão para deixar evidente que não concordava com a opinião de sua família.
Ou era isso que Naruto acreditava, pois jamais conversaram a respeito novamente.
Ao se formarem, decidiram continuar a carreira na capital do país. Fugaku, por sua vez, se aposentara e ele e Mikoto resolveram voltar para o Japão, auxiliando Sasuke com dinheiro nos primeiros anos de sua vida profissional, ou ao menos eram esses os planos.
Naruto esperou inutilmente que Sasuke continuasse a dividir apartamento com ele, mas ele preferiu morar em uma quitinete no início, orgulhoso demais para usar o dinheiro dos pais depois de formado. Como Naruto já usufruía da integridade de sua herança alugou um apartamento um pouco maior e convidou o namorado para morar consigo, mas o orgulho Uchiha difícil de diluir.
Apesar de tudo, tanto o chaveiro do médico quanto o chaveiro do político possuíam duas chaves de apartamento. Sasuke vivia no lar de Naruto com frequência, e vice e versa. A relação estava muito bem, e quando Naruto propôs o casamento para resolver os problemas de nacionalidade de Sasuke, ele realmente acreditou que teriam um bom futuro como casal a frente.
Quando Sasuke desapareceu, o mundo de Naruto parecia ter, pela segunda vez, desmoronado. Não apenas perdera o namorado/noivo, mas também seu melhor amigo e o contato com os Uchiha, pois até então não sabia para que localidade do Japão eles haviam se mudado. Despertado, denunciou o sumiço de Sasuke à delegacia, e descobriu em poucas horas que o moreno havia comprado uma passagem apenas de ida para o Japão.
Aquela noite, o loiro adentrou a quitinete de Sasuke, destruindo cada peça de roupa e cada móvel que encontrara a sua frente. Nunca mais procurou noticias do moreno, decidindo que, para si, ele encontrava-se morto.
O tempo passou, Naruto conseguiu filiação com um partido e chamou Sakura para ser sua assessora direta, o que ela aceitou prontamente. Depois de algumas pesquisas partidárias, Naruto resolveu mudar para uma cidade menor, a fim de construir seu nome político. Foi vice-prefeito no interior, mas renunciou o cargo para se tornar vereador da capital do estado onde morava, sendo reeleito uma vez. A atual candidatura de prefeito para uma capital seria um grande passo para sua carreira, e ele havia mantido o foco nisso e apenas nisso nos últimos meses.
Até Sasuke reaparecer e bagunçar seu mundo.
_ Droga. – suspirou, levantando o travesseiro da cama e fazendo suas atividades matutinas automaticamente. Precisava ir ao partido e saber os resultados da pesquisa de popularidade feita após a entrevista de ontem à tarde.
Ao descer para o segundo andar de sua casa seus planos foram modificados ao encontrar Sakura com duas tigelas fumegantes de ramen. O loiro não pode deixar de sorrir.
_ Seu esconderijo de chave reserva abaixo do capacho é muito manjado, você devia trocar. – ela falou sorrindo, deixando o ramen em cima da mesa de jantar, andando até Naruto abraçando-o com ternura – Estou muito orgulhosa de você! – sussurrou ao seu ouvido, deixando-o sem jeito.
_ Pelo quê? – perguntou enquanto a rosada se afastava e ele estendia a mão para o precioso ramen, sentando-se para comer.
_ Pela entrevista, foi sensacional!
Naruto sorriu.
_ Eu sou sensacional Sakura-chan.
_ Baka. – ela exclamou, iniciando sua refeição da mesma maneira. Depois de um silêncio nada convencional, ela parou de mastigar, suspirando fundo – Vamos Naruto, me conte.
_ Contar o que?
_ Sasuke. Falei com ele ontem pelo telefone e esta cadeira está com o cheiro dele, vamos, desembucha.
Naruto engoliu rapidamente, encarou os olhos verdes da amiga e soube: não havia escapatória. Já previamente cansado por ter que pensar em Sasuke mais uma vez, suspirou fundo e começou a falar.
(***)
Sujeito: Sasuke Uchiha
Idade: 26 anos.
Moreno, pálido, olhos cinza-escuro, magro, 1,77.
Alma em primeiro grau.
Desenvolvimento passado: retrógrado.
Plano superior: encontrar a cura para o câncer.
Missão: fazer com que o sujeito reencontre Naruto Uzumaki.
