CAPITULO 3

- Não pode ser uma doença auto-imune.

- Os glóbulos brancos estão atacando o corpo, isso é uma doença auto-imune, Chase.

- Começou no cérebro, depois os pulmões, e agora o fígado. Piorou em dois dias, e está indo cada vez mais rápido. Tem que ser câncer.

- Faça uma radiação, e esperamos. – diz House.

Chase se levanta, ao tempo que Andréa aparece na porta.

- Hey, Loirinho, quer tomar um drink mais tarde?

- Claro. – ele diz, caprichando no sotaque australiano.

- Te pego ás sete.

Ele exclama algo como "yeah".

Cameron o observa sair.

- Acho que perdeu a parada.

Ela olha House, que mantêm um olhar brincalhão.

- Que parada?

- Você sabe do que eu to falando. Bobeou, dançou.

Cameron suspira.

Já tava de saco cheio das brincadeiras de House.

Mas pensando bem, aquela dorzinha no fundo do estomago havia voltado. Perdi?

XXXX

- Como estão as coisas? – Andréa pergunta, após ela e Chase sentarem num bar próximo ao Hospital.

Chase dando um gole num copo de uísque, responde:

- Bem.

- Por que você não casou?

Chase ri.

- Não sei, e você?

Ela nega.

- Não tenho tempo pra isso. Eu tive um relacionamento parecido com um casamento há uns dois anos, mas... não deu muito certo. Ele via mais a minha mãe do que eu. - ela bebe de um copo de vinho. - Acho que eu preciso de um médico pra casar. Quer casar comigo? De novo?

Eles riem.

- Mas você tá namorando ao menos? - ele pergunta.

- Não. Estava, mas não mais. Ele era músico, e me trocou por uma peituda de dezenove anos. E você?

- Não também.

- Ah, mentira!

- Por que acha que eu to mentindo?

- Ah, Robbie, por favor. Tenho certeza que você já deve ter traçado metade das enfermeiras daquele hospital.

Ele gargalha.

- Ou...- ela o fita profundamente, estreita os olhos, como se o lesse. - Ah não, eu duvido.

- O que?

- Não. Robbie Chase não faria isso.

Chase a olha confuso.

- Andy...

- Eu não acredito! - ela exclama, como se se tivesse descoberto algo.

Os olhos azuis de Chase escurecem. Parece perdido.

- Eu ainda não sei do que você tá falando. O que tá passando nessa sua cabecinha?

Andréa sorri.

- Me fala dela. - ela diz bebericando o vinho.

- De quem?

- Da garota que quebrou seu coração.

Chase estreita os olhos.

- Que garota?

- Ah, Robbie, eu te conheço a tempo demais. Eu sei que tem uma garota.

- Como sabe?

- Você tem essa... sombra de tristeza nos seus olhos.

Chase a olha e ri. Como é que ela sabe?

- Andy... – ele tenta disfarçar. - não é bem assim. Eu não estou triste.

- Está sim. O que aconteceu? Por que ela te chutou?

- Por que você acha que ela me chutou?

- Homem nenhum ficaria assim após ter chutado alguém. Ele foi chutado.

Chase baixa os olhos e confessa:

- Ela não quer nenhum relacionamento comigo.

- Como assim?

- Ela não quer ficar comigo. Por motivo nenhum.

- Que estranho. Que tipo de mulher é essa?

- Ela... - Chase fica em silêncio, e pensa em Cameron. - Ela... é perfeita.

- Oh, meu Deus! – ela deixa o queixo cair como se estivesse abismada. – Isso é pior do que eu pensava. Você a ama, não é?

Chase levanta os olhos para a amiga, e dá um sorriso triste. Andrea se comove e sorri também.

- Ela deve ser uma grande idiota.

- Não, não é.

- Pra deixar você, tem que ser, Robbie.

- Andy, ela não quer...

- Se ela não quer nada com você, o que fez vocês começarem por exemplo?

- Nós... só...

- Ficavam no sexo?

Chase a olhou, embaraçado.

- Jura? - ela perguntou. - Bem, normalmente para os homens essa é a melhor parte.

- Também achei que era.

- Você já falou com ela?

- Já. Mas não adianta muita coisa.

- Ela sabe que você a ama?

- Sabe, esse foi o motivo de ela me... chutar. – ele disse a última palavra, rindo pra ela.

Andréa levanta as sobrancelhas.

- Uau!

- Eu não tenho expectativas, Andy! Estou superando, só isso.

- Isso é muito estranho! Você não sabia lidar com problemas antigamente.

- Hey, não diz isso! Antigamente os meus problemas eram bem diferentes desse.

