N/A: Agradeço pela review recebida, continuarei atualizando a história aqui.
Espero que gostem, esse cap. saiu bem grandinho :D
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Capítulo III - Lembranças
Magnólia.
Um homem acordou com o som do despertador atazanando os ouvidos, que nos últimos meses estavam mais sensíveis do que o normal. Droga, resmungou baixinho enquanto tateava inutilmente a cômoda ao lado de sua cama, os olhos ainda fechados sem nenhuma intenção de serem abertos, a expressão cansada, depois de alguns minutos ele se levantou com raiva, deu um soco no objeto que tocava incessante silenciando o ruído quando o despedaçou em suas mãos.
_ Merda!
Outro despertador que quebrara, com este já eram cinco em apenas duas semanas.
Maldito mau humor de manhã.
Rosnou indo em direção ao banheiro, trajava apenas uma bermuda cinza, que ao andar caia um pouco em sua cintura expondo o oblíquo definido de seu abdômen, quando olhou sua imagem refletida no espelho, bagunçou os cabelos com as mãos ganhando um ar despojado, em seguida lavou o rosto e escovou os dentes, tentou arrumar-se devidamente para o seu primeiro dia de aula, mas seu animo não estava muito bom para embelezar-se naquele dia em questão.
Seu mau humor devia-se a uma festa, que no dia anterior ele permaneceu até altas horas da manhã a procura de seu melhor amigo, um moreno bagunceiro que tinha manias um tanto pervertidas a seu ver, aquele homem maluco despia-se frequentemente em publico, ação que causava bastante estardalhaço por onde passava, Natsu já estava cansado de buscar o amigo na delegacia por atentado ao pudor.
"Gray esta é a ultima vez que eu te tiro daqui está ouvindo? Da próxima vai passar o resto dos seus dias atrás das grades! - Falou irritado, ao sair da delegacia, carregando consigo o amigo bêbado escorado em seu ombro. Já estava quase amanhecendo e por causa da ação imprudente do amigo, o rosado iria ter dificuldades em acordar cedo naquele dia."
Maldito Gray... Pensou emburrado, saindo de seu quarto e dando de cara com o moreno debruçado na mesa da cozinha, ao lado de uma xícara de café pela metade. Pelo menos ele preparou o café da manhã, e chegando próximo a ele, encheu os pulmões de ar soltando logo após um grito estridente.
_ ACORDA CUBO DE GELO!
Assustado o homem a sua frente saltou da cadeira, batendo a mão na xícara de café ao lado, tornando o liquido quente em seu colo.
_ AAAAHHH DROGA, PORRA NATSU SEU DESGRAÇ..
Foi interrompido por um soco no estômago que o rosado lhe deu, que fez o moreno se encolher no chão, agoniado com as dores tanto do soco, como do liquido quente tocando sua pele fria.
_ Você vai me pagar por isso.
Ameaçou-o com um olhar mortal em seu rosto franzido.
_ Agora estamos kits, eu disse que você não ia sair ileso por ter me feito de babá ontem.
O rosado então caminhou até a saída, um resquício de lembrança da noite anterior passou-se pela mente de Gray, que ao se dar conta da armadilha, gritou para o amigo tentando alerta-lo antes que fosse tarde.
_ Cuidado!
E realmente fora tarde demais.
Natsu já havia aberto a porta e ao passar por ela, foi recebido por um banho gelado, de um balde bem posicionado em cima da porta preso por um fio de nylon na maçaneta.
_ Ora seu..
Ele cerrou os punhos, os dedos ficando brancos devido a força utilizada, enquanto ia em direção a Gray, via o remorso e ao mesmo tempo a zombaria nos olhos do mesmo, como se estivessem pedindo desculpas e ao mesmo tempo rindo as custas dele, ensopado o rosado desistiu de chegar cedo em seu primeiro dia.