Relatório: Sasuke Uchiha foi compelido a observar a entrevista de Naruto Uzumaki no aparelho televisor, descobrindo sua localidade e sua profissão. Breves horas depois, Sasuke Uchiha se dirigiu ao lar de Uzumaki, e permaneceu em seu interior por meia hora.
Auxílio superior necessário? Sim [ ] Não [x]
Tarefa concluída? Sim [x] Não [ ]
Prazo: seis meses.
Kakashi olhava para o documento em seu notebook que desaparecia gradualmente como mágica assim que preenchera o ultimo X. Esperou mais alguns minutos, mas nenhuma nova missão apareceu.
Sorriu, isso significava que Itachi havia tomado a decisão certa, no fim.
O moreno não havia saído do quarto desde o dia anterior, mas se nenhuma nova missão envolvendo Sasuke Uchiha aparecera em seu computador isso significara que seu pupilo havia decidido não interferir ou, ao menos, ainda não estava convicto se interferiria ou não.
_ O livre arbítrio das almas de segundo grau constantemente ferram tudo. – falou para si mesmo enquanto fechava a tela do notebook.
_ A prepotência das almas de terceiro grau é muito mais incomoda, posso afirmar com toda certeza. – a voz profunda tão conhecida falou atrás de si. Kakashi sequer precisou girar o corpo, pois em poucos instantes o moreno de cabelos cumpridos estava a sua frente, andando em direção à saída.
_ Onde vai?
Itachi olhou para trás com uma sobrancelha arqueada.
_ O seu notebook já não te deu a informação necessária Kakashi?
_ Não. Ele apenas me disse que você não vai interferir na minha missão, mas não me disse sua rotina. Estou perguntando como um amigo Itachi, não seja tão formal comigo.
_ Hn. – Itachi abriu a porta de casa e falou rapidamente antes de sair – Vou tomar café.
_ Vou junto, ei, espera! – Kakashi correu atrás do moreno, catando sua carteira e chaves em cima da mesa enquanto corria. – Itachi!
_ Você esta ficando lento Kakashi, deve ser a idade. – Itachi caçoou enquanto o grisalho corria atrás de si, puxando-o pelo braço para desacelerar o passo.
_ Idiota. – xingou baixo e sem fôlego, fazendo Itachi sorrir de canto de boca – Onde vai tomar café?
_ Dennis.
Dennis era um café perto da casa onde Kakashi e Itachi moravam. Kakashi piscou atordoado, pois sabia que se Itachi estava indo para o Dennis significaria que buscava informações.
_ Não precisa ir ao Dennis, pergunte a mim.
O moreno continuou a andar sem parecer ter ouvido o que o grisalho falara.
_ Itachi, tudo isso é por causa da missão do Sasuke? Você sabe muito bem que eu sou seu tutor...
_ De fato sei. Assim como sei que posso recorrer a qualquer alma de grau superior para lições especificas, não apenas você. – o moreno interrompeu – Você será tendencioso.
Kakashi parou de andar.
_ Oras! Qualquer alma de terceiro grau será Itachi!
_ Ainda sim quero tentar.
_ Em vão!
_ Jamais em vão, eu possuo livre arbítrio, assim como vocês... Se eles vão me ajudar ou não cabe a eles decidirem, não eu, você ou Ele. – Kakashi grunhiu atrás de Itachi, e este acelerou o passo, pretendendo entrar ao Dennis o quanto antes. Ouviu um barulho de passos afastando gradualmente e soube que Kakashi havia partido. Era uma das regras, o tutor não poderia seguir o tutorado se ele decidisse buscar informação em outras instâncias.
Itachi entrou no estabelecimento pequeno, fazendo a porta bater em um sino que indicava sua chegada. Algumas pessoas tomavam café e conversavam amigavelmente, outros estavam diante do balcão conversando com a morena de cabelos curtos. E foi até ela que ele andou.
_ Boa tarde senhor, posso anotar o seu pedido?
_ Shizune-sama. – Itachi cumprimentou em voz baixa, puxando a manga de sua camiseta e mostrando a marca em forma de tribal na parte superior do braço. Shizune não pareceu um pouco surpresa.
_ Há quanto tempo teve o chamado?
_ Três anos.
Ela suspirou, sorrindo de forma caridosa.
