Capítulo 03 – Candy Sweet Faces
Há quanto tempo estava ali? Não sabia, mas sentia falta da presença de seu irmão. Dois dias haviam se passado após o incidente no clube de anfitriões e, desde então, não se falavam direito. Hikaru tentara, diversas vezes, conversar com o gêmeo naturalmente, porém, este permanecia distante e apreensivo, acreditando ser melhor não se aproximar, permitindo, assim, que seus sentimentos abrandassem.
Kaoru chegara exausto do colégio naquele dia e fora direto para o quarto, jogando-se na cama para um cochilo que demorara tempo considerável. Após acordar, demorou-se esparramado sobre os lençóis, pensativo, ocupando completamente a cama de casal. Indagava sobre o que deveria ser feito. Afastar-se do irmão ajudara, mas até quando as coisas ficariam daquela forma? Em seu íntimo, não tinha dúvidas de que, quando se reaproximasse do amado, cairia novamente aos seus pés. Suspirou, torturando-se dizendo que tal sentimento era pecaminoso.
"Como se eu realmente me preocupasse com esse tipo de coisa..." pensou, virando de lado. Até quando agüentaria? Tentou convencer-se que apenas a companhia do outro era suficiente, afinal, não precisava tocá-lo ou ser amado da mesma forma. Resmungou, contorcendo-se ao perceber que não era capaz de acreditar em tal mentira. Após um longo tempo concentrado, em vão, em busca de respostas, foi interrompido por um cheiro ameno que lhe deu água na boca. Movido pela fome, desceu apressadamente as escadas, dirigindo-se até a cozinha. Parou alguns passos antes, supondo que o irmão estaria ali, e ajoelhou diante da porta, abaixando a cabeça para espiar o cômodo pela fresta inferior desta. Nenhum sinal do gêmeo. Ao ouvir um barulho, levantou velozmente, acalmando-se ao perceber que não era nada. Ficou um pouco constrangido imaginando o que pensariam se o vissem à espreita daquele jeito. Tocou a maçaneta e a girou vagarosamente, entrando em silêncio no local. Fechou os olhos e inspirou profundamente, permitindo que o delicioso cheiro estimulasse todos os seus sentidos. Sem olhar para mais nada, agachou diante do forno e ficou observando, com acentuado interesse, o crescimento da massa que, futuramente, transformar-se-ia em um apetitoso bolo. Sorriu, esquecendo momentaneamente seus problemas. Animou-se ao perceber que, possivelmente, faltava algo. Ao se levantar para olhar a pia, chocou-se completamente com o estado deplorável desta, demorando para colocar os pensamentos em ordem. Os recipientes usados no preparo da receita estavam dispostos de maneira caótica sobre a superfície de granito, assim como os ingredientes descuidadamente esparramados. Resmungou ao perceber que sujara as meias pisando na farinha caída no chão e amaldiçoou o cozinheiro pelo ocorrido, perguntando-se o que diabos havia acontecido. Inconscientemente começou a arrumar algumas coisas, mas logo fora interrompido pelo alvo de seu desejo. Olhou ao redor, como uma criança prestes a fazer travessura qualquer, e puxou a travessa a sua frente, repleta de calda de chocolate. Passou o dedo indicador pelo que seria, futuramente, a cobertura do bolo e levou à boca, fechando os olhos ao sentir o saliente sabor adocicado. Sorriu novamente, repetindo o ato, prometendo a si mesmo que seria apenas mais uma vez. Foi surpreendido por alguém que lhe observava há algum tempo e estremeceu ao perceber que era a pessoa que mais queria evitar.
Hikaru segurou a mão daquele que fora instigado a ir até a cozinha, levando-a novamente em direção à travessa. Para isto, debruçou-se sobre as costas do irmão, pressionando-o sutilmente contra a pia para, então, puxar-lhe de volta a mão, cujo dedo estava estrategicamente coberto de chocolate.
