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Capítulo Três - All Smiles

Agora.

Bella POV.

Como sempre, a casa estava vazia e fria. Os empregados nunca estavam no caminho e faziam o possível para serem tão invisíveis quanto eles conseguiam. Tudo ali era milimetricamente organizado e gritava luxo, ostentação... A começar pelas pinturas caríssimas expostas nas paredes, assim como móveis de madeira pura ou os lustres feitos do melhor cristal. A casa era repleta de troféus conquistados pelo meu marido, incluindo eu mesma. O chão de madeira completamente limpo e encerado era basicamente um espelho, refletindo minhas longas pernas enquanto eu caminhava e também mostrando o barulho do salto da minha pantufa batendo contra ele. Meu marido caminhava ao meu lado em silêncio, e eu tentava não recuar do seu toque insistente no início da minha coluna enquanto ele me guiava. Quando entramos, finalmente, na enorme cozinha eu imediatamente notei como a mesa do café da manhã já estava inteiramente posta e a nossa espera, como de costume. Frutas frescas dos mais variados tipos estavam picadas, meu suco de laranja natural espremido na hora já estava em uma belíssima jarra de cristal, as torradas , os croissant, as geleias e os frios organizados milimetricamente assim como o café e o leite. Depois de me sentar no meu lugar de sempre, esperei até que meu amado marido desse a volta na mesa e se sentasse em seu lugar também. Eu sabia muito bem que não devia ser burra o bastante para saber que não devia irritá-lo ao me servir primeiro. Eu já havia cometido esse erro antes.

- Espero que você beber uísque pela manhã não se torne um hábito - ele alertou casualmente, enquanto uma das empregadas servia seu café.

- Não vai - eu prometi em um tom falsamente submisso, pois sabia que era o que ele queria ouvir.

- Ótimo. Você pode se servir, meu bem - disse em um tom mais doce.

Lançando um sorriso pequeno em sua direção, eu comecei a passar um pouco de geleia de mirtilo em uma das torradas feitas em casa e a me servir com um copo de suco e então comecei a comer, muito embora meu apetite fosse praticamente nulo. Eu preferia mil vezes estar de volta a minha sacada enquanto era tomada por aquele sentimento de perigo e excitação. Enquanto comíamos em uma conversa arrastada na qual eu fingia estar interessada e fazia meu papel de esposa perfeita, respondendo o que ele queria e sorrindo mas horas certas, eu me pus a observar o homem sentado do outro lado da mesa. O cabelo já não possuía o mesmo brilho e a mesma cor forte que algum dia possuiu, e eu podia claramente perceber o leve tom grisalho que ele estava ganhando. Os olhos eram tão sem vida que algumas vezes eu me sentia inconfortável em apenas olhar para eles. E o sorriso... Bom, eu não conseguia me lembrar exatamente de como ele era.

De qualquer forma, quando finalmente acabamos de comer, segurei a vontade de respirar aliviada e me levantei da cadeira, ainda com minha expressão doce.

- Leah deve chegar em alguns minutos - eu anunciei com um sorriso, sabendo que por algumas horas eu teria um pouco de paz.

Após um ataque gravíssimo de trombose venenosa aguda algum tempo atrás que quase o levou a morte, meu marido estava proibido de voltar ao trabalho por pelo menos três meses e precisava de acompanhamento diário de uma enfermeira que o ajudava com exercícios que faziam com que ele tivesse uma melhor articulação sanguínea, além do anti-coagulante que ele precisava tomar todo dia. Era um processo que precisava ser efetuado com cuidado e atenção, pois qualquer erro poderia levá-lo a um destino horrível. O que seria uma pena... Para alguns.

- Não sei porque ainda preciso continuar com essa besteira - resmungou como sempre fazia e eu mantive minha expressão que pairava entre preocupada e imparcial.

- Você precisa continuar o tratamento só por mais algumas semanas e tudo ficará bem - prometi, sabendo que não era bem uma mentira de fato. As coisas realmente melhorariam em algumas semanas. Tudo dependia do ponto de vista. - Enquanto isso, porque você não se senta na sala enquanto eu pego os papéis que busquei na empresa ontem para você assinar?

- Mais papéis? - perguntou distraído.

- Caius disse que é sobre o contrato final da aquisição que a empresa está fazendo - expliquei, esticando os papéis em sua direção juntamente com uma dose pequena de uísque.

- Você me mima muito - disse em um tom provocativo e eu segurei a vontade de fazer uma careta de nojo quando ele desceu a mão até a minha bunda e apertou ali. O toque não era igual. Não havia nenhuma chama ou desejo. Era tudo mecânico e frio, mas eu sabia que não podia recuar. Sabia que precisava manter o meu papel de esposa perfeita. Eu não queria ele desconfiado ou irritado. Ter sua confiança nas próximas semanas era de extrema importância. - Que tal se você me mimasse um pouco mais, uh?

Obviamente eu não podia estar mais agradecida quando Leah escolheu aquele exato momento para chegar, interrompendo imediatamente as investidas não-correspondias do meu marido. Eu sabia que não podia prologar muito mais tempo sem fazer sexo com ele, mas eu estava feliz de ter tido mais uma pedra no caminho. Grunhindo, ele tirou a mão da minha bunda e assinou os papéis sem prestar muita atenção e eu segurei o sorriso vitorioso que queria nascer.

- Continuaremos isso mais tarde - ele disse e eu engoli em seco, abrindo um sorriso falso e caminhando em direção à porta para deixar Leah entrar. Como sempre, abri a porta para ela com um sorriso no rosto e contei sobre os exercícios que meu marido tinha feito no dia anterior, a certificando de que ele estava fazendo tudo direito.

- Pronto para os exercícios de hoje? - ela perguntou em seu tom usualmente animado demais e meu marido apenas revirou os olhos, dando o último gole no uísque antes de se levantar.

- Vamos logo com isso.

- Espera! - disse prontamente. - Não se esqueça de tomar seu comprimido, meu amor.

Docemente, eu levei a bandeja com um copo de água e o frasco do comprimido para ele e quando ele terminou de tomar, relutantemente, o recompensei com um beijo na bochecha, antes de abrir um sorriso doce e deixá-lo a sós com Leah para a rodada de exercícios do dia.


Algumas de vocês ainda estão confusas com a dinâmica da fic então vou explicar: os capítulos alternarão entre PRESENTE e PASSADO até a história se "conectar". Bom, agora sobre o capítulo... não revelou muitas coisas, mas acho que com ele vocês já conseguem formular teorias melhores a respeito da relação da Bella com esse marido dela e o futuro da fic. :) Enfim, muito obrigada pelos comentários e por favor, não deixem de comentar neste também!

bjs e até o próximo capítulo :*