_ Vocês estão cada vez mais jovens... – levantando a entrada do balcão, indicou para Itachi que a seguisse. Caminharam até uma porta velha e descascada, onde havia uma placa escrita "Exclusivo para Funcionários" – Qualquer um que estiver no Lobby está fazendo hora extra pra ajudá-lo. Se quiser marcar uma reunião com alguém de nível superior retorne para cá, pois essa tarefa é comigo. Qual o seu nome?
_ Itachi.
_ Itachi, certo. – ela tirou um bloquinho de anotações, daqueles que garçons costumam usar e anotou o nome do rapaz, continuando a falar enquanto escrevia – Acrescentarei a visita ao seu cadastro, algum problema quanto a isso?
_ Nenhum.
_ Seu tutor será informado. – ela parou de escrever, olhando duvidosamente para Itachi, como se o encorajasse a tentar desistir.
_ Ele já sabe, não há importância. Alias, Kakashi é um grande pervertido, duvido que de importância necessária para isso ao ponto de desgrudar seus olhos daqueles livros.
Shizune riu, Itachi se permitiu sorrir em retorno.
_ Então é Kakashi. Kakashi é uma pessoa difícil, faz tempo que veio aqui a última vez... Quando parou de ir ao Lobby, vinha apenas para tomar café e animar meu dia. Acho que devem ter lançado mais pornografia nos últimos meses.
Itachi nada respondeu. Apesar de estar ciente que Kakashi vinha de vez em quando ao Dennis, afinal fora o próprio quem o ensinou a respeito de sua existência, Itachi não imaginava que Kakashi viesse para flertar.
Shizune se despediu colocando a mão no ombro de Itachi e voltou para trás do balcão, atendendo os clientes impacientes devido à espera. Itachi abriu a porta e entrou rapidamente.
Era enorme, sem dúvidas nenhuma descrição que conseguira arrancar de Kakashi fazia jus aos que seus olhos observavam.
Uma grande sala, muito maior do que dois campos de futebol, com as paredes brancas e teto aberto ao ambiente solar, coberto de nuvens claras e raios luminosos. No entanto a temperatura do Lobby era agradável, e não quente como aparentaria ser diante deste cenário. Várias pessoas circulavam rapidamente, carregando papéis e notebooks, derrubando canetas e grampeadores enquanto corriam, cumprimentando Itachi assim que passavam ao seu lado. Diversas mesas, umas ocupadas e outras não, preenchiam o interior da grande sala, e trocentas outras portas estavam instaladas nas paredes brancas, por onde pessoas entravam e saiam com grande velocidade.
Tratava-se de almas de segundo grau, assim como ele, em sua grande maioria. Algumas poucas eram almas de terceiro grau, uma ou duas eram raríssimas almas de quarto grau. Ao todo, no mínimo 300 pessoas se encontravam no Lobby.
Itachi avistou uma alma de segundo grau cochilando com os pés em cima da mesa, inclinando sua cadeira de leve para trás. Parecia desocupado, então o moreno decidiu que tentaria, primeiramente, uma consulta com ele. Sentou-se na cadeira à frente da mesa do estranho e esperou até que ele se recompusesse.
_ Que problemático... – o rapaz, mais jovem do que o próprio Itachi, suspirou, retirando os pés da mesa e se sentando eretamente enquanto coçava o olho na tentativa de acordar – Detesto plantões.
_ Também não é de meu agrado estar aqui. – Itachi falou com a voz seca, olhando nos olhos sonolentos do homem a sua frente. Este bocejou, mas em seguida sorriu calorosamente, fazendo Itachi sair da defensiva.
_ Certo, vamos começar. Itachi, não? – disse, ao consultar o computador da sua mesa.
Itachi às vezes se perguntava como toda aquela tecnologia funcionava, mas logo relembrava que não era necessário o mínimo de lógica para que ela funcionasse de acordo com a vontade Dele. Acenou positivamente com a cabeça, respondendo a pergunta do outro.
_ Curioso, vivemos na mesma cidade, preciso relembrar a primeira regra?
_ O que ocorre no Lobby permanece no Lobby. Nós não nos conhecemos fora daqui e as coisas continuarão desta maneira.
_ É menos entediante quando lido com pessoas que já sabem as regras, valeu cara. – o rapaz respondeu, digitando ao preencher algum tipo de questionário – Meu nome é Shikamaru. Você tem toda a liberdade de contar seu caso, sem mencionar nomes ou a graduação das almas envolvidas, inclusive eu prefiro que assim seja. Quando entram em muitos detalhes as pessoas tornam a situação problemática demais.