- Eu sei disso. Mas você lembra de como você cuidava dos seus problemas?

- Andy... – ele tenta impedi-la.

- Bebendo. E muito. – ela diz, tendo o olhar embaraçado do Chase. – E pela intimidade que você tem com os bartenders e os garçons desse bar, você não deve ter mudado muito.

- Andy...

- Robbie, por favor, isto não é jeito de lidar com os problemas.

- O que você quer que eu faça? Que eu chore no meu travesseiro, sonhando com a possibilidade de um dia ela bater na minha porta e dizer que me ama? – ele diz engolindo o seu uísque de uma vez. – Ela não me quer. Ela quer o House...

- House, o seu chefe? Tá falando sério?

- É, ela sempre quis ficar com ele. Nem sei porque embarquei nesse barco furado. Foi o meu lado macho louco pra...

- Transar com ela?

- Talvez. – ele estica o copo vazio. – Hey, Adam, me dá mais um.

O bartender enche o copo de Chase.

- Deixa a garrafa aqui.

- Robbie... não! – diz Andréa contrariada, afastando a garrafa.

- Me deixa beber, Andy. Não somos mais noivos. Agora você é só minha amiga e tem que beber comigo. – diz ele enchendo o copo dela.

Ele bebe todo o copo e suspira.

- Dia doze está chegando.

- É, eu sei. – ela diz.

- Você vai vê-lo todo ano?

- Vou. Vai ser o primeiro ano que não vou estar lá.

Chase engole mais uísque. Andréa também.

- Eu acho que vou pra casa. Amanha vai ser o meu primeiro dia de verdade na nova equipe do Dr. Foreman.

- Então tá. Te vejo amanhã. – ele diz, engolindo mais uísque.

Andréa levanta do banco, coloca o casaco e encara Chase.

- Você não devia fazer isso. Isto tá te destruindo.

Chase ri.

- Vou ficar bem. Prometo. – ele sorri, lhe dando um beijo na bochecha.

Andréa sorri, sabendo que ele está mentindo. Ao menos, mentindo pra si mesmo.

XXXX

House enche o quadro com sintomas. Ele se volta para a mesa, e encontra apenas Cameron sentada ali.

- Cadê o seu namorado?

- Em primeiro lugar, ele não é meu namorado. E em segundo, como é que eu vou saber?

- Não sei, por que não pergunta para o armário do zelador?

Cameron abre a boca para responder, quando Chase abre a porta de vidro.

Ele está pálido e de óculos escuros.

House levanta as sobrancelhas.

- Nossa, a noite foi ótima, pelo jeito!

Chase dá um grande sorriso, fazendo o coração de Cameron saltar.

Ele só dava esse sorriso pra mim.

- Quer um Vicodin?

- Claro. Por que não? – Chase responde retirando o óculos, e pegando no ar o vidro de Vicodin que House tinha lhe arremessado.

- Como foi a noite com a linda Dra. Shepard?

- Por que eu lhe diria?

- Vai carregar ela para o armário do zelador também? Vou contar para a Cuddy.

Cameron lhe dá um olhar de desaprovação. Chase ri.

- Esses são os sintomas? – apontando para o quadro.

- Ops, isso é o que eu gosto. Gente trabalhadora.

- Parece envenenamento. Quer que eu procure toxinas na casa dela?

- Iniciativa!

- Volto em meia hora.

- Rapidez! Agora me lembrei porque contratei você.

Ele volta a por o óculos e sair.

- Prefiro o Chase assim. Pós-Andrea Shepard. Não pós-Allison Cameron.

- O que você quer dizer com isso?

- Odiava aquele Chase apático e dramático. Este é mais... dedicado.

O que ele queria dizer com isso?

- Vou fazer o hemograma e os exames toxicológicos. – se levanta e sai pela porta. No corredor, quase bate de frente com Andréa.

- Me desculpe. – ela diz, sem ver quem é. Ao ver Andréa, a dor de estomago volta.

- Oi, eu queria mesmo conhecê-la. Sou Andréa Shepard.

- Sou Allison Cameron.

- Você trabalha com Robbie, certo? – ela pergunta animada.

Cameron estreitou os olhos diante daquela cena. Aquela mulher tinha um sorriso estonteante para ela. Parecia feliz e amistosa.

Odiou. Odiou aquela mulher.

- É. – ela responde. – Com Chase e Foreman. Soube que você e Chase foram colegas de faculdade.

- É, Robbie e eu somos amigos de velhos tempos. Trabalhei com o pai dele, Rowan, todos os verões durante a universidade. Me tornei infectologista por causa dele.