_ X _
Do outro lado da cidade, em uma mansão bem afastada do centro, escondida pela densa floresta, uma grande movimentação de empregados dos vampiros recém chegados encarregava-se da mudança, carregando moveis e arrumando o local, aparentemente uma família nobre havia se mudado para lá, e em menos de um dia aquilo já virara notícia entre os habitantes da pequena cidade.
_ Você já soube da novidade?
Falou uma senhora empurrando o seu carrinho de compras, para a balconista de um supermercado.
_ Já sim, não acredito que compraram aquela casa amaldiçoada, pobre gente. - Replicou a outra apreensiva.
_ É verdade, mas tenho certeza que eles não ficarão nem um mês naquela casa, assim como todos os outros.
Mal elas sabiam que o real motivo pelo qual aquela família comprou a propriedade, cuja a reputação era tão ruim, devia-se exatamente pelo fato de que nenhuma pessoa daquela cidade ousava a adentrar naquela floresta e muito menos passar próximo as redondezas da casa, outro motivo por escolherem morar em uma cidade tão pequena, era devido ao clima frio e bastante chuvoso daquela região, foram poucas as vezes em que a cidade de Magnólia avistou a luz do sol, o que era extremamente propício para o clã que habitara a mansão mal assombrada, os recém chegados ao reino de Fiore eram nada mais nada menos do que os Heartfilia, sua fama não era tão conhecida nesse novo continente como era em Acalypha.
_ Papai, como conversamos semana passada o senhor prometeu que iria me deixar conhecer melhor a cultura e costumes desse país..
Comunicou a vampira loira em um tom calmo, enquanto analisava as reações do homem a sua frente, e visto que ele não pareceu protestar ela prosseguiu.
_ Por este motivo, eu quero me matricular no colégio da cidade.
Naquele momento, como já havia previsto, o humor do velho mudou drasticamente.
_ Você ficou maluca? Não posso permitir que frequente o colégio dos humanos, nós precisamos nos manter inibidos por um certo tempo até eles ficarem acostumados com a nossa presença aqui.
_ O senhor sabe que eu já estudei em outros colégios iguais a esse, eu sei me controlar perto deles pai, não vou fazer nenhuma besteira, por favor deixe-me ir.
Insistiu ela, com um olhar cheio de expectativa, pedindo por uma exceção.
_ Mas Lucy, não conhecemos esse lugar completamente, não posso arriscar que saia sozinha, podem haver inimigos aqui.
Ao contrário do que o homem esperava, ela não se deu por vencida, a motivação em seu olhar mostrou a seu pai que ela não iria ceder.
_ Mas eu tenho a Erza para me proteger, agora que ela voltou para casa.
Nesse momento uma nova figura surgiu no salão, completando o argumento da loira.
_ Não se preocupe com a segurança da Lucy, Jude-sama. Darei a minha vida para protege-la se for preciso.
Comunicou seriamente a vampira dos cabelos escarlate, e por não haver outro motivo plausível para impedir a saída da filha, o ancião cedeu seu pedido a contragosto.
_ Está bem Lucy, pode frequentar esse colégio, mas de maneira alguma quero que saia de perto da Erza, estamos entendidos?
_ Hai! - Respondeu eufórica.
_ X _
O campus não era tão grande como Lucy estava acostumada, seu pai não fora ambicioso dessa vez, escolheu mudar-se para uma cidade pacata e pouco habitada. A família Heartfilia por ser rica, possuía várias casas em quase todos os lugares do globo, não seria estranho se seu pai adquirisse uma das maiores mansões que aquela cidadezinha já vira.
_ Arigatou Erza-san, não sei o que faria se você não estivesse lá para me ajudar.
A vampira caminhava pelos corredores da escola em que se matriculara, junto a amiga.
_ Não precisa me agradecer Lucy, eu devo minha vida a você.
Aquelas palavras fizeram a ruiva relembrar-se do dia em que sua vida mudou completamente, graças a garota ao seu lado.