Itachi concordou com a cabeça, relaxando um pouco em sua cadeira. Aparentemente não seria tão ruim quanto ele imaginara.
_ Estou, assim como você, no segundo grau evolutivo, apesar de alguns séculos à frente, mas mesmo assim talvez não possa responder todas as suas dúvidas. Shizune pode marcar uma consulta com alma superior caso seja de sua preferência.
_ Acho que não será necessário, o que quero saber é simples. – Itachi respondeu com a voz baixa, cruzando os braços e sem perceber adotando uma postura defensiva novamente – Quero saber sobre almas gêmeas.
Shikamaru piscou, pego de surpresa.
_ Almas gêmeas? Por que não perguntou isso para o seu tutor? – perguntou verdadeiramente interessado, se ajeitando melhor na cadeira.
_ Meu tutor seria tendencioso nesse aspecto, visto que nos estamos lidando com missões separadas que envolvem almas gêmeas.
_ Oh... Ok. Essa é fácil cara. As almas gêmeas acompanham-se em suas encarnações e geralmente auxiliam na evolução para o plano superior. Quando em primeiro nível, elas geralmente acabam juntas em um determinado momento da vida de maneira romântica ou como grandes amigos, mas podem vir a se separar por acasos ou pelo próprio destino, se for da vontade Dele. De qualquer forma, toda alma de primeiro grau tem ao menos cinco anos de contato com sua alma gêmea, e muitas conseguem passar o fim de cada vida com elas, apesar de muitas vezes sequer se darem conta de que são almas gêmeas.
Shikamaru parou de falar, almejando que aquela curta explicação fosse o suficiente para suprir a curiosidade do outro. Mas Itachi o encorajou com o olhar a prosseguir sua explicação; suspirando algo que soou muito com "problemático", ele recomeçou a falar.
_ Em segundo grau, as almas gêmeas não se encontram em todas as vidas. Eu, como estou em ano de trabalho e você, por exemplo, não teremos contato com nossa alma gêmea nessa vida. Mas no ano de evolução, ela estará conosco, visto que não existe divisão de tempo no segundo mundo. As almas gêmeas de segundo grau se reconhecem com o toque de peles, fazendo com que a memoria passada de suas vidas volte a sua mente, e então permanecem sempre juntas até o fim daquela vida. E com relação ao terceiro grau de evolução... Bom... Eu não sei. Nunca questionei ninguém sobre isso porque nunca foi um problema pra mim, mas seu tutor deve saber te informar melhor que eu.
_ Meu tutor está fora de questão. – Itachi falou secamente.
_ Hum... ok. Mas é isso que eu sei. Alguma pergunta?
_ Você já tem mais séculos de vida no segundo plano do que eu. Já reencontrou sua alma gêmea no segundo nível, em alguma das suas vidas? – Shikamaru olhou duvidoso para Itachi, evidentemente confuso com a pergunta pessoal, mas nem por isso deixou de responder.
_ Hum... Já, provavelmente nas minhas vidas de evolução. Nós só recordamos da alma gêmea ao encostar nela, e como estou em ano de trabalho não terei acesso à ela, pois ela também esta trabalhando em outro lugar do mundo. Mas eu sinto quando ela esta triste ou tendo algum problema, assim como sei quando está feliz e realizada. Apesar de não saber seu nome, seu sexo, sua profissão, etc, etc, etc. Desta maneira, minha alma gêmea pode ser alguém andando agora pelo Lobby, mas só vou me reencontrar fisicamente com ela na próxima vida. É por isso que almas de mesma geração estão impedida de terem contato físico, regra numero sete, como deve recordar.
_ E quando as almas gêmeas são separadas na transição de nível?
Shikamaru entortou levemente a cabeça para o lado, coçando a nuca distraidamente.
_ É seu caso?
_ É.
_ Você tem absoluta certeza disso? Pois vou dizer, é bem raro. Eu nunca recebi um caso assim.
_ Absoluta. – Itachi falou, começando a perder a paciência. Shikamaru consultava o computador rapidamente e depois de alguns segundos falou em voz duvidosa.