- É, Chase disse que você é uma ótima médica.

- Bobagem dele. Robbie é que é um puxa-saco. – ela ri. Cameron bufa por dentro. – Melhor eu ir. Tenho que fazer umas coletas de urina. Foi um prazer te conhecer.

Andréa sorri sincera. Mas Cameron não.

- Prazer te conhecer também. – ela finge.

Seu estomago voltava a ferver. Viu o grande sorriso no rosto dela, e a animação de Chase ao chegar. Será que eles passaram a noite juntos?

Ela lembra das suas próprias palavras quando sugeria o relacionamento baseado em sexo para Chase: "Alguém dia teremos relacionamentos sérios com outras pessoas."

Mas Chase gosta de mim. Ele não pode estar saindo com outra pessoa.

Oh, Deus, o que é isso? Estou sentindo ciúmes?

XXXX

- Testamos tudo o que tem na casa dela e nada. – diz Cameron.

- Ela ainda continua com tonturas e visão embaçada? – pergunta Wilson.

Chase confirma:

- Continua. Não há vestígios de drogas, metais pesados, doenças tropicais, envenenamentos e DST.

- Deve ser neurológico. – diz Cameron.

- Sugiro uma tomografia e procurar um tumor cerebral. – diz Chase.

- Vocês voltaram a concordar? – pergunta House. – Interessante. Façam a tomografia.

Chase e Cameron se entreolham. Ele suspira.

- Gostaria de falar com você. – ela pede.

- Por que? – ele pergunta, parecendo não se importar.

- Chase...

- Cameron, não me importa mais. Eu cansei desse jogo.

- Chase, por favor, você não me dá uma chance nem para conversar com você...

- Eu já fiz isso. Chega. Esquece, Cameron. Eu estou fazendo isso. – ele a olha e se levanta. - Vou preparar a tomografia.

Ele se vira, seguindo o corredor.

Cameron lamenta.

O seu relacionamento com Chase piorava cada vez mais. Antes eram colegas de trabalho, agora nem isso.

Chase a evitava a todo custo. Não conversavam por motivo nenhum. E a situação por trabalharem juntos estava complicando. Parecia que eram dois estranhos.

Cameron lamentava até o ponto que chegou aquilo. Não era pra acontecer. Como aquilo chegou até ali?

Ela tinha uma amizade tão fantástica com ele até começarem aquele relacionamento. Mesmo depois daquela noite louca que ela esteve sob Chrystal Meth, eles decidiram manter a amizade e o profissionalismo.

E a idéia deles terem um relacionamento baseado em sexo foi dela. E o sexo era tão bom. Bom demais. Ninguém podia dizer o que poderia acontecer depois.

Mas tudo acabou quando ele lhe disse que queria muito mais que sexo. Que queria um futuro. E aquilo tudo acabou com o que eles tinham. Seja lá o que eles tinham.

Ela havia deixado claro que não queria mais nada com ele. E mesmo assim tinha a certeza de que ele a queria. Apesar de tudo.

E Chase agora queria esquecer tudo. Esquecer o que eles tiveram. E por mais que ela não diga, aquilo foi importante pra ela. Ela não queria esquecer. E acabou ouvindo da boca dele que não queria mais. Que não se importava mais.

Uma pontada de dor cutucou seu coração. O que era aquilo que sentia? Será que Chase importava mais a ela do que ela imaginava?

Algumas lágrimas lhe molharam o rosto. Por que sentia essa tristeza imensa? Imaginar perder Chase a doía a esse ponto?

- Cameron?

Ela se assustou e virou para a porta, vendo Foreman, Andy e um rapaz negro alto a olharem assustados.

- O que foi? – ele entrou, preocupado.

- Nada. – ela responde. – Nada. Eu... vou ajudar Chase com a tomografia.

Ela se levanta, secando as lágrimas do rosto. Sai da sala sem olhar pra trás.

- O que aconteceu? – Foreman se indaga. – Será que House a ofendeu até fazê-la chorar?

- Será que Robbie sabe de alguma coisa? – Andréa pergunta.

Foreman levanta os ombros.

- Vai ter que perguntar pra ele.

XXX

N/A: Valeu!!

Obrigada Sally, Kate e Camila. Obrigada por terem lido. Taí o capitulo três. Estou tentando ao máximo tentar entender porque a Cameron é tão má com Chase. Espero que seja tudo uma questão de não conseguir superar a perda. E estou aos poucos colocando o fato de Chase também não saber o fazê-lo.

Obrigada por vocês estarem gostando.

Valeu mesmo!!!