"Ano X945, segunda guerra mundial, época de grande crise econômica e uma pandemia que causou a morte de inúmeras pessoas. Em um dos poucos hospitais públicos de uma cidade pequena, uma mulher jovem de aparentemente vinte anos, estava deitada em um leito, ela sofria de uma doença rara naquela época, seu câncer estava em estágio final, restando a ela poucos dias de vida. A ruiva chorava muito, o médico havia acabado de comunicar-lhe sobre o seu estado crítico, infelizmente por não ter família o diagnostico era lhe informado diretamente.
Ela não queria partir, não antes de reencontrar seu amigo de infância, pessoa no qual ela havia apaixonado-se perdidamente e por crueldade do destino foram separados. Uma pequena garotinha interrompeu seu choro, ela a fitava com o olhar triste, a ruiva a olhou de volta enquanto limpava as lágrimas de seu rosto, tentou dar um sorriso que entalou em sua garganta, a menina segurando um ursinho aproximou-se dela, levou umas das mãos ao seu rosto e sorriu de uma forma meiga para a ruiva, ao tocar-lhe as pequenas mãozinhas Erza sorriu de volta.
Neste momento outra pessoa entrou no local, um belo homem de cabelos castanhos, olhar firme, trajando roupas elegantes, este ao ver sua filha chamou seu nome.
_ Venha Lucy, precisamos voltar para casa.
_ Papai, nós podemos salvar essa garota? - Perguntou a pequena de um jeito inocente, recebendo um olhar descrente de seu pai.
_ Lucy eu não posso fazer isso, você sabe que não é tão simples assim.
_ Por favor senhor, me ajude. - Erza suplicou, com uma pequena esperança brilhando em seus olhos.
_ Otou-san, o senhor pode fazer isso, ela precisa de ajuda. – Insistiu a menininha.
_ O senhor é médico? Se for, por favor faça o que estiver em seu alcance para me manter viva.
_ Tem certeza de que deseja viver? A qualquer custo? Mesmo que isto lhe traga uma existência amaldiçoada por todos?
_ Sim, aceito qualquer coisa. Por favor me cure desta doença, eu não tenho muito tempo restante.
Após ouvir sua resposta o homem suspirou, caminhou até a prateleira de medicamentos e dela retirou uma seringa anestésica, em seguida aproximou-se da cama onde a jovem estava deitada.
_ O que é isto? – Perguntou receosa.
_ É uma injeção para te anestesiar, não posso correr o risco de alguém nos ver se você gritar, confie em mim é para o seu próprio bem.
Depois disto ele injetou o líquido nas veias da garota, que minutos depois se sentiu sonolenta, sua visão turva captou apenas a mudança drástica nos olhos daquele homem, de um castanho escuro para um vermelho vivo, seus dentes caninos ganhando forma, saltando de sua boca quando ele finalmente os cravou em seu pescoço, fazendo-a desacordar completamente."
_ Erza-san?
A loira lhe chamou, despertando-a de suas lembranças, ao olhar para garota notou que seus olhos continuavam os mesmos, um misto doce de inocência e pureza, coisas que não combinavam nenhum pouco com o seu sangue amaldiçoado.
_ Sim, Lucy.
_ Posso dar uma volta pelo colégio sozinha? – Ela fez o pedido com uma carinha meiga, deixando sua tutora amolecida.
_ Esta bem, mas não se afaste muito.
A vampira sorriu em resposta, e logo depois desapareceu entre as arvores do jardim do campus, Erza sorriu internamente, tinha além de uma divida infinita, um carinho excepcional pela garota, admirava seu jeito determinado e a bondade que ela tinha em seu coração, a ruiva sentia que um dia essas qualidades seriam cruciais para todos.
N/F:
E ai o que me dizem? Mandem suas opiniões, críticas, elogios, todos os argumentos são super importantes para mim. Não fiquem com preguiça de escrever viu?
Kissus até o próximo.