_ Eu não tenho certeza, a informação é bem imprecisa e não fala muito sobre o que ocorre com a alma que evolui de nível. Mas aqui tá escrito que a alma retrógrada torna-se alma gêmea de outra alma retrógrada, cortando parcialmente o laço com sua alma gêmea anterior. Como a situação ficará quando as almas em questão atingirem o plano superior, não sei informar e aqui no manual nada diz.
Impaciente, Itachi cerrou os dentes.
_ Não há mais nenhuma informação?
Shikamaru correu os olhos por cima da tela do computador mais uma vez.
_ Não. É uma parte do manual onde cabe o livre arbítrio das almas superiores, então não tem como estar registrado em documento. Acho - alias, tenho certeza - que é um caso de livre arbítrio.
_ O que quer dizer?
_ Quero dizer que se sua alma gêmea perdeu parcialmente o laço com você e adquiriu outro laço, apesar do destino juntar aquelas almas, cabe a você com o livre arbítrio decidir o que pretende fazer a respeito. O laço foi rompido parcialmente, não completamente, jamais será. O manual não interfere, e se o manual não dita as regras você tem liberdade de escolha... Mas se tomar a escolha errada pode ir contra a vontade Dele e regredir dependendo do caso, assim como já ensinaram nas aulas iniciais sobre o livre arbítrio e suas consequências.
_ Isso quer dizer, então, que eu posso ir atrás da minha alma gêmea? Que tenho o livre arbítrio pra isso?
_ Pode, mas isso não quer dizer que deva. Ter prudência em suas decisões faz parte da evolução, e lembre-se que se espera uma cautela muito maior nas decisões de almas de segundo grau do que de primeiro grau...
Itachi não mais ouvia, seu coração estava quente novamente com a perspectiva de reencontrar Naruto.
O moreno reconheceu Naruto no instante que ele tocara em sua mão para lhe cumprimentar naquele café no dia anterior. Apesar de a aparência de Naruto mudar a cada vida, assim como seu nome, sua personalidade e a radiação de sua alma eram as mesmas. Tiveram sete vidas terrenas juntos, e em apenas dois segundos a mente de Itachi conseguiu reviver todas elas. Só de lembrar-se de tudo isso, seu coração chegava a doer.
Pois Itachi sabia muito bem quem era Naruto Uzumaki, apesar deste não recordar de sua existência. Naruto Uzumaki era o ex-noivo de seu irmãozinho. E o moreno sabia, além do mais, que Kakashi estava em missão para reuni-los novamente.
Horas antes do encontro com Naruto, Kakashi insistiu para que ele abortasse a missão e fosse assistir sua missão relacionada com Sasuke, Itachi se sentiu feliz e reconsiderou abortar a missão. Mas algo em seu interior o fez acreditar que, desta vez, não deveria fazer o que seu tutor indicava. E ali estava o resultado: tinha reencontrado sua alma gêmea.
Kakashi provavelmente sabia desde o início que Naruto e Itachi costumavam ser almas gêmeas. Afinal, Itachi não fazia ideia do tipo de informações que almas de terceiro grau tinham acesso, mas certamente ia muito além do que ele tinha, uma simples alma de segundo grau. Talvez para poupar maiores sofrimentos (apesar de não admitir que Kakashi pudesse estar pensando em nada além do que ferrar sua vida) o grisalho tentara manter seu pupilo longe de Naruto e reencaminhar a missão para outra alma, mas ele não quis por simples... hum... "curiosidade" em reencontrar o loiro.
Agora ele entendia muito bem o que se tratava aquela curiosidade. Era a sede de sua alma para encontrar a alma de Naruto. Mas ele não imaginara que o loiro já teria nova alma gêmea, muito menos que essa fosse o seu irmão, escolhido entre uma infinidade de outras almas de primeiro grau.
_ Não consigo entender o que Ele deseja de mim. – Itachi falou em voz baixa.
_ Sua alma gêmea está no primeiro grau, não é? – Itachi questionou Shikamaru como olhar, interrogando como o moreno seria capaz de chegar a essa conclusão – Bom, é obvio na verdade. Se você reconheceu você tocou na pessoa. Você não pode tocar ninguém de segundo nível, mas pode tocar dos outros níveis. Porém, você esta a trabalho então deve necessitar tocar muitas almas de primeiro grau, enquanto as almas de terceiro grau só vêm à Terra pra auxiliar o ensinamento das almas de segundo grau. Sendo assim, você provavelmente só tem acesso a uma alma de terceiro grau: seu tutor
Itachi impediu uma careta de reaparecer no seu rosto, relembrando o tanto que Kakashi insistia em tocá-lo no dia a dia, ato que ele odiava com todas as forças, mas Shikamaru parecia ter percebido algo de relance, era um jovem muito perspicaz.