- Está bom? – lambeu solenemente este, brincando, por fim, ao morder com cuidado o dedo do gêmeo que, a essa altura, já havia perdido completamente palavras e reações.
- Eu não havia te visto! – exclamou subitamente, atrapalhado, assustando o outro. Pôs-se a falar coisas sem sentido, embaraçando-se com as palavras e perdendo o fôlego consecutivamente – Pediu para que o cozinheiro fizesse um bolo? Ótima idéia, Hikaru! A cobertura está boa, não? Está sim. Espero que fique pronto logo! Não que vá demorar, afinal, a massa já cresceu bastante, mas... O que será que aconteceu? As coisas estão bagunçadas você não acha? Mas tudo bem, porque...
- Fui eu quem fez o bolo – interrompeu o monólogo desesperado do garoto, olhando para o chão, supostamente constrangido.
- O quê? – parou, ficando em silêncio. Ambos permaneceram assim por algum tempo, perdidos em seus pensamentos. Um semblante triste marcou Hikaru por breve momento, porém, tempo suficiente para que o gêmeo percebesse que havia algo errado. Murmurou o nome do irmão, tocando-lhe, timidamente, o ombro.
- Kaoru... – sussurrou, aproximando-se e pousando as mãos sobre a cintura do gêmeo, recostando a cabeça no ombro deste. Como uma criança manhosa, roçou o rosto na blusa de seu acolhedor, induzindo-o a abraçá-lo.
- O que houve? – perguntou em tom tão baixo quanto o sussurro de seu amado, apertando-o contra si em busca do tão desejado calor emanado por ele.
- Você sabe... – levantou a cabeça, fitando a face rubra do outro. Estavam excessivamente próximos, o que perturbava o mais velho, porém, foi capaz de evitar que isto transparecesse – Eu fiz para alguém.
- Alguém? – estremeceu, engolindo seco após a visão enturvecer. Tentando controlar a respiração descompassada, afastou-se um pouco do irmão, procurando coragem para concluir o que começara. Moveu os lábios, sem citar qualquer palavra e enrijeceu os ombros, desviando o olhar. Não queria perguntar, mas ao mesmo tempo, sentia desesperadamente uma vontade de saber. Voltou a olhar para o outro, arriscando, então, sem pensar mais – Alguém especial?
- Espero que essa pessoa goste... - Balançou a cabeça afirmativamente, fazendo com que os joelhos de Kaoru perdessem a força por um milésimo de segundo que quase o levara ao chão. Antecipando-se, o garoto exclamou que com certeza tal pessoa gostaria do presente e que, não importando quem fosse, daria o maior apoio ao irmão porque queria muito vê-lo feliz. Riu da forma mais sincera que pôde, surpreendendo o outro. Afastou-se rapidamente, virando de costas e indo até a porta, ainda proferindo palavras de apoio.
- Vou tomar banho, Hikaru! Depois conversaremos melhor sobre isso, está bem?
- Você... Não quer saber quem é?
Parou, apoiando-se na batente da porta, em silêncio. Fechou os olhos, inspirando todo o ar que podia, tentando conter as insistentes lágrimas que não faziam questão alguma de permanecerem escondidas. O nó na garganta impediu que sua voz soasse em um volume apropriado, porém, sua questão fora suficientemente audível.
- Quem é, Hikaru? A pessoa que você gosta?
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Caramba, esse capítulo foi complicado. A inspiração não veio de forma alguma, mas vou viajar amanhã cedo, então não tem jeito. Achei as descrições difíceis de serem escritas, o que empacou minha vida, mas, supera-se. Espero que esteja aceitável e que não tenha desapontado vocês. Hm... O que mais?
Ah, sim. Continuação SÓ em Agosto.
Sim, eu parei nessa parte de propósito. Eu sou mala.
Não, brincadeira. Não é isso. É que realmente não dá p/ escrever o resto agora ou vai ficar estranho. Só conseguirei postar em Agosto porque ficarei fora por um mês.
Aguardem.
Kisses and Hugs.