_ Analisando sua reação toda vez que falamos de seu tutor, dificilmente será ele a alma gêmea... Almas de quarto e quinto grau não tem acesso à Terra, apenas ao Lobby, e aqui esta descrito ser sua primeira visita ao Lobby. Então, tem que ser uma alma de primeiro grau.
_ Com todo respeito Shikamaru, não cabe a você descobrir quem é minha alma gêmea, não faz parte do seu trabalho. – Itachi falou em voz baixa, enquanto se levantava da cadeira.
_ Foi mal. 'Tô desacostumado a encontrar casos que ativam a minha curiosidade. – Shikamaru falou, checando seu relógio de pulso – Meu plantão acabou, e tenho uma reunião na minha vida terrena agora. Vai usar a saída pelo Dennis? Minha reunião é lá perto.
_ É a saída mais próxima da minha casa.
Os dois morenos andaram juntos para a saída, se despedindo das pessoas que encontravam no caminho. Entraram na porta que levava ao Dennis, abandonando o Lobby. Shikamaru assinou um cartão-ponto que Shizune o entregou, e ela despediu-se de Itachi com um aceno de mão.
Em poucos segundos os dois homens caminhavam na calçada lado a lado. Itachi se perguntava se realmente o caminho de Shikamaru era o mesmo do que o seu, ou se ele estava verdadeiramente interessado na sua vida e a confusão de almas gêmeas.
_ Bom cara, eu vou pra lá agora. – Shikamaru falou, apontando para o outro lado da rua. Itachi fez um "hn" em resposta, envolto em pensamentos profundos demais para se despedir com mais educação.
Alguns passos à frente, Shikamaru gritou em voz alta do outro lado da rua.
_ Yo, Itachi!
O moreno de cabelos cumpridos parou de caminhar, percebendo que o outro no lado oposto da rua também cessava sua caminhada. Shikamaru sorriu, juntou as mãos ao lado de sua boca para amplificar sua fala, gritando do outro lado da calçada em bom som para que Itachi pudesse ouví-lo mesmo com o trânsito intenso.
_ Ele não quer, Ele sabe. Ele sabe que você vai fazer a escolha certa no final, se não, Ele não teria deixado uma escolha tão grande sobre suas costas!
_ Você acredita nisso mesmo ou apenas quer me encorajar? – Itachi gritou em retorno, ainda levemente irritado com o excesso de interesse do homem.
O sorriso de Shikamaru não saiu do seu rosto, mas ele não respondeu. Bocejando, voltou a caminhar de maneira lenta. Itachi também seguiu seu caminho distraído e reconsiderando as novas informações, mas poucos metros apenas, pois uma voz apressada começou a gritar atrás de si:
_ Shika! Shika! Espera, outch!
A voz, a tão importante voz, ecoava em seus ouvidos. Itachi não pode mais se mover, seu corpo parecia ter congelado. Naruto subitamente foi de encontro ao corpo do moreno, pois corria pela calçada olhando para Shikamaru do outro lado da calçada. Caiu sentado, de olhos fechados devido à dor do impacto. Itachi virou-se e encarou o loiro, prendendo o fôlego.
_ Itachi? – Naruto exclamou, sorrindo de orelha a orelha ao abrir os olhos e reconhecer o homem à sua frente.
Suando frio, mas mantendo a expressão facial neutra, o moreno estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar, e ele aceitou a ajuda. Agora de pé, ficaram alguns instantes se encarando sem trocar palavras. Naruto tentava inutilmente entender o que acontecia consigo sobre o olhar desta pessoa que ele mal conhecia e Itachi, por sua vez, só conseguia pensar: Que se dane o destino! Pra que preciso me preocupar com isso quando o acaso me ajuda constantemente?
Shikamaru assistia a cena do outro lado da rua com a boca aberta. Sua expressão logo foi substituída por um sorriso torto de compreensão, retomando a sua caminhada como se não tivesse ouvido Naruto chamá-lo.
_ Que problemático... – desta vez ele não falava da boca pra fora; realmente era problemático.
... Continua ...
